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25.5.23

Dois blocos de partos públicos fecham para obras no Verão. Privados darão ajuda

Alexandra Campos, in Público


Grávidas da área do Hospital de Santa Maria vão para o São Francisco Xavier a partir de Agosto. Três hospitais privados de Lisboa deverão apoiar os públicos na capital, entre Junho e Setembro.


Já está fechado o plano de funcionamento dos blocos de partos dos hospitais públicos para o difícil período de Verão que se aproxima. Dois blocos de partos dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde na região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) – o do Santa Maria (Lisboa) e o das Caldas da Rainha - vão encerrar em breve para beneficiarem de grandes obras de remodelação, passando as grávidas das respectivas áreas a ser atendidas nos dois hospitais públicos mais próximos.

A maternidade do Hospital de Santa Maria fecha em Agosto para obras que se prevê demorem um ano, e as grávidas serão encaminhadas neste período para o São Francisco Xavier (Lisboa), que será reforçado com profissionais de saúde e equipamentos do primeiro. Na área das Caldas da Rainha – cujo bloco de partos encerra para obras já em 1 de Junho, previsivelmente até Novembro -, o atendimento passa a ser assegurado pelo Hospital de Leiria.

Para garantir um apoio extra em Lisboa - e apenas nos casos de grávidas com mais de 36 semanas e sem factores de risco -, os três grandes hospitais privados da capital (Cuf, Lusíadas e Luz) foram convidados a dar uma ajuda temporária no Verão, mas apenas se tal se revelar necessário, ou seja, caso haja picos de procura no SNS. E receberão pela tabela da ADSE lhes paga.


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26.8.22

Famílias portuguesas nunca gastaram tanto com a saúde como em 2021

Alexandra Campos, in Público on-line

A despesa directa das famílias com saúde ascendeu a quase 6,8 mil milhões de euros no ano passado. Portugal é um dos países da OCDE em que a percentagem dos gastos directos das famílias com a saúde é mais elevada.

As famílias portuguesas nunca gastaram tanto dinheiro do seu bolso para suportar despesas de saúde como em 2021. Foram quase 6,8 mil milhões de euros, 906 milhões de euros mais do que em 2020, ano em que os pagamentos directos das famílias diminuíram, invertendo a tendência para o crescimento contínuo que se verificava desde 2014, de acordo com os dados preliminares adiantados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar de o Serviço Nacional de Saúde (SNS) ser público e tendencialmente gratuito, Portugal continua, assim, a ser um dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) em que a percentagem da despesa que as famílias pagam do seu bolso (out of pocket) é mais elevada.

Os pagamentos directos correspondem aos gastos das famílias sobretudo com consultas na medicina privada, por não haver resposta em tempo útil no SNS, com a realização de análises e exames não cobertos pelo apoio estatal, com a compra de medicamentos (apesar de uma parte importante ser comparticipada pelo Estado), com cuidados de saúde oral, entre outros.

Depois de atingir um valor e uma percentagem recorde em 2019 (ano em que representou 30,6% da despesa total com saúde), a factura das famílias diminuiu em 2020 (para 27,8% do total), devido ao aumento dos gastos associados à pandemia de covid-19 que foram suportados pelas entidades públicas (do Ministério da Saúde e os municípios, entre outras), nomeadamente em compras de máscaras, desinfectantes, testes, etc, explica o INE. Nesse ano, a despesa das famílias diminuiu 6%, em resultado do decréscimo na procura de consultas e cirurgias no sector privado e, em muito menor escala, devido à abolição do pagamento de algumas taxas moderadoras no SNS.


Aumentar

Em 2021, os gastos das famílias dispararam de novo. No ano passado, aliás, a despesa total corrente em saúde aumentou substancialmente - ultrapassou os 23,6 mil milhões de euros, reflectindo “o aumento dos gastos associados ao combate à pandemia” e “a retoma da assistência nas áreas não covid-19”, assinala o INE. Mas enquanto a despesa pública aumentou 11%, a privada cresceu ainda mais - 14,7% -, segundo os dados preliminares da conta satélite da saúde.

Os portugueses continuam, assim, a ser dos que têm mais encargos directos com a saúde comparativamente com os habitantes de outros países da OCDE. Basta ver que em 2020 a média da factura out of pocket nos países da OCDE era de 18%.

