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27.9.23

Agentes turísticos destacam papel do setor na economia em mais "um ano feliz"

Agência Lusa, in Expresso

Celebra-se esta quarta-feira o Dia Mundial do Turismo. O ano de 2023 deverá ser de novo recorde em Portugal, antecipando-se que o setor gere riqueza como nunca antes. Em 2033, esta área de atividade deverá significar mais de um quinto de toda a economia


O presidente da associação das agências de viagens e o da hotelaria de Portugal enaltecem, no Dia Mundial do Turismo, o contributo do setor para o crescimento económico, num ano que em termos de balanço "está a ser feliz".

"O Turismo volta (este ano) a impulsionar o crescimento do país e a ajudar um mundo antigo, caraterizado pelo medo das diferenças, a modernizar-se e aproximando as pessoas. Está a ser um ano feliz", afirmou o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, à Lusa, por ocasião do Dia Mundial do Turismo que se celebra esta quarta-feira, 27 de setembro.

Uma celebração que para o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) se faz com todos aqueles que trabalham neste setor em crescendo.

"Celebrar o Dia Mundial do Turismo é celebrar com mais de cinco centenas de milhares de portugueses que decidiram fazer carreira nesta atividade. Celebrar este dia é celebrar uma atividade que é absolutamente instrumental na recuperação do nosso país, que lidera essa recuperação", disse Bernardo Trindade à Lusa.

TURISMO VAI REPRESENTAR UM QUINTO DA ECONOMIA

O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) estima que o setor das viagens e turismo em Portugal vá contribuir com 40.400 milhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2023, superando o recorde de 40.100 milhões de 2019.

Segundo o Relatório de Impacto Económico (EIR, do inglês Economic Impact Research) do WTTC, divulgado em 18 de julho, o setor deverá criar cerca de 30.000 postos de trabalho este ano, atingindo os 950.000 trabalhadores e ficando apenas 68.000 empregos abaixo do nível de pouco mais de um milhão de 2019.

A entidade global do turismo prevê que o setor aumente a contribuição para o PIB para 56.400 milhões de euros até 2033, representando mais de um quinto (21,1%) da economia portuguesa.

Na próxima década, as viagens e o turismo poderão empregar mais de 1,2 milhões de pessoas em todo o país, com uma em cada quatro pessoas a trabalharem no setor, preveem.

No ano passado, a contribuição das viagens e turismo para o PIB cresceu 61,6%, atingindo quase 38.000 de euros, representando 15,8% da economia portuguesa tendo o setor criado mais 83.000 empregos em relação ao ano anterior, atingindo os 921.000 postos de trabalho.

Assim, de acordo com o último relatório do WTTC, o setor já recuperou mais de 90% do nível pré-pandémico de empregos.

BENEFÍCIOS DO TURISMO TÊM DE SER PARA TODOS

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou em 14 de setembro que a atividade turística rendeu proveitos de 3200 milhões de euros entre janeiro e julho, mais 26,1% do que no mesmo período de 2022, tendo registado 42,8 milhões de dormidas, mais 14,8%.

No entanto, para Bernardo Trindade celebrar esta atividade hoje "também é reconhecer as externalidades negativas" do setor.

"Nunca o escondemos, é uma realidade, mas cumpre às entidades, cumpre às associações regularem e regulamentarem esta atividade em prol dos cidadãos e em prol de Portugal", afirmou.

Em 21 de setembro, em Macau, o secretário de Estado de Turismo, Comércio e Serviços de Portugal, disse que a aposta no turismo sustentável significa também que "o benefício" do setor "tem de ser para todos".

No futuro "só os destinos turísticos que apostem na sustentabilidade serão competitivos", disse Nuno Fazenda, no primeiro dia do Fórum Global de Economia e Turismo (GTEF, na sigla em inglês).

Mas, para "afirmar Portugal como um destino turístico sustentável", "temos que ver o turismo para além do turismo. É muito mais do que hotéis, agências de viagens e animação turística", acrescentou o governante, lembrando ainda que esta indústria tem um efeito transversal em áreas como "transportes, construção sustentável, agroalimentar, proteção da costa, das florestas, da biodiversidade".

Em 19 de setembro, a Organização Mundial do Turismo (OMT) disse que o turismo internacional continua a recuperar da crise pandémica, com o número de chegadas a alcançar até julho 84% do nível anterior à covid-19.

Desde o início do ano, 700 milhões de turistas fizeram viagens internacionais, 43% mais do que no mesmo período de 2022 e julho foi o mês de maior atividade, com 145 milhões de viajantes internacionais registados, cerca de 20% do total.

As perspetivas até ao fim do ano apontam para uma recuperação contínua, mas a um ritmo mais moderado, depois da época alta de viagens.

26.9.23

Portugal com maior subida dos preços de produtos agrícolas no 2.º trimestre na UE

Por Lusa, in DN


Os citrinos foram os produtos cujos preços mais subiram na UE entre abril e junho, seguindo-se o azeite e as batatas.


Portugal registou, no segundo trimestre, o maior aumento de preços dos produtos agrícolas de base (22%), com a União Europeia (UE) a apresentar um forte abrandamento, para uma taxa de 2%, divulga esta terça-feira o Eurostat.

Entre o segundo trimestre de 2022 e o segundo trimestre de 2023, o preço médio da UE dos produtos agrícolas no seu conjunto (produção) subiu 2,0%, uma taxa de aumento significativamente mais baixa em comparação com o trimestre anterior, quando o preço médio aumentou 17% (primeiro trimestre de 2023 em comparação com o primeiro trimestre de 2022).


A nível nacional, destaca o serviço estatístico da UE, o indicador subiu em dez dos 27 Estados-membros, com Portugal a registar, entre abril e junho, o maior aumento, seguido pela Grécia (21%) e a Espanha (16%), três países fortemente afetados pela seca

No extremo oposto da tabela, com os principais recuos, estão a Lituânia (-26%) e a Estónia (-15%).


Já o preço médio dos fatores de produção não relacionados com o investimento (fertilizantes, energia e alimentação animal), por seu lado, diminuiu 5% entre o segundo trimestre de 2022 e o segundo trimestre de 2023, o primeiro recuo desde o quarto trimestre de 2020 e que contrasta com o a aceleração de 11% nos primeiros três meses do ano.

Os citrinos foram os produtos cujos preços mais subiram na UE entre abril e junho (89% em média), seguindo-se o azeite (48%) e as batatas (38%), um agravamento atribuído às quebras de produção devido à seca.

Por seu lado, os preços dos cereais recuaram 31%, seguindo-se o das aves (-4%) e o do leite (-2%).

Entre os fatores de produção não relacionados com o investimento, as taxas de descida de preços mais acentuadas foram as dos adubos e corretivos do solo (-23%), da energia e lubrificantes (-13%) e dos alimentos para animais (-5%).

22.9.23

Estado deverá ter o maior excedente orçamental de sempre devido ao aumento dos preços

in SIC

As contas nacionais calculadas pela Instituto Nacional de Estatística revelam também que afinal o défice do ano passado ficou abaixo das estimativas do Governo , menos uma décima do que estava previsto. Indica o INE que ficou em 0,3% do PIB.

As contas dos Estado estão melhores do que o previsto. Na primeira metade do ano, registou um excedente orçamental de mil e 400 milhões de euros. Uma das razões é ao maior encaixe de impostos devido ao aumento dos preços.

1,1% na primeira metade do ano: resultado orçamental do primeiro semestre supera largamente a meta de défice de 0,4% definida pelo Governo para a totalidade do ano.

O Governo conseguiu um excedente orçamental de mil e 400 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano. As estatísticas do INE indicam que afinal o défice do ano passado foi de 0,3% do PIB, abaixo da estimativa do ministério das Finanças.

Depois do superávit do primeiro trimestre, o ministério das Finanças consegue agora mais um excedente orçamental no segundo trimestre.

