24.8.23
Desemprego: Portugal é dos países da UE onde a taxa mais subiu num ano
Portugal teve, num ano, o quinto maior agravamento da taxa de desemprego entre os 20 países da Zona Euro e o sétimo maior no grupo da União Europeia (UE), composta por 27 países. A maior subida ocorreu na Lituânia e a maior descida em Chipre.
Segundo o Dinheiro Vivo, que se apoia em dados do Eurostat, o nível de desemprego total em Portugal (assim como na maioria dos parceiros europeus) reduziu-se de forma substancial com a dissipação da pandemia, tendo atingido um mínimo de 5,6% da população ativa em fevereiro de 2022.
Mas surgiu, entretanto, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, uma guerra que parece não ter fim à vista. Desde essa altura, o desemprego continuou a subir, tendo chegado a 7% em janeiro deste ano. E desde então, sendo verdade que aliviou até aos atuais 6,4% (em maio e junho), o peso do desemprego está substancialmente mais elevado face há um ano (em junho de 2022 era 6%).
Os dados do Eurostat mostram que a taxa de desemprego portuguesa subiu 0,4 pontos percentuais (p.p.) entre junho de 2022 e igual mês deste ano, de 6% para 6,4%.
Pior só a Lituânia (mais 1,8 p.p., para uma taxa total de 7,5%), a Áustria (mais 0,9), a Estónia (mais 0,8), o Luxemburgo (mais 0,7), a Dinamarca (0,6) e a Suécia (mais 0,5), sendo que estes dois últimos países não são da Zona Euro. Chipre foi o país que registou o maior alívio, tendo a taxa de desemprego caído 2,5 p.p. num ano, de 7,3% para 4,8%.
"Portugal tem já a inflação mais baixa do euro em alimentos e bebidas"
De acordo com o Executivo, "a inflação neste tipo de produtos desce desde abril, altura em que o IVA 0% foi implementado pelo Governo".
O Ministério das Finanças revelou, na quarta-feira, que Portugal tem a taxa de inflação mais baixa da zona euro nos alimentos e bebidas, citando dados do Eurostat e sublinhando o contributo da medida IVA zero.
"Segundo o Eurostat, Portugal tem já a inflação mais baixa do euro em alimentos e bebidas", pode ler-se na publicação do gabinete tutelado pelo ministro das Finanças, Fernando Medina.
De acordo com o Executivo, "a inflação neste tipo de produtos desce desde abril, altura em que o IVA 0% foi implementado pelo Governo".
A taxa de inflação anual na zona euro recuou para 5,3% em julho, após 8,9% no mesmo mês de 2022 e 5,5% em junho de 2023, tendo Portugal a oitava percentagem mais baixa, divulgou o Eurostat.
A taxa de inflação tem vindo a baixar nos últimos meses após registar valores históricos devido à reabertura da economia pós-pandemia de covid-19, à crise energética e às consequências económicas da guerra da Ucrânia, muito acima do objetivo de 2% fixado pelo Banco Central Europeu para a estabilidade dos preços.
9.8.23
Mais de quatro milhões de pessoas pediram proteção temporária na UE até junho
Mais de quatro milhões de pessoas pediram proteção temporária à União Europeia (UE), como consequência da invasão da Rússia à Ucrânia, entre 24 de fevereiro de 2022 e 30 de junho deste ano, anunciou hoje o Eurostat.
De acordo com o serviço estatístico europeu, a Alemanha (1.133.420 pessoas, ou seja, 28% do total), a Polónia (977.740, 24%) e a República Checa (349.140, 9%) acolheram o maior número de beneficiários da proteção temporária conferida pelos 27.
Um total de 4.065.615 cidadãos que não pertencem a um dos países da UE solicitaram proteção temporária como consequência da invasão russa à Ucrânia que provocou o maior fluxo migratório dentro do continente europeu desde a Segunda Guerra Mundial, ao abrigo de uma decisão de março do ano passado que o possibilita enquanto a guerra assola o território ucraniano.
Até 30 de junho de 2023, Portugal tinha recebido 55.425 pessoas.
21.7.23
Na UE ainda há 14 países com salários mínimos brutos abaixo de mil euros
Pedro Crisóstomo, in Público
Retribuição mínima em Portugal está próxima dos valores de Chipre, Grécia, Lituânia e Malta. Para comparações na União Europeia, o salário mínimo português são 887 euros brutos mensais.
Os salários mínimos na União Europeia (UE) variam entre os 399 euros e os 2508 euros brutos por mês. A Bulgária está no fundo da tabela, o Luxemburgo no topo.
Há três grandes grupos de países e, nesta divisão tripartida em função do patamar salarial, Portugal permanece no último lote, com uma retribuição de 887 euros. É um dos 14 países da União onde as retribuições mínimas ainda estão abaixo dos mil euros brutos mensais, mostra uma análise semestral divulgada nesta sexta-feira pelo Eurostat.
Embora o salário mínimo português seja de 760 euros brutos mensais, as comparações entre países da UE têm em conta a soma anual dos vencimentos e, como a retribuição nacional é entregue a 14 meses por causa dos subsídios de férias e Natal, o valor mensal bruto português para efeitos estatísticos corresponde a 886,67 euros.
