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31.8.23

Zona euro com 6,4% de taxa de desemprego em julho

Ivone Gravato, in Lusa


Bruxelas, 31 ago 2023 (Lusa) – A taxa de desemprego na zona euro foi, em julho, de 6,4% e na União Europeia (UE) de 5,9%, segundo dados hoje divulgados pelo Eurostat.

De acordo com o serviço estatístico europeu, a taxa de desemprego abrandou face à de julho de 2022 em ambas as zonas – 6,7% nos países do euro e 6,1% no conjunto dos 27 Estados-membros – mantendo-se estável na comparação em cadeia.


O Eurostat estima que, em julho, havia 12.928 milhões de desempregados na UE, dos quais, 10.944 milhões na zona euro.

IG // ALU

Lusa/fim

24.8.23

Confiança dos consumidores na zona euro recua em agosto e inverte tendência de melhoria

Por Lusa, in SIC

Numa estimativa provisória publicada pela Comissão Europeia é revelado que, neste mês de agosto, o indicador de confiança dos consumidores recuou 0,9 pontos percentuais tanto na zona como na UE, após vários meses de subida desde o final do ano passado.


A Comissão Europeia divulgou esta quarta-feira que a confiança dos consumidores na União Europeia (UE) e na zona euro recuou em agosto, quebrando uma tendência de melhoria dos últimos meses, e muito abaixo da média de longo prazo.

Numa estimativa provisória publicada pela Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia é revelado que, neste mês de agosto, o indicador de confiança dos consumidores recuou 0,9 pontos percentuais tanto na zona como na UE, após vários meses de subida desde o final do ano passado.


"Com -17,0 pontos percentuais na UE e -16,0 pontos percentuais na zona euro, a confiança dos consumidores está muito abaixo da sua média de longo prazo", adiantam os serviços do executivo comunitário.

Estes são dados divulgados todos os meses pela Comissão Europeia e têm por base inquéritos feitos aos consumidores.

O indicador de confiança dos consumidores deste mês é calculado com base em dados de inquéritos feitos em 25 países da UE - todos à exceção da Irlanda e Roménia -, entre 1 e 22 de agosto, abrangendo 97% no conjunto da União e 98% na área do euro do total das despesas de consumo final privado.

Euribor desce a três, seis e a 12 meses

Agência Lusa, in  TVI


Taxas são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 57 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário


A taxa Euribor desceu esta quinta-feira a três, seis e a 12 meses, em relação a quarta-feira.

A taxa Euribor a 12 meses, que atualmente é a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, desceu esta quinta-feira para 4,048%, menos 0,034 pontos do que na quarta-feira, depois de ter subido até 4,193% em 07 de julho, um novo máximo desde novembro de 2008.

No prazo a seis meses, a taxa Euribor, que entrou em terreno positivo em 07 de julho de 2022, desceu 0,021 pontos, relativamente a quarta-feira, para 3,932%, contra o máximo desde novembro de 2008, de 3,972%, verificado em 21 de julho.

A Euribor a três meses, por sua vez, também desceu para 3,784%, mais 0,042 pontos do que na quarta-feira dia em que se fixou em 3.826%, um máximo registado desde dezembro de 2008.

As Euribor começaram a subir mais significativamente a partir de 04 de fevereiro de 2022, depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter admitido que poderia subir as taxas de juro diretoras devido ao aumento da inflação na zona euro e a tendência foi reforçada com o início da invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro de 2022.


A taxa Euribor desceu esta quinta-feira a três, seis e a 12 meses, em relação a quarta-feira.

A taxa Euribor a 12 meses, que atualmente é a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, desceu esta quinta-feira para 4,048%, menos 0,034 pontos do que na quarta-feira, depois de ter subido até 4,193% em 07 de julho, um novo máximo desde novembro de 2008.

No prazo a seis meses, a taxa Euribor, que entrou em terreno positivo em 07 de julho de 2022, desceu 0,021 pontos, relativamente a quarta-feira, para 3,932%, contra o máximo desde novembro de 2008, de 3,972%, verificado em 21 de julho.

A Euribor a três meses, por sua vez, também desceu para 3,784%, mais 0,042 pontos do que na quarta-feira dia em que se fixou em 3.826%, um máximo registado desde dezembro de 2008.

As Euribor começaram a subir mais significativamente a partir de 04 de fevereiro de 2022, depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter admitido que poderia subir as taxas de juro diretoras devido ao aumento da inflação na zona euro e a tendência foi reforçada com o início da invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro de 2022.

