Os baixos salários em Portugal são a principal razão de os residentes no estrangeiro ainda não terem voltado, de acordo com um inquérito da Sedes.Mais de 70% dos portugueses residentes no estrangeiro querem regressar a Portugal, a médio ou longo prazo, e 73% já investiram ou consideram como provável investir no seu país, segundo um inquérito da Sedes divulgado esta terça-feira.
Dos 300 emigrantes e lusodescendentes abrangidos pelo inquérito, apenas 18% disse não pretender voltar a viver no seu país de origem, enquanto 11,6% afirmaram querem regressar a curto prazo e 71% responderam que querem voltar a viver em Portugal a médio ou longo prazo ou apenas após a reforma (43% e 28%, respetivamente).
Os baixos salários portugueses são para 62% dos inquiridos a razão de ainda não terem voltado para o seu país.
Por seu lado, 19% dizem ser por falta de reconhecimento social das suas competências e funções, quando comparado com o que lhe é dado no país de acolhimento e 30% indica como razão para ainda não ter regressado os níveis de compadrio e corrupção em Portugal.
Já para 27% dos inquiridos a falta de oportunidade profissional é o obstáculo ao regresso, enquanto para 22% é o mau sistema de saúde.
Os serviços administrativos em Portugal também são apontados como um obstáculo por 16% dos inquiridos e o sistema político em Portugal por 11%, assim como o sistema jurídico português, que é referido por outros 11%.
Apenas 6% refere as faltas de apoio ao regresso como um obstáculo e outros 6% diz que não podem vir ainda para Portugal para não interromperem o percurso escolar dos filhos.
Mais e melhor comunicação e informação, maior proximidade, melhores serviços consulares e uma ligação mais forte e formal com as comunidades portuguesas são alguns dos aspetos que os emigrantes inquiridos consideraram como essenciais para se reforçar a sua ligação a Portugal.
Mas também referem como outros aspetos importantes a existência de políticas de promoção de ensino da língua e história portuguesas, de melhores meios de comunicação social dedicados às comunidades, o reforço dos laços com os lusodescendentes e que se considerem os portugueses em mobilidade ou residentes no estrangeiro com o mesmo valor e respeito que os que vivem no país, referindo muitas vezes o atendimento consular desrespeitoso, como exemplo contrário a isso.
Além disto, consideram que Portugal deve "facilitar o exercício de voto", ter "maior eficácia nos postos consulares" e "maior presença e proximidade consular".
Os emigrantes abrangidos pelo inquérito apontam ainda a necessidade de se criar "um provedor do emigrante" e que haja "menos burocracia e lentidão administrativa". Mas também defendem que se dê a conhecer as realidades das comunidades portuguesas e que se reforcem as sinergias entre estas e o país, através de um maior diálogo e cooperação.
Porém, do universo de 300 inquiridos neste inquérito da Sedes - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, "73% já investiu ou avalia como provável vir a investir em Portugal" numa casa, num negócio ou noutra coisa.
Segundo o mesmo estudo, 32% já o fizeram, e refere-se o facto de uma emigração mais antiga ter por tradição investir numa residência secundária, ou mesmo de enviar muitas remessas para Portugal (poupanças), projetando um regresso a curto ou médio prazo como objetivo.
No inquérito refere, contudo, que a maioria dos inquiridos são oriundos da nova vaga de emigração, logo os 32% que dizem já ter investido podem representar um interesse menos evidente, apesar de no universo total dos inquiridos apenas 14% ter afirmado ser improvável investir no país e 13% terem considerado pouco provável realizar investimento em Portugal.
Já à pergunta sobre qual a probabilidade de promoverem os produtos portugueses junto das suas redes de contactos, 65% responderam já o terem feito e um total de 31% afirmou ser "provável" ou "muito provável" poder fazê-lo.
Este inquérito, que se insere no âmbito das atividades desenvolvidas pelo Observatório das Comunidades Portuguesas, abrangeu 300 portugueses residentes no estrangeiro, 60% dos quais com idades compreendidas entre os 40 e 65 anos e 26% entre os 26 e os 40 anos.
Quanto ao período de emigração dos inquiridos, 40,5% são oriundos da nova vaga de emigração e 18% emigraram nos anos 1960/1970. Já 11,3% dos inquiridos são lusodescendentes.
A coordenadora do inquérito, Christine de Oliveira, disse, em maio, à agência Lusa que este iria permitir "trazer um saber mais científico e menos empírico a questões que se colocam há vários anos".
O inquérito assume uma relevância maior após o anterior ato eleitoral, as legislativas de 30 de janeiro, que foram repetidas no círculo da Europa, após irregularidades com os boletins de voto da emigração.
O objetivo do estudo, afirmou na altura Christine Oliveira, foi "trazer uma base científica o mais abrangente possível, de preferência com respostas válidas de todos os continentes".
Segundo o relatório do Observatório da Emigração, apresentado em 2021, e de acordo com estatísticas das Nações Unidas, em 2019 existiam cerca de 2,6 milhões de portugueses emigrados.
Maioria dos emigrantes favorável ao voto eletrónico
Ainda segundo este inquérito da Sedes, a maior parte dos portugueses residentes no estrangeiro confia no processo eleitoral, apesar da polémica nas últimas eleições no círculo da Europa, e 90,4% é favorável ao voto eletrónico.
Dos 300 emigrantes e lusodescendentes abrangidos por este inquérito, 61% disse confiar no processo eleitoral, tal como é organizado hoje, "nos termos da lei, para os portugueses residentes no estrangeiro", contra 40% que responderam que não confiavam no mesmo.
Além disso, "90,4% dos inquiridos é favorável ao voto eletrónico", por causa da dificuldade de votação nas Comunidades Portuguesas, distância das mesas de voto, boletins de voto postais que não chegam, ou chegam fora de prazo, ou ainda que não vão com aviso de receção, refere-se no relatório do inquérito, promovido pela Sedes - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, inserido no âmbito das atividades desenvolvidas pelo Observatório das Comunidades Portuguesas da organização.
