Por Bruno Faria Lopes, in iOnline
INE confirma 2012 negro para economia. Investimento bate mínimo de 1995, tal como o emprego
Foi o trimestre pós-anúncio da medida da Taxa Social Única, pós-anúncio do “enorme aumento de impostos”, pós-apresentação de mais um “Orçamento do Estado mais duro de sempre” e pós-impacto da recessão europeia - e acabou por ser um dos piores trimestres de sempre para a economia portuguesa, confirmou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE). A economia contraiu 3,8% nos últimos três meses do ano passado, levando Portugal a uma contracção anual de 3,2%, a mais grave do pós-revolução, em 1975.
O colapso do mercado interno continua a ser o rombo por onde se vão esvaindo postos de trabalho e euros de produto interno bruto (PIB), um rombo menos compensado no final do ano pela dinâmica externa.
“Os números de hoje confirmam que no quarto trimestre de 2012 as exportações não tiveram o mesmo comportamento de trimestres anteriores, pelo que a evolução PIB foi muito influenciada pelos esperados recuos no consumo privado, gastos públicos e investimento”, explica o economista Filipe Garcia, da consultora financeira IMF, no Porto. “Este comportamento menos positivo das exportações estará relacionado com o mau desempenho da economia espanhola e com a greve dos portos, mas deve ser lido num contexto global de abrandamento económico”, junta.
No motor com maior peso na economia, o consumo privado, continua o recuo recorde nos gastos das famílias. No último trimestre de 2012 as despesas de consumo dos portugueses registaram o nível mais baixo desde o terceiro trimestre de 2001, meses antes da entrada em vigor do euro. Ao todo, em 2012 os portugueses gastaram praticamente o mesmo que em 2002, o ano em que estrearam os euros, num recuo de uma década no nível de consumo.
A travagem foi feita em 2012 de forma brutal nos bens duradouros (-23%), muito forte nos serviços (-4,9%) e moderada nos bens alimentares (-0,4%). O recuo a toda a linha é herói e vilão nos dois ajustamentos de Portugal: deu um contributo fulcral para a redução do défice externo (as importações caíram 6% em 2012, a par de uma subida de 3% das exportações), mas na frente orçamental afundou as previsões de receita fiscal do governo (um desvio superior a dois mil milhões de euros).
No outro motor da economia, o investimento, a contracção é também recorde, com 2012 a verificar o nível anual mais baixo investido desde o início da compilação da série, em 1995. No último trimestre do ano passado há sinais de que o colapso do investimento em rubricas relevantes - como maquinaria, por exemplo - abrandou de forma significativa, o que abre algumas perspectivas para uma recuperação ténue a prazo.
Na frente externa o final do ano trouxe o impacto da recessão na zona euro, que absorve mais de dois terços das exportações portuguesas - e moderou muito o contributo da procura externa para o PIB.
A principal consequência de mais um ano de recuo - desde 2009 a economia contraiu mais de 6% - é a destruição de emprego. Foram destruídos 92 mil postos de trabalho entre o terceiro e o quarto trimestre do ano passado e cerca de 203 mil quando se compara com os últimos três meses de 2011. No final do ano passado havia cerca de 4,56 milhões de pessoas empregadas, o valor mais baixo desde o último trimestre de 1995, revela a série compilada pelo INE - a diferença, contudo, é que em 1995 a população activa registava menos 700 mil pessoas.
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12.3.13
27.9.12
Novas medidas de austeridade afundam confiança dos consumidores
in Jornal de Notícias
O clima económico e a confiança dos consumidores em Portugal tiveram uma quebra acentuada em setembro, segundo dados divulgados, esta quinta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística.O indicador de confiança dos consumidores, calculado através de inquéritos a particulares, caiu para -51,4 pontos.
