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15.9.23

Mais de 330 milhões de crianças vivem em pobreza extrema

in SIC


Passada a pandemia, neste momento, as guerras e as alterações climáticas são os fatores que mais contribuem para o agravar da situação. Globalmente, apesar de serem apenas um terço da população mundial, as crianças são metade dos que vivem em pobreza extrema.


A UNICEF diz que há mais de 330 milhões de crianças a viverem em pobreza extrema, em todo o mundo. Mais de 90% destas residem na África subsariana ou no sul da Ásia.

Segundo a UNICEF, uma em cada seis crianças, sobrevive com menos de dois euros por dia. Dois euros, nos países mais ricos do mundo, na Europa e na América do Norte, por exemplo, não chegam sequer para comprar uma sanduíche simples e um copo de leite. Mas, para os mais de 330 milhões de menores que vivem em pobreza extrema, são tudo o que têm para se alimentarem durante um dia inteiro.

Apesar de ter havido uma melhoria na última década, as consequências económicas da pandemia de covid-19, levaram a que muitas famílias deixassem de ter rendimentos e os mais novos são os mais vulneráveis, sempre que há uma diminuição do dinheiro que entra em casa.

Passada a pandemia, neste momento, as guerras e as alterações climáticas são os fatores que mais contribuem para o agravar da situação. Globalmente, apesar de serem apenas um terço da população mundial, as crianças são metade dos que vivem em pobreza extrema.

As crianças que vivem nos meios rurais, ou em famílias onde o pai ou a mãe não foram à escola, são as mais pobres de todos os pobres. A continuar assim, a ONU diz que a falha em erradicar a pobreza infantil é um terrível erro coletivo em termos de direitos humanos.

13.9.23

Crianças sofrem o impacto da estagnação na redução da pobreza extrema em todo o mundo

in UNICEF


Globalmente, 333 milhões de crianças sobrevivem com menos de US$ 2,15 por dia. Uma nova análise revela três anos perdidos na redução da pobreza devido à covid-19


Nova Iorque/Washington, 13 de setembro de 2023 – Estima-se que 333 milhões de crianças em todo o mundo – ou uma em cada seis – vivam em pobreza extrema, de acordo com a nova análise do UNICEF e do Banco Mundial divulgada hoje.

Global Trends in Child Monetary Poverty According to International Poverty Lines (Tendências Globais da Pobreza Monetária Infantil segundo as Linhas Internacionais de Pobreza – disponível somente em inglês) – que pela primeira vez analisa as tendências da pobreza infantil extrema – constata que, embora o número de crianças que vivem com menos de US$ 2,15 por dia tenha diminuído de 383 milhões para 333 milhões (ou 13%) entre 2013 e 2022, o impacto econômico da covid-19 levou a três anos perdidos de progresso, ou seja, menos 30 milhões de crianças do que o previsto, na ausência de perturbações relacionadas com a covid-19.

A análise – divulgada antes da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas (18 a 22 de setembro), quando os líderes globais se reunirão, entre outras coisas, para discutir o ponto médio dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – alerta que, com as atuais taxas de redução, a meta dos ODS de acabar com a pobreza infantil extrema até 2030 não será alcançada.

“Há sete anos, o mundo prometeu acabar com a pobreza infantil extrema até 2030. Fizemos progressos, mostrando que, com os investimentos e a vontade certos, existe uma forma de tirar milhões de crianças daquilo que é muitas vezes um círculo vicioso de pobreza”, afirmou a diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell. “Mas crises agravadas, resultantes dos impactos da covid-19, dos conflitos, das mudanças climáticas e dos choques econômicos, paralisaram o progresso e deixaram milhões de crianças na pobreza extrema. Não podemos falhar com essas crianças agora. Acabar com a pobreza infantil é uma escolha política. Os esforços devem ser redobrados para garantir que todas as crianças tenham acesso a serviços essenciais, incluindo educação, nutrição, cuidados de saúde e proteção social, abordando simultaneamente as causas profundas da pobreza extrema”.

De acordo com o relatório, a África ao sul do Saara carrega o maior fardo de crianças (40%) vivendo em pobreza extrema, e é responsável pelo maior aumento percentual na última década, saltando de 54,8% em 2013 para 71,1% em 2022. O crescimento populacional rápido, as medidas limitadas de proteção social e as tendências globais desafiadoras, incluindo a covid-19, os conflitos e as catástrofes relacionadas com o clima, resultaram num aumento acentuado. Entretanto, todas as outras regiões do mundo registraram um declínio constante nas taxas de pobreza extrema, com exceção do Oriente Médio e do Norte de África.

Globalmente, as crianças representam mais de 50% da população extremamente pobre, apesar de representarem apenas um terço da população mundial. As crianças têm duas vezes mais probabilidades do que os adultos – 15,8% versus 6,6% – de viver em domicílios extremamente pobres, sem alimentação, saneamento, abrigo, cuidados de saúde e educação de que necessitam para sobreviver e prosperar.

“Um mundo onde 333 milhões de crianças vivem em extrema pobreza – privadas não só de necessidades básicas, mas também de dignidade, oportunidade ou esperança – é simplesmente intolerável”, disse o diretor global para Pobreza e Equidade do Banco Mundial, Luis-Felipe Lopez-Calva. “É mais importante do que nunca que todas as crianças tenham um caminho claro para sair da pobreza – por meio do acesso equitativo a educação, nutrição, saúde e proteção social de qualidade, bem como segurança e proteção. Este relatório deve ser um lembrete claro de que não temos tempo a perder na luta contra a pobreza e a desigualdade e que as crianças devem estar em primeiro lugar nos nossos esforços”.

As crianças mais vulneráveis – como as que vivem em ambientes rurais e as crianças que vivem em domicílios onde o principal responsável tem pouca ou nenhuma educação – são significativamente mais afetadas pela pobreza extrema. De acordo com o relatório, estima-se que uma em cada três crianças em países afetados por conflitos e fragilidades viva em domicílios extremamente pobres, em comparação com uma em cada dez crianças em países sem fragilidades.

Para acabar com a pobreza extrema e compensar o retrocesso pandêmico, o UNICEF e o Banco Mundial pedem aos governos e parceiros para:Garantir uma atenção contínua às crianças que vivem em situação de pobreza extrema em países de renda média-baixa e baixa e em contextos frágeis.
Priorizar agendas destinadas a combater a pobreza infantil, incluindo a expansão da cobertura de proteção social para as crianças, para chegar às pessoas que vivem em domicílios extremamente pobres.
Conceber portfólios de políticas públicas para abranger famílias numerosas, aquelas com crianças pequenas e nas zonas rurais. Investir na primeira infância revelou-se uma das formas mais eficazes de acabar com a persistência intergeracional da pobreza, trazendo retornos positivos para os indivíduos, as famílias e as sociedades.Aumentar o acesso a benefícios universais para crianças como uma medida comprovadamente eficaz na redução da pobreza infantil.
Conceber programas de proteção social inclusivos, tendo em conta as necessidades específicas de deficiências e de gênero.


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Notas para editores

A análise das Tendências Globais da Pobreza Monetária Infantil segundo as Linhas Internacionais de Pobreza baseia-se num exercício semelhante realizado em 2020 para examinar a pobreza infantil. A análise contém registros de 10,4 milhões de indivíduos de 147 países, retirados da do segundo bimestre da Base de Dados de Monitoramento Global (GMD), tendo 2019 como ano base. A GMD é uma coleção de dados de pesquisas domiciliares globalmente harmonizados, compilados pelo grupo de Dados para Objetivos da Prática Global de Pobreza e Equidade do Banco Mundial.

