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8.2.21

Tarifa social da Internet só a partir de junho

Ana Marcela, in JN

Grosso dos computadores da escola digital vai chegar com aulas a decorrer. Operadoras reforçaram rede para responder ao tráfego.

Centenas de milhares de alunos regressam esta segunda-feira às aulas remotamente, mas a grande maioria vai usar os computadores pessoais e a Internet de casa. As famílias terão de esperar pela tarifa social de Internet, pelo menos até junho. E menos de metade dos 1,2 milhões de computadores que o Governo pretende comprar no âmbito da escola digital só começam a chegar com as aulas a decorrer. As operadoras asseguram ter a rede preparada para assegurar o tráfego. A MEO admite que o início das aulas leve a um aumento até 9% do tráfego de dados.

A intenção do Governo de avançar com uma tarifa social de Internet, garantindo acessibilidade às famílias mais desfavorecidas, anunciada em abril passado, não foi concretizada. "Estamos a trabalhar no modelo para que possa estar em vigor no segundo semestre", adianta fonte oficial da Secretaria de Estado das Comunicações. Ou seja, no terceiro período.

Compras à pressa

Este atraso ganha dimensão numa altura em que a pandemia transformou cada lar numa sala de aula, sem que o grosso dos cerca de 1,2 milhões de computadores com acesso à Internet, prometidos pelo Executivo em julho, tenham chegado a alunos e docentes. 100 mil kits (PC e net) chegaram no primeiro período, com o Governo a fechar em dezembro contrato para mais 260 mil - no valor de 62,5 milhões - e agora, a 4 de fevereiro, novo contrato para 75 930 equipamentos, com um custo de 19,36 milhões de euros para a Inforlândia (que soma mais um contrato, depois de 17,2 milhões euros, pela aquisição de 67 731 equipamentos). Na passada quinta-feira, o Governo aprovou a compra imediata de mais 15 mil computadores. "Considerando a urgência impreterível destas aquisições", a compra, no valor de 4,7 milhões de euros, será por ajuste direto.

Operadores reforçam rede

Desde março que as operadoras têm vindo a reforçar a rede para responder ao aumento de tráfego, que explodiu quando a pandemia empurrou os portugueses para casa. Na Meo, comparando "com o final do primeiro trimestre de 2020, o tráfego médio aumentou cerca de 20%", adianta fonte oficial. "Para a manutenção plena das melhores condições para o teletrabalho e para o ensino à distância - cujos aumentos de tráfego antecipamos ser, no imediato, da ordem de grandeza de 1 dígito percentual a partir de segunda-feira -, a Altice Portugal está a canalizar todos os esforços para garantir o funcionamento sem falhas das suas redes de comunicações". Desde novembro que a Vodafone deteta um crescimento de utilização da Internet fixa, que se intensificou a partir de 22 de janeiro, situando-se agora acima dos 20%. Com as aulas remotas, a operadora antecipa uma "alteração de perfil de utilização em termos de faixas horárias", tal como a NOS. "Não se antecipam aumentos significativos, apenas uma ligeira acentuação desta tendência com uma distribuição horária distinta", adianta a operadora.

"Estudo em Casa"

O "Estudo em Casa", que tem sido exibido na RTP Memória, passa esta segunda-feira a abranger os alunos do Secundário na posição 8 da TDT e 444 das operadoras cabo. A emissão começa às 9.30 e termina por volta das 16.30 horas. Há ainda a app Estudo em Casa a funcionar desde o início do ano letivo.

BE quer descontos

O Bloco de Esquerda apresentou um projeto no Parlamento para a criação de um "desconto temporário nas faturas das telecomunicações para todos os agregados familiares com estudantes do Ensino Básico e Secundário até ao escalão 3 do abono de família" enquanto não houver tarifa social.

Greve do STOP

O Sindicato de Todos os Professores (STOP) entregou um pré-aviso de greve de uma semana, exigindo condições para o ensino à distância.

Municípios ajudam

Vários municípios do país têm vindo a entregar material informático a alunos mais carenciados e a professores para ajudar no processo.

5.4.13

Matemática. Aulas online chegaram a Portugal, grátis e em português

Por Diogo Pombo, in iOnline

A PT quer ter 400 aulas de matemática da Khan Academy adaptadas e traduzidas para português até ao próximo ano lectivo. Modelo já é seguido por seis milhões de alunos


Desde ontem que já estão disponíveis, online, 70 vídeos de aulas de matemática narradas e explicadas em português. São os primeiros frutos de uma parceria entre a Fundação Portugal Telecom (PT) e a Khan Academy, um projecto norte-americano, que até ao início do próximo ano lectivo pretende aumentar o número de aulas virtuais para 400. “Um complemento, e não um substituto” ao trabalho nas salas de aula reais, que visa sobretudo ajudar crianças e jovens do 4.º, 6.º, 9.º e 12.º - anos escolares onde se realizam exames nacionais.

O projecto começou “por ser o resultado de uma feliz coincidência”, resumiu Zeinal Bava, presidente da PT, que ontem apresentou a iniciativa. Tudo graças a um problema que foi resolvido à distância de dois mil quilómetros. Salman Khan, hoje com 36 anos, começou por pegar no telefone de sua casa na Califórnia, Estados Unidos, para dar explicações de matemática à sua prima, residente no estado de Nova Orleães. O método não resultou, e a tentativa seguinte foi gravar as aulas em vídeo, disponibilizando-os no YouTube. Uns milhões de cliques, gostos e partilhas mais tarde, a solução arranjada pelo ex-corretor de bolsa evoluiu para um portal online de aulas, conteúdos e conhecimentos de matemática - a Khan Academy, fundada em 2006.

Só no YouTube, o número dos vídeos originais (cerca de 4000) já vai nos 240 milhões de visualizações, e o site oficial da academia conta já com mais de seis milhões de alunos registados.

O formato é simples: vídeos com um máximo de 10 minutos de duração, que abordam apenas um conceito. E as vantagens? São várias, começando pela personalização dos vídeos. “Os jovens podem parar, reiniciar e voltar a ver vídeos antigos”, explicou o líder da PT, pouco antes de lembrar “o medo” que muitas crianças sentem no momento de colocar dúvidas nas salas de aula. “Aqui, este tipo de pressão desaparece. Não podemos ter medo de cometer erros, [pois] quem acerta mais vezes é quem se engana mais vezes também”, defendeu. As aulas, à semelhança do modelo na língua inglesa, “são grátis” e estão “disponíveis para serem vistas e revistas por todos os portugueses”. E não só. Durante a apresentação da parceria, Zeinal Bava abriu a porta aos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), estendendo assim o alcance do projecto para um universo a rondar os 21 milhões de jovens.

Entre 2013 e 2014, cerca de 80% dos vídeos serão concentrados na matemática, embora a intenção seja alargar as aulas para outras disciplinas, como a Biologia, Química e Física, por norma as áreas onde Portugal regista “notas bastante baixas em relação à média da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico)”. Por enquanto, em relação à matemática, os pais “podem estar descansados” - todos os conteúdos são certificados pela Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), que vai garantir “a sua relevância” dentro do sistema de ensino português. “Esperamos que também os professores possam vir a utilizar estes vídeos”, revelou à Lusa o presidente da entidade, Mário Rodrigues. Até ao final de 2014, a PT espera disponibilizar cerca de mil vídeos.

Pode consultar os vídeos já disponíveis em http://fundacao.telecom.pt/Home/KhanAcademy.aspx