Os restantes inquiridos afirmaram ter dúvidas sobre o voto eletrónico, por questões de segurança, receios de fraude e de ser dificilmente auditável.
Outro dado relevante do resultado do inquérito é o facto de 76% dos inquiridos ter manifestado a vontade de poder votar para a sua autarquia de origem, onde têm residência secundária ou alguma atividade comercial.
No que respeita ao atendimento e apoio dos consulados portugueses na área onde residem, 73% dos inquiridos queixou-se da falta de celeridade das redes consulares e 56% considera que a rede consular não é eficaz.
Dos resultados do inquérito ressalta ainda que 75% dos emigrantes ou lusodescendentes inquiridos vota nas eleições presidenciais, 76% vota nas legislativas e 62% nas europeias.
Mas, só 25% vota nas eleições para o Conselho das Comunidades Portuguesas e metade (50%) até desconhece que este é o órgão representativo dos interesses dos portugueses residentes no estrangeiro e consultivo do Governo português.
Emigrantes querem mais deputados do círculo da emigração e votar em referendos
Os portugueses residentes no estrangeiro querem mais deputados eleitos pelo círculo da emigração, e oriundos deste espaço, no parlamento português e ter o direito de votar em referendos no país.
De acordo com o relatório deste inquérito, 60% dos inquiridos considera que deveria haver um aumento do número de deputados do círculo da emigração no parlamento português, contra 6% que não manifesta interesse numa maior representação das Comunidades Portuguesas na Assembleia da República e 30% que vê essa possibilidade com um interesse moderado.
Segundo a mesma fonte, 90% dos 300 emigrantes ou filhos de emigrantes inquiridos, é a favor da diáspora portuguesa poder votar nos referendos.
O Inquérito mostra ainda que 85% entende que os parlamentares eleitos pelo círculo da emigração deveriam ser oriundos do próprio círculo eleitoral, por terem um melhor conhecimento "daquele espaço político, das comunidades, das suas dinâmicas e necessidades", bem como para "sentirem na pele" o que é necessário melhorar na legislação, adianta-se no relatório do inquérito.
Alguns mencionaram até a necessidade de abrir essa possibilidade a candidatos independentes e da sociedade civil, e não exclusivamente aos partidos.
Este inquérito, que se insere no âmbito das atividades desenvolvidas pelo Observatório das Comunidades Portuguesas, abrangeu 300 portugueses residentes no estrangeiro, 60% dos quais com idades compreendidas entre os 40 e 65 anos e 26% entre os 26 e os 40 anos.
Quanto ao período de emigração dos inquiridos, 40,5% são oriundos da nova vaga de emigração e 18% emigraram nos anos 1960/1970. Já 11,3% dos inquiridos são lusodescendentes.
Dos resultados do inquérito ressalta ainda que 75% dos emigrantes ou lusodescendentes inquiridos vota nas eleições presidenciais, 76% vota nas legislativas e 62% nas europeias.
Mas só 25% vota nas eleições para o Conselho das Comunidades Portuguesas e metade (50%) até desconhece a missão daquele órgão representativo dos interesses dos portugueses residentes no estrangeiro junto do Governo português.
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7.7.21
UNICEF alerta. Educação de mais de seis milhões de crianças do Iémen em risco
por Inês Moreira Santos, in RTP
Se o conflito armado continuar no Iémen, mais de seis milhões de crianças correm o risco de perder um direito básico como a Educação. O alerta é da UNICEF.
É o sexto ano consecutivo que o Iémen enfrenta a já considerada maior crise humanitária do Mundo, com cerca de 21 milhões de pessoas a necessitar diariamente de ajuda humanitária, incluindo mais de 11 milhões de crianças.
Desde 2015 que a escalada tem aumentado e, consequentemente, obrigado milhões de crianças iemenitas a viver em condições cada vez mais vulneráveis. Muitas são mortas, outras mutiladas. A pobreza e a fome aumentou e uma grande parte não tem acesso aos serviços de saúde nem de educação.
"As crianças continuam a ser as principais vítimas desta terrível crise, com 11,3 milhões a necessitar de alguma forma de ajuda humanitária ou assistência de proteção", aponta o relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
Seis anos depois, a educação das crianças iemenitas tornou-se uma das maiores vítimas do "conflito devastador e contínuo do Iémen". Esta é a conclusão em destaque no relatório "Educação interrompida: impacto do conflito na educação das crianças no Iémen".
Já há mais de dois milhões de rapazes e raparigas, em idade escolar, sem acesso à educação, devido à pobreza, aos conflitos e à falta de oportunidades. É mais do dobro do número de crianças que abandonaram a escola em 2015, quando o conflito começou.
Mas a situação pode agravar: se o conflito armado continuar, mais de seis milhões de crianças no Iémen correm o risco de perder o acesso à educação.
De acordo com os dados divulgados, cerca de 170 mil professores (dois terços do corpo docente do país) não recebem salário de forma regular há mais de quatro anos, devido ao conflito e às divisões geopolíticas, o que levou muitos deles a terem de deixar a profissão e a procurar outras formas de subsistência. Este esvaziamento profissional é também uma ameaça ao acesso ao ensino de quatro milhões de crianças.
O acesso à educação é um direito e, além disso, proporciona uma sensação de normalidade às crianças, mesmo nos contextos mais devastadores. A educação pode até protegê-las - sublinha a UNICEF - de múltiplas formas de exploração.
"As crianças que não concluem a escolaridades ficam presas num ciclo de pobreza que se autoperpetua. Se as crianças fora da escola não forem ajudadas adequadamente, podem nunca mais voltar à sala de aula", alerta a organização.
