in iOnline
No congresso, Américo Figueiredo vai falar sobre os desafios da dermatologia no século XXI
O presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), Américo Figueiredo, defendeu hoje que um maior investimento na prevenção das doenças de pele, nomeadamente através da comparticipação de produtos como os protetores solares.
Muitos dos produtos recomendados para tratamento da pele não são comparticipados, o que pode levar as pessoas a não fazerem o tratamento adequado.
“Os protetores solares, que são importantes na prevenção do cancro da pele, não são comparticipados e isto pode dificultar as pessoas a terem acesso a bens e a produtos que são essenciais”, disse Américo Figueiredo, que falava à Lusa a propósito do XIII Congresso Nacional de Dermatologia, que decorre entre hoje e domingo no Porto.
Questionado pela Lusa sobre se os produtos para a pele, como os protetores solares e os óleos hidratantes para tratamento do eczema atópico, deviam ser comparticipados, o dermatologista afirmou que “Portugal devia ter uma política global” nesse sentido.
“No momento de viragem em que estamos do ponto de vista económico-financeiro é de pensar também no investimento na prevenção da doença de pele, como noutras, porque fica muito mais barato do que andar a fazer doença curativa”, adiantou.
Segundo o dermatologista, o sistema de saúde português gasta 90% em medicina curativa e menos de 10% em medicina preventiva.
“Um sistema de saúde que não está bem organizado nesse aspeto vai sofrer ainda durante algum tempo os contratempos que daí advêm”, comentou.
Mas apesar da maior parte das consultas de dermatologia ainda serem de medicina curativa, já são “muito procuradas por motivos de prevenção”, observou.
“As pessoas devem ser alertadas para [o facto de terem] serviços públicos disponíveis, que não fazem apenas medicina curativa, mas que são capazes de aconselhá-los naqueles parâmetros importantes, para que a pessoas não venha a adoecer” com, por exemplo, um cancro da pele.
No congresso, Américo Figueiredo vai falar sobre os desafios da dermatologia no século XXI.
Sobre este tema, disse à Lusa que a cirurgia e o cancro da pele devem ser “os principais alvos”, mas considerou que “a dermatologia cosmética vai ter cada vez mais importância”.
E, defendeu, os dermatologistas que estavam anteriormente melhor preparados para “tratar da pele doente, devem estar também preparados para tratar a pele sã”.
Américo Figueiredo adiantou ainda que “as doenças de pele mais comuns estão estáveis”, mas o eczema atópico está com “uma tendência de subida bastante acentuada”, como está a acontecer na Europa.
Já o cancro da pele está aumentar de “uma forma muito intensa”, nomeadamente na forma mais grave da doença, o melanoma, que está a crescer cerca de sete a oito por cento por ano.
“As pessoas devem estar cada vez mais atentas porque estamos a assistir a uma autêntica epidemia de melanoma”, alertou.
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1.11.13
À flor da pele. Dermatologistas criam projectos para chegar a todos
Por Ana Tomás, in iOnline
Pela primeira vez, La Roche-Posay lançou o desafio em Portugal. Os médicos responderam com oito projectos para levar os cuidados de saúde a populações isoladas
Levar consultas de dermatologia às populações que residem no Interior do país, examinar infecções no couro cabeludo em alunos carenciados do 1.o ciclo, em Lisboa, acompanhar semanalmente os residentes de origem africana para poderem ter, por exemplo, mais informação sobre as características da sua pele. Estes são alguns dos projectos que médicos de vários hospitais espalhados pelo país ambicionam concretizar. Por outro lado, pôr o coração e os conhecimentos no terreno junto de populações com menor acesso a cuidados médicos especializados é o desafio lançado pela fundação La Roche-Posay a dermatologistas portugueses. Esta é a primeira vez que Portugal acolhe o programa "Dermatologist from the Heart". A iniciativa tem como objectivo chegar aos que têm menos acesso aos cuidados básicos de prevenção, rastreio e tratamento de problemas dermatológicos.
São oito os projectos nacionais a concurso, um indicador que, para a presidente da fundação, em Portugal, Antonieta Barros, é revelador de que a etapa nacional do programa, lançado em França em 2011, "tem tudo para correr bem".
"Todos perceberam o espírito de missão que é tornar a dermatologia mais acessível a todos, nomeadamente às populações carenciadas, isoladas ou de risco", contou ao i. O grande objectivo da acção, segundo a responsável, passa por apoiar médicos a tornar as suas competências acessíveis a um público alargado, através de cuidados de saúde, sensibilização para aceitar a doença e tratamentos e ainda promover o bem-estar ou a integração social das populações afectadas por este tipo de patologias.
