Por Interior do Avesso
Representantes da Rede Europeia Anti Pobreza reuniram esta quinta-feira com o Presidente da República para lhe entregar uma “Carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal”, onde se defende que o combate à pobreza deve ser a “prioridade das prioridades”.
O documento entregue pelo presidente da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti Pobreza (Pe. Jardim Moreira) e Sebastião Feyo de Azevedo (reitor da Universidade Portucalense) foi redigido pelo Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti Pobreza, que tem como objetivo “defender a dignidade humana, apoiando e promovendo a dinamização das atividades da EAPN no cumprimento da sua missão, visa conduzir a uma estratégia nacional de prevenção e combate à pobreza.”
Segundo comunicado da EAPN Portugal, citando o documento entregue, a pandemia terá acentuado a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos, “reforçando, infelizmente, que a pobreza é, indubitavelmente, o principal problema do País. É essencial que as entidades sobre as quais recai a responsabilidade de enfrentar o problema não tenham dúvidas em defini-lo como tal – a prioridade das prioridades.”
O documento sublinha que “segundo a OCDE, Portugal é dos países desenvolvidos onde é mais difícil sair da pobreza ou, do outro lado, deixar de ser rico. É por isso que pode demorar cinco gerações para que as crianças pertencentes a uma família que esteja na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio. Se a condição dos pobres e da pobreza em si mesmas são suficientes para gerar um clamor que nos faça exigir mais medidas e medidas mais eficazes, consideremos ainda que esta pandemia está a provar que uma sociedade é tão mais segura do ponto de vista sanitário quanto menores forem as desigualdades dos seus membros».
Jardim Moreira explica como a pobreza vai muito além da questão monetária: “o conceito de pobreza multidimensional refere-se à experiência e ao impacto da pobreza no percurso de vida das pessoas. As pessoas experienciam a pobreza como uma série de privações, não apenas como ‘dinheiro insuficiente’ – ou outras coisas, mas experiências, oportunidades, serviços e ambientes que outras pessoas aceitam como normais. Estas privações podem incluir desemprego e baixa intensidade laboral, recursos financeiros, acesso a educação de qualidade e a cuidados de saúde, integração social, apoio familiar, condições de alojamento e residência. As pessoas em situação de pobreza também podem ser vítimas de estigma, vergonha, discriminação, isolamento e exclusão da vida social, consequências negativas de decisões restritivas ou de curta duração, pior saúde mental e física e uma esperança de vida mais reduzida”.
O documento está disponível no site da EAPN Portugal para subscrição on-line desde ontem. Apela a todos, sem exceção, que se se aja rapidamente, dado que «a prazo, a pobreza matará também a Democracia», propondo 10 áreas de ação fundamentais e urgentes, independentemente dos ciclos políticos.
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23.6.20
Carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal
in Notícias de Aveiro
A multidimensionalidade do fenómeno da pobreza tem de ser reconhecida pelos programas políticos e dar lugar a respostas integradas que mobilizam competências e recursos de diversas especialidades e parcerias.
Por Agostinho Jardim Moreira *
A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do País que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade.
A pandemia do coronavírus acentuou aos olhos de todos a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos da sociedade portuguesa, reforçando, infelizmente, que a pobreza é, indubitavelmente, o principal problema do País.
É essencial que as entidades sobre as quais recai a responsabilidade de enfrentar o problema não tenham dúvidas em defini-lo como tal – a prioridade das prioridades. Aliás, o esforço redistributivo da proteção social nos últimos anos conseguiu reduzir algumas desigualdades e é o sinal mais claro e evidente do caminho que deve ser trilhado e reforçado.
Segundo dados da OCDE, Portugal é dos países desenvolvidos onde é mais difícil sair da pobreza ou, do outro lado, deixar de ser rico. É por isso que pode demorar cinco gerações para que as crianças pertencentes a uma família que esteja na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio. Se a condição dos pobres e da pobreza em si mesmas são suficientes para gerar um clamor que nos faça exigir mais medidas e medidas mais eficazes, consideremos ainda que esta pandemia está a provar que uma sociedade é tão mais segura do ponto de vista sanitário quanto menores forem as desigualdades
dos seus membros.
Segundo dados de 2018, a sociedade portuguesa é composta por uma população em que 21,6 % das pessoas vive em risco de pobreza ou exclusão social. Deste universo vulnerável, 60% reside no Norte ou Centro de Portugal e 17,3% tem menos de 18 anos. Os Açores têm 36,4% da população em risco de pobreza ou exclusão e a Madeira 31,9%.
As mulheres são mais vulneráveis: 24% estão em risco. Esta face feminina da pobreza e da exclusão encontra-se também escondida em outras dimensões, tais como nas famílias monoparentais e nos idosos que vivem sós, em que esse risco se aproxima ou ultrapassa 1/3 destas populações.
A pobreza ou exclusão social atinge uma proporção alarmante dos desempregados: 58.4%.
Desemprego, baixa intensidade laboral, ausência de recursos financeiros, dificuldades no acesso a educação de qualidade e a cuidados de saúde ou más condições de alojamento vivem de mão dada com a pobreza. Agora, com a pandemia, tudo isto se está a agravar a todos os níveis materiais, no acesso a alimentação saudável, a educação de qualidade, a cuidados de saúde básico ou a um alojamento digno, como se agravará também a nível social o estigma, a vergonha, a discriminação, o isolamento e a exclusão.
Temos é de impedir que se agrave a esperança em obter sucesso neste combate e impedir também que a indiferença ou desleixo das autoridades deixe os pobres mais pobres. A sociedade tem de ser mais respeitadora dos direitos humanos de todos e exigir o exercício da verdadeira democracia.
A multidimensionalidade do fenómeno da pobreza tem de ser reconhecida pelos programas políticos e dar lugar a respostas integradas que mobilizam competências e recursos de diversas especialidades e parcerias.
Convocamos todos a que unam esforços.
Esqueçam divergências, encontrem pontos de confluência e lutem por programas sociais que contribuam para um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes. Lembramos que a Assembleia da República aprovou em 4 de julho de 2008 a Resolução n.º 31, em que “declara solenemente que a pobreza conduz à violação dos direitos humanos”.
A pobreza não mata apenas os pobres. A prazo ela matará também a Democracia. É por isso urgente fazermo-nos ao caminho, propondo que se reflita e se aja sobre 10 áreas fundamentais, independentemente dos ciclos políticos:
1. As políticas públicas devem ter o individuo como preocupação central. Devem orientar-se para o crescimento sócio-económico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos.
2. A educação tem de chegar a todos. A sociedade não tem conseguido esbater as diferenças que a proveniência social tem determinado, particularmente em tempo de uma crise que agudizou as desigualdades educativas. Os jovens pobres devem ter assegurados os mesmos direitos de acesso ao ensino que os mais favorecidos e o Governo deve garantir-lhes um especial acompanhamento nas atividades escolares.
3. Os apoios à infância constituem outra vertente fundamental da luta contra a pobreza. Importa reforçar a intervenção junto das famílias carenciadas com crianças, na medida em que famílias pobres são o foco de pobreza e consequentemente os elementos centrais a apoiar neste combate. É particularmente aconselhável repensar o modelo de atribuição do Rendimento Social de Inserção, tendo em consideração o conhecimento científico atualmente existente, nomeadamente a área das neurociências, e visando uma intervenção eficaz e libertadora do Ser Humano.
4. A população portuguesa está envelhecida. É premente promover eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional, sem o que não se atenuarão as diferenças que contribuem para o aumento da pobreza e para o que se destacam as medidas conducentes ao aumento da taxa de natalidade e as direcionadas para um devido acolhimento migratório.
5. A pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades. Temos de promover o interior do país e encontrar medidas que ajudem a fixar e atrair população, discriminando positivamente os que optarem por fazer a sua vida longe dos grandes centros, nomeadamente de Lisboa e Porto.
6. As empresas desempenham um papel fundamental no desenvolvimento socioeconómico. É aconselhável apoiar as que garantam o primeiro emprego aos jovens e sobretudo as que não só o façam com salários dignos que tenham em conta as habilitações dos seus colaboradores, como invistam em políticas de responsabilidade social e sustentabilidade.
7. O assegurar de cuidados de saúde representa outra dessas vertentes. Importa garantir que o Sistema de Saúde, em qualquer forma da sua evolução, protege os mais pobres, sobretudo as pessoas idosas, as crianças e os doentes crónicos, garantindo
que lhes são assegurados os cuidados de saúde de que necessitam, nomeadamente consultas e intervenções cirúrgicas em tempo útil.
8. O direito a uma habitação digna deve ser assegurado. Devem em particular ser garantidas condições de salubridade e de qualidade de água, tão associadas a problemas de saúde de quem vive em condições precárias.
9. Também a justiça deve ser acessível a todos. Realmente efetiva. É preciso ir mais longe na garantia de que mesmo os mais pobres podem aceder ao Direito e aos Tribunais.
10. O impacto social da reorganização de serviços de interesse público, sejam públicos ou privados, deve ser sempre cuidadosamente ponderado. Potenciais deslocalizações de serviços – públicos e privados – devem ser feitas sem que os mais necessitados vejam afetados os seus interesses, garantindo-se mecanismos de substituição para que não sejam prejudicados.
Em suma, temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável.
Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal.
Esta tem de ser uma causa nacional em que todos apostem tudo.
* Presidente EAPN Portugal – Rede Europeia Anti-Pobreza , primeiro subscritor.
A multidimensionalidade do fenómeno da pobreza tem de ser reconhecida pelos programas políticos e dar lugar a respostas integradas que mobilizam competências e recursos de diversas especialidades e parcerias.
Por Agostinho Jardim Moreira *
A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do País que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade.
A pandemia do coronavírus acentuou aos olhos de todos a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos da sociedade portuguesa, reforçando, infelizmente, que a pobreza é, indubitavelmente, o principal problema do País.
É essencial que as entidades sobre as quais recai a responsabilidade de enfrentar o problema não tenham dúvidas em defini-lo como tal – a prioridade das prioridades. Aliás, o esforço redistributivo da proteção social nos últimos anos conseguiu reduzir algumas desigualdades e é o sinal mais claro e evidente do caminho que deve ser trilhado e reforçado.
Segundo dados da OCDE, Portugal é dos países desenvolvidos onde é mais difícil sair da pobreza ou, do outro lado, deixar de ser rico. É por isso que pode demorar cinco gerações para que as crianças pertencentes a uma família que esteja na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio. Se a condição dos pobres e da pobreza em si mesmas são suficientes para gerar um clamor que nos faça exigir mais medidas e medidas mais eficazes, consideremos ainda que esta pandemia está a provar que uma sociedade é tão mais segura do ponto de vista sanitário quanto menores forem as desigualdades
dos seus membros.
