17.9.14

Miguel Frasquilho: É necessário "baixar a carga fiscal" sobre empresas e famílias

in Negócios on-line

Frasquilho defendeu ainda que as empresas nacionais precisam de investir mais além-fronteiras. "O país e os empresários nacionais necessitam de apostar cada vez mais nos mercados externos", afirmou.

Miguel Frasquilho, presidente da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, considera que é necessário "baixar a carga fiscal" que incide sobre empresas e famílias. Só assim, acredita, será possível potencializar o crescimento das exportações e da própria economia.

O responsável falava durante a primeira sessão do "Roadshow" Portugal Global, realizada esta quarta-feira, 17 de Setembro, em Leiria. No discurso de abertura, Frasquiho defendeu ainda que as empresas nacionais precisam de investir mais além-fronteiras. "O país e os empresários nacionais necessitam de apostar cada vez mais nos mercados externos", afirmou.

O "roadshow" Portugal Global vai percorrer doze cidades portuguesas até Setembro do próximo ano, apresentando estratégias para a internacionalização da economia portuguesa a partir das características do seu tecido empresarial.

"Com esta iniciativa pretende-se dar um maior impulso às exportações e à internacionalização da economia portuguesa", explicou Miguel Frasquilho, recordando que as exportações superam já 40% do produto interno bruto.

Leiria analisa mercados polaco e japonês

Em Leiria, o evento abordará os mercados polaco e japonês, focando-se, respectivamente, nos segmentos agroalimentar e casa. Frasquilho considera que as exportações para estes dois países estão "longe, muito longe mesmo, daquilo que pode vir a ser real".

As exportações de Portugal para a Polónia – que apresentam já "alguma relevância para a economia portuguesa" – representaram 537 milhões de euros em 2013. Nesse ano, o país foi o 17º maior cliente de bens e serviços nacionais. Neste mercado, Portugal poderá beneficiar se optar por uma "abordagem diferenciadora" em produtos como carne suína, peixe, mariscos e frutas.

Já o mercado japonês mostra-se "menos significativo", referiu o líder da AICEP. As exportações portuguesas para território nipónico representaram 140 milhões de euros em 2013, fazendo do país o seu 35º maior cliente.

De acordo com Jorge Santos, presidente da NERLEI - Associação Empresarial da Região de Leiria, o distrito viu o peso das exportações duplicar na última década. Jorge Santos definiu Leiria como um distrito de PME "com forte componente exportadora" mas lamentou os elevados preços da energia eléctrica e gás natural como factores que poderão prejudicar a evolução positiva da actividade empresarial.

Violência doméstica aumentou 2,3% no primeiro semestre

in Jornal de Notícias

As forças de segurança receberam 13.071 queixas de violência doméstica no primeiro semestre do ano, mais 291 do que no mesmo período de 2014, segundo um relatório da Direção-Geral da Administração Interna.

O relatório anual de monitorização referente à violência doméstica de 2013 adianta que, no primeiro semestre de 2014, as queixas registadas pela PSP e GNR aumentaram 2,3% face a igual período do ano passado.

Segundo o documento, publicado na página da internet da Direção-Geral da Administração Interna (DGAI), a PSP registou 7.574 denúncias nos primeiros seis meses do ano (mais 1,7%) e a GNR 5.497 queixas (mais 3,1%).

"Os dados relativos ao primeiro semestre de 2014 apontam para a manutenção de um aumento no número de ocorrências participadas às forças de segurança", refere o relatório.

O maior número de queixas verificou-se nos distritos de Lisboa (2.875), Porto (2.544) e Setúbal (1.133).

Já os distritos que registaram um aumento de participações no primeiro semestre foram a Guarda (34,6%) e Viseu (28,4%), indica o relatório.

Em 2013 foram registadas pela PSP e GNR 27.318 participações de violência doméstica, correspondendo a um aumento de 2,4% relativamente a 2012.

O relatório anual de monitorização adianta que, em 2013, foi em agosto que se registaram mais ocorrências, que aconteceram durante o fim de semana, maioritariamente de noite e de madrugada.

Metade das denúncias foi feita presencialmente e, em 71% dos casos, a intervenção policial ocorreu a pedido da vítima, refere o documento, sublinhando que em 39% dos casos as ocorrências foram presenciadas por menores, proporção ligeiramente inferior à registada em anos anteriores.

A maioria das vítimas não sofreu ferimentos graves, nem foram sujeitas a internamentos hospitalares, estando a violência física presente em 71% das situações e a psicológica em 80%.

Aumento do salário mínimo à espera de "luz verde"

in TSF

Representantes do Governo e dos parceiros sociais reúnem-se hoje para discutir o aumento do Salário Mínimo Nacional. A TSF foi conhecer um casal que todos os meses faz contas para viver e ouvir representantes dos setores têxtil e da restauração.

A repórter Liliana Costa à conversa com um casal de Guimarães que vive com dois salários mínimos e que não se entusiasma com eventual aumento

A discussão vai decorrer no âmbito de um grupo de trabalho específico para este tema, criado na Concertação Social. O aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) não fazia parte da ordem de trabalhos da última reunião, mas as duas centrais sindicais colocaram o assunto à discussão para reafirmar as suas reivindicações.

A CGTP-IN considerou que «estão reunidas todas as condições económicas e sociais para que a atualização do salário mínimo tenha efeitos imediatos, pelo que não há razões nem desculpas para novos protelamentos». A UGT também reivindicou o aumento do salário mínimo, porque considera a questão prioritária.

As confederações patronais, embora se disponibilizem para discutir esta questão, não se têm manifestado favoráveis a um aumento da remuneração ainda este ano.

A propósito deste debate, a TSF conversou com um casal de Guimarães, que ganha o SMN, não se entusiasma com eventual aumento médio de 20 euros, pois feitas as contas ao que vão descontar, «chegamos ao fim com 5 ou 10 euros a mais. E isso não é nada».

Vera e Cristiano Silva queixam-se do elevado custo de vida e confessam que os 485 euros que cada um ganha nem sempre chegam ao fim do mês. Estão cansados de fazer contas à vida e estão determinados a procurar futuro lá fora.

A TSF ouviu também representantes dos setores têxtil e da restauração, onde ainda se pagam salários mínimos.

No têxtil, há condições para aumentar o SMN mas esperam que esse aumento não ultrapasse os 500 euros. Na restauração, avisam que aumentar o SMN implicará mais desemprego. Ambos os setores consideram o debate prematuro e defendem que antes era preciso discutir a competitividade das empresas.

Meio milhão de portugueses precisa de ajuda alimentar

Ana Cristina Pereira, in Público on-line

Arranque do Fundo Europeu de Auxílio aos Carenciados, que destina 157 milhões de ajuda até 2020, gerou problemas logísticos nos bancos alimentares

Os melões eram dois e já estavam maduros. Andreia Malhadinhas recebeu-os com um par de beterrabas, quatro iogurtes e muitas maçãs. Nem lhe passou pela cabeça a guerra na Ucrânia, as sanções decretadas pela União Europeia, a reacção russa de limitar ou proibir a compra de alimentos produzidos no espaço comunitário. Para ela, quem lhe dera aquilo fora “dona Lina”, funcionária do refeitório da instituição particular de solidariedade social que lhe evita a fome, a Qualificar para Incluir (QPI).

É de gente que salta refeições ou come mal que se fala quando se fala de fome em Portugal, sublinha Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Diocesana. O problema subsiste, apesar da eventual solidariedade e do Programa de Emergência Alimentar – que em Junho somava 852 instituições com protocolos com o Estado para entregar refeições a famílias carenciadas. E nenhum grupo etário é tão afectado pela privação como as crianças. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, no ano passado 2,2 % dos menores de 15 anos pertenciam a famílias que não lhes garantiam pelo menos uma refeição diária de carne ou peixe e 1,4% não comiam fruta e legumes uma vez por dia.

A notícia do embargo de alimentos europeus desesperou inúmeros produtores de frutas e de legumes. A Comissão Europeia decidiu comprar o que era suposto seguir para o mercado russo. Em Portugal, o destino de tais produtos seria a casa das famílias carenciadas, como a de Andreia. Era Agosto. Nunca o Banco Alimentar do Porto entregara, de uma só vez, tantos produtos frescos à QPI.

O relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e para a Agricultura (FAO) divulgado esta terça-feira diz que há 15 milhões de pessoas sem segurança alimentar na Europa, isto é, sem acesso a “alimentos suficientes, seguros e nutritivos”. E Portugal é um dos países da União Europeia que mais recebem verbas para enfrentar esse problema. Foram-lhe atribuídos 157 milhões de euros do Fundo Europeu de Auxílio aos Carenciados (FEAC), o substituto do Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados, que era desde 1987 uma importante fonte de abastecimento das instituições de apoio aos mais pobres.

Número de famílias aumenta
Andreia está a criar dois filhos sozinha – Rúben, de 13 anos, e Nair, de cinco. Não lhe renovaram o contrato no café-restaurante e ela não assinou outro. “Vão cortando o subsídio de desemprego. Quando se vai a ver não é nada. Agora, recebo 223 euros. Nem chega para pagar a renda!”, comentava. Organizava-se com esse dinheiro, os abonos e a pensão de alimentos da filha – do filho, nada. Estaria desesperada, com as cantinas escolares fechadas, não fosse a QPI entregar-lhes três bem servidas refeições, que repartia pelo jantar de cada noite e o almoço do dia seguinte. E de quando em quando algum cabaz de produtos vindos do banco alimentar.

De acordo com o Instituto de Segurança Social, em 2013 os bens alimentares o programa comunitário chegaram a 506.367 pessoas, num total de 134.668 famílias. No ano anterior, tinham chegado a 525.145 pessoas – 121.220 famílias. A diminuição de indivíduos e o aumento de famílias prende-se com uma alteração nos critérios de elegibilidade definidos pela Comissão Europeia.

O velho programa, através do qual Portugal recebeu 135 milhões de euros, nasceu para escoar os excedentes agrícolas. Decidiu a Comissão Europeia acabar com ele, atendendo à “elevada imprevisibilidade dos stocks, consequência de sucessivas reformas da Política Agrícola Comum”.

O novo fundo deve agora garantir a continuidade do apoio alimentar. Aos 157 milhões previstos há que somar dez milhões da contrapartida nacional, o que eleva o orçamento 2014-2020 para 167 milhões de euros.

Para evitar quebra na distribuição, o Conselho de Ministros deu ao Instituto de Segurança Social autorização para gastar já os dez milhões de euros em compras. E no início do ano abriram-se os concursos públicos internacionais para contratar as empresas fornecedoras de 21 produtos alimentares.

Em resposta ao PÚBLICO, por email, o Instituto da Segurança Social esclarece que para “abreviar os procedimentos manteve-se o cabaz de produtos distribuídos em 2013”. Só que alguns concursos foram impugnados e, por exemplo ao Algarve, só no princípio do Verão o banco alimentar foi abastecido. E a Segurança Social não pagou os custos de armazenamento e transporte.

Duzentas toneladas de alimentos vieram de uma só vez, diz Nuno Cabrita Alves, responsável pelo Banco Alimentar do Algarve. Sem orçamento para arrendar mais um espaço, pediu ao Mercado Abastecedor de Faro para lá guardar produtos. Recorreu a outras entidades para uso de material, empilhadoras incluídas. E a beneficiários de rendimentos social de inserção para ajudar. Vieram depois as instituições que fazem entrega directa às famílias levantar os produtos.

16.9.14

Uma em cada nove pessoas ainda passa fome

in RR

Organização para a Alimentação e Agricultura considera que é preciso mais esforços, sobretudo na África subsariana, no sul e no ocidente asiático.

Mais de 100 milhões de pessoas tiveram acesso a alimentação na última década, mas há ainda mais de 805 milhões que passam fome, ou seja, uma em cada nove pessoas não tem alimento suficiente.

