Por Nuno Guedes, in TSF
Mais de uma centena de concursos tiveram de voltar ao início devido a mudança das regras pelo Ministério das Finanças.
A maioria das escolas vai começar o novo ano letivo sem os prometidos novos funcionários. O último atraso foi motivado por uma portaria do Ministério das Finanças, publicada no final de abril, que obrigou a cancelar muitos dos concursos já lançados voltando cada um desses processos à estaca zero.
Pelas contas da TSF, desde o início de maio mais de 150 escolas cancelaram os primeiros concursos que já tinham sido lançados em Diário da República.
O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) explica que estas anulações provocaram mais um atraso pois previa-se que o processo concursal estivesse concluído até ao final do ano letivo.
Filinto Lima adianta que agora, pelas informações que tem recolhido, dificilmente as 1.067 vagas abertas em março pelo Ministério da Educação estarão ocupadas no início do ano letivo.
Ou seja, serão preenchidas depois, aos poucos, no decorrer do primeiro período, "em virtude dos vários atrasos que se verificaram", sendo que os diretores sublinham que mesmo este enorme de reforço não será suficiente para responder a todas as necessidades das escolas onde faltam ainda mais funcionários.
O representante dos diretores não fica surpreendido com o número de concursos anulados apurado pela TSF, lamentando que o Ministério das Finanças "não tenha tido sensibilidade para o facto de estar a decorrer um conjunto tão grande de concursos muito importantes para as escolas portuguesas".
Filinto Lima explica que, na prática, a meio do jogo, as regras foram alteradas, com mudanças técnicas na forma e procedimentos de contratação, apesar das escolas já terem gasto dinheiro com o lançamento destes concursos que têm de ser anunciados em jornais.
"Pedimos que no futuro o Ministério das Finanças tenha em conta os concursos que estão a decorrer, pois estes funcionários já podiam estar efetivamente ao serviço das escolas públicas, mas esta alteração legislativa impede que isso aconteça", conclui o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.
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1.8.19
3.9.12
Pais preocupados com falta de "paz escolar"
por Texto da Agência Lusa, publicado por Patrícia Viegas, in Diário de Notícias
A falta de "paz escolar" e as medidas "economicistas", como mais alunos por turma e redução de apoios, preocupam alguns pais, mas outros realçam a capacidade de adaptação das escolas e estão otimistas para o novo ano letivo.
Para o vice-presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), Joaquim Ribeiro, a principal preocupação é que "continua a não haver paz em seio escolar, a guerra salarial mantém-se e isso reflete-se necessariamente na produção dos professores".
A falta de professores no regime especial e de psicólogos também foi um dos pontos listados à agência Lusa pelo representante dos pais, a poucos dias do início do ano letivo 2012/13.
O aumento do número de alunos por turma "é com certeza mais uma das medidas economicistas do Governo e há escolas que não estão preparadas com salas para 30 alunos", salientou Joaquim Ribeiro.
Acerca deste tema, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), Albino Almeida está tranquilo pois salientou que "os diretores não usaram o número máximo porque as escolas secundárias não comportam mais de 28 alunos, o limite está nas próprias instalações".
Aliás, realçou que "as escolas não tinham de optar pelo número máximo de alunos e portanto, na prática, vamos continuar a ter 28 alunos na maior parte das turmas do segundo e terceiro ciclos".
Albino Almeida tem uma expectativa semelhante à de outros anos, ou seja, "positiva, apesar de existir a necessidade de lidar com várias mudanças e que as escolas estão a acomodar da melhor forma possível pois têm já uma grande capacidade de lidar com as alterações legislativas".
Quanto à quantidade de alunos por escola, a CNIPE considera "um exagero porque há agrupamentos com mais de quatro mil alunos, uma situação [relativamente à qual] os diretores só estão a anuir porque não podem contrariar os patrões, ou seja o Ministério".
O vice-presidente da CNIPE listou também a falta de apoios sociais e a redução dos existentes como "mais uma preocupação" principalmente atendendo ao preço dos livros, "que é exorbitante", assim como as alterações curriculares, que "só tiveram nome, não existiram, o que houve foi um conjunto de medidas economicistas".