Segundo dados de 2018, a sociedade portuguesa é composta por uma população em que 21,6 % das pessoas vive em risco de pobreza ou exclusão social. Deste universo vulnerável, 60% reside no Norte ou Centro de Portugal e 17,3% tem menos de 18 anos. Os Açores têm 36,4% da população em risco de pobreza ou exclusão e a Madeira 31,9%.
As mulheres são mais vulneráveis: 24% estão em risco. Esta face feminina da pobreza e da exclusão encontra-se também escondida em outras dimensões, tais como nas famílias monoparentais e nos idosos que vivem sós, em que esse risco se aproxima ou ultrapassa 1/3 destas populações.
A pobreza ou exclusão social atinge uma proporção alarmante dos desempregados: 58.4%.
Desemprego, baixa intensidade laboral, ausência de recursos financeiros, dificuldades no acesso a educação de qualidade e a cuidados de saúde ou más condições de alojamento vivem de mão dada com a pobreza. Agora, com a pandemia, tudo isto se está a agravar a todos os níveis materiais, no acesso a alimentação saudável, a educação de qualidade, a cuidados de saúde básico ou a um alojamento digno, como se agravará também a nível social o estigma, a vergonha, a discriminação, o isolamento e a exclusão.
Temos é de impedir que se agrave a esperança em obter sucesso neste combate e impedir também que a indiferença ou desleixo das autoridades deixe os pobres mais pobres. A sociedade tem de ser mais respeitadora dos direitos humanos de todos e exigir o exercício da verdadeira democracia.
A multidimensionalidade do fenómeno da pobreza tem de ser reconhecida pelos programas políticos e dar lugar a respostas integradas que mobilizam competências e recursos de diversas especialidades e parcerias.
Convocamos todos a que unam esforços.
Esqueçam divergências, encontrem pontos de confluência e lutem por programas sociais que contribuam para um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes. Lembramos que a Assembleia da República aprovou em 4 de julho de 2008 a Resolução n.º 31, em que “declara solenemente que a pobreza conduz à violação dos direitos humanos”.
A pobreza não mata apenas os pobres. A prazo ela matará também a Democracia. É por isso urgente fazermo-nos ao caminho, propondo que se reflita e se aja sobre 10 áreas fundamentais, independentemente dos ciclos políticos:
1. As políticas públicas devem ter o individuo como preocupação central. Devem orientar-se para o crescimento sócio-económico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos.
2. A educação tem de chegar a todos. A sociedade não tem conseguido esbater as diferenças que a proveniência social tem determinado, particularmente em tempo de uma crise que agudizou as desigualdades educativas. Os jovens pobres devem ter assegurados os mesmos direitos de acesso ao ensino que os mais favorecidos e o Governo deve garantir-lhes um especial acompanhamento nas atividades escolares.
3. Os apoios à infância constituem outra vertente fundamental da luta contra a pobreza. Importa reforçar a intervenção junto das famílias carenciadas com crianças, na medida em que famílias pobres são o foco de pobreza e consequentemente os elementos centrais a apoiar neste combate. É particularmente aconselhável repensar o modelo de atribuição do Rendimento Social de Inserção, tendo em consideração o conhecimento científico atualmente existente, nomeadamente a área das neurociências, e visando uma intervenção eficaz e libertadora do Ser Humano.
4. A população portuguesa está envelhecida. É premente promover eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional, sem o que não se atenuarão as diferenças que contribuem para o aumento da pobreza e para o que se destacam as medidas conducentes ao aumento da taxa de natalidade e as direcionadas para um devido acolhimento migratório.
5. A pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades. Temos de promover o interior do país e encontrar medidas que ajudem a fixar e atrair população, discriminando positivamente os que optarem por fazer a sua vida longe dos grandes centros, nomeadamente de Lisboa e Porto.
6. As empresas desempenham um papel fundamental no desenvolvimento socioeconómico. É aconselhável apoiar as que garantam o primeiro emprego aos jovens e sobretudo as que não só o façam com salários dignos que tenham em conta as habilitações dos seus colaboradores, como invistam em políticas de responsabilidade social e sustentabilidade.
7. O assegurar de cuidados de saúde representa outra dessas vertentes. Importa garantir que o Sistema de Saúde, em qualquer forma da sua evolução, protege os mais pobres, sobretudo as pessoas idosas, as crianças e os doentes crónicos, garantindo
que lhes são assegurados os cuidados de saúde de que necessitam, nomeadamente consultas e intervenções cirúrgicas em tempo útil.
8. O direito a uma habitação digna deve ser assegurado. Devem em particular ser garantidas condições de salubridade e de qualidade de água, tão associadas a problemas de saúde de quem vive em condições precárias.
9. Também a justiça deve ser acessível a todos. Realmente efetiva. É preciso ir mais longe na garantia de que mesmo os mais pobres podem aceder ao Direito e aos Tribunais.
10. O impacto social da reorganização de serviços de interesse público, sejam públicos ou privados, deve ser sempre cuidadosamente ponderado. Potenciais deslocalizações de serviços – públicos e privados – devem ser feitas sem que os mais necessitados vejam afetados os seus interesses, garantindo-se mecanismos de substituição para que não sejam prejudicados.
Em suma, temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável.
Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal.
Esta tem de ser uma causa nacional em que todos apostem tudo.
* Presidente EAPN Portugal – Rede Europeia Anti-Pobreza , primeiro subscritor.
Carta aberta dirigida aos poderes políticos pede estratégia para pobreza em Portugal
in TVi24
Missiva frisa que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos e é atualmente “o principal problema do país”
Uma carta aberta dirigida aos poderes políticos sobre a pobreza em Portugal foi lançada com o objetivo de ser definida com urgência uma estratégia para combater este problema que se agravou com a pandemia de covid-19.
Promovida pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, a carta aberta conta com o apoio de 22 personalidades e foi entregue na quinta-feira ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
“Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal”, sustenta a carta aberta, enviada às redações.
Os promotores da iniciativa consideram que é “urgente” fazer um caminho e propõem “dez áreas fundamentais” para "um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes”.
Entre as áreas propostas estão “o crescimento socioeconómico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos”, acesso ao ensino, apoios à infância e garantir que o sistema de saúde protege os mais pobres.
Na carta aberta é também “particularmente aconselhável” que seja repensado o modelo de atribuição do rendimento social de inserção e que seja promovida “eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional”, tendo em conta que população portuguesa está envelhecida.
Os promotores da iniciativa consideram que deve ser promovido o interior do país, uma vez que a pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades, e aconselham ao apoio das empresas que garantam o primeiro emprego aos jovens.
“A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do país que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade”, lê-se na missiva, frisando que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos e é atualmente “o principal problema do país”.
Missiva frisa que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos e é atualmente “o principal problema do país”
Uma carta aberta dirigida aos poderes políticos sobre a pobreza em Portugal foi lançada com o objetivo de ser definida com urgência uma estratégia para combater este problema que se agravou com a pandemia de covid-19.
Promovida pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, a carta aberta conta com o apoio de 22 personalidades e foi entregue na quinta-feira ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
“Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal”, sustenta a carta aberta, enviada às redações.
Os promotores da iniciativa consideram que é “urgente” fazer um caminho e propõem “dez áreas fundamentais” para "um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes”.
Entre as áreas propostas estão “o crescimento socioeconómico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos”, acesso ao ensino, apoios à infância e garantir que o sistema de saúde protege os mais pobres.
Na carta aberta é também “particularmente aconselhável” que seja repensado o modelo de atribuição do rendimento social de inserção e que seja promovida “eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional”, tendo em conta que população portuguesa está envelhecida.
Os promotores da iniciativa consideram que deve ser promovido o interior do país, uma vez que a pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades, e aconselham ao apoio das empresas que garantam o primeiro emprego aos jovens.
“A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do país que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade”, lê-se na missiva, frisando que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos e é atualmente “o principal problema do país”.
Carta aberta aos poderes políticos sobre a pobreza em Portugal
Manuel Barros, in Correio do Minho
Uma iniciativa do Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza de plena oportunidade, que tive o gosto de subscrever, pela pertinência dos propósitos de reflexão e ação, com o objetivo de promover o debate na Assembleia da República. Prevendo o envolvimento de outros órgãos de soberania, de forma a ser definida uma estratégia nacional de prevenção e combate à pobreza porque, como é afirmado, pelo Conselho Nacional da Rede EAPN “a pobreza não mata apenas os pobres. A prazo ela matará também a democracia.
O Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza é um grupo de cidadãos, Um vasto leque de personalidades dos mais variados setores público e privado, académico, científico, empresarial e social, publicou uma ‘carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal’, que entregou ao Presidente da República, na quinta-feira, pela mão do Pe. Agostinho Jardim Moreira, Presidente EAPN Portugal e do Prof. Sebastião Feyo de Azevedo, Reitor da Universidade Portucalense. Uma missiva em prol da defesa e da sensibilização dos portugueses para a dimensão de que se reveste este grave problema, como propósito defender a dignidade humana, apoiando e promovendo a dinamização das atividades desta rede europeia no cumprimento da sua missão.
Documento de grande alcance, pensado para responder ao contexto da ‘nova normalidade’ que estamos a viver, despoletado pela pandemia do Covid-19 e pelos novos problemas daí decorrentes e pelo futuro cada vez mais marcado pela incerteza. Reafirmar a dimensão do problema da pobreza em Portugal, através da união e da mobilização dos cidadãos para um ‘protesto forte, premente e continuado exigindo das autoridades do País que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade’.
Uma dinâmica nova e muito focada no seu propósito, apesar do esforço redistributivo da proteção social que foi implementado nos últimos anos, que conseguiu reduzir algumas desigualdades e é o sinal mais claro e evidente do caminho que deve ser trilhado e reforçado, com a envolvência da sociedade civil através de um vasto leque de organizações, com destaque para as instituições de solidariedade social. Apesar dos resultados alcançados, os dados disponíveis são evidências que não podem ser escamoteadas.
A OCDE aponta para um futuro bastante sombrio para as próximas gerações no nosso país, ‘onde é mais difícil sair da pobreza ou, do outro lado, deixar de ser rico’. Sendo necessárias ‘cinco gerações para que as crianças pertencentes a uma família que esteja na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio’. Uma condição que exige medidas mais eficazes e de urgência acrescida, no momento em que estamos a enfrentar uma situação de calamidade provocada pela pandemia, que impõe condições sanitárias que não se compadecem com as profundas desigualdades sociais que ainda persistem.
