Liliana Valente, in Público on-line
Grupo de associações juntou-se para pedir às autoridades que impeçam a reunião de organizações de extrema-direita da próxima semana. Antifascistas pedem a partidos que tomem uma posição.
O local exacto ainda é secreto, tal como o da reunião de grupos de extrema-direita. Para já, está definido que será em Lisboa, no próximo dia 10 de Agosto, que antifascistas se irão juntar numa contramanifestação, protestando contra a conferência nacionalista marcada para o mesmo dia. O objectivo é “a proibição desta conferência e de qualquer evento neonazi no território português”, lê-se numa petição que contava esta sexta-feira com cerca de 900 assinaturas, poucas horas depois de ter sido disponibilizada.
Acorda, vem ver a Lua: a mensagem de esperança de um fotógrafo para um menino cigano
A ideia de uma contramanifestação começou no núcleo de Braga e do Porto da Frente Unitária Antifascista. Este movimento produziu um manifesto que foi assinado por 18 associações nacionais e 21 organizações internacionais. Além disso, foi lançada entretanto uma petição a apelar aos partidos para que não fiquem calados perante o anúncio da reunião de organizações de extrema-direita. O movimento exige saber que “medidas pretendem tomar para que este tipo de acontecimento não se possa reproduzir”, lê-se no manifesto.
Não querem, no entanto, ficar por aqui. “[Queremos] do Governo e dos partidos uma intervenção para que estes grupos sejam ilegalizados, por respeito pela nossa Constituição e pelas nossas leis”, disse ao PÚBLICO um dos organizadores, Jonathan Ferreira da Costa.
O activista conta que o objectivo deste movimento, e da mobilização do dia 10, é a de “sensibilizar e consciencializar o povo português para o perigo que representam os movimentos de extrema-direita, dos quais alguns terroristas, que, actuando de modo mais underground, têm pouca visibilidade e isso dá uma falsa sensação de segurança”, considera.
Em causa está o facto de a tal “conferência nacionalista” contra a qual protestam, organizada pelo movimento de Mário Machado, Nova Ordem Social, contar ainda com elementos de outras organizações “de ideologia fascista e neonazi”, algumas delas sinalizadas, como os “grupos terroristas e neonazis Blood and Honour, Hammerskin ou ainda a Nova Ordem Social”, lê-se na petição.
Um dos convidados da conferência, o britânico Paul Anthony Golding, foi o primeiro condenado num tribunal britânico pelo crime de ódio racial, noticiou o Expresso. Outro dos oradores é um alemão que gravou um vídeo de promoção com a palavra “nazi” atrás e, por fim, é organizada por Mário Machado, condenado por vários crimes, incluindo o seu envolvimento no homicídio de Alcindo Monteiro, e por crimes de discriminação racial. De resto, uma das vezes em que foi preso isso deu-se à entrada para uma conferência desta índole, relembra o jornal.
Uma das associações que se juntaram à mobilização contra a conferência da extrema-direira é a SOS Racismo. “Não podemos ficar de braços cruzados a ver a extrema-direita, movimentos que têm as mãos sujas de sangue, que são violentos, antidemocráticos. É uma afronta à democracia”, diz ao PÚBLICO o dirigente da associação. Mamadou Ba.
“Não podemos, nem iremos aceitar a normalização deste discurso de ódio e dos ataques dos quais estes grupos são autores, permitindo a sua livre actuação e comprometendo assim a segurança dos nossos filhos e filhas, dos nossos amigos e amigas! Não podemos aceitar que tal evento aconteça sem uma reacção da parte de quem esteja pronto a defender a nossa democracia e a liberdade que com ela conquistámos”, lê-se na petição, que já foi entregue aos grupos parlamentares.
O Serviço de Informações de Segurança (SIS) fez saber em resposta à Lusa que está a acompanhar “muito de perto” as movimentações para a conferência nacionalista, o que para estes activistas não chega. Antes que esta iniciativa ocorra, os activistas pedem às autoridades que a impeçam, que não fiquem apenas “muito atentos”.
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5.8.19
5.5.16
Sozinha, uma mulher negra fez frente a 300 neonazis
In "Pùblico"
A imagem tornou-se viral na Suécia e já está a correr o mundo.
