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19.9.23

Teletrabalho pode reduzir para metade pegada de carbono face à ida ao escritório

Por Lusa, in TSF


A pandemia de Covid-19 aumentou a prevalência do teletrabalho, que pode influenciar a produção de gases com efeito de estufa devido a alterações em fatores como as deslocações e a utilização de energia na habitação.


teletrabalho pode reduzir a pegada de carbono em até 58%, em comparação com quem frequenta um escritório, refere um estudo realizado nos Estados Unidos.

O estudo, baseado em modelos "Procedimentos da Academia Nacional de Ciências" (Pnas, uma publicação da Academia Nacional de Ciências, dos Estados Unidos), analisou o potencial do trabalho remoto para reduzir a pegada de carbono dos empregados.

A pandemia de Covid-19 aumentou a prevalência do teletrabalho, que pode influenciar a produção de gases com efeito de estufa devido a alterações em fatores como as deslocações e a utilização de energia na habitação.

O estudo divulgado esta segunda-feira, liderado pela Universidade Cornell, nos Estados Unidos, avaliou as emissões de gases com efeito de estufa dessa transição, tendo em conta fatores como as tecnologias de informação e comunicação, as deslocações diárias, as viagens não relacionadas com o trabalho e a utilização de energia em escritórios e residências.


A equipa, liderada por Longqi Yang, utilizou vários conjuntos de dados com mais de 100 mil amostras, inclusive de funcionários da Microsoft nos EUA, sobre deslocamento e teletrabalho.


Para o seu estudo, modelaram as emissões de gases com efeito de estufa dos funcionários dos EUA nas cinco categorias mencionadas e compararam as emissões previstas para trabalhadores "no local", totalmente remotos e híbridos.


O modelo indicava que os colaboradores apenas em teletrabalho teriam uma redução de 58% nas emissões de gases com efeito de estufa em comparação com os colaboradores presenciais, principalmente devido ao menor consumo de energia no escritório.

Um dia por semana de teletrabalho reduziu as emissões projetadas em apenas 2%.


Em contraste, dois a quatro dias de trabalho remoto por semana reduziram as emissões de um trabalhador em até 29%, em comparação com os empregados locais.

O aumento da utilização de tecnologias de informação e comunicação teve um "efeito insignificante" nas emissões, enquanto o consumo de energia no escritório e as deslocações não diárias para o trabalho são importantes, sublinham os investigadores.

O estudo também sugere que a maximização dos benefícios ambientais do trabalho remoto depende de múltiplos fatores, como a escolha do veículo, o comportamento no deslocamento e a eficiência energética em residências e escritórios.

13.9.23

Crianças sofrem o impacto da estagnação na redução da pobreza extrema em todo o mundo

in UNICEF


Globalmente, 333 milhões de crianças sobrevivem com menos de US$ 2,15 por dia. Uma nova análise revela três anos perdidos na redução da pobreza devido à covid-19


Nova Iorque/Washington, 13 de setembro de 2023 – Estima-se que 333 milhões de crianças em todo o mundo – ou uma em cada seis – vivam em pobreza extrema, de acordo com a nova análise do UNICEF e do Banco Mundial divulgada hoje.

Global Trends in Child Monetary Poverty According to International Poverty Lines (Tendências Globais da Pobreza Monetária Infantil segundo as Linhas Internacionais de Pobreza – disponível somente em inglês) – que pela primeira vez analisa as tendências da pobreza infantil extrema – constata que, embora o número de crianças que vivem com menos de US$ 2,15 por dia tenha diminuído de 383 milhões para 333 milhões (ou 13%) entre 2013 e 2022, o impacto econômico da covid-19 levou a três anos perdidos de progresso, ou seja, menos 30 milhões de crianças do que o previsto, na ausência de perturbações relacionadas com a covid-19.

A análise – divulgada antes da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas (18 a 22 de setembro), quando os líderes globais se reunirão, entre outras coisas, para discutir o ponto médio dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – alerta que, com as atuais taxas de redução, a meta dos ODS de acabar com a pobreza infantil extrema até 2030 não será alcançada.

“Há sete anos, o mundo prometeu acabar com a pobreza infantil extrema até 2030. Fizemos progressos, mostrando que, com os investimentos e a vontade certos, existe uma forma de tirar milhões de crianças daquilo que é muitas vezes um círculo vicioso de pobreza”, afirmou a diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell. “Mas crises agravadas, resultantes dos impactos da covid-19, dos conflitos, das mudanças climáticas e dos choques econômicos, paralisaram o progresso e deixaram milhões de crianças na pobreza extrema. Não podemos falhar com essas crianças agora. Acabar com a pobreza infantil é uma escolha política. Os esforços devem ser redobrados para garantir que todas as crianças tenham acesso a serviços essenciais, incluindo educação, nutrição, cuidados de saúde e proteção social, abordando simultaneamente as causas profundas da pobreza extrema”.

De acordo com o relatório, a África ao sul do Saara carrega o maior fardo de crianças (40%) vivendo em pobreza extrema, e é responsável pelo maior aumento percentual na última década, saltando de 54,8% em 2013 para 71,1% em 2022. O crescimento populacional rápido, as medidas limitadas de proteção social e as tendências globais desafiadoras, incluindo a covid-19, os conflitos e as catástrofes relacionadas com o clima, resultaram num aumento acentuado. Entretanto, todas as outras regiões do mundo registraram um declínio constante nas taxas de pobreza extrema, com exceção do Oriente Médio e do Norte de África.

Globalmente, as crianças representam mais de 50% da população extremamente pobre, apesar de representarem apenas um terço da população mundial. As crianças têm duas vezes mais probabilidades do que os adultos – 15,8% versus 6,6% – de viver em domicílios extremamente pobres, sem alimentação, saneamento, abrigo, cuidados de saúde e educação de que necessitam para sobreviver e prosperar.

“Um mundo onde 333 milhões de crianças vivem em extrema pobreza – privadas não só de necessidades básicas, mas também de dignidade, oportunidade ou esperança – é simplesmente intolerável”, disse o diretor global para Pobreza e Equidade do Banco Mundial, Luis-Felipe Lopez-Calva. “É mais importante do que nunca que todas as crianças tenham um caminho claro para sair da pobreza – por meio do acesso equitativo a educação, nutrição, saúde e proteção social de qualidade, bem como segurança e proteção. Este relatório deve ser um lembrete claro de que não temos tempo a perder na luta contra a pobreza e a desigualdade e que as crianças devem estar em primeiro lugar nos nossos esforços”.