Crianças privadas do futuro
"O acesso à educação de qualidade é um direito básico de todas as crianças, incluindo meninas, crianças deslocadas e portadores de deficiência", escreveu no relatório Philippe Duamelle, representante da UNICEF no Iémen.
Embora a escalada tenha um grande impacto na vida das crianças, Duamelle considera que "o acesso à educação proporciona uma sensação de normalidade para as crianças (...) e protege-as de múltiplas formas de exploração". Por isso, "manter as crianças na escola é fundamental para o seu próprio futuro e para o futuro do Iémen".
De facto, segundo a UNICEF, os efeitos do conflito prolongado, somados à recente interrupção das atividades de escolares devido à pandemia da Covid-19, podem ter consequências "devastadoras e duradouras" no processo educacional, incluindo a aprendizagem, o bem-estar físico e mental de crianças e adolescentes do Iémen.
O relatório destaca ainda que, quando as crianças não têm acesso à escola, as consequências são "terríveis", tanto para o presente como para o futuro. Por exemplo, muitas meninas são forçadas a casar ainda menores, permanecendo presas a um ciclo de pobreza e potencial não realizado.
Segundo o relatório, 72,5 por cento das raparigas no Iémen casam ainda antes de fazerem 18 anos. O casamento precoce, realça o documento, "torna quase impossível para uma adolescente terminar os estudos". Além disso, quanto mais cedo se casarem mais provável é que tenham mais filhos ao longo da vida, o que, revelam os dados, "reduz a capacidade das famílias para responder às suas necessidades básicas e contribui para a pobreza".
Sem educação, as crianças tornam-se também mais vulneráveis a serem coagidos ao trabalho infantil ou recrutados para combate (mais de 3.600 crianças no Iémen foram recrutadas nos últimos seis anos).
"Em 2013, 17 por cento das crianças do Iémen, com idades entre os cinco e os 17 anos (1,3 milhões de crianças e jovens), estavam envolvidas em trabalho infantil. Hoje, é provável que haja muitas mais, devido ao colapso económico do Iémen".
As crianças e os jovens que não completam a sua escolaridade ou que são obrigados a abandonar o sistema educacional têm maior probabilidade de continuar a viver em condições de pobreza. A UNICEF indica que 84,5 por cento das crianças no Iémen vivem na pobreza e que, a longo prazo, essa situação continuará a perpetuar-se.
"Crianças e adolescentes pobres e vulneráveis também têm maior probabilidade de nunca ter ido à escola, de abandonar a escola e nunca mais voltar à escola".
O pior é que, com o conflito, a pobreza está a agravar-se no país.
De acordo com os dados mais recentes, quase metade dos iemenitas viviam na pobreza em 2014 e, agora, estima-se que as taxas de pobreza nacionais tenham aumentado para cerca de 80 por cento.
A UNICEF acredita que mais de oito em cada dez crianças vivam em famílias que não têm rendimentos suficientes para atender às suas necessidades básicas, como a alimentação, o saneamento ou água potável.
"Educação interrompida"
A UNICEF indica que há mais de 523 mil crianças deslocadas em idade escolar que lutam para ter acesso à educação "porque não há espaço suficiente nas salas de aula existentes". Nos últimos seis anos, milhares de escolas no território foram destruídas, usadas por grupos armados ou ocupadas por famílias deslocadas.
Para além da pouca segurança e qualidade nas condições para a aprendizagem, a maioria das crianças e jovens viu negado o acesso à educação quando as escolas fecharam devido à Covid-19.
"As escolas são lugares onde as crianças sentem alguma aparência de normalidade nas suas vidas, são um refúgio do caos e do trauma da guerra", destaca o relatório. "Quando não podem entrar nas salas de aula, as crianças têm de ficar em casa em comunidades que estão a sofrer os impactos do conflito, da insegurança alimentar e da pobreza".
O Iémen é um país muito jovem, como refere a UNICEF, com 40 por cento da população com menos de 14 anos de idade. Em 2007, a população iemenita foi estimada em 22,3 milhões e estima-se que chegue aos 47 milhões em 2040.
Mas, à medida que a população vai aumentando, "o sistema educacional vai precisar de acomodar um número cada vez maior de adolescentes e jovens".
A agência da ONU receia que se os "desafios ao sistema educacional não forem enfrentados de forma adequada hoje", ou a médio e a longo prazo, "existe uma possibilidade muito real de que o potencial de toda uma geração de crianças seja perdido".
Com este relatório, a UNICEF procura apelar a todas as partes no Iémen para apoiarem o direito das crianças à educação e trabalharem em conjunto para alcançar uma paz duradoura e inclusiva. Tal apelo inclui impedir ataques a escolas (ocorreram 231 desde março de 2015) e garantir que os professores recebem um salário regular para que as crianças possam continuar a aprender e a crescer.
"A educação é um investimento a longo prazo no futuro das crianças e no futuro do Iémen", reitera a UNICEF. "O apoio à educação deve ser previsível e sustentado".
Se o conflito armado continuar no Iémen, mais de seis milhões de crianças correm o risco de perder um direito básico como a Educação. O alerta é da UNICEF.
É o sexto ano consecutivo que o Iémen enfrenta a já considerada maior crise humanitária do Mundo, com cerca de 21 milhões de pessoas a necessitar diariamente de ajuda humanitária, incluindo mais de 11 milhões de crianças.
Desde 2015 que a escalada tem aumentado e, consequentemente, obrigado milhões de crianças iemenitas a viver em condições cada vez mais vulneráveis. Muitas são mortas, outras mutiladas. A pobreza e a fome aumentou e uma grande parte não tem acesso aos serviços de saúde nem de educação.