Entre abril e junho, o Estado registou um saldo positivo de 689 milhões de euros, ou seja, de 1% do Produto Interno Bruto.

Se juntarmos o excedente dos dois trimestres, o Governo atingiu nos primeiros seis meses do ano um superávit de mil e 400 milhões de euros.

Já o défice deste ano deverá ser de 0,4% do Produto Interno Bruto, mas se o INE e o Governo falam em défice, o Conselho de Finanças Públicas assume que haverá este ano, sem mais medidas de apoio às famílias, um superávit de 2,2 mil milhões, o maior de sempre.

Quanto à divida publica, também deverá diminuir. O INE revela ainda que a taxa de poupança das famílias aumentou.

20.9.23

Despesas com teletrabalho até 22 euros isentas de impostos e contribuições

Por Antena 1, in RTP


O valor até ao qual as despesas com teletrabalho vão ficar isentas de impostos e contribuições será de 22 euros por mês, com possibilidade de majoração em 50 por cento, anunciou esta terça-feira a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
Ana Mendes Godinho falava no final de um almoço-debate organizado pelo International Club of Portugal, subordinado ao tema "Agenda do Trabalho Digno", realizado num hotel em Lisboa.

"Foi assinada ontem (segunda-feira) a portaria que permite que até 22 euros por mês as despesas relacionadas com teletrabalho estão isentas de contribuições e de IRS e este valor pode ser majorado em 50 por cento se fizer parte de negociação coletiva entre empregadores e trabalhadores", anunciou a ministra.

Ilha da Madeira produz mais de 23 toneladas de banana

por Diana Craveiro - Antena 1, in RTP


A repórter Diana Craveiro foi conhecer o trabalho de Rufino Nascimento, um dos maiores produtores de bananas na Região Autónoma, em Madalena do Mar, concelho da Ponta do Sol, que revela alguns dos segredos e qualidades desta fruta.
A produção de bananas da Madeira caminha para um dos melhores anos sempre. Há cerca de três mil produtores na ilha e 80 por cento da produção destina-se ao mercado nacional.

O ano está a ser generoso e as previsões apontam para que este ano sejam produzidas mais de 23 mil toneladas, correspondente ao valor recorde alcançado o ano passado.

7.9.23

Descida de inflação é improvável sem aumento do desemprego

in JN

O mercado de trabalho continuou a recuperar em 2022

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) considera que a descida da taxa de inflação é improvável sem algum aumento do desemprego, segundo o relatório de análise económica à zona euro e União Europeia (UE), divulgado esta quarta-feira.

Segundo a OCDE, a redução da inflação é "mais complicada pelo forte mercado de trabalho e a baixa taxa de desemprego", historicamente baixa, tanto na UE como na zona euro. A organização considera mesmo, citando estudos, que a "descida da inflação é improvável sem o correspondente aumento da taxa de desemprego a curto prazo".

O mercado de trabalho continuou a recuperar em 2022, sendo que o emprego superou os níveis pré-pandémicos e os salários têm vindo a aumentar.

A OCDE prevê que o aumento dos salários nominais continue, já que a inflação põe pressão sobre as negociações entre trabalhadores e patrões.

Apesar da expectativa sobre aumentos salariais, a OCDE diz que, como a decomposição do deflator do Produto Interno Bruto (PIB) sugere um aumento dos lucros unitários, há "alguma margem para aumentos salariais não inflacionistas".

A OCDE espera que a taxa de desemprego se mantenha em 6,7% este ano, e baixe para 6,6% em 2024.


30.8.23

Confiança dos consumidores e clima económico recuam em Agosto

Por Lusa, in Público

Um mês antes, o indicador de confiança dos consumidores portugueses tinha atingido o máximo desde o início da guerra da Ucrânia.


O indicador de confiança dos consumidores diminuiu em Agosto, após ter atingido um valor máximo em Julho, o mesmo comportamento seguido pelo indicador de clima económico, que também desceu, divulgou esta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo os resultados dos Inquéritos de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores do INE, "o indicador de confiança dos consumidores diminuiu em Agosto, após ter registado no mês anterior o valor máximo desde Fevereiro de 2022", mês no final do qual teve início a invasão da Ucrânia pela Rússia.

O indicador de clima económico "diminuiu em Julho e Agosto, após ter estabilizado em Junho", refere o INE, acrescentando que os indicadores de confiança diminuíram em todos os sectores - indústria transformadora, construção e obras públicas, comércio e serviços.


Sentimento económico recua zona euro

Na zona euro, o sentimento económico voltou a recuar, em Agosto, face a Julho, na zona euro (-1,2 pontos para os 93,3) e na União Europeia (UE, -0,6 pontos para os 92,9), segundo dados também divulgados pela Comissão Europeia esta quarta-feira.


De acordo com os dados da Direcção-geral dos Assuntos Económicos e Financeiros (DG ECFIN) do executivo comunitário, na UE e na zona euro, a confiança dos consumidores (-16 e -17 pontos, respectivamente) e dos empresários dos sectores da indústria (-10,3 e -9,8), construção (-5,2 e -7,7) e comércio a retalho (-5 e -4,5) foram as que recuaram mais acentuadamente, de Julho para Agosto.

Considerando as maiores economias da UE, o indicador do sentimento económico deteriorou-se em França (-2,5), na Alemanha (-2,4) e em Itália (-1,1), tendo melhorado em Espanha (1,5), na Polónia (1,2) e ligeiramente nos Países Baixos (0,2 pontos).

De acordo com a DG ECFIN, também o indicador das expectativas de emprego recuou em Agosto: 1,3 pontos para os 102,1 na zona euro e -1,0 para os 101,7 pontos na UE.

O sentimento económico está a diminuir, na UE, há sete meses consecutivos e, na zona euro, desde Abril.


[artigo disponível na íntegra apenas para assinantes]

22.8.23

Estudo: Aumento salarial estimado para 2024 é de 4,59% no salário base

Por Lusa, in Notícias ao Minuto


Saiba quais os setores que se destacam.

O aumento salarial estimado para 2024 é de 4,59% no salário base, de acordo com um estudo da Korn Ferry, que envolveu mais de 570 organizações a atuar em Portugal.


"Olhando para os principais setores de atividade, o setor de Tecnologias de Informação, Bens de Consumo e Energia (Utilities e Oil & Gas) são os que preveem dar um maior aumento salarial (6,59%, 5,15% e 5,03%, respetivamente)", concluiu a consultora.

Já o setor farmacêutico, Banca e Seguros e Transportes são os que preveem atribuir um valor mais baixo (3,46%, 3,45% e 2,50%, respetivamente).

11.8.23

Teletrabalho sobe e desemprego diminui entre o primeiro e o segundo trimestre

Luís Reis Ribeiro, in DN

Taxa de desemprego nacional diminuiu para 6,1% da população ativa, mas a população desempregada aumentou bastante em termos homólogos (face ao segundo trimestre de 2022), tendo avançado quase 9%.

O número de pessoas em teletrabalho aumentou cerca de 3% entre o primeiro e o segundo trimestre, estando agora nesta situação cerca de 908,9 mil trabalhadores, revelou o Instituto Nacional de Estatística (INE), esta quarta-feira, no novo inquérito ao emprego do segundo trimestre de 2023.

Neste período, a taxa de desemprego diminuiu para 6,1% da população ativa, mas a população desempregada aumentou bastante em termos homólogos (face ao segundo trimestre de 2022), tendo avançado quase 9%. Assim, há agora 324,5 mil desempregados em Portugal, diz o INE.

Já o volume de emprego aumentou 1,6% (também em termos homólogos), para quase 5 milhões de pessoas.

Segundo o INE, "a proporção da população empregada em teletrabalho, isto é, que trabalhou a partir de casa com recurso a tecnologias de informação e comunicação, foi de 18,3% (908,9 mil pessoas)", o que representa uma expansão de mais 0,4 pontos percentuais (p.p.) face ao 1.º trimestre de 2023.