Há “vários aspectos que historicamente levam a essa situação”, explica o economista e especialista na área da saúde Pedro Pita Barros. “O Serviço Nacional de Saúde não cobre adequadamente algumas áreas, e o seguro privado também não”, sublinha o professor na Nova SBE, dando o exemplo dos cuidados de saúde oral que “são tradicionalmente um ponto fraco de cobertura de seguro público (SNS) ou privado”.

Além disso, o SNS “obriga a despesa das famílias, sendo aqui sobretudo relevante a despesa com medicamentos (mesmo tendo ocorrido desde 2012 descidas importantes nos preços finais de muitos medicamentos)” e este “é um efeito quantitativamente mais importante para as famílias do que a obsessão política com as taxas moderadoras”. “Se houver mais consultas, que levem a mais prescrição, haverá maior despesa das famílias nas farmácias e, logo, maior despesa directa das famílias em cuidados de saúde”, sintetiza.

Além disso, acrescenta, “apesar da existência do SNS, há uma tradição de grupos da população recorrerem a prestadores de cuidados de saúde privados, pagando directamente esses serviços - seja consultórios privados de médicos, seja meios de diagnóstico e terapêutica”.

“Portugal é, cronicamente, um dos países em que o out-of-pocket é mais elevado. Os cidadãos tendem, cada vez mais, a utilizar serviços privados porque o serviço público não responde com rapidez”, corrobora o economista e ex-secretário de Estado da Saúde Manuel Delgado. “A despesa com a saúde oral é também elevada e aqui há uma grande iniquidade no acesso, só quem tem dinheiro é que pode pagar uma consulta”, exemplifica.

Manuel Delgado sublinha ainda o peso nesta factura de “outra componente” – a dos medicamentos. “Há uma política de comparticipação elevada quando os medicamentos são sofisticados e caros, mas, quando o Estado aumenta a comparticipação destes medicamentos, retira-a noutros, os de uso mais comum, por exemplo, quando deixa de ser necessário ter receita médica [para os comprar]”.

No mais recente “Perfil de saúde” de Portugal (2021), elaborado pelo Observatório Europeu dos Sistemas e Políticas de Saúde em colaboração com a OCDE, frisa-se que, em termos globais, Portugal tinha em 2019 uma das percentagens mais altas de pagamentos directos, representando 30% das despesas totais de saúde, o dobro da média da União Europeia.

O crescimento da despesa directa das famílias com a saúde em Portugal também mereceu destaque no relatório Health at a Glance 2021 da OCDE - que compila indicadores de saúde dos vários países que integram a organização. Analisando a evolução dos pagamentos out-of-pocket, a OCDE recordou que foi nos anos a seguir à crise financeira e económica que a parte da despesa com a saúde suportada directamente pelas famílias mais aumentou em vários países europeus – e esse acréscimo foi de seis pontos percentuais na Grécia, de cinco em Portugal e de três em Espanha.

Em Portugal, diz o relatório, o peso das despesas em saúde no bolo total dos gastos das famílias chega aos 4,7%. Era o quinto país com o valor mais alto neste indicador, ficando apenas atrás da China e do Chile (ambos com 4,8%), Coreia do Sul (5,3%) e Suíça (5,8%). A média dos países da OCDE era de 3,1%.

12.4.21

Há mais pessoas sem acesso a cuidados de saúde desde a pandemia

in Euronews

O número de pessoas sem acesso a cuidados de saúde, na Europa, está a aumentar devido à pandemia.

Os migrantes são um dos grupos com mais dificuldades em aceder à saúde. Em Viena, na Áustria, o número de mulheres imigrantes grávidas sem acesso a cuidados de saúde aumentou 30%.

"Eu trabalhava, mas perdi o emprego por causa da pandemia. Como perdi o emprego, perdi o direito ao seguro de saúde, perdi tudo", disse à euronews Elina Smuk, professora de inglês da Roménia.

Na Áustria, o seguro de saúde está associado ao emprego. Sem emprego, Elina Smuk é acompanhada, durante a gravidez, por médicos voluntários da clínica AmberMed. Mas devido ao aumento do número de pacientes, o serviço de voluntariado precisa de reforços.

