João Pedro Pincha, in Público on-line
Proposta do vereador do BE visa triplicar o número de arrendamentos que estava previsto para 2020. Manuel Grilo defende que as pessoas acolhidas na pandemia não devem voltar à rua.
O objectivo era chegar a 2023 com 400 fogos, mas a Câmara de Lisboa quer antecipar para este ano a disponibilização de 380 casas para alojar pessoas sem-abrigo. O vereador dos Direitos Sociais leva esta quinta-feira à reunião camarária uma proposta para que sejam arrendados mais 200 apartamentos em 2020 e espera que no segundo semestre eles comecem a ser atribuídos.
O projecto Housing First, lançado há sete anos e gerido pela Associação Crescer e pela Associação para o Estudo e Integração Psicossocial (AEIPS), tem neste momento 80 fogos em que habitam pessoas que viviam na rua ou nos centros de acolhimento temporário. Este ano está a decorrer o arrendamento de mais 145 casas, mas Manuel Grilo quer que se avance já para outras 200.
O vereador do BE tem defendido nas últimas semanas que os sem-abrigo acolhidos em pavilhões durante a pandemia não devem voltar à rua e materializa a intenção na proposta que leva a votos. “Esta é uma resposta não só para a população de rua, mas também será a solução habitacional para quem está hoje nos quatro centros de acolhimento de emergência da câmara, incluindo pessoas que caíram na rua já por perda de rendimento devido à pandemia”, diz Manuel Grilo, em nota de imprensa.
O investimento previsto nesta nova fase do Housing First é de 1,4 milhões de euros, que são entregues às associações parceiras para que estas encontrem e arrendem os fogos e façam o acompanhamento técnico das pessoas. Neste momento, a Crescer apoia pessoas com dependências e a AEIPS está responsável pelas pessoas com doença mental.
O actual Plano Municipal para a Pessoa em situação de Sem Abrigo (PMSA), a vigorar entre 2020 e 2023, aponta para este último ano a disponibilização de 400 casas em regime de Housing First. O documento, aprovado pela câmara em Junho de 2019, sofreu uma grande alteração nos seis meses seguintes, passando de um orçamento de 4,2 milhões de euros para mais de 14 milhões. O valor alocado a esta missão foi uma das críticas iniciais de toda a oposição, que lamentou que o executivo não estivesse disposto a gastar mais. Depois de reuniões com Fernando Medina e o Governo, Manuel Grilo acabou por anunciar um reforço de todas as linhas do plano.
No anterior PMSA, que vigorou entre 2016 e 2019, estava previsto que em 2018 já houvesse 150 casas no Housing First, mas o vereador do Bloco justificou então que os preços praticados no mercado de arrendamento tornavam incomportável o aumento da resposta.
No ano passado havia cerca de 360 pessoas a viver na rua e 1967 em centros de acolhimento. Na aprovação do novo PMSA, Manuel Grilo assumiu o objectivo de tirar todas as pessoas da rua até 2021
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21.5.20
19.3.12
Projeto "Casas Primeiro" arranjou teto a 65 sem-abrigo
in Jornal de Notícias
Após vários anos a viverem nas ruas de Lisboa, 65 sem-abrigo conseguiram um teto através do projeto Casas Primeiro, um modelo de "sucesso" que arrancou há dois anos e meio e está a suscitar interesse de outras cidades.
São mais homens do que mulheres, mas também há quatro casais. Em média, viviam na rua há dez anos e a maioria sofre de doença mental, disse à agência Lusa José Ornelas, coordenador do programa, que foi criado no âmbito da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas Sem-Abrigo, lançada no terreno há três anos.
"Eram as situações mais difíceis de retirar da rua e nós demonstrámos que era possível", disse o coordenador, explicando que estas pessoas não rejeitavam uma casa, mas o facto de viverem em grandes grupos ou em camaratas e terem de sujeitar-se às "exigências dos serviços transitórios".
Quando lhes foi proposto irem viver para uma casa num bairro de Lisboa, aderiram muito positivamente e com resultados extraordinários: "Dez tornaram-se independentes e puderam ser substituídos por outros, mas este é um programa sem limite de tempo", observou.
Por outro lado, melhoraram consideravelmente a sua saúde, deixaram de utilizar os hospitais psiquiátricos, as urgências dos hospitais gerais e começaram a organizar a vida no sentido de arranjarem um trabalho ou voltar a estudar.
Também criaram boas relações de vizinhança no bairro onde moram com a ajuda da equipa da Associação para o Estudo e Integração Psicossocial (AEIPS) que os apoia duas vezes por semana.
"Uma das questões mais fundamentais é que este programa, além de retirar as pessoas da rua, tem um custo/benefício muito positivo de cerca de 18 euros diários por pessoa", que é muito baixo quando comparado com outras respostas tradicionais, como os abrigos ou instituições.