"As crianças continuam a ser as principais vítimas desta terrível crise, com 11,3 milhões a necessitar de alguma forma de ajuda humanitária ou assistência de proteção", aponta o relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
Seis anos depois, a educação das crianças iemenitas tornou-se uma das maiores vítimas do "conflito devastador e contínuo do Iémen". Esta é a conclusão em destaque no relatório "Educação interrompida: impacto do conflito na educação das crianças no Iémen".
Já há mais de dois milhões de rapazes e raparigas, em idade escolar, sem acesso à educação, devido à pobreza, aos conflitos e à falta de oportunidades. É mais do dobro do número de crianças que abandonaram a escola em 2015, quando o conflito começou.
Mas a situação pode agravar: se o conflito armado continuar, mais de seis milhões de crianças no Iémen correm o risco de perder o acesso à educação.
De acordo com os dados divulgados, cerca de 170 mil professores (dois terços do corpo docente do país) não recebem salário de forma regular há mais de quatro anos, devido ao conflito e às divisões geopolíticas, o que levou muitos deles a terem de deixar a profissão e a procurar outras formas de subsistência. Este esvaziamento profissional é também uma ameaça ao acesso ao ensino de quatro milhões de crianças.
O acesso à educação é um direito e, além disso, proporciona uma sensação de normalidade às crianças, mesmo nos contextos mais devastadores. A educação pode até protegê-las - sublinha a UNICEF - de múltiplas formas de exploração.
"As crianças que não concluem a escolaridades ficam presas num ciclo de pobreza que se autoperpetua. Se as crianças fora da escola não forem ajudadas adequadamente, podem nunca mais voltar à sala de aula", alerta a organização.
Crianças privadas do futuro
"O acesso à educação de qualidade é um direito básico de todas as crianças, incluindo meninas, crianças deslocadas e portadores de deficiência", escreveu no relatório Philippe Duamelle, representante da UNICEF no Iémen.
Embora a escalada tenha um grande impacto na vida das crianças, Duamelle considera que "o acesso à educação proporciona uma sensação de normalidade para as crianças (...) e protege-as de múltiplas formas de exploração". Por isso, "manter as crianças na escola é fundamental para o seu próprio futuro e para o futuro do Iémen".
De facto, segundo a UNICEF, os efeitos do conflito prolongado, somados à recente interrupção das atividades de escolares devido à pandemia da Covid-19, podem ter consequências "devastadoras e duradouras" no processo educacional, incluindo a aprendizagem, o bem-estar físico e mental de crianças e adolescentes do Iémen.
O relatório destaca ainda que, quando as crianças não têm acesso à escola, as consequências são "terríveis", tanto para o presente como para o futuro. Por exemplo, muitas meninas são forçadas a casar ainda menores, permanecendo presas a um ciclo de pobreza e potencial não realizado.
Segundo o relatório, 72,5 por cento das raparigas no Iémen casam ainda antes de fazerem 18 anos. O casamento precoce, realça o documento, "torna quase impossível para uma adolescente terminar os estudos". Além disso, quanto mais cedo se casarem mais provável é que tenham mais filhos ao longo da vida, o que, revelam os dados, "reduz a capacidade das famílias para responder às suas necessidades básicas e contribui para a pobreza".
Sem educação, as crianças tornam-se também mais vulneráveis a serem coagidos ao trabalho infantil ou recrutados para combate (mais de 3.600 crianças no Iémen foram recrutadas nos últimos seis anos).
"Em 2013, 17 por cento das crianças do Iémen, com idades entre os cinco e os 17 anos (1,3 milhões de crianças e jovens), estavam envolvidas em trabalho infantil. Hoje, é provável que haja muitas mais, devido ao colapso económico do Iémen".
As crianças e os jovens que não completam a sua escolaridade ou que são obrigados a abandonar o sistema educacional têm maior probabilidade de continuar a viver em condições de pobreza. A UNICEF indica que 84,5 por cento das crianças no Iémen vivem na pobreza e que, a longo prazo, essa situação continuará a perpetuar-se.
"Crianças e adolescentes pobres e vulneráveis também têm maior probabilidade de nunca ter ido à escola, de abandonar a escola e nunca mais voltar à escola".
O pior é que, com o conflito, a pobreza está a agravar-se no país.
De acordo com os dados mais recentes, quase metade dos iemenitas viviam na pobreza em 2014 e, agora, estima-se que as taxas de pobreza nacionais tenham aumentado para cerca de 80 por cento.
A UNICEF acredita que mais de oito em cada dez crianças vivam em famílias que não têm rendimentos suficientes para atender às suas necessidades básicas, como a alimentação, o saneamento ou água potável.
"Educação interrompida"
A UNICEF indica que há mais de 523 mil crianças deslocadas em idade escolar que lutam para ter acesso à educação "porque não há espaço suficiente nas salas de aula existentes". Nos últimos seis anos, milhares de escolas no território foram destruídas, usadas por grupos armados ou ocupadas por famílias deslocadas.
Para além da pouca segurança e qualidade nas condições para a aprendizagem, a maioria das crianças e jovens viu negado o acesso à educação quando as escolas fecharam devido à Covid-19.
"As escolas são lugares onde as crianças sentem alguma aparência de normalidade nas suas vidas, são um refúgio do caos e do trauma da guerra", destaca o relatório. "Quando não podem entrar nas salas de aula, as crianças têm de ficar em casa em comunidades que estão a sofrer os impactos do conflito, da insegurança alimentar e da pobreza".
O Iémen é um país muito jovem, como refere a UNICEF, com 40 por cento da população com menos de 14 anos de idade. Em 2007, a população iemenita foi estimada em 22,3 milhões e estima-se que chegue aos 47 milhões em 2040.
Mas, à medida que a população vai aumentando, "o sistema educacional vai precisar de acomodar um número cada vez maior de adolescentes e jovens".