As crianças mais vulneráveis – como as que vivem em ambientes rurais e as crianças que vivem em domicílios onde o principal responsável tem pouca ou nenhuma educação – são significativamente mais afetadas pela pobreza extrema. De acordo com o relatório, estima-se que uma em cada três crianças em países afetados por conflitos e fragilidades viva em domicílios extremamente pobres, em comparação com uma em cada dez crianças em países sem fragilidades.

Para acabar com a pobreza extrema e compensar o retrocesso pandêmico, o UNICEF e o Banco Mundial pedem aos governos e parceiros para:Garantir uma atenção contínua às crianças que vivem em situação de pobreza extrema em países de renda média-baixa e baixa e em contextos frágeis.
Priorizar agendas destinadas a combater a pobreza infantil, incluindo a expansão da cobertura de proteção social para as crianças, para chegar às pessoas que vivem em domicílios extremamente pobres.
Conceber portfólios de políticas públicas para abranger famílias numerosas, aquelas com crianças pequenas e nas zonas rurais. Investir na primeira infância revelou-se uma das formas mais eficazes de acabar com a persistência intergeracional da pobreza, trazendo retornos positivos para os indivíduos, as famílias e as sociedades.Aumentar o acesso a benefícios universais para crianças como uma medida comprovadamente eficaz na redução da pobreza infantil.
Conceber programas de proteção social inclusivos, tendo em conta as necessidades específicas de deficiências e de gênero.


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Notas para editores

A análise das Tendências Globais da Pobreza Monetária Infantil segundo as Linhas Internacionais de Pobreza baseia-se num exercício semelhante realizado em 2020 para examinar a pobreza infantil. A análise contém registros de 10,4 milhões de indivíduos de 147 países, retirados da do segundo bimestre da Base de Dados de Monitoramento Global (GMD), tendo 2019 como ano base. A GMD é uma coleção de dados de pesquisas domiciliares globalmente harmonizados, compilados pelo grupo de Dados para Objetivos da Prática Global de Pobreza e Equidade do Banco Mundial.

As estimativas de pobreza para 2020, 2021 e 2022 foram “previstas agora” – ou seja, as taxas de crescimento do produto interno bruto (PIB) foram utilizadas para prever os rendimentos domiciliares, assumindo que todos os domicílios registram um crescimento igual do consumo em termos percentuais.

As linhas de pobreza internacionais foram atualizadas em 2022. As três linhas de pobreza são: US$ 2,15 (pobreza extrema), US$ 3,65 (renda média baixa) e US$ 6,85 (renda média alta).

Aproximadamente 333 milhões de crianças em todo o mundo sobrevivem com menos de US$ 2,15 por dia, 829 milhões de crianças subsistem abaixo do limiar de pobreza de US$ 3,65 e 1,43 bilhão de crianças vivem com menos de US$ 6,85 por dia.

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Conteúdo multimídia disponível para download aqui.

7.8.23

Salário emocional: o melhor recurso para atrair e reter talento

 Hugo Protázio, in ECO

O salário foi durante muitos anos o primeiro e principal argumento na escolha de um trabalho. Mas já não está sozinho. E aquela que era uma tendência é hoje uma certeza: a componente intangível da remuneração assume uma importância crescente e, para as empresas, deixou de ser um nice to have para ser um must have.

Os últimos três anos, muito marcados pela pandemia de Covid-19, tiveram um papel determinante na aceleração e consolidação deste que pode ser classificado como o “salário emocional”. Ou seja, o contexto acabou por fazer com que a prática, por parte das empresas, de reforçar a oferta de componentes intangíveis aos colaboradores atuais e potenciais se assumisse como mais comum e cada vez mais valorizada. Acredito que, sem a pandemia, apenas dentro de dois a três anos (dependendo, claro, do setor) teríamos o cenário que temos hoje.

A situação absolutamente incomparável que todos vivemos desde o início de 2020 levou a que as empresas se focassem em promover o bem-estar dos seus colaboradores e isso traduziu-se num aumento expressivo de estratégias para facilitar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, fomentar a flexibilidade de horários e também a escolha de regime de trabalho. São estratégias que têm um custo de quase zero para as empresas, mas um saldo muito positivo na valorização por parte dos colaboradores.

Entre as principais conclusões do relatório “Employer Brand Research 2023” da Randstad, que inquiriu 5.255 pessoas em Portugal, destaca-se que “os benefícios não materiais são considerados quase tão importantes como os benefícios materiais”: os benefícios não-materiais são (muito) importantes para 86% dos inquiridos quando escolhem um empregador em vez de outro, o que é quase tão importante como os benefícios materiais (88%), sendo uma boa relação com a direção e/ou os colegas o benefício não material mais importante (78%).

Considero que a gestão das empresas tem de ser mais humanizada, mais focada nas pessoas sem, claro, descurar as componentes mais visíveis dos negócios. Uma estratégia consolidada das empresas na oferta aos colaboradores de componentes intangíveis de remuneração traduz-se em inúmeras vantagens, mesmo que algumas não sejam imediatas. Por um lado, contribui para a melhoria daquilo que é a identificação das pessoas com as empresas, algo que se vai construindo ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, também o próprio desempenho dos colaboradores será melhor, uma vez que ficarão mais motivados e predispostos a fazer melhor o seu trabalho, a aprender e a evoluir. E, no final, os laços entre as empresas e os colaboradores sairão fortalecidos.

Entre as iniciativas que podem ser seguidas pelas empresas, e como é o nosso caso, estão o reforço de coberturas nos seguros de saúde, como a de psicologia, ou o seu direcionamento para as necessidades específicas dos colaboradores, disponibilização de diversas formações e coaching para todas as equipas, possibilidade de realização de teletrabalho, a oferta do dia de aniversário, a criação de um horário reduzido à sexta-feira (saída às 15h00), a promoção de hábitos de vida saudáveis e a organização de iniciativas que promovam o convívio das diferentes equipas, como a Festa de Natal e o “Recreacional Day”.

Mais do que o salário, é a ligação emocional às empresas que permite a retenção e a atração de talento. As empresas não podem ignorar que, em 2023, os colaboradores valorizam o percurso de carreira, a progressão e a formação que o emprego lhes pode proporcionar, o ambiente da empresa e a relação line manager. Os colaboradores atuais querem sentir que estão a desenvolver-se e a fazer um percurso dentro da empresa. E precisam disso já!

