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2.4.13

Desemprego no limite da explosão social

Telma Roque, in Jornal de Notícias

Multiplicam-se os alertas de que o desemprego, aliado ao empobrecimento, levará inevitavelmente à explosão social. O limite já foi ultrapassado e o barril de pólvora pode rebentar a qualquer momento.

A imagem social do país é a de uma panela de pressão demasiado cheia, a ferver de forma desenfreada e que pode rebentar a muito curto prazo. E não é só o desemprego - que poderá atingir os 19% até final do ano - que pode levar aos caos social. Especialistas ouvidos pelo JN lembram que existe outro ingrediente embebido em pólvora: o empobrecimento ditado pela brutal carga de impostos. A mistura é explosiva mesmo para um país de brandos costumes.

Aos partidos da Oposição, que antes estavam isolados nos apelos a medidas de combate ao desemprego e ao crescimento da economia, juntou-se o presidente da República. E até o CDS já veio defender a subida do salário mínimo nacional para aliviar a pressão dos que mais têm sofrido com a austeridade.

29.11.12

Austeridade com corrupção é "cocktail explosivo" para 2013

in Jornal de Notícias

O presidente da associação cívica Transparência e Integridade avisou, esta quinta-feira, que, no próximo ano, o país poderá estar perante um "cocktail explosivo" que combina a austeridade com o fraco combate à corrupção.

Luís de Sousa considera que os portugueses vão estar "muito mais sensíveis" aos temas da ética e da corrupção, sobretudo na esfera política e empresarial de topo, à medida que o contexto de austeridade se agrava.

"Nenhum Governo pode correr o risco de lidar brandamente com o tema [da corrupção], inclusive com ocorrências ou alegações que possam ferir a credibilidade de alguns membros do Governo. Tem de tomar uma posição radical, de tolerância zero, custe o que custar, custe até alguma lealdade partidária ou amizades. Caso contrário isto é um cocktail explosivo", afirmou à agência Lusa o presidente da associação cívica Transparência e Integridade (TIAC).

As consequências desta "mistura" entre austeridade e corrupção são mais convulsão social e instabilidade na coligação que forma o Governo.

"Os governos não foram feitos para gerir casos de venalidade dos seus eleitos. Foram feitos para gerir escassez e complexidade social e este Governo não está a conseguir fazê-lo. Pode ser um rastilho para tumultos sociais mais graves", comentou à Lusa o responsável do TIAC, sem nunca especificar a quem se referia dentro do Executivo de Passos Coelho.

Justiça tem de dar resposta "clara e convincente"

Na sessão de abertura de uma conferência sobre corrupção, que decorre hoje e sexta-feira em Lisboa, Luís de Sousa sublinhou que também a justiça tem de dar uma resposta "clara e convincente" de que os que têm mais recursos económicos ou melhor posição social são punidos quando erram.

A este propósito, lembrou casos que se arrastam "há anos" nos tribunais, contribuindo para um olhar mais desconfiado dos cidadãos, como o caso Portucale, o caso Isaltino Morais ou o caso BPN.

Para Luís de Sousa, o arrastamento de processos afeta a imagem da justiça e o imaginário do Estado de Direito, sobretudo ao passar a ideia de que quem tem dinheiro consegue perpetuar batalhas com os tribunais.

O presidente da TIAC mostrou-se ainda preocupado com a "insatisfação crónica" e "perda de apoio" dos portugueses com o funcionamento da democracia - há 10 anos, cerca de 80%dos portugueses achava que a democracia era o melhor regime e atualmente esse apoio caiu para pouco mais de metade.

A Associação Cívica Transparência e Integridade promove hoje e sexta-feira uma conferência em Lisboa, que integra o projeto Sistema Nacional de Integridade, um estudo que avalia a eficácia das estruturas nacionais de combate à corrupção.

14.3.12

Guterres alerta que Europa arrisca “explosão” social

Por Rita Brandão Guerra, in Público on-line

"Um modelo matemático" que descure a solidariedade, como aquele que a Europa tem adoptado, pode conduzir a uma "explosão" social, alertou nesta quarta-feira António Guterres, em entrevista à Rádio Renascença.

O antigo primeiro-ministro socialista referiu-se à “situação de desemprego particularmente inquietante” que a Europa vive e mostrou-se céptico em “relação a um modelo matemático que tente resolver os problemas de uma economia sem compreender ou sem incluir os dados sociais”, porque é um modelo que se arrisca a uma "explosão”, justificou.

Questionado sobre se acredita no modelo actual de ajuda externa, Guterres criticou “uma lacuna base de solidariedade” entre os Estados-membros da União Europeia.

“O mundo põe as finanças em primeiro lugar, a economia em segundo e o social em terceiro”, disse Guterres, que deu como exemplo o caso do empréstimo grego, criticando decisões que têm sido tomadas “sempre à beira do abismo”.

“Há aqui uma componente de solidariedade que tem faltado e tem faltado precisamente porque não existe uma união política suficientemente forte”, alertou o actual Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados.