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28.8.23

Mãos amigas que reconstroem casas e a vida de quem precisa

Mariana Rebelo Silva, in JN


Três dezenas de jovens voluntários estão a requalificar três habitações. Projeto nacional acredita que é uma obra para a mudança.


A Associação Just a Change está a requalificar três casas de famílias carenciadas, em Tondela. João Paulo Figueiredo, de 51 anos, é um dos beneficiários. É com o brilho no olhar e um sorriso no rosto que olha para as obras que decorrem na casa onde vive com a mãe, de 80 anos. De forma tímida, confessa que sem o apoio da Associação Just a Change a remodelação na pequena casa, em Molelos, no concelho de Tondela, seria impossível. “Não tinha hipótese”, revela.

12.5.23

Usar voluntários para encobrir postos de trabalho é crime, alerta Confederação do Voluntariado

Henrique Cunha, in RR


Confederação Portuguesa do Voluntariado (CPV) alerta para que não se “incorra no crime de utilizar o serviço de voluntariado para encobrir postos de trabalho”. Instituição quer selecionar um município português como Capital Portuguesa do Voluntariado.

A Confederação Portuguesa do Voluntariado (CPV) alerta para que não se “incorra no crime de utilizar o serviço de voluntariado para encobrir postos de trabalho”.

O presidente da CPV, Eugénio da Fonseca, diz à Renascença que “é preciso algum cuidado” para que em tempo de crise, “altura em que acontece também a tragédia do desemprego, não haja nenhum empreendedor social ou de qualquer outra instituição que integra voluntários a incorrer no crime de utilizar o serviço de voluntariado para encobrir postos de trabalho que se possam gerar”.

Esta advertência é lançada a propósito da iniciativa que vai selecionar um município português como "Capital Portuguesa do Voluntariado", que tem como “objetivo fundamental reconhecer esta forma de praticar a cidadania que muitas vezes não é valorizada como devia ser”.

“Como o voluntariado tem a sua expressão maior a nível local, procuramos fazê-lo impulsionando os municípios e já são alguns no nosso país a mostrarem o muito o que se faz de forma benévola em favor do bem comum”, acrescenta.

Eugénio da Fonseca adianta que em Portugal deverá haver mais de um milhão de voluntários e defende a necessidade de revisão do conceito de voluntario, porque “há muito voluntariado que nós chamamos de ocasional e, por isso, há que até rever a lei que já conta com 20 anos de existência”.

“Em 20 anos, muita coisa acontece e uma das coisas que temos que ver é o próprio conceito de voluntariado. Nele têm que ser incluídas essas formas de fazer voluntariado que, não estando sinalizadas, também têm que ser valorizadas”, reforça.

Os municípios interessados em participar na candidatura para a escolha da "Capital Portuguesa do Voluntariado" têm até 2 de junho para apresentar um Plano Estratégico e um Programa de Atividades para 2024 centrado em iniciativas de voluntariado.

Com 16 anos de existência, a CPV tem como finalidade representar os voluntários de Portugal e as suas organizações. Atualmente, congrega 43 organizações de voluntariado

8.5.23

Usar voluntários para encobrir postos de trabalho é crime, alerta Confederação do Voluntariado

Henrique Cunha, in RR

Confederação Portuguesa do Voluntariado (CPV) alerta para que não se “incorra no crime de utilizar o serviço de voluntariado para encobrir postos de trabalho”. Instituição quer selecionar um município português como Capital Portuguesa do Voluntariado.

A Confederação Portuguesa do Voluntariado (CPV) alerta para que não se “incorra no crime de utilizar o serviço de voluntariado para encobrir postos de trabalho”.

O presidente da CPV, Eugénio da Fonseca, diz à Renascença que “é preciso algum cuidado” para que em tempo de crise, “altura em que acontece também a tragédia do desemprego, não haja nenhum empreendedor social ou de qualquer outra instituição que integra voluntários a incorrer no crime de utilizar o serviço de voluntariado para encobrir postos de trabalho que se possam gerar”.

Esta advertência é lançada a propósito da iniciativa que vai selecionar um município português como "Capital Portuguesa do Voluntariado", que tem como “objetivo fundamental reconhecer esta forma de praticar a cidadania que muitas vezes não é valorizada como devia ser”.

“Como o voluntariado tem a sua expressão maior a nível local, procuramos fazê-lo impulsionando os municípios e já são alguns no nosso país a mostrarem o muito o que se faz de forma benévola em favor do bem comum”, acrescenta.

Eugénio da Fonseca adianta que em Portugal deverá haver mais de um milhão de voluntários e defende a necessidade de revisão do conceito de voluntario, porque “há muito voluntariado que nós chamamos de ocasional e, por isso, há que até rever a lei que já conta com 20 anos de existência”.

“Em 20 anos, muita coisa acontece e uma das coisas que temos que ver é o próprio conceito de voluntariado. Nele têm que ser incluídas essas formas de fazer voluntariado que, não estando sinalizadas, também têm que ser valorizadas”, reforça.

Os municípios interessados em participar na candidatura para a escolha da "Capital Portuguesa do Voluntariado" têm até 2 de junho para apresentar um Plano Estratégico e um Programa de Atividades para 2024 centrado em iniciativas de voluntariado.

Com 16 anos de existência, a CPV tem como finalidade representar os voluntários de Portugal e as suas organizações. Atualmente, congrega 43 organizações de voluntariado

Banco Alimentar faz a diferença “na vida de muitas pessoas”

in Diário de Coimbra

Habituado ao armazém, onde tem sido voluntário do Banco Alimentar Contra a Fome (BACF) e desenvolvido trabalho de triagem e separação de alimentos, António Cardoso experimentou ontem um outro lado do voluntariado, numa superfície comercial, dando a cara pela campanha que pretende, uma vez mais, durante este fim-de-semana, a recolha de bens alimentares que servirão para alimentar milhares de famílias carenciadas de todo o país. António Cardoso, de 20 anos, como residente na Comunidade Juvenil São Francisco de Assis, sabe bem o que é viver da solidariedade: a Comunidade Juvenil recebe alimentos, roupas, brinquedos e até produtos de higiene, pelo que o jovem faz o apelo para que, tal como a sua instituição é ajudada, também outras instituições possam receber os bens alimentares do BACF que são depois distribuídos pelas famílias.

[leia a notícia na integra no jornal impresso]

27.2.23

Junta do Imaculado recebeu reunião da Comissão social da freguesia

Luís Rocha, in Funchal Notícias 

A sede da Junta de Freguesia do Imaculado Coração de Maria foi palco, na noite desta quinta-feira, da reunião do grupo de trabalho da Comissão Social da freguesia para a “educação e valores”.

“Este é um dos seis grupos de trabalho deste órgão que visa dinamizar e articular os esforços das entidades públicas e privadas constituintes, procurando soluções adequadas para os problemas e desafios da freguesia”, explica uma informação.

Na ocasião, o presidente Pedro Araújo manifestou a preocupação da Junta em “educar para os valores”, destacando importantes áreas de intervenção como “a inclusão, a solidariedade, o respeito, a cidadania e a convivência entre diferentes gerações”.

O autarca considera que “o desporto, a expressão artística, os espaços de debate, e o voluntariado” são recursos didáticos fundamentais na estratégia a implementar, que podem ser complementados com palestras e outras ações de sensibilização.

O grupo de trabalho incluiu, para além de elementos do executivo da Junta de Freguesia, representantes da Escola Bartolomeu Perestrelo, Escola da APEL, EAPN – Rede Europeia Anti-Pobreza, Associação Aura e Associação DECO.