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25.7.23

Teletrabalho: Está na altura de os trabalhadores regressarem ao escritório?

Giulia Carbonaro, in Euronews Português


Mais de três anos depois de o trabalho à distância se ter tornado a regra durante a pandemia de COVID-19, o trabalho a partir de casa está a enfrentar uma reação negativa, com várias empresas a pedirem aos seus empregados que regressem ao escritório e titãs da indústria tecnológica a condenarem abertamente a prática.

Em maio, o diretor executivo da OpenAI, Sam Altman, declarou que o trabalho à distância era uma "experiência falhada", classificando-o como um dos "piores erros da indústria tecnológica desde há muito tempo" e afirmando que a prática prejudica a criatividade, especialmente das empresas em fase de arranque.

Em março, Elon Musk disse aos empregados do Twitter que o escritório "não é opcional".

Em junho, a Google informou os seus empregados de que teriam de passar pelo menos três dias por semana no escritório e que a presença no escritório seria considerada positivamente na sua avaliação de desempenho, conforme noticiado em primeiro lugar pelo Wall Street Journal.

Alguns dos maiores jornais do mundo, como o New York Times, publicaram este ano artigos de opinião que afirmam que o trabalho remoto está a falhar com os jovens empregados e a privar os trabalhadores da experiência comum de um local de trabalho partilhado.

Mas será que o trabalho à distância está realmente a falhar, como as empresas acreditam?

"Não, de forma alguma", afirma Mansoor Soomro, entusiasta do futuro do trabalho e professor sénior de Sustentabilidade e Negócios Internacionais na Universidade de Teesside, no Reino Unido, à Euronews.

"Com base nos inquéritos, nas reuniões e nas entrevistas que estamos a realizar, não falhou. O trabalho à distância não vai desaparecer", disse.

O que é que se passa realmente? Os especialistas dizem que a situação é mais complicada do que dizer se o trabalho remoto falhou ou teve sucesso.


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Renegociar o trabalho à distância

"O que aconteceu durante a pandemia de COVID-19 levou a uma perceção inicial de que as coisas iriam mudar significativamente após a pandemia, que haveria esta mudança para o aumento do trabalho remoto e que não havia maneira de a maré mudar", disse Mark Stuart, professor da Leeds University Business School, à Euronews.

Embora os empregadores se sintam "bastante confortáveis" com a ideia de os trabalhadores ficarem em casa, Stuart afirma que, nos últimos 12 meses, as empresas têm vindo a pedir cada vez mais aos seus empregados para regressarem ao escritório.

"O que está a acontecer agora é um processo de renegociação entre os empregadores e a sua força de trabalho em termos de como será o trabalho remoto no futuro", afirmou Stuart.

Embora haja trabalhadores que nunca puderam trabalhar à distância, nem mesmo durante a pandemia, há muitos que ainda têm acordos flexíveis com os seus empregados e trabalham a tempo inteiro ou a tempo parcial a partir de casa.

Os que trabalham à distância apreciam o facto de não terem de se deslocar para o trabalho, de reduzirem os custos de deslocação para o escritório e até de terem um melhor equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal, afirma Stuart, enquanto os que preferem trabalhar no escritório apreciam a sociabilidade, o trabalho em equipa e a espontaneidade.
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Trabalho à distância versus regresso ao escritório

Stuart considera que a renegociação do trabalho à distância vai dar origem a "várias tensões" entre empregados e empregadores, resultando na atual tensão sentida pelos trabalhadores de vários setores, que protestam contra a estagnação dos salários, que não acompanharam a inflação.

"Mas muito do que está em causa são os acordos locais e o apoio dos gestores de linha", afirma. "Os gestores de linha têm de se habituar a ter equipas e pessoal que não estão sempre no escritório e que trabalham à distância, mas tem de haver uma espécie de aceitação mútua".

Stuart pensa que é mais provável que a renegociação do trabalho à distância conduza a um compromisso entre o que os trabalhadores podem querer - mais dias a trabalhar a partir de casa - e o que os empregadores podem exigir - mais dias no escritório.

Soomro acredita firmemente que o teletrabalho veio para ficar.

"As pessoas mudaram-se e não querem deslocar-se", afirmou. "As pessoas adaptaram-se à flexibilidade recém-descoberta e não querem abdicar dela".

Para tornar o escritório mais atrativo para os trabalhadores, as empresas terão de oferecer regalias e "tornar o local mais acolhedor", disse Soomro, mas um regresso em massa de todos os trabalhadores parece improvável por agora.

6.6.23

​Médicos e enfermeiros perderam 10% do salário real em dez anos

Sandra Afonso, in RR

A pandemia afastou dos cuidados de saúde os mais desfavorecidos e os profissionais de saúde estão exaustos e cada vez recebem pior.

Os médicos e os enfermeiros perderam 10% do salário real em dez anos, de acordo com os estudos “Recursos Humanos em Saúde” e o “Acesso a Cuidados de Saúde, 2022”, dos investigadores Pedro Pita Barros e Eduardo Costa.

De acordo com os dois documentos, apresentados esta terça-feira em Lisboa, a pandemia afastou dos cuidados de saúde os mais desfavorecidos e os profissionais de saúde estão exaustos e cada vez recebem pior. Assim, conclui-se que não basta abrir novas vagas e concursos, é preciso usar a transformação digital e reorganizar o trabalho nas unidades de saúde.

Entre 2011 e 2021, médicos e enfermeiros passaram por “três choques negativos sucessivos, lembra o economista Pita Barros: o ajustamento financeiro da troika, a reversão das medidas e a pandemia. Os profissionais mais novos, “têm trabalhado sempre em emergência, não sabem o que é trabalhar de outra de forma”, alerta, que acumulam com a perda salarial.


Sem ter em conta 2022, que é considerado um ano atípico devido à inflação acelerada, entre 2011 e 2021 o ganho médio nacional aumentou entre 5 e 10%. Já na saúde, “para os enfermeiros, acabou por baixar quase 10%, e no caso dos médicos do SNS, acabou por baixar mais de 10%”, diz Pita Barros.

Isto “não significa que estejam a ganhar menos do que ganha em média a população nacional”, quer dizer que enquanto “o resto da economia conseguiu fazer com que as pessoas tivessem um melhor salário real ao fim de dez anos, no caso dos médicos, não foi isso que sucedeu”.