A agência da ONU receia que se os "desafios ao sistema educacional não forem enfrentados de forma adequada hoje", ou a médio e a longo prazo, "existe uma possibilidade muito real de que o potencial de toda uma geração de crianças seja perdido".
Com este relatório, a UNICEF procura apelar a todas as partes no Iémen para apoiarem o direito das crianças à educação e trabalharem em conjunto para alcançar uma paz duradoura e inclusiva. Tal apelo inclui impedir ataques a escolas (ocorreram 231 desde março de 2015) e garantir que os professores recebem um salário regular para que as crianças possam continuar a aprender e a crescer.
"A educação é um investimento a longo prazo no futuro das crianças e no futuro do Iémen", reitera a UNICEF. "O apoio à educação deve ser previsível e sustentado".
27.4.15
Risco de pobreza e exclusão social aumentou em 2014
Cristina Sambado, RTP
Portugal foi o país da União Europeia em que mais aumentou o risco de pobreza e de exclusão social em 2014, logo seguido da Grécia. Os dados, que constam do Relatório da Crise da Cáritas Europa 2015, a apresentar esta quarta-feira em Lisboa, revelam ainda que passados seis anos desde o início da crise, em 2008, há 25 milhões de desempregados e 120 milhões em risco de pobreza na Europa.
O relatório “O aumento da pobreza e das desigualdades – modelos sociais justos são necessários”, divulgado no passado dia 19 de fevereiro em Itália, sob os auspícios do Conselho Europeu, analisou as taxas de desemprego, os níveis de pobreza e exclusão social, o estado dos serviços públicos, a confiança nas instituições e a coesão social, nos sete países da União Europeia mais atingidos pela crise – Portugal, Chipre, Grécia, Irlanda, Itália, Roménia e Espanha.
O documento, que vai ser apresentado pelo secretário-geral da Cáritas Europa, Jorge Nuño Mayer, destaca que Portugal, com um aumento de 2,1 pontos percentuais, foi o país que teve a maior subida da taxa de risco de pobreza e exclusão social em 2014, seguido da Grécia (1,1 por cento).
“Outro dado revelante é que Portugal, apesar de toda a austeridade e de todos os sacrifícios pedidos, tem a segunda maior dívida pública em comparação com o Produto Interno Bruto (128 por cento) logo a seguir à Grécia (174,9 por cento)”, afirmou à Lusa Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa.
Para o responsável da instituição da Igreja Católica em Portugal, “apesar de ser verdade que em termos macroeconómicos Portugal está a dar sinais de alguma evolução, não se pode de forma alguma descurar estas conclusões analisadas por peritos que comparam estes dados com outros países intervencionados”.
“É preciso assegurar, de uma vez por todas, e sem qualquer preconceito, um rendimento mínimo para todas as pessoas que lhes permita viver com dignidade e reduzir as desigualdades, criando emprego a médio prazo”, frisou Eugénio Fonseca.
Segundo o presidente da Cáritas Portuguesa, “para isso ser possível, a riqueza gerada tem de ser distribuída com justiça e têm de ser criadas condições para um combate eficaz à evasão fiscal, para que haja taxas justas e equilibradas para todos os setores da sociedade e um equilíbrio justo na repartição dos sacrifícios”.
“É preciso tomar conta de toda a população portuguesa, mas temos de dar especial atenção à proteção dos grupos mais vulneráveis”, sublinhou Eugénio Fonseca.
Desempregados sem apoios
“A prolongada crise económica levou à intensificação das dificuldades financeiras das famílias, no primeiro trimestre de 2014, com as de mais baixos rendimentos a sentirem as maiores dificuldades para fazer face às despesas correntes”, lê-se no relatório que adverte ainda para o facto de “um número significativo de pessoas desempregadas não estar abrangido pelas redes de segurança normais, como as prestações de desemprego ou a assistência social”.
Segundo o relatório, “a percentagem de pessoas que não recebe apoio ao rendimento é especialmente elevada na Grécia, Chipre, Itália e Portugal, onde mais de 40 por cento das pessoas vivem em famílias sem (ou quase sem) trabalho e pobres recebem apenas até dez por cento do seu rendimentos em transferências sociais, e em Espanha e na Roménia, onde a percentagem se situa entre os 30 e os 40 por cento”.
Os autores do relatório consideram que “a falta de cobertura destas pessoas sugere a falta do sistema de benefícios para chegar aos mais vulneráveis”.
Um quarto da população em risco
O relatório “O aumento da pobreza e das desigualdades – modelos sociais justos são necessários” refere ainda que a taxa de pobreza ou de exclusão social aumentou de 2008 para 2013 na maior parte dos 28 Estados-membros da União Europeia e atinge 122,5 milhões de pessoas ou 24,5 por cento da população (ou seja, quase uma em cada quatro pessoas).
“As crianças e as famílias foram afetadas de forma desproporcionada pela crise e pelas medidas de austeridade e demasiadas vezes o impacto dessas medidas não foi tido em conta, com serviços frequentemente cortados quando são precisamente necessários, algo que é sobretudo evidente nos países sujeitos a programas de ajustamento”, refere o documento.
Também o “desemprego se mantém historicamente elevado, afetando mais de 25 milhões de pessoas em abril de 2014, o que representa um aumento de quase 8,4 milhões entre 2008 e dezembro de 2013”.
Para a Cáritas “apesar da existência de sinais de crescimento na Europa, ainda não se verificou um aumento significativo de empregos e o problema dos desempregados de longa duração constitui um enorme desafio”.
“Os líderes europeus devem reconhecer que, por si só, a atual orientação […] está a falhar tanto em termos económicos como sociais e é urgentemente necessária uma nova estratégia”, salienta o relatório.
O relatório questiona “a qualidade dos empregos disponíveis, cada vez menos seguros e com o emprego temporário a aumentar”, e considera “pouco provável que uma redução gradual do desemprego seja suficiente para inverter a tendência crescente dos níveis de pobreza”.