Segundo cálculos do Dinheiro Vivo, o aumento nominal entre trimestres ultrapassa assim os 3%. Nos primeiros três meses do ano havia 881,6 mil pessoas em teletrabalho.

Mas face há um ano, este grupo reduziu-se cerca de 5%: no segundo trimestre de 2022 havia 958,6 mil trabalhadores em modo remoto.

Ainda segundo o novo inquérito do INE, Portugal terá agora cerca de 324,5 mil pessoas oficialmente sem trabalho (procuraram ativamente emprego e estavam disponíveis, só que não encontraram um lugar), contingente que "diminuiu 14,7% (menos 55,8 mil casos) em relação ao trimestre anterior e aumentou 8,6% (mais 25,7 mil) relativamente ao homólogo".

Assim, "a taxa de desemprego foi estimada em 6,1% [peso do número de desempregados no total da população ativa], valor inferior em 1,1 p.p. ao do 1.º trimestre de 2023, mas superior em 0,4 p.p. ao do 2.º trimestre de 2022".

Recorde-se que desde o início da crise inflacionista, no começo do ano passado, com a eclosão da guerra da Rússia contra a Ucrânia, a economia teve uma primeira fase de grande expansão, com muitas empresas a aproveitarem a inflação muito alta para expandirem a sua faturação e as margens de lucro.

Hoje, essa fase dissipou-se e a subida em flecha das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE) começa a provocar danos na atividade, limitando de forma evidente o consumo e o investimento, o que, a prazo, pode gerar problemas graves no mercado de trabalho.

Para já, mostra o INE, embora o desemprego esteja a subir bastante face ao ano passado, o emprego ainda se vai aguentando.

A população empregada conta agora com 4,979 milhões de pessoas, o que representa um aumento de "1,1% (mais 54,7 mil trabalhadores) em relação ao trimestre anterior e de 1,6% (77,6 mil) relativamente ao trimestre homólogo".
Emprego: mais homens, mais jovens, na construção

De acordo com o INE, "de forma resumida", a variação homóloga da população empregada (os referidos 77,6 mil empregos criados ou mais 1,6%) é explicada essencialmente pelos acréscimos nos seguintes agregados: "homens (48,5 mil; 2,0%); pessoas dos 16 aos 24 anos (49,4 mil; 18,7%); que completaram, no máximo, o 3.º ciclo do ensino básico (171,3 mil; 10,7%); empregados no setor da indústria, construção, energia e água (72,2 mil; 6,1%)".

O INE destaca sobretudo a criação de emprego "nas atividades de construção (40,7 mil; 13,3%), cujo aumento representou 56,4% da variação do setor".

O grupo dos trabalhadores por conta de outrem ganhou 110,8 mil pessoas ou mais 2,7% em termos homólogos, o número de contratos com termo subiu 68,1 mil ou 12,2% e os vínculos a tempo completo aumentaram 59,8 mil ou 1,3% face ao segundo trimestre do ano passado, refere o instituto.

10.8.23

Ao fim de nove meses de queda, número de trabalhadores licenciados voltou a subir

Sérgio Aníbal, in Público

Depois de atingir um máximo histórico no segundo trimestre de 2022 e de uma queda acentuada nos três trimestres seguintes, o número de licenciados a trabalhar em Portugal deu agora sinais de retoma.

O recuo no número de trabalhadores em Portugal com o ensino superior completo que se verificava desde o início do ano passado foi interrompido no segundo trimestre deste ano. Ainda assim, o balanço dos últimos 12 meses continua a este nível a ser muito negativo.

Nos dados resultantes do inquérito ao emprego publicados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que revelaram, com a ajuda do regresso das actividades do Verão, uma redução da taxa de desemprego dos 7,2% do primeiro trimestre para 6,1% no segundo, verifica-se também a interrupção de uma tendência preocupante a que se vinha assistindo no mercado de trabalho em Portugal nos três trimestres anteriores.

Pela primeira vez desde o segundo trimestre de 2022, o momento em que se atingiu um máximo histórico neste indicador, o número de trabalhadores em Portugal com o ensino superior concluído subiu face ao trimestre imediatamente anterior. Dos quase cinco milhões de trabalhadores em Portugal, 1635,7 milhares têm agora um curso superior concluído, um valor que representa um aumento de 34,4 mil face ao primeiro trimestre deste ano.

Esta subida quebra a sequência negativa dos últimos três trimestres, mas fica no entanto longe de compensar as perdas registadas durante aquele período. De facto, quando se comparam os números registados no segundo trimestre deste ano com os do período homólogo do ano anterior, aquilo que se observa é ainda assim uma descida significativa do número de trabalhadores com o ensino superior.


Há um ano havia mais 128 mil trabalhadores com o ensino superior do que agora, tendo a percentagem de licenciados no mercado de trabalho português baixado do máximo histórico de 36%, atingido no segundo trimestre de 2022 para 32,8% agora.

Num mercado de trabalho em que o emprego continuou a crescer (mais 54,7 mil empregos face ao trimestre imediatamente anterior e mais 77,6 mil empregos face ao período homólogo do ano anterior), esta quebra em termos homólogos no número de trabalhadores licenciados tem como contraponto um aumento do número de trabalhadores com níveis de ensino mais baixos. Passou a haver, nos últimos 12 meses, mais 171,3 mil trabalhadores que não foram além do terceiro ciclo do ensino básico.


As últimas décadas têm sido, como seria de esperar, de aumentos progressivos da percentagem de licenciados no mercado de trabalho português. Há dez anos, no segundo trimestre de 2013, 22,1% dos trabalhadores portugueses tinham concluído o ensino superior. Agora, depois do máximo de 36% há um ano, este indicador está mais de dez pontos percentuais acima.


O que é que terá acontecido nos três trimestres anteriores para se assistir a um retrocesso? A explicação poderá estar na forma como a economia portuguesa tem crescido mais recentemente. De facto, a maior parte dos empregos criados em Portugal nos últimos 12 meses veio, mostram os dados publicados esta quarta-feira pelo INE, do sector do alojamento e restauração (mais 74,3 mil empregos) e do sector da construção (mais 40,7 mil empregos). Estes são sectores que, em média, têm trabalhadores com níveis de ensino mais baixos do que, por exemplo, na educação ou na administração pública, sectores onde se assistiu a uma redução do nível de emprego.

A redução do número de licenciados ao longo do último ano não se fez sentir apenas entre quem tem emprego. Os dados do INE mostram uma diminuição de valor idêntico do total da população licenciada, o que pode apontar para que esta evolução esteja a acontecer em simultâneo com fluxos migratórios que conduzem à saída de mais licenciados e à entrada de mais pessoas com níveis de ensino inferior.


Resta saber se a tendência para o futuro irá ser a registada ao longo da maior parte do último ano ou se Portugal volta, como aconteceu no segundo trimestre deste ano, à tendência de longo prazo de reforço das qualificações do seu mercado de trabalho.


Em termos gerais, os dados trimestrais do emprego apresentados pelo INE foram influenciados, como é habitual nesta altura do ano, pelo reforço da actividade económica relacionada com o Verão. Os números divulgados não levam em consideração (como acontece com o PIB) os efeitos sazonais e, por isso, o segundo trimestre de cada ano costuma apresentar uma evolução mais positiva dos indicadores do mercado de trabalho.

Isso terá ajudado à redução da taxa de desemprego de 7,2% no primeiro trimestre do ano para 6,1% no segundo, o que constituiu uma inversão da tendência de subida que se estava a verificar nos trimestres anteriores, mas mesmo assim não chegou para colocar a taxa de desemprego ao nível mais baixo (5,7%) que se verificava no trimestre homólogo do ano passado.