"Os pacientes estão contentes por nós existirmos, por terem a possibilidade de recorrer a uma clínica acessível, onde podem consultar um médico. A única condição, aqui, é não ter seguro. Penso que o nosso trabalho é muito importante. Por isso, faço parte desta estrutura", afirmou Monika Matal, médica voluntária e chefe da clínica AmberMed.
Dificuldades de acesso a cuidados de saúdeeuronews

Problemas no acesso à saúde na Polónia, Hungria e Estónia

Em muitos países europeus, o sistema de saúde está vinculado à cidadania ou à residência. Na Áustria e na Alemanha, o acesso à saúde foi alargado nos últimos anos mas ainda há uma pequena percentagem de pessoas com dificuldade em aceder aos cuidados médicos. A Polónia, a Hungria e a Estónia são alguns dos países onde o problema é mais grave.
Desemprego afeta mais os imigrantes

No ano passado, o desemprego aumentou mais entre as pessoas nascidas no estrangeiro do que entre os nacionais, em quase dois terços dos países da OCDE.

"O número de pessoas que procuram instituições que oferecem cuidados médicos às pessoas sem seguro saúde aumentou de forma dramática. Os migrantes são mais afetados pela perda do emprego. Por um lado a probabilidade de não terem seguro é maior e, por outro, têm frequentemente empregos precários e são os primeiros afetados pelo desemprego no contexto da pandemia", afirmou à euronews Michael Fuchs, do Centro Europeu de Política e Investigação em Bem-Estar Social.

21.7.20

Covid-19 provocou uma queda acentuada no acesso aos cuidados de saúde


Relativamente ao mês homólogo de 2019, em março de 2020 verificou-se uma queda de 16% no número de consultas médicas hospitalares realizadas presencialmente no SNS, tendo a variação negativa alargado até aos 35% e 31%, respetivamente, nos meses de abril e maio

O acesso aos cuidados de saúde entre março e junho deste ano teve uma "queda acentuada" devido aos constrangimentos causados pela pandemia, conclui a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) num documento divulgado esta segunda-feira.

"O difícil enquadramento gerado pela situação de pandemia teve resultado imediato no sistema de saúde, sendo visível a queda acentuada da atividade programada e não programada na rede de estabelecimentos do SNS [Serviço Nacional de Saúde], sobretudo em virtude das alterações aplicadas à organização e prestação de cuidados de saúde, de modo a prepará-lo para responder à pressão a que poderia vir a ser sujeito, em função da evolução da pandemia", refere a ERS numa informação sobre o impacto da covid-19.

Relativamente ao mês homólogo de 2019, em março de 2020 verificou-se uma queda de 16% no número de consultas médicas hospitalares realizadas presencialmente no SNS, tendo a variação negativa alargado até aos 35% e 31%, respetivamente, nos meses de abril e maio últimos.

A percentagem de primeiras consultas no total de consultas médicas hospitalares também caiu nestes meses, com a queda mais acentuada, de 9 pontos percentuais, a registar-se no mês de abril, por comparação ao mês homólogo em 2019. Em contrapartida, "aumentou significativamente o volume de consultas por telemedicina", adianta a reguladora.

Também ao nível da realização de cirurgias, os hospitais do SNS tiveram "uma redução significativa a partir de março, com o volume de cirurgias programadas em abril e maio a ficar, respetivamente, 78% e 57% abaixo do verificado nos períodos homólogos de 2019".

Ainda que o impacto nas cirurgias consideradas urgentes tenha sido inferior, "a redução do seu volume tem também vindo a ser significativa desde o início da pandemia", adianta a ERS, referindo que em abril, em particular, houve uma diminuição de 23% das cirurgias urgentes realizadas face ao mesmo mês em 2019.

Quanto às cirurgias no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), efetuadas por entidades convencionadas do setor privado, cooperativo e social, "ainda não eram conhecidos dados definitivos". Contudo, de acordo com a informação preliminar, comparando a média mensal de atividade cirúrgica referente a 2019 e a média mensal referente ao período de janeiro a maio de 2020, estima-se uma redução de cerca de 40% das cirurgias realizadas.