O Luxemburgo, a Alemanha, os Países Baixos, a Bélgica, a Irlanda e a França aparecem no pelotão dos Estados-membros com os salários mínimos mais altos, acima dos 1500 euros mensais. No Grão-Ducado o limiar são 2508 euros brutos; na maior economia da zona euro, a alemã, 1997 euros; em terceiro lugar aparece a quinta economia, a holandesa, com uma retribuição mínima de 1995 euros; na Bélgica, o valor mais baixo são 1955 euros; na Irlanda, 1910 euros; em sexto surge a segunda maior economia da moeda única, a francesa, com um mínimo de 1747 euros.
No segundo nível, com um vencimento mínimo acima de mil euros, mas abaixo de 1500 há apenas dois países, a Espanha (com um limiar de 1260 euros) e a Eslovénia (1203 euros).
Os salários mínimos na União Europeia (UE) variam entre os 399 euros e os 2508 euros brutos por mês. A Bulgária está no fundo da tabela, o Luxemburgo no topo.
Há três grandes grupos de países e, nesta divisão tripartida em função do patamar salarial, Portugal permanece no último lote, com uma retribuição de 887 euros. É um dos 14 países da União onde as retribuições mínimas ainda estão abaixo dos mil euros brutos mensais, mostra uma análise semestral divulgada nesta sexta-feira pelo Eurostat.
Embora o salário mínimo português seja de 760 euros brutos mensais, as comparações entre países da UE têm em conta a soma anual dos vencimentos e, como a retribuição nacional é entregue a 14 meses por causa dos subsídios de férias e Natal, o valor mensal bruto português para efeitos estatísticos corresponde a 886,67 euros.
O Luxemburgo, a Alemanha, os Países Baixos, a Bélgica, a Irlanda e a França aparecem no pelotão dos Estados-membros com os salários mínimos mais altos, acima dos 1500 euros mensais. No Grão-Ducado o limiar são 2508 euros brutos; na maior economia da zona euro, a alemã, 1997 euros; em terceiro lugar aparece a quinta economia, a holandesa, com uma retribuição mínima de 1995 euros; na Bélgica, o valor mais baixo são 1955 euros; na Irlanda, 1910 euros; em sexto surge a segunda maior economia da moeda única, a francesa, com um mínimo de 1747 euros.
No segundo nível, com um vencimento mínimo acima de mil euros, mas abaixo de 1500 há apenas dois países, a Espanha (com um limiar de 1260 euros) e a Eslovénia (1203 euros).
Ao último grupo, com valores abaixo dos mil euros, pertencem 14 países, por esta ordem: Chipre (vencimento mínimo de 940 euros), Grécia (910 euros), Portugal (887 euros), Lituânia (840 euros), Malta (835 euros), Polónia (811 euros), República Checa (729 euros), Estónia (725 euros), Eslováquia (700 euros), Croácia (700 euros), Hungria (624 euros), Letónia (620 euros), Roménia (604 euros) e Bulgária (533 euros).
[...]
Os valores apresentados pelo Eurostat correspondem a salários brutos, antes do IRS nacional e das contribuições para a Segurança Social a pagar pelos trabalhadores, deduções que, recorda o serviço estatístico, “variam de país para país”.
[...]
Nesta síntese estatística, o Eurostat refere que “todos os países candidatos e potenciais candidatos com um salário mínimo nacional, para os quais existem dados disponíveis, pertenceriam ao grupo três”, ao núcleo com valores abaixo dos mil euros: Montenegro (o equivalente a 533 euros), Turquia (474 euros), Macedónia do Norte (359 euros, de acordo com a estatística mais recente, de 2021), Albânia (376 euros), Sérvia (461 euros). Em relação à Ucrânia e à Moldova, o Eurostat refere que não há dados disponíveis. Já a Bósnia-Herzegovina e o Kosovo não têm retribuições mínimas.
Além de apresentar os dados brutos, o Eurostat faz uma segunda comparação dos salários mínimos aplicando as paridades de poder de compra à despesa de consumo final das famílias para ter em conta as disparidades de preços relativos entre as várias economias. Calcula um indicador de Paridades de Poder de Compra (PPC), criando uma unidade monetária artificial (uma referência comum) para poder escalonar os salários em função dessas diferenças. E, “como seria de esperar”, o ajustamento “reduz a variação entre os países”, havendo não três, mas apenas dois grandes grupos.
[...]
Portugal está na segunda vaga de países, com um salário mínimo nacional inferior a este referencial, com 986 PPC. É o país com o valor mais alto neste núcleo de parceiros europeus. Abaixo ficam a Croácia, Malta, a República Checa, a Hungria, a Estónia, a Eslováquia, a Letónia e a Bulgária. O valor mais baixo, o que se verifica na economia búlgara, são 679 PPC.
Os salários mínimos nacionais são publicados pelo Eurostat semestralmente, reflectindo a situação a 1 de Janeiro e a 1 de Julho de cada ano. “Quando o salário mínimo é pago relativamente a mais de 12 meses por ano (como na Grécia, Espanha e Portugal, onde é pago durante 14 meses por ano), os dados foram ajustados para ter em conta esses pagamentos”, explica o Eurostat.
