in Jornal de Noticias
A antiga ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite considerou que, enquanto Portugal tiver que cumprir com as exigências orçamentais estipuladas por Bruxelas, não vai conseguir obter crescimento económico.
"Enquanto houver tratado orçamental, Portugal [e outros países europeus que estão na mesma situação] não vai crescer", lançou a antiga governante durante a conferência "Economia de Pobreza", que se realizou em Lisboa no Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
Estamos metidos num nó cego, que algum dia tem que ser desatado
Manuela Ferreira Leite realçou que "a política europeia tem sido a causa da desgraça" em Portugal "e em toda a Europa".
Ferreira Leite exemplificou que, quando estalou a crise financeira em 2008, a Comissão Europeia incentivou os Estados-membros a aumentarem o investimento público de forma a dar ânimo à economia.
"Agora não venham criticar o défice", vincou, apontando ainda o dedo para a questão do endividamento que afeta muitos países em todo o mundo.
Para a antiga ministra, "é um problema global, não é um problema europeu", sublinhando que "é difícil haver um crescimento seguro quando há um grande endividamento".
"Estamos metidos num nó cego, que algum dia tem que ser desatado", rematou Ferreira Leite.
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26.10.16
Economistas defendem criação de observatório para combate à pobreza
in Público on-line
A pobreza é resultado da economia, é um atentado aos direitos universais e precisa, não só de uma estratégia específica, como de um observatório que produza informação com vista a criar políticas de combate, defendem vários economistas.
O debate teve lugar em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, nesta segunda-feira, e reuniu um painel composto por vários economistas para discutir "Economia de Pobreza, Pobreza de Economia", tendo em conta que hoje se assinala o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
Perante uma plateia de várias dezenas de pessoas, a economista Manuela Silva defendeu que a pobreza não é uma fatalidade, mas antes produto do mau funcionamento da economia. "Temos os pobres que temos, porque somos a sociedade que somos", sublinhou, apontando que, sem consciência colectiva, dificilmente se encontrará uma solução para a pobreza.
Alertou que a pobreza tende a reproduzir-se por várias gerações, tendo como consequência não só um défice na educação, mas também relacionamentos sociais sem influência na sociedade e uma fraca participação socioeconómica. Por isso, defendeu que os "gastos com pobreza" são um "precioso investimento", e propôs algumas medidas, tendo por base um trabalho feito pelo professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) Carlos Farinha Rodrigues, também presente.
Para a economista, é prioritário criar e desenvolver uma estratégia nacional para a erradicação da pobreza, que responsabilize governos, associações e sociedade civil; criar um observatório permanente que crie informação sobre a pobreza que ajude à monitorização da estratégia, além de integrar o objectivo de erradicação da pobreza em todas as políticas públicas.
Presente no debate, Farinha Rodrigues aproveitou para criticar a falta de vontade política para mudar, e alertou para "grande parte da pobreza que não é captada pelas estatísticas", deixando de fora pessoas como os sem-abrigo ou as pessoas hospitalizadas.
O economista apontou que os actuais níveis de desigualdade são uma violação dos direitos humanos e um travão ao desenvolvimento económico, defendendo, por isso, a criação de uma estratégia nacional de combate à pobreza, com especial enfoque nas crianças.
Defendeu igualmente que é "urgente" um observatório independente sobre as questões sociais, que seja capaz de avaliar, interpretar, recomendar e tornar públicos os problemas sociais.
A presidente do Conselho Superior das Finanças Públicas, Teodora Cardoso, frisou que a pobreza "é um problema sério, quer em termos sociais, quer em termos macroeconómicos", concordando com a necessidade de criação um observatório que, não só apresente o ponto de situação, mas meça o problema. Apontou que os pobres "não são um grupo de pressão", junto do poder político, e defendeu que é um objectivo muito ambicioso conseguir terminar com a pobreza.
Apesar de admitir que as crises têm sempre um impacto maior nos mais pobres e nos mais desfavorecidos, sustentou que as políticas não devem ser dirigidas aos mais "frágeis". "As políticas têm que ser dirigidas a garantir uma estabilidade suficiente para evitar que essas crises aconteçam", frisou.