O que leva uma mulher a desafiar cerca de 300 neonazis? A protagonista desta história é Tess Asplund, uma mulher de 42 anos, com ascendência africana, cuja sua imagem se tornou viral depois de ter enfrentado sozinha, no último domingo, uma manifestação organizada pelo Movimento da Resistência Nórdica, na cidade de Borlänge, Suécia.
A imagem de Tess Asplund de punho erguido a enfrentar o grupo de extrema-direita está a correr o mundo. Entrevistada pelo jornal britânico The Guardian, Asplund conta que não reflectiu e agiu no momento. “Foi um impulso. Eu estava tão zangada, tive de sair para a rua”, confessa. “Só pensava: nem pensar, eles não podem marchar aqui. Nenhum nazi vai marchar aqui, não está correcto”.
Depois da manifestação, apanhou um comboio para Estocolmo e esqueceu o assunto. Segunda-feira percebeu que a foto estava a correr as redes sociais. Agora teme pelos seus 50 kgs de coragem que lhe parecem pouco quando pensa nos “grandes e loucos” membros do grupo de extrema-direita. “Talvez não o devesse ter feito, quero paz e sossego”, desabafa.
O medo não é em vão. Tess afirma que as acções daquele grupo lhe são familiares e conta que alguns dos seus amigos já foram atacados e obrigados a mudar de casa. A mulher já recebeu telefonemas anónimos a meio da noite onde pessoas lhe gritam do outro lado do auscultador. “É difícil falar sobre o ódio. Sinto vergonha por termos este problema. As autoridades dizem que é um país democrático. Mas estamos a falar de nazis! É horrível”, confessa.
A manifestação de domingo acontece numa altura em que os movimentos de extrema-direita estão a aumentar na Suécia, explica Daniel Poohl, editor da Expo, uma revista anti-racista sueca, à qual pertence o fotógrafo que captou a imagem viral.
O impacto da fotografia foi tal que os meios de comunicação suecos já a compararam a uma outra famosa imagem, capturada por Hans Runesson em 1985, e que ficou conhecida como “a senhora com a mala”. Na imagem, hoje com mais de três décadas, uma mulher usa a sua mala para bater num skinhead do partido neo-nazi sueco, dissolvido em 2009.
As sondagens mostram que os Democratas Suecos, um partido nacionalista, conservador e anti-imigração, conquistam 15% a 20% das intenções de voto dos eleitores e mantêm o poder no Parlamento, enquanto a proliferação do seu discurso se espalha por sites que incitam ao ódio. É no espectro mais extremista desta ideologia que encontramos o Movimento da Resistência Nórdica, explica Poohl.
“Vivemos numa Europa onde as ideias de extrema-direita se estão a tornar cada vez mais populares e também existe uma reacção contra elas”. “Vivemos dias em que as pessoas aguardam por algo que canalize esta necessidade de resistir à Europa que constrói muros e fronteiras contra refugiados, uma Europa com quem não podem cooperar mais. O gesto de Tess capturou um desses conflitos actuais”, analisa.
Recorde-se que a Suécia rejeitou, no início deste ano, a entrada de mais refugiados e migrantes da Ásia e Médio Oriente, alegando receio de que esta vaga ameace a segurança nacional, depois de se terem registado episódios de violência em centros de acolhimento de refugiados. Em Janeiro o país começou a recusar a entrada de migrantes sem documentos.
No último ano, as Nações Unidas consideraram que o país tem um problema específico de Afrofobia.
"O racismo foi normalizado na Suécia. Pensava que a Suécia em 2016 iria ser mais aberta, mas alguma coisa aconteceu”, lamenta Tess. “Espero que algo positivo resulte desta fotografia. Talvez aquilo que eu fiz se torne um símbolo de que qualquer pessoa pode fazer alguma coisa. Se uma pessoa o conseguiu, qualquer um consegue”, conclui.
A imagem tornou-se viral na Suécia e já está a correr o mundo.