O documento sublinha ainda que “os sistemas de proteção social estão sob pressão e há falhas que estão a deixar muitas pessoas em situação miserável, enquanto os cortes nos serviços públicos afetam de forma desproporcionada que tem rendimentos mais baixos”.
“As pessoas que pagam atualmente o peso mais elevado são as que não participaram nas decisões que conduziram à crise e os países mais afetados são os que têm maiores carências nos seus sistemas de proteção social”, frisa.
A Cáritas considera “que a política de dar prioridade à austeridade não está a funcionar” e apela “para que sejam adotadas alternativas”, frisando que “falta encontrar uma solução para a crise das dívidas”, e que “é injusto e insustentável transformar a dívida bancária em dívida soberana”.
Portugal foi o país da União Europeia em que mais aumentou o risco de pobreza e de exclusão social em 2014, logo seguido da Grécia. Os dados, que constam do Relatório da Crise da Cáritas Europa 2015, a apresentar esta quarta-feira em Lisboa, revelam ainda que passados seis anos desde o início da crise, em 2008, há 25 milhões de desempregados e 120 milhões em risco de pobreza na Europa.
O relatório “O aumento da pobreza e das desigualdades – modelos sociais justos são necessários”, divulgado no passado dia 19 de fevereiro em Itália, sob os auspícios do Conselho Europeu, analisou as taxas de desemprego, os níveis de pobreza e exclusão social, o estado dos serviços públicos, a confiança nas instituições e a coesão social, nos sete países da União Europeia mais atingidos pela crise – Portugal, Chipre, Grécia, Irlanda, Itália, Roménia e Espanha.
O documento, que vai ser apresentado pelo secretário-geral da Cáritas Europa, Jorge Nuño Mayer, destaca que Portugal, com um aumento de 2,1 pontos percentuais, foi o país que teve a maior subida da taxa de risco de pobreza e exclusão social em 2014, seguido da Grécia (1,1 por cento).
“Outro dado revelante é que Portugal, apesar de toda a austeridade e de todos os sacrifícios pedidos, tem a segunda maior dívida pública em comparação com o Produto Interno Bruto (128 por cento) logo a seguir à Grécia (174,9 por cento)”, afirmou à Lusa Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa.
Para o responsável da instituição da Igreja Católica em Portugal, “apesar de ser verdade que em termos macroeconómicos Portugal está a dar sinais de alguma evolução, não se pode de forma alguma descurar estas conclusões analisadas por peritos que comparam estes dados com outros países intervencionados”.
“É preciso assegurar, de uma vez por todas, e sem qualquer preconceito, um rendimento mínimo para todas as pessoas que lhes permita viver com dignidade e reduzir as desigualdades, criando emprego a médio prazo”, frisou Eugénio Fonseca.
Segundo o presidente da Cáritas Portuguesa, “para isso ser possível, a riqueza gerada tem de ser distribuída com justiça e têm de ser criadas condições para um combate eficaz à evasão fiscal, para que haja taxas justas e equilibradas para todos os setores da sociedade e um equilíbrio justo na repartição dos sacrifícios”.
“É preciso tomar conta de toda a população portuguesa, mas temos de dar especial atenção à proteção dos grupos mais vulneráveis”, sublinhou Eugénio Fonseca.
Desempregados sem apoios
“A prolongada crise económica levou à intensificação das dificuldades financeiras das famílias, no primeiro trimestre de 2014, com as de mais baixos rendimentos a sentirem as maiores dificuldades para fazer face às despesas correntes”, lê-se no relatório que adverte ainda para o facto de “um número significativo de pessoas desempregadas não estar abrangido pelas redes de segurança normais, como as prestações de desemprego ou a assistência social”.
Segundo o relatório, “a percentagem de pessoas que não recebe apoio ao rendimento é especialmente elevada na Grécia, Chipre, Itália e Portugal, onde mais de 40 por cento das pessoas vivem em famílias sem (ou quase sem) trabalho e pobres recebem apenas até dez por cento do seu rendimentos em transferências sociais, e em Espanha e na Roménia, onde a percentagem se situa entre os 30 e os 40 por cento”.
Os autores do relatório consideram que “a falta de cobertura destas pessoas sugere a falta do sistema de benefícios para chegar aos mais vulneráveis”.
Um quarto da população em risco
O relatório “O aumento da pobreza e das desigualdades – modelos sociais justos são necessários” refere ainda que a taxa de pobreza ou de exclusão social aumentou de 2008 para 2013 na maior parte dos 28 Estados-membros da União Europeia e atinge 122,5 milhões de pessoas ou 24,5 por cento da população (ou seja, quase uma em cada quatro pessoas).
“As crianças e as famílias foram afetadas de forma desproporcionada pela crise e pelas medidas de austeridade e demasiadas vezes o impacto dessas medidas não foi tido em conta, com serviços frequentemente cortados quando são precisamente necessários, algo que é sobretudo evidente nos países sujeitos a programas de ajustamento”, refere o documento.
Também o “desemprego se mantém historicamente elevado, afetando mais de 25 milhões de pessoas em abril de 2014, o que representa um aumento de quase 8,4 milhões entre 2008 e dezembro de 2013”.
Para a Cáritas “apesar da existência de sinais de crescimento na Europa, ainda não se verificou um aumento significativo de empregos e o problema dos desempregados de longa duração constitui um enorme desafio”.
“Os líderes europeus devem reconhecer que, por si só, a atual orientação […] está a falhar tanto em termos económicos como sociais e é urgentemente necessária uma nova estratégia”, salienta o relatório.
O relatório questiona “a qualidade dos empregos disponíveis, cada vez menos seguros e com o emprego temporário a aumentar”, e considera “pouco provável que uma redução gradual do desemprego seja suficiente para inverter a tendência crescente dos níveis de pobreza”.
