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28.10.13

Países europeus privilegiam lucro em detrimento do bem social

in iOnline

O padre Jardim Moreira disse que há uma “inversão de estratégias e de orientações”, o que está a provocar uma sociedade mais pobre, investindo-se menos no combate à pobreza

O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, padre Jardim Moreira, considerou hoje que na origem da redução da ajuda dos países da União Europeia para a erradicação da pobreza está a “aposta” no lucro em detrimento do bem social.

Em declarações à agência Lusa, a propósito do relatório da Confederação Europeia de Organizações Não Governamentais de Ajuda Humanitária e Desenvolvimento divulgado hoje, dia em que se assinala o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, o padre Jardim Moreira disse não ter ficado surpreendido com os dados do relatório, uma vez que nos últimos anos o valor global da ajuda dos países da União Europeia tem vindo a baixar devido à crise mundial e a primazia dada ao lucro.

“A situação resulta da falência do sistema capitalista neoliberal na Europa que tem colocado os interesses do lucro e do domínio de uma mobilização económica acima do bem comum”, disse o responsável.

O documento avança que o valor global da ajuda dos países da União Europeia para combater a pobreza mundial decresceu 4% em 2012.

O relatório Aid Watch da Confederação salienta que os países da UE disponibilizaram 50,6 mil milhões de euros – 0,39% do rendimento nacional bruto da UE – para a ajuda ao desenvolvimento, uma redução relativamente a 2011.

Em declarações à Lusa, o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza disse que a Europa continua a fazer cortes generalizados na ajuda ao combate à pobreza, dando primazia aos resultados económicos e não ao bem-estar social.

“Quem governa os países já não são os governos, mas o domínio cego da economia”, sublinhou.

O padre Jardim Moreira disse que há uma “inversão de estratégias e de orientações”, o que está a provocar uma sociedade mais pobre, investindo-se menos no combate à pobreza.

Sobre o Dia Mundial da Erradicação Contra a Pobreza que hoje é assinalado por todo o país, o padre Jardim Moreira disse que a Rede vai chamar a atenção da sociedade civil e dos políticos para a realidade portuguesa e para a necessidade de se implementarem medidas urgentes de combate.

“Queremos que as pessoas tomem consciência de que devemos ir ao encontro de quem mais precisa (…) para criar uma proximidade fraterna, mais justa e mais solidária”, disse.

Aposta no lucro em detrimento do bem-estar social

in Diário Regional de Viseu

Presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza condena domínio cego da economia nos países da União Europeia

O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, padre Jardim Moreira, considerou que na origem da redução da ajuda dos países da União Europeia (UE)para a erradicação da pobreza está a “aposta” no lucro em detrimento do bem-estar social.



[leia aqui o artigo na íntegra]

25.10.13

Políticas de austeridade provocam “empobrecimento generalizado da população”

in Esquerda.net

No Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, o diagnóstico é comum a todas as associações que intervêm nesta área: a pobreza está a aumentar em Portugal. A Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal salienta que os “efeitos perversos” das políticas de austeridade estão a provocar “o empobrecimento generalizado da população”.

Os “efeitos perversos” das políticas de austeridade estão a provocar “o empobrecimento generalizado da população” - Foto de Paulete Matos

Neste dia 17 de outubro, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, tanto a Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal, como a Cáritas Portuguesa e a Assistência Médica Internacional (AMI) assinalam que em Portugal a pobreza está a aumentar.

Numa mensagem com o título “A pobreza e a democracia são incompatíveis”, a EAPN Portugal considera que “o impressionante aumento de pessoas a viver em risco de pobreza” na União Europeia (UE), atualmente 120 milhões, é um “escândalo” e um sinal “irrefutável” de que a UE não está a “oferecer nenhum sinal de esperança”.

A EAPN Portugal realça que sobretudo nos países sob intervenção da troika, como Portugal, “os efeitos perversos das prioridades macroeconómicas focalizadas na austeridade são já claramente identificáveis: a queda do limiar de pobreza como paradigma do fenómeno do empobrecimento generalizado da população; o aumento dos trabalhadores pobres associados ao aumento do desemprego; o crescimento da pobreza infantil; o progressivo desmantelamento do estado social e o aumento das desigualdades sociais colocam-nos perante o desafio de uma mudança urgente”.