Por sua vez, o internamento -- médico e cirúrgico -- de doentes agudos no SNS apresentou uma queda na ordem dos 15%, 38% e 32%, respetivamente, em março, abril e maio, face aos meses homólogos de 2019.

Já o número de episódios de urgência hospitalar foi 37%, 52% e 45% inferior, respetivamente nos meses de março a maio, por comparação com iguais meses de 2019. Também nos cuidados primários se verificou "uma descida muito significativa da atividade assistencial", desde o início da pandemia. Assim, o número de consultas médicas presenciais, que tiveram já pequenas reduções nos primeiros meses do ano, diminuiu 33%, 73% e 66% nos meses de março, abril e maio, respetivamente.

Em contrapartida, tal como nos hospitais, também nos cuidados primários houve um grande aumento face a 2019, em todo o período em análise, do número de consultas - médicas e de enfermagem - não presenciais, que chegou a mais do que duplicar em abril.

Sobre os estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde, a ERS diz que "o período decorrido desde o início da pandemia ainda é demasiado curto para que se possam retirar conclusões efetivas". "Não obstante, foi possível observar uma redução da rede de estabelecimentos de natureza privada, cooperativa e social em funcionamento durante o estado de emergência, em diversas tipologias de cuidados de saúde".

O estado de emergência nacional vigorou entre 18 de março e 2 de maio.




30.3.17

Há 500 crianças com cancro que não conseguem chegar ao hospital. A boa notícia é que pode ajudá-las

Luísa Oliveira, in Visão

Na Birmânia só há um hospital para tratar doentes com cancro. E como muitos vivem em pobreza extrema, não têm dinheiro para levar os filhos aos tratamentos. O Projeto Amélia ajuda-os. A partir de dia 31, várias figuras públicas estarão no aeroporto de Lisboa a angariar fundos para que mais crianças cheguem a um médico, a tempo de não morrerem. Veja o vídeo do apelo do ator Joaquim de Almeida

Cinquenta e cinco mil euros. Foi a quantia que o Projeto Amélia - agora, internacionalmente conhecido como Please Take Me There - angariou no ano passado. Com esse dinheiro arrecadado em Portugal, conseguiram ajudar 400 crianças e adultos no Myanmar, na Birmânia, durante dois meses. E ainda criaram um fundo de emergência com capacidade para auxiliar duas famílias por dia.
Fernando Pinho, o criador do Projeto Amélia na Birmânia

Fernando Pinho, o criador do Projeto Amélia na Birmânia

Mas infelizmente não chega. Neste momento, há 500 crianças com cancro que não conseguem chegar ao hospital mais perto para serem tratadas. Sem ajuda, 90% não recebem cuidados de saúde e acabam por morrer.

Por isso, arranca no dia 31 de março, às cinco da tarde, a segunda edição da campanha 24 horas, que junta, durante nove dias, dezenas de figuras públicas e outros tantos anónimos no aeroporto de Lisboa, com o único objetivo de angariar fundos para estes doentes, sem acesso aos cuidados de saúde.

Na Birmânia, um país com 50 milhões de habitantes, só existe um hospital com capacidade para tratar crianças com cancro. E para lá chegar, algumas precisam de fazer viagens de 24 horas, por caminhos perigosos, e que incluem vários meios de transporte. "A maioria das famílias vive em pobreza extrema e não tem rendimentos para pagar estas viagens que chegam a custar mais do que o rendimento mensal do agregado", nota Fernando Pinho, o fundador desta ONG sediada em Cambridge, no Reino Unido, com o aval da World Child Cancer e do governo da Birmânia.

Em muitos dos casos, as famílias têm de vender as suas casas e até o gado - o seu sustento diário, que corresponde a menos de 40 cêntimos.