‘Na sociedade portuguesa 21,6 % das pessoas vive em risco de pobreza ou exclusão social. Em que 60% reside no Norte ou Centro de Portugal e 17,3% tem menos de 18 anos. Os Açores têm 36,4% da população em risco de pobreza ou exclusão e a Madeira 31,9%. As mulheres são mais vulneráveis: 24% estão em risco’. A que acrescem as famílias monoparentais e nos idosos que vivem sós, que representam 1/3 destas populações, o desemprego, a baixa intensidade laboral, ausência de recursos financeiros, dificuldades no acesso a educação de qualidade e a cuidados de saúde ou más condições de alojamento, vivem de mão dada com a pobreza.
Sendo a propósito destas razões, que a Carta Aberta apela para a participação de todos. No sentido de fazermos este caminho em conjunto e em força. Através da reflexão e da ação concreta sobre 10 áreas fundamentais, independentemente dos ciclos políticos: assegurar o crescimento socioeconómico e o bem-estar de todos os cidadãos; garantir educação para todos; promover o apoio à infância; assegurar o equilíbrio geracional; promover o interior do país; promover salários dignos, responsabilidade social e sustentabilidade; promover a saúde e proteger dos mais pobres; direito a uma habitação digna; garantir o acesso à justiça; reorganizar os serviços de interesse público.
‘Um desafio que assenta na proposta de uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos.’ Uma causa nacional exige uma aposta de todos , que pode começar pela subscrição desta carta através do endereço: https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT101005.
Uma iniciativa do Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza de plena oportunidade, que tive o gosto de subscrever, pela pertinência dos propósitos de reflexão e ação, com o objetivo de promover o debate na Assembleia da República. Prevendo o envolvimento de outros órgãos de soberania, de forma a ser definida uma estratégia nacional de prevenção e combate à pobreza porque, como é afirmado, pelo Conselho Nacional da Rede EAPN “a pobreza não mata apenas os pobres. A prazo ela matará também a democracia.
O Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza é um grupo de cidadãos, Um vasto leque de personalidades dos mais variados setores público e privado, académico, científico, empresarial e social, publicou uma ‘carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal’, que entregou ao Presidente da República, na quinta-feira, pela mão do Pe. Agostinho Jardim Moreira, Presidente EAPN Portugal e do Prof. Sebastião Feyo de Azevedo, Reitor da Universidade Portucalense. Uma missiva em prol da defesa e da sensibilização dos portugueses para a dimensão de que se reveste este grave problema, como propósito defender a dignidade humana, apoiando e promovendo a dinamização das atividades desta rede europeia no cumprimento da sua missão.
Documento de grande alcance, pensado para responder ao contexto da ‘nova normalidade’ que estamos a viver, despoletado pela pandemia do Covid-19 e pelos novos problemas daí decorrentes e pelo futuro cada vez mais marcado pela incerteza. Reafirmar a dimensão do problema da pobreza em Portugal, através da união e da mobilização dos cidadãos para um ‘protesto forte, premente e continuado exigindo das autoridades do País que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade’.
Uma dinâmica nova e muito focada no seu propósito, apesar do esforço redistributivo da proteção social que foi implementado nos últimos anos, que conseguiu reduzir algumas desigualdades e é o sinal mais claro e evidente do caminho que deve ser trilhado e reforçado, com a envolvência da sociedade civil através de um vasto leque de organizações, com destaque para as instituições de solidariedade social. Apesar dos resultados alcançados, os dados disponíveis são evidências que não podem ser escamoteadas.
A OCDE aponta para um futuro bastante sombrio para as próximas gerações no nosso país, ‘onde é mais difícil sair da pobreza ou, do outro lado, deixar de ser rico’. Sendo necessárias ‘cinco gerações para que as crianças pertencentes a uma família que esteja na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio’. Uma condição que exige medidas mais eficazes e de urgência acrescida, no momento em que estamos a enfrentar uma situação de calamidade provocada pela pandemia, que impõe condições sanitárias que não se compadecem com as profundas desigualdades sociais que ainda persistem.
‘Na sociedade portuguesa 21,6 % das pessoas vive em risco de pobreza ou exclusão social. Em que 60% reside no Norte ou Centro de Portugal e 17,3% tem menos de 18 anos. Os Açores têm 36,4% da população em risco de pobreza ou exclusão e a Madeira 31,9%. As mulheres são mais vulneráveis: 24% estão em risco’. A que acrescem as famílias monoparentais e nos idosos que vivem sós, que representam 1/3 destas populações, o desemprego, a baixa intensidade laboral, ausência de recursos financeiros, dificuldades no acesso a educação de qualidade e a cuidados de saúde ou más condições de alojamento, vivem de mão dada com a pobreza.
Sendo a propósito destas razões, que a Carta Aberta apela para a participação de todos. No sentido de fazermos este caminho em conjunto e em força. Através da reflexão e da ação concreta sobre 10 áreas fundamentais, independentemente dos ciclos políticos: assegurar o crescimento socioeconómico e o bem-estar de todos os cidadãos; garantir educação para todos; promover o apoio à infância; assegurar o equilíbrio geracional; promover o interior do país; promover salários dignos, responsabilidade social e sustentabilidade; promover a saúde e proteger dos mais pobres; direito a uma habitação digna; garantir o acesso à justiça; reorganizar os serviços de interesse público.
‘Um desafio que assenta na proposta de uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos.’ Uma causa nacional exige uma aposta de todos , que pode começar pela subscrição desta carta através do endereço: https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT101005.
Rede Europeia Anti-Pobreza avisa que a pandemia deixou mais famílias em risco
in TVI24
A Rede Europeia Anti-Pobreza alerta que é urgente criar uma estratégia nacional de combate à pobreza.
O fenómeno já afeta mais de dois milhões de portugueses e a pandemia pode agravar estes números.
A Rede Europeia Anti-Pobreza alerta que é urgente criar uma estratégia nacional de combate à pobreza.
O fenómeno já afeta mais de dois milhões de portugueses e a pandemia pode agravar estes números.
22.6.20
Rede Europeia lança carta aberta aos poderes políticos a pedir estratégia para pobreza em Portugal
in Rádio Alto Minho
A Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal acaba de lançar uma carta aberta aos poderes políticos com o objetivo de ser definida com urgência uma estratégia para combater este problema que se agravou com a pandemia de Covid-19.
Promovida pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, a carta aberta conta com o apoio de 22 personalidades e foi entregue na quinta-feira ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
“Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal”, sustenta a carta aberta.
Os promotores da iniciativa consideram que é “urgente” fazer um caminho e propõem “dez áreas fundamentais” para “um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes”.
Entre as áreas propostas estão “o crescimento socioeconómico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos”, acesso ao ensino, apoios à infância e garantir que o sistema de saúde protege os mais pobres.
Na carta aberta é também “particularmente aconselhável” que seja repensado o modelo de atribuição do rendimento social de inserção e que seja promovida “eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional”, tendo em conta que população portuguesa está envelhecida.
Os promotores da iniciativa consideram que deve ser promovido o interior do país, uma vez que a pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades, e aconselham ao apoio das empresas que garantam o primeiro emprego aos jovens.
Direito a uma habitação digna e uma justiça acessível a todos são outras áreas abordadas na carta.
“A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do país que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade”, lê-se na missiva, frisando que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos e é atualmente “o principal problema do país”.
A Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal acaba de lançar uma carta aberta aos poderes políticos com o objetivo de ser definida com urgência uma estratégia para combater este problema que se agravou com a pandemia de Covid-19.
Promovida pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, a carta aberta conta com o apoio de 22 personalidades e foi entregue na quinta-feira ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
“Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal”, sustenta a carta aberta.
Os promotores da iniciativa consideram que é “urgente” fazer um caminho e propõem “dez áreas fundamentais” para “um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes”.
Entre as áreas propostas estão “o crescimento socioeconómico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos”, acesso ao ensino, apoios à infância e garantir que o sistema de saúde protege os mais pobres.
Na carta aberta é também “particularmente aconselhável” que seja repensado o modelo de atribuição do rendimento social de inserção e que seja promovida “eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional”, tendo em conta que população portuguesa está envelhecida.
Os promotores da iniciativa consideram que deve ser promovido o interior do país, uma vez que a pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades, e aconselham ao apoio das empresas que garantam o primeiro emprego aos jovens.
Direito a uma habitação digna e uma justiça acessível a todos são outras áreas abordadas na carta.
“A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do país que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade”, lê-se na missiva, frisando que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos e é atualmente “o principal problema do país”.
Gonçalo Sousa, in Dnotícias
O respeito pelo outro é, talvez, o mais caro de todos os princípios da humanidade e a pobreza é o mais caro preço a pagar por uma sociedade que não encontra o seu equilíbrio!
Neste nosso pequeno Arquipélago, abençoado por beleza e boa gente, assisto, muitas vezes a um completo atropelo do respeito pelo próximo, muitas vezes o pior exemplo vem daqueles que deveriam dar o melhor. Hoje dedico-me a falar do respeito, em sentido lado. Principalmente o respeito pela dignidade do outro. Enquanto cidadão, empresário e economista, perturba-me a pobreza, não de espírito, tão frequente no nosso pequeno meio, mas a pobreza humana a que, infelizmente, assisto diariamente no meu dia-a-dia na minha Ilha, bem como, no meu País. E lanço um apelo aos nossos políticos, dirigentes, empresários, intelectuais, artistas e a todos cidadãos, para que, todos juntos, enquanto sociedade com obrigações de cidadania, façamos mais e melhor!
Não quero continuar a pactuar com o silêncio de uma sociedade que sente bem a ostracizar os mais velhos, que convive com a pobreza sem remorsos e que se dá por indiferente perante as faltas de oportunidade que escasseiam aos mais novos ou perante uma justiça cada vez mais inacessível ao normal cidadão. Não quero ver crianças que chegam à escola para comer a primeira refeição do dia e perceber que cada dia que passa, estamos mais desiguais e mais indiferentes. “Ninguém evolui sozinho, numa ilha deserta” e muito menos evoluiremos como sociedade se continuarmos indiferentes à pobreza que impera na nossa cada vez mais desigual sociedade, principalmente, durante estes difíceis tempos de crise sanitária que estamos a viver. Assim, lanço-lhe um apelo: Subscreva, na internet, o manifesto do Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza – Petição pública - Carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal – Obrigado! Todos juntos faremos um Portugal ainda melhor!
O respeito pelo outro é, talvez, o mais caro de todos os princípios da humanidade e a pobreza é o mais caro preço a pagar por uma sociedade que não encontra o seu equilíbrio!