As estimativas de pobreza para 2020, 2021 e 2022 foram “previstas agora” – ou seja, as taxas de crescimento do produto interno bruto (PIB) foram utilizadas para prever os rendimentos domiciliares, assumindo que todos os domicílios registram um crescimento igual do consumo em termos percentuais.

As linhas de pobreza internacionais foram atualizadas em 2022. As três linhas de pobreza são: US$ 2,15 (pobreza extrema), US$ 3,65 (renda média baixa) e US$ 6,85 (renda média alta).

Aproximadamente 333 milhões de crianças em todo o mundo sobrevivem com menos de US$ 2,15 por dia, 829 milhões de crianças subsistem abaixo do limiar de pobreza de US$ 3,65 e 1,43 bilhão de crianças vivem com menos de US$ 6,85 por dia.

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Conteúdo multimídia disponível para download aqui.

14.7.23

UNICEF. Onze crianças morrem no mar todas as semanas a tentar chegar à Europa

Rachel Mestre Mesquita, in RTP

Pelo menos três centenas de crianças morreram ou desapareceram em 2023 ao tentar atravessar a perigosa rota migratória do Mediterrâneo Central, desde o Norte de África para a Europa, segundo a UNICEF. Todas as semanas, uma média de 11 crianças morre ou desaparece em busca de segurança, paz e melhores oportunidades.

“Na tentativa de encontrarem segurança, reunir-se com a família e procurar futuros mais esperançosos, muitas crianças estão a encher os barcos nas margens do Mediterrâneo, perdendo a vida ou desaparecendo pelo caminho”, afirma Catherine Russell, diretora Executiva da UNICEF, no comunicado de imprensa da organização.


Cerca de 11.600 crianças – uma média de 428 por semana - chegaram à Europa pela Rota do Mediterrâneo Central, desde o início do ano. Pelo menos 289 morreram ou desapareceram, segundo dados do ACNUR e da OIM, apresentados pela UNICEF.
Uma realidade dura de retratar

O número real de vítimas dos naufrágios nas travessias é impossível de verificar, sendo possivelmente muito mais elevado do que o estimado, isto porque muitos não deixam sobreviventes ou não são registados.

De acordo com os registos do Projeto Migrantes Desaparecidos da Organização Internacional para as Migrações (OIM), 8.274 pessoas morreram ou desapareceram nesta rota desde 2018, das quais 1.500 eram crianças.

Segundo a UNICEF, “nos últimos meses crianças e bebés têm estado entre os que perderam as suas vidas nesta rota, noutras do Mediterrâneo e na rota do Atlântico a partir da África Ocidental, incluindo as recentes tragédias ao largo das costas da Grécia e das Ilhas Canárias de Espanha”.

A perigosa Rota Migratória do Mediterrâneo Central

A viagem pelo mar do Norte de África, principalmente da Tunísia e Líbia, para Itália tornou-se numa das rotas migratórias mais ativas e perigosas do mundo. Aqui o risco de morte no mar é apenas uma das muitas tragédias que as crianças enfrentam. Desprotegidas, a maioria delas encontram-se sozinhas ou separadas dos pais e experienciam durante a travessia diversos riscos - desde ameaças e atos de violência, rusgas, detenções de imigrantes, separação forçada da família a falta de oportunidades de educação ou de futuro.
“Desde 2018, cerca de 1.500 crianças morreram ou desapareceram ao tentar atravessar o mar no Mediterrâneo Central”, estima a UNICEF.
Para além disso, a falta de segurança nas deslocações, de acesso à proteção nos países ao longo do percurso e a insuficiência e lentidão das operações de resgate agravam os riscos de insegurança que tornam a Rota Migratória do Mediterrâneo Central uma das mais perigosas que se podem experimentar. No primeiro trimestre deste ano, 3.300 crianças foram registadas como não acompanhadas ou separadas da família, o que as torna mais vulneráveis a riscos de violência, exploração e abuso, especialmente as raparigas que, viajando sozinhas, são mais suscetíveis de serem vítimas de violência antes, durante a após as suas viagens.
“Nos primeiros três meses de 2023 (…) 71% de todas as crianças que chegaram à Europa por esta rota foram registadas como não acompanhadas ou separadas dos pais ou tutores legais”, segundo a organização.
Apesar do trabalho desenvolvido neste campo pela UNICEF e outras organizações da ONU, que continuam a prestar ajuda aos países no reforço dos “sistemas nacionais de proteção da criança, de proteção e de migração e asilo” e na prestação de “apoio e serviços inclusivos a todas as crianças, independentemente do estatuto legal ou jurídico dos seus pais”, muito falta fazer para mitigar e prevenir os riscos que as crianças enfrentam.
Um longo caminho a percorrer

O aumento de mortes e desaparecimentos na Rota Migratória do Mediterrâneo que se verificou em 2023, em comparação com o mesmo período de 2022, é “um sinal claro de que é necessário fazer mais para criar vias seguras e legais para que as crianças possam aceder ao asilo, reforçando simultaneamente os esforços para salvar vidas no mar”, considera Catherine Russel.

De modo a travar a tendência de insegurança que se tem verificado, a UNICEF apela aos governos para que ajam em conformidade com as obrigações decorrentes do direito internacional e da Convenção sobre os Direitos da Criança e contribuam para “uma melhor proteção das crianças vulneráveis no mar e nos países de origem, trânsito e destino”, lê-se no comunicado.

A organização apela igualmente à União Europeia para que reflita no Pacto Europeu de Migração e Asilo, documento que está em negociação, sete pontos que considera fundamentais para proteger os direitos e o interesse superior destas crianças: por exemplo, “proporcionar vias seguras e legais para que as crianças migrem e procurem asilo”, “reforçar a coordenação nas operações de busca e resgate e garantir o desembarque imediato em locais seguros” ou ainda “reforçar os sistemas nacionais de proteção infantil para melhor incluir e proteger crianças em risco de exploração e violência, especialmente crianças não acompanhadas”.

6.6.23

Impacto da guerra nas crianças ucranianas: “Não há um botão de pausa na infância”

PÚBLICO e Europa Press


No Dia Internacional das Crianças Vítimas Inocentes de Agressão, as Nações Unidas lembram os efeitos a curto e longo prazo do conflito nos mais jovens.

A guerra na Ucrânia trouxe para a Europa um exemplo do impacto dos conflitos no crescimento das crianças um pouco por todo o mundo onde há guerras a marcar o quotidiano. Além das muitas crianças mortas e feridas como danos colaterais das acções bélicas, as Nações Unidas estão preocupadas com os efeitos físicos e psicológicos do conflito nas crianças ucranianas a curto, médio e longo prazo. As marcas invisíveis que transcendem o imediato, silenciosas, e que se podem revelar a qualquer momento neste que é um dos grupos mais vulneráveis.

Como diz o porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na Ucrânia, Damian Rance, neste domingo, 4 de Junho, em que a organização assinala o Dia Internacional das Crianças Vítimas Inocentes de Agressão, “não há um botão de pausa na infância”.

A Ucrânia é apenas um dos cenários de guerra no planeta porque são cada vez mais as crianças que vivem em zonas de conflito: pelo menos 230 milhões actualmente, de acordo com um relatório da organização não-governamental Save the Children. Desde 2005 mais de 104 mil crianças foram mortas ou ficaram mutiladas por causa de conflitos no mundo, de acordo com a Unicef, 93 mil foram recrutadas por grupos armados, 25.700 foram sequestradas e 14.200 sofreram violência sexual.

