Por Raquel Martins, in Público on-line
O risco de pobreza agravou-se ligeiramente para 18%. Famílias com filhos a cargo e desempregados estão entre os mais afectados.
Em 2010, 18% população residente em Portugal estava em risco de pobreza, um valor próximo dos 17,9% registados nos dois anos anteriores, revela o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, divulgado esta sexta-feira.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de risco de pobreza das famílias com crianças dependentes aumentou para 20,1%, um ponto percentual acima da taxa apurada em 2009. Este resultado piora no caso dos agregados constituídos por um adulto e uma criança (27,9%) e por dois adultos com três ou mais crianças (34,5%)
Já a taxa de risco de pobreza para a população idosa baixou para 20% em 2010 (21% em 2009), enquanto a taxa de risco de pobreza para os menores de 18 anos se manteve nos 22,4% e a da população activa aumentou de 15,7% em 2009 para 16,2% em 2010.
O risco de pobreza para a população em situação de desemprego em 2010 foi de 36%, uma redução de 0,4 pontos percentuais face ao ano anterior, enquanto a da população empregada registou um aumento de 0,6 pontos percentuais, situando-se nos 10,3% em 2010. A taxa de risco de pobreza para a população reformada correspondeu a 17,9% em 2010 (18,5% em 2009).
Transferências sociais com menor impacto
Os dados do INE revelam ainda que o impacto das transferências sociais na redução do risco de pobreza em 2010 foi inferior ao observado no ano anterior.
Considerando apenas os rendimentos do trabalho, 42,5% da população estaria em risco de pobreza (43,4% em 2009). Mas após o pagamento de prestações sociais relacionadas com doença e incapacidade, família, desemprego e inclusão social a taxa de risco de pobreza cai para 18%. Porém, o contributo destas prestações foi menor do que em 2009.
Já os rendimentos provenientes de pensões contribuíram para um decréscimo de 17,2 pontos percentuais do risco de pobreza, colocando a taxa nos 25,4% (26,4% em 2009).
A intensidade da pobreza aumentou ligeiramente. “A taxa de intensidade da pobreza, que mede a diferença entre o valor do limiar de pobreza e o rendimento monetário mediano das pessoas em risco de pobreza, foi de 23,2% em 2010, agravando-se a insuficiência de rendimento da população em risco de pobreza relativa face ao valor registado em 2009 (22, %)”, alerta o INE.
Habitação exige maior esforço
Os dados hoje divulgados permitem ainda analisar as condições de vida da população em 2011 e que, de uma forma geral, têm vindo a melhorar. Contudo, verificou-se um aumento significativo da população cujas despesas com habitação pesavam mais de 40% no rendimento disponível.
A chamada taxa de sobrecarga das despesas em habitação passou de 4,2% em 2010 para 7,2% em 2011.
No ano passado, 11% dos indivíduos viveram com insuficiência de espaço habitacional (taxa que compara com 14,6% em 2009) e 4% confrontaram-se com condições severas de privação habitacional, vivendo em casas sobrelotadas e com pelo menos uma insuficiência relativa a instalações de higiene, luz natural insuficiente ou problemas de humidade (em 2009, a taxa de privação severa foi de 5,6%).
Já no que respeita à privação material, os indicadores também melhoraram. A taxa de privação severa – que diz respeito a situações em que se verificam quatro de uma lista de nove dificuldades, onde se incluem a incapacidade para fazer face a um pagamento inesperado, atraso no pagamento de despesas regulares, não ter capacidade para fazer uma refeição de carne ou peixe de dois em dois dias, não ter acesso a automóvel, telefone fixo ou móvel e a uma semana de férias por ano – afectou 8,3% da população, um pouco melhor do que os 9% verificados em 2010.
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13.7.12
1,8 milhões de portugueses em risco de pobreza em 2010
in Jornal de Notícias
Inquérito do INE indica que 18% da população estava em risco de pobreza em 2010
Cerca de 1,8 milhões de portugueses estavam em risco de pobreza em 2010, sendo as famílias com crianças dependentes as mais atingidas, segundo um relatório do Instituto Nacional de Estatística.
O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado anualmente junto das famílias residentes em Portugal, indica que 18% da população estava em risco de pobreza em 2010, um valor próximo do registado nos dois anos anteriores (17,9%).
"Agravou-se ligeiramente a insuficiência de rendimento das pessoas em risco de pobreza face ao rendimento líquido monetário mediano, com uma taxa de intensidade da pobreza de 23,2% (22,7% em 2009)", adianta.
A taxa de risco de pobreza das famílias com crianças dependentes aumentou para 20,1%, mais dois pontos percentuais do que o valor registado para o total da população residente.
Já a taxa de risco de pobreza para a população idosa baixou para 20% em 2010 (21% em 2009), enquanto a taxa de risco de pobreza para os menores de 18 anos se manteve nos 22,4% e a da população ativa aumentou ligeiramente, passando de 15,7% em 2009 para 16,2% em 2010, sendo mais acentuada nos homens (0,7%) do que nas mulheres (0,3%).
