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28.9.23

Rendas batem novo recorde, com cada vez menos contratos celebrados

Rafaela Burd Relvas, in Público


O valor mediano das rendas a nível nacional superou, pela primeira vez, os sete euros por metro quadrado. Em sentido contrário, estão a ser celebrados menos contratos de arrendamento


Depois de um ligeiro recuo registado no início deste ano, as rendas voltaram a aumentar a ritmo acelerado durante o segundo trimestre e tocaram num novo máximo histórico, fixando-se, a nível nacional, num valor mediano acima dos sete euros por metro quadrado, pela primeira vez desde que há registo. Isto, numa altura em que se celebram cada vez menos contratos de arrendamento.


Os dados foram publicados, nesta quinta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que dá conta de que, no segundo trimestre deste ano, o valor mediano das rendas relativas aos novos contratos de arrendamento de alojamentos familiares fixou-se em 7,27 euros por metro quadrado, o que corresponde a uma subida de 11% face a igual período do ano passado. Esta é a subida mais acelerada que se regista desde meados de 2021 e faz com que as rendas atinjam um novo recorde: desde que o INE começou a recolher estes dados, em 2017, nunca a fasquia dos sete euros por metro quadrado tinha sido superada a nível nacional.


Também em termos trimestrais se verifica um aumento, ainda que menos significativo. O valor mediano registado no segundo trimestre representa uma subida de 7,7% em relação ao primeiro trimestre, depois da queda trimestral de 2,3% que tinha sido registada entre Janeiro e Março deste ano.

Este valor foi apurado tendo em conta os 20.750 novos contratos de arrendamento que foram celebrados entre Abril e Junho deste ano, um número que representa uma queda de 1,2% em relação a igual período do ano passado e que é um dos mais baixos já registados durante um trimestre. Só na altura do pico da pandemia se contabilizaram números mais baixos.


Este movimento de encarecimento das rendas foi transversal a todo o país, não se encontrando nenhuma região, de entre as que são analisadas pelo INE, onde o valor mediano tenha sofrido uma quebra. O maior aumento, superior a 23%, registou-se no Alto Alentejo, que, ainda assim, se mantém como uma das regiões mais baratas para arrendar casa, com uma renda mediana de 3,81 euros por metro quadrado. Já no Alentejo Litoral e na região de Coimbra, os aumentos foram superiores a 18%.

A Área Metropolitana de Lisboa e o Algarve, por seu lado, continuam a ser as regiões mais caras do país para arrendar casa. Em Lisboa, os preços aumentaram em mais de 10% e a renda mediana fixou-se em 11,03 euros por metro quadrado, enquanto no Algarve o aumento foi de perto de 13% e a renda mediana foi de 8,35 euros por metro quadrado. Também a Madeira, com um aumento de 9% e um valor mediano de 8,04 euros por metro quadrado, e a Área Metropolitana do Porto, onde das rendas subiram 11,5% e fixaram-se em 7,87 euros por metro quadrado, permaneceram entre as regiões mais caras do país.
Renda em Lisboa é mais do dobro

Os preços mantêm-se particularmente elevados nos maiores centros urbanos (ou seja, os municípios com mais de 100 mil habitantes), com destaque para Lisboa e os municípios na sua periferia, bem como para o Porto.

Na capital, as rendas aumentaram em mais de 20% durante o segundo trimestre, fixando-se num valor mediano de 15,23 euros por metro quadrado neste período, naquela que foi a primeira vez desde que há registos do INE que a fasquia dos 15 euros por metro quadrado foi ultrapassada. A renda mediana em Lisboa continua, assim, a representar mais do dobro daquela que se regista a nível nacional.


Próximos deste valor estão Cascais e Oeiras, onde as rendas aumentaram para valores medianos de 13,99 euros e 13,22 euros por metro quadrado, respectivamente. Mas também na Amadora os preços superam os dois dígitos, chegando a um valor mediano de 11,03 euros por metro quadrado.


Já no Porto, o valor mediano das rendas aumentou em quase 18% e chegou aos 11,95 euros por metro quadrado. Ainda assim, continua a ser no Norte que se encontram as grandes cidades com preços de renda mais acessíveis: em Barcelos, a renda mediana fixou-se em 4,40 euros por metro quadrado no segundo trimestre, enquanto em Vila Nova de Famalicão o valor mediano foi de 4,97 euros por metro quadrado.

Notícia actualizada pela última vez às 12h17 com mais informação.

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27.9.23

Um terço das crianças sem acesso gratuito a fruta ou hortícolas na escola

Por Lusa, in DN


Há zonas do país onde a falta de acesso gratuito a estes alimentos é mais premente, sobretudo Portalegre, distrito onde fruta e hortícolas foram distribuídas gratuitamente a apenas 13,3% das turmas.


Cerca de um terço dos alunos do pré-escolar e 1.º ciclo não teve acesso gratuito a fruta ou hortícolas na escola durante o ano letivo passado, segundo um estudo sobre os hábitos alimentares das crianças.


A conclusão resulta de um estudo realizado pelo Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em parceria com a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI).


Dos 21.773 alunos inquiridos, de entre 2 e 13 anos e de 586 escolas que aderiram à iniciativa de edução alimentar "Heróis da Fruta", cerca de 35% não tiveram acesso a frutas ou hortícolas distribuídas gratuitamente na escola.

Há zonas do país onde a falta de acesso gratuito a estes alimentos é mais premente, sobretudo Portalegre, distrito onde fruta e hortícolas foram distribuídas gratuitamente a apenas 13,3% das turmas.


Por outro lado, em zonas como a Madeira, Braga e Viseu, a esmagadora maioria dos alunos (mais de 80%) teve acesso de forma gratuita.

Ainda assim, Raquel Martins, nutricionista e investigadora do ISAMB, refere que o acesso gratuito, apesar de promover o consumo de fruta e hortícolas, não é determinante para o seu aumento.


Exemplo disso são as escolas do distrito de Beja, onde as crianças aumentaram significativamente o consumo diário de frutas ou hortícolas ao longo do ano letivo, apesar de ser também uma das regiões com menor acesso gratuito.

"Além da oferta alimentar, são necessárias ações específicas que promovam o consumo de frutas e hortícolas nas escolas", defende a investigadora, citada em comunicado.