Os dados são avançados no relatório da organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) sobre o estado da segurança alimentar no mundo.

De acordo com o documento publicado esta terça-feira, o retrato mostra que a luta contra a fome está a ter resultado.

Sessenta e três países em desenvolvimento, entre os quais o Brasil e a Indonésia, já atingiram os objectivos do milénio e outros seis estão quase a alcançar a redução para metade do número das pessoas que vivem com fome e na pobreza. Ainda assim, o relatório indica que é preciso fazer mais, sobretudo na África subsariana, no sul e no ocidente asiático.

Este relatório vai ser discutido em meados de Outubro, num encontro promovido, em Roma, pela FAO, com representantes governamentais, sociedade civil e sector privado.

Economistas prevêem taxa de desemprego abaixo dos 14% a partir do terceiro trimestre

por Jornal de Negócios

A economia portuguesa vai crescer 0,9% este ano e 1,5% em 2015, de acordo com as previsões dos economistas, que estão ligeiramente mais optimistas para o próximo ano. O desemprego deverá descer abaixo dos 14% no terceiro trimestre, mas permanecer acima dos 13% em 2015.

Os economistas mantiveram a perspectiva de crescimento para o produto interno bruto (PIB) de Portugal este ano e melhoraram a estimativa para o próximo ano em uma décima.

De acordo com a média das projecções dos economistas consultados pela Bloomberg, que a agência divulgou esta segunda-feira, o PIB de Portugal crescerá 0,9% este ano, 1,5% em 2015 e 1,9% em 2016. Nas previsões anteriores os economistas apontavam para que o PIB crescesse 1,4% em 2015 e 1,5% em 2016.

Nas previsões para a evolução do PIB no trimestre, os economistas antecipam um crescimento homólogo de 0,9% no terceiro trimestre e 0,7% nos últimos três meses do ano. As projecções apontam para uma expansão mais forte no primeiro trimestre (1,6%) e segundo trimestre (1,4%) de 2015.

Já no que diz respeito ao desemprego os economistas fizeram revisões mais pronunciadas às suas estimativas. As projecções apontam agora para que a taxa de desemprego fique abaixo dos 14% já a partir do actual trimestre, embora permaneça acima dos 13% nos trimestres seguintes.

Segundo estas estimativas hoje divulgadas, a taxa de desemprego descerá para 13,9% no terceiro trimestre, 13,7% nos últimos três meses deste ano, descendo depois para 13,5% no segundo trimestre de 2015. Em Julho, segundo o Eurostat, a taxa de desempego desceu para 14%. O Governo estima uma taxa de desemprego de 14,2% este ano.

No conjunto do ano, as estimativas apontam para uma taxa de desemprego de 14,3% este ano, 13,6% em 2105 e 13,4% em 2016. Antes os economistas antecipavam uma taxa de desemprego de 15,1% este ano, 14,7% em 2105 e 14,3% em 2016.

Portugal entre os quatro países com taxa de vagas de trabalho mais baixa da União Europeia

por Diogo Cavaleiro, in Negócios on-line

0,6% dos postos de trabalho existentes em Portugal estavam vagos no segundo trimestre do ano. É a mesma percentagem dos três meses anteriores. E é uma das mais baixas da União Europeia, onde a média se situa nos 1,6%.

Primeiro, Letónia. Depois Polónia. Seguem-se Espanha e Portugal. São estes os quatro países da União Europeia em que as vagas no mercado de trabalho representam a percentagem mais baixa face a todos os postos de trabalho existentes (vagos ou ocupados).

A taxa portuguesa fixou-se em 0,6% no segundo trimestre do ano, idêntica à dos primeiros três meses, segundo dados do gabinete de estatísticas europeu. Na comparação com o mesmo período do ano passado, há já uma melhoria: o número de postos de trabalho vagos aumentou de 0,4% para os referidos 0,6%.

A taxa de posto de trabalho vago expressa-se através da divisão do número de postos de trabalho vagos sobre o número de postos de trabalho ocupados somados ao número de postos de trabalho vagos.

Portugal apresenta então, neste campo, um dos números mais reduzidos no segundo trimestre. A percentagem mais baixa é a da Letónia, com 0,4%. A da Polónia é de 0,5% no primeiro trimestre, dado que valores do período entre Abril e Junho são confidenciais. Portugal e Espanha têm 0,6% dos postos de trabalho de toda a economia vagos. A média comunitária é de 1,6%, a da Zona Euro é de 1,7%. A Alemanha, com 2,8%, e a Bélgica, com 2,4%, são as economias em que há mais postos de trabalho disponíveis, de acordo com o Eurostat.

A taxa de "ocupação" dos postos de trabalho subiu em Portugal na comparação homóloga, pelo que o país acompanhou a evolução da média comunitária na transição entre estes períodos. "A taxa subiu em 15 países, permaneceu estável em quatro e caiu em sete comparativamente com o segundo trimestre de 2013", escreve o Eurostat. A média de 1,7% na Zona Euro é a mais elevada dos dois últimos anos, ainda que não tenha chegado aos valores anteriores a 2007, antes da crise financeira global que teve um forte impacto no mercado de trabalho.

Em Portugal, a recuperação desta taxa no último ano aconteceu depois de muitos empregos terem sido destruídos na sequência das medidas de austeridade impostas na sequência do resgate financeiro. A taxa de desemprego também tem vindo a cair nos últimos meses, depois de ter alcançado máximos. A recuperação económica que se sentiu no mesmo período poderá ter dado aos empregadores uma maior disponibilidade para contratar em 2014 do que no arranque de 2013, ainda que sem grandes euforias, dada a baixa taxa.

Posto vago, posto ocupado

O Eurostat explica que um "posto de trabalho vago" é um posto remunerado (criado recentemente, sem ocupação ou que irá, em breve, ficar disponível), para o qual um empregador está activamente à procura de um candidato. Uma procura que pode acontecer tanto dentro como fora da empresa que dirige. O objectivo é ocupar aquele posto no momento ou no curto prazo.

Por sua vez, um "posto de trabalho ocupado" é já um posto remunerado por uma empresa.

A taxa de postos de trabalho vagos faz a divisão entre o número de postos de trabalho vagos sobre a soma entre postos de trabalho ocupados e postos de trabalho vagos. O que dá a percentagem de "vagos" que existem numa determinada economia.

Custo da mão-de-obra em Portugal sobe 3,1%

por Texto da Lusa, publicado por Lina Santos, in Diário de Notícias

O custo da mão-de-obra aumentou 3,1% em Portugal no segundo trimestre, face ao mesmo período do ano passado, enquanto tanto na zona euro como no total da União Europeia estes custos subiram 1,2%.

Segundo os dados hoje divulgados pelo Eurostat, o preço por hora da mão-de-obra cresceu na Europa entre abril e junho (1,2%) acima do registado no primeiro trimestre deste ano, quando subiu 0,6% nos 18 países da zona euro e 1,0% nos 28 Estados-membros da UE.

O Eurostat reviu ainda hoje em baixo os dados para Portugal relativos ao trimestre anterior, apontando agora que o custo da mão-de-obra caiu 1,4% entre janeiro e março. Em junho, o Eurostat tinha indicado que os custos do trabalho por hora tinha subido 1,5% no primeiro trimestre em termos homólogos.

O índice de custo da mão-de-obra é um indicador conjuntural da evolução dos custos horários suportados pelos empregadores e é calculado dividindo o custo da mão-de-obra pelo número de horas trabalhadas.

Os dois principais componentes dos custos de trabalho são os salários e outras despesas, como obrigações sociais a cargo do empregador.

Em Portugal, no segundo trimestre e para o total da economia, os salários subiram 2,6%% e as "outras despesas" 4,9%.

FAO: 100 milhões de pessoas salvas da fome na última década

Cláudia Arsénio com AFP, in TSF

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação anunciou hoje, em Roma, que 100 milhões de pessoas foram salvas da fome nos últimos dez anos. Ainda assim, sublinha a organização, há 805 milhões a passar fome no mundo.

A melhoria, apesar das fortes disparidades regionais, deverá permitir atingir os "Objetivos do Milénio", fixados pelas Nações Unidas em 2000, e que preveem a diminuição para metade do número de pessoas com fome em 2015, precisou a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

Globalmente, os números da fome diminuíram em todo o mundo. A percentagem de pessoas sub-nutridas passou, na última década, de 18,7% para 11,3% da população mundial. Nos países em desenvolvimento, a proporção passou de 23,4% para 13,5%.

No entanto, a FAO sublinha neste relatório elaborado com o Programa Alimentar Mundial (PAM) e o Fundo Internacional de Desenvolvimento da Agricultura (FIDA), que a luta contra a fome no mundo revela profundas disparidades regionais.

Na África subsaariana, por exemplo, o progresso foi reduzido nos últimos anos e uma em cada quatro pessoas está subnutrida. O relatório destaca, no entanto, que há motivos para ter esperança devido ao crescente compromisso político na luta contra a fome.

A FAO acredita que um forte crescimento económico vai melhorar as condições de vida da população. De acordo com o texto, sete das dez economias que estão a desenvolver-se a um nível mais rápido estão em África.

15.9.14

Traficantes afundaram barco com 500 imigrantes ilegais

in Jornal de Notícias

A Organização Internacional para as Migrações afirmou, esta segunda-feira, que podem ter morrido cerca de 500 pessoas no seguimento de um desentendimento entre os traficantes e os passageiros ilegais que tentavam chegar à Europa num barco, na semana passada.

De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que cita dois palestinianos sobreviventes do naufrágio, que foram recolhidos pelas autoridades italianas na quinta-feira, um barco com cerca de 500 passageiros foi afundado de propósito pelos traficantes, depois de se terem recusado a mudar de barco durante a travessia, por acharem que a nova embarcação era demasiado pequena para todos.

"Dois sobreviventes trazidos para a Sicília disseram-nos que havia pelo menos 500 pessoas a bordo. Outros nove sobreviventes foram salvos por barcos gregos e malteses, mas todos os restantes parecem ter morrido", disse o porta-voz da OIM em Itália, Flavio Di Giacomo, à AFP.

De acordo com os sobreviventes, os migrantes sírios, palestinianos, egípcios e sudaneses partiram de Damietta, no Egito, a 6 de setembro, e foram obrigados a mudar de barco diversas vezes durante a viagem marítima.

Numa dessas vezes, os traficantes, que seguiam num barco à parte, obrigaram-nos a entrar numa embarcação mais pequena, que muitos dos passageiros consideraram não ser suficientemente grande para os acolher a todos.

No seguimento da discussão e da recusa em mudar de barco, os traficantes embateram a sua embarcação no barco com os passageiros por diversas vezes até a virarem, afundando-a.

A polícia italiana já abriu um inquérito para apurar as causas do sucedido.

De acordo com a marinha italiana, quase 2.400 migrantes foram recolhidos no fim de semana pelo destacamento naval italiano 'Mare Nostrum', criado na sequência de dois desastres marítimos em outubro do ano passado, que mataram cerca de 400 pessoas.

Rede Europeia Anti-Pobreza pede nova análise do Governo

in Diário do Minho

Metas da Estratégia 2020 Rede Europeia Anti-Pobreza pede nova análise do Governo A Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal analisou o relatório “Ponto de Situação das Metas em Portugal”, que avalia os objetivos da Estratégia 2020, e pede ao Governo português uma «nova reflexão» com outros «documentos oficiais e fontes nacionais».

«Embora o documento saliente que Portugal se encontra no caminho da concretização das metas estabelecidas, a análise apresentada é meramente descritiva tendo por base números e taxas que indicam, na maior parte dos casos, cenários otimistas», explica a EAPN Portugal.

No comunicado enviado à Agência Ecclesia, a organização alerta que o documento apresenta uma imagem «da pobreza e da exclusão social no país distorcida» que tem «necessariamente consequências na definição das políticas e medidas dirigidas a esta problemática».