A economista e antiga ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite disse não gostar que a discussão sobre a pobreza seja feita tendo por base a dicotomia entre ricos e pobres, ao mesmo tempo que entende como "profundamente errado" que, para combater crises, se aplique a mesma receita a qualquer país.
"A grande consequência negativa da crise por que passamos foi a ideia de que havia um esquema rígido, igual para qualquer um dos países e que foi aplicado a Portugal como foi aplicado à Irlanda, e isso só poderia dar um mau resultado", apontou. Disse ainda que tão importante como o modelo adequado ao país para crescer, é o modelo de distribuição de rendimentos, algo que "não tem existido com pés e cabeça".
A pobreza é resultado da economia, é um atentado aos direitos universais e precisa, não só de uma estratégia específica, como de um observatório que produza informação com vista a criar políticas de combate, defendem vários economistas.
O debate teve lugar em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, nesta segunda-feira, e reuniu um painel composto por vários economistas para discutir "Economia de Pobreza, Pobreza de Economia", tendo em conta que hoje se assinala o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
Perante uma plateia de várias dezenas de pessoas, a economista Manuela Silva defendeu que a pobreza não é uma fatalidade, mas antes produto do mau funcionamento da economia. "Temos os pobres que temos, porque somos a sociedade que somos", sublinhou, apontando que, sem consciência colectiva, dificilmente se encontrará uma solução para a pobreza.
Alertou que a pobreza tende a reproduzir-se por várias gerações, tendo como consequência não só um défice na educação, mas também relacionamentos sociais sem influência na sociedade e uma fraca participação socioeconómica. Por isso, defendeu que os "gastos com pobreza" são um "precioso investimento", e propôs algumas medidas, tendo por base um trabalho feito pelo professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) Carlos Farinha Rodrigues, também presente.
Para a economista, é prioritário criar e desenvolver uma estratégia nacional para a erradicação da pobreza, que responsabilize governos, associações e sociedade civil; criar um observatório permanente que crie informação sobre a pobreza que ajude à monitorização da estratégia, além de integrar o objectivo de erradicação da pobreza em todas as políticas públicas.
Presente no debate, Farinha Rodrigues aproveitou para criticar a falta de vontade política para mudar, e alertou para "grande parte da pobreza que não é captada pelas estatísticas", deixando de fora pessoas como os sem-abrigo ou as pessoas hospitalizadas.
O economista apontou que os actuais níveis de desigualdade são uma violação dos direitos humanos e um travão ao desenvolvimento económico, defendendo, por isso, a criação de uma estratégia nacional de combate à pobreza, com especial enfoque nas crianças.
Defendeu igualmente que é "urgente" um observatório independente sobre as questões sociais, que seja capaz de avaliar, interpretar, recomendar e tornar públicos os problemas sociais.
A presidente do Conselho Superior das Finanças Públicas, Teodora Cardoso, frisou que a pobreza "é um problema sério, quer em termos sociais, quer em termos macroeconómicos", concordando com a necessidade de criação um observatório que, não só apresente o ponto de situação, mas meça o problema. Apontou que os pobres "não são um grupo de pressão", junto do poder político, e defendeu que é um objectivo muito ambicioso conseguir terminar com a pobreza.
Apesar de admitir que as crises têm sempre um impacto maior nos mais pobres e nos mais desfavorecidos, sustentou que as políticas não devem ser dirigidas aos mais "frágeis". "As políticas têm que ser dirigidas a garantir uma estabilidade suficiente para evitar que essas crises aconteçam", frisou.
A economista e antiga ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite disse não gostar que a discussão sobre a pobreza seja feita tendo por base a dicotomia entre ricos e pobres, ao mesmo tempo que entende como "profundamente errado" que, para combater crises, se aplique a mesma receita a qualquer país.
"A grande consequência negativa da crise por que passamos foi a ideia de que havia um esquema rígido, igual para qualquer um dos países e que foi aplicado a Portugal como foi aplicado à Irlanda, e isso só poderia dar um mau resultado", apontou. Disse ainda que tão importante como o modelo adequado ao país para crescer, é o modelo de distribuição de rendimentos, algo que "não tem existido com pés e cabeça".
