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13.9.17

Governo aumenta para 30 o número de bolsas para alunos universitários ciganos

in Público on-line

Programa já distribuiu 25 bolsas no ano lectivo passado.

O Governo vai aumentar de 25 para 30 o número de bolsas de estudo para alunos universitários ciganos, anunciou nesta quarta-feira o ministro-Adjunto Eduardo Cabrita, no âmbito do programa "Opre", uma medida "histórica" que permitiu "rasgar mentalidades".
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O anúncio foi feito o decorrer de uma cerimónia onde foi feito o balanço da primeira edição do "Opre" (Programa Operacional para a Promoção da Educação), que atribui bolsas de estudo a alunos ciganos para o ensino superior.

Na primeira edição deste programa, para o ano lectivo 2016/2017, o Governo atribuiu 25 bolsas de estudo, número que irá aumentar para 30 no próximo ano letivo, anunciou Eduardo Cabrita, que gostaria "de ter não 30, mas 300 candidaturas", já que o problema não está no financiamento destas bolsas.

"Temos de motivar mais jovens, homens e mulheres da comunidade [cigana], a ter orgulho em aceder ao ensino superior", defendeu o governante, sublinhando que "vale a pena estudar".

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Projetos têm funcionado com apoios comunitários e, quando estes se esgotam, a maioria das autarquias acaba com iniciativas

No âmbito do Portugal 2020, Programa Operacional Integração Social e Emprego, o Governo alarga de 11 para 25 as bolsas de estudo para universitários de etnia cigana, no valor de 1500euro euros cada. É o apoio redobrado ao projeto Opré Chavalé (Erguei-vos Ciganos) da associação Letras Nómadas, com o apoio do Alto Comissariado para as Migrações (ACM) através do Programa Escolhas. E será criada uma linha de financiamento para integrar, numa 1.ª fase, 50 mediadores, com prioridade para a educação. Estes, ao contrário dos facilitadores, têm formação específica.

São os principais projetos nacionais em desenvolvimento para a integração da comunidade. A linha de financiamento dá sequência à formação de mediadores municipais em Portugal, que terminou em junho do ano passado e tinha comparticipação de fundos comunitários, através do ACM.

Entende-se "que a mediação é fundamental para a integração das comunidades ciganas e de imigrantes", refere o gabinete do alto comissário, Pedro Calado. O problema é que a maioria das autarquias prescinde dos mediadores quando deixam de ser financiadas. Em sete anos, trabalharam 21 ciganos nas câmaras , restando apenas três em funções: Beja, Barcelos e Moura. E há um quarto no meio escolar de Idanha-a-Nova.

Além daqueles, contam-se 90 mediadores interculturais nos Conselhos Nacionais de Apoio aos Imigrante e 90 dinamizadores do Programa Escolhas. E existem os "facilitadores", uma figura da mediação criada pelo programa comunitário ROMED 2. Além de Torres Vedras estão envolvidos Figueira da Foz, Beja, Seixal, Elvas, Barcelos e Moura (Coimbra e Abrantes saíram quando acabou o programa para mediadores) . E são 11 os países aderentes: Bulgária, Bélgica, Grécia, Macedónia, Roménia, Eslováquia, Itália, Hungria, Ucrânia e Alemanha. Em geral, o apoio autárquico traduz-se em meios logísticos e técnicos.

"A intenção da União Europeia e do Conselho da Europa foi abrir a participação a outros elementos da comunidade cigana. Até aqui, essa participação apenas envolvia os mediadores municipais", explicou Bruno Gonçalves, o delegado nacional do programa. É vice-presidente das Letras Nómadas, representante da comunidade cigana no ROMED 2, e dinamiza o Grupo de Ação Comunitário (GAC) da Figueira da Foz. Faz parte da equipa nacional de formadores ROMED, com Olga Mariano e Luís Romão.

Os GAC são voluntários da comunidade cigana que se encontram para discutir quais são os problemas e necessidades da comunidade. Fazem propostas e, em caso de serem aceites, como acontece em Torres Vedras, dão contrapartidas à sociedade maioritária.