20.7.23
Comité Económico e Social da União Europeia pede aos 27 medidas contra pobreza energética
O Comité Económico e Social Europeu (CESE) apelou esta quarta-feira aos 27 Estados-membros da União Europeia (UE) que adotem medidas para combater a pobreza energética e proteger os cidadãos mais vulneráveis.
Num texto adotado na terceira conferência anual sobre pobreza energética do CESE, é destacado que “aproximadamente 42 milhões de pessoas – 9,3% dos cidadãos da UE – não conseguiram manter as suas casas adequadamente quentes em 2022”.
O comité propõe que os 27 adotem medidas para, nomeadamente, estabelecer mecanismos de controlo da inflação e reformar o mercado de eletricidade. A redução do consumo energético, um maior investimento nas renováveis e a melhoria da eficiência energética das casas estão também entre as recomendações do CESE.
Citando dados do Eurostat, o Comité Económico e Social Europeu assinala que a situação se agravou no ano passado face a 2020 e 2021, quando a pobreza energética afetou, respetivamente, 8,0% e 6,9% da população europeia, indicando como causas a subida dos preços da energia para máximos históricos no segundo semestre de 2021, agravada pela da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro de 2022.
O CESE destaca ainda a necessidade de reduzir o consumo de energia e acelerar a transição para a infraestrutura renovável, de modo a reduzir a dependência energética da União Europeia.
10.7.23
8,3% dos europeus não consegue pagar uma refeição adequada
Em Portugal, proporção de população que não consegue fazer uma refeição de carne ou peixe de dois em dois dias subiu para os 3%.
No ano passado, 8,3% da população da União Europeia não conseguia pagar uma refeição contendo carne, peixe ou um equivalente vegetariano de dois em dois dias. Proporção que sobe para os 19,7% se se analisar apenas os europeus em risco de pobreza. Em Portugal, os valores fixaram-se, respetivamente, nos 3% e 7,2%.
De acordo com os dados nesta segunda-feira divulgados pelo Eurostat, gabinete de estatísticas europeu, dentro os 27 Estados-membros, Roménia (22,1%), Bulgária (21,6%) e Eslováquia (15,8%) são os países que registaram maiores dificuldades no indicador em análise. Em sentido inverso estão a Irlanda (1,4%), o Chipre (1,5%) e o Luxemburgo (1,85). Os dados para Portugal mostram que, no ano passado, 3% da população não conseguiu ter acesso a uma refeição adequada, contra 2,4% em 2021.
Analisando os indicadores para a população em risco de pobreza, 7,2% do portugueses naquela condição não conseguiam pagar uma refeição contendo carne ou peixe de dois em dois dias, que compara com os 5,9% registados em 2021. A Bulgária responde pela proporção mais elevada (44,6%) e a Irlanda pela mais baixa (5%).
5.7.23
Famílias portuguesas com quase metade do nível de poupança das europeias
Luís Leitão, in ECO
O ambiente inflacionista e a persistente subida das taxas de juro continuam a pressionar o orçamento das famílias. Isso é espelhado pela queda da taxa de poupança.
De acordo com dados divulgados terça-feira pelo Eurostat, a taxa de poupança média das famílias nacionais situou-se nos 7,45%. É uma quebra de 118 pontos base face aos 8,63% do último trimestre de 2022 e inferior em 49 pontos base face aos 7,94% contabilizados há um ano.
Os números divulgados pelo gabinete de estatísticas da União Europeia mostram ainda que a taxa de poupança das famílias nacionais é atualmente quase metade da taxa de poupança das famílias dos países da Zona Euro que, no primeiro trimestre, se fixou nos 14,1%.
Os dados do Eurostat revelam também uma taxa bruta de investimento das famílias portuguesas de apenas 5,35% no primeiro trimestre deste ano, cerca de 44 pontos base abaixo do registado no trimestre anterior. É o valor trimestral mais baixo desde pelo menos o segundo trimestre de 2020 (início da série do Eurostat) e quase metade da taxa registada pelas famílias europeias (10,29%).
Desde o início da série do Eurostat que a diferença da taxa bruta de investimento entre famílias portuguesas e europeias nunca foi tão grande.
A taxa bruta de investimento das famílias é definida como a formação bruta de capital fixo dividida pelo rendimento bruto disponível, sendo este último ajustado pela variação da participação líquida das famílias nas reservas dos fundos de pensões. Segundo o Eurostat, “o investimento das famílias consiste principalmente na compra e renovação de habitações”.
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Preço das casas avança 0,8% na UE no 1.º trimestre e Portugal tem 6.º maior subida
O preço das casas aumentou, no primeiro trimestre, 0,4% na zona euro e 0,8% na União Europeia (UE), face ao mesmo período de 2022, com Portugal a registar a sexta maior subida (8,7%), divulga esta quarta-feira o Eurostat.
De acordo com os dados do serviço estatístico europeu, a subida homóloga dos preços das casas abrandou em ambas as zonas, após um aumento de 3,0% na zona euro e de 3,6% na UE, no quarto trimestre de 2022.
Na variação em cadeia, o preço das casas recuou, entre janeiro e março, 0,9% na zona euro e 0,7% na UE.