Os atores Sónia Balacó, Pedro Barroso e Luís Eusébio serão os primeiros a passar a noite no Aeroporto. Mas este ano, a lista das figuras que também lá estarão nos próximos dias passa por nomes como Filipa Areosa, Beatriz Barosa, Deolinda Kinzimba, Liliana Santos, Luísa Ortigoso, Mariana Pacheco, Melânia Gomes, Nuno Guerreiro, Soraia Tavares, Alda Gomes, Isabel Guerreiro, Quimbé, Brienne Keller, José Fidalgo, Gonçalo de Oliveira, Gonzalo Ramos, Irma Ribeiro, Jorge Coutinho, Miguel Gizzas, Sofia Escobar e Sofia Nicholson. O ator Joaquim de Almeida gravou um apelo, em português e inglês. Depois de ver vídeo de Joaquim de Almeida (no cime desta página), ou este que se segue , não vai ficar indiferente.

As formas de ajudar são muitas: Doar €48 para transportar para o hospital uma criança que recebe dois ciclos de tratamento em diferentes meses, ou €24 para para receber apenas um ciclo de tratamento. Pode ainda transferir €16.50 por mês para que uma criança com cancro seja tratada durante um ano (em média, são necessários €200 por ano para pagar as 8 viagens que têm fazer até ao único hospital). Mas se quiser, da próxima vez que fizer anos, doe o seu aniversário a esta causa - em vez de lhe darem presentes, redirecione esse dinheiro para ajudar as crianças doentes da Birmânia. Aposto que elas agradecem.

17.1.14

Centros de saúde abertos até às 22:00 durante a gripe

in Diário de Notícias


O horário dos centros de saúde vai ser alargado até às 22 horas, enquanto durar o surto de gripe, "onde tal se revelar necessário e possível", anunciou hoje o ministro da Saúde, Paulo Macedo.

Paulo Macedo, que hoje à tarde terá um encontro com as administrações regionais de saúde (ARS), disse à Lusa que vai avaliar a medida, que visa descongestionar as urgências hospitalares que visitou durante a manhã.

"Na reunião com as administrações regionais de saúde vamos avaliar em conjunto a possibilidade de os centros de saúde, quando necessário e possível, durante o período de surto de gripe, alargarem os horários", disse.

Paulo Macedo, que falava à Lusa no final de uma visita de surpresa à urgência do Hospital de Aveiro, justificou que "há muitos casos que não são graves e que vêm para a urgência e que os centros de saúde podem tratar adequadamente".

De acordo com o ministro, a hipótese que está a ser equacionada com as ARS é do alargamento temporário até às 22 horas, até ao final de fevereiro, período que pode ser prolongado se o surto de gripe persistir.

"Iremos ver as áreas em que isso é possível para este surto de gripe, que ainda está no seu início, mas que queremos precaver", explicitou, admitindo que a medida não se venha a aplicar a todos os centros de saúde do país.

Outro dos temas a discutir com as administrações regionais de saúde é a verificação das condições que a Lei impõe aos lares de idosos, no que respeita a cuidados médicos e de enfermagem.

"Vamos também analisar a questão da afluência de idosos às urgências, provenientes de lares, com pouco acompanhamento. Vamos analisar se está a ser cumprido o que é exigido, quanto aos cuidados médicos e de enfermagem", adiantou.

1.11.13

Estado devia investir na prevenção das doenças de pele com comparticipação de produtos

in iOnline

No congresso, Américo Figueiredo vai falar sobre os desafios da dermatologia no século XXI

O presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), Américo Figueiredo, defendeu hoje que um maior investimento na prevenção das doenças de pele, nomeadamente através da comparticipação de produtos como os protetores solares.

Muitos dos produtos recomendados para tratamento da pele não são comparticipados, o que pode levar as pessoas a não fazerem o tratamento adequado.

“Os protetores solares, que são importantes na prevenção do cancro da pele, não são comparticipados e isto pode dificultar as pessoas a terem acesso a bens e a produtos que são essenciais”, disse Américo Figueiredo, que falava à Lusa a propósito do XIII Congresso Nacional de Dermatologia, que decorre entre hoje e domingo no Porto.

Questionado pela Lusa sobre se os produtos para a pele, como os protetores solares e os óleos hidratantes para tratamento do eczema atópico, deviam ser comparticipados, o dermatologista afirmou que “Portugal devia ter uma política global” nesse sentido.

“No momento de viragem em que estamos do ponto de vista económico-financeiro é de pensar também no investimento na prevenção da doença de pele, como noutras, porque fica muito mais barato do que andar a fazer doença curativa”, adiantou.