Sem revelar o valor do prémio, Antonieta Barros adianta que o vencedor receberá uma bolsa para pôr o plano em prática e o "apoio da marca na implementação deste e de outros projectos que visem melhorar a qualidade de vida dos doentes". A ideia é reproduzir o que já acontece nos países por onde a campanha da La Roche passou. "Só no ano passado, 2600 dermatologistas rastrearam mais de 60 mil pessoas em 21 países. E depois das atribuições das bolsas, os especialistas têm conseguido avançar com os seus projectos", revela Antonieta Barros.
Dentro e fora do país Os projectos nacionais concorrentes ao prémio Dermatologist from the Heart apostam sobretudo em rastreios, campanhas de educação para a saúde e técnicas de acompanhamento online, dirigindo-se a populações de zonas insulares ou do Interior, à comunidade africana residente nos grandes centros urbanos e também a países africanos de língua oficial portuguesa. Há ainda candidaturas mais abrangentes, centradas na prevenção dermatológica de bebés e no tratamento e na aceitação social de problemas dermatológicos como a psoríase.
O júri, que vai avaliar os trabalhos e escolher o melhor projecto, que será conhecido no final do dia de hoje, é composto por três especialistas de três hospitais públicos portugueses, do Porto, Coimbra e área metropolitana de Lisboa. Além deste prémio, a Fundação La Roche-Posay entrega anualmente quatro bolsas de investigação, cinco para publicações e bolsas a projectos de investigação promissores, apresentados por dermatologistas mais jovens. "Actualmente, mais de 100 equipas de investigação receberam fundos que lhes permitiram financiar novos trabalhos", conclui Antonieta Barros.
Projectos a concurso
PALOP e comunidade africana
Há três projectos a concurso que têm na população de origem africana residente em Portugal ou nos PALOP o seu público-alvo: o projecto “Dermatologia para a África que fala português”, do Hospital CUF Descobertas, realizado em parceria com organizações de S. Tomé e Moçambique; o projecto “Rastreio de tinha do couro cabeludo em escolas do 1.º ciclo”, de João Pedro Vasconcelos, Hortência Sequeira e Paulo Filipe, que é dirigido a crianças de famílias dos PALOP, residentes nas freguesias limítrofes do concelho de Lisboa; e o projecto “A dermatologia do fototipo VI”, da autoria de Carla Rodrigues, que parte do trabalho com a comunidade africana da Amadora e Queluz
Ilhas e interior
Reduzir o impacto da interioridade e da insularidade no acesso aos cuidados médicos especializados de dermatologia é o objectivo, respectivamente, dos projectos “Dermatologia para Todos”, de Ana Brasileiro, Ana Fidalgo e Maria de Lurdes Lobo, e “Dermatologia na Ilha do Corvo”, de João Carlos Teles de Sousa e Maria Goreti Catorze. Se o primeiro caso propõe a teledermatologia para facilitar diagnósticos e tratamentos, no segundo, o projecto aposta na educação para a saúde, na prevenção
e na articulação com médico de família.
Psoríase
“Fim-de-semana da psoríase”, de Nuno Menezes, e “Educar o doente com psoríase”, de Manuela Selores, Tiago Torres, Glória Velho, Isabel Amorim e Mónica Caetano, são dois projectos distintos, mas ambos propostos por especialistas do Norte do país. Um visa quebrar mitos, o outro procura ensinar a população a conhecer os sintomas da doença e os seus efeitos.
Sensibilização nas maternidades
O projecto de António Fernandes Massa pretende sensibilizar as famílias para a fotoprotecção nos primeiros anos de vida das crianças e o seu impacto na vida adulta.
Pela primeira vez, La Roche-Posay lançou o desafio em Portugal. Os médicos responderam com oito projectos para levar os cuidados de saúde a populações isoladas
Levar consultas de dermatologia às populações que residem no Interior do país, examinar infecções no couro cabeludo em alunos carenciados do 1.o ciclo, em Lisboa, acompanhar semanalmente os residentes de origem africana para poderem ter, por exemplo, mais informação sobre as características da sua pele. Estes são alguns dos projectos que médicos de vários hospitais espalhados pelo país ambicionam concretizar. Por outro lado, pôr o coração e os conhecimentos no terreno junto de populações com menor acesso a cuidados médicos especializados é o desafio lançado pela fundação La Roche-Posay a dermatologistas portugueses. Esta é a primeira vez que Portugal acolhe o programa "Dermatologist from the Heart". A iniciativa tem como objectivo chegar aos que têm menos acesso aos cuidados básicos de prevenção, rastreio e tratamento de problemas dermatológicos.
