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12.6.23

Famílias mais pobres têm dificuldades em comprar medicamentos: "A situação está bem pior que no tempo da troika"

 Luís Marques Mendes, in SIC


O comentador da SIC divulgou dados de um estudo da Universidade Nova de Lisboa, segundo os quais 50% das famílias com rendimentos até 800 euros por mês não consegue comprar todos os medicamentos.

O aumento do custo de vida tem tido um impacto cada vez maior nas famílias. No espaço de comentário na SIC, Luís Marques Mendes partilhou um estudo onde é revelado que metade das famílias com rendimentos até 800 euros por mês não tem dinheiro para comprar todos os medicamentos de que precisam.

Para o comentador, estes dados são “quase arrepiantes”. Marques Mendes sublinha que em 2013, durante o “tempo da troika”, “21% das famílias mais pobres diziam não conseguir comprar [medicamentos]”. O valor desceu nos anos seguintes, mas, “de repente, em 2022, subiu para 50%”,


“A situação está bem pior que no tempo da troika. Estamos a falar de medicamentos, uma questão essencial para as pessoas, em particular para as pessoas mais idosas”, remata.

O comentador sublinha que este assunto “tem de ser debatido, em particular pelos departamentos que mais têm a ver com estas matérias de saúde e de segurança social”.

19.5.12

Psiquiatras alertam para dificuldade de doentes comprarem medicamentos

Por Catarina Gomes, in Público on-line

Há cada vez mais doentes psiquiátricos que não conseguem comprar a medicação de que precisam por razões financeiras, um fenómeno que tem aumentado nos últimos meses.

A informação é dada pela psiquiatra Célia Franco, do Hospital Sobral Cid, do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra. Também o presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria, António Palha, alertou esta sexta-feira, na Antena 1 para o caso de alguns doentes não estarem a tomar os medicamentos necessários.

A psiquiatra Célia Franco afirma que, no hospital, já estão a prescrever a medicação mais barata, nomeadamente os genéricos, mas mesmo assim “estão a aumentar os doentes que não conseguem tomar a medicação”, quer porque fazem parte de agregados familiares onde há desempregados, quer porque são pessoas com pensões sociais muito baixas. As consequências da interrupção podem passar por reinternamentos de doentes que estariam estabilizados sob a terapêutica. “Se as pessoas estiverem estabilizadas há poupança a longo prazo”, sublinha.

A médica afirma que, nestas situações, tentam arranjar soluções junto das assistentes sociais mas esse apoio nem sempre é possível. Célia Franco afirma também que se há fármacos cuja comparticipação baixou um pouco, também há medicamentos que até ficaram mais baratos mas há doentes que nem sequer vão à farmácia com medo de que sejam caros. “Há o medo de que o medicamento vá ser caro”, por isso seria interessante que na receita que o doente leva do médico já constasse o valor que vai pagar pelos fármacos, defende.

Falta de dinheiro

O presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria, António Palha, disse numa entrevista à Antena 1, que há casos de doentes mentais que não estão a tomar todos os medicamentos necessários para o seu tratamento, por falta de dinheiro. O médico pediu a criação de uma política que proteja estes casos particulares.

“Tenho alguns casos, não posso generalizar, mas já tenho doentes, ou famílias, que apontam que a situação é difícil e que durante os últimos tempos não tomou este e tomou aquele… Isso pode vir a generalizar-se”, alerta. “É de pressupor que, se a crise continuar e aumentar, que isso possa suceder, o que é uma coisa dramática”, acrescenta.

“[Os doentes] dizem que cada vez é mais complicado. E, se por azar, tiverem em casa mais do que uma pessoa, que não é vulgar, não só da área da psiquiatria, mas das outras áreas, começa a ser difícil”.

Pedro Macedo, psiquiatra do Hospital Júlio de Matos, pertencente ao Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, concorda que “a situação tem-se vindo a agravar. Há doentes que começam a sentir que é difícil comprar porque é impossível organizarem os seus orçamentos nesse sentido”, revela ao PÚBLICO.

O médico afirma que há doentes reformados, que já tinham dificuldades, e que chegam, actualmente, a ter que “suportar casas”, por exemplo, com filhos desempregados. O que acontece é que há doentes que “fazem escolhas e optam pelos medicamentos que, de forma subjectiva, acham que são os mais importantes”.

Mas o médico realça que “o tratamento de um doente psiquiátrico é mais que a medicação. Às vezes há investimentos em medicamentos [em casos] que podiam ser resolvidos com outras intervenções”. Pedro Macedo julga que se põe o ênfase do tratamento apenas nos medicamentos, negligenciando outras intervenções tão ou mais importantes, como o acompanhamento do doente na comunidade e o apoio familiar. “Há uma má gestão dos serviços”, conclui.