O documento sublinha ainda que “os sistemas de proteção social estão sob pressão e há falhas que estão a deixar muitas pessoas em situação miserável, enquanto os cortes nos serviços públicos afetam de forma desproporcionada que tem rendimentos mais baixos”.
“As pessoas que pagam atualmente o peso mais elevado são as que não participaram nas decisões que conduziram à crise e os países mais afetados são os que têm maiores carências nos seus sistemas de proteção social”, frisa.
A Cáritas considera “que a política de dar prioridade à austeridade não está a funcionar” e apela “para que sejam adotadas alternativas”, frisando que “falta encontrar uma solução para a crise das dívidas”, e que “é injusto e insustentável transformar a dívida bancária em dívida soberana”.
21.11.14
Uma em 30 crianças nos EUA não tem abrigo
in Jornal de Notícias
Uma em cada 30 crianças nos EUA não tem casa, um máximo histórico que é atribuído às altas taxas de pobreza no país, aos elevados custos das habitações e ao impacto da violência doméstica.
O relatório "Os marginais mais jovens dos EUA", publicado pelo Centro Nacional de Famílias Desamparadas, indica que cerca de 2,5 milhões de crianças norte-americanas estiveram sem casa em algum momento no ano de 2013.
"A falta de habitação entre as crianças alcançou proporções epidémicas. Há crianças sem casa esta noite em cada cidade, em cada condado, em cada Estado, em cada canto do país", assegurou Carmela DeCandia, coautora do estudo e diretora do centro encarregado da sua redação.
Apesar de DeCandia reconhecer que o governo federal conseguiu avanços na redução da falta de abrigo para veteranos de guerra e adultos, insistiu em que o número de crianças sem-abrigo aumentou 8% entre 2012 e 2013.
"Não se dirigiu o mesmo nível de atenção e recursos para ajudar as famílias e as crianças. Como sociedade, vamos pagar um preço alto, em termos humanos e económicos", acrescentou.
No documento explica-se que esta situação afeta a saúde dos menores de maneira drástica, uma vez que mais de 25% das crianças em idade pré-escolar sem-abrigo sofrem problemas mentais e requerem atenção médica, percentagem que aumenta para 40% no caso dos menores em idade escolar.
Muitos, adverte-se no relatório, lutam por ir à escola, perdem muitas aulas, repetem anos e acabam por abandonar a escola.
"Viver em refúgios, sótãos de vizinhos, carros, tendas de campismo e locais piores faz com que as crianças sem habitação sejam as pessoas mais invisíveis e esquecidas da nossa sociedade", disse Decandia, para quem, "sem uma ação decisiva imediata, o objetivo de acabar com a falta de habitação na infância até 2020 ficará fora de alcance".
Uma em cada 30 crianças nos EUA não tem casa, um máximo histórico que é atribuído às altas taxas de pobreza no país, aos elevados custos das habitações e ao impacto da violência doméstica.
O relatório "Os marginais mais jovens dos EUA", publicado pelo Centro Nacional de Famílias Desamparadas, indica que cerca de 2,5 milhões de crianças norte-americanas estiveram sem casa em algum momento no ano de 2013.
"A falta de habitação entre as crianças alcançou proporções epidémicas. Há crianças sem casa esta noite em cada cidade, em cada condado, em cada Estado, em cada canto do país", assegurou Carmela DeCandia, coautora do estudo e diretora do centro encarregado da sua redação.
Apesar de DeCandia reconhecer que o governo federal conseguiu avanços na redução da falta de abrigo para veteranos de guerra e adultos, insistiu em que o número de crianças sem-abrigo aumentou 8% entre 2012 e 2013.
"Não se dirigiu o mesmo nível de atenção e recursos para ajudar as famílias e as crianças. Como sociedade, vamos pagar um preço alto, em termos humanos e económicos", acrescentou.
No documento explica-se que esta situação afeta a saúde dos menores de maneira drástica, uma vez que mais de 25% das crianças em idade pré-escolar sem-abrigo sofrem problemas mentais e requerem atenção médica, percentagem que aumenta para 40% no caso dos menores em idade escolar.
Muitos, adverte-se no relatório, lutam por ir à escola, perdem muitas aulas, repetem anos e acabam por abandonar a escola.
"Viver em refúgios, sótãos de vizinhos, carros, tendas de campismo e locais piores faz com que as crianças sem habitação sejam as pessoas mais invisíveis e esquecidas da nossa sociedade", disse Decandia, para quem, "sem uma ação decisiva imediata, o objetivo de acabar com a falta de habitação na infância até 2020 ficará fora de alcance".
9.4.13
OIT alerta para desemprego na Europa "sem sinais de melhoria"
in RTP
Um milhão de pessoas perdeu o emprego na União Europeia nos últimos seis meses. O número consta de um relatório da Organização Internacional de Trabalho (OIT) que serve de ponto de partida para mais uma reunião regional europeia da instituição, a ter lugar a partir desta segunda-feira em Oslo, na Noruega. No mesmo documento pode ainda ler-se que “não há sinais de melhoria”.
Na introdução ao relatório, a OIT escreve que “as perspetivas de emprego na região da Europa são desencorajadoras”, quando os dados mais recentes dão conta de “níveis de desemprego sem precedentes que afetam particularmente os jovens”.
Desde 2008 que a região da Europa está a braços com uma crise económica e financeira de consequências devastadoras para a economia real e para a qualidade de emprego, levando a um aumento no desemprego, embora este tenha abrandado no período de 2010-2011, mas voltando agora a disparar e não havendo “sinais de melhoria".
A OIT, que inicia hoje em Oslo a sua 90ª reunião regional europeia, refere que "agora há mais 10 milhões de desempregados relativamente ao início da crise em 2007, e os jovens e trabalhadores menos qualificados são os mais atingidos".