Na comparação homóloga, seis Estados-membros registaram recuos nos preços das casas: Suécia (-6,9%), Alemanha (-6,8%), Dinamarca (-6,2%), Finlândia (-5,1%), Luxemburgo (-1,5%) e Países Baixos (-0,1%).
Nos restantes 21 países da UE, o indicador subiu, com destaque para a Croácia (14,0%), Lituânia (13,1%) e Bulgária (9,5%).
Na comparação trimestral, os preços das casas baixaram em 11 Estados-membros, com destaque para o Luxemburgo (-4,1%), Alemanha (-3,1%) e Finlândia (-1,8%).
As maiores subidas registaram-se na Dinamarca (2,5%), na Hungria (2,2%), na Croácia e em Chipre (2,0% cada).
Em Portugal, o indicador avançou 8,7% na comparação homóloga - a sexta maior entre os 27 - e 1,3% face ao quarto trimestre de 2022.
14.6.23
Quase 22% da população da UE estava em 2022 em risco de pobreza ou exclusão social
No final do ano passado Roménia, Bulgária, Grécia e Espanha tinham as taxas mais elevadas da Europa de risco de pobreza ou exclusão social. Portugal, com 20,1%, ficou abaixo da média da União Europeia
Um total de 95,3 milhões de pessoas estava em risco de pobreza ou exclusão social na União Europeia em 2022, representando 21,6% da população do bloco, com Portugal a registar uma taxa de 20,1%, informou esta quarta-feira o Eurostat.
Na UE, de acordo com os dados do serviço estatístico europeu, manteve-se praticamente inalterada de 2021 para 2022 a taxa da população em risco de pobreza ou exclusão social, ou seja, que vivem em agregados familiares onde há pelo menos um dos três riscos de pobreza e exclusão social: risco de pobreza, privação material ou social severa e/ou estar inserido num agregado com intensidade laboral muito reduzida.
Entre os Estados-membros, as maiores taxas de risco de pobreza ou exclusão social foram registadas, no ano passado, na Roménia (34%), Bulgária (32%), Grécia e Espanha (26% cada) e as menores na República Checa (12%), Eslovénia (13%) e Polónia (16%).
Portugal apresentou uma taxa de 20,1%, um recuo face aos 22,4% de 2021 e em linha com os 20% de 2020, ocupando o 12.º lugar da tabela dos Estados-membros.
1.6.23
Taxa de inflação da zona euro com forte recuo para 6,1% em maio
Em maio de 2022, a taxa de inflação anual era de 8,1% nos países do euro.
A taxa de inflação anual da zona euro desceu, em maio, para os 6,1%, puxada pelo abrandamento do aumento de preços na componente da alimentação e pela deflação na energia, estima esta quinta-feira o Eurostat.
Em maio de 2022, a taxa de inflação anual era de 8,1% nos países do euro e em abril de 2023 de 7,0%. De acordo com a estimativa rápida do serviço estatístico europeu, considerando as componentes da inflação, o da alimentação, álcool e tabaco apresentou, em maio, a maior taxa, de 12,5%, mas um ponto abaixo dos 13,5% de abril.
Na componente da energia, por seu lado, passou de uma subida de preços de 2,5% em abril para uma descida de 1,7% em maio.
25.5.23
Pedidos de asilo na UE sobem 41% para mais de 75 mil em fevereiro
O número de novos pedidos de asilo apresentados na União Europeia (UE) por cidadãos de países terceiros subiu 41 por cento em fevereiro para mais de 76 mil face ao mesmo mês de 2022, divulgou hoje o Eurostat.
Em fevereiro, indica o serviço estatístico da UE, foram apresentados 76.505 novos pedidos de asilo, mais 41% do que os 53.370 do mês homólogo.
A maior parte dos pedidos foi apresentada por cidadãos sírios (9.885), seguindo-se afegãos (9.310), colombianos (5.160) e venezuelanos (5.115).
Também em fevereiro, um total de 2.745 menores não acompanhados apresentaram pedidos de asilo, oriundos principalmente do Afeganistão (1.025) e da Síria (675).
A Alemanha (25.335), a Espanha (12.840), a França (10.520) e a Itália (9.840) foram os Estados-membros que maior número de novos pedidos de asilo receberam, representando mais de três quartos (77%) do total da UE.
Em Portugal, foram apresentados 170 pedidos em fevereiro.
4.5.23
Portugueses estão entre os que trabalham mais horas por semana na UE
Mais de 7% dos trabalhadores na União Europeia (UE) trabalharam pelo menos 49 horas por semana em 2022. A conclusão é do Eurostat, que revela, a propósito do Dia do Trabalhador, que a percentagem de trabalhadores portugueses com horários de trabalho longos – de pelo menos 49 horas semanais – era das mais elevadas entre os Estados-membros da UE.
Segundo o gabinete de estatísticas europeu, Portugal surge na quinta posição entre os 27 Estados-membros, o que significa que, no ano passado, 9,4% dos portugueses empregados entre os 15 e os 64 anos trabalhavam pelo menos 49 horas semanais, mais nove horas que o estabelecido por lei. Serão, ao todo, cerca de 442 mil pessoas.
