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29.5.23

Combate às situações de sem-abrigo passa pela prevenção, diz coordenador nacional

Por Lusa, in Rádio Voz da Planície


O coordenador da Estratégia Nacional para os Sem-Abrigo, Henrique Joaquim, assumiu que o futuro de Portugal no combate a estas situações passa pela prevenção, pois as causas já são conhecidas. Este responsável está hoje na capital de distrito, na criação de um núcleo para dar resposta a estas pessoas no concelho, o NPISA - Beja.


“De futuro temos de investir numa abordagem mais preventiva. Hoje conhecemos as causas, portanto, temos de começar a tomar medidas para combater essas causas, ou seja, não estarmos sempre à espera para resolver o problema, temos de tentar antecipar o problema”, defendeu Henrique Joaquim, coordenador da Estratégia Nacional para Sem-Abrigo em Portugal 2017-2023.

“Recebemos muitas sinalizações de cidadãos comuns, o que significa que estamos muito mais despertos hoje e todos muito mais conscientes para fazer alguma coisa para que não haja mais pessoas nesta condição”, disse.

Questionado sobre a avaliação que faz da estratégia nacional que termina este ano, Henrique Joaquim considerou ser um “marco” Portugal estar entre os 10 ou 12 países da União Europeia com uma estratégia nacional para os sem-abrigo.

“O facto de Portugal ter uma estratégia – em 27 estados-membros nós somos dos 10 ou 12 países que têm uma estratégia nacional, portanto não é um instrumento ainda disseminado em toda a Europa, e temo-lo desde 2017. Acho que isso foi um marco e isso tem-nos permitido pôr o tema na agenda. Hoje é muito mais frequente falarmos, discutirmos, criticarmos se há ou não há medidas, porque efetivamente tentámos ter ações concretas com as pessoas”.

Segundo Henrique Joaquim, nos últimos dois anos e em contexto de pandemia Portugal alterou “a lógica da intervenção”.

“Hoje estamos muito mais focados em tirar as pessoas da rua e colocarmos em casas o mais rápido possível e depois fazer a integração social. Quando há dois ou três anos não era essa a lógica de intervenção e isso permitiu-nos ter os números já consolidados até 2021. Desde 2018 tínhamos mais de mil pessoas tiradas dessa condição e socialmente integradas, portanto, eu estou em crer que seguindo esse caminho, obviamente com melhorias a ser implementadas, estaremos numa estratégia adequada para combater este problema”, explicou.

3.5.22

Mais de mil pessoas em situação de sem abrigo saíram da rua no último ano. Objetivo é "manter o ritmo"

Rute Fonseca com Carolina Rico, in TSF

O Governo vai assinar esta sexta-feira novos protocolos para a criação de 64 vagas em soluções de Housing First e Apartamentos Partilhados em todo o país. Mais de mil pessoas em situação de sem abrigo foram retiradas das ruas ao longo do último ano, revela a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, que esta sexta-feira assina cinco protocolos para dar um lar a 64 pessoas.

Em declarações à TSF, Ana Mendes Godinho explica que estes acordos envolvem autarquias e associações de todo o país, através do programa Housing First e Apartamentos Partilhados. "Equipas multidisciplinares acompanham cada uma das pessoas para a sua reintegração, que é muito mais do que só a casa."

Através de uma avaliação caso a caso, é possível identificar as necessidades específicas das pessoas retiradas da rua, do acompanhamento psicológico ao apoio para "retomarem rotinas e hábitos de autonomia".

Ana Mendes Godinho explica como funciona o acompanhamento das pessoas retiradas das ruas

O Presidente da República definiu o combate ao problema das pessoas em situação de sem abrigo como um como desígnio nacional, a erradicar até 2023.

A ministra da solidariedade promete continuar a trabalhar, mas não se compromete com um prazo. "O objetivo é continuar a este ritmo e, pelo menos, no próximo ano conseguirmos exatamente o que já conseguimos este ano e que mostramos ser possível, mesmo em ano de pandemia."

Governo quer tirar pelo menos mil pessoas da situação de sem abrigo no próximo ano

Nuno Jardim, diretor geral da associação CASA - Centro de Apoio ao Sem-abrigo - defende que os acordos que vão ser assinados esta sexta-feira são uma ajuda importante, mas não chegam.

"Tudo que vamos fazemos com estas pessoas é quase sempre uma gota no oceano devido à complexidade desta problemática", aponta.

Toda a ajuda é boa, mas "que precisamos de mais, precisamos"

O Centro de Apoio ao Sem-abrigo receia que o aumento do custo de vida provocado pela guerra, depois de um ano marcado pelas dificuldades associadas à pandemia, agrave o sofrimento destas pessoas.