Pedro Crisóstomo, in Público
Número de pessoas que deixaram vencer pagamento do crédito baixou pelo segundo trimestre consecutivo. Redução dos juros ajuda a “níveis de incumprimento contidos”.
O número de famílias que deixaram vencer o pagamento do empréstimo à habitação baixou pelo segundo trimestre consecutivo, depois de em Março ter atingido um pico máximo em seis anos. No final do terceiro trimestre, em Setembro, havia 149 mil famílias em incumprimento do crédito da casa, menos 2674 casos do que no final do trimestre anterior.
Das 2.292.924 famílias com empréstimos à habitação concedidos pela banca, 6,5% estão com o crédito vencido, mostram os dados actualizados nesta terça-feira pelo Banco de Portugal (BdP). Tal como o número absoluto de famílias em incumprimento, este rácio desceu pelo segundo trimestre consecutivo (no final de Junho estava nos 6,6%), mas continua no mesmo nível de há um ano atrás.
O número de famílias que deixaram de pagar a casa ao banco atingiu no final de Março os 154 mil, o valor mais alto desde o terceiro trimestre de 2009. Apesar de o valor ter baixado no final de Junho para 151,7 mil e, no trimestre terminado em Setembro, para 149 mil, há mais famílias em incumprimento do que quando se iniciou o ano.
Se o número de casos diminuiu ao longo do período compreendido entre Março e Setembro, o mesmo não aconteceu em relação à percentagem de empréstimos vencidos. Dos 104.388 milhões de euros registados no balanço dos bancos como empréstimos à habitação, 2,9% dizem respeito a situações em que os clientes não cumpriram ou não conseguiram cumprir os prazos de pagamento. Esta percentagem é igual ao valor registado no final do segundo trimestre, altura em que o rácio de crédito vencido tinha aumentado depois de um período em que se manteve nos 2,8% durante três trimestres.
Uma análise recente do gabinete de planeamento do Ministério das Finanças, assinada por Clara Synek, referia o aumento do peso dos empréstimos de cobrança duvidosa no segmento dos créditos à habitação, mas sublinhava os “níveis de incumprimento contidos”. Para isso, explica a economista, “tem contribuído o nível relativamente baixo das taxas de juro, que por sua vez tem permitido a redução da prestação mensal média nos contratos deste segmento”. No conjunto dos contratos, o valor médio da prestação vencida “fixou-se em 241 euros no conjunto dos nove primeiros meses de 2015, menos 52 euros face ao valor médio de 2009 (293 euros)”.
Quando se olha para todos os empréstimos às famílias – não apenas para os que se destinam à habitação, mas também para o crédito ao consumo e outros fins –, o rácio de crédito é mais alto, de 5,1%. O valor estabilizou face ao segundo trimestre, depois de uma trajectória ascendente. De 128.136 mil milhões de euros concedidos pelos bancos aos particulares, 6534 milhões correspondem a empréstimos vencidos.
Prioridade à casa
No caso do crédito ao consumo (23.748 milhões de euros), o rácio do crédito em incumprimento chega aos 14,8%. O valor fica uma décima abaixo da percentagem registada no final do segundo trimestre, em que este indicador, depois de sucessivos aumentos, atingiu um recorde histórico desde que há dados compilados pelo supervisor bancário (2009).
Aliás, os dados do banco central indiciam ao longo dos últimos anos que as famílias deixam, primeiro, de pagar os créditos ao consumo e outros fins, onde a percentagem de incumprimento são tradicionalmente mais altas.
A percentagem de famílias com crédito vencido no segmento ao consumo (onde se incluem, por exemplo, contratos para a compra de automóveis e electrodomésticos) é de 16,2% num universo de 3,5 milhões a quem foram concedidos empréstimos com este fim.
A análise do gabinete de estudos do Ministério das Finanças lembrava que o processo de desalavancagem do sector privado – de redução do endividamento – está em curso na maioria dos países europeus “mas o ajustamento feito está longe de estar terminado”. Em Portugal, “a desalavancagem do sector privado operada nos últimos anos deu-se sobretudo ao nível das famílias”. Começou “de forma gradual a partir de finais de 2009, situando-se no final do primeiro semestre de 2015 em 83% do PIB, o mais baixo desde finais de 2007, correspondendo a uma quebra de 13 pontos percentuais face ao máximo registado no terceiro trimestre de 2009 (96% do PIB)”.