De referir que a taxa de pessoas com horários de trabalho mais longos que o normal é mais elevada entre quem trabalha por conta própria (33%). No caso dos trabalhadores por conta de outrem, a taxa desce para 4%.
Taxa de desemprego recua em março na zona euro e UE
De acordo com a Eurostat, a taxa de desemprego recuou, em março, para os 6,5% na zona euro e os 6% na União Europeia, face ao mesmo mês de 2022
A taxa de desemprego recuou, em março, para os 6,5% na zona euro e os 6% na União Europeia, face ao mesmo mês de 2022, segundo dados esta terça-feira divulgados pelo Eurostat.
De acordo com o boletim divulgado pelo serviço de estatísticas da UE, na zona euro, a taxa de desemprego recuou quer na variação homóloga (6,8%), quer na comparação com fevereiro (6,6%), fixando-se nos 6,5%.
Na UE, a taxa de desemprego diminuiu face aos 6,2% registados em março de 2022, mas manteve-se estável nos 6% na variação em cadeia.
O Eurostat estima que, em março, havia 12,960 milhões de pessoas desempregadas na UE, 10,010 milhões das quais na zona euro.
Entre os Estados-membros, a Espanha (12,8%), a Grécia (10,9%) e a Itália (7,8%) registaram, em março, as maiores taxas de desemprego e a República Checa (2,6%), Alemanha, Polónia (2,8% cada) e Malta (2,9%) as menores.
Em Portugal, o desemprego fixou-se nos 6,9%.
27.4.23
União Europeia concedeu 384.245 estatutos de proteção em 2022, maioria a sírios
Por Lusa, in Expresso
A União Europeia registou, em 2022, um aumento de 240% no acolhimento de requerentes de asilo. A Alemanha lidera a lista, seguida de Itália e Espanha
Um total de 384.245 requerentes de asilo receberam em 2022 estatuto de proteção na União Europeia (UE), um aumento de 240% face a 2021 (275.040), divulgou hoje o Eurostat.
De acordo com os dados do serviço estatístico da UE, no conjunto dos 27 Estados-membros, dos 384.254 requerentes de asilo a quem foi concedido o estatuto de proteção em 2022, quase metade (44%) receberam o estatuto de refugiado, 31% receberam proteção subsidiária e 25% receberam proteção humanitária. Em comparação com 2021, o número de estatutos de refugiado concedidos aumentou 22%, a proteção subsidiária aumentou 48% e a proteção humanitária registou o maior aumento, com 72%.
A Alemanha acolheu o maior número de requerentes de asilo (159.365, 41% do total da UE), seguida pela França (49.990, 13%), Itália (39.660, 10%) e Espanha (35.765, 9%).
Em conjunto, estes cinco países atribuíram 73% de estatutos de proteção a nível da UE.
A maior parte dos pedidos são apresentados por sírios (109.815, 29% do total), seguidos por afegãos (87.530, 23%) e venezuelanos (22.350, 6%).
18.4.23
Esperança de vida: Onde se vive mais e menos na Europa?
Camille Bello, in Euronews Português
A França, por exemplo, está a enfrentar o desafio de uma população com maior longevidade e a consequente pressão sobre o sistema de segurança social. Para enfrentar o desafio, o governo francês aprovou - com muita resistência - uma série de reformas destinadas a aumentar a idade da reforma e a encorajar os indivíduos a trabalhar mais tempo.
Mas a França não está sozinha com o envelhecimento da sua população, e não são eles que vivem mais tempo. Em toda a UE, a esperança de vida tem estado numa trajetória ascendente desde há várias décadas.
Quem vai viver mais tempo na UE?
Em 2021, a esperança média de vida à nascença na UE era de 80,1 anos, mas os últimos números são relativamente mais baixos quando comparados com 2020 e 2019, provavelmente como resultado do súbito aumento da mortalidade devido à pandemia da COVID-19, segundo dados do Eurostat, o serviço de estatística da UE.
Em 2019, a esperança de vida à nascença atingiu um máximo histórico de 81,3 anos, mas caiu depois para 80,4 em 2020.
Apesar do ligeiro revés - do qual é provável que recuperemos em breve - a linha de longevidade tem vindo a subir desde que a UE começou a registar dados no início dos anos 2000, e as estatísticas oficiais revelam que a esperança de vida aumentou, em média, em mais de dois anos por década desde os anos 60.
Globalmente, em todo o bloco, as mulheres vivem mais tempo do que os homens (82,9 anos - 77,2 anos em 2021), mas as pessoas em certos países - e mesmo regiões - vivem mais tempo do que noutros.
Do mesmo modo, nem todas as nações experimentaram os mesmos progressos ao longo dos anos - ou até caíram, em alguns casos particulares, nas suas estimativas de esperança de vida.
O país com a maior esperança de vida à nascença é a Espanha, com uma média de 83,3 anos, seguido pela Suécia (83,1 anos), Luxemburgo, e Itália (ambos 82,7 anos).
A previsão de esperança de vida mais baixa regista-se na Bulgária (71,4 anos), Roménia (72,8 anos), e Letónia (73,1 anos).
As diferenças país por país são interessantes, mas talvez ainda mais fascinantes sejam as comparações de regiões dentro dos países que pontuam mais do que a média na escala de vida longa.
