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9.8.23

Conheça a história do casal de Viana do Castelo que vive num barracão em extrema pobreza. Veja agora na CMTV

Paulo Jorge Duarte, in CM

Sem dinheiro para arrendar uma casa, sobrevivem com a ajuda de quem se disponibiliza para ajudar.

Quem passar junto à praia do Castelo Velho, em Viana do castelo, dificilmente se apercebe da vida de sofrimento de Carlos Gomes e da mulher. O casal vive num barracão para guardar alfaias agrícolas. Com vista para o mar, mas nem por isso numa vida digna de seres humanos, em pleno século 21, um conjunto de infelicidades atirou este homem e esta mulher para a cauda do limiar da extrema pobreza.

2.8.23

Casas para arrendar em Portugal ficaram 3,8% mais caras em julho

in Idealista

O acesso à habitação em Portugal está cada vez mais difícil, seja pelos altos preços das casas à venda ou pelos elevados juros no crédito habitação, a par da perda do poder de compra, devido à inflação. E também no mercado de arrendamento não há boas notícias: além de haver falta de oferta para a elevada procura, os preços das casas para arrendar em Portugal estão cada vez mais altos. No final do mês de julho deste ano subiram 3,8% face ao mês anterior. Isto significa que arrendar casa tinha um custo mediano de 15 euros por metro quadrado (euros/m2), segundo o índice de preços do idealista. Já em relação à variação trimestral, a subida foi de 8,3% e a anual de 31,6%.

Rendas das casas continuam a subir na maioria das cidades

Olhando para as 14 capitais de distrito com amostras significativas, verifica-se que o preço de arrendamento habitacional em julho subiu em 12 cidades, com Évora (8,1%) a liderar o ranking. A lista de cidades onde as rendas das casas mais subiram em julho face a junho continua com o Funchal (6,4%), Faro (6%), Aveiro (4,8%), Viseu (2,8%), Santarém (2,7%), Porto (2,4%), Setúbal (2,2%), Viana do Castelo (1,4%), Coimbra (1%), Castelo Branco (1%) e Lisboa (0,8%). Por outro lado, as rendas das casas desceram em Leiria (-6,9%) e em Braga (-0,9%).

Lisboa continua a ser a cidade onde é mais caro arrendar casa em Portugal: 20,1 euros/m2. O Porto (15,7 euros/m2) e o Funchal (14,2 euros/m2) ocupam o segundo e terceiro lugares, respetivamente. Seguem-se Évora (11,6 euros/m2), Faro (11,6 euros/m2), Aveiro (11,4 euros/m2), Setúbal (11 euros/m2), Coimbra (9,6 euros/m2), Braga (8,2 euros/m2) e Viana do Castelo (8 euros/m2).

Já as cidades mais económicas para arrendar uma habitação no país são Castelo Branco (5,8 euros/m2), Viseu (6,3 euros/m2), Leiria (7,4 euros/m2) e Santarém (7,6 euros/m2).
Arrendar casa ficou mais caro em 14 distritos e ilhas

Dos 17 distritos e ilhas analisados, Viana do Castelo (10,6%) e Aveiro (8,7%) lideram as subidas de preço das casas para arrendar em julho face ao mês anterior. Seguem-se Viseu (7,2%), ilha da Madeira (6,1%), Faro (4,3%), Vila Real (4,1%), Coimbra (3,6%), Lisboa (3,4%) e o Porto (3%). Com subidas das rendas das casas inferiores a 3% encontram-se os distritos de Leiria (2,8%), Setúbal (2,6%), Évora (2,1%), Braga (1,1%) e Santarém (0,7%).

Por outro lado, os preços das casas para arrendar desceram em Portalegre (-3%), Castelo Branco (-1,4%) e Beja (-0,8%)


O ranking dos distritos mais caros para arrendar casa é liderado por Lisboa (18,7 euros/m2), seguido pela ilha da Madeira (13,9 euros/m2), Porto (13,8 euros/m2), Faro (13,4 euros/m2), Setúbal (11,8 euros/m2), Évora (10,1 euros/m2), Coimbra (9,5 euros/m2), Aveiro (9 euros/m2), Leiria (8,9 euros/m2), Viana do Castelo (8,9 euros/m2) e Braga (8,4 euros/m2).