Há ainda outra conclusão a tirar destas estatísticas (Nova SBE_KC Health_Recursos Humanos_2022.pdf (unl.pt): “aumentou o desfasamento (do SNS) para os profissionais do sector privado”, acrescenta Pita Barros.

É preciso atrair pessoas para o Serviço Nacional de Saúde, mas já não basta melhorar a remuneração. À Renascença, Pita Barros apresenta o problema como um cubo com três dimensões: o salário, o horário e a progressão.

São necessárias “condições remuneratórias, condições de trabalho”, mas também “flexibilidade suficiente para aceitar escolhas diferentes do envolvimento dos profissionais de saúde, no sentido em que alguns poderão querer mais ou menos tempo parcial, algum tempo dedicado à investigação, algum tempo só para eles ou, eventualmente, estar simultaneamente no sector público e no setor privado”. A terceira dimensão olha para o futuro, “tem que se oferecer uma perspetiva do que é a evolução ao longo da vida profissional”, avisa o investigador.

O relatório aponta para temas como a acumulação de trabalho nestas áreas, entre o público e o privado e a carga horária. Pita Barros sublinha que estes profissionais dão cada vez maior importância a aspectos como a parentalidade. Por outro lado, lembra que tem de haver “uma maior feminização das profissões de saúde, sem diferenças entre homens e mulheres.”

Este levantamento da saúde em Portugal surge de uma parceria da Fundação “la Caixa”, com o BPI e a Nova SBE, que analisou também o acesso aos cuidados de saúde (file:///C:/Users/sandraferreira/AppData/Local/Microsoft/Windows/INetCache/Content.Outlook/YC2BD206/Acesso%20a%20Cuidados%20de%20Sa%C3%BAde%202022%20v4.pdf)
População com menos rendimentos foi vítima do “efeito alicate”

No último ano registou-se uma diminuição no acesso da população aos cuidados de saúde. “Cerca de 14% da população não recorreu ao sistema de saúde”, um valor que “tem estado a subir de forma continuada desde 2019”.

Ao mesmo tempo, aumentaram os episódios de doença entre os que têm menores rendimentos. Pita Barros diz que foram vítimas do “efeito alicate”: estavam mais expostos à pandemia e sentiram mais a redução do poder de compra.

“Um dos lados do alicate é terem, provavelmente, condições laborais que não permitem o teletrabalho e acabavam por estar mais expostas, o que foi um risco para a saúde maior. Por outro lado, também as consequências económicas da redução da atividade”, explica.

Ainda segundo este trabalho, no último ano “a probabilidade de um episódio de doença na classe socioeconómica mais desfavorecida é de 72% para as mulheres e de 66% para os homens, comparando com 37% e 31% registados nas classes socioeconómicas mais favorecidas”.

Outro efeito da pandemia foi o aumento da utilização da linha telefónica SNS 24: “até 2020 tínhamos um uso regular mas a níveis relativamente baixos, com a covid passou a ter um novo impulso, que foi-se tornando mais permanente”, diz. Agora o SNS24 está a “estabelecer-se como uma porta de entrada do acesso dos cidadãos ao Serviço Nacional de Saúde”, defende o investigador.

É preciso avaliar se estas alterações de comportamento se vão manter ou se são temporárias. Há outras, que apenas se acentuaram, como a automedicação (43%), numa altura em que muitas pessoas acumularam medicamentos, a maioria (57%) esperou que melhorasse.

Um indicador que também aumentou, em linha com o que tem vindo a acontecer, é a opção por genéricos. Metade das famílias com menores rendimentos teve dificuldade em comprar medicamentos no último ano. A maioria optou por estes medicamentos mais baratos: o recurso a genéricos passou de 33% em 2019 para 56% em 2022.

Urgências (temporariamente) aliviadas

Será mais um efeito pontual, que resulta da pandemia, em 2022 “apesar da ligeira subida face aos níveis de 2020 e 2021, a proporção de pessoas que procura os serviços de urgência permanece abaixo do pré-pandemia”.

Os utentes começaram a regressar ao setor público em 2021, depois da queda registada em 2019 e 2020. Ainda assim, desde o início da pandemia que há uma “diminuição na procura de respostas nos cuidados de saúde primários”.

Muitos, como foi apontado antes, trocaram a deslocação aos serviços pelo atendimento telefónico. “Verifica-se um aumento expressivo na utilização da linha de atendimento SNS24, consolidando a importância deste canal: a proporção de pessoas que reportou ter recorrido ao SNS24 aumentou de 3% para 28% entre 2019 e 2022”.

Sobre a avaliação da nova gestão do Serviço Nacional de Saúde, Pedro Pita Barros admite que será uma variável a introduzir no próximo ano, mas ainda falta muita informação, como a clarificação dos estatutos da Direção Executiva.

5.6.23

OMS adota certificado digital covid-19 da União Europeia

Por Lusa, in Expresso


A ideia é "estabelecer um sistema global que ajudará a facilitar a mobilidade global e a proteger os cidadãos de todo o mundo contra as ameaças à saúde atuais e futuras"


A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez hoje uma parceria com a Comissão Europeia para alargar a todo o mundo o certificado digital covid-19 da União Europeia (UE), prevendo futuros usos, como um boletim 'amarelo' de vacinas digitalizado.

Numa nota hoje divulgada em Bruxelas, o executivo comunitário dá conta de uma "parceria histórica no domínio da saúde digital" com a OMS, dado que a organização adotará o certificado digital da UE para a covid-19, em vigor há cerca de dois anos.

A ideia é "estabelecer um sistema global que ajudará a facilitar a mobilidade global e a proteger os cidadãos de todo o mundo contra as ameaças à saúde atuais e futuras", acrescenta a instituição.

Este é o primeiro elemento da Rede Mundial de Certificação Digital em Saúde da OMS, que desenvolverá produtos digitais para todos.

Esta rede mundial de certificação digital em matéria de saúde assenta "em princípios e tecnologias abertas do certificado digital da UE para a covid-19", para uma "convergência dos certificados digitais" e o "estabelecimento de normas e a validação de assinaturas digitais para evitar fraudes".

"Esta parceria trabalhará no sentido de desenvolver tecnicamente o sistema da OMS com uma abordagem faseada para abranger casos de utilização adicionais, que podem incluir, por exemplo, a digitalização do Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia", aponta a Comissão Europeia na nota à imprensa, referindo-se a um futuro boletim de vacinas eletrónico (o chamado 'boletim amarelo'), reconhecido em diferentes localizações.