Na reunião foi discutida a criação de uma “oficina criativa” na freguesia, capaz de promover a convivência intergeracional, associada à reutilização de materiais e utensílios, promovendo também a transmissão de conhecimento na área do fabrico e restauro de peças e produtos.

Entre outras iniciativas, o Imaculado pretende também levar às escolas acções de sensibilização sobre solidariedade e consumo responsável, através da da EAPN e da DECO, bem como ateliers musicais, com o contributo da Associação Aura.

Publicado por Luís Rocha

15.11.22

Chegaram a faltar sete produtos nos cabazes alimentares para os mais carenciados

Ana Cristina Pereira, in Público online

A ministra do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho, já tinha admitido falhas no cabaz alimentar. O último relatório anual do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC), que Portugal apresentou ao Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas Mais Carenciadas (FEAC), esclarece que, no território continental, houve meses em que faltaram até sete produtos.

Com a pandemia de covid-19, o Governo decidiu alargar o número de beneficiários. Antes, a previsão era chegar até 69.317, contando residentes em Portugal continental, Madeira e Açores. Em 2020, o programa foi alargado para abranger 148.561. No ano passado voltou a sê-lo, alcançando os 170.371. Para acomodar este aumento, quem operacionaliza o programa teve de renegociar com os fornecedores.

O Instituto de Segurança Social, que coordena a operação no território continental, afirma ter tido “o cuidado de, ao mesmo tempo que ia concretizando a renegociação dos contratos de fornecimento vigentes no início da pandemia, ir também procedendo ao lançamento de novos concursos para substituir atempadamente os produtos que, entretanto, iam sendo distribuídos em maior quantidade e, consequentemente, dentro de um horizonte temporal mais reduzido”. Não evitou quebras no fornecimento e na distribuição de todos os produtos.

“Nos meses de Setembro, Novembro e Dezembro ocorreu falha de sete produtos, sendo que nos restantes meses do ano as falhas circunscreveram‐se a dois, à excepção de Janeiro e Agosto, em que se registou a falha de três”, lê-se no relatório entregue no final de Junho e agora divulgado. Havendo falhas em determinado período, procuram “reforçar, sempre que possível e adequado, a distribuição destes alimentos nos meses subsequentes”.

No rol de constrangimentos mencionados no documento, surgem “quatro acções judiciais que foram interpostas no âmbito dos procedimentos contratuais para aquisição de cereais de pequeno-almoço, arroz, bolacha maria e azeite”. Outra “situação provocou atrasos no procedimento de aquisição do leite”: “recusa do visto do Tribunal de Contas ao contrato a celebrar, o que implicou a necessidade de se recorrer de tal decisão, com atrasos no procedimento de aquisição deste género alimentar de cerca de quatro meses.”

Antes, o cabaz continha 18 produtos. Em 2019, foi reformulado para melhor se ajustar às necessidades, passando a somar 25. Em cada mês, é suposto 21 serem entregues. Para impulsionar uma diversificação da dieta alimentar, há uns que vão sendo alternados. É o caso da sardinha e da cavala em lata, da mistura de vegetais para sopa e dos brócolos, do feijão‐verde e dos espinafres, da cenoura e do alho francês.
Mais de 50 milhões de embalagens

O programa envolve 650 entidades parceiras do sector social, às quais cabe “receber, armazenar e distribuir os bens às pessoas mais carenciadas”. Fechado o ano, tinham distribuído 613.055 cabazes alimentares, envolvendo 50.042.177 embalagens de alimentos, correspondendo a 27.901,78 toneladas.

O programa não se esgota na aquisição e distribuição de bens alimentares e/ou outros bens de primeira necessidade. Também pressupõe o acompanhamento das pessoas, no sentido da sua inclusão social.

170.371 Número total de beneficiários do programa em 2021. Já este ano, em Setembro, esse número caiu para cerca de 108 mil beneficiários

Em 2021, houve 572 acções que envolveram 21.964 pessoas: 181 de “optimização da gestão do orçamento familiar” destinadas a 6300 pessoas; 215 de “prevenção do desperdício” dirigidas a 9844; 176 de “selecção de géneros alimentares” orientadas para 5820. E houve outras acções associadas.

Em causa estão mais mulheres (92.145) do que homens. Muitas pessoas têm menos de 15 anos (46.142), algumas mais de 65 (11.669).

Recorde-se que o POAPMC, aprovado pela Comissão Europeia em 2014, mobiliza uma dotação pública total (DPT) de 208 milhões de euros: 176,8 milhões de FEAC e 31,2 de contrapartida pública nacional. Conforme o relatório, no final do ano, registava-se “um nível de compromisso de cerca de 113%, com um valor comprometido de 239,2 milhões de euros/DPT”. Ao mesmo tempo, apresentava-se “um nível de execução global de 67% de DPT, com uma execução acumulada de 139,4 milhões de euros/DPT”.

Com a crise de saúde pública, foi suspensa a revalidação trimestral automática dos agregados familiares destinatários do POAPMC. A suspensão dessa regra, pensada para aferir se os destinatários mantêm a situação de carência económica, continuou em vigor em 2021. Não este ano. O número de beneficiários começou então a cair.

Ao que disse a ministra na Assembleia da República no final de Setembro, havia 108 mil beneficiários. Os problemas de aquisição e distribuição de produtos não tinham sido todos ultrapassados por completo. Estavam a ser distribuídos 20 produtos.

30.9.22

Mais de 108 mil pessoas estão a receber cabaz alimentar

Daniela Carmo, in Público on-line

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, garantiu que o cabaz alimentar do Programa Operacional de Apoio às Pessoas mais Carenciadas pode chegar a 120 mil pessoas.

São mais de 108 mil as pessoas actualmente apoiadas através do cabaz alimentar do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC). A informação foi avançada pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, durante a Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão na manhã desta quarta-feira.

Ana Mendes Godinho referiu que, à data desta terça-feira, beneficiavam do programa um total de 108.300 pessoas. E recordou que a capacidade máxima de resposta assegurada pelo Governo, em simultâneo, pode ir até às 120 mil, número que duplicou durante o período de pandemia da covid-19. O POAPMC foi criado em 2015, na União Europeia, e pretende ser um instrumento de combate à pobreza e à exclusão sociais.

A ministra do Trabalho fez ainda um balanço relativo ao total acumulado de pessoas apoiadas desde Janeiro, valor que se fixa, até ao momento, em 134 mil. Este é um número que inclui beneficiários que entraram no programa e outros que, entretanto, saíram. Desde o arranque do programa, em 2015, foram beneficiadas 238 mil pessoas.

Sobre a alegada indicação para reduzir o número de beneficiários de 120 mil para 90 mil, Ana Mendes Godinho sublinhou que “nunca foi dada qualquer orientação para a redução de beneficiários”. “Não podia ter sido. Mantemos a capacidade de, em simultâneo, responder a 120 mil pessoas.”

Segundo a ministra, a reavaliação trimestral de elegibilidade dos beneficiários voltou a funcionar, uma vez ultrapassado o período crítico da pandemia e, por isso, fazia sentido regressar ao modelo que até então vigorava, com comprovação de critérios de acesso ao programa. Ou seja, foi essa verificação que justificou que tenha havido uma redução no número de beneficiários.

Actualmente, e admitindo as rupturas de stock que existiram e que já foram ultrapassadas, a governante adiantou também que o cabaz alimentar está a entregar 20 dos 21 produtos inicialmente previstos.

Está ainda em curso a implementação de um novo modelo de apoio às pessoas mais carenciadas que se baseia num cartão de compras que as famílias poderão utilizar directamente nos estabelecimentos comerciais, podendo, então, as famílias escolher os produtos que preferem em total liberdade e em pé de igualdade com todas as outras pessoas. Até 13 de Outubro, decorre o concurso público para as empresas fornecedoras.

