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12.3.15

Ciganos do Alentejo numa exposição em Nova Iorque

in o Observador

O artista francês Pierre Gonord fotografou os últimos ciganos nómadas do Alentejo e os respetivos animais ao estilo de retratos pictóricos do barroco. A exposição está agora em Nova Iorque.

Já não é a primeira vez que Pierre Gonnord, fotógrafo francês com residência em Madrid, se dedica a fotografar comunidades marginalizadas de forma quase pictórica, a fazer lembrar retratos em tela do século XVII ou XVIII. Fê-lo em vilas isoladas de França e Espanha, na América do Sul, com membros da yakuza, no Japão, com jovens sem-abrigo, cegos, agricultores ou mineiros um pouco por toda a Europa.

Para este trabalho, contudo, Gonnard veio até território nacional. Inserido numa residência no âmbito da Trienal no Alentejo, com quem colabora em vários projetos, o artista explorou a fronteira raiana junto a Portalegre e encontrou nos ciganos nómadas do Alentejo as personagens perfeitas para The Dream Goes Over Time (originalmente intitulado Au-Delà du Tage).
Um visitante observa atentamente a obra "Maria, João e Isaac".

Um visitante observa atentamente a obra “Maria, João e Isaac” / DR

Mais uma vez, e à imagem do seu trabalho anterior, Gonnard assina uma coleção de retratos íntimos com um estilo pictórico muito acentuado, não só dos membros da comunidade da região mas também dos respetivos animais. O fotógrafo deparou-se com a família, pela primeira vez, quando estes se deslocavam a bordo de uma carroça a caminho do seu acampamento. Viajou e conviveu com eles durante semanas até ganhar confiança e afeto suficientes para os poder fotografar, sendo que muitos deles nunca sequer tinham visto uma câmara até aí.

Depois de já ter sido mostrado em 2013, em Évora, no âmbito da Trienal e em 2014 no Centro Andaluz de Fotografia, o trabalho atravessa o Atlântico e chega agora a Nova Iorque: está patente na galeria Hasted Kraeutler até 25 de abril.

Fotografias de ciganos do Alentejo expostas em Nova Iorque

in Diário de Notícias

Fotógrafo francês Pierre Gonnord mostra em Nova Iorque retratos da comunidade cigana do Alentejo e da Extremadura.

O fotógrafo francês Pierre Gonnord, nascido em 1963, vive em Madrid desde 1988 e há mais de uma década que se dedica a retratar a vida daquelas comunidades que estão nas margens da sociedade - sejam tribos remotas ou povoações isoladas, grupos de jovens punks, mineiros que passam a maior parte do tempo no subsolo ou ciganos.

Na galeria Hasted Kraeutler, em Nova Iorque, até 25 de abril, Pierre Gonnord mostra neste momento The Dream Goes Over The Time, título inspirado na poesia de Federico García Lorca. As imagens que compõem esta exposição foram captadas entre o Alentejo e a Extremadura espanhola, onde acompanhou algumas comunidades ciganas, que levam uma vida nómada em grande proximidade com a natureza. Mas em vez de uma abordagem documental, Gonnord opta quase sempre por fazer retratos em que, quase sempre, os sujeitos encaram a câmara. O resultado aproxima-se propositadamente das pinturas.

Algumas destas fotografias que agora estão em Nova Iorque, e que resultam da residência realizada na região a convite de André de Quiroga, comissário da Trienal no Alentejo, estiveram expostas na Igreja do Salvador, em Évora, no verão de 2013, sob o título Au-Déla du Tage.

Antes disso, em 2012, o artista já tinha integrado a mostra coletiva Políptico, no espaço Bes Arte & Finança, em Lisboa, que apresentava reinterpretações dos Painéis de São Vicente.