Em relação à guerra na Ucrânia, Rance, em entrevista à Europa Press, alerta para o “impacto dramático” que a guerra terá “no futuro de todas e cada uma das 7,8 milhões de crianças do país”, a quem o conflito “roubou festas de aniversário, recordações escolares e o seu tempo com amigos e familiares”. Já para não falar daquelas que perderam familiares e amigos, mortos em consequência do conflito.

[Artigo exclusivo para assinantes]



8.3.23

“Tráfico humano, exploração, abuso sexual ou prostituição”. Unicef alerta para o risco das crianças refugiadas sem pais

Por CNN Hoje,  in TVI

Francisca Magano, diretora de políticas e juventude da Unicef Portugal, esteve esta sexta-feira no CNN Hoje. Em análise, estiveram os casos de crianças refugiadas que chegam a outro país sem os pais.

21.11.22

Unicef pede respostas diferentes para combater pobreza infantil

Diana Morais Ferreira, in JN

Em Portugal, aproximadamente 123 mil crianças vivem em pobreza extrema e cerca de 23% em risco de pobreza ou exclusão social. A Unicef alerta para a necessidade de um modelo de governação de direitos da criança diferente.

Durante o encontro entre decisores políticos para debaterem os Direitos da Criança, realizado esta quinta-feira, na Assembleia da República, a Unicef alertou para a urgência de um modelo de governação diferente. "A descentralização de competências, o agravamento das desigualdades, o aumento da pobreza e a reforma do sistema da proteção infantil exigem a definição de um modelo de governação diferente, que garanta respostas equitativas e justas para todas as crianças, em particular para as que vivem numa situação de maior vulnerabilidade", afirma Beatriz Imperatori, diretora executiva do Comité Português para a Unicef.

"Como fenómeno multidimensional, a passar de geração em geração, a pobreza é o espelho das vulnerabilidades de uma sociedade", acrescenta a diretora executiva. Chama ainda a atenção para os números atuais de pobreza que afetam os mais jovens, revelados pelo Instituto Nacional de Estatística: "123 mil crianças vivem em pobreza extrema, 742 famílias recebem o abono de família, a taxa do risco de pobreza das crianças em famílias monoparentais é de 30% e a taxa do risco de pobreza ou exclusão social é de 23%".

Para a Unicef é fulcral construir uma ação coordenada entre o Governo e as autarquias, atuando sempre com a criança no centro de tudo e através de uma perspetiva multidimensional que englobe rendimento, acesso à educação, saúde de qualidade, desporto, cultura e primeiro emprego.

Beatriz Imperatori recorda ainda que a Unicef "não preconiza uma solução para Portugal; a Unicef colabora, apoia e capacita todos e todas as organizações públicas e privadas que queiram investir numa resposta efetiva para todas as crianças".

11.11.22

Ser Pobre

 in RTP

Em Portugal, a pobreza atinge uma em cada quatro crianças. Dos 24 países da OCDE analisados pela UNICEF, Portugal é o que apresenta maior taxa de pobreza entre as crianças, mesmo após a atribuição de subsídios.

Na maioria dos distritos de Lisboa, Setúbal, Coimbra, Porto e Faro, a pobreza duplicou nos últimos três a cinco anos.

Se o retrato dos números já impressiona então o que dizer quando se é confrontado com a realidade no dia a dia. É essa experiencia que trazemos na reportagem? Ser Pobre?.

24.10.22

Guerra e crise económica criam mais quatro milhões de crianças pobres

por Lusa, in Público online

A Rússia regista quase três quartos do aumento total (mais 2,8 milhões de crianças em situação de pobreza). Na Ucrânia, há mais 500 mil crianças em lares com um nível de vida abaixo da linha da pobreza.

A guerra na Ucrânia e a consequente desaceleração da economia atiraram para a pobreza mais quatro milhões de crianças, só na Europa de leste e Ásia central, anunciou a Unicef num estudo divulgado esta segunda-feira.

O aumento da pobreza infantil na região estudada, que abrangeu 22 países, representa mais 19% de menores a viver abaixo da linha de pobreza depois de quase oito meses de guerra na Ucrânia, adianta o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

“As crianças são quem suporta o fardo mais pesado da crise económica causada pela guerra na Ucrânia”, considera a organização, no estudo publicado esta segunda-feira.

“Embora as crianças representem 25% da população [dessa região], representam também quase 40% dos 10,4 milhões de pessoas que passaram este ano a viver na pobreza”, acrescenta a análise.

Segundo a Unicef, a Federação Russa é responsável por quase três quartos do aumento total do número de crianças a viver na pobreza devido à guerra na Ucrânia e ao crescimento do custo de vida em toda a região. Nesse país, adianta, vivem actualmente mais 2,8 milhões de crianças em lares com um nível de vida abaixo da linha da pobreza.

A Ucrânia surge a seguir na lista, com mais meio milhão de crianças a viver na pobreza, à frente da Roménia, que tem agora mais 110.000 crianças pobres.

“Além dos horrores óbvios da guerra – as mortes e mutilações de crianças e a necessidade de milhões de pessoas, incluindo menores, fugirem quer de suas casas quer do país –, as consequências económicas da guerra na Ucrânia estão a ter um impacto devastador sobre as crianças de toda a Europa de leste e da Ásia Central”, alertou esta segunda-feira o director regional da Unicef para a Europa e Ásia Central, Afshan Khan.

“As crianças de toda a região estão a ser arrastadas pelas terríveis consequências desta guerra. Se não apoiarmos essas crianças e as suas famílias agora, o aumento acentuado da pobreza infantil vai, de certeza, resultar em vidas perdidas, em escolaridade perdida e em futuros perdidos”, sublinhou o director regional da organização.

A Unicef alertou ainda para a extensão das consequências da pobreza infantil que, referiu, “vão muito além das dificuldades financeiras das famílias”.

Foto

O aumento da pobreza infantil verificado este ano “pode resultar na morte de mais 4500 crianças antes do seu primeiro aniversário e num abandono escolar de mais 117.000 crianças somente este ano”, conclui o estudo.
Unicef pede que gastos públicos não sejam reduzidos

A Unicef apelou aos Governos para que não reduzam os gastos públicos nem adoptem medidas de austeridade para impulsionar as suas economias mais rapidamente, alegando que isso diminui os apoios de que muitas famílias dependem para viver.

“Quanto mais pobre é uma família, maior é a proporção do seu rendimento destinada a necessidades como alimentos e combustível. Quando o custo dos bens básicos aumenta, o dinheiro disponível para responder a necessidades como saúde e educação diminui”, explica.

A crise económica e a subida do custo de vida “significam que as crianças mais pobres têm ainda menos probabilidade de aceder a serviços essenciais e correm mais riscos de violência, de exploração e de abusos”, avisa.

“Os desafios enfrentados pelas famílias que vivem na pobreza ou à beira da pobreza aprofundam-se quando os governos reduzem o investimento público, aumentam os impostos sobre o consumo ou desenvolvem medidas de austeridade para impulsionar as suas economias mais rapidamente”, refere.

Esse tipo de medidas “diminui o alcance e a qualidade de serviços de apoio a que as famílias mais carenciadas podem recorrer”, acrescenta.
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30.8.22

Fome em África aumenta. UNICEF pede ajuda para salvar milhões de crianças

 Ana Carrilho, in RR

Com a guerra da Ucrânia a desviar atenções e donativos, a situação está cada vez mais grave. "Estamos a falar de meio milhão de crianças que estão literalmente entre a vida e a morte", diz responsável.

A guerra na Ucrânia desviou as atenções e donativos internacionais. Em vários países, especialmente do Corno de África, a situação degrada-se todos os dias com a seca, falta de culturas e alimentos, que são cada vez mais caros.