O primeiro elemento do sistema global da OMS deverá estar "operacional em junho de 2023", sendo progressivamente desenvolvido nos próximos meses, conclui Bruxelas.

A Comissão Europeia e a OMS "trabalharão em conjunto para incentivar a máxima aceitação e participação a nível mundial", sendo "dada especial atenção às oportunidades equitativas de participação para os mais necessitados, os países de baixo e médio rendimento".

O certificado, que comprova a testagem (negativa), vacinação ou recuperação do vírus SARS-CoV-2, entrou em vigor na União no início de julho de 2021.

Em 2022, os Estados-membros da UE acordaram que pessoas com o Certificado Covid-19 válido, como vacinados ou recuperados, deveriam ficar excluídos de restrições adicionais à livre circulação, como testes ou quarentenas, para facilitar viagens dentro do espaço comunitário.

31.5.23

Há advogados a atender clientes em cafés e centros comerciais

 Olímpia Mairos, in RR


Denúncia parte do Conselho Regional do Porto da Ordem dos Advogados. Este é um fenómeno crescente desde a pandemia - que levou muitos advogados a perder clientes, com a consequente perda de capacidade económica para alugar um escritório.


Há advogados a atender clientes em cafés e centros comerciais. A maioria por falta de condições económicas para pagar a renda de um escritório. Só este ano, já chegaram cerca 15 queixas nesse sentido ao Conselho Regional do Porto (CRP) da Ordem dos Advogados (OA). O ano passado foram mais de 40.

“Temos cerca de 15 reclamações de clientes que foram atendidos quer em centros comerciais, quer em cafés. Estamos a falar de Porto cidade e de Braga”, diz à Renascença o presidente do CRP da OA, Jorge Barros Mendes, acrescentando que o ano passado tiveram “mais de 40 queixas”.

Barros Mendes explica que esta é uma situação que viola o sigilo profissional a que estes profissionais estão sujeitos. Todos os casos são analisados pelo conselho de deontologia.

“Nós temos que atender os clientes e falar com os clientes no recato”, diz o advogado, alertando que não se pode “estar a atender clientes em estabelecimentos comerciais, correndo o risco de na mesa ao lado a estar toda a gente a ouvir aquilo que o cliente está a dizer”.
“Violação flagrante do estatuto”

Nestas declarações à Renascença, Jorge Barros Mendes diz que o que está a acontecer é “uma violação flagrante do estatuto, porque põe em causa a regra principal da profissão, que é o sigilo profissional”.

“Nós aqui temos uma infração disciplinar e, portanto, aquilo que tem acontecido quando as queixas chegam ao Conselho Regional do Porto, nós remetemos inevitavelmente as queixas para o Conselho de Deontologia que há de apreciar a infração disciplinar”, acrescenta.

Este é um fenómeno crescente desde a pandemia - que levou muitos advogados a perder clientes, com a consequente perda de capacidade económica para alugar um escritório.

Para além de quem não consegue pagar uma renda, entre os advogados que estão a atender clientes em mesas de cafés e centros comerciais estão profissionais de nacionalidade brasileira que desconhecem as regras nacionais.

“Primeiro temos um conjunto de colegas que infelizmente, não têm condições económicas para custear um escritório”, destaca, referindo, ainda, que muitos colegas brasileiros que vêm para o nosso país “não conhecem as regras deontológicas da profissão em Portugal.
Urgente regulamentar escritórios de advogados e domicílio profissional

Por isso, Jorge Barros Mendes considera que “é urgente que o Conselho Geral regulamente a questão dos escritórios de advogados e do domicílio profissional” e que encontre “alternativas para conseguir ajudar estes colegas”.

Jorge Barros Mendes admite que os números possam ser mais elevados, até porque muitos clientes desconhecem que o facto de serem atendidos numa mesa de café viola o sigilo profissional. No entanto, há também desconhecimento dos próprios profissionais que podem recorrer à Ordem dos Advogados - que está disponível para ceder espaços para reunirem com os clientes.

“Há de haver mais casos do que aqueles que nos estão reportados. Os que nos estão reportados são sempre num sentido de indignação”, diz, destacando que “a pessoa também não se sente à vontade verdadeiramente para estar a falar do assunto que a leva a procurar um advogado num espaço público”.

O presidente do Conselho Regional do Porto da Ordem dos Advogados admite que “haverá desconhecimento de grande parte das pessoas efetivamente, mas às vezes também há desconhecimento por parte dos colegas”.

Isto porque - diz - no Conselho Regional do Porto, “se houver um pedido de cedência de instalações de uma sala de reuniões para reunir”, é disponibilizada a sala, referindo que há “alguns colegas nestas condições”.

3.5.23

Solidão: a nova epidemia de saúde pública que tem tantos riscos como fumar

por Lusa, in SIC


O alerta foi feito pelo cirurgião-geral dos Estados Unidos, que afirmou ainda que as redes sociais estão a impulsionar o aumento da solidão em particular. "Como é que concebemos uma tecnologia que fortaleça as nossas relações em vez de as enfraquecer?"


A solidão generalizada nos Estados Unidos representa riscos para a saúde tão mortais como fumar uma dúzia de cigarros por dia e é a mais recente epidemia de saúde pública.

O alerta foi feito pelo cirurgião-geral dos Estados Unidos, Vivek Murthy, a principal autoridade em saúde pública, que, ao declarar a solidão como a mais recente epidemia de saúde pública, referiu que ela custa ao setor da saúde milhares de milhões de dólares por ano.

Cerca de metade dos adultos norte-americanos dizem já ter sentido solidão, afirmou Vivek Murthy, num relatório de 81 páginas do seu gabinete.


"Sabemos agora que a solidão é um sentimento comum que muitas pessoas experimentam. É como a fome ou a sede. É um sentimento que o corpo nos envia quando algo que precisamos para sobreviver está a faltar", disse Vivek Murthy numa entrevista à agência de notícias "Associated Press".

E acrescentou: "Milhões de pessoas na América estão a lutar na sombra, e isso não está certo. Foi por isso que emiti este aviso, para tirar a cortina de uma luta que demasiadas pessoas estão a viver".

Crise da solidão garavou-se com a pandemia de covid-19


A declaração destina-se a aumentar a consciencialização sobre a solidão, mas não desbloqueia o financiamento federal ou a programação dedicada a combater o problema.

