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24.9.14

Média europeia de mulheres em cargos de administração subiu para 18,6%

in iOnline

A Comissão Europeia propôs já uma diretiva (legislação comunitária) para obrigar os Estados-membros a inverter a tendência masculina nas administrações


A média europeia de mulheres em conselhos de administração de empresas subiu 0,8 pontos percentuais para os 18,6% em abril, na comparação com outubro de 2013, revelou hoje a Comissão Europeia, continuando Portugal muito abaixo da fasquia.

Segundo os dados divulgados, Portugal – com 8,7% de mulheres em cargos de administração – apresenta a quinta pior prestação, sendo ultrapassado por Chipre (7,3%), Estónia (7,2%), República Checa (6,9%) e Malta (2,7%).

Acima da média europeia estão os seguintes Estados-membros: Letónia (31,4%), França (30,4%), Finlândia (28,6%), Suécia (27,1%), Holanda (25%), Eslovénia e Dinamarca (23,3% cada), Reino Unido (22,7%) e Alemanha (21,7%).

Só nos cinco primeiros é que há uma mulher em cada quatro administradores de empresas.

A Comissão Europeia propôs já uma diretiva (legislação comunitária) para obrigar os Estados-membros a inverter a tendência masculina nas administrações – e a que o Parlamento Europeu deu já um primeiro aval –, mas o processo depende agora dos 28.

Segundo a proposta de Bruxelas, apresentada em novembro de 2012, se uma empresa cotada em bolsa na Europa não tiver 40% de mulheres entre os seus administradores não executivos, terá de haver um novo processo de seleção dos membros do conselho de administração que dê prioridade às candidaturas das mulheres com as qualificações necessárias.

Os candidatos não poderão obter um emprego no conselho de administração pelo simples facto de serem mulheres, mas, em contrapartida, nenhuma mulher poderá ser afastada em razão do género.

A diretiva aplica-se apenas aos órgãos de supervisão e a diretores não executivos de empresas cotadas em bolsa, devido à sua importância económica e grande visibilidade, excluindo as pequenas e médias empresas, que são a esmagadora maioria do tecido empresarial europeu.

A Comissão Europeia quer ainda que os Estados-membros estabeleçam individualmente sanções adequadas e dissuasivas para as empresas que infrinjam a diretiva – que é temporária e caducará automaticamente em 2028.

A proposta inclui ainda, enquanto medida adicional, uma quota flexível, traduzida na obrigação para as empresas cotadas em bolsa de estabelecerem objetivos de autorregulação no que respeita à representação equilibrada de ambos os sexos entre os administradores executivos a atingir até 2020 (ou 2018, no caso das empresas públicas).

As empresas terão de apresentar relatórios anuais sobre os progressos realizados.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa

13.2.13

Portugal ainda aceita sacrifício da carreira das mulheres por causa da família

in Jornal de Notícias

Os países nórdicos são os únicos na Europa a rejeitar, de forma clara, que as mulheres sacrifiquem as suas carreiras profissionais pela família, mas em Portugal essa possibilidade tem mais aceitação, segundo um inquérito.

As conclusões estão numa análise a dados do Inquérito Social Europeu (ESS, European Social Survey) e que vão ser apresentadas na quinta-feira, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

"Num contexto de crise financeira e económica e com orçamentos familiares mais curtos, em Portugal, Espanha e Irlanda a concordância com esta ideia diminui", indicam os investigadores na sua análise, referindo-se às mulheres ficarem em casa numa prioridade à família.

O trabalho "As perspetivas igualitárias sobre a família na Europa: evolução em contexto de crise" decorre da análise dos dados do ESS entre 2004 e 2010 por Anália Torres, Bernardo Coelho e Diana Carvalho.

Outra das conclusões indica a família como a "principal prioridade da vida dos indivíduos".

No resumo do trabalho a que a agência Lusa teve acesso, pode ler-se que há uma "tendência igualitária de género", isto é a convergência entre todos os países da Europa e um elevado grau de concordância com a "ideia de que os homens deviam ter tantas responsabilidades como as mulheres em relação à casa e aos filhos".

Da análise dos inquéritos, indica-se que o modelo da família assente no homem trabalhador é "ultrapassado e as famílias europeias assentam na dupla carreira".

"Mesmo no atual cenário de crise económica e financeira, em que se poderia imaginar alguns retrocessos, aos homens não é atribuída prioridade no acesso ao trabalho", indicam os investigadores sociais.

A eventual prioridade parece "perder ainda mais legitimidade, sendo mais rejeitada agora (2010) do que antes (2004)", mas há diferenças notadas: Portugal e outros países do sul e do leste europeu rejeitam menos a ideia de prioridade dos homens do que os países nórdicos.

Os dados vão ser apresentados na quinta-feira durante o XIII Seminário de Apresentação de Resultados do European Social Survey (ESS - Inquérito Europeu Social), no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.