Neste nosso pequeno Arquipélago, abençoado por beleza e boa gente, assisto, muitas vezes a um completo atropelo do respeito pelo próximo, muitas vezes o pior exemplo vem daqueles que deveriam dar o melhor. Hoje dedico-me a falar do respeito, em sentido lado. Principalmente o respeito pela dignidade do outro. Enquanto cidadão, empresário e economista, perturba-me a pobreza, não de espírito, tão frequente no nosso pequeno meio, mas a pobreza humana a que, infelizmente, assisto diariamente no meu dia-a-dia na minha Ilha, bem como, no meu País. E lanço um apelo aos nossos políticos, dirigentes, empresários, intelectuais, artistas e a todos cidadãos, para que, todos juntos, enquanto sociedade com obrigações de cidadania, façamos mais e melhor!
Não quero continuar a pactuar com o silêncio de uma sociedade que sente bem a ostracizar os mais velhos, que convive com a pobreza sem remorsos e que se dá por indiferente perante as faltas de oportunidade que escasseiam aos mais novos ou perante uma justiça cada vez mais inacessível ao normal cidadão. Não quero ver crianças que chegam à escola para comer a primeira refeição do dia e perceber que cada dia que passa, estamos mais desiguais e mais indiferentes. “Ninguém evolui sozinho, numa ilha deserta” e muito menos evoluiremos como sociedade se continuarmos indiferentes à pobreza que impera na nossa cada vez mais desigual sociedade, principalmente, durante estes difíceis tempos de crise sanitária que estamos a viver. Assim, lanço-lhe um apelo: Subscreva, na internet, o manifesto do Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza – Petição pública - Carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal – Obrigado! Todos juntos faremos um Portugal ainda melhor!
Rede Europeia Anti Pobreza / Núcleo Distrital de Setúbal Carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal Pobreza é «prioridade das prioridades»
in Rostos on-line
Carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal
Pobreza é «prioridade das prioridades»
O presidente da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti Pobreza, Pe. Jardim Moreira e Sebastião Feyo de Azevedo, reitor da Universidade Portucalense (em representação do Conselho Social Nacional da EAPN Portugal) encontraram-se, ontem, no Palácio de Belém, com o Presidente da República para lhe entregar uma “Carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal”, onde se sustenta que o combate à pobreza deve ser a "prioridade das prioridades" do País.
O documento, redigido pelo Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti Pobreza, constituído por cidadãos que tem por objetivo defender a dignidade humana, apoiando e promovendo a dinamização das atividades da EAPN no cumprimento da sua missão, visa conduzir a uma estratégia nacional de prevenção e combate à pobreza. Desde 2014 que a EAPN Portugal defende de forma bem alicerçada que Portugal adote uma Estratégia Nacional de Luta Contra a Pobreza, entendendo que a atual conjuntura é adequada à sua concretização.
A pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos da sociedade portuguesa, «reforçando, infelizmente, que a pobreza é, indubitavelmente, o principal problema do País. É essencial que as entidades sobre as quais recai a responsabilidade de enfrentar o problema não tenham dúvidas em defini-lo como tal - a prioridade das prioridades. Aliás, o esforço redistributivo da proteção social nos últimos anos conseguiu reduzir algumas desigualdades e é o sinal mais claro e evidente do caminho que deve ser trilhado e revigorado», lê-se no documento que sublinha: «segundo a OCDE, Portugal é dos países desenvolvidos onde é mais difícil sair da pobreza ou, do outro lado, deixar de ser rico. É por isso que pode demorar cinco gerações para que as crianças pertencentes a uma família que esteja na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio. Se a condição dos pobres e da pobreza em si mesmas são suficientes para gerar um clamor que nos faça exigir mais medidas e medidas mais eficazes, consideremos ainda que esta pandemia está a provar que uma sociedade é tão mais segura do ponto de vista sanitário quanto menores forem as desigualdades dos seus membros».
O documento que poderá ser subscrito on-line, a partir da próxima sexta-feira, no site da EAPN Portugal, por todos os cidadãos, conta já com a assinatura dos seus mentores e associados do Conselho Social da Rede Europeia Anti Pobreza: Agostinho Jardim Moreira; Ana Flor; António Monteiro; Carla Feliciano; Carlos Maurício Barbosa; Carlos Silva; Guilherme Figueiredo; Guilhermina Maria Rego; João Pedro Tavares; José Antunes Calçada; José Leite Pereira; Luísa Valle; Manuel Barros; Manuel Fontes de Carvalho; Manuel Sobrinho Simões; Maria Amélia Ferreira; Maria Joaquina Madeira; Maria José Morgado; Mariana Pinto da Cruz; Miguel Pavão; Paula Guimarães; Pedro Barbas Homem; Ricardo Andrade Silva e Sebastião Feyo de Azevedo.
«Pensamos que não tem sido considerado que a pobreza tem causas multidimensionais, e não basta apenas uma resposta monetária. O conceito de pobreza multidimensional refere-se à experiência e ao impacto da pobreza no percurso de vida das pessoas. As pessoas experienciam a pobreza como uma série de privações, não apenas como ‘dinheiro insuficiente’ – ou outras coisas, mas experiências, oportunidades, serviços e ambientes que outras pessoas aceitam como normais. Estas privações podem incluir desemprego e baixa intensidade laboral, recursos financeiros, acesso a educação de qualidade e a cuidados de saúde, integração social, apoio familiar, condições de alojamento e residência. As pessoas em situação de pobreza também podem ser vítimas de estigma, vergonha, discriminação, isolamento e exclusão da vida social, consequências negativas de decisões restritivas ou de curta duração, pior saúde mental e física e uma esperança de vida mais reduzida» explica Jardim Moreira.
O documento apela a todos sem exceção que se se aja rapidamente, pois «a prazo, a pobreza matará também a Democracia», propondo 10 áreas de ação fundamentais e urgentes, independentemente dos ciclos políticos.
Carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal
Pobreza é «prioridade das prioridades»
O presidente da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti Pobreza, Pe. Jardim Moreira e Sebastião Feyo de Azevedo, reitor da Universidade Portucalense (em representação do Conselho Social Nacional da EAPN Portugal) encontraram-se, ontem, no Palácio de Belém, com o Presidente da República para lhe entregar uma “Carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal”, onde se sustenta que o combate à pobreza deve ser a "prioridade das prioridades" do País.
O documento, redigido pelo Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti Pobreza, constituído por cidadãos que tem por objetivo defender a dignidade humana, apoiando e promovendo a dinamização das atividades da EAPN no cumprimento da sua missão, visa conduzir a uma estratégia nacional de prevenção e combate à pobreza. Desde 2014 que a EAPN Portugal defende de forma bem alicerçada que Portugal adote uma Estratégia Nacional de Luta Contra a Pobreza, entendendo que a atual conjuntura é adequada à sua concretização.
A pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos da sociedade portuguesa, «reforçando, infelizmente, que a pobreza é, indubitavelmente, o principal problema do País. É essencial que as entidades sobre as quais recai a responsabilidade de enfrentar o problema não tenham dúvidas em defini-lo como tal - a prioridade das prioridades. Aliás, o esforço redistributivo da proteção social nos últimos anos conseguiu reduzir algumas desigualdades e é o sinal mais claro e evidente do caminho que deve ser trilhado e revigorado», lê-se no documento que sublinha: «segundo a OCDE, Portugal é dos países desenvolvidos onde é mais difícil sair da pobreza ou, do outro lado, deixar de ser rico. É por isso que pode demorar cinco gerações para que as crianças pertencentes a uma família que esteja na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio. Se a condição dos pobres e da pobreza em si mesmas são suficientes para gerar um clamor que nos faça exigir mais medidas e medidas mais eficazes, consideremos ainda que esta pandemia está a provar que uma sociedade é tão mais segura do ponto de vista sanitário quanto menores forem as desigualdades dos seus membros».
O documento que poderá ser subscrito on-line, a partir da próxima sexta-feira, no site da EAPN Portugal, por todos os cidadãos, conta já com a assinatura dos seus mentores e associados do Conselho Social da Rede Europeia Anti Pobreza: Agostinho Jardim Moreira; Ana Flor; António Monteiro; Carla Feliciano; Carlos Maurício Barbosa; Carlos Silva; Guilherme Figueiredo; Guilhermina Maria Rego; João Pedro Tavares; José Antunes Calçada; José Leite Pereira; Luísa Valle; Manuel Barros; Manuel Fontes de Carvalho; Manuel Sobrinho Simões; Maria Amélia Ferreira; Maria Joaquina Madeira; Maria José Morgado; Mariana Pinto da Cruz; Miguel Pavão; Paula Guimarães; Pedro Barbas Homem; Ricardo Andrade Silva e Sebastião Feyo de Azevedo.
«Pensamos que não tem sido considerado que a pobreza tem causas multidimensionais, e não basta apenas uma resposta monetária. O conceito de pobreza multidimensional refere-se à experiência e ao impacto da pobreza no percurso de vida das pessoas. As pessoas experienciam a pobreza como uma série de privações, não apenas como ‘dinheiro insuficiente’ – ou outras coisas, mas experiências, oportunidades, serviços e ambientes que outras pessoas aceitam como normais. Estas privações podem incluir desemprego e baixa intensidade laboral, recursos financeiros, acesso a educação de qualidade e a cuidados de saúde, integração social, apoio familiar, condições de alojamento e residência. As pessoas em situação de pobreza também podem ser vítimas de estigma, vergonha, discriminação, isolamento e exclusão da vida social, consequências negativas de decisões restritivas ou de curta duração, pior saúde mental e física e uma esperança de vida mais reduzida» explica Jardim Moreira.
O documento apela a todos sem exceção que se se aja rapidamente, pois «a prazo, a pobreza matará também a Democracia», propondo 10 áreas de ação fundamentais e urgentes, independentemente dos ciclos políticos.
19.6.20
Carta aberta reclama estratégia para combater a pobreza
by Francisco Pedro, in Fátima Missionária</i>
Documento conta com o apoio de mais de duas dezenas de personalidades e já foi enviado ao Presidente da República. Entre as medidas propostas, está a criação de um sistema de saúde que proteja os mais pobres
A Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, apoiada por 22 personalidades, entregou uma carta aberta ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a pedir aos podres políticos que definam com urgência uma estratégia para combater a pobreza em Portugal, agravada pela pandemia de Covid-19.
“Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal”, sustenta o documento, publicado esta sexta-feira, 19 de junho, no jornal Público.
Na carta, são propostas intervenções em “10 áreas fundamentais”, para assegurar “um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes”. Entre as medidas sugeridas, estão “o crescimento socioeconómico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos”, acesso ao ensino, apoios à infância e garantir que o sistema de saúde protege os mais pobres.
O documento realça ainda a necessidade de promover o interior do país, e aconselha o apoio das empresas que garantam o primeiro emprego aos jovens. Pede também o direito a uma habitação digna e uma justiça acessível a todos.