Quando se olha para os empregos criados no decorrer do segundo trimestre deste ano (face ao trimestre imediatamente anterior), verifica-se que a maior parte dos ganhos se verifica nos serviços, especialmente em áreas relacionadas com o turismo. Dos 54 mil empregos criados, um pouco mais de 30 mil foram nos serviços, com as actividades dos transportes e do alojamento e restauração a contribuírem com quase 10 mil cada.

A taxa de desemprego entre os jovens, que continua acima da média da UE, desceu de 19,6% no primeiro trimestre deste ano para 17,2% no segundo trimestre. Este indicador, no entanto, subiu 0,5 pontos percentuais face ao período homólogo do ano anterior.


A taxa de subutilização do trabalho – uma medida mais alargada de desemprego que inclui, por exemplo, aqueles que já desistiram de procurar emprego – desceu de 12,5% no primeiro trimestre para 11,5% no segundo, registando mesmo assim uma subida de 0,3 pontos percentuais face ao mesmo período do ano passado.

[artigo disponível na íntegra só para assinantes]

Exportações de alta tecnologia no valor mais alto desde 2013, importações batem recorde

Victor Ferreira,  in Público

Em 2022, a Espanha passa a Alemanha como principal destino dos produtos portugueses de alta tecnologia. Electrónica e telecomunicações, farmacêutica e máquinas eléctricas são 76,3% destas exportações.

Os produtos de alta tecnologia (PAT) vendidos por Portugal ao estrangeiro ainda são uma pequena fatia (5,2%) do total das exportações de bens, mas as vendas de PAT ao exterior geraram em 2022 a receita mais elevada desde 2013: 4065 milhões de euros.

Trata-se de um aumento de 36,1% face a 2021, o que é o segundo maior aumento anual desde 2013. O maior foi de 40%, em 2019, ano em que as receitas ainda estavam abaixo de 3500 milhões.

Este recorde de receitas é acompanhado de um novo máximo na despesa nacional com importações de PAT. Em 2022, houve um aumento de 30% face ao ano precedente, atingindo o valor mais elevado do período em análise: 11.417 milhões de euros.

Os PAT são definidos como “produtos técnicos cuja fabricação envolve uma elevada intensidade de investigação e desenvolvimento”. Assim, estas contas incluem os seguintes produtos, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE): aeroespacial, armamento, computadores/equipamento de escritório, instrumentos científicos, máquinas eléctricas, máquinas não-eléctricas, electrónicos/telecomunicações, farmacêuticos e químicos.

Os bens da categoria Produtos Electrónicos — Comunicações são simultaneamente os mais exportados e os mais importados por Portugal. Representam um encaixe de 2351 milhões, ou 57,8% das receitas com exportações de PAT (48,9% em 2021), o que significa que em 2022 passaram a valer mais de metade das vendas destes bens a outros países.

Este resultado é impulsionado pelo aumento de 60,8% face ao ano de 2021, sobretudo na venda de dispositivos semicondutores para Espanha, anota o INE, no resumo de dados publicado esta quarta-feira.

“Os Produtos Farmacêuticos e as Máquinas Eléctricas mantiveram-se como segundo e terceiro principais PAT exportados, com pesos de 11,5% e 7,0%, respectivamente (-2,1 p.p. e -3,7 p.p., pela mesma ordem, face a 2021)”, esclarece o mesmo instituto.

Juntas, estas três categorias valem 76,3% das exportações portuguesas de PAT.


Exportações de alta tecnologia no valor mais alto desde 2013, importações batem recordeNas vendas de Produtos Farmacêuticos houve um aumento de 60 milhões de euros (+14,7%), para 467 milhões. Nas Máquinas Eléctricas registou-se o único decréscimo, com um recuo de 34 milhões (-10,6%), “destacando-se as diminuições para França e Reino Unido”, frisa o INE.


Semicondutores para Espanha

A Espanha ultrapassou a Alemanha em 2022 como principal destino das exportações nacionais de PAT. Vale 26,1% das nossas vendas (+8,4 pontos percentuais, em relação ao ano anterior).

Para Espanha vendeu-se 1060 milhões de euros, reflectindo um aumento de 531 milhões de euros (+100,3%), devido essencialmente aos dispositivos semicondutores. Alemanha, por seu lado, comprou 691 milhões de euros em 2022, o que redundou num menor peso, de 20,7% em 2021 para 17,0% em 2022.Exportações de alta tecnologia no valor mais alto desde 2013, importações batem recorde
EUA e França trocaram de posição, passando a ser terceiro e quarto maior cliente para Portugal, com 9,7% e 7,5%, respectivamente.


Já nas importações, Produtos Electrónicos — Comunicação são também o grosso da despesa. Representam 46,3% das compras de PAT ao exterior.


“As importações destes produtos aumentaram 40,1% em 2022 (+1512 milhões de euros), o maior aumento entre os agrupamentos de PAT, que se deveu, sobretudo, às importações de dispositivos semicondutores da China”, descreve a nota do INE.

Os Produtos Farmacêuticos (+327 milhões) e os Computadores – Equipamento de Escritório (-90 milhões) continuaram a ser a segunda e terceira categoria de PAT mais importados, respectivamente, com pesos de 14,8% e 10,3%.

Por países fornecedores, a Alemanha mantém-se líder nas compras de Portugal, com um peso de 19,2% (-1,6 p.p. em relação ao ano anterior). “As importações de PAT da Alemanha aumentaram 368 milhões de euros (+20,2%), devido sobretudo aos Produtos Electrónicos – Telecomunicações e ao material Aeroespacial, totalizando 2192 milhões de euros”, diz o INE.


“Espanha continua a ser o segundo maior fornecedor de PAT, com um peso de 17,6% em 2022 (19,1% em 2021), totalizando 2011 milhões de euros (+20,0% face ao ano anterior). Em 2022, verificou-se uma troca de posições entre a China (15,2%) e os Países Baixos (10,8%), passando a ocupar, respectivamente, as terceira e quarta posições”, completa.

Nota de destaque vai para a China, responsável pelo maior aumento na globalidade dos fornecedores (+786 milhões de euros; +83,2%), sobretudo devido aos Produtos Electrónicos – Telecomunicações, nomeadamente dispositivos semicondutores. Na UE, a Bélgica passou a França.

25.7.23

“A existência de regras que sejam claras beneficia os pequenos países”

Sérgio Aníbal, in Público

Ministro das Finanças, Fernando Medina, quer regras em que, se uma economia estagnar ou entrar em recessão ligeira, não se lhe exija uma redução forte da dívida.


Fernando Medina coloca-se, no debate europeu sobre novas regras orçamentais, na posição de quem quer encontrar uma solução intermédia entre os dois campos, um liderado pela Alemanha e outro pela França, neste momento em confronto. Regras transparentes até podem ser benéficas para Portugal, defende, desde que sejam fortemente anticíclicas.

Na negociação das regras orçamentais europeias, ainda tem esperança que se chegue a um acordo até o fim do ano, ou vamos ter as regras actuais em vigor em 2024?

Tenho a expectativa que se possa chegar a esse acordo. Há diferenças de fundo que estão a separar os países, mas a convicção que tenho é que essas diferenças não são de todo em todo irreconciliáveis. Há uma diferença entre aqueles que pretendem uma política mais assente em regras, claras, escritas, que sejam públicas e conhecidas, e aqueles que entendem que este processo deve ser um processo mais negociado numa base país a país e na base de indicadores mais largos de sustentabilidade de vida pública.

A Europa está à procura dessa fórmula mágica já há muitos anos. Os défices estruturais tinham esse objectivo.
Sim, mas a questão não é que se esteja a descobrir aqui a solução particularmente nova, a questão é saber se temos ou não condições políticas para andar para a frente. E eu creio que temos, porque se partirmos para um sistema que é caro aos alemães e a um conjunto muito importante de países, quer dizer que nós temos que ter aqui um conjunto de regras que sejam transparentes. E devo dizer que partilho, desse ponto de vista, como ministro das Finanças de um pequeno país, que a existência de regras que sejam claras beneficia os pequenos países, porque a nossa capacidade negocial num processo não é igual à dos grandes. Por outro lado, partilho muito da visão, aliás é aquilo que tenho mais defendido, que acentuemos o mais que pudermos a dimensão anticíclica da política.

