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21.9.23

Pode a fraude nos fundos europeus ser de apenas 200 mil euros em Portugal?

Joana Nunes Mateus jornalista, in Expresso


A Inspeção Geral de Finanças (IGF) e o Ministério Público (MP) devem estabelecer um protocolo rigoroso de comunicação de dados para passarem a comunicar eletronicamente uma à outra a totalidade das iniciativas relativas a eventuais fraudes no domínio da atribuição e utilização de fundos europeus.

Esta é a primeira recomendação do “Estudo para o Conhecimento da Fraude nos Fundos Estruturais em Portugal”, cuja divulgação pública está agendada para esta quinta-feira à tarde, na Procuradoria-Geral da República, pelo Think Tank (grupo de reflexão) Iniciativa antifraude no âmbito dos fundos europeus.

[artigo disponível na íntegra apenas para assinantes]

13.9.23

Portugal 2030: problema informático deve adiar anúncio dos primeiros apoios às PME para outubro

Joana Nunes Mateus jornalista, in Expresso


Novo quadro de fundos comunitários prometeu aprovar primeiras candidaturas às micro, pequenas e médias empresas até ao início de setembro. Mas prazo de 60 dias úteis saiu furado devido a problemas informáticos

Está atrasada a divulgação dos resultados da primeira fase de candidaturas das micro, pequenas e médias empresas (PME) para os apoios do novo quadro comunitário Portugal 2030 a investimentos produtivos em atividades inovadoras nas cinco regiões do continente: Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve.

O prazo para decisão dos primeiros incentivos ao investimento empresarial do Portugal 2030 terminou no início de setembro. Mas o Expresso confirmou que um problema informático deverá atrasar o anúncio destes apoios por mais algumas semanas.

Em causa está o concurso de 400 milhões de euros de fundos europeus para apoiar a inovação produtiva das PME. São 125 milhões de euros para territórios de baixa densidade e do interior e 275 milhões de euros para os restantes.

Lançado a 3 de maio, este primeiro concurso dirigido às PME divide-se em quatro fases de candidaturas até 15 de dezembro de 2023.

A primeira fase terminou a 2 de junho e a decisão fundamentada sobre essas candidaturas deveria ter sido proferida no prazo de 60 dias úteis.

A esta primeira fase do concurso puderam concorrer os candidatos que efetuaram até 30/11/2022 o chamado “registo de pedido de auxílio”. Em causa está um mecanismo lançado pelo Governo para desbloquear o investimento empresarial. Na prática, permitiu às PME darem início aos respetivos projetos de inovação produtiva sem terem de esperar pela abertura dos primeiros concursos do Portugal 2030.

Resta saber quem verá o investimento apoiado.

Ao abrigo deste primeiro concurso do Portugal 2030, os projetos empresariais de natureza inovadora, que se traduzam na produção de bens e serviços transacionáveis e internacionalizáveis e com elevado valor acrescentado e nível de incorporação nacional, podem obter um apoio até 40%.

26.6.23

Portugal vai receber 11 milhões para apoios a agricultores

in RR

Comissão Europeia vai distribuir um total de 330 milhões de euros pelos Estados-membros.

A Comissão Europeia propôs um apoio de 11 milhões de euros para os agricultores em Portugal, de um total de 330 milhões de euros para 22 Estados-membros da União Europeia (UE) afetados por fenómenos climáticos adversos, como seca.

“A Comissão propõe a mobilização de financiamento comunitário adicional para os agricultores da UE afetados por fenómenos climáticos adversos, custos elevados dos fatores de produção e diversas questões relacionadas com o mercado e o comércio”, anuncia a instituição numa nota à imprensa, esta segunda-feira.

Ao todo, o novo pacote de apoio (que é mobilizado com base numa reserva de crise) consistirá em 330 milhões de euros para 22 Estados-membros e, desta verba, cerca de 11,6 milhões de euros dizem respeito a Portugal e à sua situação de seca.

“Os agricultores da UE da Bélgica, República Checa, Dinamarca, Alemanha, Estónia, Irlanda, Grécia, Espanha, França, Croácia, Itália, Chipre, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Áustria, Portugal, Eslovénia, Finlândia e Suécia beneficiarão deste apoio excecional de 330 milhões de euros do orçamento da Política Agrícola Comum”, explica o executivo comunitário.

Caberá às autoridades nacionais distribuir estas verbas “diretamente aos agricultores para os compensar pelas perdas económicas devidas às perturbações do mercado, às consequências dos elevados preços dos fatores de produção e da rápida descida dos preços dos produtos agrícolas e, se for caso disso, pelos prejuízos causados pelos recentes fenómenos climáticos, particularmente graves na Península Ibérica”, indica a instituição.

Além disso, “os países podem complementar este apoio da UE até 200% com fundos nacionais”, adianta.

A proposta surge depois de os Estados-membros terem partilhado com Bruxelas as suas avaliações das dificuldades enfrentadas pelos respetivos setores agrícolas.

Por se tratar de uma reserva de crise, a medida será votada pelos países na próxima reunião do comité para a organização comum dos mercados agrícolas.

Também hoje, no Conselho de Agricultura, os ministros da UE aprovaram um pacote de apoio de 100 milhões de euros para os agricultores da Bulgária, Hungria, Polónia, Roménia e Eslováquia, com base numa outra proposta de Bruxelas.

“Várias outras medidas, incluindo a possibilidade de pagamentos antecipados mais elevados, deverão apoiar os agricultores afetados por fenómenos climáticos adversos”, de acordo com a Comissão Europeia.

O setor agrícola tem estado sob pressão desde a pandemia de covid-19 e o aumento dos preços da energia e dos fatores de produção agrícola, como os fertilizantes, na sequência da invasão russa da Ucrânia, cenário ao qual se tem juntado a severa seca na Península Ibérica.

2.2.22

PRR. Abertas candidaturas a verbas para comunidades desfavorecidas da área de Lisboa

in Sapo24

As candidaturas aos 121,5 milhões de euros previstos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para intervenções em comunidades desfavorecidas da Área Metropolitana de Lisboa e nos territórios onde vivem podem ser apresentadas até 14 de março.

Segundo um aviso hoje publicado, as candidaturas a estas verbas europeias do PRR têm como beneficiários finais as unidades técnicas locais que integram os 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa (AML), onde havia, em 2021, "uma taxa de risco de pobreza de 16,9% e uma taxa de privação material e social severa de 5,3%, concentrando cerca de 27% dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção".

"Este contexto social negativo", porém, "não reflete ainda os profundíssimos impactes gerados pela pandemia que, como tem vindo a ser evidenciado, foram especialmente diferenciados em termos sociais e espaciais", lê-se ainda no texto do aviso, que lembra que o PRR é um programa criado para responder à crise gerada pela covid-19.

Na AML, "a exclusão social assume (...) uma inequívoca expressão territorial, geradora de comunidades marginalizadas, onde coexistem de forma complexa e imbricada problemas de natureza urbanística, habitacional, social, económica e de acesso a bens e serviços públicos", sendo que o Plano Metropolitano de Apoio às Comunidades Desfavorecidas na Área Metropolitana de Lisboa (PMACD-AML), no âmbito do qual serão executadas estas verbas, "constitui-se como uma resposta a esta realidade, procurando desencadear, em articulação com outras políticas setoriais de âmbito nacional e municipal, intervenções integradas de âmbito local, lideradas pelas autarquias com a participação dos atores sociais, económicos e comunitários".

Estes 121,5 milhões de euros para promover a inclusão e a regeneração social de comunidades desfavorecidas na AML têm de ser executados até 2025.

Num comunicado divulgado hoje, a AML, entidade que agrega 18 municípios, considera que este investimento "permitirá promover a inclusão social de comunidades que vivam em situação de carência e exclusão" e sublinha que as verbas se destinam a "obras, construção e ações imateriais, de acordo com sete eixos de intervenção: ambiente e valorização do espaço público; cultura e criatividade; educação; cidadania e empoderamento de comunidades; emprego e economia local; saúde; e dinamização social".

"A abordagem será concertada com as comunidades e liderada por parcerias de base local que envolvam autarquias, organizações locais e entidades públicas" de setores considerados "relevantes" (cultura, emprego, economia, educação, migrações, saúde ou segurança social).

"Comunidades residentes em bairros, zonas ou territórios urbanos, serão elegíveis para implementar as intervenções territoriais", desde que reúnam três destas condições: habitabilidade deficiente ou precária; prevalência de desemprego, “baixos rendimentos e pobreza material”; problemas de acesso à saúde, desporto, educação e cultura; problemas de abandono e insucesso escolar; “problemas de cidadania e acesso a direitos” e “problemas de envelhecimento ativo e saudável", segundo explica a AML no mesmo comunicado.

Fazem parte da AML os concelhos de Alcochete, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira.

28.1.22

Associação Zero queixa-se a Bruxelas de "má gestão" de fundos europeus

in JN

A associação ambientalista Zero anunciou, esta sexta-feira, que apresentou uma queixa à Comissão Europeia contra Portugal por "violação da diretiva Aves", que visa proteger as aves selvagens no espaço comunitário, e por "má gestão dos fundos europeus destinados à agricultura".

A Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável justifica, em comunicado, a ação com o "decréscimo alarmante" de espécies de aves estepárias (predominantes em estepes) "que estão protegidas por lei", estimando que as populações da águia-caçadeira, do sisão e da abetarda caíram entre 49% e 85% nos últimos 10 anos.

A associação salienta que estas espécies, que têm "a maior parte da sua população" no Alentejo, "estão muito dependentes" da rotação entre culturas de cereais de sequeiro e o pousio, "tendo sido designadas 13 Zonas de Proteção Especial (ZPE) com vista à sua conservação".