Os preços mais económicos para arrendar casa encontram-se em Portalegre (5,9 euros/m2), Castelo Branco (6,3 euros/m2), Viseu (6,4 euros/m2), Vila Real (6,5 euros/m2), Santarém (7,1 euros/m2) e Beja (8,1 euros/m2).
Preço das casa para arrendar subiu em todas as regiões - menos no Alentejo

Durante o mês de julho, os preços das casas para arrendar aumentaram em todas regiões portuguesas com a exceção do Alentejo onde os preços estabilizaram (0,4%). A liderar as subidas encontra-se a Região Autónoma da Madeira (5,7%), seguida pelo Algarve (4,3%), Área Metropolitana de Lisboa (3,5%), Norte (3,5%) e Centro (3,3%).

A Área Metropolitana de Lisboa, com 17,9 euros/m2, continua a ser a região mais cara para arrendar casa em Portugal, seguida pela Região Autónoma da Madeira (13,8 euros/m2), Algarve (13,4 euros/m2) e Norte (12,6 euros/m2). Do lado oposto da tabela encontram-se o Centro (8,5 euros/m2), o Alentejo (9,4 euros/m2) que são as regiões mais baratas para arrendar uma habitação.

Índice de preços imobiliários do idealista

Para a realização do índice de preços imobiliários do idealista são analisados ​​os preços de oferta (com base nos metros quadrados construídos) publicados pelos anunciantes do idealista. São eliminados da estatística anúncios atípicos e com preços fora de mercado.

Incluímos ainda a tipologia “moradias unifamiliares” e descartamos todos os anúncios que se encontram na nossa base de dados e que estão há algum tempo sem qualquer tipo de interação pelos utilizadores. O resultado final é obtido através da mediana de todos os anúncios válidos de cada mercado.

31.7.23

“Não esperavam isto em 2023, pois não? O Papa só vem aqui porque somos miseráveis”: no Bairro da Liberdade, a prisão é uma fossa

TEXTO MARTA GONÇALVES FOTOS NUNO BOTELHO, in Expresso


A casa de Vanessa está cheia de coisas e coisinhas que em tempos encheram um T2 completamente banal. Desempacotaram tudo o que tinham há ano e meio e encaixaram-se numa casa demasiado pequena, com três pequenas divisões: uma cozinha-entrada, uma sala-quarto e um quarto que é uma sala de jantar. Não há casa de banho, apenas uma sanita atrás de uma porta, num cubículo mais pequeno do que um armário; os duches tomam-se na rua durante o verão e no meio da cozinha no inverno. “Tenho esta piscina aqui”, conta a mulher de 32 anos, enquanto abre a cortina que esconde a chaminé e tira um pequeno insuflável colorido, daqueles em que bebés de fralda chapinham na praia com água do mar. Aqui serve de banheira no meio de uma cozinha.

Vanessa vive com o marido Fernando e a filha Gabriela, de nove anos, no Bairro da Liberdade. Foi ali que, quando os valores das rendas dispararam, encontraram onde morar por €120, numa casa “sem condições de habitabilidade”, mas que pelo menos não era uma tenda. “Era isto ou a rua, era pagar uma renda de €600 ou comer.” Enfiaram toda a vida ali, encafuada numa casa sem portas e só com uma janela. “Ter uma sanita neste bairro é um luxo. Há aqui quem não tenha e use a fossa comum.” As pessoas usam um balde, vão à rua e atiram os dejetos para um buraco. “Não deviam ficar contentes com a vinda do Papa cá, mas tristes. Se vem, não é por este ser o bairro mais bonito.”

Do Bairro da Liberdade veem-se as torres das Amoreiras. Fica a três ou quatro quilómetros do Parque Eduardo VII, onde um palco foi erguido para receber a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), e a outros tantos de Campo de Ourique, uma das zonas mais caras da capital. É atravessado pelo Aqueduto das Águas Livres, monumento nacional visitado por centenas de pessoas — os seus pilares estão a pouco mais de 50 metros das casas daquilo a que chamam “a favela de Lisboa”.