Este “instrumento complementar no combate à pobreza e exclusão social”, como disse a ministra, vai, num primeiro momento, chegar a 45 mil pessoas e será complementado com a entrega de cabazes às restantes famílias.

7.9.22

AMI apoiou quase sete mil pessoas carenciadas no primeiro semestre deste ano

Por Lusa, in Público online

Segundo a organização, foram mais 26,5% em relação ao período homólogo de 2021. AMI adianta também que entre a população que recorreu aos serviços sociais, 42,6% não exerce qualquer actividade profissional.

Quase sete mil pessoas em situação de pobreza foram apoiadas pela AMI no primeiro semestre deste ano, mais 26,5% em relação ao período homólogo de 2021, sendo o serviço de distribuição de géneros alimentares o mais procurado.

Em comunicado, a AMI - Assistência Médica Internacional adianta que os seus serviços sociais apoiaram 6.869 pessoas, mais 26,5% em relação ao período homólogo do ano passado, e 55% dos pedidos feitos ao Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC) estão relacionados com ajuda alimentar.

“Esta percentagem [55%] traduz-se num total de 79.773 refeições servidas nos refeitórios dos Centros Porta Amiga, sendo um dos serviços mais utilizados no primeiro semestre de 2022”, indica a instituição.

A maior parte das pessoas apoiadas pelos equipamentos sociais da AMI, 51% mulheres e 49% homens, está em idade activa, tem entre os 16 e os 65 anos (69%), seguindo-se o grupo de menores de 16 anos que corresponde a 22% e os maiores de 65 anos, que representam 8%.

A AMI adianta também que entre a população que recorreu aos serviços sociais, 42,6% não exerce qualquer actividade profissional no grupo com mais de 16 anos.

“A maioria parte da população tem apenas recursos económicos provenientes de apoios sociais, como o Rendimento Social de Inserção (17%), pensões e reformas (10%) e subsídios e apoios institucionais (6%)”, segundo dados da instituição.

De acordo com a AMI, apenas 10% tem rendimentos de trabalho, mas que se revela precário e insuficiente, motivo pelo qual mantêm a necessidade de recorrer aos apoios sociais, financeiros, alimentares, vestuário, equipamentos domésticos e/ou material escolar.

A AMI diz também ter registado no primeiro semestre deste ano 945 pessoas em situação sem-abrigo em Lisboa, Porto e Gaia, que correspondem a mais 16,5% em relação ao mesmo período de 2021. Nesta população, 177 são novos casos.

Os locais de pernoita mais frequentes são a rua ou espaço público (16%); alojamento específico para pessoas em situação de sem-abrigo, como abrigos temporários ou de emergência (13%); pensão/quarto (13%). A casa de familiares ou amigos representa 9% dos locais de pernoita, segundo a AMI.
Impacto da inflação

O presidente da AMI, Fernando Nobre, citado na nota, aponta esta situação como “consequência de uma grande depressão económica e social” e o início de “um cenário muito negro causado pela inflação”.

O fundador da AMI salienta que “a inflação actual e probabilidade de ainda subir mais significa um aumento do custo de vida em todos os sectores”.

“E, se este aumento continuar a registar-se, as famílias que ainda estavam na classe média baixa, mas ainda não estavam na pobreza, estão a ter de fazer opções, com o inverno à porta, entre pagar renda, comprar medicamentos, aquecer-se, comer”, destacou.

De acordo com Fernando Nobre, a ajuda do POAPMC “não será suficiente”. “Aliás, só no distrito do Porto cerca de 175 pessoas estão em lista de espera para receber apoio alimentar ao abrigo do POAPMC”, alertou.


3.5.22

Bibliotecas portuguesas ajudam a recolher e enviar 1400 livros para a Ucrânia

in Público

A campanha Livros pela paz recolheu “livros de imagens, ou texto, em inglês, ucraniano ou russo, pelas bibliotecas municipais”.

Sessenta bibliotecas ajudaram a recolher 1400 livros que serão enviados para a Ucrânia, no âmbito de uma campanha lançada pela cooperativa Arte-Via, que pretende aliviar o sofrimento dos que são afectados pela guerra.

Lançada a 21 de Março, a campanha Livros pela paz teve como objectivo recolher “livros de imagens, ou texto, em inglês, ucraniano ou russo, pelas bibliotecas municipais”, com o apoio da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e a colaboração da Associação dos Ucranianos em Portugal.


“Numa época tão conturbada como a que estamos a viver, de futuro tão incerto, em que o corpo está mais frágil e sujeito a todas as ameaças, o espírito precisa de estar forte para o sustentar e ajudar a não sucumbir”, justifica a cooperativa artística e editorial da Lousã.

No seu entender, “os livros salvam vidas e aliviam o sofrimento” e, portanto, espera que “possam preencher os momentos de desespero e desalento e semear a esperança que dará força a toda a resistência”.

As 60 bibliotecas que participaram na campanha são públicas e privadas, do continente e das ilhas.

“Portugal tem estado na linha da frente no apoio, por todos os meios”, lembra a Arte-Via, acrescentando que é preciso continuar “a ajudar a desenhar um sorriso em todas as vítimas desta guerra infame”.

Na sexta-feira, os livros serão entregues num armazém no Cacém, cedido para recolha dos donativos das campanhas de solidariedade.

19.4.22

Impacto do aumento de preços ainda não se reflecte nos pedidos de ajuda alimentar

Daniela Carmo, in Público on-line

“Temos tido muitas queixas de que está cada vez mais difícil, mas não registamos crescimento no número de pedidos de ajuda directa das pessoas. Contudo, penso que isso ainda virá”, acredita Isabel Jonet, do Banco Alimentar.

O aumento dos preços e do custo de vida em Portugal ainda não se reflecte nos pedidos de ajuda a instituições de apoio como o Banco Alimentar ou a Cáritas Portuguesa. Ao PÚBLICO, as presidentes das duas direcções garantem que apesar de ainda não ter existido um aumento de pessoas em situação de vulnerabilidade a ter de recorrer a programas de ajuda alimentar é de esperar que a procura suba.

Rita Valadas, presidente da Cáritas, explica que apesar de o custo de vida estar a aumentar, o impacto ainda é algo recente. “Acho que ninguém pode ter estes números ainda, só tivemos três meses do ano e só vamos poder contabilizar reflexos mais à frente porque a factura está a aumentar agora”, desenvolve.

Também Isabel Jonet, do Banco Alimentar contra a Fome, diz que “ainda não houve um aumento dos pedidos de ajuda”. “Temos tido muitas queixas de que está cada vez mais difícil, mas não registamos crescimento no número de pedidos de ajuda directa das pessoas. Contudo, penso que isso ainda virá”, acrescenta. A presidente do Banco Alimentar lembra ainda a medida do Governo de atribuir o apoio extraordinário de 60 euros para mitigar o aumento dos preços dos alimentos como uma das possíveis razões para que ainda não haja um reflexo visível.

Para Rita Valadas, os portugueses vão começar a sentir estes efeitos, provavelmente, só no fim deste mês. “Recorrem ao apoio quando têm a falência do primeiro mês e isso ainda não teve tempo para acontecer.”

A dirigente da Cáritas traça ainda um cenário “preocupante” que se verifica no país: “O que era claro para nós é que estaria estimado um decréscimo do número de famílias que apoiamos vítimas da pandemia, porque haveria alguma retoma. Mas isso não aconteceu, as famílias continuam a precisar de apoio”.