A Rede sublinha também que "se por um lado, o esforço financeiro gerado pelas medidas negociadas com a troika está a afetar drasticamente aqueles que possuem menos recursos e que mais dependem de ajudas do Estado, quer seja pela situação de desemprego, doença, incapacidade ou outra, não é menos verdade que estes efeitos são transversais à sociedade portuguesa".

A EAPN Portugal destaca também que "muitos dos direitos económicos e sociais básicos estão atualmente a serem postos em causa ou, em parte significativa, a serem negligenciados", realça que as políticas de austeridade têm "prejudicado o consumo, a recuperação económica e têm gerado um aumento da pobreza, minando as bases do Estado social".

A EAPN que defende “um maior investimento na proteção social universal", alerta que "o fosso das desigualdades está a aumentar por via do ataque aos níveis de rendimento (salários e apoios ao rendimento) e do falhanço ao nível de uma distribuição mais justa, por meio de uma tributação progressiva” e realça: “Isto põe em causa a coesão social e a estabilidade".

“Cada vez mais pessoas a cair na pobreza extrema”

O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, alerta: "Temos cada vez mais pessoas a cair na pobreza extrema, na pobreza mais severa. Não só há mais gente pobre, como mais gente muito, muito pobre”.

Eugénio Fonseca salienta, em declarações à agência Lusa, que para esta situação têm contribuído as medidas de austeridade nos últimos anos a aponta que "a forma de retirar estas pessoas da pobreza é dar-lhes a oportunidade de acederem a um novo posto de trabalho", mas "enquanto isso não acontece é beneficiá-las com medidas compensatórias, as que estão relacionadas com a proteção social".

O presidente da Cáritas Portuguesa confessa ter “muito receio” de que, “se não houver uma estratégia bem objetiva que tenha como fim as pessoas e não o capital, muitas pessoas não voltem a encontrar o posto de trabalho que perderam” e defende que “os políticos, enquanto servidores do bem comum e não enquanto servidores de interesses pessoais ou corporativos, defendam as populações e sobretudo os mais fragilizados entre as populações”.

Aumenta o número de pessoas que pedem ajuda

Segundo a agência Lusa, os serviços sociais da Assistência Médica Internacional (AMI) recebem cada vez mais pedidos de ajuda e só nos primeiros seis meses deste ano foram mais de 11.200 as pessoas apoiadas, um valor 13% acima de igual período de 2012.

O número de pessoas ajudadas pela AMI tem vindo a aumentar de ano para ano. De 7.702 pessoas ajudadas em 2008, esse valor aumentou para 9.370 em 2009, para 12.383 em 2010, 14.937 em 2011 e 15.764 em 2012.

Entre 2008 e 2012 há mais 8.062 pessoas a serem ajudadas pela AMI, um número que representa um aumento de 105% em quatro anos.

Segundo a AMI, “a maior parte das pessoas que procuraram apoio encontra-se em idade ativa entre os 16 e os 65 anos (67%), seguido do grupo de menores de 16 (26%) e dos maiores de 65 anos (7%)”.

Objetivo de reduzir a pobreza "não está a ser levado a sério"

in RR

Para a Rede Europeia Anti Pobreza, as políticas macroeconómicas têm prejudicado o consumo, a recuperação económica e têm gerado um aumento da pobreza.

A Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal considera que o objetivo de reduzir a pobreza "não está a ser levado a sério" e apela à criação urgente de uma estratégia nacional de luta contra a pobreza e a exclusão social.

O apelo da rede surge numa mensagem intitulada "A pobreza e a democracia são incompatíveis" divulgada pela Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal para assinalar o Dia Internacional Para a Erradicação da Pobreza, na quinta-feira.

Na mensagem, a organização faz a análise dos impactos das políticas macroeconómicas, de emprego, educação e políticas de formação, de combate à pobreza, participação e governação, e divulga seis apelos que considera de "absoluta urgência" para combater a pobreza e a exclusão social.

"A profunda crise financeira e económica, de alcance mundial, e os efeitos que dela derivaram e que se começaram a fazer sentir no ano 2008 estão a afetar de forma muito significativa o modelo social europeu, em particular nos países do sul da União Europeia", afirma.

Esta situação afeta especialmente os países sob intervenção da troika, como é o caso de Portugal, refere a EAPN, adiantando que os "efeitos perversos" das prioridades macroeconómicas focadas na austeridade "são já claramente identificáveis".

Esses efeitos são a queda do limiar de pobreza, o empobrecimento generalizado da população, o aumento dos trabalhadores pobres associados ao aumento do desemprego, o crescimento da pobreza infantil, o progressivo desmantelamento do Estado social e o aumento das desigualdades sociais.