O relatório refere ainda que “a elevada taxa de desemprego, os drásticos cortes salariais e a congelação dos salários no sector público”, a que se junta “um aumento dos impostos” que afetam “de forma desproporcionada os mais pobres”, têm sido motivo para manifestações pacíficas e protestos que, por vezes, se têm tornado em algumas ocasiões violentos”.
Têm sido estas medidas de rigor orçamental nos países mais atingidos pelos efeitos da crise económica na Europa que levaram a que apenas cinco países - Áustria, Alemanha, Hungria, Luxemburgo e Malta - dos 27 que integram o espaço comunitário europeu registem taxas de emprego acima dos níveis anteriores à crise, enquanto a Grécia, Chipre, Espanha e Portugal viram cair em mais de três por cento as taxas de emprego nos últimos anos.
Problema estrutural
Na ótica da Organização Internacional do Trabalho, o desemprego a longo prazo é um problema estrutural para muitos países europeus e, em 19 deles, mais de 40 por cento das pessoas sem trabalho são consideradas desempregados de longa duração, o que traduz estarem fora do mercado de trabalho mais de um ano, situação que aumenta consideravelmente a possibilidade de convulsões sociais.
Perante 26 milhões de desempregados na União Europeia, a Organização Internacional do Trabalho insiste na urgência de mudanças nas políticas de austeridade atuais por medidas focadas na criação do emprego.
Na introdução ao relatório escreve-se que “a estratégia deverá basear-se na coordenação de políticas económicas, sociais e de emprego que garantam o respeito e os direitos fundamentais e as normas internacionais de trabalho, fortalecendo o diálogo social e captando os atores da economia real para a criação de empregos”.
A OIT observa ainda com “crescente preocupação que o ritmo e o alcance das medidas de consolidação fiscal, tanto nos países afetados pela crise como em outros países europeus, não permitiram cumprir os objetivos políticos fixados e têm posto em perigo a recuperação do emprego tendo tido o efeito de desviar a atenção da mais que necessária reforma do sistema financeiro”.
A 90ª Reunião Regional Europeia da OIT junta empregadores, governos e trabalhadores representantes de 51 países, sendo uma oportunidade para que as delegações da Região Europeia e da Ásia Central compartilharem experiências, discutam a resposta à crise económica e do emprego na região e olhem para os níveis de proteção social, diálogo social e a aplicação do direito do trabalho.
Um milhão de pessoas perdeu o emprego na União Europeia nos últimos seis meses. O número consta de um relatório da Organização Internacional de Trabalho (OIT) que serve de ponto de partida para mais uma reunião regional europeia da instituição, a ter lugar a partir desta segunda-feira em Oslo, na Noruega. No mesmo documento pode ainda ler-se que “não há sinais de melhoria”.
Na introdução ao relatório, a OIT escreve que “as perspetivas de emprego na região da Europa são desencorajadoras”, quando os dados mais recentes dão conta de “níveis de desemprego sem precedentes que afetam particularmente os jovens”.
Desde 2008 que a região da Europa está a braços com uma crise económica e financeira de consequências devastadoras para a economia real e para a qualidade de emprego, levando a um aumento no desemprego, embora este tenha abrandado no período de 2010-2011, mas voltando agora a disparar e não havendo “sinais de melhoria".
A OIT, que inicia hoje em Oslo a sua 90ª reunião regional europeia, refere que "agora há mais 10 milhões de desempregados relativamente ao início da crise em 2007, e os jovens e trabalhadores menos qualificados são os mais atingidos".
O relatório refere ainda que “a elevada taxa de desemprego, os drásticos cortes salariais e a congelação dos salários no sector público”, a que se junta “um aumento dos impostos” que afetam “de forma desproporcionada os mais pobres”, têm sido motivo para manifestações pacíficas e protestos que, por vezes, se têm tornado em algumas ocasiões violentos”.
Têm sido estas medidas de rigor orçamental nos países mais atingidos pelos efeitos da crise económica na Europa que levaram a que apenas cinco países - Áustria, Alemanha, Hungria, Luxemburgo e Malta - dos 27 que integram o espaço comunitário europeu registem taxas de emprego acima dos níveis anteriores à crise, enquanto a Grécia, Chipre, Espanha e Portugal viram cair em mais de três por cento as taxas de emprego nos últimos anos.
Problema estrutural
Na ótica da Organização Internacional do Trabalho, o desemprego a longo prazo é um problema estrutural para muitos países europeus e, em 19 deles, mais de 40 por cento das pessoas sem trabalho são consideradas desempregados de longa duração, o que traduz estarem fora do mercado de trabalho mais de um ano, situação que aumenta consideravelmente a possibilidade de convulsões sociais.
Perante 26 milhões de desempregados na União Europeia, a Organização Internacional do Trabalho insiste na urgência de mudanças nas políticas de austeridade atuais por medidas focadas na criação do emprego.
Na introdução ao relatório escreve-se que “a estratégia deverá basear-se na coordenação de políticas económicas, sociais e de emprego que garantam o respeito e os direitos fundamentais e as normas internacionais de trabalho, fortalecendo o diálogo social e captando os atores da economia real para a criação de empregos”.
A OIT observa ainda com “crescente preocupação que o ritmo e o alcance das medidas de consolidação fiscal, tanto nos países afetados pela crise como em outros países europeus, não permitiram cumprir os objetivos políticos fixados e têm posto em perigo a recuperação do emprego tendo tido o efeito de desviar a atenção da mais que necessária reforma do sistema financeiro”.
A 90ª Reunião Regional Europeia da OIT junta empregadores, governos e trabalhadores representantes de 51 países, sendo uma oportunidade para que as delegações da Região Europeia e da Ásia Central compartilharem experiências, discutam a resposta à crise económica e do emprego na região e olhem para os níveis de proteção social, diálogo social e a aplicação do direito do trabalho.
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