Para a Zero, várias razões explicam o "decréscimo brutal" das espécies de aves estepárias, como os "fracos apoios", por hectare, aos agricultores para a sua conservação, que "parecem não compensar os custos adicionais e de oportunidade face, por exemplo, a outras atividades mais competitivas e mais subsidiadas, como a produção de gado bovino ou a agricultura de regadio, e também não compensam as perdas de rendimento incorridas que derivam de menores produtividades".

"O reduzido valor dos apoios em causa não tem, pois, impedido que os agricultores prefiram a criação de bovinos ou outras espécies pecuárias", refere o comunicado, assinalando que as pastagens e as culturas forrageiras, ligadas à produção de gado, ocupam a maior parte das áreas declaradas em oito das 13 ZPE.

Segundo a Zero, em "quase todas" estas ZPE "proliferam situações de intensificação agrícola de génese ilegal associadas ao regadio que alteraram o uso do solo" sem que o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) "tenha efetuado qualquer diligência no sentido de garantir a reposição da situação anterior".

Acresce, de acordo com a associação ambientalista, que "as datas de cortes de cereais e de culturas forrageiras são autorizadas sem que se tenha em conta o ciclo de reprodução das espécies" das aves protegidas.

"O que favorece o rendimento dos agricultores, mas cria uma perversão total, já que, na prática, a subsidiação pública acaba a promover a mortalidade nas espécies que a legislação comunitária protege", sustenta a Zero, apontando a falta de planos de gestão para cada uma das ZPE e de um plano de ação para a conservação das aves estepárias, o qual, diz, "há muito se encontra elaborado" pelo ICNF, mas "nunca foi aprovado pela tutela".

Para a associação, só a alteração do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) 2023-2027, do qual Portugal "aguarda por uma decisão" de Bruxelas, "pode salvar da extinção" as aves estepárias, em particular a águia-caçadeira, o sisão e a abetarda.

"Há que repensar os montantes dos apoios aos agricultores com atividade agrícola situada nas ZPE Estepárias, para que os mesmos sejam adequada e justamente compensados por custos adicionais, custos de oportunidade e por perdas de rendimento pela adesão aos apoios zonais destinados à manutenção da rotação de sequeiro cereal-pousio", defende.

De acordo com a Zero, a concessão de subsídios mais ajustados aos agricultores das ZPE permitiria que a produção de cereais praganosos (trigo, centeio, cevada, aveia) e leguminosas (feijão, grão, favas, lentilhas, ervilhas) se tornasse numa "atividade competitiva face à produção de gado" e "inibidora de pressões no sentido da intensificação agrícola".

Numa reação ao comunicado, o Ministério da Agricultura alegou à Lusa desconhecimento da queixa da Zero e que o PEPAC "respeita os regulamentos europeus e está em linha com a proposta do quadro da ação prioritária para a biodiversidade".

10.9.21

SEF ocultou um milhão de euros que devia ter sido entregue a refugiados

Ana Dias Cordeiro, in Público on-line

Serviço de Estrangeiros e Fronteiras não consegue explicar onde está parte das verbas recebidas da Comissão Europeia em 2018 e 2019 que se destinavam a mais de 400 refugiados. O director nacional adjunto responsável pela área das Finanças nesses dois anos cessou funções em Março de 2020.

Por cada refugiado que Portugal acolhe no quadro do Programa de Reinstalação, o Estado recebe 10 mil euros da Comissão Europeia. Este montante fixo pago por cada pessoa, designado por lump sums, está garantido aos países que acolhem refugiados desde 2016. É um valor que sai do orçamento da Comissão Europeia e se destina a ajudar os países, como Portugal, a concretizar o seu compromisso de garantir protecção internacional a refugiados.

No esquema de reinstalação implementado nos últimos cinco anos, Portugal e os Estados-membros que a ele aderiram receberam essa quantia por pessoa reinstalada. No caso de Portugal, o valor é transferido para o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) que, por sua vez, o transfere para o Alto Comissariado para as Migrações (ACM). “O SEF é apenas um intermediário”, explica fonte desta instituição.

Mas nem sempre foi assim. Pelo menos em 2018 e 2019, o SEF recebia os 10 mil euros por pessoa reinstalada e apenas entregava 7500 euros ao ACM. Nesses dois anos, foram acolhidas no Programa de Reinstalação em Portugal pelo menos 409 pessoas a viver em campos de refugiados da Turquia e do Egipto depois de terem fugido de países como o Iraque, o Afeganistão ou a Síria.

Por serem 2500 euros por pessoa e terem sido reinstaladas 409 refugiados nesses dois anos, significa que o SEF terá recebido, do pacote das lump sums para o acolhimento, pelo menos 1.022.500 euros que não justifica oficialmente. Este valor é uma estimativa aproximada, uma vez que a transferência das verbas e a chegada dos refugiados podem não coincidir exactamente no tempo.

"As lump sum são utilizadas para dar resposta ao processo de preparação, acolhimento e integração inicial de pessoas refugiadas ao abrigo de programas de reinstalação" Gabinete da ministra Mariana Vieira da Silva

Transferências e protocolos

Nas primeiras respostas ao PÚBLICO dez dias após o envio das perguntas sobre o destino desse dinheiro, o SEF apenas dizia que “os processos de preparação, acolhimento e integração de pessoas refugiadas” levam esta instituição “a celebrar protocolos de cooperação (…) para garantir a melhor coordenação e apoio técnico operacional à implementação desses processos”. Sem mencionar valores, acrescentava que “para esse efeito, o SEF efectua transferências financeiras no âmbito dos referidos protocolos”.

A instituição tutelada pelo Ministério da Administração Interna (MAI) não esclarecia quais as acções de coordenação necessárias e os apoios aos “processos de preparação, acolhimento e integração dos refugiados”; e não clarificava quais os custos associados a cada um deles.

Só mais tarde, quando o SEF foi confrontado com o facto de o Tribunal de Contas ter em 2019 pedido explicações (e que não as obtivera) sobre o diferencial dos valores recebidos (10 mil euros por pessoa) e entregues para benefício dos refugiados (7500 euros por pessoa), o PÚBLICO soube oficiosamente que o registo desses valores ou não existe ou está a ser ocultado.

Às perguntas do PÚBLICO enviadas numa segunda fase, sobre as dúvidas do TdC, sobre se as mesmas tinham motivado a instauração de um inquérito interno para averiguar responsabilidades, e ainda sobre o destino das discrepâncias entre valores, o SEF não deu resposta.

Também nenhuma justificação para o desaparecimento dessas verbas foi dada na altura ao Tribunal de Contas.
Demissão “por motivos pessoais"

Quando foram detectados “os erros financeiros” e "as desconformidades", como lhe chamou o TdC no seu relatório de auditoria ao Fundo para o Asilo, Migração e Integração (FAMI), divulgado em Maio de 2020, José António Teixeira Pinheiro Moreira era o director-nacional adjunto do SEF, responsável pela área das Finanças.

O próprio disse ao PÚBLICO que, nessa qualidade, não era ele quem estabelecia as quantias a transferir para o ACM que depois iriam para as entidades de acolhimento. “O destino das lump sums era decidido no âmbito de protocolos assinados pelo director-nacional com orientações da tutela”, acrescentou José Moreira. E diz ser impossível não haver registo desses valores. “Todas as transferências ficam registadas. Só não há registo porque não querem explicar.”

Este alto quadro do SEF foi nomeado em Fevereiro de 2018 pelo ministro Eduardo Cabrita, que dois anos depois assinou o despacho da cessação onde dá “por finda, a seu pedido, a comissão de serviço”. José Moreira diz que a sua saída foi decidida por motivos pessoais.

A então directora-nacional do SEF, Cristina Gatões não comenta o caso, segundo informou o gabinete de imprensa, depois de o PÚBLICO pedir esclarecimentos sobre os motivos da saída de José Moreira.
Chefe de gabinetes ministeriais

Quando foi nomeado em comissão de serviço por um período de três anos para o cargo no SEF, José Moreira era inspector no TdC para onde entrara em 2012, mantendo-se como quadro desta instituição até hoje, mas sem exercer funções a partir de 2016.

De Janeiro de 2016 a Março de 2017, foi técnico especialista no gabinete do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, transitando depois para o gabinete do Secretário de Estado do Orçamento, à data João Leão, hoje ministro de Estado e das Finanças. Aí ficou apenas nove meses, até à sua nomeação para director nacional adjunto do SEF em Janeiro de 2018 pelo ministro da Administração Interna.

Quando cessou funções no SEF, em Março de 2020, regressou por pouco tempo ao TdC (onde se mantém como quadro) até ser nomeado em Agosto de 2020 pelo Secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local, Jorge Botelho, para subdirector geral da Direcção das Autarquias Locais, cargo que ocupa actualmente.

No despacho publicado em Diário da República relativo a esta nomeação, a dispensa de concurso (exigido) para o cargo é justificada por ser “urgente proceder à designação em regime de substituição de novo titular de forma a assegurar o normal funcionamento do serviço até à realização do procedimento concursal” uma vez que o lugar tinha ficado vago. O mesmo tinha acontecido aquando da nomeação para a direcção do SEF em Fevereiro de 2018.

Depois do alerta dado pelo TdC para “as incongruências” entre as verbas recebidas da União Europeia e as transferidas para os beneficiários do Programa de Reinstalação, o SEF passou, a partir de 2020, a transferir a totalidade dos 10 mil euros para o Alto Comissariado para as Migrações (ACM), sob a tutela da Presidência do Conselho de Ministros​.

É o que garante o SEF que recusa, no entanto, dizer ao PÚBLICO qual a quantia que transferia antes de toda esta situação se verificar, ou seja, em 2016 e 2017.
Para onde vai o dinheiro agora?