Segundo o dermatologista, o sistema de saúde português gasta 90% em medicina curativa e menos de 10% em medicina preventiva.

“Um sistema de saúde que não está bem organizado nesse aspeto vai sofrer ainda durante algum tempo os contratempos que daí advêm”, comentou.

Mas apesar da maior parte das consultas de dermatologia ainda serem de medicina curativa, já são “muito procuradas por motivos de prevenção”, observou.

“As pessoas devem ser alertadas para [o facto de terem] serviços públicos disponíveis, que não fazem apenas medicina curativa, mas que são capazes de aconselhá-los naqueles parâmetros importantes, para que a pessoas não venha a adoecer” com, por exemplo, um cancro da pele.

No congresso, Américo Figueiredo vai falar sobre os desafios da dermatologia no século XXI.

Sobre este tema, disse à Lusa que a cirurgia e o cancro da pele devem ser “os principais alvos”, mas considerou que “a dermatologia cosmética vai ter cada vez mais importância”.

E, defendeu, os dermatologistas que estavam anteriormente melhor preparados para “tratar da pele doente, devem estar também preparados para tratar a pele sã”.

Américo Figueiredo adiantou ainda que “as doenças de pele mais comuns estão estáveis”, mas o eczema atópico está com “uma tendência de subida bastante acentuada”, como está a acontecer na Europa.

Já o cancro da pele está aumentar de “uma forma muito intensa”, nomeadamente na forma mais grave da doença, o melanoma, que está a crescer cerca de sete a oito por cento por ano.

“As pessoas devem estar cada vez mais atentas porque estamos a assistir a uma autêntica epidemia de melanoma”, alertou.




20.6.13

Menos 600 mil consultas no primeiro trimestre

por Diana Mendes, in Diário de Notícias

Menos 600 mil consultas no primeiro trimestre

Os dados do Ministério da Saúde não deixam dúvidas, em apenas três meses foram realizadas menos 600 mil consultas nos hospitais e nos centros de saúde. Entre Janeiro e Março, os centros de saúde fizeram menos 552 340 consultas do que no mesmo período do ano passado. Nos hospitais a redução foi menos expressiva: menos 40 626.

Segundo a monitorização mensal da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), houve quase três milhões de consultas nos hospitais, mas a redução de 1,4% é explicada pelo organismo com a redução de três dias úteis em relação ao ano passado, de 65 para 62. E refere mesmo que tendo em conta os dias úteis a produção até aumentou mais de 3%.

O mesmo não se passou com os centros de saúde. Houve 7,4 milhões de consultas, mais de meio milhão a menos do que no primeiro trimestre de 2012. Como é habitual, as consultas presenciais foram as que tiveram maior redução, mas as não presenciais também sentiram uma diminuição.

Os responsáveis do ministério consideram que a maior aposta nas receitas renováveis - mais quase 600 mil - contribuiu muito também para esta quebra, evitando idas desnecessárias ao médico de família.

No que diz respeito às cirurgias houve um aumento da produção, com mais quatro mil cirurgias, provavelmente devido à maior aposta no ambulatório. As urgências continuam em queda, mas o tempo no internamento parece não dar sinais de abrandamento, tal como pretendia o Ministério da Saúde.

Quanto à execução económico-financeira, o Serviço Nacional de Saúde parece estar no bom caminho, já que tem um saldo positivo de 28 milhões de euros nos primeiros três meses do ano. Houve redução de despesas em 2,5%. Em ambulatório, os gastos com remédios baixaram 13%.

10.5.13

Sondagem. Vai-se cada vez menos ao médico, dizem os especialistas

Por Marta F. Reis, in iOnline

Sondagem avaliou percepções da população e dos médicos. Metade dos gestores dizem que acesso diminuiu

O que vai acontecer no Serviço Nacional de Saúde nos próximos tempos? A pergunta foi feita a utentes, médicos de família, especialistas e administradores hospitalares. O futuro é pouco animador foi a resposta mais consensual, com uma fatia de 39,5% da população a dizer que os serviços vão piorar. Três em cada dez médicos acham o mesmo.

