Susana Frexes, correspondente em Bruxelas, in Expresso
A diferença salarial entre homens e mulheres mantêm-se há anos nos 16% e voltou hoje a ser confirmado pelo Eurostat. A Comissária para a Justiça e Igualdade de Género diz-se frustrada com esse facto e pede mais ação aos Governos. Portugal é o país onde o fosso mais aumentou entre 2011 e 2016. Vera Jourová pede ao Executivo português que procure as causa do problema
O relatório publicado esta quarta-feira dá conta da estagnação da diferença salarial entre homens e mulheres. Há vários anos que está nos 16%. Significa isto que os esforços feitos são insuficientes?
Sim. É o que isso significa. Vemos que a diferença salarial entre homens e mulheres está estagnada. Todas as propostas que temos feito têm de ser levadas à prática. Tentamos dar resposta à discriminação direta, quando há diferença de salários entre homens e mulheres que têm o mesmo trabalho. Isto é proibido pela lei e os Estados-membros deveriam garantir que a lei é aplicada. Depois existe a questão da família, que está principalmente nos ombros das mulheres, e isso também contribui para a diferença. E é por isso que estamos a propor medidas para melhorar as condições para as mães que trabalham. Estou muito frustrada com a estagnação destes números.
Olhando para Portugal: em 2011, antes do resgate, a diferença salarial entre géneros era de 12,9%, bem abaixo da média. Em 2015 era de 17,8% e os últimos números disponíveis, referentes a 2016, apontam para 17,6%.
Portugal foi o país da UE onde a diferença mais aumentou. O que é que explica isto?
Há mais um fator, que tem a ver com a diferença no emprego. Em Portugal, a taxa de mulheres empregadas aumentou, mas também aumentou a diferença salarial. Isto é um paradoxo. Quanto mais mulheres trabalham, maior é o fosso salarial. Recomendaria ao Governo português - e vou discuti-lo com o ministro com esta pasta - que olhe para a origem desta tendência de aumento do fosso. Deve haver um problema estrutural no sistema. Quando tento entender este fenómeno de “quanto mais emprego, maior o fosso salarial”, percebo que a raiz do problema pode estar relacionada com os trabalhos em “part-time”.
Em todos os países ou só em Portugal?
Em geral. Porque tem acontecido também noutros países.
Por outro lado, o relatório divulgado hoje também dá como exemplo a lei portuguesa de agosto de 2017, que define o regime da representação equilibrada entre mulheres e homens nos órgãos de administração e de fiscalização das entidades do sector público empresarial e das empresas cotadas em bolsa. Foi uma boa decisão?
Dentro de dois anos devemos começar a ver os efeitos destas medidas, com um aumento das mulheres em cargos mais elevados das empresas. Este tipo de decisão é algo que deveríamos ter nos vários estados membros. É por isso que tento pressionar para que a diretiva sobre o número de mulheres nos conselhos de administração avance. Queremos assegurar que haja 40% de mulheres nos cargos de supervisão das empresas cotadas. Esta legislação está bloqueada (no Conselho). Espero que seja retomada, e haverá um novo debate na primavera.
Esta quinta-feira é o Dia Internacional da Mulher. Que conselho deixa às mulheres portuguesas?
São necessárias três condições para que haja mudanças nesta área: vontade política, mudanças culturais e de mentalidade e remoção das barreiras que as mulheres têm dentro delas. Muitas mulheres dizem que não querem mudanças e aquelas que querem uma mudança devem pedir melhores condições, melhores salários. Se algo de errado se passa com elas, devem pedir explicações aos seus superiores. Temos de ser mais ativas.
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8.3.13
Violência contra mulheres e fosso salarial são desigualdades que mais preocupam portugueses
in iOnline
A violência contra as mulheres, o fosso salarial e as dificuldades em conciliar vida privada e atividade profissional são as desigualdades de género que mais preocupam os portugueses, segundo dados do Eurobarómetro hoje divulados.