Dos 10 mil euros que recebe por cada refugiado, o ACM transfere 7500 para as instituições de acolhimento, como por exemplo o Conselho Português para os Refugiados (CPR), a Cruz Vermelha Portuguesa ou a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), que reúne uma centena de instituições anfitriãs. ​

"Só uma revisão profunda dos apoios pós-programa permite sustentar a disponibilidade de acolhimento que o Estado português tem manifestado ao longo dos últimos anos" André Costa Jorge - Coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados

A Presidência do Conselho de Ministros explica que a restante verba (2500 euros por refugiado) não se destina ao acolhimento porque é gasta no âmbito de protocolos relacionados com a vinda dos refugiados​.

“As lump sums [assim se chama esta verba dada pela Comissão Europeia] são utilizadas para dar resposta ao processo de preparação, acolhimento e integração inicial de pessoas refugiadas ao abrigo de programas de reinstalação” sendo as instituições de acolhimento “um dos actores deste processo”, refere o gabinete de imprensa da PCM.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) recebe então dois mil euros por pessoa “nos termos dos protocolos em vigor”, acrescenta o gabinete da ministra Mariana Vieira da Silva. Há ainda 500 euros por refugiado reinstalado “para financiar parte dos custos associados a esses processos com as equipas de apoio multidisciplinar do ACM, como por exemplo tradutores, psicólogos e assistentes sociais”.

O PÚBLICO solicitou o acesso aos protocolos, mas o pedido foi recusado.

Também contactada, a OIM explicou que os acordos são celebrados com o SEF e com a Secretaria Geral do MAI de acordo com uma previsão dos custos de um projecto para promover a reinstalação de um determinado número de pessoas. Assim, os valores atribuídos à OIM são definidos para cada projecto e não por pessoa reinstalada, não são fixos e resultam de um contrato, disse fonte da agência das Nações Unidas. “Esses contratos não são públicos”, respondeu a mesma fonte, justificando assim não os poder facultar.

Mesada de 150 euros

Assim, apesar da verba de Bruxelas definir um valor de 10 mil euros por pessoa reinstalada, para os 18 meses da fase em que os refugiados têm direito a apoio, a instituição anfitriã recebe 7500 euros. Desse valor, cerca de três mil euros são para financiar uma mensalidade de 150 euros por pessoa; e os 4500 euros para os 18 meses são usados para pagar a renda de uma habitação e as despesas associadas.

“Nós não sabemos em concreto as despesas específicas a que é alocado este valor dos 2500 euros [que as instituições não recebem]. A OIM e a ACM é que podem contribuir para esse escrutínio”, diz Carmo Belford, jurista da PAR. O que mais a preocupa é o facto de apenas 40% desses 7500 euros irem para o beneficiário, através das mensalidades de 150 euros por pessoa durante 18 meses.

“Esse dinheiro é para os refugiados construírem o seu projecto de vida, para pouparem, mas é muito insuficiente. Enquanto isso, a instituição anfitriã é obrigada a gastar os 60% numa estrutura de acolhimento. O que nós defendemos é que estas lump sums devem ser utilizadas ao máximo na autonomização das pessoas.” E não estão a ser.
Integração em causa

O balanço negativo da integração está reflectido no Relatório do Observatório das Migrações de 2021 sobre o ano 2020: das 568 pessoas sinalizadas na fase final do acolhimento, depois da qual deixam de receber apoios, 41,4% não têm emprego, só 37% têm habitação autónoma, apenas 7,5% dominam a língua e só 12,7% são completamente autónomos.

“São dados que nos preocupam por causa da fragilidade das pessoas, que vêm com muitos traumas. Cada uma das famílias [acolhidas pela PAR] vem de contextos muito diversos. Não podemos esperar que toda a gente tenha o mesmo processo de integração em Portugal.”

O mecanismo de reinstalação resulta de um acordo entre os Estados-membros e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), para definir uma alternativa segura e legal para as deslocações irregulares e arriscadas de migrantes com necessidades de protecção internacional com destino à Europa, escreve o Observatório das Migrações.
Perfil de vulnerabilidade

No âmbito deste programa são reinstaladas, já com o estatuto de refugiado, pessoas ou famílias que foram acolhidas, de forma supostamente provisória, em campos de refugiados na Turquia e no Egipto, onde acabaram por permanecer vários anos em condições precárias depois de fugirem dos seus países. Quando saem dos campos é para se instalarem permanentemente no país de acolhimento. Porém, a sua capacidade de autonomia é limitada, diz André Costa Jorge, coordenador da PAR.

“Os refugiados reinstalados são seleccionados pela sua particular vulnerabilidade. A expectativa de uma autonomia no final de 18 meses não é adequada ao perfil de vulnerabilidade das pessoas seleccionadas para o acolhimento”, diz. "É urgente que sejam revistos os programas de reinstalação, de modo a prever mecanismos de apoio para o pós-programa, realisticamente adequados à vulnerabilidade que fundamenta a reinstalação.”

"Erros" apontados pelo Tribunal de Contas ficaram sem resposta

A diferença entre as verbas das lump sum recebidas de Bruxelas para o acolhimento dos refugiados e as que são transferidas para as entidades que garantem esse acolhimento foi um dos reparos à actuação do SEF feitos pelo Tribunal de Contas (TdC) em Maio de 2020.

Em 2019, o TdC pediu ao SEF para esclarecer o motivo por que as verbas recebidas da Comissão Europeia (10 mil euros por pessoa) eram diferentes das transferidas para as entidades beneficiárias (7500 euros por pessoa). Na auditoria ao Programa Nacional do Fundo para o Asilo, Migração e Integração (FAMI) relativa a 2019, é igualmente referido que o TdC pretendia ser informado sobre o destino dado às verbas resultantes desse diferencial, mas que o SEF não tinha prestado esclarecimentos.

Na auditoria, com críticas à gestão do dinheiro destinado aos refugiados, uma das recomendações dirigidas à Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI) prendia-se precisamente com a necessidade de “regulamentar a utilização dos recursos europeus afectos ao SEF”, por terem sido encontrados (num conjunto de projectos) “desconformidades” e “erros financeiros” no valor de 41.900 euros.

À questão de saber se as recomendações à SGMAI deram frutos nas questões relacionadas com o destino dado às verbas, entre outras, o TdC respondeu ao PÚBLICO que “no que respeita à correcção das insuficiências e à implementação das recomendações, o tribunal dispõe já de alguns dados posteriores à realização da auditoria, os quais, no entanto, se encontram ainda a ser analisados”.

E avisa: “Só esta revisão profunda do programa e dos apoios pós-programa permite sustentar a disponibilidade de acolhimento que o Estado português tem manifestado (felizmente) ao longo dos últimos anos.”

3.8.21

Plano de Recuperação e Resiliência. Primeiro “cheque” de 2,2 mil milhões chegou a Portugal

in RR

Portugal foi o primeiro Estado-membro a entregar o seu plano a Bruxelas para aceder à "bazuca".

A Comissão Europeia desembolsou nesta terça-feira 2,2 mil milhões de euros a Portugal referente ao pré-financiamento de 13% do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), num montante global de 16,6 mil milhões de euros, aprovado no mês passado.

Portugal, que foi o primeiro Estado-membro a entregar formalmente em Bruxelas o seu plano nacional para aceder aos fundos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência – elemento central do pacote "NextGenerationEU" acordado na UE para superar a crise da Covid-19 – e o primeiro a vê-lo aprovado, é assim também dos primeiros países a receber verbas, juntamente com Bélgica e Luxemburgo, que receberam também desembolsos nesta terça-feira de 770 milhões e de 12,1 milhões de euros, respetivamente.

Sublinhando que "este pagamento contribuirá para lançar a aplicação das medidas essenciais em matéria de investimento e de reforma delineadas no plano de recuperação e resiliência de Portugal", o executivo comunitário indica que autorizará novos desembolsos "em função do ritmo de execução dos investimentos e reformas descritos nesse plano".

“O desembolso hoje efetuado representa um momento histórico na execução do plano de recuperação e resiliência de Portugal, o primeiro plano "NextGenerationEU" aprovado pela UE”, comentou a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, citada num comunicado enviado às redações.
Von der Leyen "ao lado" de Portugal

Apontando que “este plano foi concebido em Portugal e defende os melhores interesses dos portugueses”, Von der Leyen afirma-se convicta de que o mesmo “tornará o Pacto Ecológico Europeu uma realidade em Portugal e assegurará a digitalização da sua economia, tornando-a mais robusta do que nunca”.

“Chegou o momento de lançar mãos à obra. Estaremos sempre ao vosso lado a cada passo de todo este percurso”, completou a presidente da Comissão.

Também o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, destacando que “os primeiros fundos hoje desembolsados ajudarão Portugal a sair fortalecido da crise”, manifestou-se convicto de que o plano português “irá reformar e digitalizar a sua administração pública”, enquanto “os investimentos na renovação energética e na gestão florestal contribuirão para proteger o clima”.

“O ambicioso programa no domínio das competências dará a muitos portugueses a oportunidade de adquirirem novas capacidades a este nível. Tudo isto é o resultado da colaboração entre todos na Europa”, defendeu.

2021 pode ter novo cheque

O PRR português, que recebeu ‘luz verde’ da Comissão em 13 de junho e foi formalmente aprovado pelo Conselho Ecofin exatamente um mês depois, tem um valor global de 16,6 mil milhões de euros, designadamente 13,9 mil milhões de euros em subvenções a fundo perdido e 2,7 mil milhões empréstimos em condições favoráveis.

Por ocasião da adoção do plano pelo Conselho de ministros das Finanças da UE, em 13 de julho, o ministro João Leão explicou que, depois de um primeiro desembolso superior a dois mil milhões de euros relativo ao pré-financiamento, agora concretizado, poderá chegar um segundo cheque ainda em 2021, já relativo à execução do plano, pois “está previsto que se faça uma primeira avaliação ainda este ano dos marcos e metas previstos no plano”, pelo que é possível “um segundo desembolso, já não de pré-financiamento, mas em função das metas previstas”, ou no final deste ano, ou no início do próximo.