Esta realidade é, por isso, preocupante na medida em que a pandemia de covid-19 fez com que cerca de 22 mil pessoas, que não eram apoiadas pela Cáritas, tivessem de recorrer ao apoio da rede. E não saíram. Isso significa que juntar a este número acrescido de apoios novos pedidos de ajuda pode representar um factor de pressão para a associação.

“Não há um alívio das situações que vinham da pandemia e aquilo que nós tememos é que se juntem estas situações às que vão começar a sentir [um aumento] na sua factura mensal.”

Apoio depende da solidariedade de todos

Até onde se pode, então, esticar? Rita Valadas não se compromete com um número e recorda que o trabalho da Cáritas depende da solidariedade de todos. “Obviamente que, se for necessário, se virmos que não temos recursos, utilizaremos a nossa ferramenta habitual que é fazer uma campanha explicando às pessoas para que é que ela é. Entre isto e as almofadas que o Estado terá certamente que equacionar para estas pessoas, havemos de ser capazes”, completa.

Até ao momento, aquilo que tanto a presidente da Cáritas como Isabel Jonet reportam são as queixas, quase desabafos, de pessoas assustadas e com medo. “As pessoas estão muito conscientes da crise que está a acontecer e que vai acontecer e têm muito receio disso. Procuram-nos para conversar, para saber o que podem fazer, muito mais do que já a pedir ajuda por ausência de recursos”, reitera Rita Valadas.

Para Isabel Jonet, os pedidos de ajuda não se comparam ao aumento que foi registado com a pandemia. “Não é significativo, não tem nada a ver com a altura da ‘covid’. Neste momento também temos algumas instituições que estão a apoiar ucranianos mas o aumento de pedidos não é significativo.”
Banco alimentar com 21 balcões

O Banco Alimentar tem 21 balcões em todo o país e apoia 2600 instituições que chegam a 400 mil pessoas todos os dias. “Sabemos exactamente quem são as pessoas que apoiamos e sabemos também que em Portugal há um milhão de pessoas que vivem com menos de 250 euros por mês, a maioria das quais são idosos com baixas pensões de reforma”, sublinha Isabel Jonet.

Já a Cáritas ressalva que os números “são sempre menos do que a realidade” e que este tipo de instituições não resolve os problemas das vidas destas pessoas, mas que actuam, antes, “apenas ao nível básico, no sustento de vida diário”. E aí, Rita Valadas tem a esperança de fazer cumprir a missão nestes tempos mais críticos. Por ano, a associação chega, em média, a 120 mil pessoas e com a pandemia chegaram mais 22 mil pedidos de ajuda.

Contactadas pelo PÚBLICO, também a Comunidade Vida e Paz e a Rede Europeia Anti-Pobreza reportaram ainda não notar uma subida nos apoios que prestam. O PÚBLICO questionou também o Governo sobre qual a evolução dos auxílios prestados pelo Programa Operacional de Apoio Às Pessoas Mais Carenciadas e pela Rede de Emergência Alimentar durante este ano, mas não obteve uma resposta em tempo útil.


9.3.22

Catarina Furtado alerta: "Não existem pessoas de primeira e de segunda"

in SAPO

A apresentadora apelou à importância de a ajuda humanitária, perante a atual situação na Ucrânia, se estender a todas as pessoas, sem exceção.

Catarina Furtado destacou duas fotografias suas em que aparece enquanto Embaixadora de Boa Vontade do UNFPA de maneira a chamar a atenção para a importância da solidariedade se estender a todas as pessoas, independentemente da raça, género, nacionalidade ou outra característica.

"A primeira é na Guiné Bissau (um país que tem uma elevadíssima taxa de mortalidade materna e neonatal) e a segunda foi tirada no Bangladesh, no maior campo de refugiados do mundo, Kutupalong em Cox’s Bazar", começa por explicar.

"Na Ucrânia, nos próximos três meses cerca de 80.000 mulheres vão dar à luz, não contando com as que já foram mães entretanto em tempo de guerra. Mamãs e bebes precisam de ajuda! O UNFPA tem uma imensa experiência que eu testemunho há mais de 20 anos, a salvar vidas. Em diferentes contextos humanitários, sem escolha de prioridades porque cada vida conta", evidencia.

Entretanto destaca: "NÃO EXISTEM PESSOAS DE PRIMEIRA E PESSOAS DE SEGUNDA!".

"O que está a acontecer na Ucrânia é inacreditavelmente triste, angustiante, perigoso e tem movido montanhas de solidariedade. Essa é a única realidade bonita nesta realidade tão cruel. E por isso mesmo não podemos aceitar que a nossa empatia seja seletiva, nem pela distância, nem pela cor de pele, nem pela religião, nem por nenhuma outra razão, racional ou irracional", argumenta.

"Deixo um aplauso gigante à solidariedade transversal e à memória de quem, neste momento, se encontra com os seus direitos violados, num sofrimento que por mais que queiramos nunca conseguiremos imaginar: pessoas que tentam sobreviver à morte, arriscando a vida", completa.



2.3.22

Tempos mais sinistros e menos solidários

André Rito, in Expresso

Desigualdades. A pandemia despertou uma onda de solidariedade, mas Portugal continua um país desigual: temos 1,6 milhões de pessoas abaixo do limiar da pobreza. Terá a solidariedade sido mera circunstância?

Nos bancos de jardim, nas portas das casas, à entrada das farmácias. Um pouco por toda a parte, durante a pandemia, todos testemunhámos a onda de solidariedade que invadiu a sociedade portuguesa: houve quem se voluntariasse para levar alimentos aos mais desfavorecidos, para combater a solidão dos idosos em visitas domiciliárias ou ajudar as crianças mais pobres. Em três palavras: ajudar o próximo. Agora que se adivinha o fim de um drama que durou dois anos é preciso fazer contas ao passado e perceber que futuro se reserva à solidariedade em Portugal.

É neste contexto que os Prémios BPI Fundação “la Caixa” estão de regresso (ver caixa), este ano com um reforço financeiro de €4,6 milhões. Portugal é ainda um país profundamente desigual e cabe às instituições sem fins lucrativos — mas também à população — empreen­der esse combate por uma sociedade mais equilibrada e justa. A questão é saber se agora vamos voltar às nossas vidas como eram antes da covid-19. Seremos mais solidários? Será que a pandemia nos ensinou a olhar para os mais desfavorecidos e, sobretudo, a agir? Quais os grandes desafios da solidariedade e do terceiro sector?

Perante estas questões, o sociólogo António Barreto mostra-se cético. “Vivemos tempos sinistros. Há testemunhos e opiniões contraditórias. Muita gente pensa que as pessoas e as instituições, em geral, aderiram a uma reação de solidariedade, mas eu tenho dúvidas”, começa por dizer. “Houve, de facto, situações em que as pessoas se ajudaram, faltavam máscaras, testes, comida, vacinas. Mas concluir que as coisas estão diferentes é exagerado. Gostaria que assim fosse, que, a prazo, a sociedade se equipasse melhor para problemas de emergências e esforços de solidariedade, mas quem está a dizer que houve uma grande reação de solidariedade está a confundir a realidade.”

Distanciamento aproximou as pessoas?

Cientistas sociais contactados pelo Expresso consideram prematuro con­cluir que Portugal é um país diferente no período pós-pandemia. É certo que no nosso léxico social entraram palavras como ‘resiliência’ e todos batemos palmas, pelas 10 da noite, encorajando os profissionais de saúde que estavam na linha da frente. Um país comovido com um problema mundial, que projetou nos vizinhos mais idosos, nos pobres que pediam na rua e nos que mais sofriam de exclusão social a bondade e vontade de ajudar. Mas a verdade é que as vidas se retomam perante a exigência da normalidade. E a normalidade, infelizmente, é sinónimo de um regresso ao passado: o terceiro sector continua a precisar do apoio de todos.

