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4.5.20

Como nasceu o movimento Caixa Solidária

Nuno Botelho, in Expresso

Fotojornalista do Expresso teve a ideia, com uma caixa com bens alimentares. Iniciativa pegou e já há quase 2 mil

A ideia surgiu neste contexto de pandemia, pensei e falei com a minha esposa sobre como poderíamos ajudar. Ambos continuamos a trabalhar, temos um filho pequeno por isso voluntariado não era possível fazermos. Então pensei que nesta fase deveria haver muita gente a passar por dificuldades. Tinha uma caixa cá em casa em desuso e lembrei-me: porque não usar a caixa, colocá-la aqui perto de casa com bens alimentares e ajudar desta forma? Depois foi passar à ação. Coloquei a caixa com os bens lá dentro e com um papel a dizer “caixa solidária — leve o que precisar, deixe o que quiser”. Rapidamente, os vizinhos começaram a ajudar e outros a levar bens. Divulguei no meu Facebook pessoal e depois uma vizinha divulgou no dela, começou a crescer o número de partilhas e criei a página de grupo @caixa.solidaria a desafiar as pessoas a fazerem o mesmo no seu bairro.

A primeira caixa foi colocada em Sassoeiros a 4 de abril e, neste momento, a iniciativa ganhou asas e está espalhada pelo continente e ilhas. Contamos com mais de 1800 caixas solidárias.

O espírito de entreajuda é notório e sinto que chegamos a pessoas com dificuldades, por um lado, porque as caixas vão ficando vazias e, por outro, porque já houve pequenas mensagens de agradecimento em muitas das caixas. A solidariedade e cooperação também se sentem, porque as caixas esvaziam-se, mas voltam a compor-se.

No próximo dia 4 de maio, segunda-feira, exatamente um mês depois da primeira, será colocada uma caixa solidária em substituição da primeira. Foi produzida e doada à iniciativa pela empresa FullQuest. A Câmara de Cascais associou-se ao movimento das Caixas Solidárias. A autarquia liderada por Carlos Carreiras pretende alargar a rede de caixas no território e assume que a iniciativa inspirou o lançamento de uma app que centralizará os donativos da sociedade civil. Uma Caixa Solidária Virtual, em que a Câmara dobrará qualquer contributo individual registado para aquisição de bens alimentares, equipamentos de proteção individual, entre outros. “Em Cascais, como gostamos de dizer, somos ‘Todos por todos’. E esta ideia do Nuno é bem prova desse espírito de comunidade vibrante”, diz Carlos Carreiras.

10.5.13

"Europa não tem a solidariedade um pouco exagerada que imaginávamos"

por Maria João Costa, in RR

Eduardo Lourenço, em entrevista à Renascença, considera que a nova vaga de emigração é um acto de "puro desespero" e espera que as manifestações não degenerem em violência.

O ensaísta Eduardo Lourenço diz que a Europa não tem a solidariedade que Portugal imaginava, mas têm consciência de que não pode perder membros, correndo o risco do projecto europeu desmoronar.

“Apesar da Europa não ter aquela solidariedade um pouco exagerada que nós imaginávamos, mas a Europa tem consciência de que não pode perder uma peça aqui e outra peça além, sem que ela próprio se desmorone, toda a construção europeia”, diz o filósofo e pensador, em entrevista à Renascença.

Eduardo Lourenço espera que “um certo bom senso prevaleça no comportamento desses povos de que estamos dependentes, por exemplo a Alemanha”. “Não há mais solução”, sublinha.

Nesta entrevista à Renascença, Eduardo Lourenço olha também para a nova emigração, que considera um acto de "puro desespero", e fala também da "Grândola", a música de novo entoada e que o ensaísta diz esperar que não se torne violenta.

Eduardo Lourenço, que acaba de lançar o livro "Os militares e o poder", fala da obra publicada pela primeira vez depois do 25 de Abril e à qual acrescentou agora um capítulo sobre a actual situação dos militares. O ensaístas considera o livro uma espécie de “aviso à navegação”, numa altura de crise geral na Europa.

25.2.13

Cáritas apela à solidariedade dos cristãos para ajudarem país e Governo

in RR

A Semana Nacional da Cáritas Portuguesa, este ano centrada no tema “Fé comprometida, cidadania activa”, arranca este domingo. À Renascença, Eugénio da Fonseca diz ser preciso evitar o empobrecimento do país e alerta os cristãos para a sua responsabilidade social.

“Sabemos que qualquer Governo não conseguirá por si só resolver todos os problemas e, por isso, precisa sempre da colocação activa e continuada dos cidadãos. Por isso, este ano, na Semana Cáritas falamos de cidadania e, de certa forma, chamamos à atenção dos cristãos que eles têm uma responsabilidade acrescida do compromisso que decorre da fé que professam que se traduz no amor concreto aos outros”, disse o presidente da Cáritas.

As situações de emergência social atendidas por esta instituição da Igreja em 2012 aumentaram cerca de 60% em relação ao ano anterior.

O presidente da Cáritas Portuguesa aproveita para deixar dois recados ao Governo: “Há necessidade de haver ainda um aumento maior em termos de verbas para os próprios serviços da Segurança Social; e uma aposta no atendimento personalizado, aproveitamento a existência de redes informais, como as Conferências Vicentinas ou os grupos paroquiais de acções sociais, que na proximidade estão a fazer um trabalho preciso”.

Esta iniciativa é marcada a nível nacional pela realização do peditório que acontece em diversas cidades nacionais de 28 de Fevereiro a 3 de Março.

