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4.12.18

Inovação social e avaliação de impacto a partir da economia social e solidária

Marco Domingues, in Negócios on-line

Medir o impacto é cada vez mais uma exigência associada a processos de avaliação, nomeadamente aqueles que resultam de iniciativas de investimento social.

A importância da análise do retorno do investimento, nomeadamente nos projetos reconhecidos de inovação social que preconizam novas respostas e/ou mais eficazes para novos e velhos problemas sociais, é elementar para a melhoria da eficiência e eficácia na utilização dos recursos disponíveis. Na Animar, uma rede com 25 anos, constituída por organizações sociais oriundas de territórios geograficamente marginalizados à época, e que segundo um dos seus fundadores, o Prof. José Portela, "manifestavam a vontade de mudar o mundo a partir do chão", vontade essa, que perdura e vai sendo fortificada com ação sustentada e sustentável um pouco por todo o país, onde o impacto se gera por via de dinâmicas associativas e cooperativas, alicerçado em parcerias com o poder local, na procura de soluções aos vários desafios sociais, económicos, ambientais, culturais e políticos, consolidadas em lógicas de investigação-ação e com base na experiência refletida em inúmeras iniciativas de inovação social que contribuíram para o desenvolvimento das suas comunidades.

Sublinhe-se que entendemos a inovação social em duas dimensões. Numa primeira, ao nível do processo de construção e na relação entre setores, que resultou nas várias e diferentes parcerias entre a administração central e local e as organizações da economia social e solidária. Numa segunda dimensão, ao nível dos resultados, nas diferentes iniciativas inovadoras à sua época, e que resultaram na institucionalização positiva de respostas aos desafios sociais e que tanto contribuíram e contribuem para o desenvolvimento social. Reforçamos a relevância da inovação social enquanto processo consequente das relações de parceria e de trabalho em rede concebidas entre setores, numa primeira instância histórica entre o setor social e o publico, e mais recentemente, também entre estes com o setor privado com fins lucrativos. Estes três setores encontram-se no atual contexto socioeconómico, a procurar entre si novos formatos de relacionamento numa mesma missão social, mas com diferentes níveis de primazia e responsabilidade face à mesma.

Um dos mecanismos atuais, importado e em fase de validação, e que permite depreender a causalidade e determinar o impacto de um programa, projeto ou iniciativa, procurando uma maior credibilidade e contribuindo para uma cultura organizacional promotora da melhoria contínua, define-se de "avaliação de impacto". É aqui que a Animar considera fundamental o desenvolvimento de uma nova metodologia de avaliação do impacto social, a partir da experiência e ADN da economia social e solidária, nomeadamente, a partir da definição de indicadores que garantam a análise da participação dos grupos, comunidades e instituições nos processos de tomada de decisão que os envolvam, que avaliem a igualdade de oportunidades e tratamento na diversidade e na diferença, que garantam a equidade para uma maior coesão social e territorial e, por fim, que avaliem a boa governança dos recursos disponíveis, incluindo os recursos naturais de uma mesma "casa comum". Este, é mais um desafio de inovação social abraçado pela Animar, a conceção de um modelo de impacto social a partir da experiência e princípios da economia social e solidária.

A importância das IPSS em Portugal

O estudo "A Importância Económica e Social das IPSS em Portugal" vai ser apresentado no dia 4 de dezembro, pelas 15 horas, no auditório do Museu do Dinheiro do Banco de Portugal, em Lisboa. Esta iniciativa é organizada pela CNIS - Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade e consta da intervenção de Paula Casimiro sobre "O que podemos esperar de uma central de balanços? A experiência do Banco de Portugal" e da apresentação do estudo a cargo de Américo Carvalho Mendes, coordenador da Área Transversal da Economia Social da Universidade Católica Portuguesa - Porto.

Pós-Graduação em Economia Social em Esposende

Arrancou, na semana passada, a 8.ª edição da Pós-Graduação em Gestão de Organizações de Economia Social, promovida pelo Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa e que conta com o apoio da Associação Mutualista Montepio Geral.

Ao mesmo tempo, teve início, em Esposende, a primeira edição do mesmo curso de Pós-Graduação, numa parceria entre aquela universidade o Município de Esposende, com vista à formação, capacitação e qualificação de 35 profissionais e dirigentes de 14 Instituições Particulares de Solidariedade Social daquele concelho.

Presidente da ANIMAR - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local e docente da Escola Superior de Educação de Castelo Branco

26.3.14

Economia solidária emprega "largas dezenas" de pessoas em risco de exclusão

in Açoriano Oriental

A rede de economia solidária dos Açores emprega "largas dezenas" de pessoas em São Miguel que estavam em risco de exclusão social e agora trabalham em organizações da área alimentar, artes decorativas, carpintaria, artesanato ou turismo, valorizando produções "genuínas" locais.

“As organizações de economia solidária, nas suas unidades produtivas, criaram largas dezenas de trabalho para pessoas que estavam em risco de exclusão social e o projeto 'Açores +' procura exatamente criar respostas e ajudar estas organizações a contrariar a crise e a encontrar novos mercados e novas oportunidades para os seus negócios”, disse Célia Pereira, coordenadora geral da Cooperativa Cresaçor (Cooperativa Regional de Economia Solidária).

Integram a cooperativa, instituição que nos Açores representa a Rede de Economia Solidária, 23 organizações.

Apesar da crise, Célia Pereira disse que o projeto "Açores +: Promoção da Economia Solidária", criado em 2012 e financiado pelo programa europeu ProConvergência, tem visado "potenciar a sustentabilidade dessas unidades produtivas e aumentar a visibilidade dos seus produtos e serviços".