É esse o objetivo da iniciativa "Heróis da Fruta", em que participaram mais de 81 mil alunos no ano letivo 2022/2023, com um impacto na melhoria dos hábitos alimentares das crianças.

De acordo com os resultados, a percentagem de alunos que levava diariamente lanches pouco saudáveis para a escola diminuiu 54,8% entre o início e o final do ano letivo. Por outro lado, a percentagem de crianças que consumiu, pelo menos, uma porção de frutas ou hortícolas diariamente na escola passou de 73,7% para 88,2%, a nível nacional, em apenas cinco semanas.

"Durante esta edição do desafio escolar 'Heróis da Fruta', quase metade das crianças (48,5%) consumiram pela primeira vez uma fruta ou legume que nunca tinham experimentado antes", refere ainda o relatório.

Em algumas escolas, o cenário no início e no final do ano letivo foi muito diferente. Nos Açores, a percentagem de crianças que relataram não comer frutas ou hortícolas diariamente na escola passou de 40,8% para 6,6%. Também em Évora e Vila Real houve uma redução de 20 pontos percentuais, enquanto em Beja a diferença foi de 10 pontos.

Entre as 698 turmas que tiveram acesso a frutas ou hortícolas distribuídas gratuitamente na escola, a maioria recorreu ao Regime Europeu de Fruta Escolar.

Houve ainda escolas a recorrer a verbas próprias ou da associação de pais, outras que beneficiaram do banco alimentar local ou do apoio direto por parte das autarquias.

Segundo o presidente da APCOI, a iniciativa "Heróis da Fruta" contribuiu para melhorar os hábitos alimentares de mais de 660 mil crianças, desde 2011.

"Na última edição, o projeto 'Heróis da Fruta' registou um recorde de participação com mais de 80 mil alunos e chegou a 70% dos municípios portugueses. Este ano letivo queremos levar a iniciativa ainda mais longe", defendeu Mário Silva.

Calamidades causam mais de 150 milhões de euros de prejuízo nos últimos seis anos

Luís Manso, in SIC


Os cientistas alertam que os fenómenos de cheias, incêndios e tempestades vão ser cada vez mais frequentes, tendo em conta as alterações climáticas.


As alterações climáticas estão a deixar também uma fatura cada vez mais pesada e os cientistas garantem que vai piorar. No caso de Portugal, as cheias e os incêndios dos últimos seis anos causaram um prejuízos superior a 150 milhões de euros. Só no ano passado, as inundações na região da Grande Lisboa custaram 19 milhões.

As cheias e os incêndios dos últimos seis anos causaram às autarquias mais de 150 milhões de euros em prejuízos. Só no ano passado, com as cheias que atingiram a região da grande Lisboa, os danos causados levaram a que a Câmara de Loures tivesse de pagar uma fatura superior a 19 milhões de euros.

Os cientistas deixam um alerta: estes fenómenos vão ser cada vez mais frequentes.

Em meados de dezembro do ano passado, a região da Grande Lisboa foi das mais afetadas Loures ficou no topo da lista dos concelhos que mais sofreu as consequências da chuva intensa, que parecia cair, sem dó ou qualquer tipo de piedade.

Dias antes, ainda em dezembro, neste canto do concelho de Oeiras, encostado a Lisboa, a chuva andou por quase todo o lado. Nas inundações em Algés
muito mais do que os prejuízos fica desta noite, fica também um morto a registar.

Entre dezembro de 2022 e janeiro deste ano as chuvas e inundações ficam registadas como das mais dispendiosas de sempre, cerca de 97 milhões de euros.

O Jornal de Notícias fez contas aos prejuízos causados por fenómenos climáticos desde 2017 entre os 150 concelhos afetados, incluindo os incêndios, a fatura das autarquias foi no total de 150 milhões. O apoio do Governo rondou os 70 mihões. Os autarcas, quando olham para o passado, ficam preocupados com o futuro.

Loures surge no topo desta lista. com quase 20 milhões de euros seguem-se Lisboa, Guarda, Vila Franca de Xira e Oliveira do Hospital.

Os cientistas dizem que muito tem sido feito pelas autarquias ainda assim há muito mais que pode ser feito, por exemplo, melhorar o sistema de alerta precoce, atuar com uma maior precisão e evitar que as calamidades alimentem os prejuízos e a lista de vidas que se perdem entre cheias, temporais e incêndios.

26.9.23

Portugal com maior subida dos preços de produtos agrícolas no 2.º trimestre na UE

Por Lusa, in DN


Os citrinos foram os produtos cujos preços mais subiram na UE entre abril e junho, seguindo-se o azeite e as batatas.


Portugal registou, no segundo trimestre, o maior aumento de preços dos produtos agrícolas de base (22%), com a União Europeia (UE) a apresentar um forte abrandamento, para uma taxa de 2%, divulga esta terça-feira o Eurostat.

Entre o segundo trimestre de 2022 e o segundo trimestre de 2023, o preço médio da UE dos produtos agrícolas no seu conjunto (produção) subiu 2,0%, uma taxa de aumento significativamente mais baixa em comparação com o trimestre anterior, quando o preço médio aumentou 17% (primeiro trimestre de 2023 em comparação com o primeiro trimestre de 2022).


A nível nacional, destaca o serviço estatístico da UE, o indicador subiu em dez dos 27 Estados-membros, com Portugal a registar, entre abril e junho, o maior aumento, seguido pela Grécia (21%) e a Espanha (16%), três países fortemente afetados pela seca

No extremo oposto da tabela, com os principais recuos, estão a Lituânia (-26%) e a Estónia (-15%).


Já o preço médio dos fatores de produção não relacionados com o investimento (fertilizantes, energia e alimentação animal), por seu lado, diminuiu 5% entre o segundo trimestre de 2022 e o segundo trimestre de 2023, o primeiro recuo desde o quarto trimestre de 2020 e que contrasta com o a aceleração de 11% nos primeiros três meses do ano.

Os citrinos foram os produtos cujos preços mais subiram na UE entre abril e junho (89% em média), seguindo-se o azeite (48%) e as batatas (38%), um agravamento atribuído às quebras de produção devido à seca.

Por seu lado, os preços dos cereais recuaram 31%, seguindo-se o das aves (-4%) e o do leite (-2%).