“As crianças são as primeiras vítimas”, alerta Mariana Palavra, funcionária da Equipa de Resposta Rápida a Emergências da UNICEF, em entrevista à Renascença, dias depois de regressar da Somália.
Meio milhão de crianças entre a vida e a morte na Somália

A Somália é o maior e o mais populoso dos cinco países do Corno de África. Tem 16 milhões de habitantes e entre estes, milhão e meio de crianças que sofrem de subnutrição aguda. Um terço destas com subnutrição aguda grave.

“Ou seja, estamos a falar de meio milhão de crianças que estão literalmente entre a vida e a morte ”, sublinha Mariana Palavra, membro da Equipa de Resposta Rápida a Emergências da UNICEF e que concluiu nos últimos dias uma missão na Somália.

Mariana Palavra diz ainda que o número de casos de subnutrição tem acelerado nos últimos meses. Há cada vez mais pessoas a procurar ajuda nos hospitais e especialmente junto das organizações humanitárias, de que se destaca a UNICEF.

Além disso, a falta de água faz com que as pessoas a procurem em fontes menos seguras. “Estão a consumir água que não é potável, não é tratada e os casos de cólera aumentaram significativamente. Desde janeiro são já mais de 8.000”, diz à Renascença este elemento da organização das Nações Unidas para a Infância.

A guerra da Ucrânia tem impacto também em África: muitos dos países doadores, ainda a sofrer os efeitos da pandemia, já tinham reduzido as contribuições e a guerra desviou ainda mais fundos para auxílio aos milhões de refugiados ucranianos. Por outro lado, o preço do petróleo e da energia subiram em flecha e com eles, os dos alimentos que África precisa cada vez mais de importar.

A seca não é novidade para os países africanos, mas no caso da Somália, esta é a pior dos últimos 40 anos. Isso faz com que as populações abandonem as regiões onde não há água, onde não é possível cultivar os campos ou mesmo sobreviver. Em todo o país, há cerca de um milhão deslocados. “E estas crianças, em deslocação ou que ficam com as famílias em campos de deslocados, não estão a ir à escola. Estão a perder todas as oportunidades de ter um crescimento saudável”.

Mariana Palavra revela ainda o retomar uma prática que a UNICEF tenta travar há vários anos: o casamento precoce de raparigas. “Acaba por ser uma forma das famílias terem menos uma boca para comer”.

A assistência humanitária de organizações, como a UNICEF é, em muitos casos, a única com que as populações podem contar. Mas, trabalhar no terreno pode tornar-se muito complicado. As organizações são “um alvo a abater” por grupos terroristas islâmicos como o Al Shabad.

Um dos exemplos é o ataque do grupo ligado à Al-Qaeda a um hotel na capital, Mogadíscio, em que estavam alojados membros do governo e de organizações internacionais.

Há zonas ocupadas em que nem conseguem entrar; noutras, estas organizações humanitárias recorrem – em grande parte – a funcionários nacionais e que mais facilmente conseguem fazer o trabalho e interagir com as populações locais. Os funcionários internacionais acabam por ficar por um tempo muito limitado e sempre com segurança. ”É difícil e é um grande risco para os colegas das organizações com que trabalhamos, algumas baseadas na Somália”.
Apelo ao reforço da ajuda monetária internacional

Desde o início do ano, a crise alimentar mundial já levou mais 260 mil crianças a sofrer perda de peso severa em 15 países atingidos pelo impacto da crise de forma particular, inclusive no Corno de África e na Região do Sahel, refere um relatório apresentado recentemente pela UNICEF.

No Corno de África (Somália, Etiópia, Quénia, Eritreia e Djibouti) e Sahel, o número de crianças com subnutrição aguda grave pode aumentar rapidamente de 1,7 para 2 milhões nos próximos meses.

Com maior número de casos e a perspetiva de aumento do preço dos alimentos terapêuticos em cerca de 16% nos próximos seis meses, a UNICEF apela ao aumento de ajuda monetária internacional. 1,2 mil milhões de dólares é o pacote financeiro necessário para prestar cuidados médicos e de nutrição a milhões de crianças nestes países mais afetados pela fome pala seca.

Além da ajuda dos estados, também os cidadãos, individualmente, podem contribuir. Mariana Palavra deixa um convite: “Visitem a página da UNICEF e vejam o que está a acontecer, por exemplo, na Somália. Sei que tem havido alguma desconfiança em relação às organizações internacionais e à forma como os fundos são gastos. Por isso, para ganhar a confiança das pessoas, primeiro é preciso que leiam, saibam o que se passa e o trabalho que é feito. E depois, cada um, encontrará a melhor forma de ajudar”.
O que é o alimento terapêutico e quanto custa?

RUTF (Ready-To-Use-Therapeutic) ou alimento terapêutico. É uma pasta pronta a usar, constituída por amendoins, açúcar, leite terapêutico, óleo, vitaminas e sais minerais. Não precisa de ser conservada no frio nem de ser tomada com água (o que nalguns casos, seria um risco) e pode conservar-se até dois anos.

Uma criança com subnutrição aguda grave deve tomar três saquetas/dia, durante três semanas, no mínimo.

Embora os preços dos alimentos que constituem esta pasta terapêutica tenham oscilações diárias, 150 saquetas custam atualmente cerca de 50 dólares.

29.7.22

Ministra da Justiça destaca “passos significativos” na consolidação da política de protecção da criança

in Expresso das Ilhas

A ministra da Justiça afirmou hoje que Cabo Verde tem dado “passos significativos” na consolidação da sua política de protecção dos direitos da criança, e exortou ao reforço das parcerias permanentes no combate aos crimes cometidos contra as mesmas.

Joana Rosa fez estas afirmações durante a cerimónia de apresentação pública dos resultados da segunda e terceira fases da parceria entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Unicef, realizada na Cidade da Praia, no âmbito da tramitação dos processos da jurisdição de família e menores e de crimes sexuais contra crianças.

Lembrou que a fuga à paternidade, que é um problema recorrente reconhecido pela sociedade e poder político em Cabo Verde, viola direitos fundamentais da criança consagrados no Estatuto da Criança e do Adolescente, nomeadamente o direito de conhecer os progenitores e o direito à convivência familiar.

De acordo com a governante, este fenómeno motiva anualmente centenas de processos judiciais, nomeadamente para efeitos de perfilhação, o que ao seu ver, tem contribuído no aumento das pendências processuais e para a morosidade, incomportáveis com o crescente número de processos de averiguação oficiosa de paternidade, com custos para o Estado e para o sistema judicial.

“É alarmante sabermos uma tendência para aumento de processos judiciais de averiguação oficiosa de paternidade, mas registamos, com satisfação, o impulso do Ministério Público em dar vazão a esses processos. Das estatísticas até 31 de Janeiro de 2021, haviam sido contabilizados 3.169 processos pendentes de averiguação oficiosa de paternidade”, apontou.

A ministra defendeu a necessidade de se apostar na informação jurídica, intensificação da sensibilização da população, criação de mecanismos visando reduzir as desigualdades sociais, empoderar as famílias e criação de mecanismos efectivos de responsabilização.

Salientou, por outro lado, que o projecto concebido entre a PGR e a Unicef tem um valor inqualificável porquanto, admitiu, não é concebível que num país com cerca de meio milhão de pessoas, haja um número significativo de processos de investigação de paternidade.

Por sua vez, o procurador-geral da República, José Luís Landim, enalteceu o interesse do Governo na busca conjunta de soluções para as causas de justiça, nomeadamente a questão da resolução de pendências e da morosidade processual.