O sucesso do projeto despertou o interesse de outras cidades, nomeadamente Aveiro, Porto e Cascais. "Neste momento, estamos a negociar para que seja generalizado a outras cidades, mas também para que mais pessoas beneficiem dele".
"Neste momento, estamos na fase de apresentar a avaliação do projeto e demonstrar às entidades públicas que os resultados são muito positivos, ao retirar definitivamente as pessoas da rua por um custo muito mais baixo, e no sentido de influenciar os decisores públicos a generalizarem o programa para outras cidades", adiantou.
Em Portugal, a taxa de sucesso do programa situa-se nos 91 por cento, enquanto em outros programas internacionais se situa entre os 80 e os 85%.
Para José Ornelas, este projeto foi uma "grande descoberta": "Finalmente há um programa que resolve e corta o ciclo crónico da pobreza", com as pessoas a voltaram a ter uma vida ativa.
Este modelo "é uma solução para os sem-abrigo e um projeto adequado para o momento de crise": "Mesmo que haja um aumento de situações de sem-abrigo, os profissionais já conhecem possíveis saídas para estas situações".
"Agora os responsáveis pela estratégia têm a oportunidade de estudar os resultados e discutir como o projeto pode ser generalizado", disse, considerando que este "é um dos aspetos mais inovador e significativo da estratégia nacional [para a integração dos sem abrigo]".
O programa financia a renda da casa e as despesas com os consumos de água e eletricidade e os participantes contribuem com 30% do seu rendimento mensal.
Após vários anos a viverem nas ruas de Lisboa, 65 sem-abrigo conseguiram um teto através do projeto Casas Primeiro, um modelo de "sucesso" que arrancou há dois anos e meio e está a suscitar interesse de outras cidades.
São mais homens do que mulheres, mas também há quatro casais. Em média, viviam na rua há dez anos e a maioria sofre de doença mental, disse à agência Lusa José Ornelas, coordenador do programa, que foi criado no âmbito da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas Sem-Abrigo, lançada no terreno há três anos.
"Eram as situações mais difíceis de retirar da rua e nós demonstrámos que era possível", disse o coordenador, explicando que estas pessoas não rejeitavam uma casa, mas o facto de viverem em grandes grupos ou em camaratas e terem de sujeitar-se às "exigências dos serviços transitórios".
Quando lhes foi proposto irem viver para uma casa num bairro de Lisboa, aderiram muito positivamente e com resultados extraordinários: "Dez tornaram-se independentes e puderam ser substituídos por outros, mas este é um programa sem limite de tempo", observou.
Por outro lado, melhoraram consideravelmente a sua saúde, deixaram de utilizar os hospitais psiquiátricos, as urgências dos hospitais gerais e começaram a organizar a vida no sentido de arranjarem um trabalho ou voltar a estudar.
Também criaram boas relações de vizinhança no bairro onde moram com a ajuda da equipa da Associação para o Estudo e Integração Psicossocial (AEIPS) que os apoia duas vezes por semana.
"Uma das questões mais fundamentais é que este programa, além de retirar as pessoas da rua, tem um custo/benefício muito positivo de cerca de 18 euros diários por pessoa", que é muito baixo quando comparado com outras respostas tradicionais, como os abrigos ou instituições.
O sucesso do projeto despertou o interesse de outras cidades, nomeadamente Aveiro, Porto e Cascais. "Neste momento, estamos a negociar para que seja generalizado a outras cidades, mas também para que mais pessoas beneficiem dele".
"Neste momento, estamos na fase de apresentar a avaliação do projeto e demonstrar às entidades públicas que os resultados são muito positivos, ao retirar definitivamente as pessoas da rua por um custo muito mais baixo, e no sentido de influenciar os decisores públicos a generalizarem o programa para outras cidades", adiantou.
Em Portugal, a taxa de sucesso do programa situa-se nos 91 por cento, enquanto em outros programas internacionais se situa entre os 80 e os 85%.
Para José Ornelas, este projeto foi uma "grande descoberta": "Finalmente há um programa que resolve e corta o ciclo crónico da pobreza", com as pessoas a voltaram a ter uma vida ativa.
Este modelo "é uma solução para os sem-abrigo e um projeto adequado para o momento de crise": "Mesmo que haja um aumento de situações de sem-abrigo, os profissionais já conhecem possíveis saídas para estas situações".
"Agora os responsáveis pela estratégia têm a oportunidade de estudar os resultados e discutir como o projeto pode ser generalizado", disse, considerando que este "é um dos aspetos mais inovador e significativo da estratégia nacional [para a integração dos sem abrigo]".
O programa financia a renda da casa e as despesas com os consumos de água e eletricidade e os participantes contribuem com 30% do seu rendimento mensal.
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