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5.5.23

Faro é onde há mais alunos estrangeiros, Loures é onde mais se chumba e Lisboa onde há mais desigualdade

Isabel Leiria e Joana Pereira Bastos, in Expresso


Portal do Ministério da Educação com dados e relatórios para todas as escolas do continente conta este ano com mais informação


Faro é, de longe, o distrito com maior concentração de alunos estrangeiros no ensino básico. Em 2021 (últimos dados disponíveis), no 1.º ciclo, eram 15% do total, quase o dobro da média nacional (8%). Lisboa e Setúbal, com 11%, seguem-se na lista dos distritos com mais estudantes oriundos de outros países.

Em sentido contrário, Vila Real, Guarda, Portalegre e Évora são os que têm a menor proporção de alunos estrangeiros: apenas 3% em todos os casos.




Neste indicador, há diferenças assinaláveis entre o norte e o sul do país, que refletem a distribuição da população imigrante em Portugal. A norte do Tejo, todos os distritos estão abaixo da média nacional, inclusivamente o Porto (que não vai além dos 4%), e só Leiria iguala.

No geral, a média de estudantes de outras nacionalidades tem subido a um ritmo constante: em 2019 eram 5%, em 2020 7% e em 2021 8%. O padrão repete-se no 3.º ciclo, com a média nacional de alunos estrangeiros a subir de 5% para 7% no mesmo período.

Este é apenas um dos muitos dados que podem ser consultados no Infoescolas, um portal do Ministério da Educação com informação e dados estatísticos para um universo de cinco mil escolas do continente, públicas e privadas, e visualizados por agrupamento, município, distrito e região.

Os dados foram agora atualizados e contam com novas possibilidades de pesquisa, retomando-se indicadores relativos aos exames nacionais do 9.º ano e das provas de aferição do 2.º, 6.º e 8.º anos. No caso das escolas públicas é possível ainda saber se têm projetos nas áreas do desporto escolar, educação artística ou informática, por exemplo, e saber quais.

O Ministério sublinha a importância de disponibilizar cada vez mais informação de monitorização do sistema educativo, lembrando que, se em 2014, o portal contava com nove indicadores, hoje são 88, a grande maioria de consulta livre.
SUCESSO E EQUIDADE

A par desta atualização, o Ministério da Educação divulgou ainda esta terça-feira três relatórios – um sobre classificações internas, outro sobre exames e um terceiro relativo a indicadores de sucesso e equidade.

Este último permite saber, por exemplo, que entre os dez municípios com mais alunos - e no caso do ensino básico -, Loures destaca-se por apresentar os valores mais baixos de taxas de conclusão no tempo de esperado: ou seja, o concelho onde há mais alunos a chumbar. Ao nível do 1.º ciclo, 14% das crianças não conseguiram concluir este nível de ensino em quatro anos e contam com pelo menos uma retenção no currículo. O mesmo aconteceu no Seixal em 2021. Em Sintra, foram 13%.

Pela positiva, o relatório assinala o desempenho das escolas de Braga, com taxas de conclusão do ensino básico no tempo esperado superiores a 94%, e de Vila Nova de Gaia, acima dos 90%.

No ensino secundário, o destaque vai novamente para Braga, mas também para Gondomar e Coimbra, o município (entre os mais populosos) onde menos se chumba.

Em relação à equidade - um dos indicadores calculados pelo Ministério e que compara o sucesso dos alunos mais carenciados em cada escola com a média nacional para o conjunto de estudantes apoiados pela ação social escolar -, verifica-se que Lisboa “mantém-se em valores negativos”. O mesmo acontece com Loures e Amadora “ao longo dos vários anos letivos e nos vários ciclos de ensino em análise”, lê-se no relatório.

Há ainda uma nota positiva para o facto de, apesar de se verificarem valores mais baixos de conclusão no tempo esperado por parte dos alunos abrangidos pelo programa de Ação Social Escolar (ASE), a diferença percentual face ao total dos alunos “tende a reduzir-se, nos últimos anos, em todos os ciclos/níveis de ensino, demonstrando uma tendência geral, muito importante na perspetiva da equidade”.

27.3.23

“Alunos vão chegar mal preparados à universidade”, avisa sociedade de matemática

Por Lusa, in Público

Associação critica mudanças nos currículos do ensino secundário. Dia Internacional da Matemática assinala-se esta terça-feira.

Os alunos que escolherem cursos nas áreas ligadas às ciências e engenharias vão chegar mal preparados às universidades devido às mudanças nos currículos do ensino secundário, alerta o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM).

"O problema está nos programas de Matemática do ensino secundário que, na nossa opinião, não vão preparar bem os alunos para o ensino superior", disse José Carlos Santos em declarações à agência Lusa, a propósito do Dia Internacional da Matemática, que se assinala esta terça-feira.

Numa retrospectiva de como o ensino da Matemática tem evoluído em Portugal, José Carlos Santos, que assumiu o cargo no ano passado, começou por notar que o país parece não conseguir desenhar "um programa que se mantenha estável por uma ou duas gerações".

A alteração mais recente vai entrar em vigor no próximo ano e procura corrigir o modelo actualmente em vigor, definido no mandato do ex-ministro da Educação Nuno Crato.

Um dos princípios que orientou o novo modelo para o ensino secundário é o de uma matemática para todos e para a cidadania e, entre as principais novidades, a partir de 2024, os alunos do 10.º ano vão ter um primeiro período de aulas semelhante, independentemente de estarem em ciências, humanidades, artes ou cursos profissionais.

A SPM já se tinha manifestado contra as alterações e no início do ano acusou mesmo o Ministério da Educação de atirar a aprendizagem da Matemática no ensino secundário para "mínimos históricos inexplicáveis", apontando "múltiplos e graves problemas" num parecer às novas aprendizagens essenciais.