“O relato sobre a frequência de crimes sexuais contra crianças impõe que medidas redobradas sejam adoptadas no sentido de proteger esses seres indefesos”, asseverou, realçando que o Ministério Público tem dado atenção especial a este fenómeno e tem sido implacável na perseguição dos crimes contra crianças.

Defendeu, neste sentido, a alocação de mais recursos, dedicação dos magistrados e oficiais de justiça, engajamento dos órgãos da polícia criminal e entre outros no cumprimento dos objectivos do referido projecto.

Por seu turno, o representante da Unicef em Cabo Verde, Steven Corsino, afirmou que Cabo Verde continua a demonstrar através das suas políticas, que a criança é prioridade absoluta no seu desenvolvimento sustentado, de não deixar nenhum para trás.

“Para a Unicef, a equidade significa que todas as crianças têm a oportunidade de desenvolver o seu potencial sem discriminação e preconceito. Temos acompanhado com muita satisfação as iniciativas levadas a cabo pelo Ministério da Justiça considerando a importância da justiça para a paz social”, declarou, garantindo a total disponibilidade da Unicef em continuar a colaborar com Cabo Verde na melhoria e qualidade de respostas aos direitos das crianças.

5.7.22

Crise alimentar provocou subnutrição grave a "uma criança a cada minuto"

in TSF

A UNICEF aponta a "guerra na Ucrânia e alterações climáticas" como principais responsáveis devido à "escalada no preço dos alimentos e dos tratamentos terapêuticos".

A crise alimentar mundial já provocou subnutrição grave a mais de 260 mil crianças desde o início deste ano, o que se traduz em "uma criança a cada minuto que passa", revelou esta quinta-feira a UNICEF.

O Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) aponta a "guerra na Ucrânia e alterações climáticas" como principais responsáveis devido à "escalada no preço dos alimentos e dos tratamentos terapêuticos".

"Desde o início do ano, a escalada da crise alimentar global levou a que 260 mil crianças adicionais viessem a sofrer perda de peso severa em 15 países afetados pelo impacto desta crise de forma particular, inclusive no Corno de África e na região do Sahel", especificou a organização, em comunicado.

Além disso, alerta a UNICEF, "o aumento dos preços dos alimentos" devido à guerra, "os cortes orçamentais provocados pela pandemia de covid-19 (RTUTF)" e também "a seca extrema em muitos países fizeram disparar a necessidade de Alimento Terapêutico Pronto a Usar", cujo custo deverá sofrer um "aumento de 16% nos próximos seis meses".

8.6.22

ONU alerta que mais de um milhão de crianças afegãs enfrentam risco de fome severa

 in TSF

No final de 2021, cerca de metade da população afegã - 38 milhões de pessoas - viviam abaixo do limiar da pobreza.No Afeganistão, 1,1 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade enfrentam riscos de má nutrição, de acordo com as Nações Unidas, que alertam sobre o aumento do número de crianças hospitalizadas devido à fome no país.

A ONU lançou no ano passado, após a tomada do poder pelas forças talibãs, um programa de ajuda alimentar destinado a milhões de afegãos que não têm acesso a alimentos.

O relatório que avalia a situação no Afeganistão indica que a pobreza está a aumentar fazendo com que muitos cidadãos precisem de ajuda de emergência.

Os preços dos alimentos estão a subir desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia e as promessas de financiamento internacional não estão a ser cumpridas, de acordo com o mesmo relatório de avaliação da ONU.

O documento indica que as pessoas mais vulneráveis são vítimas da situação, incluindo crianças e as mães afegãs que lutam para alimentar as famílias.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, reitera a gravidade da situação afirmando que 1,1 milhões de crianças podem vir a sofrer condições severas (fome severa) o que significa o dobro da situação relativa à falta de alimentos em 2018.

Entre os mais vulneráveis encontra-se o grupo de crianças afegãs com menos de cinco anos de idade cujo número está a aumentar: em março de 2020 mais de 16 mil crianças recebeu tratamento hospitalar devido às consequências provocadas pela falta de alimentos, mas em 2021 o número aumentou para 18 mil.

O Afeganistão, país afetado por duas décadas de guerra já enfrentava uma situação de emergência de risco alimentar, mas a situação agravou-se depois da tomada do poder pelos talibãs, no ano passado.

Paralelamente, muitas organizações não-governamentais afastaram-se do Afeganistão sendo que as sanções internacionais impostas por vários países contra o novo regime fizeram colapsar a economia local.

Milhões de afegãos enfrentam situações de penúria: até ao final do ano passado, mais de metade da população afegã (38 milhões de pessoas) viviam abaixo do limiar da pobreza, de acordo com os números das Nações Unidas.

17.5.22

Ucrânia alerta para evidências de violência sexual contra crianças e aumento de ataques a escolas

Guilherme Pinheiro, in Público

“As crianças precisam de um fim a esta guerra”, defende a UNICEF, enquanto o embaixador britânico na ONU adverte que existe um risco real de “uma geração perdida”.
As evidências de “alegações credíveis” de violência sexual contra crianças por tropas russas e outras violações das regras do Conselho de Segurança da ONU sobre jovens em tempos de guerra, que têm vindo a ser diariamente denunciadas pelo governo ucraniano, foram agora registadas por uma diplomata britânica.

Dame Barbara Woodward, embaixadora da Grã-Bretanha na ONU, citada pela Sky News, disse que há evidências de que “a Rússia está a cometer quatro das seis graves violações do Conselho de Segurança contra crianças em tempos de guerra”. Estas violações, listadas numa resolução de 1999, incluem o direccionamento de crianças em conflito, bem como o recrutamento e uso de crianças como soldados.

Acrescentou ainda que, para além destas acusações de violência sexual contra crianças ucranianas, há relatos contínuos de deportações forçadas de mais de 700.000 pessoas, incluindo muitas mães e crianças, da Ucrânia para a Rússia — uma vez que os homens são obrigados a ficar em solo ucraniano para defesa da invasão russa.

“Existe agora um risco muito real de uma geração perdida e a continuação de um ciclo de violência, causado pela invasão da Rússia e pela devastação que ela criou”, concluiu. Os seus comentários surgiram quando a UNICEF alertou que o conflito na Ucrânia pesava também para uma “crise dos direitos das crianças” cada vez pior, com centenas de escolas atacadas e quase 100 crianças mortas apenas no mês passado.

Omar Abdi, vice-director executivo da UNICEF, revelou ao Conselho de Segurança da ONU que as crianças estão a pagar “um preço inconcebivelmente alto” nesta guerra, com 239 crianças mortas confirmadas e outras 355 feridas desde o início da invasão russa a 24 de Fevereiro. E são estes os dados oficiais, uma vez que Abdi ressalva que os números podem ser bastante superiores, já que em zonas sitiadas ou de frentes de conflito mais activo é impossível fazer uma contabilização estatística destes números.

No seu último discurso ao povo ucraniano, na noite desta quinta-feira, o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky não conseguiu conter a raiva pelo crescente impacto do conflito sobre os jovens e crianças do seu país. “Ontem à noite eles [forças militares russa] atingiram a região de Chernihiv, incluindo escolas”, informou.

“É claro que o estado russo está em tal estado que qualquer educação só vem atrapalhar. Mas o que é que eles pensam que pode ser alcançado ao destruir as escolas ucranianas? Todos os comandantes russos que dão essas ordens são simplesmente doentes e incuráveis”, terminou o Presidente da Ucrânia.

O ano escolar para as crianças ucranianas efectivamente parou após o início da guerra e, pelo menos, 15 das 89 escolas apoiadas pela UNICEF no leste do país foram danificadas ou destruídas nos combates. Abdi sublinhou: “Esses ataques devem parar”. “Em última análise, as crianças precisam de um fim para esta guerra — é o seu futuro que está na balança”, concluiu o vice-director executivo da UNICEF.