O que leva uma mulher a desafiar cerca de 300 neonazis? A protagonista desta história é Tess Asplund, uma mulher de 42 anos, com ascendência africana, cuja sua imagem se tornou viral depois de ter enfrentado sozinha, no último domingo, uma manifestação organizada pelo Movimento da Resistência Nórdica, na cidade de Borlänge, Suécia.
A imagem de Tess Asplund de punho erguido a enfrentar o grupo de extrema-direita está a correr o mundo. Entrevistada pelo jornal britânico The Guardian, Asplund conta que não reflectiu e agiu no momento. “Foi um impulso. Eu estava tão zangada, tive de sair para a rua”, confessa. “Só pensava: nem pensar, eles não podem marchar aqui. Nenhum nazi vai marchar aqui, não está correcto”.
Depois da manifestação, apanhou um comboio para Estocolmo e esqueceu o assunto. Segunda-feira percebeu que a foto estava a correr as redes sociais. Agora teme pelos seus 50 kgs de coragem que lhe parecem pouco quando pensa nos “grandes e loucos” membros do grupo de extrema-direita. “Talvez não o devesse ter feito, quero paz e sossego”, desabafa.
O medo não é em vão. Tess afirma que as acções daquele grupo lhe são familiares e conta que alguns dos seus amigos já foram atacados e obrigados a mudar de casa. A mulher já recebeu telefonemas anónimos a meio da noite onde pessoas lhe gritam do outro lado do auscultador. “É difícil falar sobre o ódio. Sinto vergonha por termos este problema. As autoridades dizem que é um país democrático. Mas estamos a falar de nazis! É horrível”, confessa.
A manifestação de domingo acontece numa altura em que os movimentos de extrema-direita estão a aumentar na Suécia, explica Daniel Poohl, editor da Expo, uma revista anti-racista sueca, à qual pertence o fotógrafo que captou a imagem viral.
O impacto da fotografia foi tal que os meios de comunicação suecos já a compararam a uma outra famosa imagem, capturada por Hans Runesson em 1985, e que ficou conhecida como “a senhora com a mala”. Na imagem, hoje com mais de três décadas, uma mulher usa a sua mala para bater num skinhead do partido neo-nazi sueco, dissolvido em 2009.
As sondagens mostram que os Democratas Suecos, um partido nacionalista, conservador e anti-imigração, conquistam 15% a 20% das intenções de voto dos eleitores e mantêm o poder no Parlamento, enquanto a proliferação do seu discurso se espalha por sites que incitam ao ódio. É no espectro mais extremista desta ideologia que encontramos o Movimento da Resistência Nórdica, explica Poohl.
“Vivemos numa Europa onde as ideias de extrema-direita se estão a tornar cada vez mais populares e também existe uma reacção contra elas”. “Vivemos dias em que as pessoas aguardam por algo que canalize esta necessidade de resistir à Europa que constrói muros e fronteiras contra refugiados, uma Europa com quem não podem cooperar mais. O gesto de Tess capturou um desses conflitos actuais”, analisa.
Recorde-se que a Suécia rejeitou, no início deste ano, a entrada de mais refugiados e migrantes da Ásia e Médio Oriente, alegando receio de que esta vaga ameace a segurança nacional, depois de se terem registado episódios de violência em centros de acolhimento de refugiados. Em Janeiro o país começou a recusar a entrada de migrantes sem documentos.
No último ano, as Nações Unidas consideraram que o país tem um problema específico de Afrofobia.
"O racismo foi normalizado na Suécia. Pensava que a Suécia em 2016 iria ser mais aberta, mas alguma coisa aconteceu”, lamenta Tess. “Espero que algo positivo resulte desta fotografia. Talvez aquilo que eu fiz se torne um símbolo de que qualquer pessoa pode fazer alguma coisa. Se uma pessoa o conseguiu, qualquer um consegue”, conclui.
22.9.14
Estão os skins neonazis a regressar às ruas?
Ana Cristina Pereira, in Publico on-line
Regressaram os relatos de ataques de skins. Fontes policiais garantem que movimento é pequeno, está fragmentado e que episódios de violência são actos isolados.