A EAPN Portugal sugere uma «nova reflexão» dos dados presentes no documento “Ponto de Situação das Metas em Portugal” com base noutros «documentos oficiais e fontes nacionais» que reflitam um país com «sérios riscos no cumprimento das metas da Estratégia 2020».

Para a Organização Não-Governamental (ONG), o documento de abril de 2014 apresenta dados «muito genéricos que não parece ser congruente com as notícias e relatórios publicados durante este período» onde «não se faz uma leitura clara e real em termos económicos e sociais».
Redação/Ecclesia

OCDE: recuperação da zona euro permanece dececionante

in TSF

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reviu hoje em baixa as perspetivas de crescimento das suas economias mais avançadas, assinalando, no entanto, que a zona euro continua a ser "a ovelha negra" da recuperação.

De acordo com a avaliação económica intercalar da OCDE, hoje divulgada, a zona euro apresenta hoje um risco de deflação que poderá perpetuar a sua situação e até mesmo agravar a crise da dívida.

A OCDE estima que o Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro aumente este ano 0,8%, menos quatro décimas face às estimativas de maio, e 1,1% em 2015 (menos seis décimas).

Também corrigiu em baixa as suas estimativas para os EUA, ainda que considere que a sua expansão vá no bom caminho, depois dos efeitos negativos de um inverno particularmente duro no início de 2014, com uma expansão de 2,1% este ano (2,6% em maio) e 3,1% em 2015 (3,5% na estimativa anterior).

Para o Reino Unido, a OCDE estima o crescimento de 3,1% em 2014 e 2,8% em 2015 e no Japão a atividade económica deverá aumentar 0,9% em 2014 e 1,1% em 2015.

Dentro da zona euro, a OCDE apenas divulgou dados relativos aos três maiores países, entre os quais a Alemanha, que em 2014 e 2015 deverá crescer 1,5%, França, que deverá melhorar a sua atividade económica em 0,4% este ano e 1% em 2015, e Itália, que manterá este ano uma recessão de 0,4% e apenas recuperará 0,1% em 2015.

A OCDE também incluiu previsões para as grandes economias emergentes, com a China a crescer 7,4% este ano e 7, 3% em 2015.

Para o Brasil, a OCDE espera que o PIB avance 0,3% no conjunto de 2014 e recupere 1,4% em 2015, com a organização a apontar que sobre a economia brasileira pesam as incertezas políticas e também a necessidade de introdução de medidas monetárias e fiscais.

"É preciso criar emprego e estabilidade no emprego" - Entrevista a Isabel Jonet

Leonor Paiva Watson, in Jornal de Notícias

Isabel Jonet, presidente da Federação dos Bancos Alimentares, disse recentemente que é preciso acabar com o ciclo da pobreza intergeracional e que as famílias não podem encarar a assistência como uma forma de vida. Nesta entrevista acrescentou, porém, que é necessário investir na Educação e no acompanhamento destes agregados, incutindo-lhes a possibilidade de quebrar o cicio. Admitiu ainda que urge criar emprego e segurança no emprego; bem como olhar para a classe média.

[aceda à entrevista na íntegra aqui]

Metro Sul do Tejo lança campanha para desempregados

in Notícias ao Minuto

A empresa Metro Sul do Tejo (MST) anunciou hoje que vai lançar uma campanha de desconto de 25% na compra do passe mensal para desempregados que residam nos concelhos de Almada e Seixal.

Mediante a apresentação nos postos de venda assistida de um comprovativo da situação de desemprego, a empresa disponibilizará ao desempregado um desconto de 25% na aquisição do passe, numa campanha que decorre de 16 de setembro a 25 de dezembro.

"Todos os anos, por ocasião da Semana da Mobilidade, procuramos encontrar uma forma de colaborar. Tendo em conta a crise e os problemas do desemprego, chegámos a esta ideia", disse à agência Lusa José Luís Brandão, administrador da empresa.

A campanha permitirá a estas pessoas deslocarem-se na rede do Metro Sul do Tejo durante 30 dias por 12,55 euros. O passe do MST custa 16,75 euros.

"É uma forma de chamar a atenção para o problema e integra-se na responsabilidade social da empresa. Esta iniciativa tem uma duração limitada, mas vamos ver que impacto terá. Se for positivo e se tiver uma adesão significativa poderemos prolongar a campanha", adiantou.

José Luís Brandão lembrou que existem 18.500 pessoas inscritas nos centros de emprego dos dois concelhos agora abrangidos por esta iniciativa.

«Europa 2020»: Objetivos sociais e ecológicos

in Agência Ecclesia

Seminário Internacional promovido pela LOC/MTC afirma que estão em causa


Oliveira de Azeméis, Aveiro, 14 jun 2014 (Ecclesia) - A Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) afirmou hoje em comunicado que as políticas sociais e económicas impedem que se atinjam os objetivos anunciados na estratégia “Europa 2020” de “uma Europa Social e Ecológica”.

No documento conclusivo do Seminário Internacional sobre “Crescimento Inteligente, Sustentável e Inclusivo – na estratégia Europa 2020”, enviado hoje à Agência ECCLESIA, a LOC/MTC afirma que no continente "existem muitas contradições, e, para lá dos documentos e de algum discurso oficial, tem seguido o caminho contrário”.

Para os participantes no seminário, “a redução da intervenção dos Estados, a desregulamentação, o aumento do desemprego, a recessão económica, a redução das políticas sociais, a desvalorização do trabalho e de quem o executa e o bloqueio da contratação coletiva e da justiça social” impede que se atinjam os “objetivos anunciados de uma Europa Social e Ecológica”,

A LOC/MTC afirma a necessidade de “mobilização e participação das populações” para “alterar as estruturas e mudar a situação, continuando a defender o espaço Europa, com trabalho humano e investigação não subjugados ao capital e ao lucro”.

Para os participantes no Seminário, que decorreu em Oliveira de Azeméis (distrito de Aveiro), é necessário impor “regras limite aos mercados; valorizar ciclos de economias regionais; associar políticas de desenvolvimento às climáticas; fomentar regras de comércio justas e qualitativas; aproveitar melhor os recursos e as novas tecnologias”.

A LOC/MTC defende ainda que devem ser aproveitados "todos os meios para eliminar a pobreza, promovendo a justa distribuição da riqueza” e que não se pode “abdicar da dignidade e do valor das pessoas”, garantindo-lhes “o trabalho digno e justamente remunerado”.

Os trabalhadores cristãos sustentam que “não deixar esquecer os valores e a necessidade de dignificar o trabalho e os trabalhadores” e “reviver a esperança de que se pode rejeitar esta economia que mata” são os desafios a vencer.

No documento conclusivo do seminário, que decorreu entre os dias 6 e 8 de junho, afirma-se a necessidade de garantir a "sustentabilidade do planeta”, “travar as alterações climáticas, preservar os recursos e respeitar o equilíbrio da natureza”.

O Seminário Internacional sobre “Crescimento Inteligente, Sustentável e Inclusivo – na estratégia Europa 2020” contou com participantes de Movimentos Operários de Portugal , Espanha Alemanha e Bélgica e do EZA – Centro Europeu para os Assuntos dos Trabalhadores e Base-FUT.

Durante a iniciativa, os participantes conheceram projetos de dignificação do trabalho na freguesia de S. Roque, onde decorreu o encontro, no município de Oliveira de Azeméis e em indústrias da região.

PR

Porto. Evento solidário com sem-abrigo mistura várias actividades

in RR

Edifício Transparente acolhe este fim-de-semana iniciativa que inclui recolha de alimentos para os sem-abrigo, promovida pela associação Heróis do Mar.

Há artesãos, pequenos produtores agrícolas e de produtos "gourmet" artesanais. Há surfistas e músicos. A marginal do Edifício Transparente, no Porto, recebe este sábado e domingo uma iniciativa de solidariedade com os sem-abrigo.

O evento, das 11h00 às 20h00, combina um "mercadinho de sabores" e de artesanato urbano com uma acção de solidariedade social de recolha de alimentos para os sem-abrigo, promovida pela associação Heróis do Mar.

O encontro de artesãos, pequenos produtores agrícolas e de produtos "gourmet" artesanais acontecerá no exterior do edifício, onde estará disponível um ponto de recolha dos bens.

Para assinalar o evento, artesãos, escolas de surf e outras entidades associaram-se na construção de uma agenda de "workshops" (de chocolate ou pintura infantil), de aulas de surf, conferências sobre "coaching" e ainda performances musicais, todas de acesso gratuito.

Cáritas pagou mais de seis mil euros de propinas a 14 famílias

in RR

Verba sai do Fundo Social Solidário criado em 2011

Querem mas não podem. Quatro em cada 10 jovens sem dinheiro para estudar

O pagamento de propinas universitárias tem absorvido a maior parte da parcela financeira do Fundo Social Solidário com que a Cáritas tem ajudado famílias em matéria de educação, ultrapassando os seis mil euros nos primeiros sete meses de 2014.

Dados da Cáritas Portuguesa, a que a agência Lusa teve acesso, mostram que, entre Janeiro e Julho, saíram do Fundo Social Solidário 6.170,66 euros para ajudar 14 famílias portuguesas a pagarem as propinas universitárias.

Este valor representa 39,3% da verba do fundo aplicado em necessidades educativas nestes primeiros sete meses do ano, e que totalizou 15.667,70 euros, distribuídos por 34 famílias.

Entre outras situações, esta verba auxiliou cinco pessoas na sua formação, quatro famílias pagarem as mensalidades no ensino pré-escolar, duas a pagarem material escolar e deslocações.

Em comparação com o mesmo período do ano passado, é possível constatar que, ao nível da educação, a Cáritas apoiou em 2014 menos famílias, mas com mais verbas, já que entre Janeiro e Julho de 2013 houve 39 famílias a precisarem de ajuda, as quais a Cáritas apoiou com 14.824,45 euros.

Desde a criação do Fundo Social Solidário, em Fevereiro de 2011, foram já mais de 34 mil euros com que a Cáritas Portugal ajudou várias famílias só para o pagamento de propinas universitárias.

Reportagem. Ser professor em tempos de cólera

Por Luís Osório, in iOnline

O menosprezo dos professores é uma vergonha, uma insensatez, e um crime contra o futuro

Nenhuma classe profissional foi tão maltratada como a dos professores. Nos últimos vinte anos, progressivamente, perderam direitos e autoridade. E, muito mais grave, perderam o reconhecimento do Estado e da comunidade. Encurralados numa sociedade que privilegia a volatilidade e vive para o dia seguinte; humilhados pelas circunstâncias; menosprezados por agendas mediáticas que transformam as notícias numa permanente novela; os professores estão desesperados. Legitimamente desesperados.

Não é uma questão ideológica. Um assunto que divida a esquerda e a direita, liberais e social-democratas, socialistas ou libertários. O menosprezo dos professores é uma vergonha, uma insensatez, um crime contra o futuro. Porque sem eles, sem um reconhecimento explícito do seu papel, sem a capacidade de encontrar maneiras de reencontrarem o sentido da sua profissão, não existirá futuro, progresso, evolução ou elites.

Por isso, neste dia de arranque do ano lectivo, mais do que falar do regresso dos alunos, o i homenageia os professores e o ser professor, um dos mais extraordinários destinos a que se pode ambicionar. Uma profissão que oferece aos outros o melhor que se tem, como a Marta Reis tão bem escreve nas páginas seguintes. Numa época de tantas desconfianças quase duvidamos de que estas pessoas existem mesmo. O professor que criou um viveiro onde os miúdos produzem ervas aromáticas. A professora inconformada com o curso das coisas que "fugiu" para Moçambique para que o seu sonho não morresse. O professor que, separado por centenas de quilómetros da mulher que ama continua fascinado com a ideia de se sentir útil aos outros. A professora em Lamego que convence todos os alunos, a maioria filhos de agricultores, a candidatarem-se a prémios e a sonharem que é possível alargar horizontes. O professor no Alentejo que leva os seus alunos aos lares para reforçar a identidade local. A professora de Viseu que envolve pais e filhos numa grande comunidade. A professora no Cerco do Porto que convenceu os miúdos, de um dos principais bairros problemáticos do Porto, que não há limites para o saber.