4.5.22

Universidade de Coimbra desenvolve projecto para combater má nutrição no mundo

in Público

O projecto passa pela produção de microcápsulas em compostos bioactivos extraídos de moringa oleifera, conhecida como a planta da vida, que serão incorporadas em determinados alimentos (pão, iogurtes e sumos), para crianças em idade escolar.O combate à desnutrição infantil em países em vias de desenvolvimento é o principal objectivo do projecto “Morfood”, uma investigação em curso na Universidade de Coimbra (UC), que também reúne investigadores da Universidade do Porto e da Universidade Agostinho Neto (em Angola). O trabalho explora mais ainda o potencial de uma planta, a moringa oleifera, uma planta muito nutritiva e que já é usada para tratar algumas doenças.

O “Morfood” passa pela produção de microcápsulas “em compostos bioactivos extraídos de moringa oleifera, conhecida como a planta da vida, que serão incorporadas em determinados alimentos (pão, iogurtes e sumos) para crianças em idade escolar, entre os quatro e os dez anos”, explicou a UC, em nota enviada esta quarta-feira. O projecto, que vai buscar o nome à “microencapsulação de extractos de moringa oleífera e sua aplicação em alimentos funcionais”, é liderado pelo investigador Licínio Ferreira, da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), e engloba investigadores da Faculdade de Farmácia (FFUC), PRODEQ - Associação sem fins lucrativos do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da FCTUC, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e Universidade Agostinho Neto (UAN).

A moringa oleífera é uma espécie nativa do norte da Índia, Paquistão e Afeganistão, e muito cultivada em países tropicais e subtropicais de África, Ásia e América Latina. “É umas das plantas mais nutritivas do mundo, muito rica, por exemplo, em proteínas, vitaminas e minerais, como cálcio e potássio. É uma planta que já é utilizada pelas populações africanas para combater um conjunto alargado de patologias, tais como asma, bronquite, hipertensão, diabetes, entre muitas outras. O nosso estudo centra-se nos extractos das folhas, a parte da planta mais rica em nutrientes”, explicou, citado no comunicado, Licínio Ferreira.

A equipa liderada pelo também investigador do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF) “apostou na microencapsulação para enriquecer os alimentos”, porque, segundo Licínio Ferreira, é “uma tecnologia que apresenta muitas vantagens”. “Protege a actividade biológica de alguns compostos que são extraídos da planta e que de outra forma se degradariam. Por exemplo, no caso do pão, um dos alimentos que seleccionámos, as microcápsulas podem ser introduzidas na própria farinha, e se os compostos não estiverem incorporados dentro destas microcápsulas, as suas propriedades iriam degradar-se e desaparecer durante o fabrico do pão, daí a importância das microcápsulas”, revelou o docente da FCTUC.

Apurar a fórmula

Nesta primeira etapa do projecto, os investigadores estão a caracterizar as amostras de folhas de moringa provenientes de Angola, de modo a obter a composição fitoquímica e nutricional das folhas. Após essa caracterização, “que é fundamental”, seguem-se os estudos de extracção de compostos e selecção dos mais adequados ao objectivo do projecto, ou seja, compostos importantes para combater a desnutrição infantil, frisou a UC.

Ainda antes da fase da microencapsulação, os extractos serão seleccionados, “porque, eventualmente, haverá compostos indesejáveis que têm de ser removidos”. “Desta selecção, obteremos fracções enriquecidas de macronutrientes e micronutrientes que são benéficos para combater a desnutrição infantil, nomeadamente hidratos de carbono, vitaminas, sais minerais, entre outros”, esclareceu. No final do projecto, os alimentos funcionais, isto é, enriquecidos “com microcápsulas carregadas de nutrientes extraídos de moringa, vão ser testados junto de crianças angolanas”, referiu a Universidade de Coimbra. “São os chamados testes de aceitabilidade sensorial, para aferir a reacção da população infantil a este tipo de alimentos”.

Natural de Angola e conhecedor da realidade naquele país africano, Licínio Ferreira observou que a desnutrição infantil é um grande flagelo mundial. “Segundo o relatório de 2020 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de 8,9% da população mundial estava desnutrida em 2019, o que representa 690 milhões de pessoas. Ainda segundo esse relatório, este número corresponde a um aumento de 60 milhões de pessoas em comparação a 2014. É um flagelo que tende a agravar-se ao longo dos anos”, afirmou.

Se o projecto alcançar os resultados esperados, a equipa irá tentar estabelecer uma parceria com a UNICEF (o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância), para que os alimentos enriquecidos com extractos de moringa “possam chegar a um maior número de países em vias de desenvolvimento”. O projecto Morfood tem a duração de três anos e foi financiado em cerca de 230 mil euros pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e ela Fundação Aga Khan, “fundação que apoia projectos nos domínios da saúde e educação, nomeadamente o desenvolvimento científico e tecnológico dirigido ao progresso da qualidade de vida no continente africano”.




13.4.22

Quase metade das 3,2 milhões de crianças que estão na Ucrânia em risco de fome

in TSF

UNICEF lembra que há menores sem acesso a comida e água suficiente, sublinhando que as cidades de Mariupol e Kherson são as cidades mais carenciadas.

UNICEF alerta para as condições de vida das crianças que estão encurraladas pela guerra na Ucrânia

A UNICEF alertou esta segunda-feira que quase metade das 3,2 milhões de crianças ucranianas que permanecem no país estão em risco de não ter comida e água suficiente, salientando que Mariupol e Kherson são as cidades mais carenciadas.

"Voltei na semana passada de uma missão na Ucrânia. Nos meus 31 anos como funcionário humanitário, raramente vi tantos danos causados em tão pouco tempo. (...) Dentro da Ucrânia, crianças, famílias e comunidades estão sob ataque", disse o diretor de Programas de Emergência do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Manuel Fontaine, numa reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a situação humanitária no território ucraniano.

"Ataques à infraestrutura do sistema de água e cortes de energia deixaram cerca de 1,4 milhões de pessoas sem acesso à água na Ucrânia. Outras 4,6 milhões de pessoas estão com acesso limitado. A situação é ainda pior em cidades como Mariupol e Kherson, onde as crianças e as suas famílias passaram semanas sem serviços de água canalizada e saneamento, sem fornecimento regular de alimentos e cuidados médicos", acrescentou.

De acordo com Fontaine, até ao passado domingo, mais de 140 crianças tinham sido mortas na guerra na Ucrânia e mais de 220 crianças tinham sofrido ferimentos, sendo que os números, admitiu o representante, "são provavelmente muito maiores".

Num momento em que todos os sistemas que ajudam as crianças a sobreviver também estão sob ataque, centenas de escolas e instalações educacionais foram atacadas ou usadas para fins militares, lamentou ainda o diretor da UNICEF.

A agência da ONU para as crianças informou que o encerramento de escolas em toda a Ucrânia está a afetar a aprendizagem - e o futuro - de 5,7 milhões de crianças em idade escolar e 1,5 milhões de estudantes do ensino superior.

"Na região do Donbass [leste ucraniano], toda uma geração de crianças viu as suas vidas e educação desmoronarem durante os últimos oito anos de conflito", disse Manuel Fontaine, numa referência aos confrontos travados por separatistas pró-russos e forças ucranianas nesta zona desde 2014.

Outro dos problemas que está a deixar a UNICEF sob alerta é a possibilidade de abusos e tráfico de crianças durante o conflito.