Bruxelas sublinha que os desembolsos hoje efetuados surgem “na sequência da recente execução bem-sucedida da primeira operação de contração de empréstimos no âmbito do instrumento "NextGenerationEU"”.

Até ao final do ano, a Comissão tenciona mobilizar um montante total máximo de 80 mil milhões de euros, sob a forma de financiamentos a longo prazo a ser complementados por obrigações a curto prazo da UE, com vista a financiar os primeiros desembolsos aos Estados-Membros projetados no âmbito do instrumento "NextGenerationEU".

As verbas vão financiar o Mecanismo de Recuperação e Resiliência, avaliado em 672,5 mil milhões de euros (a preços de 2018) e elemento central do “NextGenerationEU”, o fundo de 750 mil milhões de euros aprovado pelos líderes europeus em julho de 2020 para a recuperação económica da UE da crise provocada pela pandemia de covid-19.

Atualmente, 16 países da UE têm já os seus PRR aprovados para aceder às verbas pós-crise da covid-19, devendo os desembolsos de pré-financiamento prosseguir ao longo do mês de agosto.

14.7.21

PRR: Comissão Justiça e Paz apresenta combate à pobreza como «desígnio nacional prioritário»

in Agência Ecclesia

Organismo católico sustenta que fundos europeus representam oportunidade única, após a crise provocada pela pandemia

Lisboa, 13 jul 2021 (Ecclesia) – A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), organismo da Igreja Católica, sustenta numa nota divulgada hoje que o combate à pobreza deve ser um desígnio “prioritário” na aplicação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

“A urgência da reconstrução do tecido económico e social com que somos hoje confrontados, aliada às oportunidades trazidas pelos Plano de Recuperação e Resiliência, são uma ocasião de combater a pobreza, a antiga e a nova, que não pode ser desperdiçada. Trata-se de um verdadeiro desígnio nacional prioritário a que todos somos chamados”, refere o documento, enviado à Agência ECCLESIA.

A nota sobre o “desafio do combate à pobreza” destaca a crise social gerada em Portugal pela pandemia da Covid-19, que deu origem a cerca de 400 mil novos pobres e aumentou as desigualdades.

“Na verdade, esta crise não atinge todos por igual e atinge sobretudo grupos sociais mais pobres e vulneráveis”, indica a CNJP.

Apesar de alguns progressos, o ritmo da redução da pobreza em Portugal nas últimas duas décadas não acompanhou o que se verificou noutras partes do mundo. Portugal está entre os cinco países da União Europeia com maior risco de pobreza entre os trabalhadores”.

O organismo laical ligado à Conferência Episcopal Portuguesa deixa um alerta para toda a sociedade, no dia em que o Conselho Ecofin aprovou os primeiros 12 PRR, entre os quais o de Portugal, advertindo que “nem sempre a distribuição desse tipo de fundos se traduziu em autêntico desenvolvimento”.

“Não podemos (nem o Estado, nem a sociedade civil, nem as comunidades cristãs) confiar em que para o combate à pobreza será suficiente a simples distribuição de fundos europeus, sem exigências da sua boa aplicação e sem esforços partilhados por todos”, assinala a CNJP.

O organismo católico pede atenção às causas da pobreza e defende um crescimento económico que promova a igualdade de oportunidades e “políticas de redistribuição dos rendimentos para além do mercado”.

Os apoios ao rendimento devem ser completados com programas sociais (de formação profissional, apoio ao empreendedorismo, etc.) que sirvam de ‘trampolim” para superar a pobreza persistente através de empregos justamente remunerados”.

A CNJP convida a avaliar de uma nova maneira resultados dos programas, medindo não apenas o número de pessoas apoiadas, “mas antes o número de pessoas que com eles melhoraram as suas condições de vida”.

Portugal, cujo PRR ascende a 16,6 mil milhões de euros – dos quais 13,9 mil milhões de euros em subvenções a fundo perdido –, vai receber em breve cerca de 2,1 mil milhões de euros, a executar até 2026.

OC

30.6.21

Algarve: 900 mil euros em fundos europeus para projeto de apoio aos sem-abrigo

in EP - diariOnline

A Comissão Diretiva do Programa Operacional do Algarve - CRESC Algarve 2020 aprovou uma candidatura para um projeto inovador de apoio às pessoas em situação de sem-abrigo, com financiamento de 900 mil euros em fundos europeus.

Trata-se de uma candidatura em parceria, apresentada por instituições da região, com o apoio dos municípios e respetivos Núcleos Locais para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (NPISA), tendo em vista a prestação de auxílio à população que se encontram em risco de exclusão social, e, designadamente, em situação de sem-abrigo.

A abordagem promovida pela parceria, constituída em torno do Projeto LEGOS, constitui “uma abordagem local inovadora de desenvolvimento social e de promoção de estratégias locais de inclusão ativa”, prosseguindo respostas no âmbito na Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo.

O Projeto LEGOS é desenvolvido por cinco entidades beneficiárias parceiras: MAPS – Movimento de Apoio à Problemática da Sida, que assume a coordenação da parceria; GATO – Grupo de Ajuda a Toxicodependentes; CASA – Centro de Apoio aos Sem-Abrigo; GRATO – Grupo de Apoio aos Toxicodependentes; e APF – Associação para o Planeamento da Família.
Ganhar fôlego para criar sinergias

Estas instituições, que contam com vasta experiencia de terreno em ações de apoio a pessoas em situação de sem-abrigo, ganharam agora “um novo e importante fôlego para criar sinergias” e assim intervir, de forma articulada, nos sete concelhos da região que possuem NPISA: Albufeira, Faro, Lagos, Loulé, Portimão, Tavira e Vila Real de Santo António.

A parceria contou, desde a primeira hora, com o apoio do Centro Distrital de Faro do Instituto de Segurança Social e de outras instituições, designadamente do Banco Alimentar Contra a Fome – Algarve; EAPN Portugal - Rede Europeia Anti Pobreza / Delegação Algarve; Fundação António Aleixo – Projeto CASULO - Incubadora de Inovação Social Loulé; Universidade do Algarve e Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), entre mais de 80 parcerias.

O Projeto Legos contempla, de acordo com as necessidades dos concelhos, as três ações elegíveis no âmbito do aviso de concurso, nomeadamente a criação de equipas que assegurem o acompanhamento psicossocial e o acesso aos recursos existentes na comunidade, bem como a respostas integradas dirigidas a pessoas em risco de exclusão social, nomeadamente em situação de sem-abrigo; o desenvolvimento de respostas que implementem ações ocupacionais adequadas às características e vulnerabilidade das pessoas em situação de sem-abrigo, promovendo a empregabilidade e a inserção profissional; e ações que favoreçam o combate ao estigma sobre a condição de sem-abrigo, designadamente: iniciativas de informação e de sensibilização das comunidades locais e sobre o fenómeno das pessoas em situação de sem-abrigo, com vista à prevenção e combate à medida das competências cognitivas, psicológicas, emocionais e estados de saúde física e mental das pessoas em situação de sem-abrigo.

Como principal meta, o projeto compromete-se a dotar as 593 pessoas classificadas em situação de sem-abrigo com gestor de caso.

Criar equipas multidisciplinares para intervenção especializada com pessoas em situação de sem-abrigo, nomeadamente para exercer o papel de gestor de caso; proporcionar atendimento e acompanhamento psicossocial adaptado às necessidades das pessoas em situação de sem-abrigo; apoiar na construção do plano individual de intervenção a nível pessoal, educacional (profissional/emprego), de formação, de atividades ocupacionais, desportivas, culturais, lúdicas entre outras, como potenciadores de uma integração plena; implementar um gestor de caso para todas as pessoas em situação de sem-abrigo; apoiar na ligação aos recursos e serviços da comunidade, numa ótica de otimização; apoiar nos cuidados pessoais, de saúde e justiça; desenvolver ações de capacitação de competências específicas/profissionais e transversais, fundamentais para a adequada promoção da empregabilidade, da inserção social e profissional e da valorização enquanto pessoa e cidadão; envolver a comunidade geográfica e relacional; desenvolver ações de informação e de sensibilização junto das comunidades locais sobre o fenómeno das pessoas em situação de sem-abrigo, tendo em vista a prevenção e o combate ao estigma e à discriminação; e promover a articulação regional e a estratégia de intervenção multiconcelhia, são os outros objetivos.

Neste momento as equipas já se encontram formadas, no terreno e em processo de formação, tendo o projeto já dado os primeiros passos, interagindo com os NPISA regionais e iniciando o contacto com os beneficiários.

O Projeto LEGOS nasce como um forte pilar na estratégia que tem vindo a ser definida, sendo um degrau importante no processo que contempla diversas respostas que articularam intimamente com o mesmo, nomeadamente respostas de continuidade como os apartamentos partilhados para pessoas em situação de sem abrigo: o Algarve conta com 65 camas em seis concelhos, com a esperança de ver esse número aumentar ainda este ano.

“Acredita-se assim que o Algarve seja uma importante referência na meta estabelecida pela estratégia nacional, que ninguém fique na rua por falta de opção”, salienta a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve.

9.6.21

Algarve terá 778 milhões de euros de fundos europeus até 2027

 in Algarve Primeiro

No âmbito do Quadro Comunitário de Apoio 2014/2021, a região do Algarve regista uma taxa de compromisso de 100%.

Segundo José Apolinário, Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR), a taxa de execução deverá rondar os 49% no final de junho, com a expetativa de que a 31 de dezembro chegue aos 60%.

O responsável confirmou aos jornalistas, numa reunião realizada esta manhã em Faro, que os privados têm um maior peso no recurso aos fundos, em relação ao setor público. O Programa Operacional Regional do Algarve 2014-2021 tinha como dotação 318,6 milhões de euros, dos quais 233 milhões, já foram atribuídos às empresas da região.