“As pessoas que estavam isoladas, em solidão, continuam assim. Os problemas não desapareceram subitamente”, diz ao Expresso o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto. António Tavares, tal como o sociólogo António Barreto, considera que “não se podem banalizar as questões e os desafios da solidariedade”. “Temos problemas muito complicados para resolver em Portugal, como o envelhecimento e o problema demográfico. Hoje morrem mais pessoas do que nascem, dá a sensação de que existe pouca confiança no futuro, o que nos obriga a uma reflexão sobre se a pandemia nos fez solidários”, diz o provedor, enumerando uma série de desafios que as instituições de solidariedade enfrentam: “O combate à fome, à solidão, o envelhecimento saudável, a saúde mental e a transição digital para todos.” Admite que é preciso encurtar a pobreza, porque, mesmo com as transferências sociais, existe pobreza extrema. “Com a pandemia, percebemos que os mais fracos, os idosos, as crianças, continuam frágeis. Não existe uma política no apoio domiciliário, algo que leve às pessoas uma dinâmica afetiva e tecnológica que as torne mais próximas.”

Num tempo em que a tecnologia assumiu ainda maior preponderância — com o teletrabalho, a escola à distância, as consultas médicas por video­conferência —, muitos acabaram por ficar para trás. O provedor considera que não existe uma política consistente que leve os meios tecnológicos ao país real, ao interior, aos idosos, às crianças de famílias com parcos recursos. “É preciso capitalizar este sector, cujos custos são elevados e as receitas são baixas.” Só assim será possível enfrentar todos os desafios.
Prémios com reforço de €4,6 milhões

Ajudar quem ajuda. Este é o lema dos Prémios BPI Fundação “la Caixa”, que regressam em 2022 com o compromisso de construir “uma sociedade mais justa, equitativa e solidária, capaz de dar mais oportunidades às pessoas”. Este ano, o projeto conta com um reforço de €4,6 milhões. Destinados a apoiar financeiramente projetos de instituições privadas sem fins lucrativos que promovam a qualidade de vida e a igualdade de oportunidades de pessoas residentes em Portugal e em situação de vulnerabilidade social, os prémios tocam em quatro problemas-chave: autonomia de pessoas com deficiência ou doença mental (Prémio Capacitar), luta contra a exclusão social (Prémio Solidário), apoio ao envelhecimento saudável (Prémio Seniores) e ajuda a crianças em situação de pobreza (Prémio Infância). As candidaturas ao Prémio Capacitar já estão abertas e prolongam-se até 21 de março. Outras datas de candidaturas: Prémio Solidário (22 de março a 26 abril); Prémio Seniores (27 de abril a 23 de maio); Prémio Infância (24 de maio a 27 de junho). Desde 2010 foram distribuídos mais de €22 milhões a 781 projetos de inclusão social. Contribuíram para melhorar a vida de mais de 175 mil pessoas.
Combater a solidão

ISOLAMENTO 

É um dos problemas sociais que exigem resposta urgente e que afeta sobretudo a população sénior. Em Portugal, 91% dos idosos seguidos em cuidados de saúde primários vivem em solidão. De acordo com um estudo feito para a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS), um terço destes apresenta “níveis graves” de isolamento, principalmente nos que têm mais de 80 anos. Um problema que exponencia o sofrimento e o risco de serem sobremedicados.
1,6
milhões de portugueses vivem abaixo do limiar de pobreza, o valor mais baixo desde 2000. Ou seja, dois em cada cinco agregados familiares vivem, no máximo, com cerca de €833 mensais. Em 2020, praticamente 10% da população empregada era pobre. Prevê-se que estes números se tenham agravado com a pandemia

António Barreto diz que a pandemia revelou a fragilidade das sociedades, mal equipadas para dar resposta aos problemas sociais. Exigiu-se um grande esforço aos hospitais, às polícias, aos bombeiros e instituições.

O problema da fome

Alimentação Os números da pobreza em Portugal traduzem um grave problema de fome entre as franjas mais vulneráveis. As estatísticas do Programa Operacional de Apoio às Pessoas mais Carenciadas, do Instituto da Segurança Social, mostram que em 2020, o ano mais severo da pandemia, o número de beneficiários duplicou, de 60 mil para 120 mil. Mas as listas de espera vão engrossando: a Santa Casa da Misericórdia de Almada, por exemplo, ajudava 278 pessoas. Depois da pandemia, passou a distribuir cabazes por 556.

257
mil pessoas receberam o Rendimento Social de Inserção (RSI) em 2020, o valor mais baixo desde 2006. Mais de metade são mulheres (52%) e mais de dois em cada cinco (41%) têm menos de 25 anos. Entre 2010 e 2020, o total de pessoas a quem foi atribuído o RSI decresceu 51%

Os cientistas sociais acreditam que os mais vulneráveis, idosos e crianças não conseguiram quebrar o ciclo de fragilidade. Foi, dizem, uma solidariedade de circunstância.

Textos originalmente publicados no Expresso de 25 de fevereiro de 2022

3.2.22

Manuel Lemos assume liderança da Confederação de Economia Social

in Público on-line

Na tomada de posse, Manuel Lemos, eleito para um mandato de quatro anos, traçou como objectivo “reforçar o papel das organizações do sector social e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, mais equitativa e mais coesa, que promova a qualidade de vida e o desenvolvimento equilibrado do país”.

O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) assumiu esta quarta-feira a liderança da Confederação Portuguesa de Economia Social (CPES), para “uma maior coesão e fortalecimento do sector da economia social”.

Na tomada de posse, em Lisboa, Manuel Lemos, eleito para um mandato de quatro anos, traçou como objectivo “reforçar o papel das organizações do sector social e contribuir para a coesão e fortalecimento da Economia Social, assim como para a construção de uma sociedade mais justa, mais equitativa e mais coesa, que assegure a dignidade e cidadania e promova a qualidade de vida e o desenvolvimento equilibrado do país”.

A CPES tem como objectivos a promoção e a defesa das organizações da Economia Social, representando o sector a nível nacional e internacional e posiciona-se como um parceiro social na concertação, na definição das políticas públicas e nas orientações estratégicas destinadas à Economia Social, refere uma nota enviada à agência Lusa.

Constituída em 2018, a CPES congrega as entidades representativas da Economia Social em Portugal, nomeadamente a UMP - União das Misericórdias Portuguesas, CNIS - Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, CONFAGRI - Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal, CPF - Centro Português de Fundações, CPCCRD - Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, UMP - União das Mutualidades Portuguesas, ANIMAR - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local, Confederação Cooperativa Portuguesa, CCRL e APM - Associação Portuguesa de Mutualidades.

Por seu turno, a União das Misericórdias Portuguesas é uma associação de âmbito nacional, criada em 1976 “para orientar, coordenar, dinamizar e representar as Misericórdias, defendendo os seus interesses e organizando actividades de interesse comum”.

Enquanto promotora da economia social, “a UMP tem pautado a sua actuação pelo diálogo entre as Misericórdias e os diversos parceiros institucionais, participando activamente na definição e execução de políticas públicas sociais, com o objectivo de assegurar respostas sociais e de saúde que contribuam para o desenvolvimento de uma rede de apoio para o bem-estar da população”, acrescenta a nota.

20.1.22

Ajuda alimentar em cartão avança no último trimestre para 30 mil pessoas

Ana Cristina Pereira, in Público on-line

Projecto-piloto vai durar um ano. Portaria que altera regulamento do programa de apoio a famílias carenciadas foi ontem publicada e dentro de dias deverá sair a que “irá criar e regular o Programa dos Cartões Sociais”.