"Uma assistente social contou-me uma história sobre pais que foram forçados a enviar os seus filhos com um motorista de um camião apenas para afastá-los da linha de fogo. Essas crianças desacompanhadas correm um risco muito maior de violência, abuso, exploração e tráfico. As mulheres enfrentam riscos semelhantes. Estamos extremamente preocupados com o aumento dos relatos de abusos sexuais, violência e de outras formas de violência de género", declarou.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que provocou pelo menos 1.842 mortos e 2.493 feridos entre a população civil, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,5 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

7.7.21

UNICEF alerta. Educação de mais de seis milhões de crianças do Iémen em risco

por Inês Moreira Santos, in RTP

Se o conflito armado continuar no Iémen, mais de seis milhões de crianças correm o risco de perder um direito básico como a Educação. O alerta é da UNICEF.
É o sexto ano consecutivo que o Iémen enfrenta a já considerada maior crise humanitária do Mundo, com cerca de 21 milhões de pessoas a necessitar diariamente de ajuda humanitária, incluindo mais de 11 milhões de crianças.

Desde 2015 que a escalada tem aumentado e, consequentemente, obrigado milhões de crianças iemenitas a viver em condições cada vez mais vulneráveis. Muitas são mortas, outras mutiladas. A pobreza e a fome aumentou e uma grande parte não tem acesso aos serviços de saúde nem de educação.

"As crianças continuam a ser as principais vítimas desta terrível crise, com 11,3 milhões a necessitar de alguma forma de ajuda humanitária ou assistência de proteção", aponta o relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Seis anos depois, a educação das crianças iemenitas tornou-se uma das maiores vítimas do "conflito devastador e contínuo do Iémen". Esta é a conclusão em destaque no relatório "Educação interrompida: impacto do conflito na educação das crianças no Iémen".

Já há mais de dois milhões de rapazes e raparigas, em idade escolar, sem acesso à educação, devido à pobreza, aos conflitos e à falta de oportunidades. É mais do dobro do número de crianças que abandonaram a escola em 2015, quando o conflito começou.

Mas a situação pode agravar: se o conflito armado continuar, mais de seis milhões de crianças no Iémen correm o risco de perder o acesso à educação.

De acordo com os dados divulgados, cerca de 170 mil professores (dois terços do corpo docente do país) não recebem salário de forma regular há mais de quatro anos, devido ao conflito e às divisões geopolíticas, o que levou muitos deles a terem de deixar a profissão e a procurar outras formas de subsistência. Este esvaziamento profissional é também uma ameaça ao acesso ao ensino de quatro milhões de crianças.

O acesso à educação é um direito e, além disso, proporciona uma sensação de normalidade às crianças, mesmo nos contextos mais devastadores. A educação pode até protegê-las - sublinha a UNICEF - de múltiplas formas de exploração.

"As crianças que não concluem a escolaridades ficam presas num ciclo de pobreza que se autoperpetua. Se as crianças fora da escola não forem ajudadas adequadamente, podem nunca mais voltar à sala de aula", alerta a organização.
Crianças privadas do futuro

"O acesso à educação de qualidade é um direito básico de todas as crianças, incluindo meninas, crianças deslocadas e portadores de deficiência", escreveu no relatório Philippe Duamelle, representante da UNICEF no Iémen.

Embora a escalada tenha um grande impacto na vida das crianças, Duamelle considera que "o acesso à educação proporciona uma sensação de normalidade para as crianças (...) e protege-as de múltiplas formas de exploração". Por isso, "manter as crianças na escola é fundamental para o seu próprio futuro e para o futuro do Iémen".

De facto, segundo a UNICEF, os efeitos do conflito prolongado, somados à recente interrupção das atividades de escolares devido à pandemia da Covid-19, podem ter consequências "devastadoras e duradouras" no processo educacional, incluindo a aprendizagem, o bem-estar físico e mental de crianças e adolescentes do Iémen.

O relatório destaca ainda que, quando as crianças não têm acesso à escola, as consequências são "terríveis", tanto para o presente como para o futuro. Por exemplo, muitas meninas são forçadas a casar ainda menores, permanecendo presas a um ciclo de pobreza e potencial não realizado.

Segundo o relatório, 72,5 por cento das raparigas no Iémen casam ainda antes de fazerem 18 anos. O casamento precoce, realça o documento, "torna quase impossível para uma adolescente terminar os estudos". Além disso, quanto mais cedo se casarem mais provável é que tenham mais filhos ao longo da vida, o que, revelam os dados, "reduz a capacidade das famílias para responder às suas necessidades básicas e contribui para a pobreza".

Sem educação, as crianças tornam-se também mais vulneráveis ​​a serem coagidos ao trabalho infantil ou recrutados para combate (mais de 3.600 crianças no Iémen foram recrutadas nos últimos seis anos).

"Em 2013, 17 por cento das crianças do Iémen, com idades entre os cinco e os 17 anos (1,3 milhões de crianças e jovens), estavam envolvidas em trabalho infantil. Hoje, é provável que haja muitas mais, devido ao colapso económico do Iémen".

As crianças e os jovens que não completam a sua escolaridade ou que são obrigados a abandonar o sistema educacional têm maior probabilidade de continuar a viver em condições de pobreza. A UNICEF indica que 84,5 por cento das crianças no Iémen vivem na pobreza e que, a longo prazo, essa situação continuará a perpetuar-se.

"Crianças e adolescentes pobres e vulneráveis também têm maior probabilidade de nunca ter ido à escola, de abandonar a escola e nunca mais voltar à escola".

O pior é que, com o conflito, a pobreza está a agravar-se no país.

De acordo com os dados mais recentes, quase metade dos iemenitas viviam na pobreza em 2014 e, agora, estima-se que as taxas de pobreza nacionais tenham aumentado para cerca de 80 por cento.

A UNICEF acredita que mais de oito em cada dez crianças vivam em famílias que não têm rendimentos suficientes para atender às suas necessidades básicas, como a alimentação, o saneamento ou água potável.

"Educação interrompida"

A UNICEF indica que há mais de 523 mil crianças deslocadas em idade escolar que lutam para ter acesso à educação "porque não há espaço suficiente nas salas de aula existentes". Nos últimos seis anos, milhares de escolas no território foram destruídas, usadas por grupos armados ou ocupadas por famílias deslocadas.

Para além da pouca segurança e qualidade nas condições para a aprendizagem, a maioria das crianças e jovens viu negado o acesso à educação quando as escolas fecharam devido à Covid-19.

"As escolas são lugares onde as crianças sentem alguma aparência de normalidade nas suas vidas, são um refúgio do caos e do trauma da guerra", destaca o relatório. "Quando não podem entrar nas salas de aula, as crianças têm de ficar em casa em comunidades que estão a sofrer os impactos do conflito, da insegurança alimentar e da pobreza".

O Iémen é um país muito jovem, como refere a UNICEF, com 40 por cento da população com menos de 14 anos de idade. Em 2007, a população iemenita foi estimada em 22,3 milhões e estima-se que chegue aos 47 milhões em 2040.

Mas, à medida que a população vai aumentando, "o sistema educacional vai precisar de acomodar um número cada vez maior de adolescentes e jovens".

A agência da ONU receia que se os "desafios ao sistema educacional não forem enfrentados de forma adequada hoje", ou a médio e a longo prazo, "existe uma possibilidade muito real de que o potencial de toda uma geração de crianças seja perdido".

Com este relatório, a UNICEF procura apelar a todas as partes no Iémen para apoiarem o direito das crianças à educação e trabalharem em conjunto para alcançar uma paz duradoura e inclusiva. Tal apelo inclui impedir ataques a escolas (ocorreram 231 desde março de 2015) e garantir que os professores recebem um salário regular para que as crianças possam continuar a aprender e a crescer.

