Mostrar mensagens com a etiqueta Economia mundial. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Economia mundial. Mostrar todas as mensagens

19.7.16

FMI deverá cortar previsão de crescimento da economia mundial

Sara Antunes, in Negócios on-line

O Fundo Monetário Internacional (FMI) vai apresentar esta terça-feira as novas previsões para a economia mundial. A perspectiva é de que seja anunciado um novo corte das estimativas.

O FMI vai publicar a actualização do "Economic Outlook", através da qual deverá rever em baixa as suas estimativas para a economia mundial. O Guardian revela que a organização liderada por Christine Lagarde deverá colocar a previsão de crescimento da economia mundial em 3,5% em 2017, o que compara com os 3,6% previstos em Janeiro.

A maioria dos economistas prevê mesmo um abrandamento do crescimento económico face às anteriores previsões.

Os economistas consultados pela agência de informação americana apontam para que a Zona Euro cresça 1,5% este ano e 1,2% em 2017. Estes números comparam com a previsão de crescimento do produto interno bruto (PIB) da Zona Euro de 1,7% nos dois anos avançada pelo FMI em Janeiro.

Um dos países que deverá registar um corte acentuado é o Reino Unido. Os economistas consultados pela Bloomberg apontam para um aumento de 1,8% este ano e de 2,1% no próximo ano. A última previsão do FMI apontava para um crescimento de 2,2% nos dois anos.

Para Portugal não haverá novidades, até porque as previsões do FMI para o nosso país foram revistas no final de Junho e só será conhecidas novas estimativas para as maiores economias. O FMI antecipa um crescimento da economia portuguesa de apenas 1% este ano e 1,1% em 2017, e um défice público nos 3% do PIB nos dois anos.

18.2.16

OCDE pede mais investimento para impulsionar a economia mundial

Pedro Crisóstomo, in Público on-line

Organização está preocupada com a instabilidade financeira e o abrandamento da economia global. Pede “resposta urgente” e vê espaço para políticas mais expansionistas.

Perante o arrefecimento das principais economias mundiais, a desaceleração dos EUA, da zona euro, das economias emergentes e os “riscos substanciais” de instabilidade financeira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) veio nesta quinta-feira deixar um aviso aos líderes políticos mundiais, para que se aumente o investimento público, de forma a acelerar a procura global e impulsionar o crescimento. Há espaço para políticas orçamentais mais expansionistas, mas sem pôr em causa a sustentabilidade das finanças públicas, diz a instituição liderada por Angel Gurría.

As fracas perspectivas económicas mundiais exigem uma resposta “urgente”, considera a OCDE, que não esconde o pessimismo em relação ao andamento da economia mundial. A instituições reviu em baixa as previsões de crescimento dos EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá, Brasil e do conjunto da zona euro face ao que estava a projectar ainda em Novembro.

A OCDE está agora a contar que a economia mundial cresça este ano o mesmo que progrediu no ano passado: um ritmo de 3%, quando há três meses estava a projectar um crescimento de 3,3% para 2016. E se em Novembro previa um crescimento de 3,6% para 2017, agora também está menos optimista em relação ao próximo ano, colocando essa previsão nos 3,3%.

Os problemas que, na leitura da OCDE, estão a condicionar a economia global – e que levam a instituição a pedir uma resposta política “urgente” nesta altura crítica – têm a ver com a conjugação de diferentes factores ao mesmo tempo: o comércio e o investimento estão a um nível “fraco”; o ritmo de crescimento mundial deverá manter-se ao nível do ano passado, em que “atingiu o nível mais baixo em cinco anos”; a lenta procura mundial mantém a inflação a um valor baixo e está a levar a uma “progressão inadequada dos salários e do emprego”. E para juntar a estas dificuldades, há riscos de instabilidade financeira, que ficaram visíveis nas últimas semanas nos mercados financeiros.

Por isso, sustenta a economista-chefe da OCDE, Catherine L. Mann, “é preciso uma resposta mais forte ao nível da política orçamental, combinada com um relançamento de reformas estruturais, para suportar o crescimento e proporcionar um ambiente mais favorável a inovações e mudanças que resultem em ganhos de produtividade, em particular na Europa”.

“Na medida em que as administrações públicas de vários países podem conseguir financiamento de longo prazo a taxas de juro muito baixas, há espaço para políticas orçamentais expansionistas destinadas a aumentar a procura, de uma forma compatível com a sustentabilidade das finanças públicas”, defende a economista-chefe da OCDE, num comunicado da organização.