Os números publicados pelo Banco de Portugal revelam ainda que os depósitos dos particulares estabilizaram entre Agosto e Setembro, passando de 136.759 milhões de euros para 136.884 milhões.
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11.11.15
10.11.14
Só quatro famílias entregaram a casa ao banco sem pagar mais
in Jornal de Notícias
Quatro famílias portuguesas entregaram a sua casa ao banco e ficaram com as dívidas do crédito saldadas, revelou, está sexta-feira, Natália Nunes, responsável do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado da DECO.
Recordando o "grande entusiasmo" face à hipótese da dação, - entrega da casa para a liquidação da dívida ao banco -, a jurista da Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores disse que a lei permitiu a entrega da casa, mas mediante uma avaliação entre o valor do imóvel e a amortização do capital feito.
Assim, as "quatro situações beneficiaram da dação em sede desta lei", sem que houvesse outro pagamento ao banco que concedeu o crédito à habitação, porque a "avaliação do imóvel foi suficiente para fazer face a todas as dívidas que existiam", informou Natália Nunes à agência Lusa.
À margem da conferência "Habitação, Arrendamento e Propriedade Urbana", a decorrer em Lisboa, a jurista da Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores comentou estar a "ser muito reduzida a aplicação" do regime para proteger devedores em situação económica muito difícil, no âmbito do crédito à habitação.
A jurista enumerou que a lei de 2012 tem "critérios muito restritivos", o que diminui o número de abrangidos e as famílias que têm direito "nem todas têm um benefício verdadeiro", porque entre as soluções mais utilizadas está o período de carência, tal como fazem os bancos.
A dirigente da DECO recordou que os dados oficiais sobre incumprimento do crédito à habitação indicam que são "mais de 100 mil famílias" que se incluem nesta situação e que os principais motivos são o desemprego e os cortes salariais, pelo que é "estranho que apenas 300" tenham requerido as medidas da lei.
"Há qualquer coisa que não está a funcionar", argumentou a jurista, lembrando que muitos consumidores desconhecem a lei ou que lhes cabe apresentar um requerimento e que os requisitos a respeitar são bastantes e cumulativos.
À DECO têm chegado ainda situações de pessoas que viram as suas casas vendidas devido à falta de pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI).
Em causa estão dívidas de "mil ou dois mil euros e as famílias, porque estão em situações de desemprego até dos dois elementos, e não têm forma de suportar aquele encargo" não tem possibilidade de pagar e sujeitam-se à venda judicial do seu imóvel.
A jurista referiu que há casos que desconhecem que têm isenção do pagamento do IMI, "uma informação que não lhes é dada nos serviços das finanças".
"Temos inúmeras famílias em Portugal que se estão a ver confrontadas com a venda dos seus imóveis, que são habitações próprias e permanentes devido ao não pagamento do IMI", afirmou.
Dos dados que recolheu, a dirigente da DECO adiantou que o "fisco já tinha vendido, de penhoras feitas em 2014, mais de 50 mil imóveis".
"Muitos desses imóveis são vendidos por dívidas ao fisco, nomeadamente dividas ao IMI", explicou Natália Nunes, sublinhando que no caso de dívidas, a Segurança Social, quando se trata de moradas de família, não avança para penhoras.
O princípio da Segurança Social, segundo a DECO, deveria ser seguido por todo o Estado.
Quatro famílias portuguesas entregaram a sua casa ao banco e ficaram com as dívidas do crédito saldadas, revelou, está sexta-feira, Natália Nunes, responsável do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado da DECO.
Recordando o "grande entusiasmo" face à hipótese da dação, - entrega da casa para a liquidação da dívida ao banco -, a jurista da Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores disse que a lei permitiu a entrega da casa, mas mediante uma avaliação entre o valor do imóvel e a amortização do capital feito.
Assim, as "quatro situações beneficiaram da dação em sede desta lei", sem que houvesse outro pagamento ao banco que concedeu o crédito à habitação, porque a "avaliação do imóvel foi suficiente para fazer face a todas as dívidas que existiam", informou Natália Nunes à agência Lusa.
À margem da conferência "Habitação, Arrendamento e Propriedade Urbana", a decorrer em Lisboa, a jurista da Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores comentou estar a "ser muito reduzida a aplicação" do regime para proteger devedores em situação económica muito difícil, no âmbito do crédito à habitação.
A jurista enumerou que a lei de 2012 tem "critérios muito restritivos", o que diminui o número de abrangidos e as famílias que têm direito "nem todas têm um benefício verdadeiro", porque entre as soluções mais utilizadas está o período de carência, tal como fazem os bancos.