Portugal, nestes dois campos, onde é que está?

Eu acho que entre estas duas posições é possível e desejável encontrar aqui um caminho, porque a verdade é que nós iremos sempre ter regras que são quantificadas e identificadas. A regra dos 3% de défice não irá desaparecer e a regra dos 60% de dívida também não irá desaparecer. Por isso, o que nós estamos a falar aqui é o ritmo a que se impõe a redução da dívida e a sua consequência, o seu impacto quando ela não é cumprida. O que nós precisamos, fundamentalmente, é que as regras sejam de natureza anticíclica. O que nós não podemos ter, e voltar a ter, como já tivemos no passado tantas vezes, é que tenhamos regras que sejam regras de natureza pró-cíclica. Isto é, que em períodos de muito baixo crescimento ou até recessão, as regras nos estejam a empurrar para estratégias orçamentais de grandes reduções de dívida pública. Isso é má política.


E como é que isso se faz?

Pode-se fazer com a definição de um conjunto de indicadores aplicáveis a períodos de mais alto crescimento e a definição de um outro tipo de indicadores a períodos de muito baixo, nulo ou até recessão. Porque se para efeitos de recessão a proposta da Comissão mantém um elemento importante, que é uma cláusula de escape nacional, eu creio que era possível robustecermos a proposta da Comissão [Europeia] neste aspecto. Aquela proposta é um bom instrumento, mas é um instrumento que na prática se vai aplicar em situações limite, de um país estar ele próprio numa crise sozinho, uma crise muito profunda. É um processo que terá de ser aprovado pelo Conselho [Europeu], será um processo que não será fácil. Nós temos de criar dentro do sistema de regras uma regra bastante mais simples. Se uma economia estagnar, ou se uma economia estiver numa recessão ligeira, não é de esperar que esteja a reduzir significativamente a sua dívida, ou que esteja a ter excedentes orçamentais.


O Governo tinha como grande prioridade neste debate a criação do instrumento orçamental comum permanente. Isso parece já estar um bocado afastado agora destas discussões.


Nós temos mantido essa prioridade. É importante como elemento de estabilização macroeconómica, isto é, a nossa União Económica e Monetária não está completa sem esse instrumento. E depois é necessário também por razões práticas, que têm a ver quer com a vida normal da União, quer com a vida futura da União, quer seja a vida futura pós-PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] em 2026, quer a vida futura que se coloca em questões tão estruturais para o nosso futuro colectivo como o apoio à Ucrânia.
[...]

Neste momento está-se permanentemente a fazer um exercício a nível europeu de procurar nas alíneas, nas subalíneas, nos topos dos vários programas orçamentais, a margem para poder encontrar verbas para o financiamento à Ucrânia. A questão tem que ser encarada com outra robustez, isto é, tem que haver orçamento. Ao haver orçamento tem que se financiar esse orçamento e nós temos de nos colocar no lado daqueles que defendem que a União tem que ter e deve ter receitas próprias que, no fundo, facultem essa base orçamental comum, que, no fundo, vai ter esses dois efeitos.

De certa forma, eu creio que, neste momento, o ambiente é o seguinte: como há um PRR, há, por parte de vários Estados, a dizer o seguinte: “bom, mas isso não é um tema de urgência, vamos é executar os PRR que temos”. O que nós temos dito é que se esta necessidade é uma necessidade que se colocará do ponto de vista estrutural, não esperemos pelo fim de 2026, para a resolver, vamos discuti-la já. Não conseguimos ainda fazer vencer esta nossa posição a nível europeu, mas não desistimos dela e temos a expectativa que ela possa avançar antes da próxima crise.

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OCDE fracassou na reforma do sistema fiscal

Por Lusa, in RR

Um relatório agora divulgado revela que “as multinacionais transferem cada ano lucros de 1,1 biliões [milhão de milhões] de dólares para paraísos fiscais".


A OCDE "fracassou" na reforma do sistema fiscal internacional para o tornar mais equitativo, apesar de vários acordos assinados nos últimos anos, acusou a Tax Justice Network (TJN) [Rede para a Justiça Fiscal], em relatório divulgado esta terça-feira.

Esta organização não governamental (ONG) britânica concedeu que "a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico [OCDE], o clube dos países ricos, fixa as regras fiscais internacionais desde os anos 1960. Durante a última década, esforçou-se em fazer reformas significativas".

Porém, "a OCDE fracassou", criticou a TJN, especializada na luta contra as "injustiças fiscais", como as identifica, a nível mundial.


A TJN acrescentou ainda que a OCDE também "não incluiu os não-membros nas suas decisões (...) e não produziu medidas eficazes para travar o abuso fiscal".

Apesar do imposto mínimo mundial sobre os lucros das empresas, cuja taxa foi fixada em 15%, depois de anos de negociações no âmbito da OCDE, "as multinacionais transferem cada ano lucros de 1,1 biliões [milhão de milhões] de dólares para paraísos fiscais".

Estas transferências provocam "perdas aos governos do mundo inteiro de 301 mil milhões de dólares anuais em receitas fiscais diretas", calculou a ONG.

Quanto às perdas indiretas, "os investigadores do Fundo Monetário Internacional estimam (...) que são pelo menos três vezes mais importantes que as perdas diretas", mas não quantificaram.

Em relação aos contribuintes individuais, "o mundo perde 171 mil milhões de dólares por ano, por causa da evasão fiscal para 'offshores' [paraísos fiscais] ligada apenas à riqueza financeira", garantiu a Rede para a Justiça Fiscal.

Este total de 472 mil milhões de dólares, de perdas anuais para os orçamentos dos Estados, representa um aumento de 45 mil milhões em relação a uma estimativa anterior da ONG, datada de 2020, que as avaliava em 427 mil milhões, dos quais 245 mil milhões relativos a empresas e 182 mil milhões a particulares.

O documento foi divulgado uma dezena de dias depois de a OCDE ter anunciado um primeiro projeto de acordo "histórico" entre 138 Estados, que se entenderam para uma melhoria da repartição das receitas fiscais resultantes dos lucros das multinacionais.

Certificados atiram endividamento da economia para recorde acima dos 804 mil milhões

 Alberto Teixeira, in Eco


O endividamento da economia voltou a aumentar em maio, pelo segundo mês seguido. A dívida das famílias, empresas e Estado aumentou 1,6 mil milhões de euros, atingindo um novo recorde nos 804,4 mil milhões de euros, de acordo com os dados divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal.

O setor público foi o grande responsável por esta subida: o endividamento das administrações públicas e empresas públicas registou um aumento de 1,1 mil milhões de euros para 363,9 mil milhões, um acréscimo que se verificou “sobretudo junto dos particulares (1,7 mil milhões), principalmente pelo investimento das famílias em Certificados de Aforro, e junto das administrações públicas (mil milhões)”, indica o supervisor financeiro.

Em contrapartida, o endividamento do setor público diminuiu junto do exterior (-1,4 mil milhões) e junto do setor financeiro (-400 milhões de euros).


Dívida da economia sobe

Fonte: Banco de Portugal

Em relação ao endividamento do setor privado registou um aumento de 500 milhões de euros para 440,6 mil milhões. Uma subida que se deveu às empresas privadas, cuja dívida subiu 500 milhões de euros, “traduzindo essencialmente um acréscimo perante o exterior (300 milhões) e o setor financeiro (200 milhões)”. Já o endividamento dos particulares não se alterou de forma relevante em relação ao mês anterior, refere o Banco de Portugal.

Apesar do aumento do endividamento da economia em mais de 10 mil milhões de euros desde o início do ano, está a diminuir o seu peso em relação ao PIB nacional: caiu para 326,4% do PIB no final do primeiro trimestre do ano, menos cinco pontos percentuais em relação a dezembro do ano passado.