O paradigma do apoio às pessoas mais carenciadas vai mesmo mudar. O uso de vales ou cartões em formato electrónico ou outro deverá arrancar no último trimestre deste ano, através de um projecto-piloto de um ano que deverá abranger cerca de 30 mil pessoas.

O primeiro passo está dado. Esta quarta-feira, foi publicada no Diário da República a portaria que altera o regulamento do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas em Portugal (POAPMC) e o Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas Mais Carenciadas (FEAC), que o co-financia em 85%.

É a transposição para o ordenamento jurídico português do novo regulamento europeu. No meio das perturbações provocadas pela covid-19, em Abril de 2020, a Comissão Europeia admitiu a hipótese de se atribuir os apoios através de vouchers/cartões electrónicos. Portugal manifestou logo o seu interesse, tal como a Roménia e a França (apenas para a região de Mayotte).

Esse processo arrastou-se. Só no início de 2021, a Comissão Europeia adoptou o acto delegado (com indicadores, requisitos técnicos, rastreabilidade, pistas de auditoria e controlo) e ainda tardou a publicá-lo.

Estes cartões serão carregados uma vez por mês num valor que ainda está por revelar. E as pessoas poderão utilizá-los em qualquer comércio a retalho que venha a aderir ao projecto

Já em Agosto de 2021, o Instituto da Segurança Social lançou uma consulta preliminar pública tendo no horizonte a contratação de serviços de emissão, gestão, carregamento e reporte financeiro dos cartões electrónicos. Agora, as peças juntam-se.

Questionado pelo PÚBLICO sobre prazos previstos, o gabinete da ministra do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho, disse que ainda esta semana deverá ser publicada outra portaria. E essa, sim, “irá criar e regular o Programa dos Cartões Sociais em Portugal Continental”.

Havendo programa, o Instituto da Segurança Social poderá dar o passo seguinte. Quer isto dizer que deverá lançar, “dentro de dias, o procedimento para a Aquisição de Serviços de Emissão, Gestão, Carregamento e Reporte Financeiro dos Cartões Electrónicos Sociais, que contempla a criação do sistema de informação de suporte”.
Programa abrange 120 mil

Neste momento, o programa abrange cerca de 120 mil pessoas, que recebem uma cesta básica composta por carne, peixe e legumes congelados, cobrindo 50% das suas necessidades nutricionais diárias. No futuro, essa modalidade tradicional coexistirá com a nova. As pessoas mais carenciadas receberão géneros alimentares ou um valor em cartão, conforme as suas características.

Estes cartões serão carregados uma vez por mês num valor que ainda está por revelar. E as pessoas poderão utilizá-los em qualquer comércio a retalho que venha a aderir ao projecto. Serão distribuídos directamente pela Segurança Social ou recorrendo a organizações parceiras, como já acontece com os cabazes alimentares. Não poderão ser usados para comprar qualquer coisa. As entidades responsáveis é que vão definir hipóteses, de acordo com o que está previsto no FEAC. Não tem de ser só comida. Podem constar outros produtos de primeira necessidade, como vestuário, calçado, artigos de higiene, material escolar.

Como no modelo em vigor, este apoio acarreta acompanhamento técnico. Ao que se pode ler na portaria, a entrega do cartão pressupõe, no mínimo, duas acções de acompanhamento, que podem ser assumidas por organizações parceiras: uma incide no uso do cartão e a outra em orientação sobre o princípio da dieta equilibrada.

As pessoas carenciadas têm perfis diversos. Conforme a necessidade que venha a ser detectada, os destinatários poderão ter de assistir a sessões de esclarecimento destinadas ao “reforço da autonomia e capacidade de livre escolha, por forma a capacitá-los na optimização da gestão do orçamento familiar, na selecção dos géneros alimentares e na prevenção do desperdício”.

Para que tudo funcione, a começar pelo projecto-piloto, será preciso determinar quem actuará no terreno como entidade coordenadora (incumbida da gestão dos destinatários) ou mediadora (a quem cabe receber os cartões e proceder à sua entrega e acompanhar quem os usa). De acordo com o Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, que com o do Planeamento executa o POAPMC, será lançado outro procedimento para isso.

As entidades coordenadoras terão de alcançar o número de destinatários previsto no território em causa. E as moderadoras terão de ter actividade regular, desenvolvendo “acções de atendimento e acompanhamento social às pessoas mais carenciadas”. Dar-se-á preferência às que já integrarem a distribuição de géneros alimentares e ou bens de primeira necessidade no âmbito do POAPMC.

A legislação europeia, agora transposta, prevê que tal possa acontecer por concurso ou convite – sempre que se entender que há uma “mais-valia para a execução do programa junto dos destinatários finais, designadamente no que respeita à minimização das interrupções nos processos de distribuição de produtos alimentares”; e uma “garantia de rentabilização de investimentos materiais e imateriais anteriormente realizados pelo POAPMC”.

Várias entidades do sector social têm defendido esta mudança de paradigma. O Tribunal de Contas também já o fez, alegando que “a sua implementação permitirá poupar custos e recursos, favorecer a autonomia, reforçar a economia local, obviar aos constrangimentos derivados dos procedimentos de aquisição dos bens e das dificuldades de armazenamento e garantir maior segurança no período da pandemia”. Se tudo correr como previsto, Portugal será um dos primeiros Estados-membros a avançar.



18.1.22

Campanha "Dê troco a quem precisa" rendeu 15 mil euros para medicamentos

in JN

As 635 farmácias que aderiram à campanha "Dê troco a quem precisa" receberam 24.505 donativos para apoiar pessoas carenciadas, num total de 15.853 euros.

A campanha foi promovida pela Associação Dignitude, uma instituição particular de solidariedade social dedicada ao desenvolvimento de programas solidários que promovam a qualidade de vida e o bem-estar dos portugueses.

A Associação lançou o Programa abem: Rede Solidária do Medicamento, que vai receber os apoios na totalidade. O Programa tem como objetivo permitir o acesso, de forma digna, aos medicamentos prescritos a quem não tem capacidade financeira para os adquirir, cobrindo na receita o valor não comparticipado pelo Estado. Já apoiou a nível nacional mais de 25 mil pessoas.

QUANDO FOR À FARMÁCIA, PODE DOAR O "TROCO A QUEM PRECISA"

A campanha "Dê troco a quem precisa" decorreu entre 13 e 21 de dezembro. Na altura os portugueses foram convidados a doar o troco das suas compras nas 635 farmácias aderentes. O valor angariado permite que mais 158 pessoas carenciadas sejam apoiadas no acesso a medicamentos durante um ano.

"Este projeto é conduzido pela nobre missão de apoiar quem não tem capacidade financeira para pagar os seus próprios medicamentos e temos a certeza de que esta é uma realidade persistente contra a qual devemos continuar a lutar", disse, citada no comunicado, Maria de Belém Roseira, associada fundadora da Associação Dignitude.

A iniciativa de ajudar pessoas carenciadas no apoio à compra de medicamentos não se esgotou na campanha e pode ser apoiada a qualquer momento, refere o comunicado.

30.11.21

Mais de 700 toneladas de comida recolhidas no primeiro dia de Banco Alimentar

Orlando Teixeira, in Sol

"É incrível ver a quantidade de alimentos que estão aqui doados e que apesar deste tempo difícil ou se calhar, sobretudo, por causa deste tempo difícil, em que todos nós conhecemos famílias que estão em situações mais desesperadas, que os portugueses responsam presente à campanha do Banco Alimentar", referiu Isabel Jonet.