Entre os fatores de produção não relacionados com o investimento, as taxas de descida de preços mais acentuadas foram as dos adubos e corretivos do solo (-23%), da energia e lubrificantes (-13%) e dos alimentos para animais (-5%).

Número de adoções volta a descer, aumentam as devoluções e crianças com mais de 7 anos são as que aguardam mais tempo por uma família

Bernardo Mendonça Jornalista, Tiago Miranda, Fotojornalista e Ana Baião Fotojornalista ,in Expresso


O número de crianças adoptadas voltou a descer em Portugal em relação ao ano anterior, passou de 185 para 173. De acordo com o novo relatório do Conselho Nacional para a Adopção (CNA), de 2022, as candidaturas a aguardarem uma proposta foram cerca de seis vezes superiores ao número de crianças em situação de adotabilidade. Por outro lado, aumentaram o número de devoluções ou casos de insucesso, e continuam a ser as crianças com mais de 7 anos e jovens até aos 15 anos os que mais transitam de ano para ano sem família ou pessoa adotante que as queira



Onovo relatório do Conselho Nacional para a Adopção (CNA), de 2022 indica que baixaram novamente o número de adoções no país em relação ao ano anterior. Em 2021 tinham sido 185 adoções efetivadas, e no ano passado foram 173. E os tempos de espera continuam em média muito elevados, “cristalizados entre os 6 e 7 anos”, para as pessoas adoptantes que dirigem o seu projeto de adoção para bebés ou crianças até aos 7 anos de idade, sem problemas de saúde e sem deficiência. Uma realidade que se explica, em grande parte, por haver muito mais candidatos a adotar do que crianças destas idades e perfis em situação de adotabilidade, como se tem verificado nos últimos anos pelo CNA.


Senão veja-se: até ao final do ano passado o número de candidaturas a aguardar resposta era cerca de 6 vezes superior ao número de crianças em situação de adaptabilidade. A traduzir-se em 1322 candidaturas versus 229 crianças e jovens em situação de adaptabilidade.


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Desemprego pode já estar perto do seu limite mais baixo

Raquel Martins, in Público

Sinais apontam para que o desemprego possa estabilizar perto de 6%, mas economistas notam que falar de pleno emprego quando 17% dos jovens estão desempregados pode não ser bem compreendido.


A taxa de desemprego tem vindo a reduzir-se desde 2013 e, com o fim da pandemia, tem permanecido próxima dos 6%, enquanto a população empregada atingiu já este ano o máximo histórico de quase cinco milhões de trabalhadores. Estará Portugal próximo da chamada taxa natural de desemprego ou do pleno emprego?


Vários economistas questionados pelo PÚBLICO vêem sinais de que o desemprego poderá estabilizar em níveis próximos dos 6%, mas alertam que falar de pleno emprego quando 17% dos jovens estão desempregados e quando há 295 mil desempregados inscritos nos centros de emprego pode não ser bem compreendido.

A taxa natural de desemprego indica a taxa de desemprego que não gera pressões inflacionistas numa determinada economia, assumindo-se que é normal esperar-se que o desemprego real se encaminhe para esse ponto de equilíbrio. Neste momento, Portugal parece dirigir-se nessa direcção.

“A nossa taxa de desemprego há algum tempo que anda na faixa dos 6%. Após a pandemia de covid-19, tem-se mantido nessa ordem de grandeza há vários trimestres consecutivos”, nota Paulino Teixeira, professor na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, acrescentando que “tudo aponta no sentido de ser natural que tenhamos uma taxa de desemprego dessa ordem”.


No primeiro ano da pandemia, o desemprego chegou aos 8,2%, mas nos trimestres seguintes foi-se ajustando e agora, no final do segundo trimestre de 2023, a taxa era de 6,1%, um recuo face aos primeiros três meses do ano e um aumento em comparação com o período homólogo.


Outro sinal de que se pode estar próximo daquela que será a taxa natural de desemprego é o facto de o número de trabalhadores estrangeiros estar a aumentar de forma significativa e de ultrapassar os 650 mil.


Tal como o professor de Coimbra, que evita usar a expressão “pleno emprego”, também João Cerejeira, economista e professor na Universidade do Minho, considera que se pode estar no limite inferior da taxa de desemprego.


“Neste momento, temos os salários a crescer ligeiramente acima da inflação, nalguns casos por escassez de oferta, a inflação subjacente tem descido menos do que a inflação associada aos produtos energéticos e alimentares e isso pode querer dizer que tem havido alguma tradução destes aumentos salariais na inflação. Não estou a dizer que foram os aumentos que fizeram subir a inflação, podemos é estar numa fase em que há um movimento de circularidade entre os aumentos salariais e a inflação que se está a verificar agora”, destaca.

Se isto se confirmar, acrescenta, é um indício de que, “provavelmente, estamos mesmo no limite inferior da taxa de desemprego”.

Ainda assim, lembra, Portugal já teve taxas de desemprego bem mais baixas – no início dos anos 1990 esteve em níveis inferiores a 5% e no quarto trimestre de 1991 o desemprego afectava 3,5% da população activa, o valor mais baixo do período analisado – e uma taxa de 6% continua a ser relativamente elevada.


Emprego em máximos não é suficiente

João Cerejeira não vê como é que será possível reduzir a taxa de desemprego nos próximos tempos.

“Tem sido difícil descer abaixo dos 6%. Pode haver aqui problemas de desemprego estrutural, mas com a crise da habitação podemos ter também elementos do desemprego ficcional difíceis de reduzir porque, por exemplo, é mais difícil mudar de emprego de uma região para outra se isso implicar mudar de casa”, adianta.


Na perspectiva de Paulino Teixeira, a taxa ainda se está a ajustar e poderá subir ou descer ligeiramente em função de factores de mais longo prazo, dando como exemplo a transição digital a que se está a assistir e que “aumenta a fricção ou o desajustamento entre a oferta e a procura de competências”.


Fenómenos como este criam emprego, mas também criam desemprego e pode acontecer que a taxa de desemprego suba ainda um pouco até que as empresas se ajustem e as universidades e as escolas possam adaptar as suas ofertas, refere o professor de Coimbra.