Os caminhos são tão estreitos que provocam uma sensação de aperto, sufoco. Apesar de colados a um dos eixos com mais trânsito de Lisboa, o som da cidade desaparece pelas ruelas e é impossível passar mais que uma pessoa ao mesmo tempo pelo corredor. As construções são precárias, cheias de acrescentos e obras feitas sem autorização, janelas remendadas com panos e plásticos, portas de madeira e partidas. Aos telhados faltam telhas. Quem caminha na São Jacob nem percebe as portas e caminhos labirínticos que existem para lá desta rua principal.

Tal como as fossas comuns — tapadas com placas de madeira para impedir que ratos subam para as ruas e casas —, também existem pelo bairro chafarizes que ainda funcionam. Nem todos têm acesso à água, menos ainda têm saneamento básico. “Não é só pela Igreja que o Papa vem cá, vem cá porque somos miseráveis.” Paulo é um dos filhos do bairro que, já adulto, saiu da Liberdade para criar os filhos numa casa com melhores condições.

A visita de Francisco ao Centro Paroquial de São Vicente de Paulo, que fica às portas do Bairro da Liberdade, está marcada para sexta-feira (4) e com um plano diferente daquele que o padre Crespo tinha idealizado. “Queria ter muita gente do bairro, praticante ou não, mas a polícia e a segurança do Vaticano só vão deixar entrar quem estiver credenciado. Vai ser tudo controlado, temos as ruas cheias de polícia e fechadas”, diz o pároco. “Há aqui tanta gente que gostaria de vê-lo e saudá-lo.”

“QUE DIGNIDADE É ESTA?”

Faltam ainda 14 dias para que Luís Alves, 55 anos, possa ir buscar o cabaz alimentar ao centro paroquial. Na parede, entalado numa moldura, está um retângulo de papel impresso a computador. Parece uma senha de racionamento. Tem dia e hora marcados, garantia de que vai ter comida na despensa. A fachada do sítio onde mora parece ser apenas uma casa degradada, mas para lá da porta junto ao alcatrão há um pátio com várias pequenas casas. A de Luís é no primeiro andar: tem uma cozinha, que é também a entrada, e um quarto-sala onde cabe apenas uma cama de solteiro, um armário e uma secretária. “Que dignidade é esta?”

A casa de banho fica no rés do chão, José mal cabe lá dentro e partilha-a com mais “três ou quatro pessoas”. Há 20 anos que um acidente grave de moto o deixou vários meses em coma e incapaz de trabalhar. Conta que vendeu droga para não ter de ir roubar, foi preso e saiu em condicional. Pediu ajuda na Junta de Freguesia de Campolide, à qual pertence o bairro. “Tudo o que se vê aqui em redor é uma vergonha. Eles não fazem nada, querem é o cu deles e para os amigos.” O tom de voz de Luís eleva-se com a revolta. “O Papa vem cá, os senhores ministros vêm cá, vem cá toda a gente, mas só meteram cá merda e remendos”, diz, desculpando-se a cada instante pelo palavreado. Queixa-se de como o Liberdade foi esquecido enquanto outros bairros desapareceram para dar lugar a novas casas camarárias. “Se não sabem o que se passa aqui foi porque não quiseram saber. Agora querem porque vem o Papa. Daqui a pouco, quando tudo isto passar, já se esqueceram de mim.”

O bairro nasceu como dormitório de centenas de pessoas que vieram dos meios rurais à procura de trabalho em Lisboa nos primeiros anos do século passado. Criaram-se filhos, nasceram netos e, em alguns casos, já chegaram os bisnetos e a requalificação do Liberdade não aconteceu. “Não estavam à espera disto em 2023, pois não?”, pergunta Paulo.

26.7.23

Arrendar casa em Portugal? Estes são os 25 municípios mais baratos

in Idealista


Encontrar uma casa para arrendar a preços compatíveis com os rendimentos familiares é hoje um desafio. As rendas das casas não param de subir e a oferta de habitações neste mercado é escassa. E esta realidade tem-se vindo a agravar num momento em que os custos de financiamento da aquisição de habitação estão a escalar, por via da subida dos juros. É neste contexto que importa saber quais são os 25 municípios mais baratos para arrendar casa em Portugal, tal como revela o estudo realizado pelo idealista, o Marketplace imobiliário de Portugal. Vem daí descobrir quais são os concelhos onde arrendar casa é mais acessível.

