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25.1.21

Só Guterres e Cláudia Azevedo representam Portugal em Davos

Mónica Silvares, in EcoOnline

Governo português não vai estar presente no encontro virtual de Davos que arranca esta segunda-feira. As empresas que costumam marcar presença estão a avaliar a participação no encontro em Singapura.

O Governo português, apesar de assumir a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, é o grande ausente do Fórum Económico Mundial de Davos, que arranca esta segunda-feira em modo totalmente digital. A presença portuguesa será assegurada por António Guterres, na qualidade de secretário-geral das Nações Unidas, e por Cláudia Azevedo, CEO da Sonae SGPS.

Cláudia Azevedo vai ser oradora, terça-feira, de um painel sobre a reorientação dos conselhos de administração das empresas para o longo prazo. A filha de Belmiro de Azevedo vai ajudar a refletir sobre “a pressão que acionistas e stakeholders exercem para que os conselhos de administração apresentem resultados financeiros de forma responsável e focada no ambiente e saúde da empresa a longo prazo”.

Que passos concretos podem dar os líderes empresariais para criar um mundo empresarial mais focado nos stakeholder? Esta é uma das perguntas a que Cláudia Azevedo vai tentar responder em conjunto com Jean Raby, presidente executivo do Natixis; André Hoffmann, chairman do Massellaz; Masayuki Hyodo, presidente e CEO da Sumitomo Corporation; Paul Bulcke, chairman da Nestlé e Adam Robbins, responsável pelas iniciativas futuras de investimento do Fórum Económico Mundial.

A reunião anual do Fórum de Davos, presencial, foi adiada para maio e o cenário não serão os tradicionais Alpes Suíços, mas sim Singapura. Empresas que tradicionalmente marcam presença neste get together entre os principais líderes internacionais, empresários e diferentes entidades estão ainda a avaliar a participação no país asiático. É o caso da Galp, EDP e Jerónimo Martins que, por diferentes razões, não vão estar presentes na reunião virtual desta semana, confirmou o ECO.

Mas além da ausência das empresas também o Governo português não marca presença. O ECO contactou o gabinete do primeiro-ministro, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Ministério da Economia e o Ministério das Finanças e nenhum tem na agenda uma participação no Fórum de Davos. Uma opção que contrasta com a participação do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, a ministra espanhola dos Negócios Estrangeiros, Arancha González e Teresa Ribera, ministra da Transição Ecológica, que têm todos lugar em painéis do evento. Uma participação que iguala, por exemplo, a de responsáveis do Governo brasileiro.

O encontro desta semana tem como tópico central “um ano crítico para restaurar a confiança”, que é dividido em três subtemas: “Covid-19, clima e cooperação”. De acordo com a edição de 2021 do “Global Risks Report” do Fórum Económico Mundial, publicado na terça-feira, as epidemias e o aumento da pobreza são as variáveis que mais ameaçam a estabilidade mundial, assim como os possíveis desastres meteorológicos nos próximos dois anos.

Num horizonte de três a cinco anos, os riscos mais citados são económicos: a explosão de bolhas financeiras alimentadas nos últimos anos pela generosidade dos bancos centrais, falhas de infraestruturas tecnológicas globais e preocupações com a estabilidade de preços no futuro.

O encontro será ainda marcado pela segunda intervenção do Presidente chinês, Xi Jinping, que, apesar da pandemia conseguiu um crescimento de 2,3%. Foi a única grande economia que terminou o ano com um resultado positivo depois de praticamente conter a epidemia de Covid-19 no país.

A edição de 2020 foi dominada por Donald Trump, mas Joe Biden, que acabou de tomar posse, não vai participar. Mas outros líderes de países europeus estarão presente, como Alemanha, França, Itália e Espanha, assim como alguns Estados emergentes, como Argentina, Costa Rica, Colômbia, África do Sul, Gana e Ruanda.