A investigação mostra que os americanos, que nas últimas décadas têm vindo a envolver-se menos com os locais de culto, organizações comunitárias e até com os seus próprios familiares, têm vindo a registar um aumento constante de sentimentos de solidão. O número de agregados familiares solteiros também duplicou nos últimos 60 anos.

Mas a crise agravou-se profundamente quando a pandemia de covid-19 se espalhou, levando escolas e locais de trabalho a fechar as portas e fazendo com que milhões de americanos se isolassem em casa, longe de familiares ou amigos.

As pessoas reduziram os seus grupos de amigos durante a pandemia do coronavírus e diminuíram o tempo passado com esses amigos, segundo o relatório do cirurgião-geral. Em 2020, os americanos passavam cerca de 20 minutos por dia, pessoalmente, com amigos, quando era cerca de uma hora duas décadas antes.

Solidão aumenta o risco de morte prematura em cerca de 30%

A epidemia de solidão está a atingir especialmente os jovens, com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos. O grupo etário registou uma quebra de 70% no tempo passado com os amigos durante o mesmo período.

A solidão aumenta o risco de morte prematura em cerca de 30%, tendo o relatório revelado que as pessoas com fracas relações sociais apresentam também um maior risco de acidente vascular cerebral e de doença cardíaca.
“Pedalar sem idade”: o movimento que quer combater a solidão dos idosos
A solidão não é só para os mais velhos

O isolamento também aumenta a probabilidade de uma pessoa sofrer de depressão, ansiedade e demência, de acordo com a investigação. Vivek Murthy não forneceu dados que ilustrem o número de pessoas que morrem diretamente devido à solidão ou ao isolamento.

O cirurgião-geral está a apelar aos locais de trabalho, às escolas, às empresas de tecnologia, às organizações comunitárias, aos pais e a outras pessoas para que façam mudanças que aumentem a conectividade do país.

Aconselha as pessoas a juntarem-se a grupos comunitários e a largarem os telemóveis quando estão a falar com os amigos; os empregadores a pensarem cuidadosamente nas suas políticas de trabalho à distância; e os sistemas de saúde a darem formação aos médicos para que reconheçam os riscos da solidão para a saúde.

Redes sociais estão a impulsionar o aumento da solidão?

A tecnologia exacerbou rapidamente o problema da solidão, tendo um estudo citado no relatório concluído que as pessoas que utilizavam as redes sociais durante duas horas ou mais por dia tinham mais do dobro da probabilidade de se sentirem socialmente isoladas do que as que utilizavam essas aplicações durante menos de 30 minutos por dia.

Vivek Murthy afirmou que as redes sociais estão a impulsionar o aumento da solidão em particular. O relatório sugere que as empresas de tecnologia implementem proteções para as crianças, especialmente em relação ao seu comportamento nas redes sociais.


"Não há realmente nenhum substituto para a interação pessoal", disse, questionando: "À medida que passámos a utilizar cada vez mais a tecnologia para a nossa comunicação, perdemos muito dessa interação pessoal. Como é que concebemos uma tecnologia que fortaleça as nossas relações em vez de as enfraquecer?".

28.3.23

Violência no namoro. É preciso “vacinação comportamental” para criar “imunidade de grupo”

Carla Bernardino, in Delas

UMAR, APAV e AMCV pedem no parlamento medidas concretas para combater violência no namoro em Portugal: do código penal às escolas, da sensibilização à educação, da combate à agressão e à publicação de imagens íntimas não consentidas

Um sistema legal distintivo para os menores que pratiquem violência no namoro, separação de vítimas e agressores, políticas públicas transversais em vez de projetos-piloto, mais educação nas escolas e penalização por divulgação de imagens não consentidas na internet. Estas foram algumas das medidas que associações que trabalham diretamente com vítimas de violência de género, doméstica e no namoro pediram esta terça-feira aos deputados, numa audição na Subcomissão para a Igualdade e Não Discriminação.

Ana Leonor Marciano, advogada da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), pediu “processos tutelares educativos e processos de promoção e prevenção” e lembrou que o “sistema legal e protetivo de menores tem de ser capaz de dar resposta às vítimas e a agressores de violência no namoro e aplicar medidas em concreto, passar informação clara aos jovens que estes modelos de atuação não são aceitáveis”.

A UMAR considerou que “têm de existir consequências”, ainda que os agressores sejam menores de 16 anos – e por isso inimputáveis – e pediu que “as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens possam trabalhar nas escolas de forma continuada e reiterada”.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) vincou a importância da avaliação dos programas para se perceber os impactos e atuar em conformidade, lembrando que a violência no namoro nem sempre acaba com o fim da relação, arriscando, quando não acautelada, ser a antecâmara de mais agressão no futuro. A APAV pede “programas estruturados com lógica curricular em todo o ano letivo e que comecem o mais cedo possível, no primeiro ciclo” – e até antes – “para sensibilizar e educar para os relacionamentos”.

Solicitou ainda aos deputados soluções para que os programas sejam de aplicação territorial universal e uniformizada em todas as escolas, com “formação de profissionais para denunciarem as realidades com as quais contactam”. Os responsáveis da APAV falaram mesmo com recurso aos conceitos da saúde pública, de “um processo de vacinação comportamental que chegue a todos e produza uma imunidade de grupo”.

“Alérgica a programas-piloto” por serem “promotores de discriminação, Margarida Medina Martins, presidente da Associação de Mulheres Contra a Violência, alertou para políticas públicas transversais, em todo o território. Aos deputados, pediu para que a “Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens esteja mais acima na responsabilidade do país”, uma vez que “Portugal abandona quase totalmente os jovens de cima abaixo”, considerou.

Margarida Medina Martins revelou que a pandemia deixou sequelas graves em crianças que, por terem assistido a violência doméstica, violação e pornografia hardcore, “aos quatro anos já abusam de crianças de quatro anos ou menores” quando chegam a casas-abrigo. A responsável pede “uma revolução na escola” e uma atuação sistematizada. “Têm de ser criados dentro dos serviços públicos fluxogramas, quem faz o quê dentro dessa teia e quem é o interlocutor”, considera.

27.3.23

Covid-19: esperança de vida recuou na UE para 80,1 anos em 2021

Por Lusa, in Expresso

A esperança de vida à nascença na União Europeia recuou novamente em 2021, para os 80,1 anos, estimando o Eurostat que ainda por causa do súbito aumento da mortalidade provocado pela pandemia da covid-19

De acordo com o serviço estatístico da UE, a esperança de vida tinha diminuído 0,9 anos de 2019 para 2020, para os 80,4, e recuou novamente em 2021 0,3 anos, para os 80,1 anos.

