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30.8.22

Preço do gasóleo sobe 5% e supera o da gasolina

Pedro Crisóstomo, in Público on-line

Governo ficou de reavaliar em Agosto as medidas destinadas a mitigar a subida dos preços. ISP só está fixado até domingo.

O preço de venda do gasóleo simples nos postos de abastecimento em Portugal disparou 5% na segunda-feira em relação à segunda anterior, colocando o custo deste combustível acima do valor médio de comercialização da gasolina simples, tradicionalmente mais cara.

Segundo o preço médio calculado Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) a partir dos valores que lhe são comunicados pelas mais de 3300 “bombas” licenciadas em Portugal Continental, o custo médio da gasolina simples, ao fixar-se nos 1,87 euros por litro, subiu nove cêntimos, o que compara com os 1,78 euros da véspera e os 1,77 euros da segunda-feira da semana passada.

Já o preço médio da gasolina simples 95 manteve-se inalterado em relação a domingo e face à segunda-feira da semana anterior, nos 1,78 euros por litro.

Bastaram duas semanas consecutivas em alta para que o preço do gasóleo superasse o da gasolina, uma trajectória que se deve ao agravamento da cotação usada como referência para o preço deste combustível, o que poderá estar influenciado pelo embargo europeu às importações à Rússia, o terceiro maior produtor de petróleo a nível mundial, pelo impacto que a redução das compras tem na oferta.

A partir da informação do balcão único da energia, a Entidade Nacional para o Sector Energético (ENSE) calcula que o preço médio de venda ao público do gasóleo tenha sido de 1,853 euros por litro (um valor diferente dos 1,87 euros indicados pela DGEG, que se refere apenas ao gasóleo simples, aquele que é usado, com a gasolina simples 95, como indicador para comunicar à Comissão Europeia como estão a evoluir os preços médios no sector).

Os 1,853 euros referidos pela ENSE representam uma diferença de 12 cêntimos em relação à estimativa do preço de referência do preço de referência desse combustível, uma estimativa feita “com base nos valores de cotação internacional dos produtos refinados”, acrescido dos custos de incorporação de biocombustíveis e dos custos operacionais no mercado português, mas ainda sem assumir “as componentes de retalho, tais como distribuição para os pontos de venda, margem de comercialização nem o respectivo imposto sobre o valor acrescentado”, o IVA.

Apesar de estar acima do patamar da gasolina, o preço do gasóleo já esteve mais alto do que neste momento. Com a eclosão da guerra na Ucrânia em Fevereiro, foi escalando e, em Junho, chegou a superar os dois euros por litro. A 22, 23 e 24 desse mês, o preço médio atingiu um pico de 2,1 euros e, a partir daí, deu-se uma trajectória de recuo que durou cerca de oito semanas, a que se seguiu a subida nas duas últimas semanas.

Com esta trajectória, o preço foi-se equilibrando com o da gasolina simples 95, que, depois de ficar igualmente acima dos dois euros por litro em Junho, tem vindo tendencialmente a recuar.

Na segunda-feira da semana passada, o preço do gasóleo simples (1,77 euros por litro) já estava próximo da paridade com o da gasolina (1,78 euros) e como nesta semana o custo da gasolina se manteve igual e o do gasóleo aumentou, houve uma inversão de lugares.

Em Portugal continental, o gasóleo mais barato que se encontra nos postos está nos 1,724 euros por litro, num vendedor low cost no Entroncamento, segundo a informação publicada no site da DGEG, onde são actualizados os preços de cada vendedor sempre que os comercializadores os alteram. No caso da gasolina simples 95, a bomba que pratica o preço mais baixo vende este combustível a 1,6074 euros por litro (trata-se de um posto de Vila Nova de Gaia).

Nas últimas semanas, o Governo deixou de actualizar semanalmente o imposto sobre produtos petrolíferos e energéticos (ISP) com base “na evolução semanal do preço dos futuros nos mercados de petróleo e combustíveis” e nas “expectativas” de comportamento do mercado liberalizado.

Apesar disso, mantém-se de pé até ao fim de Agosto a redução temporária das taxas deste mesmo imposto equivalente a uma descida da taxa do IVA de 23% para 13%, bem como a suspensão da actualização da taxa de carbono, que também influencia o preço final dos combustíveis.

O Ministério das Finanças comprometeu-se a reavaliar este desconto em Agosto. Para já, a portaria que actualmente fixa o ISP está em vigor até dia 4 de Setembro, o próximo domingo.

28.2.22

Preço do gás natural sobe 26% e petróleo agrava valorização

Rosa Soares e com agências, in Público on-line

Os contratos de futuros do Brent segue a subir 5,03%, para quase 103 dólares por barril. E as bolsas europeias voltaram a negociar em queda.

A subida dos preços de energia é uma das consequências directas para a economia europeia decorrentes da invasão russa na Ucrânia e das sanções impostas à Rússia pela União Europeia e outros países.

O gás natural TTF (Title Transfer Facility) para entrega em Março subiu, esta segunda-feira, 26% para 115 euros por megawatt/hora (MWh). O preço do gás natural havia disparado 30% na sequência dos desenvolvimentos iniciais na fronteira ucraniana e esta valorização acentuada explica-se pelo facto de a Rússia ser o principal exportador de gás natural da Europa.

Também as cotações do petróleo estão em forte subida e nem o arranque de negociações para a paz está a travar a subida. Depois de uma subida de 4%, o Brent, a referência para a Europa, subia 5% às 11h20, para 102,90 dólares por barril, o que corresponde a um máximo desde 2012. Já o crude WTI, que é referência para os Estados Unidos, também seguia a agravar a subida para 5%, negociando nos 96,20 dólares.

As bolsas europeias continuam a negociar em queda, com as maiores desvalorizações a acontecer na praça de Paris (-2,86%), mas também na alemã (-2,20%), ou na de Londres (-1,1%).

A bolsa de Lisboa apresenta a menor queda europeia, a cair 0,17%, depois de ter iniciado a sessão a perde 1,7%.

A queda das bolsas europeias é explicada pela exposição de alguns bancos europeus à Rússia, pelo impacto da retirada de bancos russos do sistema Swift, plataforma electrónica de transacções financeiras mundiais, e ainda na sequência dos problemas de bancos russos presentes na Europa.

O Banco Central Europeu (BCE) alertou, nesta segunda-feira, que o Sberbank Europe, uma unidade do Grupo Sberbank SBER.MM da Rússia, e duas outras subsidiárias sob sua supervisão, “estão falidas ou na iminência de falir”.

Também a Autoridade do Mercado Financeiro da Áustria avançou com medidas em relação ao Sberbank Europ, nomeadamente a limitação de levantamentos a 100 euros por dia, por cliente, e ainda a suspensão de transferência e pagamentos.

A Deutsche Boerse, a gestora da bolsa alemã, anunciou a suspensão da negociação de vários títulos de empresas russas com efeito imediato, entre eles o VTB Bank VTBR.MM e o Sberbank.

Na Rússia, a Bolsa de Valores de Moscovo não abriu e assim se manterá ao longo do dia de hoje, anunciou o banco central do país, admitindo que os mercados de acções, derivados e cambial possam reabrir esta terça-feira, 1 de Março.