Foram pesadas, até às 23h00 deste sábado, - o primeiro dia da campanha deste ano do Banco Alimentar Contra a Fome - 720 toneladas de alimentos, o que correponde a menos 90 toneladas do que em novembro de 2019, quando decorreu a última campanha presencial.

A informação foi avançada pela presidente da organização, Isabel Jonet, à agência Lusa, acrescentado ainda que os números não são "nada de estranhar, porque estamos em menos supermercados e ainda temos muitas doações aqui no pátio para pesar".

A presidente do Banco Alimentar destaca a grande quantidade de voluntários presentes e a solidariedadedemonstrada pelos portugueses:

"É incrível ver a quantidade de alimentos que estão aqui doados e que apesar deste tempo difícil ou se calhar, sobretudo, por causa deste tempo difícil, em que todos nós conhecemos famílias que estão em situações mais desesperadas, que os portugueses responsam presente à campanha do Banco Alimentar".

A campanha do Banco Alimentar contra a fome continua este domingo, em cerca de 1200 estabelecimentos comerciais do país, contadndo com cerca de 20 mil voluntários.

Para comtribuir, basta aceitar um saco do Banco Alimentar à entrada do supermercado e, durante as compras, escolher produtos não perecíveis, como conservas, azeite, açúcar, farinha e massas, para doar. Além disso, é ainda possível comprar vales de produtos que estão disponíveis nas caixas dos supermercados, até dia 5 de dezembro. Este será o dia em que campanha termina também no site www.alimenteestaideia.pt.

Os 21 bancos alimentares existentes no país vão depois distribuir a comida localmente, também com rcurso a voluntários.

Segundo a instituição, no ano passado foram recolhidas 29.939 toneladas de alimentos, com um valor estimado de 41,9 milhões de euros.

Os bens foram entregues a 2700 instituições, contribuindo para a alimentação de cerca de 450 mil pessoas.

As campanhas de recolha de alimentos realizam-se duas vezes por ano sendo que, no ano passado, não existiu campanha presencial devido à pandemia de covid-19. Os alimentos recolhidos foram recebidos através dos donativos por vales e da plataforma "Alimente esta ideia".

12.10.21

“Se não fossem estes apoios, não conseguia”

Francisco de Almeida Fernandes, in Expresso

Solidários. ‘António’ foi sem-abrigo durante anos, mas conseguiu ajuda para encontrar trabalho e um espaço para viver. Em tempo de pandemia, os projetos de solidariedade ganham importância

São 38 os degraus que separam a nova casa de ‘António’, de 58 anos, da sua antiga morada: as ruas. No primeiro andar de um prédio em Alfornelos, na Amadora, os técnicos da Comunidade Vida e Paz terminam o processo de equipamento do apartamento para que possa, em breve, ser habitado por pessoas em situação de sem-abrigo. “Esta casa permite que cinco pessoas possam ter um projeto de vida diferente para poderem ser mais tarde reinseridas na sociedade”, explica a diretora da associação, Renata Alves. Para lá chegar, contudo, será preciso percorrer um longo caminho de adaptação, que conta com o apoio de uma equipa multidisciplinar que procura capacitar os utentes para a recuperação da autonomia financeira e social. “Estive uns anos como sem-abrigo”, partilha ‘António’ num dos três quartos. Pela janela vê mais do que a vista alcança. “Conseguiram arranjar-me esta ponte para a minha saída da rua e para a minha reinserção. Deram-me tempo para encontrar trabalho e reorganizar-me. Já estou a trabalhar na gestão de condomínios há dois meses, mas se não fossem estes apoios não conseguia sair da rua”, aponta. Este será apenas um de muitos nomes que ficam na lista de histórias que se querem de sucesso e que a Comunidade Vida e Paz pretende continuar a ajudar. A organização, que é uma das candidaturas vencedoras no Prémio BPI/Fundação “la Caixa” Solidário, tem agora €25 mil para financiar o arrendamento, equipamento e gestão de um novo apartamento na Amadora, onde serão integradas pessoas saídas da rua.

“Se não for com apoios, é muito difícil para nós conseguirmos retirar as pessoas da situação de sem-abrigo e dar-lhes dignidade”, sublinha Renata Alves, que refere o aumento de casos desde o início da pandemia. Neste momento, a instituição tem três casas na Amadora e outras três em Loures, além dos centros de alojamento, mas nem assim consegue dar resposta às solicitações. “Não é suficiente”, lamenta Renata, que explica que o número de refeições oferecidas nas ruas duplicou com a covid-19, de cerca de 400 para 800 ceias por noite.

A verdade é que, mais do que um espaço de abrigo, pessoas em situação vulnerável precisam de apoio multidisciplinar, nomeadamente na saúde e no emprego. A ONG Mundo a Sorrir, fundada há 16 anos no Porto, desenvolveu um projeto — com financiamento de €20 mil atribuído pelo Prémio BPI/Fundação “la Caixa” Solidário — para apoiar desempregados com problemas de saúde oral. “Muitas pessoas têm dificuldade no acesso ao mercado de trabalho por terem a sua saúde oral bastante comprometida”, contextualiza a responsável, Ana Simões. Conscientes desta realidade, procuraram unir esforços com outras instituições que identificam casos que precisam de ajuda e oferecem o tratamento adequado, reabilitando a saúde e fortalecendo a sua motivação para encontrar emprego. “Ao longo de um ano, pretendemos ajudar cerca de 30 pessoas com tratamento dentário e sessões de coaching motivacional com a ajuda de uma psicóloga.”

Este é também o caminho seguido pela Crescer, associação que, com o prémio de €30 mil, pretende abrir um segundo restaurante solidário para empregar sem-abrigo. “Têm formação na Escola de Hotelaria de Lisboa, apoio dos nossos psicólogos e depois estão seis meses no atendimento ao público”, conta o diretor, Américo Nave. Após este período de capacitação profissional e pessoal, o objetivo é integrar os participantes do projeto no mercado de trabalho. “Este espaço terá cerca de 150 lugares sentados e queremos ajudar 75 pessoas por ano”, afiança. Apesar das dificuldades trazidas pela pandemia, a instituição conseguiu, através do primeiro restaurante em Lisboa, ajudar 15 pessoas a ter novas experiências profissionais. Em tempo de crise social e económica, é a solidariedade organizada que vai colmatando as falhas do Estado, contribuindo para maior justiça social, um caso de cada vez.


HÁ 8200 PESSOAS A VIVER NA RUA

Apesar da estratégia nacional para a redução de cidadãos sem-abrigo, a pandemia agravou os números

Dependência de álcool ou substâncias psicoativas, desemprego ou precariedade e insuficiência financeira são os principais motivos na origem de situações de sem-abrigo. Os dados são de um inquérito realizado pela Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (ENIPSSA), que dá conta da existência de 8200 cidadãos sem teto em todo o país. Destes, 4786 estão concentrados na Área Metropolitana de Lisboa e 1213 na região do Porto, as duas principais cidades nacionais e aquelas em que as dificuldades no arrendamento são mais notórias. Aliás, Renata Alves, diretora da Comunidade Vida e Paz, diz mesmo que “os efeitos da pandemia” estão a aumentar o número de casos de vulnerabilidade e mostra-se “preocupada” com o fim das moratórias dos créditos à habitação, que podem empurrar mais portugueses para a rua.