20.10.16
Portalegre:Dia Internacional Erradicação da Pobreza comemorado na Rua do Comércio
Susana Mourato, in Rádio Portalegre
A Rua do Comércio em Portalegre vai “engalanar-se”, associando-se ao combate contra a pobreza.
A iniciativa, agendada para esta segunda feira faz parte das comemorações do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. As celebrações envolvem mais de quarenta associações, públicas e privadas do distrito de Portalegre.
Em declarações a esta estação emissora, Isabel Lourinho, técnica do Núcleo de Portalegre da Rede Europeia Anti pobreza, disse que com esta atividade, pretendem “sensibilizar o maior número de cidadãos para a problemática da pobreza”.
O programa das comemorações arranca às 14.00 no junto ao Plátano do Rossio e integrará uma caminhada pela rua do Comércio, animação e apontamentos musicais.
A Rua do Comércio em Portalegre vai “engalanar-se”, associando-se ao combate contra a pobreza.
A iniciativa, agendada para esta segunda feira faz parte das comemorações do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. As celebrações envolvem mais de quarenta associações, públicas e privadas do distrito de Portalegre.
Em declarações a esta estação emissora, Isabel Lourinho, técnica do Núcleo de Portalegre da Rede Europeia Anti pobreza, disse que com esta atividade, pretendem “sensibilizar o maior número de cidadãos para a problemática da pobreza”.
O programa das comemorações arranca às 14.00 no junto ao Plátano do Rossio e integrará uma caminhada pela rua do Comércio, animação e apontamentos musicais.
EAPN Portugal: Luta contra a pobreza tem de ser «um desígnio nacional»
in, Agência Ecclesia
Organismo assinala 25 anos de atividade e o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, esta segunda-feira, envolvendo a sociedade civil
A Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal (EAPN Portugal) celebra 25 anos esta segunda-feira, 17 de outubro, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, com o objetivo de “fazer da luta contra a pobreza um desígnio nacional”.
Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a EAPN Portugal refere que é necessário “conhecer a fundo o retrato da Pobreza em Portugal e os muitos rostos que compõem esta realidade”.
Entre as iniciativas que decorrem esta segunda-feira, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, destaca-se um seminário / debate “Pobreza de Economia ou Economia de Pobreza”, que vai decorrer no auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, a partir das 14h00.
Um evento que reune um conjunto de economistas para refletir sobre a realidade portuguesa, os seus principais desafios e que tipo de respostas a dar, tendo em conta “os modelos macroeconómicos” mais “recentes”.
Crescimento sustentável e inclusivo, boas práticas sociais, e o desafio das migrações e alterações demográficas serão alguns dos temas em debate, numa iniciativa que conta com a presença de Manuela Ferreira Leite, Guilherme d’Oliveira Martins, Rui Rio, Manuela Silva e Teodora Cardoso.
Para a EAPN Portugal, é “de extrema importância” envolver a sociedade civil nestas questões, de modo a que “estes assuntos sejam do domínio público e que a sua resolução seja assumida por todos”.
Está também em curso a campanha “A POBREZA NÃO”, um projeto que reúne 10 fotografias e 5 mensagens que sensibilizam para as mais variadas “situações de pobreza e exclusão social”.
Ao mesmo tempo, pretende-se chamar a atenção “para as situações de pobreza que são mais visíveis, desconstruindo eventuais estereótipos” e apelar a uma cultura de solidariedade e cooperação”.
A campanha “A POBREZA NÃO” está em curso em cerca de 90 municípios do país, e visível em perto de 300 placares publicitários.
Numa das últimas mensagens que difundiu, a EAPN Portugal exigiu uma “estratégia nacional” para travar um flagelo que atinge quase três milhões de portugueses.
O organismo mostra-se também “preocupado” com “o rumo da Europa”, considerando que esta precisa de “repensar o seu modelo de desenvolvimento económico, pela via de um maior progresso e coesão social”.