Eram os 40 anos da Revolução de 25 de Abril. Lisboa confluíra para o Largo do Carmo. Jorge e um amigo tinham estado lá a cantar a Grândola e ido tomar uma cerveja. Vinham a descer a Rua do Arco de São Mamede. Ele trazia uma faixa enrolada em dois paus e o amigo uma cana de suporte de bandeira. De repente, avistaram dois homens encorpados, encostados à parede, na esquina na Rua de São Bento. “Boa noite, camaradas”, disse o de cabeça rapada, carregando na última palavra. “O que levam aí?” Jorge só teve tempo de dizer ao amigo: “Vira para cima!”
Uns dez metros à frente, naquela que é a rua do Parlamento, estavam quatro pessoas de roupas escuras. Num tapume de alumínio faziam colagens. Seria um folheto branco com uma caricatura de Mário Soares e umas quantas palavras soltas que terminavam com a frase: “Os Nacionalistas Autónomos exigem a punição imediata de todos os traidores que arruinaram Portugal e os portugueses”.
Pelo uso da palavra “camarada”, Jorge pensou que estivessem a ser tomados por militantes comunistas. Quando um deles lhe pediu para ver a faixa, ele reagiu: “Não mostro!” Era uma faixa Panteras Rosa – Frente de Combate à LesBiGayTransfobia. Nada agradaria ao que Jorge julgou serem militantes do Partido Nacional Renovador (PNR), que já tantas vezes se manifestou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a adopção e a co-adopção por casais homossexuais.
Eram perto de duas da manhã. A rua estava pouco iluminada. Só depois, Jorge e o amigo veriam os panfletos colados pela rua acima. E bastar-lhes-ia uma pesquisa na internet para perceberem que os Nacionalistas Autónomos andam pela área metropolitana de Lisboa a colar cartazes e a pintar paredes, declarando-se anti-antifascistas. Alguns deixam-se fotografar, de costas ou com as caras tapadas, e exibem as imagens nas redes sociais. E é explícito o seu apoio a Mário Machado, antigo líder dos Hammerskin, que está perto de sair da prisão e a tentar fundar um partido.
“Foge”, disse Jorge ao amigo, atravessando os paus para afastar o interlocutor. O amigo quis pedir auxílio, mas não conseguiu telefonar. Num instante, os outros quatro tinham descido a rua e um deles aproximara-se. Um agrediu Jorge por trás, na cabeça, fazendo-o cair. Segurou-o pelo pescoço com um braço, e tratou de o esmurrar com o punho que tinha livre. Outro deu-lhe umas joelhadas e uns pontapés. O amigo tentou picar o que se virara para si com a cana, mantê-lo afastado, mas o adversário tirou-lhe a cana e deu-lhe um par de caneladas antes de ele conseguir fugir pela rua abaixo.
O episódio foi descrito com detalhe a um advogado, mas a queixa nunca chegou às autoridades. O amigo de Jorge foi protelando a ida à esquadra até o prazo se esgotar. Tinha demasiado medo do que poderia acontecer quando os agressores conhecessem o seu nome e a sua morada.
Fontes policiais contactadas pelo PÚBLICO garantem que o movimento skin é pequeno e está fragmentado. O último Relatório Anual de Segurança Interna já dá conta de “um incremento do número de actividades direccionadas para o interior do movimento, como encontros-convívio e concertos, que contribuem essencialmente para estreitar laços entre militantes e difundir propaganda”.
As autoridades mantêm-se vigilantes. Em Julho, por exemplo, até o Serviço de Informação e Segurança estava num café situado na zona industrial do Soeiro, em São Mamede do Coronado, na Trofa, para assistir a uma série de concertos de bandas conotadas com o neonazismo: duas portuguesas, uma britânica e uma francesa. Mas nem tudo lhes chega aos ouvidos.
Há uma esquadra da PSP na Rua de São Bento. Talvez isso tenha travado os agressores quando o amigo de Jorge, lesto, desatou a correr pela rua abaixo. “Vamos embora”, ordenou um. “Se ele não tivesse conseguido escapar, teria sido pior”, pensa Jorge. “Conheço quem tenha ficado meses sem se pôr em pé. Eu na semana seguinte já saí de casa. Estava desfigurado, com dores, mas já fazia a minha vida.” Soma quase duas décadas de activismo LGBT, mas não conhecia aquele grupo. Queria apresentar queixa: “Não quero que a polícia, ao próximo ataque, diga que não conhece a organização.”