Depois de ter atingido um mínimo histórico em janeiro (-57,1 pontos), a confiança dos consumidores vinha a melhorar sucessivamente todos os meses, mas voltou a cair em setembro, o mês em que o Governo anunciou novas medidas de austeridade para cumprir objetivos orçamentais.
O indicador de clima económico (calculado através de inquéritos a empresas vários setores de atividade) registou um valor de -4,2, interrompendo também uma melhoria que se prolongava desde fevereiro, quando a série registou o mínimo histórico (-4,9).
Os indicadores de confiança do INE são calculados através de médias móveis de três meses dos saldos de respostas extremas a inquéritos. Um número negativo significa que houve mais respostas pessimistas do que otimistas.
O recurso às médias móveis de três meses serve para ultrapassar o impacto de efeitos sazonais. O INE publica também os dados por cada mês. No caso do indicador de confiança dos consumidores, os números mensais deixam mais nítida a ideia de um abalo muito forte em setembro: a confiança recuou de -48,7 em agosto para -56 este mês.
Considerando apenas os dados de setembro, regista-se um recorde negativo num dos componentes deste indicador: os consumidores nunca estiveram tão pessimistas quando à sua capacidade de poupar nos próximos doze meses.
Também o indicador de confiança dos serviços se afundou para mínimos históricos em setembro, com a confiança dos empresários do setor a cair para -33,8 pontos. O principal fator desta quebra foi a componente de avaliação da atividade nos últimos três meses.
O clima económico e a confiança dos consumidores em Portugal tiveram uma quebra acentuada em setembro, segundo dados divulgados, esta quinta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística.O indicador de confiança dos consumidores, calculado através de inquéritos a particulares, caiu para -51,4 pontos.
Depois de ter atingido um mínimo histórico em janeiro (-57,1 pontos), a confiança dos consumidores vinha a melhorar sucessivamente todos os meses, mas voltou a cair em setembro, o mês em que o Governo anunciou novas medidas de austeridade para cumprir objetivos orçamentais.
O indicador de clima económico (calculado através de inquéritos a empresas vários setores de atividade) registou um valor de -4,2, interrompendo também uma melhoria que se prolongava desde fevereiro, quando a série registou o mínimo histórico (-4,9).
Os indicadores de confiança do INE são calculados através de médias móveis de três meses dos saldos de respostas extremas a inquéritos. Um número negativo significa que houve mais respostas pessimistas do que otimistas.
O recurso às médias móveis de três meses serve para ultrapassar o impacto de efeitos sazonais. O INE publica também os dados por cada mês. No caso do indicador de confiança dos consumidores, os números mensais deixam mais nítida a ideia de um abalo muito forte em setembro: a confiança recuou de -48,7 em agosto para -56 este mês.
Considerando apenas os dados de setembro, regista-se um recorde negativo num dos componentes deste indicador: os consumidores nunca estiveram tão pessimistas quando à sua capacidade de poupar nos próximos doze meses.
Também o indicador de confiança dos serviços se afundou para mínimos históricos em setembro, com a confiança dos empresários do setor a cair para -33,8 pontos. O principal fator desta quebra foi a componente de avaliação da atividade nos últimos três meses.
26.6.12
"Não há histórico de dados como estes" de quebra de vendas no setor da distribuição
in Jornal de Notícias
A diretora-geral da Associação Portuguesa de Empresas de
Distribuição afirmou, esta terça-feira, que as quebras de vendas no retalho no
primeiro trimestre não têm histórico nos dados que a associação divulga, há mais
de 15 anos.
Segundo o barómetro de vendas da Associação Portuguesa de Empresas de
Distribuição (APED), do primeiro trimestre, as vendas totais dos segmentos
alimentar e não alimentar caíram 3,7 por cento no primeiro trimestre, face a
igual período de 2011, para 4.554 milhões de euros.
No retalho alimentar, o volume de vendas ficou praticamente estagnado, ao crescer 0,2 por cento, para 2.640 milhões de euros, enquanto no não alimentar o valor foi de 1.914 milhões de euros, menos 8,6 por cento.