A União Europeia (UE) estará representada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde. Também participarão na cimeira virtual o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, e seu homólogo indiano, Narendra Modi, assim como os presidentes da Coreia do Sul, Moon Jae-in, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e do rei Abdallah da Jordânia.

19.1.16

Quarta revolução industrial levará à perda de cinco milhões de empregos em cinco anos

in Público on-line

As principais economias mundiais serão as mais afectadas, revela relatório que vai ser divulgado pelo Fórum Económico Mundial.

A quarta revolução industrial pode causar a perda de cinco milhões de empregos em cinco anos nas principais economias mundiais, alerta um relatório divulgado nesta segunda-feira pelo Fórum Econômico Mundial (FEM), que organiza o fórum em Davos.

A quarta revolução industrial "irá causar grande perturbação não só sobre o modelo de negócio, mas também no mercado de trabalho durante os próximos cinco anos", disse o relatório divulgado antes do Fórum de Davos, que começa na quarta-feira.

Depois da primeira revolução (advento da máquina a vapor), da segunda (electricidade, linha de montagem) e da terceira (eletrónica, robótica) vem a quarta que combina diversos factores no trabalho, como a Internet e os dados que transformam a economia. Estas alterações resultam numa perda líquida de mais de cinco milhões de empregos nos 15 principais países desenvolvidos e emergentes, diz o FEM que analisou a situação em economias como a dos Estados Unidos, Alemanha, França, China e Brasil.

"São precisas medidas urgentes e concretas para esta transição, a médio prazo, e criar um grupo de trabalho com competências para o futuro, os governos terão de enfrentar um aumento constante do desemprego e da desigualdade" alerta o presidente e fundador do FEM, Klaus Schwab, em um comunicado.

Segundo outro estudo do Fórum de Davos, a quarta revolução industrial também terá consequências para as mulheres. "O peso da perda de postos de trabalho como resultado da automação e da desintermediação da quarta revolução industrial terá um impacto relativamente equitativo entre homens e mulheres", dos cinco milhões que vão perder o emprego, 52% são homens e 48% mulheres, revela o relatório.

18.1.16

Riqueza de 1% da população superou a dos restantes 99% em 2015

in Público on-line

Relatório da Oxfam publicado a dois dias do Fórum Económico Mundial de Davos.

A riqueza acumulada por 1% da população mundial, os mais ricos, superou a dos 99% restantes, em 2015, um ano mais cedo do que se previa, informou neste domingo a ONG Oxfam, a dois dias do Fórum Económico Mundial de Davos.

"O fosso entre a franja dos mais ricos e o resto da população (o planeta) aumentou de forma dramática nos últimos 12 meses", segundo um relatório da organização não-governamental (ONG) britânica Oxfam, intitulado Uma economia a serviço de 1%.

"No ano passado, a Oxfam estimava que isso acontecesse em 2016. No entanto, aconteceu em 2015: um ano antes", sublinha.

Para ilustrar o agravamento das desigualdades durante os últimos anos, a ONG calcula que "62 pessoas possuem tanto capital como a metade mais pobre da população mundial", quando, há cinco anos, era a riqueza de 388 pessoas que estava equiparada a essa metade.

A dois dias do Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, onde se vão encontrar os líderes políticos e responsáveis das empresas mais influentes do mundo, a Oxfam apela aos participantes do influente encontro a agir.

"Não podemos continuar a deixar que centenas de milhões de pessoas tenham fome, quando os recursos para os ajudar estão concentrados, ao mais alto nível, em tão poucas pessoas", afirma Manon Aubry, directora dos assuntos de justiça fiscal e desigualdades da Oxfam, em França, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Segundo a ONG, "desde o início do século XXI que a metade mais pobre da humanidade beneficia de menos de 1% do aumento total da riqueza mundial, enquanto os 1% mais ricos partilharam metade desse mesmo aumento".

