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22.11.12

Crise leva pessoas a engordar por dormir pior e comer mais barato

in Jornal de Notícias

O consumo de alimentos mais baratos por causa da crise está a provocar um aumento do número de pessoas obesas, que dormem cada vez pior devido a problemas respiratórios, segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia (SPN).

Vítor Oliveira falava à agência Lusa a propósito do Congresso de Neurologia 2012, que decorre entre quinta-feira e domingo, em Lisboa, e que este ano é dedicado ao sono.

Sublinhando que "passamos um terço da nossa vida a dormir" e que, por isso, convém que esse sono seja de qualidade, Vítor Oliveira reconheceu que os tempos de crise conduzem a várias situações que afluem para um sono de pior qualidade.

Com a crise, "as pessoas ficam em situações de mais ansiedade e depressão" e, por isso, "dormem pior".

"Estas pessoas não têm níveis profundos de sono, o que tem repercussões no dia-a-dia, como dores de cabeça ou um fraco rendimento profissional", disse.

O neurologista identifica outra questão relacionada com a crise que é o aumento da obesidade associado a uma alimentação de pior qualidade.

"O empobrecimento leva as pessoas a comer pior, nomeadamente alimentos mais baratos. Por isso é que há cada vez mais gordos, pois as pessoas fogem para o que é mais barato".

A obesidade é, segundo Vítor Oliveira, um fator importante para as dificuldades no sono, nomeadamente a apneia obstrutiva do sono, pois "as pessoas mais gordas têm dificuldade em respirar".

Os especialistas recomendam, por isso, uma maior atenção aos alimentos que se ingerem e defendem a prática desportiva que "não precisa de ser em ginásios, pois quem corre na rua ainda não paga impostos".

Vítor Oliveira considera que, "por parte da população, as patologias do sono não são devidamente valorizadas, assim como a importância de dormir o tempo suficiente e dormir bem".

"Apesar de estarmos em crise económica e sermos todos os dias incentivados a poupar, a economia do sono não pode, nem deve, existir", alertou.

A relação do sono com patologias como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), as cefaleias, a depressão, doença de Parkinson ou as demências serão temas em destaque no Congresso de Neurologia.

26.7.12

Prisões: alimentação é "pobre" e jantares são dados "à hora do lanche"

in Sapo Notícias

O Movimento Nacional das Famílias e Amigos dos Reclusos (MNFAR) afirmou hoje que há reclusos mal alimentados em algumas cadeias e exigiu que seja revogada a proibição dos familiares lhes levarem mais do que um quilo de mantimentos.

Para expor os seus pontos de vista, o movimento vai pedir, em setembro, reuniões com o Governo e a Assembleia da República. Imagem: AFP; NICOLAS ASFOURI

“Antes, conseguia-se levar duas sacas de comida, o que dava um certo conforto aos reclusos. Agora, apenas podem levar um quilo por semana, o que dá quatro laranjas ou meio frango”, queixou-se a mentora do movimento, Susana Martins Araújo.

“É certo que estão a cumprir um castigo, mas isto é desumano”, diz Susana.

Em declarações à agência Lusa, a responsável associativa afirmou que a alimentação fornecida pelos estabelecimentos prisionais é “pobre e pouco variada”, acrescentando que o jantar é dado “à hora do lanche”, deixando os reclusos muitas horas sem comer.

“É certo que estão a cumprir um castigo, mas isto é desumano”, observou Susana Martins Araújo, que se queixou igualmente da dificuldade que muitos reclusos enfrentam para “um simples banho de água quente”.

Lembrando que um recluso custa 40 euros diários ao Estado, Susana Martins Araújo considerou que Portugal “exagera” no recurso à prisão e apontou alternativas pouco usadas, como a prisão domiciliária, com pulseira eletrónica, ou o serviço comunitário.

“Fechar uma pessoa dentro de quatro paredes não ajuda à sua ressocialização”, afirmou.

Na esteira de críticas produzidas esta semana por 174 reclusos de Paços de Ferreira, defendeu também que se dotem os tribunais de execução de penas com mais meios humanos, técnicos e financeiros.

“Os tribunais de execução de penas e os conselhos técnicos dos estabelecimentos prisionais não funcionam a tempo útil, ou seja, não cumprem a lei”, critica.

Por isso, “existem milhares de reclusos esquecidos quanto à matéria de flexibilização, preparação para a liberdade e liberdades condicionais”, afirma a responsável pelo movimento, sublinhando que a lei “tem de ser cumprida com rigor e justiça, na igualdade do tratamento e funcionamento”.

A MNFAR deverá ser apresentada publicamente no final da próxima semana, em Santo Tirso, e tenciona promover um “grande, aberto e sério debate” sobre o sistema prisional português, avançou a dirigente.

Para expor os seus pontos de vista, o movimento vai pedir, em setembro, reuniões com o Governo, a Assembleia da República, Conferencia Episcopal Portuguesa, Ordem dos Advogados e Amnistia Internacional.