Cerejeira antecipa que até ao final do ano, a taxa de desemprego ainda possa aumentar, mas a um ritmo lento e resultado sobretudo de as empresas não conseguirem criar emprego suficiente para absorver os que querem trabalhar.

No segundo trimestre de 2023, nota, a população desempregada aumentou em termos homólogos apesar de o emprego ter aumentado, “o que significa que houve transferência de inactivos para o mercado de trabalho e que não encontraram emprego”.

Ainda assim, os dados mais recentes do Eurostat mostram que Portugal foi um dos três países da União Europeia (UE) com o maior crescimento do emprego no segundo trimestre de 2023.


O país registou, tal como a Lituânia e Malta, uma subida de 1,3% do emprego em relação ao mesmo período do ano passado.

Na prática, o número de pessoas empregadas aumentou para 4,979 milhões de pessoas, à custa dos contratos a termo e precários e do sector do alojamento e restauração.


O professor da Universidade do Minho alerta ainda que há factores de risco que Portugal não controla. O principal é um eventual abrandamento das economias europeias que são clientes importantes do turismo e do sector exportador nacional, a que acresce a subida dos juros.

Desafio para as políticas públicas

Pedro Martins, ex-secretário de Estado do Emprego e professor na Nova SBE, considera que se está perante um paradoxo e um desafio para as políticas públicas.

“Se estamos numa situação de pleno emprego e temos uma taxa de desemprego de 6% e 300 mil desempregados inscritos no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) isso significa desafios importantes ao nível das políticas públicas na área do emprego e do trabalho”, sublinha.


Os desafios são sobretudo ao nível das transições entre a escola e o mercado de trabalho – ponto em que o ensino profissional pode ter um papel importante, defende –, ao nível da formação profissional e das medidas activas de emprego dirigidas a quem está à procura de um lugar no mercado de trabalho e, muitas vezes, não tem as qualificações adequadas ou que correspondam às necessidades das empresas.

Por outro lado, o economista sublinha que Portugal “enfrenta problemas sérios ao nível da equidade intergeracional”. Os jovens, diz, sofreram muito com os confinamentos, têm perspectivas “complicadas em termos de segurança social” e continuam com níveis de prevalência de contratos a termo muito elevados.

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“Cultura do descartável e de facilitismo provocou exageros”: hospitais portugueses são responsáveis por 100 mil toneladas de lixo por ano

Vera Lúcia Arreigoso Jornalista, in Expresso


No Dia Mundial da Saúde Ambiental, promotores nacionais pedem aos profissionais de saúde que contribuam para a preservação do ambiente. Cuidados assistenciais em Portugal têm uma pegada ecológica superior à média europeia

um diagnóstico ambiental feito por médicos: todos os anos, os doentes internados nos hospitais portugueses produzem mais de 100 mil toneladas de lixo, com uma pegada ecológica quatro vezes superior à de um cidadão vulgar. Cada cama hospitalar gera entre seis a oito quilos de lixo por dia e isto faz adoecer-nos a todos. O alerta é feito Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA) no Dia

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25.9.23

Portugueses pedem menos comida, restaurantes começam a cobrar extras: “É para prevenir abusos, queremos ter clientes e não correr com eles”

Conceição Antunes Jornalista, in Expresso

Estabelecimentos alegam que o consumo médio por pessoa está a “diminuir drasticamente” e que a prática de divisão de pratos envolve custos. A Deco ainda não recebeu reclamações formais por taxas extra, frisando que devem corresponder a um serviço efetivo e comunicadas claramente ao consumidor - e que, apesar de legais, “não são uma boa prática”


É um sinal do impacto da inflação, em ambos os lados: os portugueses, confrontados com menor poder de compra, estão cada vez mais a partilhar pratos ou sobremesas destinadas a apenas uma pessoa quando vão a restaurantes – e os estabelecimentos, também a braços com aumento de custos, começam a cobrar taxas extra por uso de talheres ou de loiça. Apesar de poder ser impopular, esta cobrança é legal, desde que venha expressa no menu.

A procura por restaurantes mantém-se, o movimento não regista grandes quebras, mas o que está a “diminuir drasticamente” é o consumo médio por pessoa (chamado ticket, na gíria do sector), segundo avança a Associação Nacional de Restaurantes (Pro.Var), enfatizando a “tendência crescente” de cobrar extras para fazer face ao aumento de custos.

“As pessoas, em vez de pedirem uma refeição completa como faziam, abdicam da típica entrada, uma travessa para dois dá para três ou para quatro, a sobremesa é para dividir, ou pedem vinhos mais baratos”, exemplifica Daniel Serra, presidente da Pro.Var, frisando que “esta alteração mexe com todo o modelo de negócio dos restaurantes, feito em função de se fazerem refeições completas para pagar os custos”.

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Idade média dos educadores de infância subiu para 55 anos e a dos professores de 1.º ciclo para 50

       Raquel Albuquerque Jornalista, in Jornalista


O envelhecimento dos professores em Portugal tem sido visível e os mais velhos são os do pré-escolar, alargando para mais de 50 anos a diferença que os separa dos alunos. Mas a realidade estende-se a todos os níveis de ensino: em 2015/16 os professores do 1.º ciclo tinham, em média, 46 anos e agora têm 50


Os educadores de infância do ensino público têm, em média, 55 anos de idade, segundo os dados mais recentes da Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência (DGEEC). Isso significa que há uma diferença de idades superior a 50 anos entre as crianças da pré-escolar e os seus educadores, traduzindo o envelhecimento acentuado dos docentes, que se estende a todos os níveis de ensino.

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Portugal tem de se preocupar com estado da sardinha, carapau e biqueirão

in JN

Portugal tem de se preocupar com o estado dos peixes forrageiros, uma vez que captura pequenas espécies como o carapau, a sardinha e o biqueirão, alertou, em declarações à Lusa, a vice-presidente adjunta da ONG Oceana, Vera Coelho.


"O estado dos pequenos peixes pelágicos no Atlântico Nordeste deveria ser preocupante para Portugal, já que a nossa frota captura espécies como o carapau, a sardinha e o biqueirão" referiu Vera Coelho, no âmbito de um relatório divulgado esta segunda-feira sobre o estado das espécies forrageiras (de que se alimentam peixes maiores e outros animais marinhos, como aves e mamíferos).