Da parte da CONFAP, restam dúvidas acerca dos apoios escolares nos transportes e nos manuais, área em que "existe um défice de trabalho da parte do Ministério", como referiu o presidente, falando na alternativa de as escolas optarem por adotar conteúdos digitais.
Albino Almeida alertou para a "imensa dificuldade" de cumprir uma regra da bolsa de empréstimo de manuais que é "a necessidade de os alunos guardarem os manuais durante um ciclo de ensino e depois devolve-los", proposta que vai trazer "mais problemas que soluções".
Acerca da revisão curricular, a opinião da CONFAP é que "carecia de um maior envolvimento dos parceiros e de uma maior avaliação do que foi feito até agora".
A CONFAP deixou ainda o desafio de que, nos anos em que não há exames, haja testes intermédios que permitam às escolas ter um monitor do trabalho que estão a desenvolver, da qualidade do ensino e da melhoria das aprendizagens.
A falta de "paz escolar" e as medidas "economicistas", como mais alunos por turma e redução de apoios, preocupam alguns pais, mas outros realçam a capacidade de adaptação das escolas e estão otimistas para o novo ano letivo.
Para o vice-presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), Joaquim Ribeiro, a principal preocupação é que "continua a não haver paz em seio escolar, a guerra salarial mantém-se e isso reflete-se necessariamente na produção dos professores".
A falta de professores no regime especial e de psicólogos também foi um dos pontos listados à agência Lusa pelo representante dos pais, a poucos dias do início do ano letivo 2012/13.
O aumento do número de alunos por turma "é com certeza mais uma das medidas economicistas do Governo e há escolas que não estão preparadas com salas para 30 alunos", salientou Joaquim Ribeiro.
Acerca deste tema, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), Albino Almeida está tranquilo pois salientou que "os diretores não usaram o número máximo porque as escolas secundárias não comportam mais de 28 alunos, o limite está nas próprias instalações".
Aliás, realçou que "as escolas não tinham de optar pelo número máximo de alunos e portanto, na prática, vamos continuar a ter 28 alunos na maior parte das turmas do segundo e terceiro ciclos".
Albino Almeida tem uma expectativa semelhante à de outros anos, ou seja, "positiva, apesar de existir a necessidade de lidar com várias mudanças e que as escolas estão a acomodar da melhor forma possível pois têm já uma grande capacidade de lidar com as alterações legislativas".
Quanto à quantidade de alunos por escola, a CNIPE considera "um exagero porque há agrupamentos com mais de quatro mil alunos, uma situação [relativamente à qual] os diretores só estão a anuir porque não podem contrariar os patrões, ou seja o Ministério".
O vice-presidente da CNIPE listou também a falta de apoios sociais e a redução dos existentes como "mais uma preocupação" principalmente atendendo ao preço dos livros, "que é exorbitante", assim como as alterações curriculares, que "só tiveram nome, não existiram, o que houve foi um conjunto de medidas economicistas".
Da parte da CONFAP, restam dúvidas acerca dos apoios escolares nos transportes e nos manuais, área em que "existe um défice de trabalho da parte do Ministério", como referiu o presidente, falando na alternativa de as escolas optarem por adotar conteúdos digitais.
Albino Almeida alertou para a "imensa dificuldade" de cumprir uma regra da bolsa de empréstimo de manuais que é "a necessidade de os alunos guardarem os manuais durante um ciclo de ensino e depois devolve-los", proposta que vai trazer "mais problemas que soluções".
Acerca da revisão curricular, a opinião da CONFAP é que "carecia de um maior envolvimento dos parceiros e de uma maior avaliação do que foi feito até agora".
A CONFAP deixou ainda o desafio de que, nos anos em que não há exames, haja testes intermédios que permitam às escolas ter um monitor do trabalho que estão a desenvolver, da qualidade do ensino e da melhoria das aprendizagens.
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