A dirigente da DECO recordou que os dados oficiais sobre incumprimento do crédito à habitação indicam que são "mais de 100 mil famílias" que se incluem nesta situação e que os principais motivos são o desemprego e os cortes salariais, pelo que é "estranho que apenas 300" tenham requerido as medidas da lei.
"Há qualquer coisa que não está a funcionar", argumentou a jurista, lembrando que muitos consumidores desconhecem a lei ou que lhes cabe apresentar um requerimento e que os requisitos a respeitar são bastantes e cumulativos.
À DECO têm chegado ainda situações de pessoas que viram as suas casas vendidas devido à falta de pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI).
Em causa estão dívidas de "mil ou dois mil euros e as famílias, porque estão em situações de desemprego até dos dois elementos, e não têm forma de suportar aquele encargo" não tem possibilidade de pagar e sujeitam-se à venda judicial do seu imóvel.
A jurista referiu que há casos que desconhecem que têm isenção do pagamento do IMI, "uma informação que não lhes é dada nos serviços das finanças".
"Temos inúmeras famílias em Portugal que se estão a ver confrontadas com a venda dos seus imóveis, que são habitações próprias e permanentes devido ao não pagamento do IMI", afirmou.
Dos dados que recolheu, a dirigente da DECO adiantou que o "fisco já tinha vendido, de penhoras feitas em 2014, mais de 50 mil imóveis".
"Muitos desses imóveis são vendidos por dívidas ao fisco, nomeadamente dividas ao IMI", explicou Natália Nunes, sublinhando que no caso de dívidas, a Segurança Social, quando se trata de moradas de família, não avança para penhoras.
O princípio da Segurança Social, segundo a DECO, deveria ser seguido por todo o Estado.
2.1.14
O incumprimento no crédito vai continuar a aumentar?
por Raquel Godinho | rgodinho@negocios.pt, Paulo Moutinho | paulomoutinho@negocios.pt, in Negócios on-line
O incumprimento deverá continuar a aumentar em 2014, mas a um ritmo mais lento do que tem acontecido até agora. Os economistas antecipam que o atraso no pagamento dos créditos vai acompanhar a diminuição da taxa de desemprego, mas com algum desfasamento. Os pacotes legislativos também deverão ajudar a colocar um "travão" nas dificuldades das famílias portuguesas.
Os últimos dados da Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, relativos ao terceiro trimestre, revelaram que o número total de portugueses em incumprimento baixou pelo segundo trimestre consecutivo, recuando 4,8% para 658.882 casos. Esta tendência foi contrariada no crédito à habitação onde se verificam perto de 148.500 casos de incumprimento, mais 2.200 do que no início do ano.
Filipe Garcia, economista do IMF, diz que esta tendência deverá manter-se no próximo ano, "mas a taxas decrescentes" e com "um ritmo mais moderado". Já Paula Gonçalves Carvalho, economista-chefe do BPI, estima que "se a recuperação da actividade económica se confirmar e o desemprego estabilizar, os índices de incumprimento deverão pelo menos aumentar a um ritmo mais baixo (apesar de continuarem a subir, seguindo com atraso o ciclo económico)".
Rui Bernardes Serra antecipa que o incumprimento siga a evolução da taxa de desemprego que deverá recuar em 2014. "Esperamos que o incumprimento também acompanhe esse movimento, ainda que, por vezes, com algum desfasamento, pelo que ainda não é claro se o pico máximo intra-anual já foi atingido, ao contrário do que terá ocorrido com a taxa de desemprego", refere o
O incumprimento deverá continuar a aumentar em 2014, mas a um ritmo mais lento do que tem acontecido até agora. Os economistas antecipam que o atraso no pagamento dos créditos vai acompanhar a diminuição da taxa de desemprego, mas com algum desfasamento. Os pacotes legislativos também deverão ajudar a colocar um "travão" nas dificuldades das famílias portuguesas.
Os últimos dados da Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, relativos ao terceiro trimestre, revelaram que o número total de portugueses em incumprimento baixou pelo segundo trimestre consecutivo, recuando 4,8% para 658.882 casos. Esta tendência foi contrariada no crédito à habitação onde se verificam perto de 148.500 casos de incumprimento, mais 2.200 do que no início do ano.