"Este programa sacrificou a unidade lógica da Matemática e as ligações lógicas entre as várias coisas. Fica mais um conjunto de factos separados e é mais fácil aprender assim, o problema é que quando o aluno vai para um curso científico não está preparado", insistiu José Carlos Santos, que é também professor na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

"E das duas uma: ou se dá muito mal no ensino superior ou, alternativamente, o ensino superior terá de baixar o nível. Qualquer um dos casos é muito triste", acrescentou.

Programas mais vagos

O presidente da SPM tem, por outro lado, dúvidas quanto aos objectivos dos novos programas, que pretendem que os alunos se sintam mais à vontade com a matemática. Para José Carlos Santos, o resultado será alunos expostos a menos conhecimento sob a ilusão de que estão mais aptos para usar a matemática no dia-a-dia.

Mas isso não vai acontecer, antecipa o matemático, justificando que "a Matemática que tem usos em situações reais é demasiado avançada para aquilo que é razoável dar no (ensino) secundário" e isso vê-se nos problemas "altamente artificiais" que, habitualmente, são colocados aos alunos nessa fase do seu percurso escolar.

Além dos conteúdos programáticos, a SPM está preocupada por considerar que as alterações tornam os programas mais vagos, dificultando a avaliação objectiva e comparável dos alunos, e lamenta que as sociedades científicas de Matemática e Estatística não tenham sido ouvidas.

"O que seria desejável - mas não estou a ver que seja o que vá acontecer - era as sociedades científicas e as associações dos professores juntarem-se e concordarem com um programa básico", defendeu.

O Dia Internacional da Matemática assinala-se esta terça-feira com actividades organizadas por várias instituições de ensino superior e ligadas à ciência. No Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, vão realizar-se encontros, debates e feiras durante todo o dia, sob o tema "Todas as horas contam", em colaboração com a SMP.

A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa escolheu o tema "Matemática para todos" e tem programado palestras até quinta-feira para alunos do ensino básico e secundário e professores. A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa realiza, durante a tarde de hoje, um encontro de matemáticos sobre o papel da disciplina na sociedade.

15.9.20

Instituto de Apoio à Criança defende disicplina de Cidadania e Desenvolvimento obrigatória

in RR

“Não pode o IAC, por tudo isto, deixar de congratular-se com a consideração da formação cívica, como objetivo transversal a todo o percurso escolar dos jovens e apoiar, consequentemente, a existência de um espaço curricular obrigatório, de debate e reflexão, a ela expressamente dedicado.”

O Instituto de Apoio à Criança (IAC) defendeu esta segunda-feira a obrigatoriedade da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, afirmando que a educação deve ambicionar mais do que “a simples memorização de conhecimentos académicos”, contribuindo para uma sociedade democrática e tolerante.

“Acreditamos que a educação não conseguiria a sua missão social se não ambicionasse mais do que a simples memorização de conhecimentos académicos ou o mero treino de habilidades pois antes tem como missão última contribuir para a plenitude e a realização pessoal, o bem-estar coletivo e a evolução da sociedade democrática, tolerante e integradora”, defende o IAC em comunicado hoje divulgado.

O IAC relembra no documento que orienta a sua ação pelas normas nacionais e internacionais fundamentais no que diz respeito à educação e ao que se determina que devem ser os seus objetivos, referindo o artigo 9.º da Constituição, que elenca as tarefas fundamentais do Estado - entre as quais se encontram a defesa de direitos e liberdades fundamentais, a defesa da democracia e o incentivo à participação cívica dos cidadãos -, mas também a Convenção sobre os Direitos da Criança, que apontam entre os objetivos da educação o respeito pelos direitos humanos e pela cidadania.

No documento hoje divulgado, o IAC afirma a sua “firme convicção de que a Educação é um instrumento poderoso, indispensável e insubstituível para as crianças adquirirem competências que lhes permitam viver de forma mais digna e responsável”.

“Não pode o IAC, por tudo isto, deixar de congratular-se com a consideração da formação cívica, como objetivo transversal a todo o percurso escolar dos jovens e apoiar, consequentemente, a existência de um espaço curricular obrigatório, de debate e reflexão, a ela expressamente dedicado”, acrescenta.

A polémica em torno da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento tem origem no caso de dois irmãos de Vila Nova de Famalicão, no distrito de Braga, que faltaram a todas as aulas desta disciplina por opção dos pais, que argumentam que os tópicos abordados são da responsabilidade educativa das famílias.

No início de setembro veio a público um manifesto que juntou quase 100 personalidades, entre as quais o antigo Presidente da República Cavaco Silva, o ex-primeiro-ministro Passos Coelho e o cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, contra aulas obrigatórias de Cidadania apelando para que os pais possam escolher.

Entretanto, como resposta ao primeiro, um segundo manifesto em defesa da obrigatoriedade da disciplina de cidadania e a rejeitar que possa ser alvo de objeção de consciência para que os alunos não a frequentem já atingiu 8.000 subscritores.

O documento "Cidadania e desenvolvimento: a cidadania não é uma opção" tem como primeiro subscritor David Rodrigues, conselheiro do Conselho Nacional de Educação e presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial ao qual já se juntaram várias personalidades, entre elas Ana Gomes, Pedro Bacelar de Vasconcelos, Teresa Pizarro Beleza, Daniel Oliveira, Alexandre Quintanilha, Catarina Marcelino, Boaventura Sousa Santos, Carvalho da Silva e Joana Mortágua.

Na disciplina Cidadania e Desenvolvimento, criada em 2018/19, obrigatória no 2º e 3º ciclos do Ensino Básico, são abordados temas como a educação para a saúde e a sexualidade, o voluntariado, a igualdade de género ou a segurança rodoviária.