Em Espanha, por exemplo, espera-se que as pessoas nascidas na região da Andaluzia vivam cerca de 81,7 anos, mas espera-se que as que vivem na região da capital, Madrid, vivam 85,4 anos, uma média de mais quatro anos.
Tendências semelhantes são observadas em Itália. Os italianos que vivem na ilha sul da Sicília podem esperar viver cerca de 81,3 anos, mas os que vivem no norte do Trentino, perto da fronteira com a Áustria, têm uma esperança de vida de 84,2 anos, uma diferença de quase três anos.Que países melhoraram mais a sua esperança de vida à nascença?
Os estónios foram os que mais aumentaram a sua longevidade, ganhando 6,1 anos de esperança de vida entre 2000 e 2021. São seguidos pelos irlandeses (+5,8), luxemburgueses (+4,7), dinamarqueses (+4,6), e eslovenos (+4,5).
Os ganhos dos cinco primeiros são notáveis, especialmente quando comparados com outros países que não ultrapassaram tão bem as fronteiras da vida, ou simplesmente quando comparados com a média da UE, que registou um aumento de 2,5 anos.
Na Bulgária, por outro lado, as pessoas estão a morrer mais jovens do que antes; a esperança de vida à nascença era 0,2 anos menos em 2021 do que em 2000. Pensa-se que o infeliz inverso é resultado de uma série de fatores, incluindo um sistema de saúde em dificuldades e taxas de mortalidade por AVC mais elevadas do que na maioria dos países da UE, de acordo com o Relatório de Saúde da Comissão Europeia.
Expetativa de vida aos 65 anos de idade
A esperança de vida aos 65 anos de idade refere-se ao número médio de anos que se pode esperar que uma pessoa com essa idade ainda viva.
É uma métrica interessante a considerar porque, por exemplo, a esperança de vida à nascença de alguém nascido em 1958 e que tem hoje 65 anos de idade, não considera variáveis contemporâneas, tais como melhores estilos de vida, avanços nos cuidados de saúde, e assim por diante.
Em 2021, a esperança de vida média aos 65 anos foi estimada em 19,2 anos; 20,9 anos para as mulheres, e 17,3 anos para os homens.
A França e a Espanha tinham a maior esperança de vida aos 65 anos em 2021 (21,4 anos) e a Bulgária tinha a mais baixa (13,6 anos).
Para as mulheres, a maior esperança de vida aos 65 anos era em Espanha (23,5 anos) e a mais baixa era na Bulgária (15,5 anos) enquanto que para os homens, a mais alta era na Suécia (19,6 anos) e a mais baixa era na Bulgária (11,6 anos).
Esperança de vida saudável: a métrica mais importante?
A esperança de vida saudável ao nascer é também um indicador importante da saúde da nossa população. Indica, talvez, a medida mais importante: se os nossos últimos anos são vividos com boa saúde.
Em 2020, o número médio de anos de vida saudável à nascença na UE era de 64,5 anos para as mulheres e 63,5 anos para os homens. Este número também registou uma evolução animadora; aumentou 2,6 anos entre 2011 e 2020, passando de 61,4 anos saudáveis para 64.
A Suécia é o país que vive mais anos saudáveis em todo o bloco da UE (as mulheres vivem, em média, 72,7 anos saudáveis, e os homens 72,8 anos saudáveis. Os suecos são seguidos por italianos e malteses, 68,7 (M) 67,2 (H) e 70,7 (M) 70,2 (H) anos saudáveis sem deficiência, respectivamente.
Curiosamente, a Dinamarca, apesar da sua elevada classificação na escala da longevidade, está muito atrasada no que diz respeito a anos saudáveis, ficando em 4º lugar, com as mulheres a viver 57,7 anos saudáveis, e os homens 58,1.
A Letónia é o país com o menor número de anos de vida saudável, tanto para mulheres como para homens, 54,3 e 52,6, respetivamente.
Porque é que a esperança de vida está a melhorar?
Estamos a viver mais tempo - e mais saudáveis - devido a uma série de fatores. Mas o mais importante é a redução da mortalidade infantil, definida como a morte de uma criança antes do seu primeiro aniversário, de acordo com o Eurostat.
As hipóteses de um recém-nascido sobreviver à infância aumentaram de 50% para 96% a nível mundial. Entre 2011 e 2021, a taxa de mortalidade infantil na UE caiu de 3,8 mortes por 1.000 nascimentos para 3,2 mortes por 1.000 nascimentos.
Ao alargar a análise aos últimos 20 anos, a taxa de mortalidade infantil diminuiu quase para metade (6,2 mortes por 1.000 em 1999).
Em 2021, as maiores taxas de mortalidade infantil na UE foram registadas na Bulgária (5,6 mortes por 1 000 nascimentos) e Roménia (5,2 mortes por 1 000 nascimentos), e as mais baixas foram registadas na Finlândia, Eslovénia, e Suécia (todos com 1,8 mortes por 1 000 nascimentos).