"Não há histórico de dados como estes", afirmou Ana Isabel Trigo Morais, em declarações aos jornalistas na apresentação do barómetro.
"O consumo em Portugal está em queda livre", disse a diretora-geral da associação, acrescentando que não há histórico de quebras tão acentuadas desde que a APED começou a tratar destes dados, há mais de 15 anos.
Os dados sobre o retalho alimentar têm acomodado a reclassificação de bens devido à subida do IVA e ao efeito da inflação, que está nos 3,4 por cento, "o que faz com que os preços subam apesar do consumo estar a diminuir".
No retalho alimentar, o preço médio dos bens aumentou 5,8 por cento, os atos de compra cresceram 4,9 por cento, enquanto o gasto por ato de compra recuou 0,5 por cento.
Segundo Ana Isabel Trigo Morais, isto revela que há uma nova mudança de hábitos no consumo dos portugueses.
Anteriormente, o consumidor ia menos vezes às compras e gastava um pouco mais, mas agora os atos de compra aumentaram, ou seja, as pessoas vão mais vezes às compras e tentam gastar o menos possível.
O barómetro revela ainda que os portugueses passaram a preferir os hipermercados (subida de 0,8 pontos percentuais) e supermercados (mais 0,1 pontos percentuais), em detrimento dos discounters e outros locais, que recuaram 0,6 e 0,4 pontos percentuais, respetivamente.
"Há uma preferência clara nos hipers e nos supers em relação a outros formatos, o que têm a ver com a dinâmica concorrencial" e com o facto de já não haver grandes diferenças de preços, disse.
Outro dado é que a marca própria, da distribuição, aumentou 2,4 pontos percentuais entre janeiro e março deste ano, face a igual período de 2011, para 36,4 por cento.
"Este é um sinal que o consumidor em Portugal está focado no preço", sublinhou.
Já a marca de fabricante recuou 2,4 pontos percentuais, tendo agora uma quota de 63,6 por cento.
No retalho alimentar, o volume de vendas ficou praticamente estagnado, ao crescer 0,2 por cento, para 2.640 milhões de euros, enquanto no não alimentar o valor foi de 1.914 milhões de euros, menos 8,6 por cento.
"Não há histórico de dados como estes", afirmou Ana Isabel Trigo Morais, em declarações aos jornalistas na apresentação do barómetro.
"O consumo em Portugal está em queda livre", disse a diretora-geral da associação, acrescentando que não há histórico de quebras tão acentuadas desde que a APED começou a tratar destes dados, há mais de 15 anos.
Os dados sobre o retalho alimentar têm acomodado a reclassificação de bens devido à subida do IVA e ao efeito da inflação, que está nos 3,4 por cento, "o que faz com que os preços subam apesar do consumo estar a diminuir".
No retalho alimentar, o preço médio dos bens aumentou 5,8 por cento, os atos de compra cresceram 4,9 por cento, enquanto o gasto por ato de compra recuou 0,5 por cento.
Segundo Ana Isabel Trigo Morais, isto revela que há uma nova mudança de hábitos no consumo dos portugueses.
Anteriormente, o consumidor ia menos vezes às compras e gastava um pouco mais, mas agora os atos de compra aumentaram, ou seja, as pessoas vão mais vezes às compras e tentam gastar o menos possível.
O barómetro revela ainda que os portugueses passaram a preferir os hipermercados (subida de 0,8 pontos percentuais) e supermercados (mais 0,1 pontos percentuais), em detrimento dos discounters e outros locais, que recuaram 0,6 e 0,4 pontos percentuais, respetivamente.
"Há uma preferência clara nos hipers e nos supers em relação a outros formatos, o que têm a ver com a dinâmica concorrencial" e com o facto de já não haver grandes diferenças de preços, disse.