(Notícia atualizada às 11h32)

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24.7.23

“Se não chegarem mais imigrantes, a economia deixa de funcionar”

Joana Pereira Bastos, in Expresso


O investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra questiona a eficácia dos programas lançados para atrair novos habitantes para o interior. Em entrevista ao Expresso, defende que o país tem de apostar na captação de mais imigrantes, mas com critérios de seleção.

Que balanço faz dos programas criados para atrair população para o interior?

São programas simbólicos que não são muito efetivos. Atrair para o interior 7500 novos habitantes em três anos é insignificante. Não é com ganhos como este, e com estes planos, que a população se vai alterar. Simbolicamente, estes programas mostram que o Estado não abandonou estes territórios e tem algum tipo de benefícios para apoiar a mudança, mas é apenas isso.

O que é necessário fazer?

Várias coisas, desde logo reter a população que está a sair. Provavelmente, as pessoas que saíram do interior para o litoral ou para o estrangeiro nos últimos anos foram mais do que as 7500 que para lá se mudaram no mesmo período. A verdade é que não estamos a conseguir reter a população, designadamente os jovens que vêm estudar para o litoral e depois já não retornam. Paralelamente, é necessário atrair novas populações, o que estes programas estão a tentar fazer, ainda que sem grande impacto; e depois é preciso recuperar os que saíram nas últimas décadas. Nenhuma destas etapas está a ter grandes resultados.

A atribuição de incentivos financeiros não é eficaz?

Creio que seria mais efetivo criar uma redução fiscal [para as pessoas que se mudassem para estes territórios] do que dar uma quantia à partida, porque nada impede que, algum tempo depois, voltem a sair.

A promoção do teletrabalho pode ajudar a atrair mais pessoas para o interior?

Creio que poderia, mas, após a pandemia, o teletrabalho não se desenvolveu tanto como era previsto. O Estado poderia ter sido o primeiro a deslocar ou a permitir que os seus funcionários se deslocassem para outras regiões do país que não o litoral, mas não deu esse sinal, nem promoveu esse processo de mobilidade.


Sem serviços públicos, as empresas não se instalam e não se atrai população para o interior

Devia fazê-lo?

Sim, até porque isso faria com que a pressão sobre os preços da habitação nos grandes centros urbanos diminuísse. Há muitas áreas de trabalho na Administração Pública que podem ser exercidas em qualquer lugar. Mas é preciso ver que não estamos a falar de mobilidade de trabalhadores, mas de mobilidade de famílias e, para isso, é preciso criar todas as outras infraestruturas, designadamente a nível educativo e de saúde, o que também não aconteceu.

Qual considera ser a medida mais importante para combater a desertificação?

A primeira é não deixar a economia desaparecer, mas em muitos destes territórios ela está a extinguir-se, a pouco a pouco. Retirámos de lá muitos serviços públicos e, por isso, as empresas não se instalam. E não havendo empresas, não se atrai população. Os jovens vão saindo porque olham para o futuro e percebem que não há ali nada que os retenha. Portanto, a grande solução é construir economia e construir sociedade de forma paralela. O melhor exemplo é o Fundão, que conseguiu não só estancar a perda de população, como ganhar habitantes. Fê-lo com um plano de desenvolvimento económico, de fixação de novas empresas e de comunicação que permitiu criar um movimento em que parece interessante viver naquele espaço. Isso não foi feito na maioria dos concelhos do interior.

A ideia de repovoar o interior é realista?

Não, porque não podemos obrigar as populações a mudarem-se para lá. O que podemos é reter as que lá estão e aquelas que escolhem lá fixar-se. Um dado interessante é que estão a chegar muitos imigrantes a estas regiões, seja por causa de trabalhos que não há cá quem queira fazer, como a limpeza de florestas, seja porque perceberam que no interior a habitação é muito mais barata e conseguem ter uma vida melhor do que nas grandes cidades. Temos de conseguir retê-los.

Portugal devia ter uma política ativa para captação de imigrantes, por exemplo, para estes territórios?

Temos de ter uma política ativa de seleção. Ou seja, mais do que apenas atrair trabalhadores, devemos pensar no perfil que queremos que tenham. Neste momento, muitos estrangeiros estão a trabalhar no turismo sem a preparação adequada que quisemos dar aos nossos próprios trabalhadores do turismo nos últimos anos. Desse modo, estamos, de alguma forma, a perder qualificação de mão de obra e fazemo-lo porque com isso conseguimos pagar salários mais baixos. Agradar-me-ia que tivéssemos um plano para atrair mão de obra mais qualificada; não necessariamente altamente qualificada, mas qualificada profissionalmente para as profissões que temos disponíveis. E temos de olhar para os sectores. Por exemplo, não interessa atrair pescadores para Foz Coa, porque eles não poderão exercer essa profissão, mas profissionais de áreas que se liguem à economia local.

A população estrangeira em Portugal atingiu no ano passado o valor mais alto de sempre. Ainda há espaço para crescer?

Continuo a ouvir responsáveis do turismo ou da construção civil dizerem que têm falta de mão de obra, pelo que ainda há espaço para vir mais gente. Aliás, ou chega mais gente, ou a economia começa a diminuir, porque deixa de poder funcionar na totalidade.

Certificados de aforro: alterações travam subscrições, mas não diminuem

 in SIC

Os portugueses continuam a investir nos certificados de aforro, que vêem ser uma mais valia em vez de ter depósito no banco que não gera lucro, apesar de existirem condições menos favoráveis.


Apesar das mexidas, os portugueses continuam a investir em Certificados de Aforro.


O ritmo de subscrição travou a fundo, perto de 70%, ainda assim em junho foram aplicados mais de 800 milhões de euros em compra de dívida do Estado.

Um saldo positivo quando comparada a entrada e saída de capital. A nova série de certificados de aforro garante condições menos favoráveis que a anterior.

Em todo, o investimento total neste produto ultrapassa os 45 mil milhões de euros

A tendência dura há vários meses e, nas contas do Banco de Portugal, desde o início do ano que os bancos perdem em média 41 milhões de euros por dia. Os clientes insistem na fuga aos depósitos para apostarem na corrida aos certificados de aforro.

Entre janeiro e maio, as famílias retiraram 8,8 mil milhões de euros das contas à ordem e a prazo. Nos bancos, os depósitos rendem pouco, o que gera críticas dos clientes, que procuram opções com melhores resultados.

Segundo o Banco de Portugal, o stock de depósitos caiu pelo quinto mês consecutivo, em maio, para 173 mil milhões de euros, registando a maior descida homóloga em 43 anos. Também o crédito à habitação está em queda.

Na noite de 2 de junho, sexta-feira, o Governo anunciou a suspensão da série E dos certificados de aforro (com uma taxa que estava nos máximos de 3,5%) e lançamento da série F (com uma taxa base de 2,5%).

Em abril deste ano, os cidadãos tinham aplicados 43 mil milhões de euros em instrumentos de poupança do Estado destinados ao retalho (a maioria em certificados de aforro).

11.7.23

Há 7802 pedidos de “vistos gold” à espera de aprovação

Luís Villalobos e Rafaela Burd Relvas, in Público


Com as mudanças na lei a caminho, há ainda uma longa lista de processos por apreciar, e a taxa de recusa ronda os 4%. Governo queria travão a 16 Fevereiro mas passou para entrada em vigor do diploma.

Numa altura em que a legislação sobre a concessão de “vistos gold” vai apertar, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) tem ainda uma longa lista de processos por apreciar. De acordo com as informações prestadas ao PÚBLICO por fonte oficial do SEF, há neste momento 21.364 pedidos relacionados com o regime de Autorização de Residência para Investimento (ARI, vulgarmente conhecidos como “vistos gold”) em fase de pré-análise, e o número poderá ainda crescer.