Filipe Garcia, economista do IMF, diz que esta tendência deverá manter-se no próximo ano, "mas a taxas decrescentes" e com "um ritmo mais moderado". Já Paula Gonçalves Carvalho, economista-chefe do BPI, estima que "se a recuperação da actividade económica se confirmar e o desemprego estabilizar, os índices de incumprimento deverão pelo menos aumentar a um ritmo mais baixo (apesar de continuarem a subir, seguindo com atraso o ciclo económico)".
Rui Bernardes Serra antecipa que o incumprimento siga a evolução da taxa de desemprego que deverá recuar em 2014. "Esperamos que o incumprimento também acompanhe esse movimento, ainda que, por vezes, com algum desfasamento, pelo que ainda não é claro se o pico máximo intra-anual já foi atingido, ao contrário do que terá ocorrido com a taxa de desemprego", refere o
8.5.13
7774 portugueses por dia deixaram de pagar dívidas ao banco
Ana Margarida Pinheiro, in Jornal de Notícias
Em março, todos os dias houve mais 7774 portugueses a deixarem de pagar o empréstimo ao banco. O consumo continua a ter o maior peso no malparado das famílias, segundo o Banco de Portugal.
As dificuldades das famílias são evidentes e, segundo o Banco de Portugal, voltaram a aumentar no primeiro trimestre deste ano: +1,97%.
De acordo com os dados da Central de Responsabilidades de Crédito, divulgados ontem, no final de março existiam 691,9 mil famílias com dívidas por pagar há mais de 90 dias, mais 25 mil do que no primeiro trimestre do ano passado.
Em março, todos os dias houve mais 7774 portugueses a deixarem de pagar o empréstimo ao banco. O consumo continua a ter o maior peso no malparado das famílias, segundo o Banco de Portugal.
As dificuldades das famílias são evidentes e, segundo o Banco de Portugal, voltaram a aumentar no primeiro trimestre deste ano: +1,97%.
De acordo com os dados da Central de Responsabilidades de Crédito, divulgados ontem, no final de março existiam 691,9 mil famílias com dívidas por pagar há mais de 90 dias, mais 25 mil do que no primeiro trimestre do ano passado.
31.10.12
Governo com planos para ajudar famílias em risco de incumprimento
Maria Teixeira Alves, in Negócios on-line
A partir do início do próximo ano os consumidores vão passar a beneficiar de planos para evitarem o incumprimento face aos bancos.
O secretário de Estado adjunto da Economia, António Almeida Henriques, revelou hoje que "a partir de 1 de Janeiro os consumidores vão passar a beneficiar de um Plano de Acção para o Risco de Incumprimento (PARI) e de um Procedimento Extrajudicial de Regularização de Incumprimento (PERSI) que lhes permitirá negociar propostas de regularização adequadas à sua situação financeira e às suas necessidades".
Almeida Henriques anunciou a criação de uma rede extrajudicial de apoio a estes consumidores que será constituída por entidades reconhecidas pela direcção geral do consumidor após parecer do Banco de Portugal.
"O Governo accionou pela primeira vez a primeira fase da abertura do Fundo para a Promoção dos Direitos dos Consumidores. Ainda este ano será aberta uma nova fase de concurso do Fundo do Consumidor, desta vez com uma verba exclusivamente dedicada a apoiar as entidades que integrarão a rede extrajudicial de apoio a clientes bancários risco de incumprimento", declarou o responsável.
A partir do início do próximo ano os consumidores vão passar a beneficiar de planos para evitarem o incumprimento face aos bancos.
O secretário de Estado adjunto da Economia, António Almeida Henriques, revelou hoje que "a partir de 1 de Janeiro os consumidores vão passar a beneficiar de um Plano de Acção para o Risco de Incumprimento (PARI) e de um Procedimento Extrajudicial de Regularização de Incumprimento (PERSI) que lhes permitirá negociar propostas de regularização adequadas à sua situação financeira e às suas necessidades".
Almeida Henriques anunciou a criação de uma rede extrajudicial de apoio a estes consumidores que será constituída por entidades reconhecidas pela direcção geral do consumidor após parecer do Banco de Portugal.
"O Governo accionou pela primeira vez a primeira fase da abertura do Fundo para a Promoção dos Direitos dos Consumidores. Ainda este ano será aberta uma nova fase de concurso do Fundo do Consumidor, desta vez com uma verba exclusivamente dedicada a apoiar as entidades que integrarão a rede extrajudicial de apoio a clientes bancários risco de incumprimento", declarou o responsável.
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