O risco de pobreza para a população em situação de desemprego em 2010 foi de 36,0%, uma redução de 0,4 pontos percentuais face ao ano anterior, e a da população empregada registou um aumento de 0,6 pontos percentuais, situando-se nos 10,3% em 2010.
A taxa de risco de pobreza para a população reformada correspondeu a 17,9% em 2010 (18,5% em 2009).
O relatório refere também que o impacto das transferências sociais (excluindo pensões) na redução do risco de pobreza diminuiu de 8,5 pontos percentuais em 2009 para 7,3 pontos percentuais em 2010.
"Considerando apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, 42,5% da população residente em Portugal estaria em risco de pobreza em 2010", adianta.
Os rendimentos provenientes de pensões de reforma e sobrevivência contribuíram em 2010 para um decréscimo de 17,2 pontos percentuais, observando-se uma taxa de risco de pobreza após pensões e antes de transferências sociais de 25,4%.
Globalmente, o contributo das transferências sociais relacionadas com a doença e incapacidade, família, desemprego e inclusão social para a redução do risco de pobreza em 2010 foi inferior em quase um ponto percentual ao observado no ano anterior.
A taxa de intensidade da pobreza, que mede a diferença entre o valor do limiar de pobreza e o rendimento monetário mediano das pessoas em risco de pobreza, foi de 23,2% em 2010, agravando-se a insuficiência de rendimento da população em risco de pobreza relativa face ao valor registado em 2009 (22,7%).
O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento das Famílias (EU-SILC) é realizado em Portugal desde 2004, no quadro de legislação comunitária específica (Regulamento nº 1177/2003), que estabelece um sistema comunitário harmonizado de produção de estatísticas sobre a pobreza, privação e exclusão social.
Inquérito do INE indica que 18% da população estava em risco de pobreza em 2010
Cerca de 1,8 milhões de portugueses estavam em risco de pobreza em 2010, sendo as famílias com crianças dependentes as mais atingidas, segundo um relatório do Instituto Nacional de Estatística.
O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado anualmente junto das famílias residentes em Portugal, indica que 18% da população estava em risco de pobreza em 2010, um valor próximo do registado nos dois anos anteriores (17,9%).
"Agravou-se ligeiramente a insuficiência de rendimento das pessoas em risco de pobreza face ao rendimento líquido monetário mediano, com uma taxa de intensidade da pobreza de 23,2% (22,7% em 2009)", adianta.
A taxa de risco de pobreza das famílias com crianças dependentes aumentou para 20,1%, mais dois pontos percentuais do que o valor registado para o total da população residente.
Já a taxa de risco de pobreza para a população idosa baixou para 20% em 2010 (21% em 2009), enquanto a taxa de risco de pobreza para os menores de 18 anos se manteve nos 22,4% e a da população ativa aumentou ligeiramente, passando de 15,7% em 2009 para 16,2% em 2010, sendo mais acentuada nos homens (0,7%) do que nas mulheres (0,3%).
O risco de pobreza para a população em situação de desemprego em 2010 foi de 36,0%, uma redução de 0,4 pontos percentuais face ao ano anterior, e a da população empregada registou um aumento de 0,6 pontos percentuais, situando-se nos 10,3% em 2010.
A taxa de risco de pobreza para a população reformada correspondeu a 17,9% em 2010 (18,5% em 2009).
O relatório refere também que o impacto das transferências sociais (excluindo pensões) na redução do risco de pobreza diminuiu de 8,5 pontos percentuais em 2009 para 7,3 pontos percentuais em 2010.
"Considerando apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, 42,5% da população residente em Portugal estaria em risco de pobreza em 2010", adianta.
Os rendimentos provenientes de pensões de reforma e sobrevivência contribuíram em 2010 para um decréscimo de 17,2 pontos percentuais, observando-se uma taxa de risco de pobreza após pensões e antes de transferências sociais de 25,4%.
Globalmente, o contributo das transferências sociais relacionadas com a doença e incapacidade, família, desemprego e inclusão social para a redução do risco de pobreza em 2010 foi inferior em quase um ponto percentual ao observado no ano anterior.
A taxa de intensidade da pobreza, que mede a diferença entre o valor do limiar de pobreza e o rendimento monetário mediano das pessoas em risco de pobreza, foi de 23,2% em 2010, agravando-se a insuficiência de rendimento da população em risco de pobreza relativa face ao valor registado em 2009 (22,7%).
O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento das Famílias (EU-SILC) é realizado em Portugal desde 2004, no quadro de legislação comunitária específica (Regulamento nº 1177/2003), que estabelece um sistema comunitário harmonizado de produção de estatísticas sobre a pobreza, privação e exclusão social.
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