José Apolinário avançou que o Programa Operacional Regional do Algarve 2021-2027, terá uma dotação de 778 milhões de euros, em que 400 milhões são provenientes do FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, (40% para a ciência e empresas, 30% para o clima e riscos, mobilidade suave, energias renováveis, 25% para os municípios, freguesias, serviços de interesse geral, parcerias para a coesão e 8% para desenvolvimento urbano sustentável).

78 milhões de euros do FSE - Fundo Social Europeu, serão canalizados para qualificações, emprego e inclusão social, com 300 milhões de euros adicionais, para a diversificação da base económica, conseguidos por proposta do Governo no Conselho Europeu de 21 de julho de 2020, para impulsionar a competitividade, o crescimento e a criação de emprego, com vista à diversificação da atividade económica na região.

Sendo o Algarve uma região de transição, a taxa média de comparticipação é de 60 por cento.

As áreas que têm vindo a ser trabalhadas na promoção de investimentos e no apoio às empresas, em linha com a RIS3 Algarve são o mar e recursos endógenos, energias renováveis e eficiência energética, agroindústria sustentável e biotecnologia, saúde, longevidade e envelhecimento ativo, TIC e indústrias culturais e criativas, empregos verdes, especialização e competitividade das áreas de acolhimento empresarial.

Sendo o setor do turismo, «o trator da economia do Algarve», conforme salientou José Apolinário, o plano de requalificação e reforço da competitividade do turismo, em preparação, envolvendo o Turismo de Portugal, municípios, Entidade Regional de Turismo, Universidade do Algarve e associações do setor, tem como foco o turismo de saúde e bem-estar, longevidade e envelhecimento ativo, cycling & walking, desporto e turismo náutico sustentável, cultura e património, requalificação de frentes mar e frentes ribeirinhas, requalificação de empreendimentos turísticos mais antigos, regeneração urbana, reforço da rede ecológica de proteção e valorização ambiental, espaços verdes, além da capacitação e formação dos agentes e das empresas.

O Presidente da CCDR Algarve sublinhou que quem tem projetos aprovados tem de os executar: «ter projeto aprovado não garante um direito eterno até ao final do Quadro para esses projetos e portanto, vamos começar a descomprometer projetos que não tenham condições para ser executados até ao final de 2023», anunciou.

11.3.21

Fundos europeus apoiam projetos da Universidade do Algarve com 2,54 milhões de euros

Por Sul Informação

CCDR diz que «todos os projetos manifestam um forte alinhamento com a RIS3 Algarve»

O CRESCAlgarve 2020 vai apoiar seis projetos de investigação científica e desenvolvimento tecnológico, submetidos pelos centros da Universidade do Algarve (UAlg), com um total de 2,54 milhões de euros.

«Os projetos agora aprovados centram-se no desenvolvimento de atividades de investigação que respondem aos desafios lançados nos grupos de trabalho criados no âmbito do Conselho de Inovação Regional do Algarve (CIRA), em linha com os domínios da Estratégia Regional de Investigação e Inovação para a Especialização Inteligente (RIS3 Algarve)», enquadra a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve.

Estes projetos correspondem a um investimento elegível total de 3,38 milhões de euros, que o FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional vai apoiar com 2,54 milhões.

No domínio da promoção do conhecimento em saúde, envelhecimento ativo e estilos de vida saudáveis, a CCDR realça «o projeto A3-COR que visa a realização de um ensaio clínico baseado num modelo de exercício estratificado para a prevenção de duas das comorbilidades mais comuns para a população com mais de 60 anos, o enfarte agudo do miocárdio e a osteoartrose, prevendo-se uma redução significativa da dependência de tratamentos farmacológicos, de reinternamentos hospitalares e da mortalidade total».

Também o projeto ALFA Score pretende criar um índice de envelhecimento que avalie o estado de saúde e propensão para riscos de desenvolvimento de doenças crónicas, comorbilidades, antecipando atuações conducentes a um estilo de vida ativo e saudável, favorecendo, ambos os projetos, a qualidade de vida da população sénior e potenciem a economia da longevidade.

Estes projetos foram apresentados pelo ABC – Algarve Biomedical Center, uma parceria entre o CHUA e a Universidade do Algarve, e envolvem um investimento total de 1,8 milhões de euros, recebendo 1,27 milhões.

Ainda neste domínio, o projeto NutriSafe incide no desenvolvimento de um novo suplemento alimentar, a partir da uma alga invasora, com benefícios comprovados para as comorbidades comuns associadas ao envelhecimento e às doenças inflamatórias crónicas, mais vulneráveis à Covid-19.

Este suplemento apresenta caraterísticas anti-inflamatórias, imunomoduladoras, e de proteção vascular e pulmonar. A candidatura prevê um investimento total de 293 mil euros e beneficiará de 218 mil euros de incentivos.

Em relação à promoção do conhecimento da eficiência energética, em particular nas Smart Grids, destaca-se o projeto HEM2IEA que pretende reforçar processos de descarbonização e a contínua difusão de fontes de energia limpa, bem como pela geração, predição de consumos, monitorização e gestão inteligente de redes em comunidades locais de energia. Este projeto representa um investimento total de 239 Mil Euros e beneficia de 172 Mil Euros de incentivos.

Por fim, com vista à promoção do conhecimento e inovação em Turismo, o projeto Monitur também foi um dos aprovados.

Esta iniciativa «visa construir um modelo de avaliação e monitorização do desenvolvimento turístico regional, das suas dinâmicas, em linha com práticas mais sustentáveis e competitivas, que suportem processos de decisão, alavancando o trabalho do recém reconhecido Observatório para o Turismo Sustentável do Algarve (AlgSTO), por parte da Organização Mundial do Turismo, podendo afirmar-se como uma ferramenta de suporte à definição de metas e limiares de carga associados à gestão sustentável do destino, informando padrões qualitativos de referência, ora em adaptação face à crise pandémica».

Este projeto representa um investimento total de 573 mil euros e beneficia de 421 mil Euros de incentivos.

De igual forma, o projeto HoST Lab, que pretende reforçar a estruturação de uma oferta qualificadora diferenciada de produtos e serviços, assentes em experiências enogastronómicas, baseadas nos ativos patrimoniais, tangíveis e intangíveis, promotores da identidade e da sustentabilidade do setor na região, também será apoiado.

Este projeto representa um investimento total de 635 mil euros e beneficia de 449 mil euros de incentivos.

Em comum, a CCDR diz que «todos os projetos manifestam um forte alinhamento com a RIS3 Algarve, contribuindo igualmente para promoção do conceito de variedade relacionada, dada a forte interligação entre diferentes domínios de especialização, nomeadamente entre o turismo e a energia e a saúde, e para a diversificação da base económica da região».

 

5.3.21

PRR: Setor social quer "no mínimo" dobro das verbas ou acesso garantido a mais fundos

Isabel Matos Alves, Por Lusa

Presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos, na Comissão de Trabalho e Segurança Social

Lisboa, 05 mar 2021 (Lusa) – O setor social quer que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) preveja, “no mínimo, o dobro” dos 583 milhões de euros dedicados a respostas sociais, ou então, a garantia de acesso a mais fundos comunitários de financiamento.

Em declarações à Lusa, o presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Manuel Lemos disse que desde a apresentação do PRR por António Costa e Silva, na qual se dedicaram apenas “três linhas” ao setor social, foi feito um longo caminho, mas ainda “é curto”.

“Pensamos que foi curto e o que dizemos é o seguinte: ou há no PRR possibilidade de aumentar essas verbas, porque nós damos a garantia de que as executamos, ou então tem que ficar no PRR uma articulação com os programas de fundos comunitários”, disse Manuel Lemos, dando o exemplo do Portugal 2020, no qual ainda restam cerca de 11,5 mil milhões de euros por executar, mas também o próximo quadro comunitário de apoios.

“Nós temos capacidade de o gastar, sabemos como o gastar e não é para nenhuma empresa, não é para ninguém ter lucros, é para criar emprego sustentável, no interior, lutar contra a desertificação e é para melhorar a dignidade dos nossos idosos, deficientes e crianças. Neste contexto é duplamente virtuoso. A montante, porque dinamiza a economia, e a jusante, porque se traduz em qualidade de vida para portugueses”, acrescentou.

O presidente das misericórdias falava à Lusa a propósito de um documento de 40 páginas elaborado pelo setor social – UMP, Confederação das Instituições de Solidariedade Social (CNIS), Confederação Cooperativa Portuguesa (Confecoop) e União das Mutualidades Portuguesas (MP) – remetido na segunda-feira ao Governo com contributos para o PRR no âmbito da discussão pública do plano que terminou esta semana.

O pedido de uma garantia de acesso a outras fontes de financiamento explícita no PRR, e numa lógica de não conflitualidade com outros quadros comunitários, seria uma contrapartida à eventual impossibilidade de responder à exigência de uma duplicação de verbas afetas ao setor social, explicou Manuel Lemos, exemplificando insuficiências nos montantes previstos.

Os cerca de 400 milhões de euros previstos no PRR para o aumento de vagas em lares, creches e equipamentos para pessoas com deficiência são apenas metade dos cerca de 800 milhões de euros – valor nunca confirmado pelo Governo, sublinhou Manuel Lemos - em candidaturas ao programa Pares 3.0, que tem precisamente por objetivos apoiar a requalificação de equipamentos sociais nestas vertentes.

Nos contributos elaborados pelo setor social questiona-se ainda que esta medida do PRR esteja circunscrita a três regiões do país – Norte, Área Metropolitana de Lisboa e Algarve – identificadas como mais carenciadas de respostas, pedindo-se uma extensão a todo o território nacional.

O documento enviado ao Governo questiona ainda de que forma se pretende atingir o reforço de 5.500 camas na rede nacional de cuidados continuados integrados, considerando que os 205 milhões de euros são “manifestamente insuficientes” para cobrir um custo de cerca de 50 mil euros por cama.

O Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal, para aceder às verbas comunitárias pós-crise da covid-19, prevê 36 reformas e 77 investimentos nas áreas sociais, clima e digitalização, num total de 13,9 mil milhões de euros em subvenções e esteve em discussão pública até à passada segunda-feira.

IMA // HB

Lusa/fim

3.3.21

Portugal acelerou execução de verbas da coesão a ritmo superior à média

in Eco-online

Portugal acelerou em 2020 para 62% os investimentos da política de coesão, num total de 20,4 mil milhões de euros.

Portugal acelerou os seus investimentos da política de coesão para 62% em 2020, acima do ritmo do conjunto dos Estados-membros que beneficiam destes investimentos (52%), segundo dados publicados esta segunda-feira pela Comissão Europeia.

Segundo a Comissão Europeia, Portugal acelerou em 2020 para 62% os investimentos da política de coesão, num total de 20,4 mil milhões de euros, face aos 16,3 mil milhões de euros de verbas da UE (47%) que tinham sido já aplicadas entre 2014 e 2020.

Portugal, através de 16 programas nacionais, beneficia de um financiamento europeu de 25,9 mil milhões de euros Fundos Estruturais e de Investimento (FEI), no período 2014-2020, o que representa uma média de 2.480 euros por pessoa do orçamento da UE durante o período de 2014-2020, segundo dados hoje divulgados pela Comissão Europeia. A verba total disponível para Portugal – incluindo o cofinanciamento nacional (7,35 mil milhões) – é de 33,2 mil milhões de euros.

A Iniciativa para o Emprego dos Jovens (co-financiada pelo Fundo Social Europeu – FSE) é a que apresenta a maior taxa de execução (85% – 414 milhões de euros), seguindo-se o Fundo Europeu Agrícola para o Desenvolvimento Rural (FEADER), com uma execução de 74% (3,6 mil milhões de euros) e o Fundo Europeu do Desenvolvimento Regional (66%, 10 mil milhões de euros), enquanto o Fundo de Coesão tinha em 2020 uma taxa de execução de 43%, o que corresponde a 1,4 mil milhões de euros investidos.

Segundo um comunicado do executivo comunitário, os Estados-membros aceleraram os seus investimentos da política de coesão em 2020 em 70 mil milhões de euros, aumentando as suas despesas totais de coesão para 251 mil milhões de euros. Isto corresponde a 52% dos 482 mil milhões de euros previstos para o período de programação de 2014-2020.



1.3.21

De onde vêm e para onde vão os milhões da Europa?

in Publico on-line

Com "bazucas" ou "vitaminas", a União Europeia prepara a recuperação económica dos 27 países. Portugal terá direito a mais de 15 mil milhões e já divulgou o Plano de Recuperação e Resiliência. Quem recebe o quê na Europa e de onde provêm essas verbas?

18.1.21

CCDR quer injetar 1,2 mil milhões de euros de fundos europeus na economia algarvia na próxima década

Edgar Pires, in Região Sul

1,2 mil milhões de euros. É o pacote de fundos europeus que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve quer injetar na economia regional nos próximos anos, através do quadro de apoio 2021-2027, duplicando o investimento dos programas atuais.

“Vamos trabalhar ao longo deste ano para que, no período 2021-2027, a região possa vir a ter uma duplicação dos fundos europeus aplicados nas suas atividades económicas, nas atividades dos municípios, nos investimentos públicos. Temos de mobilizar a região e os agentes económicos nesta ambição”, considerou o novo presidente da CCDR/Algarve, José Apolinário, que tomou posse em outubro, numa conversa com a comunicação social sobre a execução de fundos comunitários, realizada no início da semana e que pretende repetir de dois em dois meses.

O responsável elencou aquela meta ao lembrar que este quadro comunitário de apoio (2014-2020, em execução até 2023) engloba um total de 577 milhões de euros para a região, entre o Programa Operacional Regional CRESC Algarve 2020 (POAlgarve) e os demais programas estruturais de âmbito nacional ou transfronteiriço.

Desse modo, 1,2 mil milhões de euros é o número mágico para o Algarve, no novo pacote de apoios provenientes de Bruxelas ao longo da próxima década.

Assim, aos cerca de 300 milhões de euros do POAlgarve terão de somar-se os 300 milhões de euros que o governo garantiu, em resposta direta aos efeitos da pandemia de Covid-19 no Algarve, para a diversificação económica da região.

“Neste momento, a nossa responsabilidade é trabalhar o POAlgarve. São cerca de 600 milhões de euros e estamos focados em trabalhar com os municípios, para integrar os seus projetos, mas também com as empresas e com as associações empresariais para contribuir de facto para a diversificação da base económica”, disse José Apolinário.

A outra metade da verba para aplicar na economia algarvia ao longo da década que se avizinha será garantida pelos fundos estruturais do Plano de Recuperação e Resiliência, dos restantes programas nacionais e dos instrumentos transfronteiriços.

“A nossa perspetiva é de integrar na região e conseguir o máximo de financiamento para projetos que melhorem a vida das pessoas que aqui vivem e também as condições de resiliência da região”, assinalou o líder da CCDR/Algarve.

Nesse âmbito, há seis áreas setoriais que vão merecer a aplicação dos próximos fundos comunitários: mar; eficiência energética e energias renováveis; agroindústria e biotecnologia; envelhecimento ativo e saudável; empregos verdes; e indústrias criativas e culturais.

“Queremos ter respostas para estes temas”, apontou Apolinário, acrescentando que “o grande desafio é ter mais investimento da inovação e na ciência” e, também, “melhorar as condições de contexto” das empresas, muitas delas com dificuldades nos custos energéticos ou no acesso à internet.

Sobre o Hospital Central do Algarve, o dirigente foi pouco expansivo, sublinhando apenas que a CCDR vai acompanhar esse processo junto do governo com a “expetativa” de que, “ao longo de 2021, haja uma resposta clarificadora”.

Na conversa com os membros da comunicação social sobre o atual quadro comunitário de apoio, José Apolinário apontou como objetivo “atingir 58 a 60%” de execução (despesa já efetuada) no final de 2021, face aos atuais 42%. “Isto é, aumentar em 50 milhões de euros a execução do POAlgarve”, explicou.

A taxa de compromisso (volume dos fundos já comprometidos) dos 318,6 milhões de euros previstos no atual POAlgarve situa-se nos 89,9%, com 1.313 operações aprovadas, apesar de a execução ainda estar atrasada – mas em linha com o quadro anterior.

“Nos últimos dois meses, passámos de 39 para 42%. Pagámos perto de 10 milhões de euros. É uma execução em linha com o fecho do quadro anterior e com os demais programas operacionais regionais. Mas reconhecemos que temos de acelerar a execução. É um dos focos principais para este ano”, afirmou Apolinário.

Do ponto de vista dos investimentos públicos, ressalvou o recém-empossado líder da CCDR/Algarve, há um conjunto de procedimentos que, “por vezes, levam ao atraso” no lançamento dos próprios concursos.

“Estamos a trabalhar diretamente com os 16 municípios e, no caso das entidades públicas, procurar saber quais são os problemas e contribuir para a sua resolução”, acrescentou.

Em relação aos privados, “houve uma maior execução” numa fase inicial, que entretanto diminuiu. “Temos de fazer uma análise mais minuciosa, saber os que são, de facto, para concretizar e aqueles que têm de transitar para o próximo quadro”, finalizou.


2.12.20

Bruxelas entrega já três mil milhões para apoio ao emprego

Ana Brito, in Público on-line

A primeira tranche do empréstimo atribuído a Portugal no âmbito do SURE, programa de apoio aos trabalhadores e empresas, chega amanhã, terça-feira, 1 de Dezembro.

Os fundos europeus para financiar medidas como o layoff, os apoios a trabalhadores independentes, os apoios aos pais e o prémio aos trabalhadores do SNS vão começar a chegar ao país amanhã, terça-feira, 1 de Dezembro.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, revelou, em entrevista à RTP, que a primeira fatia do apoio europeu destinado a apoiar trabalhadores e empresas, no valor de 3000 milhões de euros, chegará amanhã a Portugal.

Esta verba, que será atribuída através de um empréstimo da UE a Portugal (aprovado em Agosto), faz parte do programa SURE. No total, o país deverá receber 5900 milhões de euros.

O SURE é o novo instrumento europeu de apoio temporário para atenuar os riscos de desemprego numa situação de emergência. Visa proteger os postos de trabalho e os trabalhadores afectados pela crise pandémica, permitindo aos Estados-membros fazer face ao aumento da despesa com medidas para preservar o emprego.

No caso português, está previsto que financie pelo menos 17 medidas.

Com um tecto máximo de 100.000 milhões de euros, será distribuído aos Estados-membros através de empréstimos em condições favoráveis, beneficiando dos baixos custos de financiamento da Comissão Europeia (que tem um rating máximo, atribuído pelas principais agências de notação financeira) nos mercados.

26.10.20

Comissão Europeia aprova reprogramação de €1017 milhões de fundos comunitários do Portugal 2020

Joana Mateus Nunes, in Expresso

Governo agradece à comissária Elisa Ferreira. Fundos servirão sobretudo, para financiar, as medidas de combate à crise pandémica

A reprogramação do atual quadro comunitário Portugal 2020 foi aprovada pela Comissão Europeia e envolve 10 programas operacionais num montante global superior a mil milhões de euros, informou esta sexta-feira o ministério do Planeamento.

Em causa não está um reforço de verbas, mas a mudança das verbas das áreas onde há fundos ainda disponíveis para medidas já anunciadas e em curso, sobretudo no combate à crise pandémica.