À agência Lusa, a vice-presidente adjunta da ONG de conservação marinha, disse ainda que deve ser assegurado que a pesca destas espécies seja gerida de forma a preservar o futuro tanto das nossas comunidades piscatórias como dos ecossistemas marinhos.

A título de exemplo, indicou que estas espécies que se deslocam em cardume na zona pelágica são fundamentais para ajudar a recuperação de outros peixes, como o bacalhau e o atum, que delas dependem como alimento.


Segundo um relatório divulgado esta segunda-feira, no âmbito das negociações, em Bruxelas, das possibilidades de pesca para 2024, apenas uma em cada seis populações de peixes forrageiros no Atlântico Nordeste, que inclui as zonas de pesca de Portugal, é explorada de forma sustentável e encontra-se num estado saudável.

Das 32 populações de peixes forrageiros analisadas pela Oceana, apenas 16% (cinco populações) são exploradas "de forma sustentável e se encontra num estado saudável".


O relatório da Oceana, sublinhou ainda Vera Coelho, destaca "a necessidade urgente de adotar estratégias de gestão sustentáveis a longo prazo em toda a região [do Atlântico Nordeste], o que requer a cooperação de todos os países costeiros com atividade de pesca sobre estas espécies."


Os totais admissíveis de capturas para 2024 estão já em negociação, devendo a Comissão Europeia avançar com uma proposta em novembro, que será fechada pelos ministros das Pescas da UE no conselho de 11 e 12 de dezembro, para as águas da UE e internacionais, em colaboração com outros países, como a Noruega, o reino Unido e o Canadá.

22.9.23

Remessas dos emigrantes caem 1,6% em julho para 375,1 milhões de euros

Mário Baptista, in Lusa

Lisboa, 22 set 2023 (Lusa) - As remessas dos emigrantes caíram 1,6% em julho face ao período homólogo de 2022, para 375,13 milhões de euros, mas o valor acumulado desde janeiro é maior do que nos primeiros sete meses do ano passado, segundo dados oficiais.


De acordo com os dados do Banco de Portugal consultados hoje pela agência Lusa, as verbas enviadas pelos emigrantes desceram de 381,22 milhões de euros, em julho de 2022, para 375,13 milhões de euros, em julho deste ano.

Apesar da queda de julho, as remessas dos emigrantes nos primeiros sete meses do ano, num total de quase 2.355 milhões de euros, continuam acima dos valores enviados de janeiro a julho do ano passado, período em que os emigrantes enviaram 2.267 mil milhões de euros.

Em sentido inverso, as verbas enviadas pelos estrangeiros a trabalhar em Portugal registaram uma subida de 14,3%, passando de 46,67 milhões de euros, em julho do ano passado, para 53,36 milhões, em julho deste ano.


Os imigrantes lusófonos a trabalhar em Portugal enviaram para os seus países 3,8 milhões de euros, o que representa uma queda de 9,8% face aos 3,4 milhões enviados em julho do ano passado.

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21.9.23

Marcelo diz que Portugal terá 80% de electricidade de fontes renováveis até 2026

Por Lusa, in Público

O chefe de Estado referiu que “Portugal decidiu antecipar em cinco anos, para 2045, a neutralidade carbónica total” e que vai “duplicar o investimento em ciência e tecnologia aplicadas aos mares”.


O Presidente da República realçou nesta quarta-feira nas Nações Unidas as medidas adoptadas em Portugal para combater as alterações climáticas e deixou uma mensagem de confiança na capacidade de acção dos responsáveis políticos.

"Nós podemos e iremos cuidar do que é o nosso único planeta, o futuro das gerações mais novas. Nós seremos responsáveis perante as nossas populações. Não as iremos desapontar", afirmou, num discurso na Cimeira da Ambição Climática, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.


Esta cimeira foi convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, para uma vez mais alertar para a urgência de se agir nesta matéria.



Marcelo Rebelo de Sousa, que interveio em inglês, durante cerca de três minutos, pediu "mais ambição e credibilidade no que respeita à acção climática".


Na presença do ministro do Ambiente e da Acção Climática, Duarte Cordeiro, o chefe de Estado referiu, entre outras medidas, que "Portugal decidiu antecipar em cinco anos, para 2045, a neutralidade carbónica total" e que vai "duplicar o investimento em ciência e tecnologia aplicadas aos mares".

"Estamos financiar tantos países vulneráveis. Começámos com um acordo piloto com Cabo Verde convertendo dívida do Estado num fundo climático e ambiental. Vamos replicar com outros países africanos e asiáticos que pertencem à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)", destacou.



O Presidente da República disse que a humanidade está "a correr contra o relógio" e que já se perdeu "demasiado tempo" para travar e minimizar os efeitos das alterações climáticas.

"Mas estamos certos de que, antes de 2030 e antes de 2050, nós podemos e iremos cuidar do que é o nosso único planeta, o futuro das gerações mais novas. Nós seremos responsáveis perante as nossas populações. Não as iremos desapontar", acrescentou.


Marcelo Rebelo de Sousa mencionou que Portugal não produz electricidade a partir de carvão nem tem energia nuclear e vai "antecipar em quatro anos, para 2026, 80% de renováveis na produção de electricidade e em 2030 100% de renováveis".

"Até 2030 iremos reduzir em 55% as nossas emissões [de gases com efeito de estufa]", prosseguiu o chefe de Estado.


Ainda sobre as medidas adoptadas em Portugal, no que respeita ao mar, salientou a decisão de "classificar como áreas protegidas 30% do seu mar" e o desenvolvimento de "um observatório atlântico para o clima".

Marcelo Rebelo de Sousa chegou no domingo à noite aos Estados Unidos da América, onde ficará até sexta-feira. Na terça-feira, discursou no debate geral da 78.ª sessão da Assembleia Geral da ONU e apelou aos líderes mundiais para que se passe das promessas à acção na reforma desta organização, em particular do seu Conselho de Segurança, e das instituições financeiras mundiais.



Marcelo pede "roteiro de paz justo" e "à altura da História"


Em Nova Iorque, mas noutro fórum da ONU, o Presidente da República defendeu um "roteiro de paz justo" para a Ucrânia, "que viabilize um cessar-fogo imediato e duradouro, com a retirada das tropas da Federação Russa" do território ucraniano.