A atenção deve estar em políticas com resultados positivos no curto prazo, mas que também contribuam para o crescimento de longo prazo. O “compromisso para aumentar o investimento público reforçaria a procura e contribuiria para suportar o crescimento no futuro”, defende Catherine L. Mann.

Os Estados Unidos deverão crescer este ano 2% e a zona euro apenas 1,4%, com a Alemanha a avançar 1,3%, França 1,2% e Itália 1%. Para a economia britânica a projecção é de 2,1%, para o Canadá foi revista para 1,4% e a do Japão baixou para 0,8%.

No grupo das grandes economias emergentes asiáticas, a OCDE manteve a previsão de crescimento para a China face à projecção conhecida em Novembro (6,5%, que já era um abrandamento em relação ao crescimento do ano passado) e melhorou em uma décima a previsão para a Índia (para 7,4%).

Quanto ao Brasil, a OCDE está mais pessimista do que há três meses, contando com um agravamento da recessão no país, com o PIB a cair 4% (depois de já ter recuado 3,8% no ano passado). A previsão foi revista fortemente em baixa – em Novembro a organização estava a prever que a economia brasileira caísse 1,2% em 2015.

3.2.14

Países emergentes ameaçam crescimento da economia mundial

Por Margarida Bon de Sousa, in iOnline

Arrefecimento da China e quebra do preço das matérias primas podem provocar nova tempestade alargada

É possível que muito em breve a economia mundial volte a ser assolada por uma nova tempestade, desta vez por via dos países emergentes. O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que estas economias, em particular as da América Latina, podem trazer uma nova incógnita ao crescimento mundial. Ainda não se fala abertamente em crise mas os alertas multiplicam-se, em particular aos investidores no sentido de se protegerem a tempo de modo a não se tornarem vulneráveis à nova onda de incerteza.

Alejandro Werner, director do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI defende que a volatilidade será um dos factores mais relevantes na América Latina nos próximos 12 meses. O ano começou com tensões e situações surpreendentes e o panorama continua duvidoso. O crescimento de toda a região deverá ser menor, comparativamente com as tendências recentes.

As previsões de crescimento do FMI para a América Latina são de 3% para 2014, contra os 2,6% do ano passado. A razão, que já levou a uma redução de uma décima relativamente às previsões de Outubro, prende-se com a performance do México. Para 2015, o crescimento do PIB mexicano deverá ser de 3,3%, duas décimas a menos do que o inicialmente estimado. "Se bem que o crescimento aumente", defendeu o responsável do FMI, "haverá mais turbulências que podem afectar estas previsões. O rendimento é inferior à média global, que passou de 3,7% para 3,9%, e a economia deste país deverá crescer cerca de metade quando comparada com as restantes economias emergentes". O FMI considera que estas últimas deverão crescer 5,1% em 2014 e 5,4% em 2015.

Menos estímulos dos EUA O primeiro impacto importante no crescimento destes países prende-se com a redução dos estímulos à economia norte-americana, num contexto da normalização da política monetária naquele país. À medida que a Reserva Federal norte-americana (FED) deixa de injectar tantos dólares, a divisa norte-americana torna-se mais atractiva para os investidores, o que leva à saída de capital das economias emergentes, principalmente se estas não respondem com subidas agressivas das taxas de juro.

Mas o factor mais preocupante é a descida dos preços das matérias-primas. O FMI está muito atento a este último ponto, agravado pelo facto de não ser evidente como vai ser a evolução da economia chinesa durante os próximos dois anos, a braços com uma quebra nas exportações que poderá prolongar-se em 2015. Isto porque qualquer oscilação no crescimento do país terá reflexos no preço das matérias primas mundiais, o que também joga contra alguns destes países produtores. "As perspectivas de crescimento da China são particularmente importantes para os países exportadores da América Latina", disse Werner.

Para o Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai, os grandes exportadores de commodities, as perspectivas dependem, em grande parte, das condições domésticas. A situação é muito menos favorável para a Argentina e para a Venezuela onde as pressões sobre a inflação, a balança de pagamentos e os mercados cambiais afectam negativamente a confiança dos investidores.

A procura mundial em matérias primas será pois determinante para a evolução dos emergentes latino-americanos. Outro risco tem a ver com o financiamento das dívidas externas, uma vez que as condições nos mercados financeiros mundiais serão mais restritivas.

