Mostrar mensagens com a etiqueta Nobel da Economia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nobel da Economia. Mostrar todas as mensagens

19.4.16

Nobel da Economia diz que “austeridade foi um fracasso"

In "Renascença"

Segundo Joseph Stiglitz, a situação económica estabilizou porque o presidente do BCE puxou para baixo a taxa de juros.

A austeridade fiscal foi um fracasso para a economia portuguesa, disse este domingo à Lusa o Nobel da Economia Joseph Stiglitz ao comentar que a baixa perspectiva de crescimento da economia portuguesa este ano evidencia uma "calmaria antes da tempestade".

"A austeridade foi um fracasso para Portugal, como também representou para todos os outros países em que se tentou esta mesma política", criticou o economista norte-americano após participar do Fórum Fiscal que discutiu o sistema tributário internacional na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington.

O painel ocorreu nos Encontros de Primavera das instituições de Bretton Woods, nomeadamente Banco Mundial e FMI, que termina hoje.

Na opinião do Nobel, o fracasso reflectiu-se nas eleições, quando 62% da população apoiou políticas anti-austeridade.

"Portugal não tem mais este programa e a situação (económica) estabilizou-se, porque Draghi, presidente do Banco Centra Europeu (BCE), puxou para baixo a taxa de juros. Mas se olharmos para os indicadores macroeconómicos como a dívida pública, eles estão pior agora do que antes", comentou.

Stiglitz mostrou-se céptico quanto aos sinais de recuperação económica da zona euro. O Banco Central Europeu afirmou no início de Abril que Portugal já apresentava visíveis indícios de recuperação e que a economia portuguesa está a crescer ao mesmo ritmo da zona euro.

"Penso que, não apenas para Portugal, mas para toda a zona do euro em geral, este é provavelmente um período de calmaria antes da chegada da tempestade. Não acredito que os problemas da zona do euro tenham sido resolvidos", analisou.

E concluiu que os choques que ainda decorrem do programa grego são "ilustrativos" de que a ajuda financeira externa "tida como uma solução", acabou não resolvendo.

"A questão agora é se a zona do euro será capaz de mudar as suas políticas. Se não conseguir mudar, a recuperação económica de Portugal levará bastante tempo, poderia ser até uma década", anunciou Stiglitz que actualmente é professor de economia, administração de empresas e negócios internacionais na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

A 6 de Abril de 2011 o então ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, anunciou que Portugal precisava de ajuda externa.

Cinco anos depois do pedido de resgate financeiro e quase dois anos após a sua conclusão, os números indicam que a situação financeira e económica do país melhorou em alguns indicadores, mas ainda não cumpre os parâmetros de referência de Bruxelas.

Portugal continua com um défice orçamental acima do limite definido pelas regras europeias, com uma dívida pública superior a 120% e com o desemprego acima de 10%. Já a dívida pública aumentou dos 111,4% do PIB em 2011 para os 128,8% no final do ano passado.

O FMI assinala que a Portugal apresenta um crescimento "modesto" e estima que a economia portuguesa vá abrandar este ano e em 2017. O PIB deve crescer 1,4% este ano e 1,3% em 2017.

2.12.15

Nobel da Economia diz que desigualdade e austeridade são escolhas políticas

in Jornal de Notícias

O prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz afirmou, esta terça-feira, em Lisboa, que a desigualdade e a austeridade são uma escolha política e que diferentes medidas podem ser tomadas para estimular o crescimento económico e reduzir a desigualdade.

"A desigualdade é uma escolha. Não uma escolha que os pobres fazem, mas uma escolha política. É um resultado das medidas que são tomadas", disse Joseph Stiglitz na conferência 'Desigualdade num Mundo Globalizado', que decorreu ao final da tarde na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Mesmo num "contexto de austeridade" na zona euro, o Nobel da Economia considerou que a austeridade também é "uma escolha" e que "há várias medidas que podem ser tomadas", mesmo dentro desse contexto para estimular o crescimento económico.

Durante a conferência, o economista, que venceu o Nobel da Economia em 2001, destacou a redução dos salários médios entre as pessoas mais pobres dos Estados Unidos, nos últimos 60 anos, e o aumento dos recursos de 1% dos mais ricos do país, que "mais do que duplicou" nos últimos 30 anos.

Perante a crise económica mundial, o professor universitário disse ainda que as recessões económicas levaram a "brutais aumentos" na desigualdade: "Há mais desemprego, os salários são cortados e, principalmente onde a austeridade foi aplicada, há um corte nos serviços básicos, que são importantes para as pessoas com menos recursos", afirmou.

Joseph Stiglitz afirmou ainda que "91% da recuperação económica foi para os 1% com mais recursos" e criticou as celebrações de países europeus, como Espanha, da redução das taxas de desemprego para valores ainda "inaceitáveis".

"Estão a celebrar o fim da recessão com uma taxa de desemprego de 23% e de desemprego jovem perto de 50%. Para mim, isso é uma depressão e não um motivo de celebração", apontou, lembrando ainda que muitos jovens emigraram, deixando de entrar nas estatísticas de desemprego.

O Nobel concluiu que houve um "aumento global da desigualdade", que é "particularmente problemática" na Europa, e deixou uma questão: "Sabemos que a austeridade reduz a performance económica e promove a desigualdade".

"Mas não é economia. É política. Conseguiremos alcançar as mudanças políticas que levem a uma sociedade igualitária?", interrogou.