Na mais recente reunião de política monetária, realizada em 27 de julho, o BCE voltou a subir os juros, pela nona sessão consecutiva, em 25 pontos base – tal como em 15 de junho e 04 de maio –, acréscimo inferior ao de 50 pontos base efetuado em 16 de março, em 02 de fevereiro e em 15 de dezembro, quando começou a desacelerar o ritmo das subidas.

Antes, em 27 de outubro e em 08 de setembro, as taxas diretoras subiram em 75 pontos base. Em 21 de julho de 2022, o BCE tinha aumentado, pela primeira vez em 11 anos, em 50 pontos base, as três taxas de juro diretoras.

A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 14 de setembro.

As taxas Euribor a três, a seis e a 12 meses registaram mínimos de sempre, respetivamente, de -0,605% em 14 de dezembro de 2021, de -0,554% e de -0,518% em 20 de dezembro de 2021.

As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 57 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.

4.8.23

A economia alemã está outra vez doente e a Europa sofre

Sérgio Aníbal, in Público online

Numa conjuntura de inflação alta e juros a subir, a Alemanha vê ainda o seu modelo económico baseado na indústria exportadora revelar sérias fragilidades.

É na sua maior economia que a Europa tem o maior problema para fugir a uma recessão. A Alemanha está há cinco trimestres estagnada e as perspectivas para os próximos meses não são melhores, fruto não só da conjuntura difícil de preços e taxas de juro, mas também das fragilidades estruturais que estão a abalar o modelo de crescimento baseado na força da sua indústria exportadora.

O medo, entre os alemães, é que se esteja a voltar a uma situação semelhante à vivida nos últimos anos do século passado. A economia alemã, depois de um período de expansão pós-pandemia, tinha caído num cenário de estagnação e de desemprego muito elevado que levou a revista The Economist a classificar o país como “o homem doente da Europa” (“the sick man of Europe”, em inglês).


Nessa altura, foram postas em prática reformas significativas no mercado de trabalho e, com a ajuda preciosa do lançamento do euro, que permitiu ao sector exportador alemão ganhar competitividade face aos seus parceiros comerciais, a economia alemã ficou novamente mais forte, reforçando ainda mais o seu estatuto de maior economia europeia.

(...)

Presa na estagnação

A economia alemã é neste momento a única, entre as maiores do planeta, para a qual o Fundo Monetário Internacional está a prever uma variação negativa do PIB no total deste ano, já que as expectativas são, na segunda metade, tão negativas ou mesmo piores do que aquilo que tem vindo a acontecer nos últimos trimestres.

“Não existem neste momento dados a apontar para uma recessão profunda, mas a verdade é que a Alemanha está presa numa estagnação. E existe o risco de que esta estagnação continue até ao próximo Inverno, com ameaças então ainda a pairar sobre o fornecimento de gás ao país”, explica ao PÚBLICO o presidente do instituto de análise económica Ifo, Clemens Fuest.

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O mesmo cenário é antecipado por Veronika Grimm, que pertence desde 2020 ao Conselho Alemão de Especialistas Económicos.

“A Alemanha irá provavelmente permanecer num período de estagnação durante algum tempo. Não espero uma recessão profunda, mas uma recuperação vai ser difícil”, afirma a economista.

De facto, os indicadores já conhecidos e que dão pistas sobre a forma como a economia está a evoluir têm apresentado resultados desanimadores em Julho, indiciando um prolongamento da apatia da economia no terceiro trimestre do ano.

Em particular, os indicadores de actividade industrial registaram uma deterioração, apontando para uma contracção da produção na indústria que pode ser o suficiente, apesar de uma maior resistência dos serviços, para empurrar a actividade global da economia novamente para terrenos negativos.


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Em Julho, de acordo com os dados publicados esta semana, o indicador PMI que avalia a evolução da actividade no sector industrial e dos serviços caiu de 50,6 para 48,5 pontos, o que significa que se estará agora numa fase de contracção (algo que acontece quando este indicador fica abaixo dos 50 pontos).
A travar a Europa

A economia alemã está, como a generalidade dos países europeus, com a conjuntura difícil de taxas de inflação ainda altas e taxas de juro que não param de subir. Isso afecta a confiança de empresas e famílias e limita a sua capacidade financeira para investir e consumir.

Ainda assim, a Alemanha, com níveis de endividamento dos agentes económicos relativamente baixos e com empréstimos maioritariamente feitos a taxa fixa, não é, no panorama europeu dos países mais afectados pela política monetária mais restritiva do Banco Central Europeu (BCE). Não é isto que explica que a maior economia da zona euro seja neste momento aquela que menos cresce.