São um pequeno grupo com um blogue que não é actualizado há muito e uma página de Facebook na qual vai divulgando as suas actividades. Inspiraram-se na Alemanha. Por lá, os Nacionalistas Autónomos fazem manifestações que lembram os Black Bloc, enquadrados, mascarados, vestidos de preto. Nada de novo: diz o historiador Riccardo Marchi que os skins portugueses “sempre importaram os modelos em moda na Europa”, só que “aqui as coisas sempre foram mais fracas”. Foi assim, por exemplo, com os Blood and Honour, fundados no Reino Unido, e com os Hammerskin, que surgiram nos Estados Unidos.
Regressaram os relatos de ataques de skins. Fontes policiais garantem que movimento é pequeno, está fragmentado e que episódios de violência são actos isolados.
Eram os 40 anos da Revolução de 25 de Abril. Lisboa confluíra para o Largo do Carmo. Jorge e um amigo tinham estado lá a cantar a Grândola e ido tomar uma cerveja. Vinham a descer a Rua do Arco de São Mamede. Ele trazia uma faixa enrolada em dois paus e o amigo uma cana de suporte de bandeira. De repente, avistaram dois homens encorpados, encostados à parede, na esquina na Rua de São Bento. “Boa noite, camaradas”, disse o de cabeça rapada, carregando na última palavra. “O que levam aí?” Jorge só teve tempo de dizer ao amigo: “Vira para cima!”
Uns dez metros à frente, naquela que é a rua do Parlamento, estavam quatro pessoas de roupas escuras. Num tapume de alumínio faziam colagens. Seria um folheto branco com uma caricatura de Mário Soares e umas quantas palavras soltas que terminavam com a frase: “Os Nacionalistas Autónomos exigem a punição imediata de todos os traidores que arruinaram Portugal e os portugueses”.
Pelo uso da palavra “camarada”, Jorge pensou que estivessem a ser tomados por militantes comunistas. Quando um deles lhe pediu para ver a faixa, ele reagiu: “Não mostro!” Era uma faixa Panteras Rosa – Frente de Combate à LesBiGayTransfobia. Nada agradaria ao que Jorge julgou serem militantes do Partido Nacional Renovador (PNR), que já tantas vezes se manifestou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a adopção e a co-adopção por casais homossexuais.
Eram perto de duas da manhã. A rua estava pouco iluminada. Só depois, Jorge e o amigo veriam os panfletos colados pela rua acima. E bastar-lhes-ia uma pesquisa na internet para perceberem que os Nacionalistas Autónomos andam pela área metropolitana de Lisboa a colar cartazes e a pintar paredes, declarando-se anti-antifascistas. Alguns deixam-se fotografar, de costas ou com as caras tapadas, e exibem as imagens nas redes sociais. E é explícito o seu apoio a Mário Machado, antigo líder dos Hammerskin, que está perto de sair da prisão e a tentar fundar um partido.
“Foge”, disse Jorge ao amigo, atravessando os paus para afastar o interlocutor. O amigo quis pedir auxílio, mas não conseguiu telefonar. Num instante, os outros quatro tinham descido a rua e um deles aproximara-se. Um agrediu Jorge por trás, na cabeça, fazendo-o cair. Segurou-o pelo pescoço com um braço, e tratou de o esmurrar com o punho que tinha livre. Outro deu-lhe umas joelhadas e uns pontapés. O amigo tentou picar o que se virara para si com a cana, mantê-lo afastado, mas o adversário tirou-lhe a cana e deu-lhe um par de caneladas antes de ele conseguir fugir pela rua abaixo.
O episódio foi descrito com detalhe a um advogado, mas a queixa nunca chegou às autoridades. O amigo de Jorge foi protelando a ida à esquadra até o prazo se esgotar. Tinha demasiado medo do que poderia acontecer quando os agressores conhecessem o seu nome e a sua morada.