São oito os projectos nacionais a concurso, um indicador que, para a presidente da fundação, em Portugal, Antonieta Barros, é revelador de que a etapa nacional do programa, lançado em França em 2011, "tem tudo para correr bem".
"Todos perceberam o espírito de missão que é tornar a dermatologia mais acessível a todos, nomeadamente às populações carenciadas, isoladas ou de risco", contou ao i. O grande objectivo da acção, segundo a responsável, passa por apoiar médicos a tornar as suas competências acessíveis a um público alargado, através de cuidados de saúde, sensibilização para aceitar a doença e tratamentos e ainda promover o bem-estar ou a integração social das populações afectadas por este tipo de patologias.
Sem revelar o valor do prémio, Antonieta Barros adianta que o vencedor receberá uma bolsa para pôr o plano em prática e o "apoio da marca na implementação deste e de outros projectos que visem melhorar a qualidade de vida dos doentes". A ideia é reproduzir o que já acontece nos países por onde a campanha da La Roche passou. "Só no ano passado, 2600 dermatologistas rastrearam mais de 60 mil pessoas em 21 países. E depois das atribuições das bolsas, os especialistas têm conseguido avançar com os seus projectos", revela Antonieta Barros.
Dentro e fora do país Os projectos nacionais concorrentes ao prémio Dermatologist from the Heart apostam sobretudo em rastreios, campanhas de educação para a saúde e técnicas de acompanhamento online, dirigindo-se a populações de zonas insulares ou do Interior, à comunidade africana residente nos grandes centros urbanos e também a países africanos de língua oficial portuguesa. Há ainda candidaturas mais abrangentes, centradas na prevenção dermatológica de bebés e no tratamento e na aceitação social de problemas dermatológicos como a psoríase.
O júri, que vai avaliar os trabalhos e escolher o melhor projecto, que será conhecido no final do dia de hoje, é composto por três especialistas de três hospitais públicos portugueses, do Porto, Coimbra e área metropolitana de Lisboa. Além deste prémio, a Fundação La Roche-Posay entrega anualmente quatro bolsas de investigação, cinco para publicações e bolsas a projectos de investigação promissores, apresentados por dermatologistas mais jovens. "Actualmente, mais de 100 equipas de investigação receberam fundos que lhes permitiram financiar novos trabalhos", conclui Antonieta Barros.
Projectos a concurso
PALOP e comunidade africana
Há três projectos a concurso que têm na população de origem africana residente em Portugal ou nos PALOP o seu público-alvo: o projecto “Dermatologia para a África que fala português”, do Hospital CUF Descobertas, realizado em parceria com organizações de S. Tomé e Moçambique; o projecto “Rastreio de tinha do couro cabeludo em escolas do 1.º ciclo”, de João Pedro Vasconcelos, Hortência Sequeira e Paulo Filipe, que é dirigido a crianças de famílias dos PALOP, residentes nas freguesias limítrofes do concelho de Lisboa; e o projecto “A dermatologia do fototipo VI”, da autoria de Carla Rodrigues, que parte do trabalho com a comunidade africana da Amadora e Queluz
Ilhas e interior
Reduzir o impacto da interioridade e da insularidade no acesso aos cuidados médicos especializados de dermatologia é o objectivo, respectivamente, dos projectos “Dermatologia para Todos”, de Ana Brasileiro, Ana Fidalgo e Maria de Lurdes Lobo, e “Dermatologia na Ilha do Corvo”, de João Carlos Teles de Sousa e Maria Goreti Catorze. Se o primeiro caso propõe a teledermatologia para facilitar diagnósticos e tratamentos, no segundo, o projecto aposta na educação para a saúde, na prevenção
e na articulação com médico de família.
Psoríase
“Fim-de-semana da psoríase”, de Nuno Menezes, e “Educar o doente com psoríase”, de Manuela Selores, Tiago Torres, Glória Velho, Isabel Amorim e Mónica Caetano, são dois projectos distintos, mas ambos propostos por especialistas do Norte do país. Um visa quebrar mitos, o outro procura ensinar a população a conhecer os sintomas da doença e os seus efeitos.
Sensibilização nas maternidades
O projecto de António Fernandes Massa pretende sensibilizar as famílias para a fotoprotecção nos primeiros anos de vida das crianças e o seu impacto na vida adulta.
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