Ser professor é isto. É ter vontade para virar tudo do avesso, provar pelo exemplo e exigir dignificação e respeito. Neste dia de arranque, a primeira palavra do i é para eles. Estaremos aqui para essa batalha de futuro - não falo dos combates laborais, das reivindicações (isso é matéria estritamente informativa e será tratada com rigor e isenção), mas a batalha da identidade, do futuro, essa batalha é também a nossa.

Estimular o talento sem antes dar corda à vontade, é uma batalha perdida. Por isso, de nada vale reconhecer no outro grande capacidade para ser bailarino, escritor, artesão, empresário ou professor quando a sua vontade para o ser não é suficientemente forte. É sempre uma batalha. Entre as ideias que se tem e a força para as executar. Juntar uma coisa e a outra.

Sem ses e interjeições do género. Se tivesse muito dinheiro como aquele. Se conseguisse o sucesso do outro. Se fosse bonito como o que é bonito. E desejável como o que é desejável. Se soubesse falar línguas como os que falam línguas. Se tivesse dotes de oratória, se soubesse cozinhar como os que cozinham. Uma vida num lamento. Porque se gastarmos tempo com ses, seremos apenas uma novela barata de ficção e não um livro por escrever. E os professores são o livro por escrever que os nossos filhos e netos precisam para construir o que não fomos capazes.

Juan Nolasco, 38 anos
O engenheiro que se tornou professor do ano


Juan Nolasco admite que foi uma escolha difícil, mas não está arrependido. Engenheiro electrotécnico, começou por trabalhar numa fábrica de produtos químicos. Um dia experimentou dar aulas no ensino nocturno e a paixão pela educação nunca mais passou. Fez um curso de informática e em 2006 tornou-se professor a tempo inteiro, uma aventura maior do que estava à espera, mas feliz.

Passou por oito escolas, nos primeiros tempos mais do que uma por ano a substituir professores de baixa ou licença. Esteve em Gondomar, Oliveira de Azeméis, Aveiro, Águeda, Pedrógão Grande, Penafiel, Cinfães. Mas a escola que mais o marcou foi onde esteve nos últimos cinco anos, em Santa Maria, nos Açores. Isto mesmo com o oceano a separá-lo da mulher, que continuou em Penafiel, a segunda terra natal de Juan depois de ter voltado com os pais da Venezuela, onde nasceu e fez a escola primária.
Foram os alunos da Escola Básica e Secundária da ilha açoriana – que duas vezes ajudou a serem seleccionados pela Agência Especial Europeia para representarem Portugal na final da competição de mini-satélites CANSAT e também entusiasmou com robôs e dicas para de-senvolverem aplicações para telemóvel, – que o nomearam para Professor do Ano, galardão atribuído pelo “DN” que Juan Nolasco ganhou no ano passado.

À espera do primeiro filho, este ano o professor pediu para ser colocado no continente. Na passada terça-feira, soube que começa hoje a dar aulas em Elvas, terra onde nunca tinha estado e onde sabe que ficará pelo menos um ano. Mesmo longe de casa, não mostra ressentimento, apenas o entusiasmo de quem vai para um novo desafio. “Estou satisfeito, fiquei mais perto, a quatro horas. Não dá para ir e vir todos os dias mas ao fim-de-semana é melhor”, diz. A disponibilidade para ajudar os alunos, mesmo quando o abordavam com dúvidas no supermercado, e a flexibilidade para ir além dos objectivos do programa, são as suas explicações para ter cativado os alunos. “Hoje já têm bons conhecimentos de informática, mas é um desafio ajudá-los a estruturar a forma como pensam a tecnologia, a irem além dos videojogos que usamos para os motivar e começarem eles próprios a programar, o que começa a ser visto como uma nova língua.”

Juan Nolasco insiste em fazer um agradecimento público aos alunos de Santa Maria e à ilha de 5000 habitantes, que o recebeu como se fosse um deles. Agora, é Elvas que o espera. Envolver mais uma escola nos satélites é uma forte probabilidade, já que todo o conhecimento de uma pessoa só é útil se ressoar na geração seguinte, diz. “Ensinar é ajudar as gerações depois das nossas a progredirem, com o que herdámos e aprendemos, sejam conhecimentos ou valores.”



Eduardo Miguel, 49 anos
“A minha sala de aula é um viveiro”

Eduardo começou por dar aulas de Religião Moral há 29 anos, mas depressa percebeu que a escola lhe pedia um envolvimento maior. Colocado na Sertã, sem horário completo, foi integrado no apoio a alunos com necessidades especiais. O cuidado em estabelecer uma relação de proximidade para lá da hora semanal fê-lo começar a arranjar estratégias para reforçar o acompanhamento, até perceber que não chegaria a veia autodidacta. Acabou a fazer formação em Educação Especial e de regresso à sua escola de origem, em Proença-a--Nova, calhou estar na coordenação quando duas professoras tiveram a ideia de criar uma oferta pré-profissional para estes alunos, que juntasse conhecimento da realidade local, história e acção.

Surgia assim, há oito anos, a Escola BioAromas, em que os alunos aprendem técnicas de cultivo, plantam e secam ervas para fazer infusões e chás, além de irem também para o campo apanhar ervas espontâneas. Entre os banais coentros ou hortelãs, já recuperaram a Perpétua Roxa ou as Maravilhas, com propriedades anti-inflamatórias. Para Eduardo, o viveiro tornou-se a verdadeira sala de aula. “Aprendem sobre natureza e realidade local e valorizam ao mesmo tempo competências que poderão ser úteis na vida activa e com um lado prático.”

Os primeiros alunos no projecto a completar os 12 anos de escolaridade obrigatória deixaram a escola no ano passado e dois encontraram emprego em áreas onde vão aproveitar o treino. “São alunos que no 6.o ano quase não sabiam ler e hoje fazem-no, não são enganados nas contas, ganharam autonomia.”
O entusiasmo dos jovens e conquistas como participarem numa mostra ibérica e ficarem a dormir num hotel com o dinheiro feito nas vendas, são a grande a motivação. Até porque agora o projecto tem de ser auto-sustentável. Quando as restrições começaram a levar a cortes, o projecto que fazia parte de uma unidade reconhecida pelo ministério deixou de ser oficial: os relatórios não diziam “preto no branco” que as crianças que os professores estavam a seguir eram autistas, não obstante referirem perturbações do espectro autista, problemas cognitivos, de fala e um caso de síndrome de Down.

Valeu-lhes os responsáveis não se terem resignado ao não administrativo e a Escola BioAromas passou a ser considerada um apoio. Mas perderam 900 euros de financiamento, a terapia da falta, o psicoterapeuta, a assistente operacional e horas de psicologia. Resta o reconhecimento, que dá ânimo. “Claro que a escola fica satisfeita com os rankings e grandes médias de entrada para a faculdade e isso é importante, mas as nossas pequenas vitórias, que não vêm em lado nenhum, também são reconhecidas na comunidade e isso motiva-nos a continuar.”

Saber esperar por essas pequenas vitórias e desvalorizar as desilusões é uma das aprendizagens deste professor, que sublinha que sem trabalho de equipa e um espírito de missão, já que muitas horas são voluntárias, nada seria possível. “Era importante haver apoio, mas se não quisesse fazê-lo, não havia dinheiro no mundo que me obrigasse abraçar este projecto com o carinho com que o faço.”

Isilda Lourenço Afonso, 58 anos
A professora hiperactiva que leva os alunos a ver mais além

Isilda Lourenço Afonso não perde uma oportunidade de levar os seus alunos a participar em prémios, concursos e projectos, sejam regionais ou internacionais. É professora de Português e Francês há 35 anos e na última década descobriu que este era o incentivo que faltava para ajudar as crianças e jovens, muitos naturais de pequenas aldeias, a ver mais além e a quererem dar todos os anos um pouco mais.

Tudo começou com uma maquete que os alunos fizeram para consumo interno a propósito de um projecto sobre energias renováveis. Ao perceberem que podiam ter participado num concurso da fundação Ilídio Pinho, mostraram-no na mesma e o reconhecimento levou-a a levar a obra a uma mostra regional.

A turma veio para casa distinguida com um portátil de última geração. “Eram miúdos da aldeia, não imagina a alegria. Até os pais vieram à escola ver o que eles tinham ganho”, lembra. “Depois de descobrir a força disto, nunca mais parei. Às vezes pensamos que não está assim tão bom mas concorremos sempre, nunca se sabe e só terem um certificado de participação faz toda a diferença”.

A iniciativa Conetando Mundos, em que os alunos participam em reflexões com estudantes de outros países, ou o projecto Marlisco, sobre poluição do oceano, são algumas iniciativas em que Isilda envolve os seus alunos do 2.o e 3.o ciclo, que geralmente inscreve em três ou quatro projectos por ano. Além disso, desafia-os a participarem no concurso “Uma Aventura Literária…”, da Caminho, e no Prémio Nacional da Melhor Carta dos CTT/ANACOM, que uma das suas alunas venceu no ano passado. “Quando calham comigo, já sabem que não vão faltar desafios exta-aulas”, brinca. E porque o incentivo funciona também porque é divulgado nos corredores da escola e fora de portas, partilham todas as participações no blogue sabereconnosco.blogspot.pt.

Ver que os alunos se sentem valorizados mesmo quando as suas vidas têm piorado nos últimos anos é o que move esta professora. A maioria recebe apoios sociais e os professores já têm detectado casos em que a única refeição é o almoço na escola. “Fazê-los sentir que estão à altura de qualquer outro ponto do país e do mundo é um reforço muito importante nesta fase das suas vidas, para que sejam jovens e adultos mais confiantes”, diz Isilda, que resume a sua tarefa a dois princípios: reflexão permanente sobre o que faz falta a cada criança e diálogo, para que as necessidades sejam resolvidas.

Maria Martins, 54 anos
Directora de turma por vocação

Na primeira reunião de pais, Maria Martins escreve logo o número de telefone pessoal no quadro para que não haja desculpas. “Digo-lhes que, comigo, ninguém pode dizer que não tem como saber o que se passa na escola, nunca achei chato que um pai me ligasse sistematicamente. Até digo a brincar que se alguém não tiver telemóvel, nós arranjamos”, diz a professora do agrupamento de escolas de Viseu Sul.

Começou como professora de Educação Musical, mas logo descobriu a função que lhe encheria as medidas: ser directora de turma. Passados mais de 20 anos, quase sempre com esta tarefa, está cada vez mais empenhada em cumprir a sua missão na escola: construir pontes, define. Assumiu como lema que “todos aprendem com todos”, um exemplo de educação herdado dos pais, que a ensinaram a tratar todos por igual independentemente da instrução.

Do estudo (tem um mestrado e doutoramento focado na relação escola/família) e da experiência, foram nascendo pequenas mudanças, como sentar os pais em “o” nas reuniões em vez de lhes falar como se estivesse a dar uma aula. “Somos pares, não tenho de estar em destaque.” A escola flexibilizou os horários para receber os encarregados de educação e Maria passou a enviar as convocatórias para reuniões com a hora de início e fim, mesmo que o encontro se prolongue com conversa. “Os temas ficam sempre tratados até à hora do fim, o que faz os pais virem sem receio de nunca mais acabar.”

Mas os truques não se ficam por aqui: a criança é o centro e, para “quebrar o gelo”, trata os encarregados pelo nome dos alunos, como pai Maria João ou avó Luís. Com os jovens, engendrou um esquema para os tornar parceiros na tarefa de manter ordem na sala de aula: por regra não manda recados com ralhetes, mas a parabenizar os que se portam bem. Tem um esquema de pontos por cada falta de comportamento, que eles próprios monitorizam. Ao final de algum tempo, quem tem “cadastro” limpo leva o bom recado para casa. Estar perto deles implica conhecer o seu mundo e até já foram visitar o rio da aldeia de um grupo de alunos.