"Estejamos à altura da História. São os nossos povos, é a humanidade que o exige", apelou Marcelo Rebelo de Sousa, num debate aberto do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a guerra na Ucrânia, na sede da ONU.


Segundo o chefe de Estado, um "roteiro de paz justo" deve salvaguardar "a legítima aspiração da Ucrânia à plena integração nas organizações às quais soberanamente deseje aderir".

Para Portugal, "uma paz justa e sustentável" implica "a libertação de prisioneiros e deportados, com especial urgência para as crianças, e a credibilização da justiça internacional através de uma investigação minuciosa aos crimes de guerra, aos crimes contra a humanidade e aos seus autores".

O Presidente da República realçou também a importância da "garantia da segurança nuclear e das suas instalações sob monitorização da Agência Internacional de Energia Atómica".

"Estes passos e a coragem política que eles exigem poderão permitir, a seu tempo, a assinatura de um tratado de paz e segurança entre a Federação Russa e a Ucrânia", considerou.

Marcelo Rebelo de Sousa discursou em português neste debate aberto do Conselho de Segurança da ONU — em que o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi o primeiro chefe de Estado a intervir — e reiterou o apoio de Portugal à Ucrânia.

"Estaremos sempre solidários com a legítima defesa da Ucrânia e a sua fórmula para a paz, com a sua luta na reposição da soberania e apoiando o seu contributo para a segurança alimentar global", afirmou.

A abrir o seu curto discurso, de cerca de três minutos, o chefe de Estado português interrogou: "Como se mede o sofrimento humano? Como se mede a dor de uma criança que ficou órfã? Dos pais que perdem os seus filhos? Dos mutilados e vítimas da tortura? Como se resiste e sobrevive a tudo isto e se continua a lutar pela família, pela casa, pelo país?".

Recordando a visita que fez em Agosto à Ucrânia, a convite do Presidente Zelensky, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que "é impossível ficar indiferente perante a indescritível devastação em Bucha ou Moshchun, exemplos trágicos de desumanidade e sofrimento".

"Mas é também impossível não admirar a vitalidade e a força moral inspiradoras na resistência do povo ucraniano que dignamente se defende de uma invasão ilegal, injusta e imoral", acrescentou. Lusa

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As pessoas e a longevidade: Portugal precisa de investir mais em investigação, prevenção e literacia

Sofia Correia Baptista Jornalista, in Expresso


O país deve apostar na investigação, na prevenção e na literacia para um envelhecimento mais saudável, concluiu o painel de mais uma webtalk sobre os desafios associados à longevidade


A ciência e a literacia na área da longevidade e a preparação de Portugal para promover um envelhecimento saudável foram os temas centrais abordados em mais uma webtalk do projeto do Expresso dedicado à Longevidade.

Dividido em três conversas, o painel desta quarta-feira contou com a participação de Cláudia Cavadas (líder do grupo de Neuroendocrinologia e Envelhecimento do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra), Helena Canhão (diretora da NOVA Medical School), Daniel Riscado (responsável do Centro de Transformação da Fidelidade), Pedro Pimentel (diretor-geral da Centromarca), Maria do Rosário Zincke (presidente da Alzheimer Europe) e Sofia Sousa Roque (coordenadora executiva da Digital Health Portugal). O diretor-adjunto do Expresso, Martim Silva, moderou o debate.

Estas foram as principais ideias em discussão:
INVESTIGAÇÃO

Na Universidade de Coimbra, o grupo liderado por Cláudia Cavadas dedica-se à análise da forma como as células envelhecem, isto é, “perceber os processos” para que seja possível intervir, de forma a que as doenças surjam “o mais tarde possível”. Pretende-se que o trabalho em laboratório venha, no futuro, a ter impacto nas políticas públicas.

Já na NOVA Medical School, Helena Canhão destaca o trabalho de investigação centrado no indivíduo e nas populações. Trata-se de perceber quais são as características para, depois, “tentar modificar padrões e comportamentos”, algo que é “muito difícil”. Está em causa uma “validação clínica” de inovação e novas tecnologias, avaliando o impacto e repercussão na qualidade de vida.

APOIO

Para Cláudia Cavadas, é necessário mais financiamento para a investigação dedicada ao envelhecimento, área em que há agora um maior interesse. É também preciso investir no apoio domiciliário, segundo Helena Canhão: a tecnologia existe no nosso país, mas há desigualdade no acesso.

Por exemplo, há países em que dispositivos como luzes que se acendem com sensores ou apoios para a casa de banho são comparticipados, “enquanto cá, quem não pode pagar essas ajudas, tem uma qualidade de vida completamente diferente do que quem pode”.

PREVENÇÃO

A prevenção é “muito importante” e, para tal, precisamos de “políticas de saúde e não de doença”, indica Cláudia Cavadas. Além de preventiva, a medicina deve ser também preditiva, personalizada e participativa, uma vez que a genética e os comportamentos são diferentes.

Também em termos de prevenção, Maria do Rosário Zincke salienta que a Estratégia da Saúde na Área das Demências “tem estado parada”. É preciso uma “aposta séria na prevenção” e atuar ao nível dos fatores de risco – como o isolamento social – e da intervenção não farmacológica.


LITERACIA

Para a presidente da Alzheimer Europe, o grande desafio tem sido contribuir para a literacia dos cuidadores e dos decisores políticos, mas também das próprias pessoas com demência, o que significa “assegurar que conhecem o seu diagnóstico e a partir daí conseguem planear o futuro, e dar a conhecer os seus direitos”.

Neste contexto, as crianças podem assumir um papel relevante em termos de “veículo de informação”. Sofia Sousa Roque aponta, no mesmo sentido, uma “permeabilidade grande da informação” transmitida pelos mais novos.

Tudo isto porque, de acordo com Maria do Rosário Zincke, “ainda há muito trabalho a desenvolver no combate ao estigma e às ideias erradas sobre o que é uma pessoa com demência”. Estas pessoas “podem ter um papel ativo na sociedade” e devem ser envolvidas nas tomadas de decisão.
PROBLEMA DEMOGRÁFICO

Pedro Pimentel alertou que Portugal tem um “problema sério a nível demográfico”. Em cerca de 100 anos e “se nada for feito”, o país passará a ter aproximadamente seis milhões de habitantes, uma perda que “só pode ser compensada com reforço de natalidade e através de imigração”.