“Deste total, 7802 referem-se a pedidos de cidadãos estrangeiros investidores e 13.562 traduzem-se em pedidos de cidadãos estrangeiros que pretendem beneficiar deste regime através do reagrupamento familiar”, adiantou a mesma fonte.

Inicialmente, no âmbito do pacote Mais Habitação que está agora em discussão no Parlamento, o executivo socialista queria que já não pudessem ser atribuídos novos destes vistos a partir do passado dia 16 de Fevereiro, data em que foi apresentado o pacote, na sequência de uma reunião do Conselho de Ministros. Mas, depois, acabou por recuar, colocando o “ponto final” no actual regime a partir da entrada em vigor do diploma.

Para se ter uma ideia da dimensão dos números em apreciação pelo SEF, no passado mês de Junho foram concedidos 179 “vistos gold”, com destaque para os investimentos imobiliários (114) e para países como EUA (47 vistos), Reino Unido (26) e China (17). A estes, somam-se 192 autorizações de residência ligadas a familiares reagrupados.

Já desde o início deste regime, destinado a cidadãos extracomunitários, em Outubro de 2012, e até Junho deste ano, foram concedidos 12.396 “vistos gold”, num investimento total de 7157 milhões de euros (cabendo a primazia à China, com 5366 vistos, seguindo-se o Brasil, com 1229, e os EUA, com 713), com 20.000 familiares reagrupados. A compra de imóveis foi a principal razão para a concessão dos “vistos gold”, com 11.181 ARI (90% do total) destinados a essa modalidade.

[...]

Tendo em conta que, depois de aprovado no Parlamento, o diploma ainda terá de ser promulgado pelo Presidente da República e, por fim, publicado em Diário da República, é provável que a nova lei só entre em vigor apenas em Agosto. Assim, até lá, os novos pedidos de “vistos gold” que ainda venham a ser submetidos continuarão a poder ser aprovados.

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10.7.23

Subidas de juros do passado mostram que o pior pode estar para vir na economia

Sérgio Aníbal, in Público



Nas subidas de taxas de juro realizadas pelo Banco Central Europeu, os efeitos negativos na economia portuguesa demoraram a fazer-se sentir. Acontecerá o mesmo agora?


Nas duas ocasiões do passado em que o Banco Central Europeu (BCE) pôs em prática uma subida prolongada e acentuada das suas taxas de juro, os efeitos negativos na economia portuguesa demoraram pelo menos dois anos a fazerem-se notar de forma clara e já num cenário de crise generalizada no resto da Europa. Um sinal de alerta para aquilo que pode ainda acontecer nos próximos meses, numa altura em que, apesar da subida dos juros, a economia portuguesa continua para já a crescer, com uma taxa de desemprego baixa e sem sinais sérios de aumento do crédito malparado.


Em geral, é inevitável: quando um banco central sobe as suas taxas de juro de forma acentuada, as consequências são menos crescimento, com uma possível recessão, um aumento do desemprego e uma maior frequência de episódios de incumprimento na amortização dos empréstimos por parte das empresas e das famílias. No entanto, este tipo de impactos da política monetária na economia não é sentido de forma imediata.


Isto é evidente nos dados da economia portuguesa desde que a divisa oficial passou a ser o euro e o banco central o BCE, a partir de 1999. Antes da escalada de taxas de juro a que estamos neste momento a assistir, existiram dois episódios de subidas significativas do custo de financiamento na zona euro.


O primeiro teve início em Outubro de 1999. Nessa data, com Wim Duisenberg na presidência e as previsões de inflação para a zona euro a apontarem para subidas para valores acima de 2% no ano 2000, o BCE iniciou uma série de aumentos das taxas de juro, que durou um ano e que elevou as taxas de juro de referência do banco central em 2,25 pontos percentuais. As taxas de juro mantiveram-se depois a um nível elevado, acima de 3%, até ao final de 2001.

A economia portuguesa, que, quando em Frankfurt se começou a subir taxas de juro, estava ainda a passar pela forte expansão motivada pela entrada do país na zona euro das taxas de juro mais baixas, continuou a registar durante mais algum tempo taxas de crescimento elevadas. Apenas na segunda metade de 2001, um ano após o fim da subida dos juros, começou a abrandar, e apenas passado mais um ano, na segunda metade de 2002, se entrou em recessão técnica, num período em que a confiança dos consumidores entrou em queda com o “pântano político” de António Guterres e o “país em tanga” de Durão Barroso.
[...]

No resto da zona euro, a economia ainda cresceu quase 4% em 2000, abrandando depois de forma significativa em 2001 e 2002, ano em que quase estagnou. Esta travagem na Europa foi mais um factor a afectar o desempenho da economia portuguesa, que se reflectiu também no mercado de trabalho.

A taxa de desemprego em Portugal, que estava ligeiramente acima de 5% quando o BCE começou a subir as taxas de juro em Outubro de 1999, manteve-se perto desses valores até ao final de 2001, elevando-se ao longo de 2002 para perto de 8%.


Nos indicadores relativos à percentagem de crédito considerado malparado, não se nota, nem no momento da subida das taxas de juro nem nos anos seguintes, qualquer alteração significativa.


O segundo período de subida de taxas de juro aconteceu já com Jean-Claude Trichet na presidência do BCE. Começou em Dezembro de 2005, durou ano e meio e conduziu a uma subida das taxas de juro de referência do banco central de dois pontos percentuais.


Tal como tinha acontecido no episódio anterior, foi preciso esperar algum tempo, já depois de as taxas de juro atingirem o seu pico, para observar uma travagem da economia portuguesa, com o correspondente aumento do desemprego. De facto, só em meados de 2008, numa altura em que a economia mundial já vivia um clima de instabilidade acentuada devido ao colapso do mercado subprime nos EUA, é que Portugal entrou em recessão técnica.
[...]


Desta vez, num cenário em que logo à partida a taxa de desemprego já estava acima de 9%, superando um pouco mais tarde os 10%, foi também evidente, a partir de 2007, uma subida acentuada do rácio de crédito malparado, revelando as dificuldades que as famílias e as empresas portuguesas tiveram para fazer face aos seus compromissos com os bancos.

A demora da politica monetária


Agora, o ciclo de subida das taxas de juro a que estamos a assistir por parte do BCE – com Christine Lagarde no comando – é muito mais forte do que os anteriores. A ter de enfrentar a inflação mais alta das últimas quatro décadas na Europa, o banco central decidiu, em Julho do ano passado, começar a subir as taxas de juro, fazendo-o a um ritmo nunca visto.


Nos últimos 12 meses, a taxa de juro de depósito do BCE passou dos 0,5% negativos em que se encontravam já há três anos para 3,5%. E, com toda a probabilidade, não deverá ficar por aqui. Na reunião agendada para o final deste mês de Julho, espera-se uma nova subida, para 3,75%, sendo depois possível, consoante a evolução dos dados económicos, que novas subidas ocorram.

A economia portuguesa tem vários motivos para se preocupar com os efeitos desta subida de taxas. As suas empresas e famílias, embora com uma situação melhor do que a vivida há alguns anos, ainda apresentam níveis de endividamento relativamente altos, e o facto de a maior parte dos empréstimos ter sido concedida a taxas de juro variáveis faz com que o impacto das decisões tomadas pelo BCE chegue mais rápido ao valor das prestações pagas pelos portugueses.


[...]


Há algumas explicações para esta resistência da economia. Uma delas é a possibilidade que algumas famílias tiveram de poder usar poupanças que acumularam durante a pandemia, mas o principal motivo pode estar mesmo, tal como aconteceu no passado, no facto de os impactos da política monetária na economia e no emprego demorarem sempre algum tempo a fazer-se sentir. A experiência a nível internacional é a de que esta diferença de tempo entre a acção da política monetária e o efeito na economia pode situar-se entre um e dois anos.


[...]