28.3.23
Novos pedidos de asilo na UE sobem 64% em 2022
De acordo com o serviço estatístico da UE, 2022 foi o segundo ano consecutivo de subida de novos pedidos de asilo, depois uma quebra para 417.100 em 2020, mas com valores ainda distantes dos picos de 1,2 milhões, em 2015, e de 1,1 milhões no ano seguinte, em plena crise migratória causada pela guerra civil na Síria.
A Síria mantém-se desde 2013 o principal país de origem de requerentes de asilo na UE, com 131.970 pedidos em 2022, 15% do total, seguida pelo Afeganistão, em segundo lugar pelo quarto ano consecutivo (113.495, 13% do total da UE), seguidos pela Venezuela (50.050) e a Turquia (49.720), ambos com cerca de 06% do total.
IG // APN
Lusa/fim
27.3.23
Covid-19: esperança de vida recuou na UE para 80,1 anos em 2021
Por Lusa, in Expresso
A esperança de vida à nascença na União Europeia recuou novamente em 2021, para os 80,1 anos, estimando o Eurostat que ainda por causa do súbito aumento da mortalidade provocado pela pandemia da covid-19De acordo com o serviço estatístico da UE, a esperança de vida tinha diminuído 0,9 anos de 2019 para 2020, para os 80,4, e recuou novamente em 2021 0,3 anos, para os 80,1 anos.
O Eurostat aponta a causa destes recuos consecutivos à súbita subida da mortalidade causada pela pandemia da covid-19.
A quebra registada não chegou, no entanto, a inverter a tendência de aumento da esperança de vida: Desde 2002, primeiro ano em que há dados disponíveis para todos os 27 Estados-membros, o indicador subiu 2,5 anos, dos 77,6 para os 80,1.
Entre os Estados-membros, as maiores esperanças de vida à nascença em 2021 foram registadas em Espanha (83,3 anos), na Suécia (83,1 anos), no Luxemburgo e em Itália (82,7 cada), enquanto a Bulgária (71,4), a Roménia (72,8) e a Letónia (73,1 anos) foram os países no extremo oposto.
Em Portugal, a esperança de vida foi, em 2021, de 81,5 anos, que se compara com a de 81,1 de 2020 e a de 81,9 de 2019.
Segundo os dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde, até 15 de março, a pandemia - declarada em 11 de março de 2020 - tinha já causado 6.874.585 mortes em todo o mundo, em 760.897.555 casos da doença causada pelo vírus SARS-CoV-2, identificado na China em dezembro de 2019.
23.2.23
Dados do Eurostat. População de Portugal é a que mais está a envelhecer na UE
Por Lusa, in RTP
A idade média da população em Portugal fixou-se em 2022 nos 46,8 anos, a segunda mais elevada entre os 27 Estados-membros da União Europeia (UE), tendo sido a que mais aumentou nos últimos 10 anos, revelam dados do Eurostat.De acordo com os dados hoje publicados pelo gabinete oficial de estatísticas da UE sobre a população europeia, a idade média dos residentes na UE atingiu a 01 de janeiro de 2022 os 44,4 anos (contra 44,1 em 2021), tendo aumentado 2,5 anos face a 2012, quando era de 41,9 anos. Em Portugal, subiu quase cinco anos.
O Eurostat nota que, entre os 27 Estados-membros, a idade média varia entre os 38,3 anos em Chipre e os 48,0 anos em Itália, sendo que Portugal é o segundo país com uma média mais elevada (46,8), seguido da Grécia (46,1).
Na comparação com 2012, Portugal registou a maior subida na idade média, de +4,7 anos, ao passar de 42,1 para 46,8 anos, seguindo-se Espanha (+4,3 anos) e Grécia e Eslováquia (ambos com +4,1 anos).
O Eurostat aponta que a idade média na UE cresceu, entre 2012 e 2022, em todos os Estados-membros com exceção da Suécia, onde se registou um ligeiro recuo, de 40,8 para 40,7 anos.
O gabinete estatístico europeu sublinha também que, além do aumento da idade média, o rácio de dependência dos idosos da UE, definido como o rácio do número de pessoas idosas (com 65 anos ou mais) em comparação com o número de pessoas em idade ativa (15-64 anos), também aumentou em 2022, ao fixar-se nos 33%, face a 32,5 um ano antes e 27,1% em 2012.
Portugal apresenta o terceiro rácio mais alto de dependência de idosos, de 37,2%, superado apenas por Itália (37,5%) e Finlândia (37,4%), enquanto os mais baixos foram registados no Luxemburgo (21,3%), Irlanda (23,1%) e Chipre (24,5%).
ACC // JMR
Lusa/Fim
15.2.23
Portugal: Pobreza energética, como enfrentá-la?
Em Portugal, entre 660 a 680 mil pessoas, vivem numa situação de pobreza energética severa. Significa isto que estão integrados em “agregados familiares em situação de pobreza cuja despesa com energia representa mais de 10% do total de rendimentos” e que, para além disso, acumulam a “situação de pobreza monetária ou económica” com a impossibilidade de manterem as suas casas em condições de conforto térmico.
Quem o diz é a Estratégia Nacional de Longo Prazo para o Combate à Pobreza Energética 2022-2050 (ENLPCPE 2022-2050), que esteve recentemente em consulta pública até 3 de março, e cuja consulta se encontra em análise.