Foi também possível renovar o “selo Cores", que permite ao consumidor "saber que aquele produto ou serviços cumpre na sua produção com os princípios de economia solidária", disse.

Integrado ainda no projeto "Açores+", está o "Roteiro Cores", que permite visitar lojas, dispersas pela ilha de São Miguel, que desenvolvem iniciativas de economia solidária e promovem a produção e comercialização de produtos e serviços com selo Cores.

“Temos apostado, com este projeto, na formação, na melhoria das unidades produtivas e dos postos de venda, na valorização e na recolocação dos produtos no mercado e sua divulgação”, frisou Célia Pereira, acrescentando que o "Açores +" permitiu que estas entidades e organizações "pudessem ter acesso a um conjunto de 'know how' para inovarem", a par da formação de técnicos e dirigentes.

Célia Pereira adiantou que o projeto "foi prorrogado até dezembro de 2014" e que além do relançamento da campanha do selo Cores vai também ser lançado "um vídeo que permite divulgar a produção destas organizações".

“Temos trabalhado sobretudo de uma forma mais permanente para a ilha de São Miguel, com um grupo de cerca de dez organizações de economia solidária. E depois, de uma forma menos contínua, com outras ilhas”, acrescentou.

Para a secretária regional da Solidariedade Social, Piedade Lalanda, que hoje e na quarta-feira percorre o Roteiro Cores, em São Miguel, é preciso que estes produtos não fiquem esquecidos, considerando ainda que "é muito possível" trazer mais pessoas para estes projetos de economia solidária.

Piedade Lalanda deu o exemplo da Casa de Trabalho do Nordeste, que visitou hoje, para sublinhar que "existe mercado para os produtos que a instituição tem, nomeadamente a lã para tricotar, mas que "por falta de mão obra que domine a técnica", não consegue responder às encomendas.

"Há produtos na área da pastelaria e das rendas que são genuínos e têm esta força de identidade. Aliás, o selo Cores tem esta especificidade de valorizar produtos que têm história e são genuínos", sublinhou, indicando que o objetivo de conhecer este roteiro foi também para aferir a resposta que estas iniciativas estão a dar às comunidades locais.

A secretária visita até quarta-feira instituições integradas neste roteiro que têm acordos de cooperação com o Governo Regional.

18.12.13

Solidarity economy: finding a new way out of poverty

Camila Nobrega in Rio, in the Guardian

In Brazil, 1.8 million people are employed under this alternative economic model. But is it a viable way to reduce inequality and revolutionise labour relations?

Solidarity economy is based on self-managed, small production groups with no employers and employees. Photograph: Planet finance / Rede Asta

Brazil is experiencing great changes and is being hailed as an international model of social and economic development, mainly because of its significant progress in poverty reduction (pdf).

Locally, though, the country continues to fight against social equalities and faces the challenge to make economic growth more socially inclusive. But through solidarity economy model, an attempt to combine social change with environmental awareness, it is exploring new ways of reducing inequality.

The model is not well known but awareness is growing among researchers and some UN agencies, and Brazil is emerging as a leader of this new movement. The country now has 20,000 enterprises operating within this model, according to a government survey. It shows that 1.8 million people work in the solidarity economy system.

Paul Singer, at the national secretariat of ministry of labour, that carried out the survey, said: "The solidarity economy has emerged as a way out of poverty and continues to do this." He said the survey shows the number of people employed in the system is growing.

Solidarity economy boomed in the 1990s, when Latin America was facing an economic crisis and high unemployment rates. People looking for alternative income sources began to cluster into groups, co-operatives and associations. The model helped decrease poverty in Brazil (pdf). Poverty rate fell by 57% between 2001 and 2011, according to the Brazilian Institute of Applied Economic Research (Ipea), while small businesses accounted for 39% of the income of Brazilians.

Solidarity economy is based on self-management with more egalitarian working relationships, a way of creating job opportunities for poor people. There are small production groups with no employers and employees. Everyone works together, the decisions are taken jointly and members share the profits equally. This model of production also shrinks environmental footprint, promotes responsible consumption, taking into account the whole supply chain under fair trade basis. And it is financed by microcredit and small loans.

A good example of the solidarity economy at work can be seen among a group of women from Duque de Caxias, an impoverished municipality of Rio de Janeiro. As a researcher, I've followed their work for the past two years. The women of Oficina do Pão (which translates literally as "bread factory") have been working together since 2001. They started with making bread and now offer buffet services for events. The group consumes locally and invests in organic products from small producers, as part of promoting local development.

But the gains from the solidarity economy are not easily acheived. Most Oficina do Pão members – housewives or maids – faced gender inequality or violence (23% of Brazilian women are likely to suffer abuse), and it was often difficult to leave their homes. Instable monthly incomes were also a challenge and this made many women leave the work. In 2001, there were 20 women, now there are only five.

But for them, their hard work has paid off. They have been able to increase their family income and undergone empowerment, which has improved relationship with their husbands. The women now also travel to other cities and participate in political discussions with their municipalities. Solidarity economy results are thus not just economic, but social.

Ultimately, it's not just about job. It's a different way of thinking about the economic model, which includes environmental concerns and emancipation of both women and men.

But the future of solidarity economy is uncertain. Expanding the model remains difficult: there are no government incentives for the creation of local groups and access to credit is limited. Consumer awareness is also low.

Still, there is evidence that the model is working and steadily gaining fans across the country. It is one of the engines of the economic and social change in Brazil.

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