13.11.15

Primeiros refugiados já estão no concelho de Sintra

In Jornal da Região- Sintra

Já chegaram ao concelho de Sintra os primeiros refugiados. A primeira família chegou no passado fim-de-semana, tendo sido instalada num imóvel que se encontrava devoluto no Cacém. Entretanto, esta terça-feira, foi celebrado o protocolo que consubstancia o acolhimento e integração dos migrantes, celebrado entre a Câmara de Sintra e o Conselho Português para os Refugiados (CPR).

Prevista a integração de duas famílias, para já apenas foi acolhido um casal, com dois filhos, oriundo do Sudão, que se encontrava, provisoriamente, num campo de refugiados no Egipto. Para o CPR, este protocolo é muito importante por dar resposta a “um imperativo ético e a uma necessidade que Portugal tem em contribuir para este problema humanitário”, frisou Maria Teresa Tito de Morais. “A Europa enfrenta hoje a mais grave crise humanitária desde a II Guerra Mundial”, alertou a presidente do CPR.

Para Basílio Horta, presidente da Câmara, Sintra não podia ficar à margem do processo de integração e acolhimento dos refugiados, mas respeitando “a plenitude da sua condição humana: que as necessidades essenciais sejam satisfeitas e que a integração seja verdadeira. Não queremos ter, seis meses depois da integração, pessoas abandonadas à sua sorte, sem emprego e sem esperança no futuro”.

Para o efeito, a autarquia já dispõe de um plano para o acolhimento e integração de refugiados no concelho de Sintra, que envolve diversas entidades da sociedade civil. Com uma dotação até 500 mil euros, a integração e acolhimento dos migrantes não vai pôr em causa o apoio social prestado aos munícipes com carências económicas. “Não vamos dar mais do que damos à nossa gente, às nossas famílias”, frisou o edil, reconhecendo que o concelho tem vastos problemas no domínio social.

No âmbito do protocolo agora celebrado, o CPR, organização não-governamental que representa em Portugal o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, terá a seu cargo a recepção das famílias, disponibilizando um intérprete e apoio no equipamento das habitações e pagamento da renda mensal. Duas habitações devolutas no Cacém, detidas pelo município e situadas na zona de intervenção do programa de reabilitação urbana Polis, foram objecto de pequenas reparações, feitas por funcionários municipais e voluntários do CPR, para receber os primeiros migrantes.