"Se por um lado, o esforço financeiro gerado pelas medidas negociadas com a troika está a afetar drasticamente aqueles que possuem menos recursos e que mais dependem de ajudas do Estado, quer seja pela situação de desemprego, doença, incapacidade ou outra, não é menos verdade que estes efeitos são transversais à sociedade portuguesa", salienta a EAPN Portugal.

Sublinha ainda que "muitos dos direitos económicos e sociais básicos estão atualmente a serem postos em causa ou, em parte significativa, a serem negligenciados".

Para a organização, as políticas macroeconómicas têm "prejudicado o consumo, a recuperação económica e têm gerado um aumento da pobreza, minando as bases do Estado social".

"O fosso das desigualdades está a aumentar por via do ataque aos níveis de rendimento (salários e apoios ao rendimento) e do falhanço ao nível de uma distribuição mais justa, por meio de uma tributação progressiva. Isto põe em causa a coesão social e a estabilidade", alerta.

Para a EAPN, é fundamental implementar uma estratégia europeia e estratégias nacionais integradas para combater a pobreza.

"O investimento social pode ter um papel chave e deve desafiar a austeridade no sentido de fazer um maior investimento na proteção social universal", defende.

A mensagem é de "uma profunda preocupação com a chocante falta de progresso na meta da pobreza, a fraca visibilidade da Estratégia Europa 2020 nos programas nacionais de reforma e o inaceitável défice democrático e participativo".

24.10.13

Objetivo de reduzir a pobreza "não está a ser levado a sério"

in Jornal de Notícias

A Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal considera que o objetivo de reduzir a pobreza "não está a ser levado a sério" e apela à criação urgente de uma estratégia nacional de luta contra a pobreza e a exclusão social.

O apelo da rede surge numa mensagem intitulada "A pobreza e a democracia são incompatíveis" divulgada pela Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal para assinalar o Dia Internacional Para a Erradicação da Pobreza, na quinta-feira.

Na mensagem, a organização faz a análise dos impactos das políticas macroeconómicas, de emprego, educação e políticas de formação, de combate à pobreza, participação e governação, e divulga seis apelos que considera de "absoluta urgência" para combater a pobreza e a exclusão social.

"A profunda crise financeira e económica, de alcance mundial, e os efeitos que dela derivaram e que se começaram a fazer sentir no ano 2008 estão a afetar de forma muito significativa o modelo social europeu, em particular nos países do sul da União Europeia", afirma.

Esta situação afeta especialmente os países sob intervenção da troika, como é o caso de Portugal, refere a EAPN, adiantando que os "efeitos perversos" das prioridades macroeconómicas focadas na austeridade "são já claramente identificáveis".

Esses efeitos são a queda do limiar de pobreza, o empobrecimento generalizado da população, o aumento dos trabalhadores pobres associados ao aumento do desemprego, o crescimento da pobreza infantil, o progressivo desmantelamento do Estado social e o aumento das desigualdades sociais.

"Se por um lado, o esforço financeiro gerado pelas medidas negociadas com a troika está a afetar drasticamente aqueles que possuem menos recursos e que mais dependem de ajudas do Estado, quer seja pela situação de desemprego, doença, incapacidade ou outra, não é menos verdade que estes efeitos são transversais à sociedade portuguesa", salienta a EAPN Portugal.

Sublinha ainda que "muitos dos direitos económicos e sociais básicos estão atualmente a serem postos em causa ou, em parte significativa, a serem negligenciados".

Para a organização, as políticas macroeconómicas têm "prejudicado o consumo, a recuperação económica e têm gerado um aumento da pobreza, minando as bases do Estado social".

"O fosso das desigualdades está a aumentar por via do ataque aos níveis de rendimento (salários e apoios ao rendimento) e do falhanço ao nível de uma distribuição mais justa, por meio de uma tributação progressiva. Isto põe em causa a coesão social e a estabilidade", alerta.

Para a EAPN, é fundamental implementar uma estratégia europeia e estratégias nacionais integradas para combater a pobreza.

"O investimento social pode ter um papel chave e deve desafiar a austeridade no sentido de fazer um maior investimento na proteção social universal", defende.

A mensagem é de "uma profunda preocupação com a chocante falta de progresso na meta da pobreza, a fraca visibilidade da Estratégia Europa 2020 nos programas nacionais de reforma e o inaceitável défice democrático e participativo".