Para combater o crescimento destas desigualdades, a Oxfam apela ao fim da "era dos paraísos fiscais", sublinhando que nove em dez empresas que figuram entre "os sócios estratégicos" do Fórum Económico Mundial de Davos "estão presentes em pelo menos um paraíso fiscal".

"Devemos abordar os Governos, as empresas e as elites económicas presentes em Davos a empenharem-se para acabar com esta era de paraísos fiscais, que alimenta as desigualdades globais, e impedir que centenas de milhões de pessoas da pobreza", diz Winnie Byanyima, director-geral da Oxfam International, que estará presente em Davos.

No ano passado, vários economistas contestaram a metodologia utilizada pela Oxfam, com a ONG a defender o método utilizado no estudo de forma simples: o cálculo do património líquido, ou seja, os activos detidos menos dívida.

A pequena localidade suíça de Davos vai acolher, a partir da próxima quarta-feira, os líderes políticos e responsáveis das empresas mais influentes do mundo para debater a "4.ª revolução industrial", no âmbito do Fórum Económico Internacional Mundial (WEF).

Esta 46.ª edição do WEF, que termina a 23 de Janeiro, ocorre numa altura em que o medo da ameaça terrorista e a falta de respostas coerentes para a crise de refugiados na Europa se juntam às dificuldades que a economia mundial encontra para voltar a crescer e à forte desaceleração das economias emergentes.

Segundo o presidente do WEF, Klaus Schwab, a "'4.ª revolução industrial' refere-se à fusão das tecnologias", nomeadamente no mundo digital, que "tem efeitos muito importantes nos sistemas político, económico e social".

21.1.15

Davos: Sindicatos pedem nova Magna Carta para travar desemprego

Ana Rute Silva, in Público on-line

Políticos e empresários estão sentados num “vulcão de descontentamento legítimo", alertam centrais sindicais.

No primeiro dia completo de trabalho, no Fórum Económico Mundial, em Davos, as maiores centrais sindicais do mundo vieram pedir uma nova Magna Carta para travar a escalada do desemprego e das desigualdades.

Desde o início da semana que têm sido divulgados relatórios sobre a distribuição da riqueza no mundo — e que evidenciam a distância cada vez maior entre os ricos e a restante população — e, nesta quarta-feira, a UNI Global Union, com mais 20 milhões de membros em todo o mundo, pegou nos números para reforçar a ideia de que os políticos e os empresários em Davos estão “sentados num vulcão de descontentamento legítimo, alimentado pelo desemprego, a desigualdade e a austeridade”. “Juntos temos a responsabilidade de mudar”, defendeu Philip Jennings, secretário-geral da UNI Global Union.

Davos vai assinalar os 800 anos da Magna Carta, documento de referência assinado pelo Rei João de Inglaterra em 1215 onde se reconhecem pela primeira vez as liberdades e direitos dos “homens livres”. Para Philip Jennings, é preciso voltar a lembrar que “a democracia foi difícil de conquistar”.

“Não devemos deixá-la escapar ao continuar neste caminho de desigualdade em benefício de uma mão cheia de bilionários. Precisamos de uma Magna Carta nova”, inclusiva, para “responder à urgência dos nossos tempos, uma Magna Carta para a igualdade, o emprego e o crescimento sustentável. Nós, as pessoas, falámos e Davos deve ouvir e agir”, declarou.

A Confederação Sindical Internacional (International Trade Unions Confederation, ou ITUC) também pede mudanças. “O actual modelo de negócio é mau para as pessoas, mau para a economia e mau para a estabilidade e a democracia”, disse Sharan Burrow, secretária-geral da ITUC. A confederação divulgou um estudo recente realizado em 14 países onde se conclui que apenas 50% dos inquiridos acreditam que vão conseguir encontrar um emprego “decente”.

“Os trabalhadores e as suas famílias precisam de um novo modelo de negócio que coloque um fim à desintegração das democracias e das economias. O mundo precisa de investimento e de empregos”, defendeu.