A “política social” tem de ser encarada como “um fator produtivo, que reduz a desigualdade, maximiza a criação de emprego e faz prosperar o capital humano”, sustenta a EAPN Portugal, apontando “a consulta pública sobre o Pilar Europeu dos Direitos Sociais”, que está a decorrer, como “uma oportunidade que não se deve deixar passar”.
“A erradicação da Pobreza não é uma utopia, mas sim um objetivo urgente para o qual tem de existir vontade política e coragem para cumprir”, conclui.
A EAPN - Rede Europeia Anti Pobreza/Portugal é uma instituição de solidariedade social de âmbito nacional, constituída par mais de 1000 instituições e pessoas em nome individual, e integra o European Anti-Poverty Network, uma organização europeia composta por 31 sedes nacionais e 18 organizações europeias.
Em 2010, a organização foi distinguida pelo seu trabalho pela Assembleia da República com o Prémio dos Direitos Humanos.
JCP
Organismo assinala 25 anos de atividade e o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, esta segunda-feira, envolvendo a sociedade civil
A Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal (EAPN Portugal) celebra 25 anos esta segunda-feira, 17 de outubro, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, com o objetivo de “fazer da luta contra a pobreza um desígnio nacional”.
Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a EAPN Portugal refere que é necessário “conhecer a fundo o retrato da Pobreza em Portugal e os muitos rostos que compõem esta realidade”.
Entre as iniciativas que decorrem esta segunda-feira, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, destaca-se um seminário / debate “Pobreza de Economia ou Economia de Pobreza”, que vai decorrer no auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, a partir das 14h00.
Um evento que reune um conjunto de economistas para refletir sobre a realidade portuguesa, os seus principais desafios e que tipo de respostas a dar, tendo em conta “os modelos macroeconómicos” mais “recentes”.
Crescimento sustentável e inclusivo, boas práticas sociais, e o desafio das migrações e alterações demográficas serão alguns dos temas em debate, numa iniciativa que conta com a presença de Manuela Ferreira Leite, Guilherme d’Oliveira Martins, Rui Rio, Manuela Silva e Teodora Cardoso.
Para a EAPN Portugal, é “de extrema importância” envolver a sociedade civil nestas questões, de modo a que “estes assuntos sejam do domínio público e que a sua resolução seja assumida por todos”.
Está também em curso a campanha “A POBREZA NÃO”, um projeto que reúne 10 fotografias e 5 mensagens que sensibilizam para as mais variadas “situações de pobreza e exclusão social”.
Ao mesmo tempo, pretende-se chamar a atenção “para as situações de pobreza que são mais visíveis, desconstruindo eventuais estereótipos” e apelar a uma cultura de solidariedade e cooperação”.
A campanha “A POBREZA NÃO” está em curso em cerca de 90 municípios do país, e visível em perto de 300 placares publicitários.
Numa das últimas mensagens que difundiu, a EAPN Portugal exigiu uma “estratégia nacional” para travar um flagelo que atinge quase três milhões de portugueses.
O organismo mostra-se também “preocupado” com “o rumo da Europa”, considerando que esta precisa de “repensar o seu modelo de desenvolvimento económico, pela via de um maior progresso e coesão social”.
A “política social” tem de ser encarada como “um fator produtivo, que reduz a desigualdade, maximiza a criação de emprego e faz prosperar o capital humano”, sustenta a EAPN Portugal, apontando “a consulta pública sobre o Pilar Europeu dos Direitos Sociais”, que está a decorrer, como “uma oportunidade que não se deve deixar passar”.
“A erradicação da Pobreza não é uma utopia, mas sim um objetivo urgente para o qual tem de existir vontade política e coragem para cumprir”, conclui.
A EAPN - Rede Europeia Anti Pobreza/Portugal é uma instituição de solidariedade social de âmbito nacional, constituída par mais de 1000 instituições e pessoas em nome individual, e integra o European Anti-Poverty Network, uma organização europeia composta por 31 sedes nacionais e 18 organizações europeias.
Em 2010, a organização foi distinguida pelo seu trabalho pela Assembleia da República com o Prémio dos Direitos Humanos.
JCP
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