O quadro divulgado pelo ministro do planeamento e coordenador da pasta dos fundos europeus, Nelson de Souza, revela que a reprogramação envolve o monante exato de €1017 milhões que serão agora canalizados para quatro grandes prioridades: o reforço dos apoios à economia para a resposta à Covid-19 (mais €340 milhões), o reforço do investimento público, sobretudo nas áreas sociais (€302 milhões), o reforço dos apoios ao emprego (€190 milhões) e o programa de digitalização paras as escolas (€185 milhões).

“Esta reprogramação vem possibilitar o ajustamento do Portugal 2020, permitindo que o país possa contra com mais um instrumento para a recuperação com base em fundos estruturais, a juntar ao Plano de Recuperação e Resiliência e ao próximo Quadro Financeiro Plurianual, o Portugal 2030”, diz fonte oficial do ministério do planeamento.

O governo destaca o facto de a reprogramação assegurar o financiamento da Escola Digital com um reforço de €185 milhões de euros a equipar os alunos com computadores e a assegurar a capacitação do pessoal docente, tendo em vista a universalização da educação digital.

As áreas sociais “veem igualmente reforçadas as respetivas dotações, que permitiram incrementar o investimento público em educação e saúde, na mobilidade sustentável e concretamente no setor de apoio social, financiando o trabalho socialmente necessário nos lares, por exemplo”. É neste capítulo das áreas sociais que serão aplicados €135 milhões no melhoramento das infraestruturas escolares, dos quais €60 milhões de euros são destinados à remoção de estruturas com amianto ainda existentes em escolas públicas.

A reprogramação permite igualmente canalizar €190 milhões para apoiar programas de estágios e de contratação, bem como medidas extraordinárias de manutenção de emprego e de apoio a trabalhadores independentes.

“Aproveitando a flexibilização das regras comunitárias de aplicação dos fundos estruturais, o Portugal 2020 financiou igualmente os primeiros apoios às empresas para resposta à crise pandémica. O programa ADAPTAR é um dos principais exemplos desse apoio, que financiou a adaptação das pequenas e médias empresas às novas regras sanitárias. No total, foram mobilizados €340 milhões para apoiar a economia nacional, incluindo a produção inovadora de equipamentos, bens e serviços, incluindo equipamentos de proteção individual destinados ao combate à Covid-19.

“A reprogramação do Portugal 2020 contou com o apoio da comissária europeia para a Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, que desde o primeiro momento acompanhou a situação e trabalhou para agilizar os procedimentos que permitiram ao governo português dar resposta imediata à situação, através dos fundos estruturais do quadro em vigor”, agradece o ministério do planeamento.

Bruxelas quer avaliação independente ao PRR

Joana Nunes Mateus, in Expresso

Portugal foi o primeiro país a entregar o esboço do Plano de Recuperação e Resiliência. Mas faltam muitos dados

“Uma validação independente ajudaria a Comissão a fazer uma avaliação sobre se os custos do plano são razoáveis e plausíveis”, responde fonte oficial da Comissão Europeia quando questionada pelo Expresso se o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) pode passar pelo crivo de Bruxelas sem uma prévia validação independente em Portugal.

A exigência consta do guião preparado pela Comissão para ajudar os Estados-membros a elaborarem os seus PRR. É, aliás, um dos requisitos para ajudar os peritos em Bruxelas a avaliarem se os subsídios europeus a alocar a cada projeto são apropriados e estão em linha com a natureza e o tipo de reformas e investimentos propostos. No caso português, estão em causa €13.944 milhões de investimentos, que o Governo deve orçar da forma mais precisa, transparente, simples e consistente possível, já que serão pagos a 100% pelos novos subsídios europeus.

A avaliação da Comissão é essencial para que o PRR seja levado à aprovação do Conselho e libertada a primeira tranche de subsídios provenientes do chamado Instrumento de Recuperação e Resiliência que os líderes europeus acordaram mobilizar em julho de 2020. Para o Governo português, a aprovação do PRR vale um cheque na ordem dos €1,3 mil milhões a título de adiantamento. É um pré-financiamento equivalente a cerca de 10% do subsídio a receber entre 2021 e 2026.

Neste contexto, não basta a cada Governo dizer que gastará €100 milhões no investimento X ou €1000 milhões na reforma Y. A Comissão convida todos os Estados-membros a prestarem informação minuciosa sobre as despesas previstas. Por exemplo, se o principal custo de uma reforma é formação por peritos externos ou software ou hardware, então a previsão de gastos deve ser acompanhada da comparação com o que gastaram em projetos anteriores do mesmo género.

A necessidade de “validação independente por um organismo público independente” surge logo a seguir no guião da Comissão Europeia: “O Estado-membro deve assegurar que uma entidade pública independente adequada valide as estimativas de custo e submeta os resultados reportados à Comissão.”

Documento enviado à Comissão Europeia foi apenas a versão preliminar. A definitiva pode ser entregue até 30 de abril de 2021

O guião não refere a que tipo de entidade deve o Governo recorrer, porque esta mudará de país para país. No caso português, será, por exemplo, o Tribunal de Contas? O Conselho das Finanças Públicas? O Conselho Superior de Obras Públicas? O documento apenas diz caber a cada “Estado-membro decidir que organismo envolver, dependendo do seu mandato, especialidade e tipo de investimentos e reformas incluídos no plano”.

Questionado sobre este requisito, fonte governamental explica que as regras ainda não estão estabilizadas. ­Aliás, o documento que António Costa entregou a Ursula von der Leyen no dia 15 de outubro foi apenas a versão preliminar do PRR. A versão definitiva pode ser entregue até 30 de abril de 2021.

Fonte da Comissão Europeia confirma que as regras ainda não estão fechadas. Daí não poder responder mais taxativamente sobre a obrigatorie­dade de um parecer prévio independente. “A Comissão Europeia sugeriu ao Parlamento Europeu e ao Conselho que o custo estimado do PRR seja validado por um organismo público independente. Ambas as instituições precisam de chegar primeiro a um entendimento comum quanto ao regulamento do Instrumento de Recuperação e Resiliência, e sobre este tópico em particular, antes que uma resposta possa ser dada à sua questão.

22.10.20

Nelson de Souza: “Abrimos as gavetas e pusemos todos os projectos em cima da mesa”

Luisa Pinto, in Público on-line

O ministro do Planeamento diz que a tarefa de executar tantos planos de investimento é grande, mas Portugal vai conseguir fazê-lo, sem perder de vista o objectivo de aumentar a transparência.

Nelson de Souza diz que o Governo se esforçou por tirar todos os projectos que havia nas gavetas, para os colocar nos instrumentos mais adequados. E acrescenta que só quando for conhecido a arquitectura do próximo Quadro Financeiro Plurianual será possível perceber melhor os mecanismos de funcionamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). E garante que o executivo não andou a inventar necessidades.

Portugal foi dos primeiros a apresentar um PRR, quando em Bruxelas não há sequer regulamento aprovado. Porque é que era tão importante “ganhar” esta corrida?
É uma questão de ser coerente. Portugal foi desde o início um dos Estados-membros que mais lutaram por esta iniciativa. Mal seria, se não estivesse profundamente empenhado em manifestar total comprometimento quer político, quer técnico, na sua plena utilização, mesmo não estando definidos os contornos regulamentares finais.

O que é o melhor que nos pode acontecer? E o pior?
Elaborámos o plano em condições difíceis, com muito pouco tempo. Tivemos dois meses e meio para preparar este draft, ainda por cima não o quisemos fazer fechados nos gabinetes, ouvimos opiniões sobre como utilizar estes meios, de forma a dar resposta não só aos problemas estruturais, mas também àqueles que foram mais evidenciados pela crise pandémica. Estamos convencidos de que a proposta que apresentámos é a que corresponde às necessidades do país, mas é um ponto de partida. Ainda teremos as próximas semanas, porventura uns dois ou três meses, para negociar com a Comissão, ao mesmo tempo que vemos clarificados também as dúvidas e critérios que ainda falta esclarecer.

O recurso a empréstimos é uma dessas questões a esclarecer? O primeiro-ministro disse que não os usaria, mas afinal há três grandes blocos de investimento no PRR. Banco de Fomento, habitação pública e material circulante para a CP. De que depende, de facto, o avanço destes projectos? Do impacto que vão ter na dívida e no défice?
Portugal ainda tem um nível elevado de endividamento público externo. Essa é uma variável que naturalmente vai sofrer uma degradação em resultado da crise pandémica, daí termos uma particular preocupação com o acompanhamento deste indicador. Isto limita-nos a capacidade de acesso livre e indiscriminado à componente de empréstimos deste pacote de estímulos europeus. Nós reservamo-nos de utilizar estes empréstimos apenas depois de esclarecidas as condições em que os podemos obter e utilizar em função da nossa capacidade.

Mas é uma vontade do Governo ou foi uma sugestão de Bruxelas?
Está previsto que podemos recorrer aos empréstimos. Foi uma opção nossa face ao contexto macroeconómico em que a economia portuguesa vive, e viverá, nos próximos anos. Queremos esclarecer em que condições particulares determinado tipo de operações se pode contratar e mobilizar. São questões de natureza técnica que estamos à espera de ver esclarecidas, mas a própria comissão ainda está a estudar modalidades. Quando as tiver resposta, o Governo dirá se avança com eles ou não.

No caso do Banco de Fomento, não estará em causa o próprio Banco que, sem capitalização, continuará sem funcionar como até aqui?
É preciso notar que o Banco de Fomento já é uma realidade. Naturalmente o Governo está a procura de todas as fontes de financiamento que possam concorrer para a sua vitalização, para que ganhe escala e dimensão crítica para cumprir a sua missão. Se não for esta a solução, existirão outras fontes de financiamento comunitárias. Ou no Quadro Financeiro Plurianual (QFP), ou outros mecanismos, como o InvestEU, no quadro das políticas centralizadas, ou a própria cooperação com o BEI e o Fundo Europeu de Investimentos, que faz muito trabalho com outros bancos promocionais nacionais. O Banco de Fomento não está em perigo, estamos a tentar maximizar as melhores fontes de financiamento.