17.1.13

Associação "Habitat" reconstrói em Amarante casas de famílias carenciadas

in Visão on-line

A organização humanitária "Habitat" vai reconstruir este ano, em Amarante, em regime de voluntariado internacional, três habitações destinadas a famílias carenciadas, disse hoje, à agência Lusa, a presidente da associação em Portugal.

Helena Pina Vaz adiantou que em 2013 vai avançar a reconstrução de casas em Gondar, Olo e Telões. A responsável recorda que estas casas juntar-se-ão a outras seis reconstruídas, nos últimos três anos, nas freguesias de Bustelo, Fridão, Covelo, Gondar e Canadelo.

As casas são reconstruídas com mão-de-obra voluntária da associação, a maioria vinda do estrangeiro, e envolvendo trabalho direto das famílias beneficiadas. A Fundação Manuel António da Mota tem colaborado com alguns recursos financeiros.

30.12.12

Quase 1200 voluntários dão a mão a instituições

Patrícia Sousa, in Correio do Minho

“O melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros.”
in Baden-Powell


São cada vez mais os bracarenses que querem ajudar, mas não sabem muito bem como. Por isso, a porta do Banco Local de Voluntariado de Braga está sempre aberta para orientar os voluntários a ajudar quem mais precisa. Depois da experiência do voluntariado, “ganha-se uma postura e atitude diferentes, é mesmo uma experiência enriquecedora”, assegurou a responsável daquela instituição, Amélia Pereira.

Actualmente, estão inscritos no Banco Local de Voluntariado de Braga 1183 voluntários, sendo 83 as instituições que acolhem esses voluntários. “As pessoas estão mais sensibilizadas para a causa voluntária. Muitos querem ajudar mas não sabem como e procuram o banco, alguns chegam cá já aconselhados pelas associações”.

Os voluntários procuram mais as valências da infância (a nível de internato e de apoio educativo aos mais novos) e da terceira idade (lares e centros de dia), mas há instituições disponíveis também nas áreas da deficiência e centros de acolhimento de toxicodependentes.
“Nestes números não estão contemplados os voluntários que participam na campanha de re- colha de alimentos do Banco Alimentar Contra a Fome. Estes voluntários são os que têm uma rotina semanal ou quinzenal”, informou ainda a responsável.

No acto de inscrição, é feita a avaliação, a formação geral e a formação específica antes do voluntário integrar a instituição, sendo que esta integração é acompanhada por responsáveis do Banco Local de Voluntariado.
No caso do voluntário não se adaptar a nenhum projecto disponível no banco, é desafiado a apresentar os seus próprios projectos. Um bom exemplo disso é o projecto que está a ser desenvolvido na Quinta Pedagógica de Braga com crianças com paralisia cerebral.

“Contrariamente ao que se pensa, os voluntários não são apenas reformados, temos voluntários dos 16 aos 80 anos. Te mos voluntários muito heterogéneos a nível de idade e até de escolaridade, havendo muitos voluntários que não sabem ler nem escrever e outros que já têm doutoramento. Em relação ao sexo, 85 por cento dos nossos voluntários são mulheres”, revelou ainda a representante do banco local.

Viver para ajudar os outros

António Ribeiro é voluntário por opção e vive, literalmente, para os outros.

O trabalho diário no armazém do Banco Alimentar Contra a Fome, que abriu em Outubro de 2008, é apenas um dos muitos que faz questão de participar.

Voluntário por opção e acima de tudo por prazer. António Ribeiro foi um dos primeiros inscritos no Banco Local de Voluntariado de Braga e desde então marca presença em todas as iniciativas. “Está no Banco Alimentar desde o primeiro dia e é uma pessoa que vai para todo o lado que é contactado”, referiu a presidente do Banco Alimentar de Braga, Isabel Varanda, evidenciando o facto de António “gostar mesmo de participar e fazer sempre tudo com muita disponibilidade, empenho e prazer”.

Apesar de ser uma pessoa “com graves dificuldades económicas é impressionante como ainda consegue dar do que tem”. Isabel Varanda admitiu mesmo que “é uma pessoa extraordinária, que está mesmo envolvida na causa voluntária”.

António Ribeiro trabalhava na CP e quando se reformou não conseguiu viver muito tempo “sozinho”. “Já estava a entrar em depressão e isto para mim foi um escape, o antídoto total. Comecei pela Cáritas onde estive cinco anos, agora ajudo os outros. É mesmo muito gratificante. Chego a casa e sinto-me descansado em saber que contribuiu para a felicidade dos outros”, confidenciou visivelmente emocionado.

Sempre presente, António Ribeiro sente-se “totalmente realizado”. E foi mais longe: “o facto de saber que estou a ajudar milhares de famílias é um orgulho muito grande. Esta é a minha segunda casa e a remuneração é sentir-me útil”. A vontade de ajudar foi herdada da mãe. “A minha mãe já ajudava muito as famílias que mais precisavam. Agora é a minha vez de ajudar os outros enquanto estou por cá”, sublinhou.

António Ribeiro é um dos rostos diários do Banco Alimentar. De segunda a sexta-feira, o armazém está aberto aos voluntários e àqueles que podem e querem ajudar com bens alimentares. “Durante todo o ano, o armazém conta com cerca de 25 a 30 voluntários assíduos, que vêm pelo menos oito horas por semana trabalhar aqui. Alguns vêm todos os dias, outros vêm às segundas, quartas e sextas-feiras, depende da disponibilidade de cada um. O trabalho é feito só por essas pessoas”, frisou, entretanto, a responsável Isabel Varanda.
As instalações estão abertas de segunda a sexta-feira das 9.30 às 12.30 horas e das 14.30 às 16.30 horas.