23.10.13

A Pobreza e a democracia são incompatíveis, Mensagem da EAPN Portugal

por Gerson Ingrês, in Local.pt

LISBOA – A profunda crise financeira e económica, de alcance mundial, e os efeitos que dela derivaram e que se começaram a fazer sentir no ano 2008 estão a afetar de forma muito significativa o modelo social europeu, em particular nos países do sul da União Europeia (UE).

O impressionante aumento de pessoas a viver em risco de pobreza – atualmente 120 milhões! – é um escândalo e um sinal irrefutável e muito preocupante de que a UE não está a conseguir oferecer nenhum sinal de esperança de uma solução abrangente para a crise, com a maioria dos países a priorizar a austeridade como parte da solução, predominantemente neoliberal, liderada pelos mercados e por soluções macroeconómicas.

Especialmente em países sob programas da Troika, como é o caso de Portugal, os efeitos perversos das prioridades macroeconómicas focalizadas na austeridade são já claramente identificáveis: a queda do limiar de pobreza como paradigma do fenómeno do empobrecimento generalizado da população; o aumento dos trabalhadores pobres associados ao aumento do desemprego; o crescimento da pobreza infantil; o progressivo desmantelamento do estado social e o aumento das desigualdades sociais colocam-nos perante o desafio de uma mudança urgente.

Hoje, mais do que nunca, quando falamos de pobreza e exclusão social num contexto de crise económica e social, estamos perante um problema que atinge massivamente uma grande parte da população no nosso país. Sendo certo que esta realidade afeta todas as classes sociais, obviamente o seu impacto é mais sentido nos grupos sociais mais desfavorecidos.



Se por um lado, o esforço financeiro gerado pelas medidas negociadas com a Troika está a afetar drasticamente aqueles que possuem menos recursos e que mais dependem de ajudas do Estado, quer seja pela situação de desemprego, doença, 2 incapacidade ou outra, não é menos verdade que estes efeitos são transversais à sociedade portuguesa.

Muitos dos direitos económicos e sociais básicos estão actualmente a serem postos em causa ou, em parte significativa, a serem negligenciados. Em 2013/2014, o Governo e a Troika decidirão sobre um corte permanente de cerca de €4 mil milhões na despesa pública, na sua maioria em áreas muito relevantes do Estado-Social (saúde, educação, pensões e protecção social).

ANÁLISE POR ÁREAS ESPECÍFICAS
Politicas Macroeconómicas

As politicas macroeconómicas continuam a priorizar a austeridade: com um aumento dos cortes nos serviços públicos e benefícios / pensões, privatizações e cortes salariais. Este tipo de políticas tem prejudicado o consumo, a recuperação económica e têm gerado um aumento da pobreza, minando as bases do Estado Social.

O fosso das desigualdades está a aumentar por via do ataque aos níveis de rendimento (salários e apoios ao rendimento) e do falhanço ao nível de uma distribuição mais justa, por meio de uma tributação progressiva. Isto põe em causa a coesão social e a estabilidade.

Políticas de Emprego
As medidas de políticas não têm sido bem-sucedidas em termos da criação de emprego. Pelo contrário, o desemprego aumentou de forma expressiva mantendo as pessoas presas na armadilha da pobreza perpétua.

A qualidade do trabalho e do emprego deteriorou-se e permanece sem solução. Não há investimento na criação de empregos de qualidade e muitos postos de trabalho existentes são precários e de baixa remuneração. Por outro lado, os desempregados, especialmente aqueles que se encontram em situação de maior vulnerabilidade, estão a ser penalizados através de políticas e práticas de ativação compulsivas.

Educação e Politicas de Formação
As medidas propostas são contra produtivas para a realização significativa das metas de Educação estabelecidas na Estratégia Europa 2020. Algumas medidas terão até efeitos muito negativos, particularmente sobre a pobreza infantil.

A política de educação não está definida com base numa abordagem inclusiva suficientemente ampla. Tal abordagem deveria ter em vista o bem-estar em sentido amplo e ter impacto na redução da pobreza, na inclusão social e na igualdade de oportunidades, especialmente dos grupos mais vulneráveis e, em particular, das crianças que vivem em situação de pobreza.

O apoio financeiro consistente às políticas educacionais está ameaçado pela austeridade e consolidação fiscal. A educação é uma das áreas mais atingidas por cortes na despesa social, e o progresso ao nível da concretização das metas para uma educação mais inclusiva não pode ser feito sem um investimento adequado.