A fragilidade económica e social, agravada pelo contexto pandémico, dificulta o sucesso da ENIPSSA, que tem como objetivo ajudar à reintegração de pessoas em situação de sem-abrigo através, em primeiro lugar, do alojamento. Esta solução do Governo resultou na abertura, em 2021, de 600 vagas em programas de housing first e de apartamentos partilhados, num montante total de €1,7 milhões. Até ao final do ano, o Executivo prevê conseguir disponibilizar 1100 vagas de alojamento. Ainda de acordo com o inquérito da ENIPSSA, cerca de 38% dos casos em situação de sem-abrigo prolongam-se por um ano. Em sentido contrário, porém, o relatório indica um aumento no número de pessoas reabilitadas e com habitação permanente, que em 2020 chegou às 485, mais 39% do que em 2019.

Textos originalmente publicados no Expresso de 9 de outubro de 2021

Cruz Vermelha de Gaia. Ajudar idosos, crianças e sem-abrigo com apoio “inédito” da Segurança Social

Cristina Nascimento , André Peralta (sonorização), in RR

No balanço da pandemia, o presidente da Cruz Vermelha de Gaia, António Santos, elogia a cooperação entre instituições e diz que o melhor que fica é o trabalho em rede.

Na Cruz Vermelha de Gaia, a Covid-19 foi um regresso às origens, pois foi há mais de 100 anos que abriram portas, em plena pandemia da febre tifóide e da gripe espanhola.

Atualmente, as respostas da Cruz Vermelha vão muito além dos cuidados de saúde e,quando tudo fechou, a primeira emergência foi as pessoas em situação de sem-abrigo. A Cruz Vermelha e outras três instituições criaram uma equipa para ajudar quem não tinha quatro paredes para confinar e quem precisava das ruas com gente e dos cafés abertos para sobreviver.

“Aprontou uma equipa de voluntários sociais de rua para todos os sete dias da semana, por escala, de dois voluntários por dia, entre as 12h00 e as 14h00 estarem com as pessoas na situação de sem abrigo a quem escutavam, dirigiam palavras e serviam uma refeição”, explica António Santos, presidente da Cruz Vermelha de Gaia. Começaram por prestar apoio a 10 pessoas que já estavam sinalizados pela Câmara Municipal de Gaia, mas depressa o número triplicou.

Outra situação a que acudiram foi o caso de cidadãos estrangeiros que perderam trabalho e casa. António Santos diz que, tendo conhecimento do caso, promoveram que “fossem acolhidas num alojamento social partilhado da Cruz Vermelha, durante largos meses, foi praticamente quase um ano, até voltarem a ter novamente emprego e casa”.

Noutra frente de combate, fecharam os centros de dia e os cuidados aos idosos que aí eram prestados, passaram a ser feitos na casa de cada um: “a refeição de almoço reforçada, a higiene corporal, o vestuário, a lavandaria, o arrumo de cómodos, passaram a ser domiciliados. Até a própria animação sócio cultural foi dinamizada para ter lugar na casa de cada utente, com trabalho manuais, pinturas e texto”, descreve.

Os mais velhos que tinham acesso às novas tecnologias também foram acompanhados à distância, com a ajuda dos “voluntários jovens da Cruz Vermelha de Gaia que também se envolveram neste trabalho da animação sócio-cultural, com a criação de desafios semanais, feitos de exercícios interativos à distância de estimulação cognitiva, sensorial e até de amizade comunitária”.

O presidente da Cruz Vermelha de Gaia explica ainda que, com trabalho a fazer em casa de cada utente, faltaram recursos humanos. Valeu a flexibilidade da Segurança Social que permitiu a troca de profissionais entre instituições.

“Foi estimulado pelo Instituto da Segurança Social, designadamente a atenção com que viveram esta situação as técnicas de acompanhamento, eu aqui queria realçar muito porque estiveram sempre muito junto das instituições da rede social e que propuseram a cooperação entre respostas sociais com acordo. Isto é inédito, nunca aconteceu”, reconhece.

Com a implementação desta prática assistiu-se por exemplo, dentro da “própria Cruz Vermelha, por exemplo, do centro infantil educadoras sociais e auxiliares de ação educativa que se ofereceram como voluntárias trabalhar em serviço de apoio domiciliário noutras instituições”.

No balanço da pandemia, António Santos elogia a cooperação entre instituições e diz que o melhor que fica é o trabalho em rede.

Respostas Sociais à Pandemia é uma rubrica da Renascença com apoio da Câmara Municipal de Gaia que surge no seguimento da Conferência "Pandemia: Respostas à Crise" onde se debateu em maio de 2021 o papel das Instituições Sociais e do Poder Local.

7.10.21

Onde estão os cidadãos que dedicam a vida aos outros?

in JN

Todos conhecemos uma história de alguém que teve um gesto bondoso e inspirador. Com a ajuda da Nobre Casa de Cidadania, pode homenagear os atos heroicos do último ano. As candidaturas estão a decorrer até 15 de novembro.

Ajudar famílias carenciadas, angariar apoios para instituições de solidariedade, prestar cuidados de psiquiatria a doentes sem possibilidades ou deixar o emprego estável para ser voluntário além-fronteiras a tempo inteiro. Todos estes gestos são bons exemplos de cidadania que, sem esperar nada em troca, personificam altruísmo, coragem e vontade de fazer mais e melhor em prol da sociedade.

Conhece a história de um gesto heroico? Com a ajuda da Nobre Casa de Cidadania, pode homenagear quem verdadeiramente merece. Fundada em 2013, a iniciativa nasceu para reconhecer e homenagear os cidadãos autores de atos nobres e de cidadania e, através desses exemplos, incentivar mais pessoas a fazê-lo. Por ato nobre entende-se uma ação realizada em benefício de terceiros, ausente de qualquer interesse pessoal e refletindo o caráter de quem a pratica ao demonstrar integridade, honra e humanidade.

As candidaturas já estão a decorrer, através do preenchimento de um formulário de inscrição, até ao dia 15 de novembro. À exceção do próprio autor do gesto heroico, qualquer pessoa pode submeter uma candidatura e homenagear um cidadão nacional ou estrangeiro, residente em Portugal, que sem qualquer obrigação tenha praticado um ato nobre no último ano. Seja um ato isolado ou prolongado no tempo, este pode ser realizado na vida pessoal, profissional ou cívica do cidadão e não está limitado a nenhuma área de intervenção.

As propostas de homenagem são consideradas válidas se nelas forem identificados os três seguintes critérios: altruísmo (realização de uma ação em benefício de outrem), desprendimento (realização de uma ação sem qualquer interesse pessoal, profissional ou familiar) e caráter (realização de uma ação que reflita honestidade, integridade, lealdade, dignidade, justiça, honra, humildade, coragem, respeito ou compromisso cívico). Após a seleção dos cidadãos a homenagear é realizada uma cerimónia, momento em que tanto os parceiros como os cidadãos que são distinguidos têm a oportunidade de partilhar testemunhos e vivências.

Atualmente, o projeto Nobre Casa de Cidadania conta com 13 parceiros institucionais que verificam a elegibilidade das propostas de homenagem apresentadas. São eles a Autoridade Nacional para a Proteção Civil, o Corpo Nacional de Escutas, a Direção Geral de Educação, a Direção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo, o Estado-Maior-General das Forças Armadas, a Faculdade de Teologia - Universidade Católica Portuguesa, GRACE, INEM, Liga dos Bombeiros Portugueses, Polícia de Segurança Pública, Fundação para a Ciência e Tecnologia, Confederação Portuguesa do Voluntariado e a Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente.

Ao longo dos últimos anos foram propostos mais de uma centena de atos nobres, tendo sido homenageados mais de 80 cidadãos. Só a última edição contou com mais de 70 participações, desde heróis solidários a corajosos além-fronteiras. Este é o oitavo ano em que se realiza a "Atribuição do Título Cidadão Nobre" para promover histórias positivas e inspiradoras que motivem outras pessoas a fazer a diferença no mundo.