O Eurostat aponta a causa destes recuos consecutivos à súbita subida da mortalidade causada pela pandemia da covid-19.

A quebra registada não chegou, no entanto, a inverter a tendência de aumento da esperança de vida: Desde 2002, primeiro ano em que há dados disponíveis para todos os 27 Estados-membros, o indicador subiu 2,5 anos, dos 77,6 para os 80,1.

Entre os Estados-membros, as maiores esperanças de vida à nascença em 2021 foram registadas em Espanha (83,3 anos), na Suécia (83,1 anos), no Luxemburgo e em Itália (82,7 cada), enquanto a Bulgária (71,4), a Roménia (72,8) e a Letónia (73,1 anos) foram os países no extremo oposto.

Em Portugal, a esperança de vida foi, em 2021, de 81,5 anos, que se compara com a de 81,1 de 2020 e a de 81,9 de 2019.

Segundo os dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde, até 15 de março, a pandemia - declarada em 11 de março de 2020 - tinha já causado 6.874.585 mortes em todo o mundo, em 760.897.555 casos da doença causada pelo vírus SARS-CoV-2, identificado na China em dezembro de 2019.

Igualdade de género cria economias mais resilientes

Fátima Ferrão, in DN

Se as mulheres contribuíssem da mesma forma que os homens, a riqueza global aumentaria cerca de 26,4 biliões de euros (28 biliões de dólares), e o PIB mundial cresceria 26% até 2025. Os dados são da OCDE que defende que a paridade permite igualmente uma mais rápida recuperação das crises.

Depois da covid-19, a igualdade de género ganhou uma maior visibilidade devido ao efeito desproporcional que a pandemia teve sobre as mulheres. Face à sua contraparte masculina, quase o dobro perdeu o seu emprego em todo o mundo, ou seja, cerca de 64 milhões segundo o World Economic Forum. A este ritmo de mudança de mentalidades, diz a mesma fonte, serão necessários mais 132 anos para atingir a paridade entre homens e mulheres, considerando dimensões-chave como oportunidade e participação económica, educação, saúde e sobrevivência, bem como empoderamento político. Este caminho é ainda mais lento e sinuoso nas economias em desenvolvimento onde, segundo as Nações Unidas, por cada 100 homens entre os 25 e os 34 anos a viver em pobreza extrema há 118 mulheres.

Em Portugal, e apesar dos desequilíbrios, as diferenças entre os dois géneros não são tão evidentes, nomeadamente no que diz respeito aos salários. Esta é, pelo menos, a perspetiva de André Ribeiro Pires. O que existe, diz o Chief Operating Officer (COO) da empresa de recrutamento Multipessoal, é "uma configuração cultural de funções desempenhadas por mulheres que ainda não são tão valorizadas no ecossistema do emprego como aquelas desempenhadas por homens". Alguns setores têm um longo caminho a percorrer para incluir mulheres em cargos de topo, mas, diz André Ribeiro Pires, outros há onde acontece o inverso.

O responsável da Multipessoal esteve à conversa com a diretora do Diário de Notícias, Rosália Amorim, na segunda edição da iniciativa Os números do Emprego, promovida por este jornal. O tema do debate, que pode ver ou rever no site do DN, foi Género, clima e lei laboral e decorreu na semana em que se celebrou o Dia Internacional da Mulher.

Uma questão de tempo

Seja em relação ao emprego ou a questões de diversidade em geral, a visão da sociedade está a mudar, acredita o COO da Multipessoal. "Toda esta abertura deixou de ser vista como uma exceção ou uma quota, e passou a ser natural", defende. Uma evolução que tende a contaminar pela positiva as gerações mais jovens que, na perspetiva de André Ribeiro Pires, já não veem o género ou nacionalidade como algo que possa prejudicar a ascensão de uma carreira.

Apesar disso, reconhece que existem situações bastante evidentes como, por exemplo, "quando se juntam quadros para fazer comentários sobre o futuro das organizações ou da mulher nas organizações, e são todos homens". Uma perspetiva algo enviesada e preconceituosa, mas que, ainda assim, tem, na opinião do responsável da Multipessoal, o tempo contado. "Diria que é uma questão de tempo até termos esta igualdade natural."

O crescente número de mulheres licenciadas é outro fator que, para André Ribeiro Pires, contribuirá para alterar o panorama do emprego e para um aumento da igualdade no reconhecimento e nos salários. Numa época em que faltam recursos humanos em grande parte dos setores empresariais, contar com mais mulheres em áreas tradicionalmente mais masculinas pode ser uma parte da solução.

Aliás, segundo um estudo recente da consultora Bain & Company, as mulheres podem ser uma parte importante da resposta para a escassez de talentos, um desafio globalmente transversal.

"Compreender as diferenças - e semelhanças - entre mulheres e homens no trabalho é o ponto de partida para abordar a paridade de género e vencer a guerra pelo talento, afirma Clara Albuquerque", partner da Bain & Company.

Uma opinião que vai ao encontro da perspetiva de André Ribeiro Pires que defende que "esta é uma mudança cultural que é necessário impor, mas, em Portugal, parece que ninguém reconhece ter este desafio nas organizações".

Quotas podem ser discriminatórias

Apesar da importância das políticas públicas na definição de caminhos para a mudança há coisas que não podem, nem devem, ser impostas por decreto. A opinião de André Ribeiro Pires é muito concreta no que que se refere, por exemplo, às quotas, sejam elas para a igualdade de género, para a inclusão de pessoas com deficiência ou para a diversidade étnica. "São alertas que ajudam a criar um caminho para fazer a mudança", aponta, mas chama a atenção para o risco de discriminação, "porque as empresas têm de empregar porque são obrigadas".

Um dos exemplos mais flagrantes são, para o responsável da Multipessoal, as políticas públicas de integração de pessoas com incapacidade superior a 60%, uma medida que reconhece como "bastante importante, mas que toca provavelmente num dos lados da fração que terá menos impacto, que é o lado da quota". Neste caso, a quota é de 1% nas empresas que empregam até 200 pessoas, e de 2% para as empresas com mais de 250 colaboradores.