Políticas de Combate à Pobreza
O objectivo de redução da pobreza não está ser levado a sério. A falta de transparência, visibilidade e coerência na escolha e utilização dos indicadores mina o papel fundamental que o objectivo poderia desempenhar na condução das prioridades para a redução da pobreza.

É fundamental implementar uma Estratégia Europeia e estratégias nacionais integradas para combater a pobreza. O investimento social pode ter um papel chave e deve desafiar a austeridade no sentido de fazer um maior investimento na protecção social universal.

Participação e Governança
As organizações que trabalham com e para as pessoas em situação de pobreza e exclusão social têm sido remetidas para um papel secundário sem terem oportunidade de se envolverem e participarem no processo de elaboração dos Relatórios Sociais Nacionais, o que, consequentemente, não lhes permite usufruírem de um espaço legítimo para influenciarem o atual conteúdo das políticas. É fundamental implementar uma participação significativa e de todas as partes interessadas. O envolvimento do Parlamento Nacional na definição de políticas de combate à pobreza é uma emergência.

APELOS
A Pobreza não é um acidente. É uma escolha política e económica. Por isso mesmo apelamos a todos os responsáveis políticos: façam agora a escolha contrária, antes que seja tarde demais!

A credibilidade política é fundamental, especialmente num momento em que grande parte dos cidadãos europeus começam a não acreditar em nada e, acima de tudo, a não confiar em nenhuma forma de poder político democrático. Encarem esta mensagem com seriedade e reconheçam que existe um risco muito forte de se quebrar completamente a coesão social e abrirmos portas ao pior dos cenários: o aumento do ódio e do populismo político que pode conduzir-nos ao abismo que já experienciamos na nossa História recente.

É por estas razões que continuamos a insistir: combater a pobreza agora, não é apenas garantir uma vida melhor para uma grande parte dos cidadãos europeus que vivem em condições de enorme desfavorecimento; combater a pobreza agora, é salvar a Democracia e a Liberdade.

Assim, a mensagem geral da EAPN Portugal é de uma profunda preocupação com a chocante falta de progresso na meta da pobreza, a fraca visibilidade da Estratégia Europa 2020 nos Programas Nacionais de Reforma e o inaceitável défice democrático e participativo.

Neste contexto, apelamos para a absoluta urgência de:

Dar prioridade aos objectivos de luta contra a pobreza na agenda política e desenhar e implementar uma Estratégia Nacional de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social, que aborde a multidimensionalidade do fenómeno pela congregação articulada das diferentes estratégias específicas, bem como das diferentes políticas e medidas necessárias (na área do emprego, da educação e formação, da saúde, da proteção social, da habitação, etc.) para atingir os seus objetivos. Esta estratégia poderá – e deverá! – ser parte integrante do próximo Quadro Comunitário de Apoio (2014-2020) e a sua elaboração, implementação e monitorização deve contar com uma ampla participação da sociedade civil e, em particular, com a voz daqueles que mais diretamente experienciam estes fenómenos.

Implementar políticas capazes de produzir uma mais justa redistribuição dos recursos – reverter o aumento dos trabalhadores pobres mediante a regulação de “salários dignos” e o acesso a um rendimento mínimo adequado.
Reforçar o papel do Estado como provedor do bem comum e da inclusão e coesão social, de forma a garantir o bem-estar universal e equitativo e os serviços necessários para a concretização desse bem-estar, nomeadamente aqueles que previnem as situações de pobreza e exclusão social.

Combater o desemprego e promover o crescimento com base em empregos de qualidade, remunerações justas, políticas de formação adequadas e incentivos para a inclusão de jovens e dos trabalhadores mais idosos. A este nível importará contar com uma desejável, e seguramente muito positiva, participação da Economia Social.

Adoção de uma Estratégia de Inclusão Ativa tendo em vista uma ação integrada das 3 áreas centrais da estratégia: acesso a um rendimento adequado, a um mercado de trabalho inclusivo e o acesso a serviços de qualidade, incluindo aqueles que mais diretamente se relacionam com a educação / formação.

Iniciar, de forma coerente e equitativa, a consolidação de políticas capazes de assegurar uma maior justiça fiscal e melhores políticas orientadas para combater a desigualdade.