Uma sondagem feita em Janeiro traça o retrato mais recente da percepção da população portuguesa e dos profissionais face à situação da saúde no país. Na hora de responderem o que mais os preocupa na situação nacional, o desemprego surge à cabeça, sendo apontado por sete em cada dez inquiridos. Mas em segundo lugar não estão impostos, escândalos financeiros e políticos ou a própria crise. Metade desta população está mais preocupada com os cuidados de saúde do que com os temas mais mediáticos da vida pública ou mesmo do que com sectores como a educação. Todas estas áreas mereceram nesta sondagem a preocupação de menos de um quarto dos inquiridos.

O estudo, promovido pela Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (APIFARMA) e realizado pela empresa de sondagens Pitagórica, revela que este receio aflige utentes mas também as chefias do sistema de saúde, quer nas unidades privadas quer nas públicas. Foram entrevistados 20 administradores hospitalares, universo que, embora esteja longe de representar todos os gestores, deixa alguns avisos. Mais de metade (55%) sentem que os portugueses estão a ir menos ao médico que no passado, sendo o grupo que assinala com maior frequência este cenário. Questões financeiras e aumento de taxas moderadoras foram algumas das justificações.

Se o acesso é a principal preocupação face ao futuro entre estes profissionais, para os médicos de família o receio mais comum é a diminuição da qualidade – ideia partilhada por 24% dos 50 médicos inquiridos. Para os médicos especialistas a falta de dinheiro para os cidadãos terem acesso aos cuidados de saúde.

O estudo foi apresentado ontem em Lisboa por uma comissão da Apifarma dedicada a análises clínicas, já que a associação representa 12 empresas que actuam na área de meios de diagnóstico in vitro como análises ao sangue mas também tiras para a diabetes (80% do sector). Esta área foi por isso uma das escrutinadas na sondagem, dado que as empresas têm vindo a expressar a percepção de que os médicos estão a pedir menos análises.

Pedro Branco, um dos representantes do sector nesta comissão especializada da Apifarma, defendeu que não se tratará de uma diminuição nos exames de forma global, mas de prescrições menos detalhadas. “Testavam-se dez itens e agora são três. É cedo para dizer se será bom ou mau. Se por um lado há uma redução de custos para o Estado, pode haver situações em que os utentes precisam de regressar mais vezes para fazer novos exames mais detalhados, com mais custo e menos comodidade”, disse.

Na ausência de dados objectivos – a tutela ainda não divulgou este ano estatísticas sobre exames de diagnóstico realizados no SNS –, os resultados das sondagem são para já pouco conclusivos. Os médicos especialistas são o grupo que mais sente que as restrições financeiras têm impacto na realização de análises, com oito em dez a dizerem que essas circunstâncias são limitadoras. Médicos de família, administradores e responsáveis de laboratórios também o denunciam, com mais de 70% a reportarem restrições.

Já entre os utentes, quando questionados sobre o impacto de restrições financeiras, 66% dizem haver limitações na análises. Mas quando a pergunta é sobre a experiência pessoal as tendências são menos expressivas. Os utentes dizem fazer hoje tantas análises como no passado e a ideia geral é que tem havido uma estabilização. Contudo, ainda é significativa a percentagem de médicos de família e de laboratórios a dizer que os pedidos estão a diminuir de facto: três em cada dez médicos diz pede menos análises, quebra sentida também nos laboratórios.

Maioria vai ao médico por rotina Para sete em cada dez utentes as consultas de rotina são o principal motivo para ir ao médico, seguindo-se a realização ou apresentação de análises. Estar doente surge apenas como terceiro motivo mais consensual. A sondagem sugere que a vertente preventiva, que parece dominante no acesso aos cuidados, poderá ser a mais comprometida. A sua ajuda à detecção precoce, por exemplo através de análises, é valorizada por especialistas e utentes. É vista também como algo que reduz o custo dos tratamentos.

Se por agora a ideia mais consensual é que estas oscilações são reflexo de uma política de racionalização, um quinto dos médicos especialistas acredita que a prescrição electrónica veio reforçar a prescrição mínima. Já os gestores estão convencidos de que a redução reflecte um apelo ao bom senso, a característica que a maioria dos profissionais associa a um bom médico. Para a população, a ideia é outra: um bom médico é um profissional eficaz e sem receio de responder às suas perguntas.