Olhando para o mapa de Portugal, salta à vista que é em Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, onde arrendar casa é mais barato. Os proprietários deste município pedem, em termos medianos, 5,4 euros por metro quadrado (euros/m2), sendo este o metro quadrado mais barato do país.

O ranking dos cinco municípios mais baratos para arrendar casa completa-se com Castelo Branco (5,8 euros/m2), Viseu (6,1 euros/m2), Covilhã (7,4 euros/m2) e Valongo (7,7 euros/m2), segundo o mesmo estudo do idealista.

Casas para arrendar em Portugal até 9 euros/m2

Também é possível pagar por uma casa arrendada menos de 9 euros/m2 nos municípios de Leiria e Viana do Castelo (7,9 euros/m2 em ambos), nas Caldas da Rainha (8 euros/m2), Figueira da Foz (8,1 euros/m2), Braga (8,3 euros/m2), Gondomar (8,4 euros/m2), Torres Vedras (8,5 euros/m2) e na Maia (8,9 euros/m2). Contam-se um total de 13 concelhos onde os preços das casas para arrendar são inferiores a 9 euros/m2, conclui o estudo.

Encontrar uma casa para arrendar a preços compatíveis com os rendimentos familiares é hoje um desafio. As rendas das casas não param de subir e a oferta de habitações neste mercado é escassa. E esta realidade tem-se vindo a agravar num momento em que os custos de financiamento da aquisição de habitação estão a escalar, por via da subida dos juros. É neste contexto que importa saber quais são os 25 municípios mais baratos para arrendar casa em Portugal, tal como revela o estudo realizado pelo idealista, o Marketplace imobiliário de Portugal. Vem daí descobrir quais são os concelhos onde arrendar casa é mais acessível.

Olhando para o mapa de Portugal, salta à vista que é em Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, onde arrendar casa é mais barato. Os proprietários deste município pedem, em termos medianos, 5,4 euros por metro quadrado (euros/m2), sendo este o metro quadrado mais barato do país.

O ranking dos cinco municípios mais baratos para arrendar casa completa-se com Castelo Branco (5,8 euros/m2), Viseu (6,1 euros/m2), Covilhã (7,4 euros/m2) e Valongo (7,7 euros/m2), segundo o mesmo estudo do idealista.


Casas para arrendar em Portugal até 9 euros/m2


Também é possível pagar por uma casa arrendada menos de 9 euros/m2 nos municípios de Leiria e Viana do Castelo (7,9 euros/m2 em ambos), nas Caldas da Rainha (8 euros/m2), Figueira da Foz (8,1 euros/m2), Braga (8,3 euros/m2), Gondomar (8,4 euros/m2), Torres Vedras (8,5 euros/m2) e na Maia (8,9 euros/m2). Contam-se um total de 13 concelhos onde os preços das casas para arrendar são inferiores a 9 euros/m2, conclui o estudo.

O ranking continua com Guimarães, onde as casas para arrendar custam 9,1 euros/m2, em termos medianos. Seguem-se Palmela (9,3 euros/m2), Coimbra (9,5 euros/m2), Montijo e Moita (9,7 euros/m2 em ambos municípios), Olhão e Barreiro (10 euros/m2 em ambos municípios), Vila Franca de Xira (10,1 euros/m2), Vila Nova de Gaia (10,5 euros/m2) e Vila Real de Santo António (10,7 euros/m2).

Nos últimos lugares do ranking que reúne os 25 municípios mais baratos para arrendar casa, encontram-se os municípios de Évora e Setúbal, custando o metro quadrado 10,8 euros em ambas as cidades, aponta o mesmo estudo.

Os municípios mais caros para arrendar casa são…

O estudo realizado pelo idealista também encontrou as cinco localidades mais exclusivas para arrendar casa em Portugal – isto é, as mais caras –, que são:
Lisboa: onde o m2 de uma habitação no mercado de arrendamento custa 20 euros, o mais caro do país;
Cascais (18,8 euros/m2);
Loulé (15,5 euros/m2);
Porto (15,3 euros/m2);
Oeiras (15,2 euros/m2).