Se tudo isto são ferramentas úteis, o menino dos seus olhos e que acredita estar a deixar uma marca na escola é um projecto iniciado em 2010 e este ano rebaptizado de “Escola e Família em Formação/Acção” ( www.ppfa.pt). Tem o apoio de todo o agrupamento e envolve mais de 30 profissionais de diferentes áreas, além das associações de pais. Todos os meses, numa sexta à noite, organizam formações temáticas abertas a pais e profissionais, desde introdução a técnicas de estudo a sexualidade e drogas. Num agrupamento que habitualmente tinha nota fraca na participação dos pais, a adesão aos debates chega a arrastar os encontros até à uma da manhã. “Temos tido uma média de mais de 100 participantes, o que, pelo que temos conversado com outros colegas, não acontece em mais nenhum lado no país.”

Preparam ainda formações próprias a pedido dos directores de turma quando há problemas na sala de aula e vão iniciar uma formação de pais, alunos e professores para uma turma com pior comportamento, para ver se o treino intensivo de inteligência emocional funciona. Isto numa escola onde os alunos do 8.o ano já apadrinham os do 5.o, para ajudar na integração e nos estudos. Para organizar tudo, não faltam noites de trabalho e reuniões. “Acho que na vida todos temos de ter uma bandeira e esta acabou por se tornar a minha. Os meus filhos já estão crescidos e já se habituaram, foi assim que escolhi gastar o meu tempo.”

Amândio Valente, 51 anos
O D. Quixote das pequenas escolas do Interior

Professor de 1.o ciclo, Amândio Valente tem 28 anos de uma luta obstinada pelo Interior, quase à D. Quixote, acaba por admitir – apaixonada mas com algumas derrotas. Neste período, terão fechado dois terços das escolas do Norte alentejano, onde fez a maior parte da carreira. Não cresceu numa pequena aldeia, mas lembra que já nos seus tempos de estudante, no liceu de Portalegre, percebia-se que iniciava uma luta pela sobrevivência. “Na minha turma havia o grupo dos que eram de Portalegre, depois havia o grupo de Marvão, de Vide, como se andarem juntos preservasse a sua identidade local”, conta.

Quando acabou o curso, foi colocado na escola de Arronches, onde na altura estavam a dar os primeiros passos iniciativas de ligação da escola à comunidade. O tema tornou-se a sua causa, até porque em projectos regionais e nacionais foi percebendo que, contra a realidade da diminuição da natalidade e envelhecimento, as escolas só seriam espaços vivos se inovassem e se tornassem eixos centrais da vida em comunidade.

Há três anos a dar aulas em Castelo de Vide, conta que o segredo está em mobilizar toda a comunidade para o mesmo fim, envolvendo no projecto professores, pais mas também representantes das instituições locais como a Santa Casa ou centros de saúde. Depois, é preciso ideias que cumpram o programa mas também o desafio de tornar a escola um pólo dinamizador, como levar os alunos a lares para ouvirem as histórias dos mais velhos, e assim a pena dos pequenos ajudar a preservar a memória local. “Por vezes, quando ouvimos dizer que vai fechar uma escola, só vemos os protestos. A estratégia tem de começar antes, tornando a escola central na vida da comunidade. Uma escola que de facto só tenha cinco alunos é impensável, mas se for lugar de encontros entre gerações, oferta extracurricular e vida, não tem por que fechar”, explica. “Agora isto tem de ser medido, não se pode avaliar e fechar só com base no número de alunos.”

Se no terreno há passos positivos, diz faltar reflexão política. Até porque quando se olha de perto, nem o argumento da poupança faz sentido. Um dos encerramentos que mais o marcou foi o da escola básica de São Julião, em Portalegre, que levou as crianças a passarem a fazer quase três horas de viagem diária no trajecto de ida/volta para Reguengos, do outro lado da serra de S. Mamede. Já este ano, indignou-o o fecho do 1.o ciclo da escola de Póvoa e Meadas, que deixou sozinhas na aldeia as crianças do pré--escolar sem contacto com os mais velhos e mandou 11 crianças para o seu agrupamento em Castelo de Vide, a 18km. “Toda a gente se manifestou contra mas na hora, nada foi tido em conta. Claro que podemos pensar no que se ganha com a concentração, mas quem avalia o estigma social que se cria e a diminuição dos pais e das suas vidas só por serem na periferia? Houve uma ministra que perguntou como se podia defender estas escolas quando as comunidades já não têm alma, e os pais destas crianças o que são?”

Nas suas aulas, faz questão em ensinar a matéria num ambiente de democracia e participação, em que cada aluno tem um diário de bordo e contribuem para o jornal escolar. Para que sejam interventivos se chegar a hora de fechar Vide?, perguntamos. Amândio sorri: sublinha que o espaço de intervenção tem de ser sempre de liberdade, não procura vender ideias mas ferramentas. Enquanto professor, o seu papel é apenas lutar contra a passividade e o empobrecimento cultural, mesmo quando tudo à volta fecha.

Maria Umbelina Dantas, 56 anos
“Disseram-me que era maluca, para pensar no que ia perder”

Umbelina percebeu que queria ser professora quando ainda andava na escola primária. O sonho realizou-se durante 34 anos na escola pública, nos últimos tempos a dar aulas de animação sociocultural a alunos de percursos profissionais na escola de Ponte da Barca. A cada ano, sentia-se mais feliz e motivada, até que começaram os cortes, as burocracias e os rostos carregados.
Via a alegria desaparecer-lhe da voz e para ganhar ânimo respondeu, numas férias de Verão, a um pedido de voluntários para Moçambique. A experiência abalou-a: “na rua via miúdos com uma cadeira, que me diziam que era para terem onde se sentar na escola. Em Portugal, via-os deitados nas cadeiras, aos pontapés.” Começou a ser-lhe doloroso pensar no que a escola centrada em números e não em pessoas estava a fazer aos alunos e professores e como noutros lugares haver um professor era o que bastava para matar a sede de conhecimento. “Dei comigo a pensar: já vivi metade da minha vida, quero ser feliz e útil no tempo que me falta.” Ainda sem planos, há dois anos decidiu pedir a reforma antecipada para se dedicar ao voluntariado. “Ao início, só os meus filhos me apoiaram. Os meus colegas diziam que eu era maluca, se tinha pensado no que ia perder. Eu só pensava no que ia ganhar.” Demorou, mas o pedido foi autorizado.

Com 34 anos de serviço e a penalização, ficou com uma reforma de 720 euros, com a qual admite que seria difícil viver em Portugal. Mas o convite para ir viver de novo o sonho de ensinar não tardou e este ano rumou à Cidade da Beira, onde dá formação como voluntária a educadoras do pré-escolar e no próximo ano vai ajudar a formar a equipa de professores de uma nova escola. “São coisas simples em que sinto que podemos fazer a diferença. Mostrar a importância de ensinar de olhos nos olhos, esperando que a sala esteja em silêncio para que ninguém fique para trás e envolvendo em vez de obrigar a repetir”, explica Umbelina, ainda a habituar-se ao ritmo de Moçambique, sem pressas mas madrugador. Acorda às 5h da manhã para estar na escola às 7h, para ensinar mostrando nas aulas como se faz e não expondo apenas teoria no quadro, o que nunca funcionou com os seus alunos.

Sente-se numa espécie de paraíso para os professores, onde cada pequeno gesto é pago em sorrisos. “Há dez anos, depois de uma separação difícil onde percebi que o dinheiro é motivo de muita discórdia, assumi como lema viver para dar, porque é dando que se recebe.” Dar afectos, que o resto é efémero. “Quando vim pela primeira vez, perguntavam-me se levava rebuçados para as crianças. Ficavam surpreendidos quando dizia que não, mas o que faria quando acabassem?”. Em meses, a paixão pela educação voltou a crescer, um banho de entusiasmo pela escola que acredita que mudaria a vida de qualquer professor e aluno em Portugal. Não sente que desistiu, foi a forma que encontrou de continuar a ser a professora que sempre quis. Tenciona ficar fora por seis anos, depois logo se vê.

Liliana venceu Portugal, o país do medo

Nuno Ribeiro, in Público on-line

“Dou o nome e a cara porque não tenho de ter vergonha, eles é que deviam ter.” Liliana foi substituída no seu posto de trabalho quando, depois de umas férias, regressou à emrpesa e anunciou estar grávida. “O nosso medo está a juntar-se à ansiedade de um presente que não tem futuro”, anota o filósofo José Gil.

A identificação é fácil, Liliana Pereira não vem só. Traz o Duarte. A um mês do parto, aconchega com as mãos o filho na barriga. Quem com ela se cruza no mega centro comercial da Margem Sul não fica insensível à imagem de felicidade. Ao sorriso e aos olhos de mar azul que lhe iluminam o rosto e lhe dão serenidade. Mas desconhece que Liliana teve de optar entre o emprego e a maternidade. Por estar grávida, não lhe renovaram o contrato na empresa onde trabalhava há dois anos e meio. Perdeu o emprego, mas denuncia a pressão: sabe que pode haver represálias, mas não se conforma ao silêncio. Confia na sentença do tribunal que avaliará a actuação de uma empresa “pouco amiga” das grávidas. Com 28 anos, venceu o medo no país onde ele se insinua como conselho de recato e vigora como prática.

“Dou o nome e a cara porque não tenho de ter vergonha, eles é que deviam ter.” Eles é a empresa do sector hoteleiro onde trabalhava. Quando engravidou, Liliana pesava 45 quilos e na sua baixa estatura cedo se notou: “Era impossível disfarçar a gravidez, via-se logo.” Surgiram os primeiros reparos da entidade patronal: “Os chefes diziam que estava a ir muitas vezes à casa de banho.”
Foi o primeiro sobressalto: “Quando soube que estava grávida, apeteceu-me gritá-lo ao mundo.” O marido ficou a saber pela caixinha que lhe ofereceu com sapatinhos de bebé. E com uma frase: “Dentro de mim batem agora dois corações por ti.” Tudo era harmonia e felicidade para o jovem casal.

Prometeram-lhe a renovação do contrato de seis meses no regresso das férias e, antes de voltar, às 13 semanas, quando a gravidez é considerada evolutiva, informou a empresa do seu estado. “Não tive resposta. Quando cheguei ao trabalho, já estava uma pessoa em formação no meu posto.”
A questão está em tribunal. O advogado não vai reclamar pela gravidez, mas porque, como a lei não permite, Liliana Pereira foi despedida e imediatamente substituída no seu posto de trabalho.


Tive uma colega que, para renovar o contrato, teve de abdicar do direito das horas para amamentação. Ela cedeu à chantagem pelo medo de não encontrar trabalho. Renovaram-lhe o contrato sem as horas para o bebé”

Liliana

“O próximo medo que tenho é o de não vir a conseguir emprego por ter uma criança pequena”, anuncia. Não é atreita a receios infundados, mas há nuvens no horizonte feitas da experiência de outros. De casos que ficaram no anonimato, na perversa discrição de relações laborais cada vez mais desequilibradas. “Tive uma colega que, para renovar o contrato, teve de abdicar do direito das horas para amamentação. Ela cedeu à chantagem pelo medo de não encontrar trabalho. Renovaram-lhe o contrato sem as horas para o bebé”, relata.

A inquietação é sinónimo de desesperança. “O nosso medo está a juntar-se à ansiedade de um presente que não tem futuro”, anota José Gil. O filósofo e professor universitário que, em 2004 contra a corrente da moda e a euforia do dinheiro pós-euro, escreveu Portugal Hoje: O Medo de Existir, não está optimista. “O que eu não escrevi no livro, e que hoje me parece certo, é que os medos actuais — do futuro, de perder o emprego — se articulam no medo mais profundo de que então falava, o medo de existir, de não se afirmar”, assinala. E a afirmação de Liliana é poder ser mãe.

