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19.3.19

O que preocupa mais os portugueses? Doenças, deficiência, despesas e desemprego

in RR

É o resultado do inquérito "Riscos que Importam" da OCDE.

Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) revela que os portugueses vivem preocupados com a possibilidade de ficar doentes ou com uma deficiência, pagar as despesas ou perder o emprego, e preferiam pagar mais impostos para ter melhores pensões e cuidados de saúde.

De acordo com os resultados do inquérito "Riscos que Importam", na tradução para português, que inclui as preocupações de 22 mil pessoas, entre os 18 e os 70 anos de 21 países, cerca de metade dos inquiridos apontou "ficar doente ou com uma deficiência" como uma das três principais preocupações sociais ou económicas que os afete a eles ou à família próxima no próximo ano ou dois.
Portugal não é exceção e 63% dos portugueses que responderam a este inquérito apontaram "ficar doente ou com uma deficiência" como a principal preocupação no futuro próximo, sendo um dos três países onde esta preocupação é mais elevada, abaixo da Polónia (64%) e da Finlândia (65%).

A segunda maior preocupação é conseguir fazer face a todas as despesas mensais (44,5%), seguida do receio de perder o emprego (39%), às quais se seguem a preocupação com o crime ou a violência (30,3%), o acesso a cuidados de longa duração (30,15%), habitação (25%), acesso a cuidados infantis ou educação.

Há ainda quase 5% de portugueses que diz não ter qualquer uma destas preocupações.

Os cuidados de saúde de longa duração são aqueles onde as pessoas, em geral, estão mais insatisfeitas e, em média, 50% do total de inquiridos acha que não tem acesso a "serviços públicos acessíveis e de boa qualidade na área dos cuidados a longo prazo para os mais idosos" e 45% sente o mesmo em relação às pessoas com deficiência.

Sensação de injustiça generalizada
O inquérito mostrou uma generalizada sensação de injustiça no acesso a benefícios sociais e que os governos não escutam as pessoas, sustentada na crença de que os governos não trabalham para o cidadão comum.
"Em países como França, Grécia, Israel, Lituânia, Portugal e Eslovénia, a percentagem destas pessoas atinge os 70% ou mais. Estes sentimentos estão espalhados por quase todos os grupos sociais e não estão limitados apenas aqueles que se sentem 'postos de parte'", lê-se no relatório.

Aliás, 71% dos portugueses apontam a injustiça como a principal causa para a pobreza e 75% responderam que sim quando questionados sobre se concordavam ou não em aumentar os impostos sobre os mais ricos para ajudar os mais pobres.

De uma maneira geral, as pessoas querem mais investimento nas pensões (54%) e nos cuidados de saúde (48%) de modo a sentirem-se economicamente mais seguros e à sua família, com as pensões a serem a escolha popular em 14 dos 21 países e a saúde noutros cinco, nos quais se inclui Portugal.

Quase metade dos portugueses (49%) dizem mesmo que estão dispostos a pagar mais impostos para financiar melhores pensões e cuidados de saúde.
A OCDE diz que são precisos "maiores esforços" para perceber a razão destas perceções e por que razão tantas pessoas acham que as políticas sociais não vão ao encontro das suas necessidades.

16.7.18

Rede Europeia diz Portugal tem dois milhões de pobres por falta de inclusão

in Jornal de Notícias

O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, padre Agostinho Jardim Moreira, criticou esta quinta-feira, no Funchal, a falta de políticas governamentais para a inclusão, vincando que o número de pobres em Portugal mantém-se igual há quatro décadas.

"Desde o 25 de Abril mudam os governos, mas as políticas mantêm-se. Mantemos sempre os índices estatísticos [da pobreza] entre os 18% e os 20%. Isto é, andamos a manter dois milhões de pobres no país. Isto não é política", alertou.

Agostinho Jardim Moreira falava aos jornalistas após a assinatura de um protocolo com a Câmara Municipal do Funchal, que concede à Rede Europeia Anti-Pobreza um apoio de 20 mil euros para criar um programa de formação e elaborar um diagnóstico da situação no município.

"Pretendemos uma Europa de cidadãos, uma Europa de dignidade, uma Europa de toda a pessoa humana", realçou, acentuando que as situações de pobreza em que caiem as pessoas resultam de "injustiças", muitas vezes "institucionais", e também do "modelo político que temos".

O responsável evocou, por outro lado, um relatório da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico - que indica que são necessárias cinco gerações para tirar uma pessoa da pobreza em Portugal, situação que, segundo disse, "devia envergonhar-nos".

"Não queremos alimentar a pobreza. Queremos tirar as pessoas da pobreza", realçou, sublinhando que a Rede Europeia é "apartidária e aconfessional" e opera diretamente no terreno, numa "observação científica independente" e em colaboração com "todas as entidades".

O presidente da Câmara Municipal do Funchal, Paulo Cafôfo, disse, por seu lado, que o protocolo com a Rede Europeia Anti-Pobreza vai "ajudar a dar substância" às políticas sociais da autarquia.
"Com a vossa experiência, termos uma ajuda em termos de consultadoria e de formação, para lidarmos de uma forma profissional e consciente [com as situações de pobreza] e elaborar um diagnóstico que nos garanta um conhecimento mais profundo da realidade no concelho", afirmou.

9.11.12

China e Índia juntas vão ultrapassar crescimento dos países da OCDE em 2060, diz relatório

in iOnline

O crescimento económico combinado da China e da índia será maior em 2060 que o do conjunto dos países da Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Económica (OCDE), revela um relatório desta entidade hoje divulgado.

“Surpreendentemente, o PIB [Produto Interno Bruto] combinado destes dois países será maior em 2060 do que o da área inteira da OCDE, tendo em conta a atual composição, quando atualmente equivale a apenas um terço desta área”, sublinha o relatório da OCDE “Olhando para 2060: Uma visão global sobre o crescimento a longo prazo”.

O documento da OCDE estima que a China, atualmente já a segunda maior economia mundial, vai crescer a uma média anual de 6,6% até 2030 e de 2,3% dessa data até 2060, e a índia, que ocupa a 10.ª posição na tabela, deverá crescer a uma média de 6,7% e 4%, respetivamente.

Já os 34 países da OCDE deverão registar no conjunto um crescimento anual de 2,3% até 2030 e de 1,7% daí até 2060.

O relatório diz que as rápidas taxas de crescimento da China e da Índia implicam que o seu PIB supere o das sete principais economias (G7) da OCDE em 2025, sendo que os dois gigantes asiáticos deverão ver o seu rendimento 'per capita' aumentar mais do que sete vezes em 2060, proporcionando uma grande subida na qualidade de vida do chinês e do indiano médio.

Esta realidade será mais pronunciada na China devido ao forte crescimento da produtividade e ao elevado investimento de capital.

“Isto levará a China a ter um nível de rendimento 25% superior ao que os Estados Unidos têm atualmente (2011), enquanto o rendimento 'per capita' da Índia atingirá apenas metade do rendimento atual dos Estados Unidos”, prevê o documento.

Já os tradicionais 'pesos pesados' económicos, como o Japão e a zona euro, “vão perder gradualmente terreno na tabela do PIB global” a favor de países com uma população mais jovem, como a Indonésia e o Brasil, acrescenta.