Os dados foram revelados em Lisboa pela diretora adjunta do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, num debate subordinado ao tema “O impacto da crise na vida das mulheres. Que respostas”, que contou com a presença das eurodeputadas Ana Gomes e Marisa Matias e assinalou as comemorações do Dia Internacional da Mulher.
A violência contra as mulheres constitui preocupação para 45 por cento dos inquiridos, enquanto no conjunto da União Europeia (UE) soma apenas 23 por cento (%). Seguem-se a disparidade salarial entre homens e mulheres e as dificuldades das mulheres em conciliar vida privada e profissional, com 30% para cada item nos inquiridos em Portugal, a mesma percentagem registada para o conjunto dos países da UE, referiu Ana Antunes Vieira.
Estes dados resultam de entrevistas realizadas por telefone a 25.556 pessoas dos 27 países da UE – 1.000 pessoas em Portugal –, no dia 04 de fevereiro.
No que respeita ao impacto da crise, a entrada tardia dos jovens licenciados é o que mais preocupa as inquiridas em Portugal (67%), contra os 47% registados em relação ao aumento do trabalho precário e ao facto de algumas pessoas trabalharem em empregos que não correspondem ao seu nível de qualificação (43%).
Já no que respeita aos critérios de recrutamento caso tivessem de recrutar uma mulher, 41% dos portugueses que responderam ao inquérito invocaram o facto de ter filhos, 35% a flexibilidade em termos de horas de trabalho e 33% a aparência física.
Já no conjunto dos países da UE, e caso tivessem de recrutar uma mulher, 49% dos inquiridos apontaram a existência de filhos, 35% a flexibilidade de horário de trabalho e 33% a aparência física.
O debate, que decorreu na sede do gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, contou ainda com a participação de representantes de Organizações Não Governamentais que a partir de agora passam a constar da base de dados daquele gabinete, dando origem a uma rede de organizações de mulheres em contacto com aquele gabinete, referiu ainda no debate Ana Antunes Vieira.
A violência contra as mulheres, o fosso salarial e as dificuldades em conciliar vida privada e atividade profissional são as desigualdades de género que mais preocupam os portugueses, segundo dados do Eurobarómetro hoje divulados.
Os dados foram revelados em Lisboa pela diretora adjunta do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, num debate subordinado ao tema “O impacto da crise na vida das mulheres. Que respostas”, que contou com a presença das eurodeputadas Ana Gomes e Marisa Matias e assinalou as comemorações do Dia Internacional da Mulher.
A violência contra as mulheres constitui preocupação para 45 por cento dos inquiridos, enquanto no conjunto da União Europeia (UE) soma apenas 23 por cento (%). Seguem-se a disparidade salarial entre homens e mulheres e as dificuldades das mulheres em conciliar vida privada e profissional, com 30% para cada item nos inquiridos em Portugal, a mesma percentagem registada para o conjunto dos países da UE, referiu Ana Antunes Vieira.
Estes dados resultam de entrevistas realizadas por telefone a 25.556 pessoas dos 27 países da UE – 1.000 pessoas em Portugal –, no dia 04 de fevereiro.
No que respeita ao impacto da crise, a entrada tardia dos jovens licenciados é o que mais preocupa as inquiridas em Portugal (67%), contra os 47% registados em relação ao aumento do trabalho precário e ao facto de algumas pessoas trabalharem em empregos que não correspondem ao seu nível de qualificação (43%).
Já no que respeita aos critérios de recrutamento caso tivessem de recrutar uma mulher, 41% dos portugueses que responderam ao inquérito invocaram o facto de ter filhos, 35% a flexibilidade em termos de horas de trabalho e 33% a aparência física.
Já no conjunto dos países da UE, e caso tivessem de recrutar uma mulher, 49% dos inquiridos apontaram a existência de filhos, 35% a flexibilidade de horário de trabalho e 33% a aparência física.
O debate, que decorreu na sede do gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, contou ainda com a participação de representantes de Organizações Não Governamentais que a partir de agora passam a constar da base de dados daquele gabinete, dando origem a uma rede de organizações de mulheres em contacto com aquele gabinete, referiu ainda no debate Ana Antunes Vieira.
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