Documento conta com o apoio de mais de duas dezenas de personalidades e já foi enviado ao Presidente da República. Entre as medidas propostas, está a criação de um sistema de saúde que proteja os mais pobres
A Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, apoiada por 22 personalidades, entregou uma carta aberta ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a pedir aos podres políticos que definam com urgência uma estratégia para combater a pobreza em Portugal, agravada pela pandemia de Covid-19.
“Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal”, sustenta o documento, publicado esta sexta-feira, 19 de junho, no jornal Público.
Na carta, são propostas intervenções em “10 áreas fundamentais”, para assegurar “um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes”. Entre as medidas sugeridas, estão “o crescimento socioeconómico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos”, acesso ao ensino, apoios à infância e garantir que o sistema de saúde protege os mais pobres.
O documento realça ainda a necessidade de promover o interior do país, e aconselha o apoio das empresas que garantam o primeiro emprego aos jovens. Pede também o direito a uma habitação digna e uma justiça acessível a todos.
Portugal: Combate à pobreza deve ser a «prioridade das prioridades» do país
in Agência Ecclesia
Rede Europeia Anti Pobreza entregou carta aberta ao presidente da República
Lisboa, 19 jun 2020 (Ecclesia) – A Rede Europeia Anti Pobreza redigiu uma “carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal”, destaca o combate à pobreza como “prioridade das prioridades” do país e foi entregue ao presidente da República, esta quinta-feira.
“O presidente da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti Pobreza, padre Jardim Moreira e Sebastião Feyo de Azevedo, reitor da Universidade Portucalense (em representação do Conselho Social Nacional da EAPN Portugal) encontraram-se com o Presidente da República para lhe entregar uma “Carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal”, onde se sustenta que o combate à pobreza deve ser a “prioridade das prioridades” do País”, pode ler-se no comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA.
O documento, redigido pelo Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti Pobreza, constituído por cidadãos que tem por objetivo defender a dignidade humana, visa conduzir a uma estratégia nacional de prevenção e combate à pobreza.
«Pensamos que não tem sido considerado que a pobreza tem causas multidimensionais, e não basta apenas uma resposta monetária. O conceito de pobreza multidimensional refere-se à experiência e ao impacto da pobreza no percurso de vida das pessoas”, afirma o sacerdote.
A carta propõe a reflexão sobre “10 áreas de ação fundamentais e urgentes”, “independentemente dos ciclos políticos”, no combate à “pobreza que não mata apenas os pobres” mas a prazo “matará a democracia”.
“Estas privações podem incluir desemprego e baixa intensidade laboral, recursos financeiros, acesso a educação de qualidade e a cuidados de saúde, integração social, apoio familiar, condições de alojamento e residência. As pessoas em situação de pobreza também podem ser vítimas de estigma, vergonha, discriminação, isolamento e exclusão da vida social, consequências negativas de decisões restritivas ou de curta duração, pior saúde mental e física e uma esperança de vida mais reduzida”, explica o padre Jardim Moreira.
“Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza”, lê-se no documento.
O documento, que integra a proposta de Estratégia Nacional de Luta Contra a Pobreza, poderá ser subscrito online, a partir desta sexta-feira, por todos os cidadãos, conta já com a assinatura dos seus mentores e associados do Conselho Social da Rede Europeia Anti Pobreza.
SN
Rede Europeia Anti Pobreza entregou carta aberta ao presidente da República
Lisboa, 19 jun 2020 (Ecclesia) – A Rede Europeia Anti Pobreza redigiu uma “carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal”, destaca o combate à pobreza como “prioridade das prioridades” do país e foi entregue ao presidente da República, esta quinta-feira.
“O presidente da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti Pobreza, padre Jardim Moreira e Sebastião Feyo de Azevedo, reitor da Universidade Portucalense (em representação do Conselho Social Nacional da EAPN Portugal) encontraram-se com o Presidente da República para lhe entregar uma “Carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal”, onde se sustenta que o combate à pobreza deve ser a “prioridade das prioridades” do País”, pode ler-se no comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA.
O documento, redigido pelo Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti Pobreza, constituído por cidadãos que tem por objetivo defender a dignidade humana, visa conduzir a uma estratégia nacional de prevenção e combate à pobreza.
«Pensamos que não tem sido considerado que a pobreza tem causas multidimensionais, e não basta apenas uma resposta monetária. O conceito de pobreza multidimensional refere-se à experiência e ao impacto da pobreza no percurso de vida das pessoas”, afirma o sacerdote.
A carta propõe a reflexão sobre “10 áreas de ação fundamentais e urgentes”, “independentemente dos ciclos políticos”, no combate à “pobreza que não mata apenas os pobres” mas a prazo “matará a democracia”.
“Estas privações podem incluir desemprego e baixa intensidade laboral, recursos financeiros, acesso a educação de qualidade e a cuidados de saúde, integração social, apoio familiar, condições de alojamento e residência. As pessoas em situação de pobreza também podem ser vítimas de estigma, vergonha, discriminação, isolamento e exclusão da vida social, consequências negativas de decisões restritivas ou de curta duração, pior saúde mental e física e uma esperança de vida mais reduzida”, explica o padre Jardim Moreira.
“Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza”, lê-se no documento.
O documento, que integra a proposta de Estratégia Nacional de Luta Contra a Pobreza, poderá ser subscrito online, a partir desta sexta-feira, por todos os cidadãos, conta já com a assinatura dos seus mentores e associados do Conselho Social da Rede Europeia Anti Pobreza.
SN
Covid-19. Carta aberta pede estratégia de combate à pobreza em Portugal
por Mário Aleixo, in RTP
Uma carta aberta dirigida aos poderes políticos sobre a pobreza em Portugal foi lançada com o objetivo de ser definida com urgência uma estratégia para combater este problema que se agravou com a pandemia de Covid-19.
Promovida pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, a carta aberta conta com o apoio de 22 personalidades e foi entregue na quinta-feira ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
“Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal”, sustenta a carta aberta.
Os promotores da iniciativa consideram que é “urgente” fazer um caminho e propõem “dez áreas fundamentais” para "um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes”.
Entre as áreas propostas estão “o crescimento socioeconómico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos”, acesso ao ensino, apoios à infância e garantir que o sistema de saúde protege os mais pobres.
Na carta aberta é também “particularmente aconselhável” que seja repensado o modelo de atribuição do rendimento social de inserção e que seja promovida “eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional”, tendo em conta que população portuguesa está envelhecida.
Os promotores da iniciativa consideram que deve ser promovido o interior do país, uma vez que a pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades, e aconselham ao apoio das empresas que garantam o primeiro emprego aos jovens.
Direito a uma habitação digna e uma justiça acessível a todos são outras áreas abordadas na carta.
“A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do país que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade”, lê-se na missiva, frisando que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos e é atualmente “o principal problema do país”.
Uma carta aberta dirigida aos poderes políticos sobre a pobreza em Portugal foi lançada com o objetivo de ser definida com urgência uma estratégia para combater este problema que se agravou com a pandemia de Covid-19.
Promovida pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, a carta aberta conta com o apoio de 22 personalidades e foi entregue na quinta-feira ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
“Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal”, sustenta a carta aberta.
Os promotores da iniciativa consideram que é “urgente” fazer um caminho e propõem “dez áreas fundamentais” para "um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes”.
Entre as áreas propostas estão “o crescimento socioeconómico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos”, acesso ao ensino, apoios à infância e garantir que o sistema de saúde protege os mais pobres.
Na carta aberta é também “particularmente aconselhável” que seja repensado o modelo de atribuição do rendimento social de inserção e que seja promovida “eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional”, tendo em conta que população portuguesa está envelhecida.
Os promotores da iniciativa consideram que deve ser promovido o interior do país, uma vez que a pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades, e aconselham ao apoio das empresas que garantam o primeiro emprego aos jovens.
Direito a uma habitação digna e uma justiça acessível a todos são outras áreas abordadas na carta.
“A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do país que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade”, lê-se na missiva, frisando que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos e é atualmente “o principal problema do país”.
Carta aberta aos poderes políticos sobre a pobreza em Portugal
in Público
A pobreza não mata apenas os pobres. A prazo ela matará também a Democracia. É por isso urgente fazermo-nos ao caminho, propondo que se reflita e se aja sobre dez áreas fundamentais, independentemente dos ciclos políticos.
A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do País que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade. A pandemia do coronavírus acentuou aos olhos de todos a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos da sociedade portuguesa, reforçando, infelizmente, que a pobreza é, indubitavelmente, o principal problema do País. É essencial que as entidades sobre as quais recai a responsabilidade de enfrentar o problema não tenham dúvidas em defini-lo como tal – a prioridade das prioridades. Aliás, o esforço redistributivo da proteção social nos últimos anos conseguiu reduzir algumas desigualdades e é o sinal mais claro e evidente do caminho que deve ser trilhado e reforçado.
Segundo dados da OCDE, Portugal é dos países desenvolvidos onde é mais difícil sair da pobreza ou, do outro lado, deixar de ser rico. É por isso que pode demorar cinco gerações para que as crianças pertencentes a uma família que esteja na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio. Se a condição dos pobres e da pobreza em si mesmas são suficientes para gerar um clamor que nos faça exigir mais medidas e medidas mais eficazes, consideremos ainda que esta pandemia está a provar que uma sociedade é tão mais segura do ponto de vista sanitário quanto menores forem as desigualdades dos seus membros.
Segundo dados de 2018, a sociedade portuguesa é composta por uma população em que 21,6% das pessoas vive em risco de pobreza ou exclusão social. Deste universo vulnerável, 60% reside no Norte ou Centro de Portugal e 17,3% tem menos de 18 anos. Os Açores têm 36,4% da população em risco de pobreza ou exclusão e a Madeira 31,9%.
As mulheres são mais vulneráveis: 24% estão em risco. Esta face feminina da pobreza e da exclusão encontra-se também escondida em outras dimensões, tais como nas famílias monoparentais e nos idosos que vivem sós, em que esse risco se aproxima ou ultrapassa 1/3 destas populações.
A pobreza ou exclusão social atinge uma proporção alarmante dos desempregados: 58,4%.
Desemprego, baixa intensidade laboral, ausência de recursos financeiros, dificuldades no acesso a educação de qualidade e a cuidados de saúde ou más condições de alojamento vivem de mão dada com a pobreza. Agora, com a pandemia, tudo isto se está a agravar a todos os níveis materiais, no acesso a alimentação saudável, a educação de qualidade, a cuidados de saúde básico ou a um alojamento digno, como se agravará também a nível social o estigma, a vergonha, a discriminação, o isolamento e a exclusão. Temos é de impedir que se agrave a esperança em obter sucesso neste combate e impedir também que a indiferença ou desleixo das autoridades deixe os pobres mais pobres. A sociedade tem de ser mais respeitadora dos direitos humanos de todos e exigir o exercício da verdadeira democracia. A multidimensionalidade do fenómeno da pobreza tem de ser reconhecida pelos programas políticos e dar lugar a respostas integradas que mobilizam competências e recursos de diversas especialidades e parcerias.