Outro dado é que a marca própria, da distribuição, aumentou 2,4 pontos percentuais entre janeiro e março deste ano, face a igual período de 2011, para 36,4 por cento.
"Este é um sinal que o consumidor em Portugal está focado no preço", sublinhou.
Já a marca de fabricante recuou 2,4 pontos percentuais, tendo agora uma quota de 63,6 por cento.
Agravamento da quebra do consumo é inevitável
A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição estima que
no segundo trimestre do ano a quebra do consumo em Portugal se tenha sido ainda
maior do que os três primeiros meses de 2012.
Segundo o barómetro de vendas da Associação Portuguesa de Empresas de
Distribuição do primeiro trimestre, o volume de vendas total dos segmentos
alimentar e não alimentar caiu 3,7%, para 4.554 milhões de euros, face aos
primeiros três meses de 2011, período anterior à aplicação das medidas de
austeridade.
A área alimentar recuou de 0,2% (para 2.640 milhões de euros) e o não alimentar decresceu 8,6% (1.914 milhões de euros).
Dados que levam a diretora-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, Ana Isabel Trigo Morais, a considerar "o agravamento é inevitável". "Estes dados estão além das nossas previsões (...) e são muito preocupantes", sublinhou.
Isto porque Portugal tem "uma altíssima taxa de desemprego", acompanhada de "uma quebra de rendimento das famílias", nomeadamente com a retirada dos subsídios aos funcionários do Estado, e com uma carga fiscal "muito pesada", o que "inevitavelmente vai ter impacto no consumo".
Para a diretora-geral, os dados do primeiro trimestre "já refletem as medidas de austeridade, que chegaram em força às famílias portuguesas".
Segundo a responsável, "a cadeia toda [do setor] está debaixo de pressão" e acomodar os preços tem um limite para a distribuição, razão pela qual há preços que têm vindo a aumentar.
"A margem para acomodar esta pressão está a chegar ao seu limite", disse, admitindo que esse impacto irá também refletir-se nas empresas do setor.
Este sempre foi um "setor dinâmico, com forte criação de emprego, mas estamos a chegar a um ponto em que os operadores económicos têm de tomar outras medidas", o que vai ter "necessárias consequências sobre o número de lojas a operar e empregos".
Por isso, "é importante que o Governo olhe para o que está a acontecer a este setor", alertou, acrescentando que a APED está disponível para o diálogo.
Esta situação "preocupa-nos muito", disse.
A área alimentar recuou de 0,2% (para 2.640 milhões de euros) e o não alimentar decresceu 8,6% (1.914 milhões de euros).
Dados que levam a diretora-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, Ana Isabel Trigo Morais, a considerar "o agravamento é inevitável". "Estes dados estão além das nossas previsões (...) e são muito preocupantes", sublinhou.
Isto porque Portugal tem "uma altíssima taxa de desemprego", acompanhada de "uma quebra de rendimento das famílias", nomeadamente com a retirada dos subsídios aos funcionários do Estado, e com uma carga fiscal "muito pesada", o que "inevitavelmente vai ter impacto no consumo".
Para a diretora-geral, os dados do primeiro trimestre "já refletem as medidas de austeridade, que chegaram em força às famílias portuguesas".
Segundo a responsável, "a cadeia toda [do setor] está debaixo de pressão" e acomodar os preços tem um limite para a distribuição, razão pela qual há preços que têm vindo a aumentar.
"A margem para acomodar esta pressão está a chegar ao seu limite", disse, admitindo que esse impacto irá também refletir-se nas empresas do setor.
Este sempre foi um "setor dinâmico, com forte criação de emprego, mas estamos a chegar a um ponto em que os operadores económicos têm de tomar outras medidas", o que vai ter "necessárias consequências sobre o número de lojas a operar e empregos".
Por isso, "é importante que o Governo olhe para o que está a acontecer a este setor", alertou, acrescentando que a APED está disponível para o diálogo.
Esta situação "preocupa-nos muito", disse.
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