Portugal encontra-se, aliás, no quinto lugar dos países da União Europeia onde as famílias têm menores condições para manter as suas casas devidamente aquecidas. O nosso país é apenas superado pela Lituânia, Croácia, Letónia e Roménia. Segundo os dados divulgados pelo Eurostat, cerca de 19% dos portugueses estão em situação de pobreza energética.
A dura realidade é que a maioria das habitações portuguesas não estão preparadas para as baixas temperaturas. A verdade é que o nosso país se encontra longe da tão desejada eficiência energética, segundo a Zero.
De uma forma simples, a Zero define a pobreza energética como a incapacidade de suportar o custo dos serviços energéticos que garantam o aquecimento e arrefecimento das habitações, bem como o aquecimento da água, a energia para cozinhar, devido ao seu custo elevado.
A pobreza energética pode ser identificada através da observação de diversas componentes, entre elas: qualidade e eficiência energética da habitação; infraestruturas e equipamentos disponíveis; práticas sociais; normas e aspirações sociais; eficiência dos equipamentos domésticos; rendimentos dos cidadãos; preços da energia; e confiança dos cidadãos em instituições e fornecedores.
Em Portugal, infelizmente, ainda se morre em função das baixas temperaturas, sobretudo nos espaços rurais e entre a população mais idosa. O frio e a humidade agudizam também doenças crónicas e outras complicações respiratórias ou cardiovasculares, ajudam a justificar os picos de mortalidade sazonalmente verificados no período invernal.
Garantir o conforto térmico em casa no inverno é considerado pela União Europeia um indicador básico de caracterização do bem-estar das famílias. Ainda assim, em Portugal, o aquecimento das habitações é descurado, uma vez que se considera como algo “normal” sentir-se frio dentro de casa.
Porque somos energeticamente pobres?
O parque edificado português é antiquado e pouco adequado às modernas necessidades dos seus habitantes. Do conjunto de problemas que afetam o desempenho energético do parque edificado nacional, para além do envelhecimento natural dos materiais e da ausência de manutenção, é possível destacar as características físicas do edifício, nomeadamente ao nível do baixo desempenho térmico da envolvente e a ineficiência dos sistemas energéticos instalados.
No verão, a larga maioria dos edifícios, públicos e privados, não estão verdadeiramente preparados para enfrentar as elevadas temperaturas que se fazem sentir durante os longos dias. As famílias gastam milhares de euros em equipamentos de refrigeração, que por sua vez fazem crescer as faturas de eletricidade.
O mesmo acontece no inverno. Aqui esta questão assume contornos ainda mais dramáticos. Se a maioria dos edifícios portugueses não está preparada para as elevadas temperaturas, quando as máximas e as mínimas descem para valores próximos dos 0 ºC, muitas famílias admitem (e estão, de certa forma, habituadas já a) “passar frio”.
Como vimos, o parque edificado português é obsoleto: 70% dele foi construído antes de 1990; na mesma medida, as habitações avaliadas pela Comissão Europeia em Portugal tiveram uma classificação energética entre C e F – as classes menos eficientes; existe uma cultura de desvalorização do frio e do conforto térmico, que é considerado um luxo face a outras necessidades básicas do agregado familiar.
A pobreza energética afeta então um número significativo de famílias em Portugal. Constitui um fenómeno relevante a nível nacional com implicações sociais, económicas, ambientais e de saúde, pelo que importa desenhar instrumentos e colocar em prática medidas que atuem sobre esta dimensão com impacto real na nossa vida.
Que soluções?
Como vimos, a realidade portuguesa demonstra uma incapacidade de manter as casas quentes no inverno e frescas no verão, o que se associa ao elevado peso das faturas de eletricidade no orçamento familiar e com a utilização de equipamentos de climatização de baixa eficiência.
Mais de metade deste consumo pode ser reduzido através de medidas de eficiência energética, sendo necessário, segundo a Zero:Maior financiamento: investir em eficiência energética oferece benefícios como a redução dos custos de energia, redução das emissões e maior segurança de abastecimento e empregos.
Maior ambição política: a União Europeia deve assumir um papel de liderança e decisivo na orientação de fundos e na mobilização de vontade política para esses programas.
Garantir habitação decente: com eficiência energética e acessível para todos é possível, através de 3 principais eixos de atuação: uma profunda renovação dos edifícios, energia renovável para aquecimento e poupança energética.
Nos últimos anos, a consciência sobre a problemática da pobreza energética aumentou significativamente na Europa, razão pela qual foi identificada como uma prioridade política, tendo a Comissão Europeia, no âmbito do Pacote Energia Limpa para todos os Europeus, dado prioridade a este tema, incluindo em várias iniciativas legislativas referências à necessidade dos Estados-Membros adotarem medidas de combate à pobreza energética.
É neste contexto que em Portugal, o Plano Nacional de Energia e Clima 2090 (PNEC 2030), estabelece como linha de atuação “Combater a pobreza energética e aperfeiçoar os instrumentos de proteção a clientes vulneráveis”, a qual define um conjunto de medidas de ação para o combate à pobreza energética, entre as quais a promoção de uma estratégia de longo prazo para o combate à pobreza energética.