Convocamos todos a que unam esforços. Esqueçam divergências, encontrem pontos de confluência e lutem por programas sociais que contribuam para um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes. Lembramos que a Assembleia da República aprovou em 4 de julho de 2008 a Resolução n.º 31, em que “declara solenemente que a pobreza conduz à violação dos direitos humanos”.
A pobreza não mata apenas os pobres. A prazo ela matará também a Democracia. É por isso urgente fazermo-nos ao caminho, propondo que se reflita e se aja sobre dez áreas fundamentais, independentemente dos ciclos políticos:
As políticas públicas devem ter o individuo como preocupação central. Devem orientar-se para o crescimento sócio-económico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos.
A educação tem de chegar a todos. A sociedade não tem conseguido esbater as diferenças que a proveniência social tem determinado, particularmente em tempo de uma crise que agudizou as desigualdades educativas. Os jovens pobres devem ter assegurados os mesmos direitos de acesso ao ensino que os mais favorecidos e o Governo deve garantir-lhes um especial acompanhamento nas atividades escolares.
Os apoios à infância constituem outra vertente fundamental da luta contra a pobreza. Importa reforçar a intervenção junto das famílias carenciadas com crianças, na medida em que famílias pobres são o foco de pobreza e consequentemente os elementos centrais a apoiar neste combate. É particularmente aconselhável repensar o modelo de atribuição do Rendimento Social de Inserção, tendo em consideração o conhecimento científico atualmente existente, nomeadamente na área das neurociências, e visando uma intervenção eficaz e libertadora do Ser Humano.
A população portuguesa está envelhecida. É premente promover eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional, sem o que não se atenuarão as diferenças que contribuem para o aumento da pobreza e para o que se destacam as medidas conducentes ao aumento da taxa de natalidade e as direcionadas para um devido acolhimento migratório.
A pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades. Temos de promover o interior do país e encontrar medidas que ajudem a fixar e atrair população, discriminando positivamente os que optarem por fazer a sua vida longe dos grandes centros, nomeadamente de Lisboa e Porto.
As empresas desempenham um papel fundamental no desenvolvimento socioeconómico. É aconselhável apoiar as que garantam o primeiro emprego aos jovens e sobretudo as que não só o façam com salários dignos que tenham em conta as habilitações dos seus colaboradores, como invistam em políticas de responsabilidade social e sustentabilidade.
O assegurar de cuidados de saúde representa outra dessas vertentes. Importa garantir que o Sistema de Saúde, em qualquer forma da sua evolução, protege os mais pobres, sobretudo as pessoas idosas, as crianças e os doentes crónicos, garantindo que lhes são assegurados os cuidados de saúde de que necessitam, nomeadamente consultas e intervenções cirúrgicas em tempo útil.
O direito a uma habitação digna deve ser assegurado. Devem em particular ser garantidas condições de salubridade e de qualidade de água, tão associadas a problemas de saúde de quem vive em condições precárias.
Também a justiça deve ser acessível a todos. Realmente efetiva. É preciso ir mais longe na garantia de que mesmo os mais pobres podem aceder ao Direito e aos Tribunais.
O impacto social da reorganização de serviços de interesse público, sejam públicos ou privados, deve ser sempre cuidadosamente ponderado. Potenciais deslocalizações de serviços – públicos e privados – devem ser feitas sem que os mais necessitados vejam afetados os seus interesses, garantindo-se mecanismos de substituição para que não sejam prejudicados.
Em suma, temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal.
O Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza é um grupo de cidadãos que tem por objetivo defender a dignidade humana, apoiando e promovendo a dinamização das atividades da Rede no cumprimento da sua missão.
Os signatários do presente documento tinham organizado para o dia 12 de março um evento de dimensão internacional, com o patrocínio e participação do Senhor Presidente da República, para lançamento de um Manifesto Contra a Pobreza. Como todos terão na memória, nesse mesmo dia e face à pandemia do novo coronavírus (covid-19) que em crescendo vinha assolando o País, o Conselho de Ministros aprovou um primeiro conjunto de medidas extraordinárias e de caráter urgente de resposta à grave ameaça epidemiológica instalada. A cerimónia do lançamento do Manifesto foi naturalmente cancelada.
Passados três meses, e com o regresso dos portugueses a uma ‘nova normalidade’, em que de forma sentida o problema da pobreza se agudizou, entendeu-se ser premente voltar a levantar e a encarar este problema como uma prioridade crucial para o país, razão pela qual elaborámos esta Carta Aberta aos decisores políticos portugueses.
Tal como já então tínhamos programado, pedimos a todos os cidadãos que subscrevam online este documento, para que ele assuma a dimensão de que se reveste o problema da pobreza e da desigualdade, e nessa dimensão provoque um debate com consequências, nomeadamente na Assembleia da República, e conduza a uma estratégia nacional de prevenção e combate à pobreza.
Subscrevem:
Pe. Agostinho Jardim Moreira, Presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza/EAPN
Ana Flor, Conselho Social (CS) EAPN Funchal
António Monteiro, CS Lisboa
Carla Feliciano, CS Funchal
Carlos Maurício Barbosa, CS Porto
Carlos Silva, CS Funchal
Guilherme Figueiredo, CS Porto
Guilhermina Maria Rego, CS Porto
João Pedro Tavares, CS Lisboa
José Antunes Calçada, CS Lisboa
José Leite Pereira, CS Porto
Luísa Valle, CS Lisboa
Manuel Barros, CS Porto
Manuel Fontes de Carvalho, CS Porto
Manuel Sobrinho Simões, CS Porto
Maria Amélia Ferreira, CS Porto
Maria Joaquina Madeira, CS Lisboa
Maria José Morgado, CS Lisboa
Mariana Pinto da Cruz, CS Funchal
Miguel Pavão, CS Porto
Paula Guimarães, CS Lisboa
Pedro Barbas Homem, CS Lisboa
Ricardo Andrade Silva, CS Funchal
Sebastião Feyo de Azevedo, CS Porto
Os autores escrevem segundo o novo acordo ortográfico
A pobreza não mata apenas os pobres. A prazo ela matará também a Democracia. É por isso urgente fazermo-nos ao caminho, propondo que se reflita e se aja sobre dez áreas fundamentais, independentemente dos ciclos políticos.
A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do País que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade. A pandemia do coronavírus acentuou aos olhos de todos a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos da sociedade portuguesa, reforçando, infelizmente, que a pobreza é, indubitavelmente, o principal problema do País. É essencial que as entidades sobre as quais recai a responsabilidade de enfrentar o problema não tenham dúvidas em defini-lo como tal – a prioridade das prioridades. Aliás, o esforço redistributivo da proteção social nos últimos anos conseguiu reduzir algumas desigualdades e é o sinal mais claro e evidente do caminho que deve ser trilhado e reforçado.
Segundo dados da OCDE, Portugal é dos países desenvolvidos onde é mais difícil sair da pobreza ou, do outro lado, deixar de ser rico. É por isso que pode demorar cinco gerações para que as crianças pertencentes a uma família que esteja na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio. Se a condição dos pobres e da pobreza em si mesmas são suficientes para gerar um clamor que nos faça exigir mais medidas e medidas mais eficazes, consideremos ainda que esta pandemia está a provar que uma sociedade é tão mais segura do ponto de vista sanitário quanto menores forem as desigualdades dos seus membros.
Segundo dados de 2018, a sociedade portuguesa é composta por uma população em que 21,6% das pessoas vive em risco de pobreza ou exclusão social. Deste universo vulnerável, 60% reside no Norte ou Centro de Portugal e 17,3% tem menos de 18 anos. Os Açores têm 36,4% da população em risco de pobreza ou exclusão e a Madeira 31,9%.
As mulheres são mais vulneráveis: 24% estão em risco. Esta face feminina da pobreza e da exclusão encontra-se também escondida em outras dimensões, tais como nas famílias monoparentais e nos idosos que vivem sós, em que esse risco se aproxima ou ultrapassa 1/3 destas populações.
A pobreza ou exclusão social atinge uma proporção alarmante dos desempregados: 58,4%.
Desemprego, baixa intensidade laboral, ausência de recursos financeiros, dificuldades no acesso a educação de qualidade e a cuidados de saúde ou más condições de alojamento vivem de mão dada com a pobreza. Agora, com a pandemia, tudo isto se está a agravar a todos os níveis materiais, no acesso a alimentação saudável, a educação de qualidade, a cuidados de saúde básico ou a um alojamento digno, como se agravará também a nível social o estigma, a vergonha, a discriminação, o isolamento e a exclusão. Temos é de impedir que se agrave a esperança em obter sucesso neste combate e impedir também que a indiferença ou desleixo das autoridades deixe os pobres mais pobres. A sociedade tem de ser mais respeitadora dos direitos humanos de todos e exigir o exercício da verdadeira democracia. A multidimensionalidade do fenómeno da pobreza tem de ser reconhecida pelos programas políticos e dar lugar a respostas integradas que mobilizam competências e recursos de diversas especialidades e parcerias.
Convocamos todos a que unam esforços. Esqueçam divergências, encontrem pontos de confluência e lutem por programas sociais que contribuam para um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes. Lembramos que a Assembleia da República aprovou em 4 de julho de 2008 a Resolução n.º 31, em que “declara solenemente que a pobreza conduz à violação dos direitos humanos”.
A pobreza não mata apenas os pobres. A prazo ela matará também a Democracia. É por isso urgente fazermo-nos ao caminho, propondo que se reflita e se aja sobre dez áreas fundamentais, independentemente dos ciclos políticos:
As políticas públicas devem ter o individuo como preocupação central. Devem orientar-se para o crescimento sócio-económico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos.
A educação tem de chegar a todos. A sociedade não tem conseguido esbater as diferenças que a proveniência social tem determinado, particularmente em tempo de uma crise que agudizou as desigualdades educativas. Os jovens pobres devem ter assegurados os mesmos direitos de acesso ao ensino que os mais favorecidos e o Governo deve garantir-lhes um especial acompanhamento nas atividades escolares.
Os apoios à infância constituem outra vertente fundamental da luta contra a pobreza. Importa reforçar a intervenção junto das famílias carenciadas com crianças, na medida em que famílias pobres são o foco de pobreza e consequentemente os elementos centrais a apoiar neste combate. É particularmente aconselhável repensar o modelo de atribuição do Rendimento Social de Inserção, tendo em consideração o conhecimento científico atualmente existente, nomeadamente na área das neurociências, e visando uma intervenção eficaz e libertadora do Ser Humano.