"A educação é um investimento a longo prazo no futuro das crianças e no futuro do Iémen", reitera a UNICEF. "O apoio à educação deve ser previsível e sustentado".

14.12.20

Unicef alerta para níveis crescentes de pobreza infantil em Portugal

Joana Rodrigues Stumpo, in JN

Portugal é, a par de Itália e da Grécia, um dos países onde que há uma maior relação entre a pobreza infantil e a escassez de investimento em prestações familiares, alerta a Unicef, num relatório sobre o impacto da pandemia de covid-19 na pobreza infantil em países desenvolvidos. E em que admite que nos próximos cinco anos estes números deverão aumentar.

No documento, divulgado esta sexta-feira pelo Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância, são reconhecidas as medidas já adotadas e previstas no Orçamento de Estado para 2021, como o abono de família extraordinário e a previsão da gratuitidade de creches. No entendo, é feito um pedido para que se reforce o Sistema de Proteção de crianças e menores, de maneira a "responder às necessidades presentes e futuras, assegurando uma resposta de direitos humanos preventiva, atempada e coordenada a todas as crianças", lê-se no comunicado emitido.

Segundo o Eurostat, gabinete de estatísticas da União Europeia, nos países desenvolvidos, durante a primeira vaga da pandemia, 90% dos apoios financeiros foram dirigidos às empresas, tendo sido atribuídos, entre fevereiro e o final de julho, o "valor histórico" de 10,8 mil milhões de dólares.

A Unicef alerta para o risco de exclusão das crianças mais marginalizadas, "o que significa que as crianças que estão numa situação pior serão as mais afetadas". Para além disso, o relatório regista, ainda, que apenas um terço dos países da OCDE e da UE implementaram políticas de apoio às crianças, em resposta à pandemia.

Apoios são insuficientes

Para a Unicef, estas medidas de curto prazo são "completamente inadequadas" para enfrentar a duração estimada da crise e os riscos de pobreza infantil a longo prazo e, por isso, lança algumas recomendações. É preciso aumentar as despesas de proteção social para proteger as crianças até porque "com o tempo, passará a haver uma procura maior por intervenções sociais mais intensivas".

A Diretora do Gabinete de Investigação da UNICEF, Gunilla Olsson, diz que é necessário "incentivar os governos a reforçar a proteção social das crianças".

Antes da pandemia, 19% das crianças portuguesas entre os 0 e 18 anos estavam no limiar da pobreza.

UNICEF. Pandemia ameaça agravar pobreza infantil

 Por Antena 1

Num estudo feito aos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), a UNICEF conclui que os níveis de pobreza infantil estão acima dos valores antes da pandemia e essa tendência é para continuar .

A Unicef apela ainda a que se olhe para o longo prazo e se reforce os sistemas de proteção social e as políticas que combatam a pobreza de crianças e famílias para diminuir o impacto de possíveis crises futuras.

Pormenores explicados pela jornalista Alexandra Madeira.

20.11.20

Unicef alerta para consequências nas crianças e adolescentes

 in o Observador

A diretora-executiva da Unicef alerta para que quanto mais a crise persistir, mais profundo será o seu impacto na educação, na saúde, na nutrição e no bem-estar das crianças.

Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou esta quinta-feira para as consequências a longo prazo do impacto da pandemia provocada pelo novo coronavírus na educação, nutrição e bem-estar de crianças e adolescentes.

“Durante toda a pandemia da Covid-19, tem havido um mito persistente de que as crianças quase não são afetadas pela doença. Nada poderia estar mais longe da verdade”, disse Henrietta Fore, diretora executiva do Unicef.

O relatório, divulgado por ocasião do Dia Mundial da Criança da Unicef, que se assinala na sexta-feira, concluiu que em 87 países “com dados desagregados por idade”, as crianças e adolescentes “representavam uma em cada nove infeções por Covid-19″, ou seja, 11% dos 25,7 milhões de infetados, registados naqueles países.

Embora as crianças possam ficar doentes e espalhar a doença, essa é apenas a ponta do iceberg da pandemia. Interrupções em serviços essenciais e taxas de pobreza crescentes representam a maior ameaça para as crianças”.

Segundo a diretora-executiva do Unicef, quanto “mais a crise persistir, mais profundo será o seu impacto na educação, na saúde, na nutrição e no bem-estar das crianças”.

O relatório defende a manutenção das escolas abertas, considerando que os “benefícios reais” superam os “custos de fechá-las”.





















As escolas não são o principal fator de transmissão da comunidade e as crianças têm maior probabilidade de contrair o vírus fora do ambiente escolar”.

Em outubro, segundo o Unicef, 265 milhões de crianças em todo o mundo estavam sem receber refeições escolares.

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O relatório destaca as interrupções em serviços essenciais como “saúde e sociais” representam para as crianças uma “ameaça mais séria”.

O documento alerta que em 140 países analisados, quase 50 relataram uma queda na cobertura de serviços de saúde, incluindo administração de vacinas e atendimento ambulatório.

O fundo das Nações Unidas estima também que possam morrer cerca de dois milhões de crianças se houver interrupções graves nos serviços e que entre seis e sete milhões de crianças possam vir a sofrer de nanismo e desnutrição aguda.

No relatório estima-se que mais 15% das crianças, cerca de 150 milhões, passaram a viver em pobreza multidimensional, ou seja, sem acesso a educação, saúde, habitação, nutrição, saneamento ou água.


Neste Dia Mundial da Criança, estamos a pedir aos governos, parceiros e setor privado que ouçam as crianças e priorizem as suas necessidades”.

A pandemia de Covid-19 provocou pelo menos 1.339.130 mortos resultantes de mais de 55,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

27.10.20

UNICEF alerta para impacto da pandemia na taxa de pobreza infantil em Espanha

in JN

A UNICEF pediu, esta segunda-feira, ao Governo espanhol para rever o sistema de prestações e proteção das crianças no país, onde a taxa de pobreza infantil se situa em 27,4%, acima dos países com rendimento semelhantes ou mesmo inferiores.

Em Espanha a pandemia está a ter especial impacto nos agregados familiares com crianças.

No relatório "Como reduzir a pobreza infantil em Espanha? Análise e recomendações", hoje publicado, o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) recorda que a situação antes da covid-19 já era preocupante: uma em cada três crianças estava em risco de pobreza e o país ocupava neste domínio os lugares cimeiros no continente europeu, juntamente com a Roménia, a Bulgária e Itália.

"A pandemia de covid-19 irá sem dúvida ampliar estes dados e aumentar a pobreza, a exclusão e a desigualdade infantil", alertou o responsável pela Incidência Política e Estudos da UNICEF Espanha, Cristian Junquera, num comunicado.

Entre o último trimestre de 2019 e o segundo trimestre de 2020, a percentagem de famílias sem rendimentos aumentou 20%, mas no caso das famílias com filhos dependentes o aumento foi quase o dobro (37%).

A organização frisa que as crianças já sofreram fortemente com a crise económica de 2008 e, para evitar que volte a acontecer, é necessário aumentar as despesas com políticas familiares em Espanha, que são atualmente menos de metade das dos países com menores taxas de risco de pobreza infantil.

A UNICEF Espanha elogia várias das medidas de emergência adotadas pelo Governo, tais como o rendimento mínimo garantido, mas adverte que esta ajuda ainda está longe dos benefícios que existem nos países de elevado rendimento da União Europeia e sublinha a necessidade de as comunidades autónomas não se escudarem nesta medida para reduzir os recursos que investem na luta contra a pobreza.

A organização considera que o rendimento mínimo garantido não deve substituir outras prestações, como o abono de família, que é universal na maioria dos países europeus.