A realidade tem um efeito dominó

“Vivemos sempre na crença, na espera de que surjam melhoras, agora temos a crença apreensiva de que tudo vai piorar ou estagnar.” Esta crença apreensiva é o receio do próximo medo que atormenta Liliana: o de não poder conciliar um trabalho com a maternidade. “Surgiu o medo de falar, de denunciar situações, de falar das relações das pessoas com o emprego. As pessoas sujeitam-se a tudo e têm a consciência de estar a ser exploradas”, corrobora Fernando Sampaio, capelão do Hospital de Santa Maria: “Isto já se notava em 2008/2009, mas acentuou-se. É um sentimento que acolhemos com dor. Em confissão, as pessoas queixam-se das sacanices para preservar o trabalho. Porque sentem que, se agirem de outra forma, o podem perder.”

Abre-se uma caixa de Pandora e os sentimentos saem em cascata. “Perder o trabalho gera outros medos, o medo de perder a autonomia, a casa, o medo de não poder manter a família com dignidade, o medo de perder a saúde”, destaca o sacerdote: “As pessoas para além da meia-idade têm um medo tremendo do futuro, da manutenção das suas reformas, do futuro dos filhos, dos netos.”

Na Cáritas, existe a mesma convicção, fruto da soma da crise à diminuição dos apoios sociais. “O medo está associado à incerteza sobre os projectos de vida, a crise está a demorar muito tempo a ser ultrapassada sem a tal luz ao fundo do túnel”, constata o presidente, Eugénio Fonseca: “Aliás, actualmente, mais de metade dos desempregados não recebem subsídio de desemprego.”

Não deixou de existir o pudor, mas na luta pela sobrevivência gritam mais alto a fome e as depressões.”

Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas

A realidade tem um efeito dominó: “Há o medo de quem tem trabalho e teme perdê-lo, dos que já o perderam e receiam não voltar a trabalhar, pois de início pensavam que a sua condição de desempregado era uma situação temporária.”

A experiência leva a detectar outros medos. “Têm o medo de se expor”, continua o presidente da Cáritas: “Não deixou de existir o pudor, mas na luta pela sobrevivência gritam mais alto a fome e as depressões.” Depois, há o receio de não ultrapassarem o problema. “Vêm com o medo de não encontrar repostas, a desconfiança de não encontrarem a solução de que necessitam”, relata Eugénio Fonseca: “Não podemos dar uma resposta total, às vezes aparecem com dívidas de um tal valor, de 15 mil euros, que uma instituição que vive da generosidade não tem capacidade de enfrentar. Podemos ajudar, atenuar, mas não resolver.” Foi a partir de 2010 que a situação se degradou. Hoje, só 45% dos pedidos de ajuda para endividamento são satisfeitos. Na maioria, são apoios ao pagamento de rendas de casas. Já as ajudas a propinas escolares passaram de cinco, em 2011, a 26 no ano passado.

Por fim, o último degrau desta espiral. O medo de não conseguir: “Agora, na Cáritas, ajudamos as pessoas a criar o seu posto de trabalho, através do financiamento do Fundo Social Solidário da Conferência Episcopal Portuguesa, o que leva ao medo do insucesso, de novos problemas, de falir, o medo do endividamento.”

Jorge Morgado, secretário-geral da Deco — Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, conhece outros medos. “Ainda há pessoas que têm medo de reclamar, temendo represálias, o que acontece de forma mais nítida com a saúde, os lares da terceira idade ou a qualidade do ensino, razão pela qual preferem não se identificar como reclamantes”, diz. “Os estratos sociais menos favoráveis à reclamação são os menos instruídos e as pessoas com mais de 60 anos.”

1552 processos de sobreendividamento chegaram à Deco até Junho

Na Deco, crescem as taxas de reclamação: de cerca de 366 mil, em 2011, para mais de meio milhão no ano passado. No entanto, também aumentam os casos de quem opta pelo anonimato da denúncia. “Há o medo de que a sua situação pessoal seja conhecida quando caíram num logro, numa vigarice, não por temerem uma represália mas por pudor, o de mancharem a sua imagem”, relata Morgado.
“Há algum medo do desconhecido, da inovação, da mudança de hábitos de consumo, as pessoas são conservadoras em relação a determinados consumos e a fornecedores, preferem a reparação mesmo quando a substituição do ponto de vista económico e de gestão era aconselhável”, exemplifica o secretário-geral.

A crise económica introduziu um novo factor, mais dramático: a luta pela sobrevivência. O que consolidou medos e gerou outros. “Há pessoas que vivem uma situação de pânico em relação ao futuro, não há luz ao fundo do túnel, há a consciência de que não é uma situação temporária”, assinala o dirigente da Deco: “É o medo pela sua vida e a dos filhos, o medo de não terem dinheiro para comer e dar de comer ou para pagar a casa.”

Os processos de sobreendividamento tramitados pela associação são uma das radiografias destes tempos difíceis. De 152 no início deste século, há 14 anos, passaram a 1552 até 30 de Junho último. Com picos que permitem situar no tempo a dureza das dificuldades: em 2008 foram mais de dois mil, mas no ano passado foram 4034. À cabeça das causas, está o desemprego e a deterioração das condições laborais. Ou seja, a diminuição dos rendimentos.

E surge um novo medo: “Que os outros saibam, como ocorre nas classes médias, que foram os que mais possibilidades tiveram de se endividar. Na grande Lisboa e no grande Porto, há milhares de pessoas que não têm fornecimento de gás, água e electricidade. As empresas concessionárias têm os números mas não os divulgam.”

“Não vemos contestação na sociedade civil, há descrença face à capacidade de mobilização colectiva", diz o sociólogo Renato Manuel do Carmo José Sarmento Matos

Depressão nacional

Tantos medos desaguam nos consultórios. “O medo chega-nos em situações clínicas quando é permanente, cresceu o medo do futuro porque a queda das economias provocou insegurança, não só aos que sofreram directamente na pele, mas aos que sofrem por antecipação o que pode vir a acontecer”, constata Telmo Mourinho Baptista, bastonário da Ordem dos Psicólogos.

“Umas das primeiras respostas ao medo é a fuga, a própria admissão do medo em homens é mais difícil porque foram educados para não ter medo”, relata o especialista. Mourinho Baptista destaca que não há um retrato-robô de quem sofre: “São as pessoas mais vulneráveis em função da sua história. Mais do que a idade, é na história de cada qual que um elemento social potencia a ameaça.”

Francisco Garcia dos Santos, presidente da Associação Portuguesa de Corretores e economista comportamental, refere um estudo, em curso, em Portugal, Espanha, Alemanha e Bélgica liderado pela York University do Canadá sobre os factores situacionais da crise. “Revela que a crise não tem uma relação directa com a saúde mental, mas há a percepção de que a crise financeira é uma ameaça que acaba por se reflectir na saúde psicológica”, afirma. Numa paleta de consequências: da exaustão emocional à depressão e ansiedade.

“A ameaça é influenciada pela crise, mas também pelos traços da personalidade — auto-estima, auto-eficácia e preocupação. Quem demonstrar ter mais capacidade de auto-eficácia sente-se menos ameaçado. O que tem que ver com o nível de competências, quanto mais competências tiver, menos se sente ameaçado”, destaca Garcia dos Santos.

Naquele estudo é confirmado um dado adquirido: que portugueses e espanhóis se sentem mais ameaçados do que alemães ou belgas. “A diferença detecta-se no número de pessoas que se sentem ameaçadas, não é o ambiente de contexto de macroeconomia que marca, mas a situação a nível individual”, assinala. No entanto, reconhece uma especificidade: “O contexto em Portugal é mais depressivo, embora, por si só, não seja determinante.”

Como se propiciou a depressão nacional ao ponto de ela ser específica? O filósofo José Gil fala de razões históricas: “Há um plano vertical que nos dá a força de viver, de existir, que tem que ver com a honra, com os antepassados.” Em contraponto, “o povo português é triste, não exterioriza as forças da vida que tem, o que se agravou muito”.

Os mais velhos têm o receio de perder os valores sociais, culturais e morais numa cultura em que as pessoas pouco contam."

Fernando Sampaio, padre

Renato Miguel do Carmo, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE, tem claro o filme deste agravamento. “Em 2010, nas entrevistas com os jovens trabalhadores precários, apareceu com muita força o medo do futuro, a possibilidade de prever o futuro.” Sublinha: “Era a ideia de que o futuro se fecha, esta dificuldade de projecção tem como sentimento associado o receio e o medo, o que está relacionado com o isolamento e o desemprego.”

A este fotograma sucede-se outro: “A ideia de que o futuro se fecha é dramática para jovens e não só. Com a crise, a incerteza passou a ser transversal, apareceu nos mais idosos pela redução dos rendimentos. Para eles, o que está em causa é a família-providência.”
Esta é também a experiência do capelão Fernando Sampaio. “Os mais velhos têm o receio de perder os valores sociais, culturais e morais numa cultura em que as pessoas pouco contam”, explica o sacerdote. “Há degradação nas relações pessoais e familiares, há queixas de maior agressividade, de abandono pelos familiares, como detectamos muito nos hospitais com os idosos.”

São exemplos extremos de uma realidade contraditória. “Vivemos em sociedades sós e menos solidárias, apesar de haver apetência para a solidariedade quando é mediatizada. É uma solidariedade que reage a estímulos, não é uma prática social genuína”, sintetiza Fernando Sampaio.

A mancha de azeite do medo alastrou com a sua exploração pela política. “O medo está muito ligado ao contrato político”, refere o sociólogo António Casimiro Ferreira, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra: “Uma coisa é a política governar e regular o medo, o que é normal. O que é amoral e perverso é governar através do medo, é uma forma perversa de intervir na sociedade pondo em causa os consensos e a legitimidade.”

“Umas das primeiras respostas ao medo é a fuga, a própria admissão do medo em homens é mais difícil porque foram educados para não ter medo”, diz o psicólogo Temo Mourinho Baptista Rui Gaudêncio

A vida segundo a troika

Casimiro Ferreira destaca que, desde 2008, “o medo se tornou uma forma regular de fazer política”. O que, sublinha, é contrário ao princípio da democracia: “O medo tem por justificação a excepcionalidade da situação e a transitoriedade é a forma de vender essa excepção.” É assim que os cortes de rendimentos são apresentados como transitórios e que a austeridade é sempre anunciada a prazo.

“A sociedade em que os portugueses vivem, tal como as dos outros países sob resgate ou com políticas de austeridade, corresponde a uma degradação do que existia, há uma força não eleita que determina a forma de vida, em Portugal foi o memorando da troika”, assinala o sociólogo. Trata-se, para o professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, de um novo poder. De facto e não eleito. “O advento destes poderes ligados à crise e à austeridade prefigura uma sociedade em que as pessoas valem cada vez menos, é uma perversidade do regime democrático, pois a democracia é um processo permanente, não um fim”, refere. Diferente é a visão de Mourinho Baptista. “Não estamos na antecâmara de um regime autoritário. O discurso da inevitabilidade é para que seja aceite que só existe uma solução para os problemas. É manipulação. É a escolha que torna o indivíduo agente da própria mudança, torna-o partícipe, enquanto o medo provoca a paralisação”, contrapõe o psicólogo.

O discurso político dos últimos anos colou-se a um mea culpa, a assunção de uma falta grave que levou o país à austeridade com o seu cortejo de consequências. “A frase ‘vivemos acima das nossas possibilidades’ é elucidativa, é um plural colectivo do que irracionalmente fizemos. É uma manipulação do poder político dizer que todos somos igualmente responsáveis, quando não o somos”, exemplifica António Casimiro Ferreira. Para o capelão do Hospital de Santa Maria, “é projectar para o povo a culpa de algo que foi impingido pelo poder”.

