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10.8.23

Exportações de alta tecnologia no valor mais alto desde 2013, importações batem recorde

Victor Ferreira,  in Público

Em 2022, a Espanha passa a Alemanha como principal destino dos produtos portugueses de alta tecnologia. Electrónica e telecomunicações, farmacêutica e máquinas eléctricas são 76,3% destas exportações.

Os produtos de alta tecnologia (PAT) vendidos por Portugal ao estrangeiro ainda são uma pequena fatia (5,2%) do total das exportações de bens, mas as vendas de PAT ao exterior geraram em 2022 a receita mais elevada desde 2013: 4065 milhões de euros.

Trata-se de um aumento de 36,1% face a 2021, o que é o segundo maior aumento anual desde 2013. O maior foi de 40%, em 2019, ano em que as receitas ainda estavam abaixo de 3500 milhões.

Este recorde de receitas é acompanhado de um novo máximo na despesa nacional com importações de PAT. Em 2022, houve um aumento de 30% face ao ano precedente, atingindo o valor mais elevado do período em análise: 11.417 milhões de euros.

Os PAT são definidos como “produtos técnicos cuja fabricação envolve uma elevada intensidade de investigação e desenvolvimento”. Assim, estas contas incluem os seguintes produtos, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE): aeroespacial, armamento, computadores/equipamento de escritório, instrumentos científicos, máquinas eléctricas, máquinas não-eléctricas, electrónicos/telecomunicações, farmacêuticos e químicos.

Os bens da categoria Produtos Electrónicos — Comunicações são simultaneamente os mais exportados e os mais importados por Portugal. Representam um encaixe de 2351 milhões, ou 57,8% das receitas com exportações de PAT (48,9% em 2021), o que significa que em 2022 passaram a valer mais de metade das vendas destes bens a outros países.

Este resultado é impulsionado pelo aumento de 60,8% face ao ano de 2021, sobretudo na venda de dispositivos semicondutores para Espanha, anota o INE, no resumo de dados publicado esta quarta-feira.

“Os Produtos Farmacêuticos e as Máquinas Eléctricas mantiveram-se como segundo e terceiro principais PAT exportados, com pesos de 11,5% e 7,0%, respectivamente (-2,1 p.p. e -3,7 p.p., pela mesma ordem, face a 2021)”, esclarece o mesmo instituto.

Juntas, estas três categorias valem 76,3% das exportações portuguesas de PAT.


Exportações de alta tecnologia no valor mais alto desde 2013, importações batem recordeNas vendas de Produtos Farmacêuticos houve um aumento de 60 milhões de euros (+14,7%), para 467 milhões. Nas Máquinas Eléctricas registou-se o único decréscimo, com um recuo de 34 milhões (-10,6%), “destacando-se as diminuições para França e Reino Unido”, frisa o INE.


Semicondutores para Espanha

A Espanha ultrapassou a Alemanha em 2022 como principal destino das exportações nacionais de PAT. Vale 26,1% das nossas vendas (+8,4 pontos percentuais, em relação ao ano anterior).

Para Espanha vendeu-se 1060 milhões de euros, reflectindo um aumento de 531 milhões de euros (+100,3%), devido essencialmente aos dispositivos semicondutores. Alemanha, por seu lado, comprou 691 milhões de euros em 2022, o que redundou num menor peso, de 20,7% em 2021 para 17,0% em 2022.Exportações de alta tecnologia no valor mais alto desde 2013, importações batem recorde
EUA e França trocaram de posição, passando a ser terceiro e quarto maior cliente para Portugal, com 9,7% e 7,5%, respectivamente.


Já nas importações, Produtos Electrónicos — Comunicação são também o grosso da despesa. Representam 46,3% das compras de PAT ao exterior.


“As importações destes produtos aumentaram 40,1% em 2022 (+1512 milhões de euros), o maior aumento entre os agrupamentos de PAT, que se deveu, sobretudo, às importações de dispositivos semicondutores da China”, descreve a nota do INE.

Os Produtos Farmacêuticos (+327 milhões) e os Computadores – Equipamento de Escritório (-90 milhões) continuaram a ser a segunda e terceira categoria de PAT mais importados, respectivamente, com pesos de 14,8% e 10,3%.

Por países fornecedores, a Alemanha mantém-se líder nas compras de Portugal, com um peso de 19,2% (-1,6 p.p. em relação ao ano anterior). “As importações de PAT da Alemanha aumentaram 368 milhões de euros (+20,2%), devido sobretudo aos Produtos Electrónicos – Telecomunicações e ao material Aeroespacial, totalizando 2192 milhões de euros”, diz o INE.


“Espanha continua a ser o segundo maior fornecedor de PAT, com um peso de 17,6% em 2022 (19,1% em 2021), totalizando 2011 milhões de euros (+20,0% face ao ano anterior). Em 2022, verificou-se uma troca de posições entre a China (15,2%) e os Países Baixos (10,8%), passando a ocupar, respectivamente, as terceira e quarta posições”, completa.

Nota de destaque vai para a China, responsável pelo maior aumento na globalidade dos fornecedores (+786 milhões de euros; +83,2%), sobretudo devido aos Produtos Electrónicos – Telecomunicações, nomeadamente dispositivos semicondutores. Na UE, a Bélgica passou a França.

6.11.13

Desemprego "será o último bastião desta crise"

José Manuel Ribeiro, Reuters, in RTP

O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), considerou, em declarações à Lusa, que a descida do desemprego "será o último bastião" da crise que o país atravessa.

"Há dois indicadores, a dívida e o desemprego, que vão levar anos a recuperar", disse Pedro Reis, sublinhando que para haver crescimento de emprego são necessários dois fatores: "crescimento económico e investimento", o que ainda está "longe de se conseguir".

"O investimento, atualmente, é muito capital intensivo, ou seja, é preciso um rácio muito elevado entre o valor de investimento e os postos de trabalho que cria", disse.

"A única maneira de recuperarmos o emprego, de uma forma realista, é gerarmos investimento suficiente e reanimarmos a economia portuguesa", apontou.

"Até essa equação estar fechada, o desemprego será o último bastião desta crise", sublinhou.

No entanto, Pedro Reis disse acreditar que a taxa de desemprego esteja estabilizada, uma vez que "as empresas já fizeram o seu ajustamento".

Na quinta-feira, o Eurostat, gabinete de estatísticas da União Europeia, divulgou que a taxa de desemprego em Portugal situou-se nos 16,3% em setembro, ligeiramente abaixo dos 16,5% registados em agosto e dos 16,4% em relação a igual período do ano passado.

Apesar desta ligeira descida em termos mensais, Portugal mantém a quinta taxa de desemprego mais elevada da União Europeia, apenas atrás da Grécia (27,6%), da Espanha (26,6%), da Croácia (17,2%) e de Chipre (17,1%).