Cada uma das mudanças neste puzzle de factores pode gerar mais volatilidade. O FMI insiste que a prioridade passa por reformas estruturais que consigam atenuar os riscos das condicionantes externas.

Para já, os maiores impactos fizeram--se sentir na Argentina e na Turquia, onde as respectivas moedas registaram quebras acentuadas, criando o risco dos investidores estrangeiros, dos consumidores e das empresas perderem ainda mais a confiança nestas duas economias. Nos restantes mercados emergentes, os sinais também não são positivos, com fortes quedas nas bolsas.

Boas notícias A diferença mais palpável relativamente ao que aconteceu em 1997 prende-se com o facto de, actualmente, haver países mais bem preparados do que outros para responder às mudanças da conjuntura externa. A consultora Capital Economics defendeu recentemente num estudo que, contrariamente ao final da década de 90, a situação dos países emergentes está longe de ser homogénea, pelo que o efeito de contágio é, desta vez, menos provável.

O estudo classifica as diversas economias em grupos separados, cada um deles com um nível de risco diferente. No grupo de maior perigo estão a Argentina, a Ucrânia e a Venezuela, os três em que as políticas económicas e a instabilidade política mais assusta os investidores.

Num segundo grupo estão sobretudo países como a África do Sul, Turquia, alguns Estados do Sudoeste Asiático e países da América Latina, como o Peru e o Chile, que acumularam desequilíbrios acentuados nas suas economias nos últimos anos e que agora podem sentir maiores dificuldades. Finalmente, um terceiro grupo integra países do Leste europeu como a Hungria e a Roménia, que continuam a ter um sector financeiro debilitado em consequência da crise recente que afectou a Europa e os Estados Unidos.

19.11.13

Economia mundial cresce menos do que o previsto e não passa os 2,7%

in Jornal de Notícias

A OCDE reviu em baixa as previsões para a economia mundial e espera agora um crescimento de 2,7% este ano e de 3,6% em 2014, alertando que a recuperação "continua modesta e desigual".

"A recuperação global continua modesta e desigual, com divergências persistentes na atividade [económica] tanto entre como dentro das economias avançadas e emergentes", de acordo com o 'Economic Outlook', divulgado, esta terça-feira, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE),

A revisão em baixa em 0,4 pontos face às previsões de maio (a OCDE antecipava um crescimento de 3,1% em 2013 e de 4% em 2014) deve-se sobretudo ao abrandamento do crescimento nas grandes economias emergentes, mas também às fragilidades do setor bancário da zona euro, à situação orçamental do Japão e às dificuldades políticas nos Estados Unidos quanto ao limite da dívida pública.

Assumindo que estes riscos negativos não se materializam, a OCDE considera que a atividade económica mundial e o comércio global vão retomar gradualmente ao longo de 2014 e de 2015.

No entanto, alertam os técnicos da OCDE, "é provável que o ritmo da recuperação permaneça modesto", com a taxa de desemprego a cair apenas 0,5 pontos percentuais em dois anos, para os 7,4% no final de 2015.

A OCDE defende que os países devem "apoiar a procura, ter em conta os riscos negativos consideráveis e corrigir os desequilíbrios passados", considerando que a política monetária terá de continuar a fixar taxas de juro baixas na maioria dos países da Organização nos próximos dois anos.

"No entanto, em algumas economias, vão ser precisas decisões sobre o tempo e a velocidade a que os estímulos monetários serão reduzidos", lê-se no documento que, considerando que os riscos negativos não se concretizam, recomenda que os Estados Unidos devem aumentar gradualmente as taxas de juro no início de 2015 e que o Reino Unido deverá fazer o mesmo mais tarde nesse ano.

Para a zona euro, a recomendação da OCDE é que, "nos próximos dois anos, a política monetária deve permanecer inalterada".

Em novembro, o Banco Central Europeu (BCE) baixou a taxa de juro de referência para os 0,25%. A taxa já estava em mínimos históricos de 0,5%, desde maio.

5.8.13

Novo mundo. O que podemos esperar da economia mundial

Por Duarte Garrido, in iOnline




Fim do milagre chinês? Recuperação europeia? Abrandamento global? Afinal em que ponto estamos?




O mundo está a mudar. Os conquistadores do passado são os PIGS do presente. Os BRIC de hoje serão os PIGS de amanhã. Este ano, pela primeira vez em duas décadas, vai assistir-se a uma estagnação de países cujo crescimento tem aumentado a um ritmo de um ponto percentual por ano.