José Pacheco Pereira inscreve a frase “viver acima das possibilidades” numa cruzada ideológica: “Foi desenvolvida uma guerra moral e social, a dicotomia entre velhos e novos, desempregados e empregados, função pública e trabalhadores privados, que resulta numa enorme dificuldade em encontrar mecanismos de cidadania.” O que leva à desesperança. “Para a maioria das pessoas, o futuro é pior, as dificuldades estão para a frente”, refere o historiador.

“O medo é também uma forma de controlo, muitas vezes serve para diminuir as pessoas, condicioná-las”, alerta o bastonário da Ordem dos Psicólogos: “Às vezes, as sociedades políticas utilizam o medo como forma de condicionamento. Nas ditaduras é evidente, mas nas democracias a comunicação social cria a atmosfera, a voracidade comunicacional favorece que a mancha do medo alastre.”

Foi desenvolvida uma guerra moral e social, a dicotomia entre velhos e novos, desempregados e empregados, função pública e trabalhadores privados, que resulta numa enorme dificuldade em encontrar mecanismos de cidadania.”

José Pacheco Pereira, historiador

Seja como for, o medo instalou-se. “Em certas situações, é um estado de alma quase definitivo para algumas pessoas”, constata o secretário-geral da Deco: “Não estou a fazer a apologia do negativismo, as pessoas já estão resignadas a viver com o medo, a conviver com ele.” Apesar de, como sublinha, “em muitos casos estes medos serem infundados, pois a reclamação é um direito legítimo”. Então, o que leva ao temor? “É uma disfunção social numa sociedade de consumidores. É um efeito da repressão do regime anterior que deixou rasto, uma ditadura de 48 anos deixa marcas para além da sua vigência.” Apesar de 40 anos de democracia e de afirmação de cidadania.

A falta de contestação parece confirmar a opinião de Jorge Morgado. “Existe uma transferência de poder contrária às formas de exercício democrático, à forma como as pessoas organizam o seu futuro, é por isso que, apesar do desemprego, há pouca contestação”, refere o sociólogo António Casimiro Ferreira.

“É como se tivesse havido um tremor de terra, de um momento para o outro, tudo desabou, a perda do emprego, de parte do salário, das pensões. Aos que já estavam no fio da navalha fugiu-lhes o chão sob os pés”, diz Pacheco Pereira: “Foi tudo muito rápido, uma martelada muito forte, o que gera apatia, o presente é mau e o futuro gera receio.”

Até porque, para o historiador, “os pensamentos utópicos desapareceram em consequência das experiências políticas do século XX e deixou de haver a ideia de que a história tem futuro”. Pelo que, “haver gente zangada não significa revolta, o que existe é anemia, impotência, medo de agir”.
José Gil interroga: “Até quando os portugueses vão aguentar? Há um défice cada vez maior na prática democrática.” O filósofo admite dois cenários opostos: “Havia a impressão de que isto poderia levar a uma revolta, a um tumulto, mas isso foi engolido pela emigração; isto vai tão mal que se começa a criar um clima propício a forças de direita populista, por contágio do que se está a passar na Europa.” E lamenta: “O nosso espaço público é fechado, nem na comunicação social se pode dizer tudo. Há um hermetismo, tem-se medo mas já não se sabe de quê.”
Também o sociólogo Renato Miguel do Carmo admite o aparecimento de movimentos populistas: “Não vemos contestação na sociedade civil, há descrença face à capacidade de mobilização colectiva, estamos num marasmo político.” O investigador do ISCTE reconhece que o desempregado tem um problema de isolamento social e os partidos têm dificuldade em mobilizar o descontentamento: ”O espaço mediático é estratificado e é muito difícil lá entrar.”

Também o modus operandi democrático não ajuda. “A promiscuidade entre os sectores público e privado, entre poder financeiro e poder político, a incapacidade de a justiça fazer a diferença, tudo isto alimenta a ideia de que o que eles, os políticos, querem é tacho”, insiste Miguel do Carmo. “O populismo aparece como forma demagógica de soluções salvíficas, a salvação tem um lado sedutor, um inimigo comum alimentado pelo descontentamento”, destaca o psicólogo Telmo Mourinho Baptista: “Há também os que desligam, uma reacção perigosa que favorece o poder dos pequenos grupos, e a ideia de que tudo é igual, o que manifestamente não é verdade.”

O capelão Fernando Sampaio lança um alerta: “Esta é uma sociedade desarmada perante a insinuação de um poder autoritário. Quanto mais desfeita a cultura comunitária ou familiar e mais isoladas estão as pessoas, mais fácil é a sua manipulação.” O sacerdote refere-se a uma sociedade do pessimismo ou do pós-optimismo: “Os fundamentalismos reforçaram-se, há uma standardização por baixo, uma mediocridade crescente nos meios de comunicação.”


Liliana: "O próximo medo que tenho é o de não vir a conseguir emprego por ter uma criança pequena Nuno Ferreira Santos

O papel dos media está em causa. “A comunicação social em geral esqueceu a contextualização, os problemas de recursos humanos e a preocupação crescente sobre tiragens e audiências estão na origem da busca do mais simples e do mais barato, o que leva à superficialidade”, reconhece Alberto Arons de Carvalho. O professor de Comunicação Social da Universidade Nova e vice-presidente do Conselho Regulador da ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social] comparte as críticas: “O que é insólito, inesperado e bombástico é notícia, e as pessoas menos preparadas tomam a parte pelo todo.”

O presidente da Cáritas traça outro elo de ligação. “As medidas que agravaram as condições de vida levaram à insegurança e ao medo em relação ao futuro. É esta escuridão que provoca a incerteza e a desconfiança nos políticos”, enuncia Eugénio Fonseca.

Na Margem Sul, a semanas do nascimento de Duarte, Liliana Pereira, a quem a maternidade roubou o emprego, é parca em análises. Aos 28 anos, descreve Portugal com uma síntese terrível: “Não vejo com bons olhos este país.” Porque, explica, “sinto que não há justiça”. Ela e o marido não acreditam nos políticos. Soam-lhes a falso. As suas disputas não os motivam porque não acreditam na sua autenticidade: “Sabe, é como o wrestling, aquelas lutas combinadas que passam na televisão.”

“Toda a retórica do empreendedorismo caiu por terra”

O sistema financeiro, um território tradicionalmente seguro no imaginário português, conheceu a crise nos últimos anos. BPP, BPN e Banif passaram a siglas de diversos e variados sobressaltos. Agora, a situação do BES, entidade ancorada numa história de 150 anos, um banco com o rosto e apelido de uma família, que por si só era vector de identificação e segurança, deu o mais recente abanão num sector que, afinal, não está imune à volatilidade das crises. Da reverência ao dinheiro passou-se ao medo pelo futuro dos depósitos. Uma nova intranquilidade.

“O caso BES reforçou a situação de incerteza”, constata Renato Miguel do Carmo. O sociólogo explica: “A ideia de que tudo é possível gera uma enorme desconfiança em relação aos que nos governam.” E a gestão do nosso dinheiro não cabe, exclusivamente, às políticas de rendimentos ou fiscais do executivo. Passa pelos bancos.

Não é história recente. “Portugal é um dos países com níveis mais baixos de confiança na Europa a nível interpessoal, nas instituições e nos agentes políticos”, relata o investigador do ISCTE. Este fenómeno é mensurável: “Nos últimos anos, a confiança tem estado a diminuir, está agora ao nível dois numa escala de um a dez.”

Os últimos episódios em relação ao antigo banco, cuja substituição de nome e símbolo é um factor de instabilidade face à tradição, reforçam esta tendência. “É um sintoma terrível, equivale a um futuro que se fecha, o que generaliza a desconfiança”, destaca Miguel do Carmo: “Também há uma relação entre os níveis de desconfiança e a sociedade, a mobilidade social é mais cristalizada, o que está a ser aprofundado.”
O bastonário da Ordem dos Psicólogos corrobora. “Quando temos este fenómeno de bancos poucos claros, a situação reflecte-se na segurança, que é um elemento central”, explica Telmo Mourinho Baptista. Diferente é a percepção de Francisco Garcia dos Santos. “As pessoas procuram a segurança, a insegurança é um factor de stress, mas o futuro, pela sua definição, não tem certezas, é a insegurança”, contrapõe o presidente da Associação Portuguesa de Corretores e economista comportamental: “A única certeza que temos é a morte.”

É algo tão definitivo como tabu, reconhece o capelão do Hospital de Santa Maria. O investimento é menos transcendente e menos decisivo. “As actividades económicas têm necessariamente uma grande incerteza, a diferença entre a certeza e o risco é que este é a incerteza percepcionada como gerível”, analisa Garcia dos Santos: “A segurança dos depósitos é socialmente percepcionada como se tivéssemos o dinheiro debaixo do colchão, quando a actividade bancária é o risco, vive-se numa instabilidade permanente.”

Assim sendo, o que leva accionistas e depositantes à confiança? “Presume-se que os capitais próprios são suficientes para acomodar as perdas. Quando tal não acontece, há um problema”, reconhece o economista. Para além desta equação, há uma tradição. “Os discursos da segurança do Governo, do regulador e das entidades financeiras, são só para não causar pânico, não têm tradução prática com a realidade”, afirma.

“Esta é a contradição do financiamento do sistema económico no qual a Europa é mais vulnerável porque tem mais intermediação bancária que os Estados Unidos, onde funciona melhor o mercado de capitais e os investidores sabem que podem perder”, concluiu o presidente da Associação Portuguesa de Corretores.

“Houve melhorias na capacidade regulatória através da União Europeia, mas o caso BES revela que estamos num neoliberalismo que protege o privado mas não o regula, é um neoliberalismo de Estado, de um Estado capturado pelos interesses de uma rede anónima e fáctica de poder”, adverte o sociólogo António Casimiro Ferreira: “O caso BES tem um tremendo poder denunciante desta realidade.”

Há outra dimensão. “É preciso que os de cima dêem exemplo. Vivendo numa guerra social e moral, sem um quadro de referências, as pessoas percebem que os que mandam não têm legitimidade para mandar”, considera José Pacheco Pereira. “Toda a gente diz que a solução para o BES é má, mas que não havia outra. Vive-se uma espécie de ditadura do que tem de ser, o que é muito complicado para haver opções políticas, é aí que nasce o consenso e a destruição da crítica”, refere o historiador.

Existe outra consequência. “A austeridade é posta em causa, afinal o problema era a dívida financeira e os bancos, o caso BES pode destruir de uma vez por todas a narrativa dos que viveram acima das suas possibilidades”, afirma Renato Miguel do Carmo: “Com o cenário de incerteza, toda a retórica à volta do empreendedorismo caiu por terra.” Afinal, o risco depende de factores alheios às nossas possibilidades — ao contrário do que nos disseram.

“O que tem valido ao SNS é a mãe, a Constituição, sem a qual já não existia”

Romana Borja-Santos, in Público on-line

Apresentado muitas vezes como "o pai do Serviço Nacional de Saúde", António Arnaut afirma que, ao contrário de muitos políticos, é utente do SNS, tirando senha e aguardando cirurgias em lista de espera. Revolucionário e poeta, concede: "O SNS foi o melhor poema que escrevi."

Na secretária antiga com o tampo forrado a pele grená repousam livros. Muitos. De Herberto Helder a obras sobre os templários e sobre a maçonaria, passando por alguns dos mais de 30 livros que António Arnaut escreveu – muitos de poesia. Mas, garante, o melhor poema que fez foi o do Serviço Nacional de Saúde (SNS). António Arnaut, 78 anos, foi autor do despacho de 1978 que abriu portas para a criação do SNS, um ano depois. É considerado o “pai” deste “grande sucesso da democracia portuguesa”. No seu escritório em Coimbra, numa entrevista ao PÚBLICO, faz um balanço dos 35 anos do serviço público. Fala rodeado de quadros com as capas dos seus livros, de um que junta as três grandes figuras que admira (Jesus Cristo, Che Guevara e Gandhi) e do documento da criação do Partido Socialista, do qual foi fundador: “Somos uma multiplicidade de contradições que dão uma corrente única”, justifica.