PROPÓSITO

Em vez de estruturar a vida em três fases – estudo, trabalho e reforma –, Daniel Riscado considera fazer sentido acrescentar uma outra fase, antes da reforma, com um “desacelerar mas um contributo ativo”. É que a existência de um propósito tem um “grande impacto positivo” na longevidade. “O facto de estarmos a contribuir para algo tem um papel enorme em vivermos bem”, resume o responsável do Centro de Transformação da Fidelidade.

Sair de casa dos pais, ir viver com desconhecidos

por Inês Martins - Antena 1, in RTP


Sair de casa dos pais e ir viver para outra casa, muitas vezes com desconhecidos é cada vez mais uma rotina para muitos estudantes deslocados em Portugal. Um processo pode gerar ansiedade por ser uma experiência que foge ao considerado "espaço de conforto psicológico".

A repórter Inês Martins ouviu a psicóloga Tânia Gaspar, que deixou alguns conselhos aos jovens que têm de dividir casa com estranhos.

Regresso a casa dos pais é solução para quem não consegue ser economicamente independente

por Diogo Pereira - Antena 1, in RTP


Há cada vez mais jovens a regressar para casa dos pais por não ser capaz de pagar uma renda e viver financeiramente independente.
Sandra Faria é um desses casos e aos 27 anos viu-se forçada a dar um passo atrás e a voltar para casa da mãe.

Refere que os preços incomportáveis, no mercado de arrendamento e esta foi a única solução que encontrou.


Há cada vez mais sem-abrigo estrangeiros em Portugal

por Antena 1, in RTP


Está a crescer o número de estrangeiros a viver na rua, em Portugal. Um dos motivos é o elevado preço no mercado de arrendamento, revela, o presidente do CASA - Centro de Apoio ao Sem Abrigo.
Paulo Bicudo, entrevistado esta manhã pela jornalista Rosa Azevedo, alerta para um aumento assinalável dos pedidos de ajuda, de pessoas que não estão a conseguir integrar-se na sociedade portuguesa.

Pode a fraude nos fundos europeus ser de apenas 200 mil euros em Portugal?

Joana Nunes Mateus jornalista, in Expresso


A Inspeção Geral de Finanças (IGF) e o Ministério Público (MP) devem estabelecer um protocolo rigoroso de comunicação de dados para passarem a comunicar eletronicamente uma à outra a totalidade das iniciativas relativas a eventuais fraudes no domínio da atribuição e utilização de fundos europeus.

Esta é a primeira recomendação do “Estudo para o Conhecimento da Fraude nos Fundos Estruturais em Portugal”, cuja divulgação pública está agendada para esta quinta-feira à tarde, na Procuradoria-Geral da República, pelo Think Tank (grupo de reflexão) Iniciativa antifraude no âmbito dos fundos europeus.

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20.9.23

Covid-19: Portugal está com uma média diária de 10 óbitos e 300 novos casos, diz Carmo Gomes

Por Lusa, in Expresso


"Durante o verão, o número de notificações de casos positivos de covid-19 manteve-se bastante estável entre os 200 e os 300 novos casos por dia. São os casos que temos conhecimento e representam uma grande subestimação relativamente à realidade porque a maior parte das pessoas agora faz um autoteste e não reporta", diz o epidemiologista

Portugal está com uma média diária de dez óbitos por covid-19 e entre 200 a 300 novos casos, números que representam "uma grande subestimação", porque a maioria dos infetados já não reporta a situação, segundo o epidemiologista Carmo Gomes.

A poucos dias do arranque da campanha de vacinação sazonal de vacinação contra a covid-19 e a gripe (29 de setembro), Manuel Carmo Gomes analisou a situação epidemiológica em Portugal do coronavírus SARS-CoV-2, que causa a covid-19.

"Durante o verão, o número de notificações de casos positivos de covid-19 manteve-se bastante estável entre os 200 e os 300 novos casos por dia. São os casos que temos conhecimento e representam uma grande subestimação relativamente à realidade porque a maior parte das pessoas agora faz um autoteste e não reporta", disse à agência Lusa o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Segundo o epidemiologista, os casos notificados derivam das pessoas que são internadas e fazem o teste à covid-19 que dá positivo ou de pessoas que estão mais preocupadas com o seu estado de saúde e vão aos cuidados de saúde primários e fazem o teste.

Analisando a circulação do vírus no verão, Manuel Carmo Gomes, membro da Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19, disse que em junho e julho registou-se um número mínimo de casos diários, abaixo dos 180, tendo subido em agosto, chegando a atingir 600 a 650 casos por dia.

"Não há uma explicação segura acerca das razões pelas quais subiram. Provavelmente foram os mega acontecimentos que ocorreram em agosto, com grandes aglomerados de pessoas", mas essa subida parou e, neste momento, "já uma reversão" e "as coisas parecem estar a normalizar", adiantou.

Manuel Carmo Gomes destacou o facto de o vírus não ter apresentado este verão, e ao longo de 2023, uma sazonalidade muito forte, ao contrário, por exemplo, da gripe. "A covid manteve-se sempre circular com uma atividade bastante notável ao longo de todos os meses do verão e é previsível que agora os casos venham a subir com a entrada do outono, porque evidentemente as pessoas começam a estar mais tempo em recintos fechados não arejados, as escolas e o trabalho recomeçam, etc. Portanto, é de esperar que os casos agora voltem a ter um ressurgimento".

No que diz respeito às unidades de saúde, o especialista disse que "o verão também foi muito estável", com aproximadamente cerca de 200 pessoas internadas diariamente a testar positivo para a covid-19, sendo que muitas delas estavam internadas por outras razões de saúde. Destas 200, cerca de 10% estavam em cuidados intensivos, não necessariamente por causa da covid-19.

"Também em agosto, com a subida dos casos, houve uma ligeira subida nos hospitalizados que testaram covid-19", assinalou.

De acordo com o epidemiologista, os óbitos também estiveram sempre muito estáveis ao longo de todo o verão e variaram entre os três a seis óbitos por dia, tendo-se registado um mínimo em junho (uma média de três óbitos diariamente) e uma subida em agosto associada ao aumento de casos.