Fontes policiais contactadas pelo PÚBLICO garantem que o movimento skin é pequeno e está fragmentado. O último Relatório Anual de Segurança Interna já dá conta de “um incremento do número de actividades direccionadas para o interior do movimento, como encontros-convívio e concertos, que contribuem essencialmente para estreitar laços entre militantes e difundir propaganda”.
As autoridades mantêm-se vigilantes. Em Julho, por exemplo, até o Serviço de Informação e Segurança estava num café situado na zona industrial do Soeiro, em São Mamede do Coronado, na Trofa, para assistir a uma série de concertos de bandas conotadas com o neonazismo: duas portuguesas, uma britânica e uma francesa. Mas nem tudo lhes chega aos ouvidos.
Há uma esquadra da PSP na Rua de São Bento. Talvez isso tenha travado os agressores quando o amigo de Jorge, lesto, desatou a correr pela rua abaixo. “Vamos embora”, ordenou um. “Se ele não tivesse conseguido escapar, teria sido pior”, pensa Jorge. “Conheço quem tenha ficado meses sem se pôr em pé. Eu na semana seguinte já saí de casa. Estava desfigurado, com dores, mas já fazia a minha vida.” Soma quase duas décadas de activismo LGBT, mas não conhecia aquele grupo. Queria apresentar queixa: “Não quero que a polícia, ao próximo ataque, diga que não conhece a organização.”
São um pequeno grupo com um blogue que não é actualizado há muito e uma página de Facebook na qual vai divulgando as suas actividades. Inspiraram-se na Alemanha. Por lá, os Nacionalistas Autónomos fazem manifestações que lembram os Black Bloc, enquadrados, mascarados, vestidos de preto. Nada de novo: diz o historiador Riccardo Marchi que os skins portugueses “sempre importaram os modelos em moda na Europa”, só que “aqui as coisas sempre foram mais fracas”. Foi assim, por exemplo, com os Blood and Honour, fundados no Reino Unido, e com os Hammerskin, que surgiram nos Estados Unidos.
26.5.14
Ultranacionalistas à frente na Dinamarca
in Jornal de Notícias
O ultranacionalista e xenófobo Partido Popular Dinamarquês ficou à frente nas eleições europeias na Dinamarca, com cerca de 23,1% dos votos, de acordo com uma sondagem difundida pela televisão pública DR após o encerramento das urnas.
O Partido Social-Democrata, da primeira-ministra Helle Thorning-Schmidt, ficou em segundo, com um resultado de 20,5%, seguido pelo Partido Liberal, com 17,2%, e pelo Partido Socialista Popular, com uma votação de 11,9%.
O Partido Conservador obteve 8,6%, enquanto o Movimento Popular contra a União Europeia teve 8,2% e o Partido Radical Liberal conseguiu 7%.
De acordo com esta sondagem, o Partido Popular Dinamarquês, a terceira força política no parlamento nacional e que partia como o favorito nos inquéritos anteriores a estes comícios, conseguiria três eurodeputados, o mesmo que os sociais-democratas.
Liberais e socialistas deverão obter, cada um, dois lugares em Bruxelas, e os restantes partidos dividem entre si os três mandatos restantes.
O ultranacionalista e xenófobo Partido Popular Dinamarquês ficou à frente nas eleições europeias na Dinamarca, com cerca de 23,1% dos votos, de acordo com uma sondagem difundida pela televisão pública DR após o encerramento das urnas.
O Partido Social-Democrata, da primeira-ministra Helle Thorning-Schmidt, ficou em segundo, com um resultado de 20,5%, seguido pelo Partido Liberal, com 17,2%, e pelo Partido Socialista Popular, com uma votação de 11,9%.
O Partido Conservador obteve 8,6%, enquanto o Movimento Popular contra a União Europeia teve 8,2% e o Partido Radical Liberal conseguiu 7%.
De acordo com esta sondagem, o Partido Popular Dinamarquês, a terceira força política no parlamento nacional e que partia como o favorito nos inquéritos anteriores a estes comícios, conseguiria três eurodeputados, o mesmo que os sociais-democratas.
Liberais e socialistas deverão obter, cada um, dois lugares em Bruxelas, e os restantes partidos dividem entre si os três mandatos restantes.
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