Há não muito tempo, as grandes economias emergentes foram compactadas num só acrónimo - BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) - e foi-lhes prometido um lugar ao lado dos gigantes económicos que por essa altura lideravam o mundo.

O século xxi trouxe consigo o milagre do crescimento de uma China rendida ao capitalismo. Mão-de-obra extremamente barata e baixos custos de produção foram responsáveis por um crescimento do PIB chinês de 10,5% por ano entre 1993 e 2007.

A seguir veio a omnipotência do Brasil no Mercosul, a que se juntou a indústria de serviços e energia na Índia e a recuperação russa no pós-Guerra Fria. Unidos pelo crescimento, os BRIC careciam de um líder. Enquanto os países do G7 olham para Washington à espera de uma decisão, os BRIC permanecem na sua, separados, e hoje menos fortes.

Apesar de estas economias se terem afastado da crise do Ocidente, as características que as unem não são as melhores. Os BRIC têm em comum regimes políticos débeis, grandes assimetrias sociais, altos índices de corrupção, e sobretudo uma elevada dependência do estrangeiro. Mas foram crescendo. A sua percentagem no PIB mundial passou de cerca de 25% nos anos 90 para 50% este ano. Em 2001, as economias deste grupo de países eram as únicas fora da OCDE com valores do PIB a rondarem os biliões de dólares - a par dos EUA. Os BRIC transformaram o mercado mundial, fazendo disparar os preços das matérias-primas e baixando o custo do trabalho para valores desumanos.

PIGS Entretanto, na Europa, outro acrónimo nasceu, fruto de situações menos felizes. Os países do Sul da Europa entraram em recessão. Aumentaram as suas dívidas para valores insustentáveis, perderam o controlo sobre a sua própria economia e foram chamados PIGS. O acrónimo é a palavra "porcos" em inglês e serve para descrever as economias mais débeis da zona euro - Portugal, Itália, Grécia e Espanha. Em Julho de 2012, Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), prometeu fazer "o que for preciso" para salvar os países periféricos. Hoje, um ano depois, os PIGS parecem ver uma luz ao fundo do túnel. Se ela existe, ou se é apenas uma miragem, ainda é cedo para saber.

O Peterson Institute diz que países como a Alemanha e a Áustria se manterão estáveis, e os PIGS pouco mais podem fazer que seguir as indicações da troika e tentar evitar uma crise política. Mas as opiniões são convergentes: anuncia-se o fim da era dos BRIC, uma recuperação europeia e o aparecimento de novos candidatos ao pódio emergente.

Entre os novos candidatos, as opiniões dividem-se entre os PC16 (16 pós-China), e os N11 (Novos 11). Comuns aos dois, há países como o México e o Vietname, que ameaçam ocupar o lugar que a China há duas décadas reclamou como seu. Se as coisas serão exactamente assim, só o futuro o dirá.

riscos novos e velhos No início de Julho, o FMI (Fundo Monetário Internacional) publicou o "World Economic Outlook", um estudo acerca do estado da economia mundial, especificando países, problemas e possíveis soluções.

De acordo com o documento, o PIB mundial vai crescer pouco mais de 3% em 2013, menos do que era previsto em Abril deste ano. O FMI aponta duas razões principais para esta diminuição do crescimento - riscos novos e velhos.

Os velhos já se conhecem: a Europa está em recessão e a procura interna está a diminuir. Os novos prendem-se sobretudo com as economias emergentes: os BRIC estão a desacelerar para níveis preocupantes, as tensões políticas nas economias emergentes estão a afastar investidores e os juros cobrados para compra de dívida soberana no mercado secundário não param de aumentar.

Acrescentem-se a estes dois problemas a maior contracção orçamental americana e a estagnação da economia africana. Ou seja, o mundo está progressivamente a crescer menos.



OS BRIC

Brasil. Reformas políticas, precisa-se!
Avizinham-se problemas para a capital do samba. O crescimento do PIB tem sido fraco nos últimos dois anos, passando dos 7,5% registados em 2010 para valores a rondar 1% nos últimos dois anos. O próximo ano não será melhor. A inflação está alta e diz-se que o país terá já atingido o seu potencial de crescimento máximo para as infra-estruturas existentes. Os tumultos sociais recentes são reflexo de um Brasil que cresceu para o lado errado.