"Em finais de agosto, Portugal atingiu os 10 óbitos por dia e é aí que estamos neste momento", com uma média de 10 mortes por dia.

"Portanto, a covid continuou entre nós, não deu sinal de desaparecer, ao contrário de muitas outras doenças respiratórias (...) e continuou a evoluir sempre no sentido de fugir aos nossos anticorpos", comentou, adiantando que desde março se tornou dominante a sub-variante XBB do coronavírus que teve "muitas descendentes", sendo a XBB.1.5 uma das "mais abundantes" e que vai ser utilizada na vacina contra a covid-19.

Número de desempregados inscritos nos centros de emprego sobe 4,4% em agosto

Por Lusa, in DN

Este valor representa um aumento de 4,4% (+12.514 pessoas) relativamente a agosto de 2022 e de 3,9% (+11.031 pessoas) face a julho.


Onúmero de desempregados inscritos nos centros de emprego aumentou 4,4% em agosto em termos homólogos e 3,9% em cadeia, para 295.361, "o segundo menor valor de sempre" nos meses de agosto, anunciou esta quarta-feira o Governo.


Segundo os dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), em agosto "estavam inscritas 295.361 pessoas nos centros de emprego do Continente e regiões autónomas, número que representa 66,0% de um total de 447.251 pedidos de emprego".


Este valor representa um aumento de 4,4% (+12.514 pessoas) relativamente a agosto de 2022 e de 3,9% (+11.031 pessoas) face a julho.

"Para o aumento do desemprego registado, face ao mês homólogo de 2022, na variação absoluta, contribuíram os inscritos há menos de 12 meses (+27.106). Em sentido inverso, há uma diminuição dos inscritos há 12 ou mais meses no ficheiro dos serviços de emprego (-14.592)", detalha o IEFP.


Em comunicado, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social destaca que o desemprego de longa duração em agosto "foi o mais baixo de sempre neste mês", tendo registado uma queda de 11,2% face a agosto de 2022 e uma redução do peso no desemprego total.

O executivo salienta ainda que, no mês em análise, aumentaram as colocações em emprego e diminuíram as ofertas de trabalho por preencher: "Em agosto houve 6.532 colocações em emprego, mais 273 que em julho e mais 558 que no mês homólogo de 2022", refere.


Quanto ao número de jovens desempregados inscritos, aumentou 4,8% (+1.356 pessoas) face a agosto de 2022 e subiu 7,4% (+2.040 pessoas) em cadeia.

A nível regional, em agosto de 2023, com exceção dos Açores (-14,6%) e da Madeira (-28,0%), o desemprego aumentou em termos homólogos, com o valor mais acentuado a registar-se na região do Algarve (+11,3%).

Já em relação ao mês anterior, com exceção das regiões autónomas, "a tendência é de aumento do desemprego", com a maior variação a acontecer na região do Norte (+4,7%) e do Algarve (+4,3%), avança o IEFP.

Ao longo do mês em análise, inscreveram-se nos serviços de emprego de todo o país 41.497 desempregados, um número superior ao observado no mesmo mês de 2022 (+4.376, +11,8%) e inferior face a julho (-690; -1,6%).

Já as ofertas de emprego recebidas ao longo deste mês totalizaram 9.493 em todo o país, número inferior ao do mês homólogo de 2022 (-835;-8,1%), mas acima do mês anterior (+151; +1,6%).

Os grupos profissionais mais representativos dos desempregados registados no continente eram em agosto os "trabalhadores não qualificados" (26,6%), "trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção de segurança e vendedores" (19,6%), "pessoal administrativo" (12,0%) e "especialistas das atividades intelectuais e científicas" (11,7%).

Relativamente ao mês homólogo de 2022 (excluindo os grupos com pouca representatividade, ou significado, no desemprego registado), registaram-se acréscimos no desemprego na maioria dos grupos profissionais, com destaque para o "pessoal administrativo" (+9,1%) e "trabalhadores não qualificados"(+8,6%).

Segundo o IEFP, o desemprego apresenta, face ao mês homólogo de 2022, aumentos nos grandes setores económicos: "Agrícola" (+3,1%), "Secundário"(+7,5%) e "Terciário"(+6,4%).

19.9.23

Juros no crédito à habitação passam os 4% em agosto e representam 57% da prestação da casa

Rita Robalo Rosa Jornalista, in Expresso


A taxa de juro no crédito à habitação voltou a subir em agosto, para 4,089%, o valor mais alto desde março de 2009. Os juros representaram mais de metade da prestação da casa pelo quarto mês consecutivo


A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação em Portugal voltou a subir em agosto, ultrapassando os 4% (4,089%). Quando os portugueses pagam o seu crédito, 57% do dinheiro corresponde agora ao pagamento de juros.

A taxa de juro subiu 21,1 pontos base face a julho e atingiu em agosto o valor mais alto desde março de 2009, mostram os dados divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Desde abril do ano passado que esta taxa sobe todos os meses e em agosto os juros representaram mais de metade da prestação pelo quarto mês consecutivo.

Se olharmos apenas para os contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro é ainda mais elevada (4,331%, o valor mais alto desde abril de 2012).

A taxa de juro média inclui, além da aquisição de habitação, os juros para construção e reabilitação. Assim, se analisarmos apenas o financiamento de aquisição de habitação, “o mais relevante no conjunto do crédito à habitação”, segundo o INE, a taxa de juro subiu para 4,067%. Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro fixou-se nos 4,32%.

A prestação média subiu para 379 euros, mais nove euros que em julho e mais 111 euros que em agosto de 2022 (ou mais 41,4%). Deste valor, 216 euros (57%) correspondem a pagamento de juros e 163 euros (43%) a capital amortizado.

Nos contratos celebrados nos últimos três meses, o valor médio da prestação subiu 19 euros face ao mês anterior, para 623 euros.

O INE indica ainda que, no mês em análise, o capital médio em dívida para a totalidade dos contratos subiu 185 euros, fixando-se em 63.740 euros. E nos contratos celebrados nos últimos três meses, o montante médio do capital em dívida foi 122.964 euros, menos 134 euros que em julho.