"O que acontece é que há aqui um dos lados que não é controlável, que é o número de pessoas disponíveis", diz André Ribeiro Pires, que reforça que "talvez a política pública adequada fosse obrigar as empresas a apresentar a sua definição do que é um posto trabalho para uma pessoa com incapacidade, e garantir a quota na perspetiva de o posto de trabalho estar disponível". Caso contrário, reforça, "o que vai acontecer é que estas quotas podem nem sempre ser cumpridas por falta de candidatos. Diria que isto vai ser um desafio para as organizações conseguirem cumprir esta métrica".

No fundo, a opinião do COO da Multipessoal vai ao encontro de uma das conclusões do estudo da Bain & Company que aponta a imposição de regras rígidas de inclusão como um erro. Segundo a pesquisa recentemente apresentada, são menos de 30% das pessoas que se sentem integradas no trabalho, o que deixa muito espaço para melhorias. "Criar e fomentar uma cultura inclusiva, onde todos sentem que pertencem e se podem desenvolver, é essencial para que as organizações sejam mais fortes e ágeis, e no atual ambiente de mudança contínua, isto é mais importante do que nunca", reforça Clara Albuquerque.

Além disso, os funcionários que se sentem excluídos, tanto homens como mulheres, têm maior probabilidade de se demitirem. "As práticas inclusivas são, por isso, essenciais para atrair e reter o melhor talento, e os gestores têm a responsabilidade de adotá-las", diz a partner da Bain & Company.

Outro dos desafios atuais, que muitas vezes contribui para as dificuldades de inclusão e de diversidade em geral, é a convivência intergeracional nas empresas. Atualmente, e pela primeira vez na história, o mercado de trabalho conta com a presença ativa de quatro gerações em simultâneo, com uma grande diversidade cultural e de hábitos empresariais muito distintos. A juntar a isso, as duas gerações mais jovens -- os Millennials e os Z -- "procuram agilidade, procuram mais experiências do que empregos e, atualmente, o mercado tem uma tendência para se fechar a essa agilidade", diz André Ribeiro Pires.

Para o COO da Multipessoal, "na pandemia passámos um período em que a agilidade foi muito importante, mas parece que foi importante só naquele período. Agora olha-se para a agilidade no trabalho como se fosse algo que promove a precariedade ou problemas no emprego". No entanto, o responsável defende que agilidade é um requisito fundamental para o sucesso das empresas e do próprio país. A indústria portuguesa, exemplifica, depende muito da agilidade. "Podemos dar o exemplo da indústria automóvel", salienta, reforçando que aquilo que torna o mercado português mais atrativo "é precisamente essa agilidade que permita às empresas desenvolver um conjunto de atividades específicas numa determinada altura do ano, outras atividades em diferentes momentos".

21.3.23

Castelo Branco: EAPN leva exposição itenerante e palestra à Escola Superior de Educação

in Diário Digital Castelo Branco

A Exposição Itenerante (RE) EXISTIR - Narrativas em Contexto de Pandemia em simultâneo Palestra, da EAPN - European Anti Poverty Network (Rede Europeia Anti-Pobreza) vai estar patente na Escola Superior de Educação de Castelo Branco de 20 a 28 de Março de 2023.

Esta exposição é uma compilação de ilustrações, que refletem as histórias de 15 pessoas oriundas de vários distritos de Portugal, relatam no livro (RE) EXISTIR as suas vivencias durante a pandemia por COVID-19.

No âmbito da exposição iremos promover uma palestra de vivencias locais da Helena Nunes e Carla Tomé , Albicastresnses, voluntárias do conselho local de cidadãos da EAPN . Esta mesa redonda pretende ser um momento de partilha e a forma como a pandemia afetou as suas vidas , como organizaram o trabalho a familia em função à pandemia, o impacto que tiveram , as dificuldades sentidas, mas também as oportunidades e aprendizagens.

Julio Paiva um dos autores desta expoisção e livro (RE)EXISTIR irá dar o seu testemunho como entrevistador , ouvinte e as suas motivações e envolvimento para esta mostra itenerante.

Segundo informação a que o Diário Digital Castelo Branco teve acesso, a Exposição e Palestra surgem com o objetivo de dar visibilidade a todos |as os |as cidadãos e cidadãs , de uma forma ou de outra ,viram as suas vidas " Viradas do Avesso", os seus sonhos e os seus projetos de vida adiados, devido á pandemia COVID-19.

25% POR CENTO DA POPULAÇÃO MADEIRENSE VIVE COM 551 EUROS

Carla Ribeiro, in Jornal da Madeira

Um quarto da população madeirense vive com 551 euros mensais. Número divulgado há instantes por Elizabeth Santos, da EAPN Portugal, antes de começar, no Colégio dos Jesuítas, o Fórum sobre o estudo da pobreza na Madeira.

Esta responsável refere que serão feitos 400 inquéritos muito aprofundados para se tentar saber exatamente qual a realidade regional. Sobre a elevada taxa de pobreza na Região, pensa estar relacionada com vários fatores mas a pandemia - que fechou o principal setor - ajudou a piorar significativamente a situação.

17.2.23

Europeus dispostos a trocar de emprego para ter mais teletrabalho

in Idealista

Os padrões de trabalho muito mudaram depois da pandemia da Covid-19. Antes, cerca de 60% dos europeus nunca tinha tido a experiência de trabalhar a partir de casa. Mas, nos meses seguintes, esta percentagem caiu para menos de 40%, mostra estudo do Banco Central Europeu (BCE). O teletrabalho tornou-se, assim, num “novo normal” para milhões de europeus durante a pandemia. E depois? A verdade é que ter a possibilidade de trabalhar a partir de casa tornou-se num requisito para muitos. Um em cada três europeus quer ainda mais trabalho remoto do que a empresa dá. E muitos consideram mesmo mudar de emprego.

Depois de milhões de europeus terem começado a trabalhar remotamente durante a pandemia, o paradigma do teletrabalho instalou-se nas empresas. A verdade é que domina a preferência do modelo de trabalho híbrido, em que os profissionais vão alguns dias por semana ao escritório e ficam outros tantos a trabalhar a partir de casa. Mas será que os acordos de teletrabalho estabelecidos com as empresas têm correspondido às expectativas dos profissionais?

Foi o que quis saber o BCE. O estudo publicado esta quarta-feira, dia 15 de fevereiro de 2022, revela as preferências do trabalho remoto depois da pandemia. E conclui que “os padrões de teletrabalho mudaram substancialmente após o início da pandemia e apontam para uma preferência persistentemente maior pelo trabalho remoto”.