A população portuguesa está envelhecida. É premente promover eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional, sem o que não se atenuarão as diferenças que contribuem para o aumento da pobreza e para o que se destacam as medidas conducentes ao aumento da taxa de natalidade e as direcionadas para um devido acolhimento migratório.
A pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades. Temos de promover o interior do país e encontrar medidas que ajudem a fixar e atrair população, discriminando positivamente os que optarem por fazer a sua vida longe dos grandes centros, nomeadamente de Lisboa e Porto.
As empresas desempenham um papel fundamental no desenvolvimento socioeconómico. É aconselhável apoiar as que garantam o primeiro emprego aos jovens e sobretudo as que não só o façam com salários dignos que tenham em conta as habilitações dos seus colaboradores, como invistam em políticas de responsabilidade social e sustentabilidade.
O assegurar de cuidados de saúde representa outra dessas vertentes. Importa garantir que o Sistema de Saúde, em qualquer forma da sua evolução, protege os mais pobres, sobretudo as pessoas idosas, as crianças e os doentes crónicos, garantindo que lhes são assegurados os cuidados de saúde de que necessitam, nomeadamente consultas e intervenções cirúrgicas em tempo útil.
O direito a uma habitação digna deve ser assegurado. Devem em particular ser garantidas condições de salubridade e de qualidade de água, tão associadas a problemas de saúde de quem vive em condições precárias.
Também a justiça deve ser acessível a todos. Realmente efetiva. É preciso ir mais longe na garantia de que mesmo os mais pobres podem aceder ao Direito e aos Tribunais.
O impacto social da reorganização de serviços de interesse público, sejam públicos ou privados, deve ser sempre cuidadosamente ponderado. Potenciais deslocalizações de serviços – públicos e privados – devem ser feitas sem que os mais necessitados vejam afetados os seus interesses, garantindo-se mecanismos de substituição para que não sejam prejudicados.
Em suma, temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal.
O Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza é um grupo de cidadãos que tem por objetivo defender a dignidade humana, apoiando e promovendo a dinamização das atividades da Rede no cumprimento da sua missão.
Os signatários do presente documento tinham organizado para o dia 12 de março um evento de dimensão internacional, com o patrocínio e participação do Senhor Presidente da República, para lançamento de um Manifesto Contra a Pobreza. Como todos terão na memória, nesse mesmo dia e face à pandemia do novo coronavírus (covid-19) que em crescendo vinha assolando o País, o Conselho de Ministros aprovou um primeiro conjunto de medidas extraordinárias e de caráter urgente de resposta à grave ameaça epidemiológica instalada. A cerimónia do lançamento do Manifesto foi naturalmente cancelada.
Passados três meses, e com o regresso dos portugueses a uma ‘nova normalidade’, em que de forma sentida o problema da pobreza se agudizou, entendeu-se ser premente voltar a levantar e a encarar este problema como uma prioridade crucial para o país, razão pela qual elaborámos esta Carta Aberta aos decisores políticos portugueses.
Tal como já então tínhamos programado, pedimos a todos os cidadãos que subscrevam online este documento, para que ele assuma a dimensão de que se reveste o problema da pobreza e da desigualdade, e nessa dimensão provoque um debate com consequências, nomeadamente na Assembleia da República, e conduza a uma estratégia nacional de prevenção e combate à pobreza.
Subscrevem:
Pe. Agostinho Jardim Moreira, Presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza/EAPN
Ana Flor, Conselho Social (CS) EAPN Funchal
António Monteiro, CS Lisboa
Carla Feliciano, CS Funchal
Carlos Maurício Barbosa, CS Porto
Carlos Silva, CS Funchal
Guilherme Figueiredo, CS Porto
Guilhermina Maria Rego, CS Porto
João Pedro Tavares, CS Lisboa
José Antunes Calçada, CS Lisboa
José Leite Pereira, CS Porto
Luísa Valle, CS Lisboa
Manuel Barros, CS Porto
Manuel Fontes de Carvalho, CS Porto
Manuel Sobrinho Simões, CS Porto
Maria Amélia Ferreira, CS Porto
Maria Joaquina Madeira, CS Lisboa
Maria José Morgado, CS Lisboa
Mariana Pinto da Cruz, CS Funchal
Miguel Pavão, CS Porto
Paula Guimarães, CS Lisboa
Pedro Barbas Homem, CS Lisboa
Ricardo Andrade Silva, CS Funchal
Sebastião Feyo de Azevedo, CS Porto
Os autores escrevem segundo o novo acordo ortográfico
Carta aberta dirigida aos poderes políticos pede estratégia para pobreza em Portugal
in o Observador
Os promotores querem "garantir uma política social solidária" com uma ação multidisciplinar junto de famílias pobres, combatendo os problemas estruturais, não se limitando a ação à mera distribuição.
Uma carta aberta dirigida aos poderes políticos sobre a pobreza em Portugal foi esta sexta-feira lançada com o objetivo de ser definida com urgência uma estratégia para combater este problema que se agravou com a pandemia de Covid-19.
Promovida pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, a carta aberta conta com o apoio de 22 personalidades e foi entregue na quinta-feira ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal”, sustenta a carta aberta, publicada hoje no jornal Público.
Os promotores da iniciativa consideram que é “urgente” fazer um caminho e propõem “dez áreas fundamentais” para “um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes”.
Fundo solidário Covid-19: veja se tem direito a esta ajuda
Entre as áreas propostas estão “o crescimento socioeconómico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos”, acesso ao ensino, apoios à infância e garantir que o sistema de saúde protege os mais pobres.
Na carta aberta é também “particularmente aconselhável” que seja repensado o modelo de atribuição do rendimento social de inserção e que seja promovida “eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional”, tendo em conta que população portuguesa está envelhecida.
Os promotores da iniciativa consideram que deve ser promovido o interior do país, uma vez que a pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades, e aconselham ao apoio das empresas que garantam o primeiro emprego aos jovens.
Direito a uma habitação digna e uma justiça acessível a todos são outras áreas abordadas na carta.
“A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do país que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade”, lê-se na missiva, frisando que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos e é atualmente “o principal problema do país”.
Os promotores querem "garantir uma política social solidária" com uma ação multidisciplinar junto de famílias pobres, combatendo os problemas estruturais, não se limitando a ação à mera distribuição.
Uma carta aberta dirigida aos poderes políticos sobre a pobreza em Portugal foi esta sexta-feira lançada com o objetivo de ser definida com urgência uma estratégia para combater este problema que se agravou com a pandemia de Covid-19.
Promovida pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, a carta aberta conta com o apoio de 22 personalidades e foi entregue na quinta-feira ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal”, sustenta a carta aberta, publicada hoje no jornal Público.
Os promotores da iniciativa consideram que é “urgente” fazer um caminho e propõem “dez áreas fundamentais” para “um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes”.
Fundo solidário Covid-19: veja se tem direito a esta ajuda
Entre as áreas propostas estão “o crescimento socioeconómico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos”, acesso ao ensino, apoios à infância e garantir que o sistema de saúde protege os mais pobres.
Na carta aberta é também “particularmente aconselhável” que seja repensado o modelo de atribuição do rendimento social de inserção e que seja promovida “eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional”, tendo em conta que população portuguesa está envelhecida.
Os promotores da iniciativa consideram que deve ser promovido o interior do país, uma vez que a pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades, e aconselham ao apoio das empresas que garantam o primeiro emprego aos jovens.
Direito a uma habitação digna e uma justiça acessível a todos são outras áreas abordadas na carta.
“A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do país que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade”, lê-se na missiva, frisando que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos e é atualmente “o principal problema do país”.
Carta aberta contra pobreza quer mobilizar país
Paula Henriques, in DNoticias
A iniciativa é do Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza, que quer uma estratégia nacional para o que diz ser o “o principal” problema de Portugal. A associação vai lançar também uma petição
A pandemia veio agravar o problema da pobreza no país. A EAPN pede uma estratégia concertada, indiferente às cores políticas. Foto Rui Oliveira/ Global Imagens
“A pobreza não mata apenas os pobres. A prazo ela matará também a democracia”, diz a carta aberta entregue ontem em mãos ao Presidente da República pelo padre Agostinho Jardim Moreira e por Sebastião Feyo de Azevedo, em representação do Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN), numa audiência no Palácio de Belém. A missiva, um alerta para o problema que a instituição..
A iniciativa é do Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza, que quer uma estratégia nacional para o que diz ser o “o principal” problema de Portugal. A associação vai lançar também uma petição
A pandemia veio agravar o problema da pobreza no país. A EAPN pede uma estratégia concertada, indiferente às cores políticas. Foto Rui Oliveira/ Global Imagens
“A pobreza não mata apenas os pobres. A prazo ela matará também a democracia”, diz a carta aberta entregue ontem em mãos ao Presidente da República pelo padre Agostinho Jardim Moreira e por Sebastião Feyo de Azevedo, em representação do Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN), numa audiência no Palácio de Belém. A missiva, um alerta para o problema que a instituição..
Rede Anti-Pobreza põe dois milhões de pobres no foco da política pública
Alexandra Figueira, in Jornal de Notícias
Os dois milhões de pobres de Portugal são "vítimas de um desrespeito pelos direitos humanos que nenhum Governo quis resolver".
Jardim Moreira, presidente em Portugal da Rede Europeia Anti-Pobreza, diz que "já chega de respostas pontuais e assistencialistas". Por isso, organizou uma carta aberta para recolher assinaturas e exigir ao Parlamento que crie "uma estratégia de combate à pobreza" e "obrigue o Governo a executá-la", de imediato.
A carta é tornada pública hoje, com o impulso de Marcelo Rebelo de Sousa, mas estava a ser preparada ainda antes da pandemia de covid e da crise económica que se avizinha. Neste cenário, "as desigualdades vão agravar-se ainda mais, mas Portugal tem uma pobreza estrutural há décadas".
Em 2008, também após uma iniciativa da Rede Europeia, o Parlamento aprovou por unanimidade uma resolução admitindo que "a pobreza conduz à violação dos direitos humanos". Nem assim, lamenta Jardim Moreira: "Os partidos estão mais interessados em defender posições ideológicas do que nos problemas reais das pessoas" e "nenhum Governo teve coragem para assumir uma política de justiça e dignidade humana".
Ninguém para trás
Na iminência de uma crise económica sem memória, o Governo está a preparar um plano para recuperar a economia financiado sobretudo pela União Europeia. "O dinheiro existe, não há falta de dinheiro, o que há é falta de justiça", atira Jardim Moreira.
"O Governo diz que ninguém pode ficar para trás. Nós dizemos: estes dois milhões de pessoas não podem continuar atrás!". A carta aberta quer, por isso, deixar os partidos políticos debaixo do olhar dos portugueses e mobilizar a consciência da sociedade civil. "É possível construir uma nova ordem social", acredita.