Há uma forte componente de investimento público neste PRR e é importante perceber como foram escolhidos. Não aparecem investimentos considerados prioritários, na ferrovia por exemplo, mas aparece uma linha de Metro entre a Casa da Música e Devesas que surpreendeu o próprio presidente da Câmara do Porto. Não se está a acelerar o que não é prioritário só porque há necessidade de gastar? Qual foi o racional?
Nós tivemos de corresponder a vários propósitos e restrições no PRR e às diversas alternativas de financiamento para o horizonte temporal de uma década. Porque nunca estamos a falar só de PRR, ele tem de ser entendido em articulação com o próximo QFP. O que fizemos foi abrir as gavetas todas e pôr todos os projectos e necessidades em cima da mesa. Mas se se considerar que o tamanho da mesa é igual ao tamanho do orçamento disponível, vemos que não há espaço para tudo o que estava dentro das gavetas. Houve que tomar opções e remeter algumas ideias que, sendo estratégicas e necessárias, numa visão a médio e longo prazo, não pudessem porventura ser executadas no prazo que temos para a programação. Para o PRR ser bem entendido precisa de ser analisado conjuntamente com o QFP, cujas linhas ainda se conhece pouco. Por isso é difícil fazer uma análise completa e eu reconheço a responsabilidade que o Governo tem nisso, porque ainda não divulgou o QFP.

Dê um exemplo.
A ligação ferroviária Lisboa-Porto, em alta velocidade. É um projecto que a médio longo prazo reúne um consenso generalizado, por se entender estratégico que Portugal não fique definitivamente arredado da rede europeia de alta velocidade. Mas a dimensão do projecto e sobretudo o tempo para a sua conclusão não era compatível com o curto período de tempo que temos para executar os projectos do PRR. E se olharmos para a dimensão financeira e planeamento era dificilmente comportável para o próprio QFP. Mesmo estando no Plano Nacional de Investimentos e sendo uma visão de longo prazo sobre as infra-estruturas necessárias, vamos tentar encontrar financiamento junto de programas europeus, recorrendo a outras fontes que não estes instrumentos.

Não se consegue perceber bem onde é que estão os apoios às empresas. No PRR não estão. Vão estar no QFP?
Existe no PRR, no projecto Agendas Mobilizadoras de Reindustrialização [de 930 milhões de euros], que tem um pendor voluntarista muito grande. Pensamos identificar, em conjunto com empresas e o sistema científico, conhecimento que já esteja disponível, desenvolvido no sector de produção de conhecimento, que seja transferível e transformável em produtos e serviços rentáveis. E juntar empresas e constituir consórcios para a sua produção. Todos os outros sistemas de incentivos normais, vamos fazê-lo no QFP.

Já se fala de transferência de conhecimento universidade/empresas há muito tempo. Porque acha que desta vez vai funcionar, quando os prazos até são mais apertados?
Porque temos a capacidade de mobilizar recursos significativos para um conjunto direccionado de actores, sem estar a abrir concursos genéricos e generalizados. E porque vamos ter ao lado mecanismos para apoiar os projectos que sempre apoiámos. Mas teremos de ter particular cuidado na selecção dessas iniciativas, que não pode ser feita só pelo Estado. Tem de ser em conjunto com as empresas, com os centros de saber. Se calhar recorrendo a peritos especialistas que, connosco, possam decidir quais os melhores consórcios e oportunidades para desenvolver.

E que apoios às empresas haverá no Programa PT 2030?
A iniciativa “Europa mais inteligente”, que abrange a área da competitividade e das empresas, vai ter globalmente cerca de 50% do FEDER, pelo que no nosso caso serão cerca de cinco mil milhões de euros para dar continuidade a tudo aquilo que se faz no âmbito do actual Quadro Comunitário.

O que nos pode já dizer sobre o próximo QFP?
Já foi feita uma apreciação geral em Conselho de Ministros (CM), que foi necessária até para apreciar o PRR. Nas próximas duas semanas, vamos definir o que é a arquitectura global, o tipo de programas, objectivos que vai cobrir, e porventura traçar o quadro em termos gerais. Depois de ser aprovada em CM, será divulgada a arquitectura e aí sim vai ser possível perceber plenamente o PRR e o QFP.

Vai haver muitas novidades face ao actual?
Ajustaremos o quadro actual sem grandes disrupções. Até porque queremos que o próximo quadro arranque o mais depressa possível. Não depende de nós uma rápida aprovação de orçamento e regulamentos, mas queremos que tudo aconteça de uma forma tranquila. As disrupções que vão existir incidirão sobre algumas práticas do passado. Queremos apostar em novos métodos que reduzam significativamente a complexidade de acesso aos fundos comunitários, sem prejuízo de manter o nível de controlo, de fiscalização e de boa aplicação dos fundos. Temos novas tecnologias ao nosso dispor.

Queixou-se que este quadro foi muito complexo. Como vai ser a negociação do PT 2030?
Estou esperançado que decorra num espaço de tempo mais curto, numa base mais racional e técnica e menos administrativa e burocrática, que foi o que não permitiu que da última vez se tomassem algumas decisões e opções de maior racionalidade. Não queremos introduzir alterações muito radicais. Existe a preocupação de aproveitar os sistemas de gestão e controlo das Autoridades de Gestão actuais para manter os processos de certificação rápidos e em continuidade, está previsto no processo de regulamentação. E vamos também tentar, ao mesmo tempo que temos o desafio enorme de pôr o PRR no terreno, prestar atenção ao arranque em simultâneo do QFP, tendo a cautela de evitar mudanças excessivas e não justificadas.

O que vai ser feito para melhorar o acesso à informação e aumentar a transparência nestes apoios?
Vamos trabalhar no sentido de sermos o mais abertos possível. Neste momento há informação de tudo o que são projectos aprovados, mas é um serviço incompleto. Vamos desenvolver ferramentas que permitam aos utilizadores questionarem a base de dados, tirarem apuramento por município, por tipo de promotor, etc. Vamos também completar a informação com o ciclo de vida do projecto, sobre o que lhes acontece depois de aprovados. Porque uns são pagos a 70%, outros a 100%, outros são anulados, outros são suspensos, porque passam a processos judiciais de investigação. Eu aposto na transparência. Mas vai envolver níveis de compromissos muito maiores porque temos compromissos que são publicamente expostos.

A reprogramação do actual PT 2020 chegou a fazer-se?
Só falta um programa e fica fechado esta semana. A reprogramação foi feita para maximizar o financiamento dos fundos estruturais de diversas despesas associadas a resposta de crise pandémica. Reforçaram-se verbas quer nos Programas Operacionais Regionais, quer nos temáticos, em cerca de mil milhões de euros.

Diz que não temos particulares problemas de execução de fundos, mas o Governo mostrou bem as suas preocupações ao querer mudar a lei, e ao querer um regime transitório que permita baixar uma série de barreiras legislativas. As alterações ao CCP, por exemplo.
Vivemos tempos de preocupação e ela é legítima. À tradicional dificuldade de deixarmos muita coisa para o fim, e é isso que aconteceu em todos os QCA, juntaram-se recursos adicionais que, ainda por cima, estão concentrados no início de um QFA. Em vez de termos a sobreposição de dois QCA, temos três. Só uma pessoa desligada da realidade é que não teria esta preocupação. Mas dizer que temos dificuldade em executar os fundos é que não é factualmente verdade. Estamos com uma execução de 47%, seis pontos acima da média europeia. Na regra N+3 ainda não perdemos um cêntimo e há 11 países que em conjunto já perderam mais de 300 milhões. Isto é um facto.

Porque foi importante criar um regime de transição no Código Contratos Públicos?
Há um conjunto de dificuldades que tornam, neste momento, a realização de investimento público muito complexa. O problema verifica-se na Europa no seu conjunto, o que quer dizer que o enquadramento regulamentar vigente no espaço europeu tem de ser revisto. O que nós fizemos foi, não podendo alterar a legislação, dentro dos limites que nos são permitidos tentar simplificar alguns procedimentos no sentido de reduzir o ciclo de contratação, de obtenção de autorizações prévias. Porque é normal que entre a data de aprovação do apoio e o arranque da obra decorra um ano ou ano e meio. Se para os fundos normais já era muito tempo, para o PRR quase que inviabiliza operações. Tudo o que vier nesse sentido será um bom contributo para que possamos executar melhor.

Plano Nacional de Investimentos conta com mais mil milhões de fundos europeus para transportes

in RTP

A verba de mil milhões de euros destina-se a reforçar os transportes públicos nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Para Lisboa estão previstos 2300 milhões de euros. Para o Porto, 1350 milhões.
No Porto, o dinheiro é praticamente todo para o reforço da rede do metro.

Em Lisboa, também haverá ampliação da linha do metro, mas a verba vai, igualmente, para um comboio ligeiro entre Odivelas e Loures, a extensão do elétrico na marginal de Lisboa e o prolongamento da rede do Metro Sul do Tejo.

O Governo vai apresentar esta quinta-feira os valores finais do Programa Nacional de Investimentos 2030 para a próxima década.

O dinheiro que chega de Bruxelas para o combate aos efeitos da pandemia permitiu reforçar em mil milhões de euros os investimentos que já estavam previstos para as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

Pelos números a que a TSF teve acesso, a área metropolitana de Lisboa vai ter um investimento de 2.300 milhões de euros, sendo que 719 milhões vão para a rede de metro.

Na área do Porto, o investimento chega aos 1350 milhões. Quase todo o dinheiro (1176 milhões) vai para o metro.

Em Lisboa, são mais nove quilómetros de metropolitano e no Porto são mais 28 quilómetros.

São investidos, no total, 5,8 mil milhões de euros na mobilidade sustentável por transportes públicos, grande parte nas áreas metropolitanas.