Christine Lagarde e a maioria dos responsáveis do conselho de governadores do BCE têm, contudo, uma opinião diferente: a de que, neste momento, o risco de fazer de menos para combater a inflação supera o risco de fazer de mais.

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5.7.23

CGD é uma das entidades interessadas em vender Certificados de Aforro

Rosa Soares, in Público

IGCP prepara o lançamento da aplicação para telemóvel que vai facilitar a subscrição dos produtos de poupança do Estado.


O alargamento dos locais de subscrição de Certificados de Aforro (CA) e do Tesouro (CT) e ainda a disponibilização de uma aplicação para telemóveis para compra directa destes produtos vão ser uma realidade brevemente. A agência que gere a dívida do Estado (IGCP) confirma que já recebeu pedidos de instituições bancárias ou de entidades de pagamentos para disponibilizarem estes produtos de poupança. A Caixa Geral de Depósitos (CGD) é uma das interessadas.

A possibilidade de alargamento da rede de distribuição dos CA e CT foi criada pela Portaria n.º 149-A/2023, de 2 de Junho, que pretende acabar com o meio quase exclusivo de colocação dos certificados do Estado através das lojas dos CTT — Correios de Portugal. Para além desta via, apenas era possível fazer a subscrição através do serviço de AforroNet (aforronet.igcp.pt), do próprio IGCP, e de algumas lojas da rede de Espaços Cidadão, sendo sempre obrigatória a abertura de conta nas lojas dos CTT.


[...]


A subscrição dos produtos de poupança do Estado, especialmente os CA, aumentou significativamente nos últimos meses, devido à melhoria significativa da sua rentabilidade, na sequência da forte subida da Euribor a três meses, e da baixa rentabilidade oferecida pelos depósitos a prazo.


[...]


App para telemóvel a caminho

Em termos operacionais, o alargamento da distribuição de CA e CT pode avançar, não estando dependente do plano de investimento na “digitalização” lançado recentemente pelo Estado. “Os trabalhos em curso com as instituições financeiras e de pagamentos que já abordaram o IGCP visam a adopção de soluções tecnológicas assentes nos sistemas actuais do IGCP e dessas entidades registadas no Banco de Portugal”, esclarece a instituição.

[...]


No videocast desta semana do Perguntar Futuro abordamos o tema: "Banca do futuro: Evolução ou Revolução?", com intervenções de Afonso Eça, Director Executivo de Inovação do BPI e Nuno Cortesão, CEO da Zharta (plataforma de empréstimos instantâneos garantidos por NFTs). ​ Perguntar Futuro é uma série editorial em formato de videocast produzida pelo PÚBLICO, com o apoio da Sonae e que pode acompanhar em publico.pt/perguntar-futuro.

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23.6.23

O crescimento dos portugueses

Mário Centeno, opinião, in Público

A economia só surpreende quem não a quer conhecer.

O cenário de crescimento da economia portuguesa acima de 2% nos próximos três anos, que apresentei na semana passada, não é otimista, nem benevolente. Antes pelo contrário, é muito exigente para todos os que querem ver Portugal continuar a convergir com a Europa. É um cenário que exige estabilidade e previsibilidade, financeira e de políticas – ou seja, é um cenário que exige responsabilidade.

A área do euro está em recessão técnica. Podemos talvez dizer que está em estagnação. Não é com certeza um cenário externo benigno.

Uma economia vive de tendências e transições. Entre tendências e transições há depois ciclos económicos e choques.

O debate público acontece, demasiadas vezes, apenas sobre os choques, menos sobre os ciclos e ainda menos, mesmo raramente, sobre as tendências e as transições.

Desde 2016, a tendência de Portugal é de convergência com a área do euro. Na década que termina em 2025, vamos crescer mais de oito pontos percentuais acima da área do euro. Nos longos anos que decorreram entre 1995 e a grande crise financeira de 2008, a convergência foi de apenas um ponto percentual.

Desde o início do século, reduzimos o risco de pobreza e exclusão social, mais do que a área do euro, e aumentámos as nossas qualificações para além dos nossos parceiros. A percentagem de pessoas em risco de pobreza em Portugal passou de quatro pontos percentuais acima da área do euro em 2015 para dois pontos percentuais abaixo. Ultrapassámos, neste período, países como a Espanha, França ou Alemanha. Nas qualificações, abandonámos a cauda da OCDE na percentagem de estudantes que entram no mercado de trabalho com o ensino secundário completo, para estar hoje no topo. De pouco mais de 40%, passámos para mais de 85%.

Há hoje mais um milhão de empregos em Portugal do que em 2013. E a vasta maioria destes que hoje estão empregados são os mais qualificados que temos vindo a formar.

Os ciclos, esses, vão e voltam. Neste momento, conseguimos prolongar um ciclo que esteve, em 2019, no auge de mais de duas décadas.

Mas prolongar ciclos económicos não é simples e pode levar à acumulação de tensões. Todo o cuidado é pouco. Estas tensões fazem-se sentir nos preços, em situações em que os ativos ficam sobrevalorizados, e posteriormente os ajustamentos podem ser abruptos e desestabilizadores.

As políticas não podem ser expansionistas nestas fases do ciclo.

E de choques, infelizmente entre a covid e a guerra injustificada que a Rússia lançou contra a Europa em território ucraniano, temos tido “de tudo um pouco”.

E a resposta da economia portuguesa não poderia ter sido melhor.

Percebemos a natureza temporária da crise covid. Não teve o impacto estrutural na nossa economia que vimos nas crises financeira e de dívida soberana; não alterou as tendências, ainda que possa ter ajustado as transições que se observavam em 2019. Entre o início de 2019 e o de 2023, o emprego em sectores de maior valor acrescentado e salários acima da média cresceu mais. Dos 350 mil empregos criados pelo sector privado, 112 mil foram nos sectores da informação, comunicação, consultoria, ciência e imobiliário, onde o salário médio é de 1800 euros. Estes sectores contribuíram para a criação de emprego três vezes mais do que o seu peso de 10% no emprego.

Este facto desafia os 44 mil empregos criados pelos sectores do alojamento, restauração e transportes, onde o salário médio é de 1200 euros, e que perderam peso no emprego total.

A economia só surpreende quem não a quer conhecer.

Temos também de perceber a natureza temporária da crise inflacionista. O choque nos preços internacionais que esteve na sua origem já foi revertido. Cabe agora refletir essa reversão nos preços ao consumidor, em Portugal e na Europa.

Só assim a política monetária poderá ganhar previsibilidade nos próximos meses.

A Europa, Portugal incluído, deu a resposta com a natureza mais estabilizadora de todas as economias mundiais. A intensificação da integração europeia que o Eurogrupo e o Conselho Europeu aprovaram na Primavera de 2020 não pode voltar atrás.

Os cenários disponíveis para a economia portuguesa, com crescimento acima de 2% entre 2023 e 2025, apenas se materializarão se os agentes económicos e sociais (das empresas às famílias, passando pelo Estado) perceberem o valor da estabilidade promovida pelas políticas e comportamentos anteriores à pandemia.

necessário manter a redução do endividamento e aumentar a poupança; continuar a transição educativa, de que ninguém se pode apoderar ou tornar refém; e abrir as nossas fronteiras ao conhecimento e ao trabalho de todos os que possam contribuir para o sucesso da nossa sociedade.

O sistema bancário deve continuar a reduzir os riscos, remunerar o seu passivo e apoiar a economia portuguesa. Desde 2020 que o sistema bancário tem feito parte da solução e essa é a melhor retribuição que pode dar a todos os portugueses.

A responsabilidade social de todos, necessária à acumulação de capital social entre os agentes económicos, é uma condição precedente à continuação do atual momento económico – caracterizado por emprego e salários em máximos históricos, uma procura de trabalho que se encontra com a oferta de emprego mais qualificada de sempre. Os ingredientes que permitem, e permitirão, que este seja o verdadeiro momento do crescimento dos portugueses.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico

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