O SNS chegou aos 35 anos. Que balanço faz deste percurso?
Apesar de muitas insuficiências do SNS, o balanço é largamente positivo. Os resultados alcançados fazem do SNS o grande sucesso da democracia portuguesa. Esta afirmação não é poética nem metafórica. Se compararmos os nossos indicadores sanitários de 1979/80 com os actuais, vemos um salto qualitativo do fundo da tabela para os primeiros lugares do ranking mundial da saúde. Só na mortalidade infantil passámos de 40 mortos por 1000 nascimentos para menos de três. Antes do SNS havia 0,4 consultas por pessoa e agora há 4,5. É indiscutível que o SNS é a grande conquista social do 25 de Abril. Mas nos últimos anos, acentuando-se nos últimos três, assistimos a uma certa degradação ou debilitação do SNS com aumento das listas de espera, um certo racionamento de recursos, meios auxiliares de diagnóstico e medicamentos, falta de coisas essenciais, ao mesmo tempo que houve um crescimento do sector privado. Mesmo tendo consciência destas deficiências graves, temos de as considerar um epifenómeno. O SNS não é isso, é a dedicação dos seus profissionais e a capacidade de responder às necessidades das pessoas e o conforto que representa para todos com respeito pela dignidade de cada um.

É muitas vezes referido como pai do SNS. Como vê a relação do seu ‘filho’ com o sector privado?
Vamos à questão do pai. Sinto-me orgulhoso, a lei que criou o SNS é da minha responsabilidade. Claro que foi num governo chefiado por Mário Soares, mas foi por uma certa teimosia minha que houve a lei. Mas o SNS está a ser feito todos os dias pelos seus profissionais dedicados. Eu só dei o primeiro passo. Se o SNS tem progenitores, então verdadeiramente o que tem valido ao SNS é a mãe, a Constituição da República Portuguesa. Se não fosse a Constituição já não existia SNS. Quando fiz o SNS fi-lo precisamente em função do imperativo constitucional, ético e moral. Em Fevereiro de 1979 dei-me cinco meses para fazer a Lei de Bases do SNS e ao fim de um mês estava pronta. Tinha consciência de que tinha pouco tempo e de que havia grupos de pressão e de interesses instalados. Tive de enfrentar toda a direita parlamentar e algumas incompreensões dentro do meu próprio partido. A coisa singrou porque havia um grande apoio popular. Criou-se um tal entusiasmo que não se podia travar. O milagre do SNS não está apenas nos seus resultados, que são notáveis, mas está também em ter convertido os incréus e os que lhe eram hostis. Nenhuma pessoa bem formada pode deixar de apoiar uma reforma tão importante para a dignidade das pessoas e para a coesão social. O SNS acabou com a saúde enquanto privilégio de quem a podia pagar. Eu próprio tenho várias doenças e é graças ao SNS que estou aqui. Nos últimos sete anos fui operado três vezes e provavelmente seria difícil eu pagar, claro que fui pagando ao longo dos anos. O que tem de belo o SNS é o princípio da solidariedade em acção. Os que podem pagam para os que precisam e quando estamos doentes não precisamos de pagar. Mas tiro sempre a minha senha e sou atendido na minha vez. Aliás, esperei dez meses para ser operado às cataratas e não aceitei ir ao privado. A maior parte dos políticos não são utentes do SNS, mas eu sou.

E os privados ameaçam fazer regressar a saúde como privilégio?
Temos assistido a um fortalecimento e uma expansão do sector privado ou sector mercantil. No sector privado há muito boa gente, honesta, que pratica a medicina. Mas também há casos de verdadeira exploração. Nos últimos dias recebi telefonemas de clínicas privadas para ir fazer um rastreio a dizer que é de graça mesmo dizendo que não preciso. Há agressividade e há grupos económicos privados com publicidade enganosa. Há um espaço para o sector privado, mas nestes três anos o SNS perdeu 3000 camas e o sector privado tem mais 1500 ou 2000 camas. É uma expansão do sector privado e uma contracção do sector público, e isso dói. O sector privado não pode é viver à custa do sector público e metade das suas receitas são pagas pelo SNS através de convenções e dos subsistemas. Às vezes as listas de espera no público prolongam-se para além do tempo correcto justamente para aliciamento do sector privado. E todos os governos têm culpa no cartório.

1340 enfermeiros deixaram país este ano

por Ana Maia, Diário de Notícias

Quando hoje no aeroporto de Lisboa soar alto a chamada para o voo das 09.30 para Londres, André vai estar lá, na fila de embarque.

Não deixa mulher nem filhos para trás, mas deixa os pais, os amigos e uma experiência de quatro anos num grande hospital do País, onde via que não conseguia evoluir. Junta-se à lista dos 1340 enfermeiros que entre janeiro e agosto deste ano pediram a declaração para rumar ao estrangeiro, segundo os dados da Ordem dos Enfermeiros (OE) cedidos ao DN.

12.9.14

Portugal: Rede Europeia Anti-Pobreza pede nova análise do Governo a metas da Estratégia 2020

in Agência Ecclesia

Organização foca-se nos objetivos da educação, o emprego e combate às desigualdades sociais


Porto, 11 set 2014 (Ecclesia) – A Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal analisou o relatório “Ponto de Situação das Metas em Portugal”, que avalia os objetivos da Estratégia 2020, e pede ao Governo português uma “nova reflexão” com outros “documentos oficiais e fontes nacionais”.

“Embora o documento saliente que Portugal se encontra no caminho da concretização das metas estabelecidas, a análise apresentada é meramente descritiva tendo por base números e taxas que indicam, na maior parte dos casos, cenários otimistas”, explica a EAPN Portugal.

No comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a organização alerta que o documento apresenta uma imagem “da pobreza e da exclusão social no país distorcida” que tem “necessariamente consequências na definição das políticas e medidas dirigidas a esta problemática”.

A EAPN Portugal sugere uma “nova reflexão” dos dados presentes no documento “Ponto de Situação das Metas em Portugal” com base noutros “documentos oficiais e fontes nacionais” que reflitam um país com “sérios riscos no cumprimento das metas da Estratégia 2020”.

Para a Organização Não-Governamental (ONG), o documento de abril de 2014 apresenta dados “muito genéricos que não parece ser congruente com as notícias e relatórios publicados durante este período” onde “não se faz uma leitura clara e real em termos económicos e sociais”.

No objetivo «Melhor e Mais educação» a organização destaca que a meta relacionada com a “taxa de abandono precoce de educação e formação” este valor tem vindo a baixar desde 2001” pelas medidas relacionadas com o “combate ao abandono escolar e os programas de educação e formação e adultos”.

Sobre o desemprego, a organização considera que “os dados são igualmente preocupantes”, uma vez que este número entre os jovens representava “18% no primeiro trimestre de 2014”: “O desemprego jovem em Portugal foi em Março de 2014 de 36,1%, significativamente superior ao verificado na UE de 22,5%”.

Sobre o objetivo “aumentar o emprego”, o relatório do governo português explica o “aumento significativo do desemprego como consequência grave da crise”.

“Aposta do governo num mercado de trabalho menos segmentado, mais flexível e competitivo traduz, em nosso entender, em maior precariedade”, salienta com “desagrado” a organização que discorda das políticas que têm vindo a ser implementadas.

A Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal questiona “as alterações previstas nos mecanismos de determinação dos salários” e alerta que estas medidas podem “significar ainda mais precariedade” uma vez que os salários de muitos agregados familiares já são baixos.

Na análise ao relatório a ONG considera “fundamental uma monitorização e avaliação” ao Programa Garantia Jovem que considera uma medida que vai “camuflar os números do desemprego” mas “não será eficaz” porque “não permite a integração posterior no mercado de trabalho”.

No objetivo “Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais” a EAPN Portugal revela que “percebe-se que reduziu a percentagem de indivíduos abaixo da linha de pobreza em 2012” em plena crise financeira porque assistiu-se a “uma diminuição da mediana do rendimento monetário líquido por adulto equivalente”.

A ONG pede ainda uma “avaliação rigorosa” ao Programa de Emergência Social (PES), em vigor deste outubro de 2011, para “perceber o impacto efetivo das medidas apresentadas” no relatório “Ponto de Situação das Metas em Portugal” à Comissão Europeia.

CB/OC

Portalegre:”no distrito ninguém passa fome” – diretor Segurança Social

Susana Mourato, in Rádio Portalegre

O diretor distrital da Segurança Social João Carlos Laranjo, garantiu que “no distrito de Portalegre ninguém passa fome”.

João Carlos Laranjo falava aos jornalistas esta quarta-feira à tarde, a propósito da renovação de protocolos das cantinas sociais com 61 instituições do distrito de Portalegre.

O responsável revelou ainda atualmente as cantinas sociais das instituições estão a servir diariamente uma média de 2.280 refeições por dia, que se traduz num investimento por parte da Segurança Social de 525 mil euros.

Os Protocolos celebrados esta quarta feira no Centro Distrital da Segurança Social de Portalegre, estão integrados no Programa de Emergência Alimentar, no âmbito do qual o Governo pretende implementar uma Rede Solidária de Cantinas Sociais, para atenuar as situações de fome que existem no país.

Portalegre é o terceiro distrito do país com maior número destes equipamentos, antecedido de Santarém (115) e Lisboa (111), segundo o Instituto de Segurança Social.

UMinho ajuda na educação de crianças em zonas de conflito

in Diário do Minho

O Instituto de Educação da Universidade do Minho vai participar na «definição e implementação» de políticas e práticas educativas em países em conflito ou «crise crónica», através da Rede Interinstitucional para a Educação em Situações de Emergência (INEE).

Em comunicado enviado à agência Lusa, a academia minhota anunciou ter sido selecionada, «entre diversas candidaturas internacionais», para integrar o Grupo de Trabalho em Educação e Fragilidade daquela rede mundial, que engloba instituições como a UNESCO, UNICEF, Banco Mundial, entre outras.

A INEE é uma rede informal com mais de 10.000 membros em 170 países, que visa assegurar o direito de todas as pessoas à educação de qualidade, em particular nos contextos de emergência ou fragilidade.

«O objetivo é participar nos próximos três anos na definição e implementação de políticas e práticas educativas de qualidade em países com contextos de fragilidade, afetados por conflitos ou em crise crónica, como Palestina, Síria, Mali, Chade e Timor-Leste», explica o texto.
Para o presidente do Instituto de Educação da UMinho, José Augusto Pacheco, «esta parceria é uma oportunidade para desenvolver projetos em contextos de emergência ou fragilidade e atuar com agências internacionais e outros agentes que intervêm ao mais alto nível na agenda humanitária».

Segundo o comunicado, «a UMinho tem vindo a trabalhar em articulação com a INEE» e o objetivo da instituição é «ter uma voz ativa neste âmbito», pelo que pondera «envolver os alunos em projetos de voluntariado internacional, favorecendo a sua formação pessoal e o espírito crítico e cívico».

O primeiro encontro do Grupo é de 29 de setembro a 2 de outubro em Doha, no Qatar, contando com o coordenador do novo Centro de Recursos para a Cooperação e Desenvolvimento da UMinho, Júlio Santos.

As ações da INEE «passam por fomentar o trabalho colaborativo entre os parceiros locais e internacionais, criar ferramentas e recursos para quem trabalha e investiga promover a qualidade, reflexão e sistematização das práticas educativas». A Rede é coordenada por elementos do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, da UNESCO, da UNICEF, do Banco Mundial, da ChildFund International, da Save the Children Alliance, do Refugee Education Trust, do International Rescue Comittee, do Open Society Institute e da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional.
Temas: Causas