Desde que a política pública deixe de tomar medidas assistencialistas e se concentre no fundamental: a infância, a educação, a habitação e a saúde. "São precisas respostas estruturais. As cantinas sociais até são humilhantes".
A carta aberta tem subscritores como Sebastião Feyo, antigo reitor da Universidade do Porto, o investigador e professor Sobrinho Simões ou o ex bastonário dos Advogados, Guilherme Figueiredo. Ao JN, Sebastião Feyo recusou o caminho assistencialista que tem sido seguido por sucessivos governo e Sobrinho Simões, numa recente entrevista ao JN, indicou a pobreza como o maior problema de Portugal. Se as políticas se mantiverem, a crise que se aproxima só o aumentará.
Pormenores
Privação na infância - São mais do que os dois milhões de pessoas de que fala Jardim Gonçalves: em 2019, 21,6% dos portugueses estavam em situação de pobreza e exclusão social. A proporção era ainda maior nas crianças e jovens: 22,3%.
Trabalhadores pobres - Portugal é um dos países da Europa em que ter um trabalho não garante a saída da pobreza. Em 2018, um em cada dez trabalhadores não ganhava dinheiro suficiente para deixar de ser pobre.
Portugal desigual - O rendimento das pessoas mais ricas é 8,6 vezes superior ao de todas as restantes. Ou seja, os 10% mais ricos ganham 8,6 vezes mais do que a média dos outros 90%.
Os dois milhões de pobres de Portugal são "vítimas de um desrespeito pelos direitos humanos que nenhum Governo quis resolver".
Jardim Moreira, presidente em Portugal da Rede Europeia Anti-Pobreza, diz que "já chega de respostas pontuais e assistencialistas". Por isso, organizou uma carta aberta para recolher assinaturas e exigir ao Parlamento que crie "uma estratégia de combate à pobreza" e "obrigue o Governo a executá-la", de imediato.
A carta é tornada pública hoje, com o impulso de Marcelo Rebelo de Sousa, mas estava a ser preparada ainda antes da pandemia de covid e da crise económica que se avizinha. Neste cenário, "as desigualdades vão agravar-se ainda mais, mas Portugal tem uma pobreza estrutural há décadas".
Em 2008, também após uma iniciativa da Rede Europeia, o Parlamento aprovou por unanimidade uma resolução admitindo que "a pobreza conduz à violação dos direitos humanos". Nem assim, lamenta Jardim Moreira: "Os partidos estão mais interessados em defender posições ideológicas do que nos problemas reais das pessoas" e "nenhum Governo teve coragem para assumir uma política de justiça e dignidade humana".
Ninguém para trás
Na iminência de uma crise económica sem memória, o Governo está a preparar um plano para recuperar a economia financiado sobretudo pela União Europeia. "O dinheiro existe, não há falta de dinheiro, o que há é falta de justiça", atira Jardim Moreira.
"O Governo diz que ninguém pode ficar para trás. Nós dizemos: estes dois milhões de pessoas não podem continuar atrás!". A carta aberta quer, por isso, deixar os partidos políticos debaixo do olhar dos portugueses e mobilizar a consciência da sociedade civil. "É possível construir uma nova ordem social", acredita.
Desde que a política pública deixe de tomar medidas assistencialistas e se concentre no fundamental: a infância, a educação, a habitação e a saúde. "São precisas respostas estruturais. As cantinas sociais até são humilhantes".
A carta aberta tem subscritores como Sebastião Feyo, antigo reitor da Universidade do Porto, o investigador e professor Sobrinho Simões ou o ex bastonário dos Advogados, Guilherme Figueiredo. Ao JN, Sebastião Feyo recusou o caminho assistencialista que tem sido seguido por sucessivos governo e Sobrinho Simões, numa recente entrevista ao JN, indicou a pobreza como o maior problema de Portugal. Se as políticas se mantiverem, a crise que se aproxima só o aumentará.
Pormenores
Privação na infância - São mais do que os dois milhões de pessoas de que fala Jardim Gonçalves: em 2019, 21,6% dos portugueses estavam em situação de pobreza e exclusão social. A proporção era ainda maior nas crianças e jovens: 22,3%.
Trabalhadores pobres - Portugal é um dos países da Europa em que ter um trabalho não garante a saída da pobreza. Em 2018, um em cada dez trabalhadores não ganhava dinheiro suficiente para deixar de ser pobre.
Portugal desigual - O rendimento das pessoas mais ricas é 8,6 vezes superior ao de todas as restantes. Ou seja, os 10% mais ricos ganham 8,6 vezes mais do que a média dos outros 90%.
Carta aberta pede estratégia para pobreza em Portugal
Por Notícias ao Minuto
Uma carta aberta dirigida aos poderes políticos sobre a pobreza em Portugal foi hoje lançada com o objetivo de ser definida com urgência uma estratégia para combater este problema que se agravou com a pandemia de covid-19.
Promovida pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, a carta aberta conta com o apoio de 22 personalidades e foi entregue na quinta-feira ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
"Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal", sustenta a carta aberta, publicada hoje no jornal Público.
Os promotores da iniciativa consideram que é "urgente" fazer um caminho e propõem "dez áreas fundamentais" para "um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes".
Entre as áreas propostas estão "o crescimento socioeconómico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos", acesso ao ensino, apoios à infância e garantir que o sistema de saúde protege os mais pobres.
Na carta aberta é também "particularmente aconselhável" que seja repensado o modelo de atribuição do rendimento social de inserção e que seja promovida "eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional", tendo em conta que população portuguesa está envelhecida.
Os promotores da iniciativa consideram que deve ser promovido o interior do país, uma vez que a pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades, e aconselham ao apoio das empresas que garantam o primeiro emprego aos jovens.
Direito a uma habitação digna e uma justiça acessível a todos são outras áreas abordadas na carta.
"A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do país que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade", lê-se na missiva, frisando que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos e é atualmente "o principal problema do país".
Uma carta aberta dirigida aos poderes políticos sobre a pobreza em Portugal foi hoje lançada com o objetivo de ser definida com urgência uma estratégia para combater este problema que se agravou com a pandemia de covid-19.
Promovida pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, a carta aberta conta com o apoio de 22 personalidades e foi entregue na quinta-feira ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
"Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal", sustenta a carta aberta, publicada hoje no jornal Público.
Os promotores da iniciativa consideram que é "urgente" fazer um caminho e propõem "dez áreas fundamentais" para "um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes".
Entre as áreas propostas estão "o crescimento socioeconómico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos", acesso ao ensino, apoios à infância e garantir que o sistema de saúde protege os mais pobres.
Na carta aberta é também "particularmente aconselhável" que seja repensado o modelo de atribuição do rendimento social de inserção e que seja promovida "eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional", tendo em conta que população portuguesa está envelhecida.
Os promotores da iniciativa consideram que deve ser promovido o interior do país, uma vez que a pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades, e aconselham ao apoio das empresas que garantam o primeiro emprego aos jovens.
Direito a uma habitação digna e uma justiça acessível a todos são outras áreas abordadas na carta.
"A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do país que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade", lê-se na missiva, frisando que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos e é atualmente "o principal problema do país".
Carta aberta dirigida aos poderes políticos pede estratégia para a pobreza em Portugal
in SicNotícias
Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal avança com propostas em "dez áreas fundamentais".
Uma carta aberta dirigida aos poderes políticos sobre a pobreza em Portugal foi hoje lançada com o objetivo de ser definida com urgência uma estratégia para combater este problema que se agravou com a pandemia de Covid-19.
Promovida pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, a carta aberta conta com o apoio de 22 personalidades e foi entregue na quinta-feira ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
"Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal", sustenta a carta aberta, publicada hoje no jornal Público.
São propostas "dez áreas fundamentais" de atuação
Os promotores da iniciativa consideram que é "urgente" fazer um caminho e propõem "dez áreas fundamentais" para "um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes".
Entre as áreas propostas estão "o crescimento socioeconómico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos", acesso ao ensino, apoios à infância e garantir que o sistema de saúde protege os mais pobres.
Na carta aberta é também "particularmente aconselhável" que seja repensado o modelo de atribuição do rendimento social de inserção e que seja promovida "eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional", tendo em conta que a população portuguesa está envelhecida.
Os promotores da iniciativa consideram que deve ser promovido o interior do país, uma vez que a pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades, e aconselham ao apoio das empresas que garantam o primeiro emprego aos jovens.
Direito a uma habitação digna e uma justiça acessível a todos são outras áreas abordadas na carta.
"A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do país que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade", lê-se na missiva, frisando que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos e é atualmente "o principal problema do país".
Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal avança com propostas em "dez áreas fundamentais".
Uma carta aberta dirigida aos poderes políticos sobre a pobreza em Portugal foi hoje lançada com o objetivo de ser definida com urgência uma estratégia para combater este problema que se agravou com a pandemia de Covid-19.
Promovida pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, a carta aberta conta com o apoio de 22 personalidades e foi entregue na quinta-feira ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
"Temos de garantir uma política social solidária com uma ação multidisciplinar e integrada junto das famílias pobres, combatendo os problemas estruturais que estão na origem da pobreza, não se limitando essa ação à mera distribuição de recursos, muitas vezes parcos e mesmo assim sujeitos a um racionamento frequentemente questionável. Mas este combate não pode ser apenas travado pelos órgãos do Estado. É um combate nosso, de todo o Portugal", sustenta a carta aberta, publicada hoje no jornal Público.
São propostas "dez áreas fundamentais" de atuação
Os promotores da iniciativa consideram que é "urgente" fazer um caminho e propõem "dez áreas fundamentais" para "um maior bem-estar da população que vive enredada na miséria em que nasceu ou para que foi atirada e em apoios inconsequentes e insuficientes".
Entre as áreas propostas estão "o crescimento socioeconómico vocacionado para o desenvolvimento e bem-estar de todos os cidadãos", acesso ao ensino, apoios à infância e garantir que o sistema de saúde protege os mais pobres.
Na carta aberta é também "particularmente aconselhável" que seja repensado o modelo de atribuição do rendimento social de inserção e que seja promovida "eficazmente medidas que conduzam a um melhor equilíbrio geracional", tendo em conta que a população portuguesa está envelhecida.
Os promotores da iniciativa consideram que deve ser promovido o interior do país, uma vez que a pobreza concentra-se sobretudo nas grandes cidades, e aconselham ao apoio das empresas que garantam o primeiro emprego aos jovens.
Direito a uma habitação digna e uma justiça acessível a todos são outras áreas abordadas na carta.
"A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do país que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade", lê-se na missiva, frisando que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos e é atualmente "o principal problema do país".
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