16.10.13

Organizações alertam para fracos resultados no combate à pobreza

Por Ana Tomás com Lusa, in iOnline




Rede Europeia Anti-Pobreza e Médicos do Mundo alertam para graves efeitos da crise nos mais pobres e lamentam falta de estratégia e insistência em mais austeridade




A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal considera que o objectivo de reduzir a pobreza "não está a ser levado a sério" e apela à criação urgente de uma estratégia nacional de luta contra a pobreza e a exclusão social.

O apelo da rede surge numa mensagem intitulada "A pobreza e a democracia são incompatíveis" divulgada hoje pela EAPN Portugal para assinalar o Dia Internacional Para a Erradicação da Pobreza, esta quinta-freira.

"A profunda crise financeira e económica, de alcance mundial, e os efeitos que dela derivaram e que se começaram a fazer sentir no ano 2008 estão a afectar de forma muito significativa o modelo social europeu, em particular nos países do sul da União Europeia", afirma.

Esta situação afecta especialmente os países sob intervenção da troika, como é o caso de Portugal, refere a EAPN, adiantando que os "efeitos perversos" das prioridades macroeconómicas focadas na austeridade "são já claramente identificáveis".

Esses efeitos são a queda do limiar de pobreza, o empobrecimento generalizado da população, o aumento dos trabalhadores pobres associados ao aumento do desemprego, o crescimento da pobreza infantil, o progressivo desmantelamento do Estado social e o aumento das desigualdades sociais.

"Se por um lado, o esforço financeiro gerado pelas medidas negociadas com a troika está a afectar drasticamente aqueles que possuem menos recursos e que mais dependem de ajudas do Estado, quer seja pela situação de desemprego, doença, incapacidade ou outra, não é menos verdade que estes efeitos são transversais à sociedade portuguesa", salienta a EAPN Portugal.

Sublinha ainda que "muitos dos direitos económicos e sociais básicos estão actualmente a serem postos em causa ou, em parte significativa, a serem negligenciados", acrescentando que “o fosso das desigualdades está a aumentar por via do ataque aos níveis de rendimento e do falhanço ao nível de uma distribuição mais justa, por meio de uma tributação progressiva. Isto põe em causa a coesão social e a estabilidade", alerta.

Na saúde os efeitos da pobreza também se fazem sentir.

Segundo a organização Médicos do Mundo, que recentemente já tinha chamado a atenção para o problema nos mais idosos, afirma que a actual crise económica está a ter um grave impacto na saúde dos mais pobres.

“Há muitas pessoas que apenas fazem uma refeição por dia, tendo para isso de deixar de comprar medicamentos, mas são cada vez mais aqueles que também vêem diminuído o seu acesso a uma alimentação variada, com graves consequências para a saúde. Por outro lado, registam-se situações em que os beneficiários escolhem comprar apenas os medicamentos mais baratos entre aqueles prescritos pelos médicos”, alerta a organização.

Os Médicos do Mundo revelam que entre Janeiro e Setembro, na região de Lisboa, através do seu projecto Farmédicos, concedeu 1300 apoios e disponibilizou quase 40 mil comprimidos a pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Dentro dessa camada da população, a organização destaca os sem-abrigo, que têm dificuldade em comprovar a sua insuficiência económica e que, por isso, acabam por não estar isentos de taxas moderadoras, optando por não recorrer ao serviço nacional de saúde.

Há também que referir, dizem os Médicos do Mundo, a situação dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI), que viram a sua situação agravada com a diminuição deste apoio, e as próprias dificuldades na prestação de cuidados de saúde. A “falta de consumíveis hospitalares (como resguardos e placas anti escaras), médicos de família que prescrevem apenas os exames complementares estritamente necessários, evidenciando indicações de poupança, desgaste dos profissionais de saúde devido a cortes salariais e sucessivas reestruturações, e o desinvestimento na área da prevenção”, são alguns dos exemplos citados pelos Médicos do Mundo.

Para combater a pobreza, a EAPN propõe mais investimento social e a implantação de estratégias nacionais e europeias integradas.

"O investimento social pode ter um papel chave e deve desafiar a austeridade no sentido de fazer um maior investimento na protecção social universal", defende a Rede Europeia Anti-Pobreza.

A mensagem é de "uma profunda preocupação com a chocante falta de progresso na meta da pobreza, a fraca visibilidade da Estratégia Europa 2020 nos programas nacionais de reforma e o inaceitável défice democrático e participativo", conclui a organização.