Índia. A capital do outsourcing perdeu mercado
Há seis anos era considerada a próxima China. Escapou ao seu triste destino ultrapopu-loso com estratégias de outsourcing e baixo custo dos serviços. Previa-se um crescimento do PIB entre os 8% e os 10% a partir de 2010. A realidade puxou esse valor para perto dos 6% e este ano não deverá ultrapassar os 5%. Os investidores fogem das suspeitas de corrupção e regulações draconianas que têm de ser resolvidas pelo governo indiano.

Rússia. Uma democracia autoritária
Podia dizer-se que o maior problema da Rússia é o seu governo semi-autoritário, no qual Putin favorece empresas que lhe são “queridas” e afugenta investidores mais sérios. Mas os problemas da Rússia não são só políticos. O crescimento do PIB diminuiu para perto dos 2% nos últimos dois anos, enquanto a inflação e o desemprego aumentam e o investimento e a procura externa tendem a desaparecer. Tudo tem que mudar na Rússia, inclusive Putin.

China. A noite escura do Sol nascente
Demasiado investimento e pouco consumo – o resultado não podia ser bom. A China cresceu mais do que podia e está a braços com um modelo falhado, enquanto surgem acusações de manipulação dos números oficiais. Os investidores afastam-se de um país que se está a tornar cada vez mais hostil para as empresas estrangeiras. Um crescimento do PIB abaixo dos 8% pode não parecer grave, mas no caso da China, pode ser um prelúdio de morte.

OS PIGS

Portugal. O bom aluno está na escola errada
As crises políticas, as reformas adiadas e, mais recentemente, as polémicas têm vindo a minar a confiança dos portugueses nos partidos. A verdade é que Portugal se sujeitou às regras impostas pela troika, fazendo o que devia e o que não devia. Os sinais de recuperação começam a chegar à energia, às PME, esperando-se um regresso ao crescimento económico e aos mercados. O país aguarda agora a oitava e a nona avaliações da troika e o corte dos 4,7 mil milhões.

Espanha. Empregos, precisa-se!
Espanha junta-se a Itália nos campeões do crescimento negativo da zona euro nos próximos anos. A competitividade e as exportações têm vindo a aumentar, tentado amenizar o efeito de uma taxa de desemprego que ronda 26,8%. São mais de seis milhões de desempregos, maioritariamen-te jovens. O facto de a dívida pública ter diminuído para 84% do PIB e as medidas para baixar o défice fiscal em 0,8% podem explicar o crescimento negativo.

Grécia. Na base da cadeia alimentar
Apesar de os elogios feitos pelo FMI às reformas do défice e à política orçamental gregas, a quarta avaliação da troika ao programa grego descobriu que os países da zona euro têm de perdoar uma dívida no valor de 7,4 mil milhões de euros para que a Grécia se volte a levantar. Perante um “não” taxativo da chanceler Angela Merkel ou de qualquer outro partido alemão, afiguram-se tempos difíceis para o país. A dívida grega está actualmente avaliada em 156% do PIB.

Itália. Muito melhor, mas muito mal
Foram feitas reformas necessárias para restaurar a confiança nos mercados. No entanto, as perspectivas de crescimento assumem valores negativos, os bancos pararam de conceder empréstimos, o desemprego está alto e a Itália está gradualmente a ganhar um lugar junto dos seus parceiros do Sul. Este ano, o crescimento vai ser de -1,8%, com esperanças de que 2014 traga uma ligeira recuperação. Os tumultos políticos não ajudam à imagem externa do governo italiano.

2.1.13

Nobel diz que Europa é principal risco em 2013 para economia mundial

in Jornal de Notícias

A Europa, e nomeadamente a Espanha e a Grécia, constitui o principal risco para a economia mundial em 2013, disse o Prémio Nobel de economia norte-americano Joseph Stiglitz numa declaração publicada hoje no diário alemão Handelsblatt.

"O verdadeiro risco para a economia mundial está na Europa", defendeu Joseph Stiglitz, apontando o dedo às dificuldades económicas sentidas nomeadamente em Espanha e na Grécia.

Esses países "encontram-se numa depressão da qual não vemos nenhum sinal de melhoria", explicou.

O economista norte-americano rejeitou a ideia de que um pacto orçamental possa ser uma forma de sair da crise que afeta a zona euro há vários meses, referindo que "isso não é solução" e alegou que a compra de dívida pública dos Estados pelo Banco Central Europeu não passa "de um paliativo temporário".

"Se o BCE fizer da manutenção das políticas de austeridade uma condição para continuar a financiar os Estados, o resultado será apenas piorar a saúde do doente", disse, admitindo que em 2013 poderá registar-se nova turbulência na zona euro.