O problema da Alemanha é que junta a esta conjuntura desfavorável para o crescimento uma série de problemas de carácter estrutural, que fazem com que o seu modelo de crescimento baseado numa enorme indústria exportadora, que muitos sucessos deu à economia do país, esteja agora sob ameaça.

“A questão estrutural mais importante que a Alemanha enfrenta é o foco do país na sua indústria automóvel e em outras indústrias muito intensivas em energia, como a química. A transformação do sector automóvel em direcção aos carros eléctricos põe em causa as vantagens competitivas da Alemanha e os segmentos de energia mais intensiva da indústria química vão sentir dificuldades em lidar com os preços da energia na Alemanha, que deverão permanecer altos por muito tempo”, assinala Clemens Fuest.

Há ainda mais alguns desafios a acrescentar à lista de dificuldades que a economia alemã terá de enfrentar nos próximos anos. A evolução demográfica do país faz com que a escassez de mão-de-obra, apesar de se reflectir numa contenção significativa da taxa de desemprego, crie obstáculos ao crescimento da economia. E a falta de investimento das últimas décadas, especialmente em infra-estruturas, não ajuda a economia a aumentar agora a sua produtividade.

“Não é tanto o desemprego, mas sim o investimento que vai ser o indicador-chave para o desempenho económico futuro”, afirma Veronika Grimm.

Por fim, há ainda a dificuldade que a Alemanha tem vindo a sentir com dois grandes clientes das suas exportações. A economia chinesa está a abrandar. O gigante asiático tem para a Alemanha uma importância crescente como cliente das suas exportações e a verdade é que já não se pode esperar que a China continue a crescer nos próximos anos ao mesmo ritmo que cresceu nas últimas décadas. E os EUA estão a implementar políticas cada vez mais proteccionistas, que procuram trazer para território norte-americano algumas das indústrias que a Alemanha se habituou a dominar.

Muito dependente da sua indústria exportadora, a Alemanha vê nas tensões crescentes que se vivem nas relações comerciais internacionais um risco de larga escala, a que está a tentar responder com um misto de cautela diplomática e de implementação progressiva de uma política de apoio à sua indústria que responda àquilo que está a ser feito pelos Estados Unidos da América (EUA).

As más notícias para a Alemanha na frente económica não podem deixar de ser más notícias para o resto da Europa. Como afirma o presidente do Ifo, “a Alemanha irá atrasar a recuperação económica na zona euro como um todo”.

Para a tarefa do BCE de trazer a inflação para perto da meta dos 2%, aquilo que está a acontecer na Alemanha até pode ajudar, porque para além da diminuição mais forte da procura, começa a ser evidente o efeito que a incerteza económica na indústria alemã já está a ter nas negociações salariais para os próximos anos. Os aumentos que poderiam resultar da actual escassez de mão-de-obra vão ser limitados pelo medo das empresas em aumentar os seus custos e dos trabalhadores de virem no futuro a perder os seus empregos.

A dúvida está em saber se, para lá da luta contra a inflação, não irão a Alemanha e o resto da Europa cair numa recessão mais profunda e longa.

“A Alemanha vai contribuir para travar o crescimento na UE. É importante que a Alemanha e os outros países juntem forças para agir em conjunto, por exemplo, no que diz respeito a aumentar a oferta de energia a nível europeu”, afirma Veronika Grimm.

Um pedido de ajuda alemão aos seus parceiros que surge numa altura em que ainda não foi possível na Europa chegar a um consenso relativamente às novas regras orçamentais ou à criação de um orçamento permanente da zona euro.

[artigo disponível na íntegra apenas para assinantes]

1.8.23

Desemprego na zona euro mantém-se nos 6,4% em Junho

Pedro Crisóstomo, in Público online

Na região da moeda única há 10,8 milhões de desempregados. Taxa está no mesmo valor há três meses consecutivos.

A taxa de desemprego no conjunto dos 19 países que partilham a moeda única manteve-se inalterada em Junho, correspondendo a 6,4% da população activa da região da zona euro. É o terceiro mês consecutivo em que a taxa se encontra neste patamar, ficando abaixo do nível de desemprego registado um ano antes (6,7% em Junho do ano passado).

De acordo com dados divulgados nesta terça-feira pelo gabinete de estatísticas Eurostat, o nível de desemprego na União Europeia (nos 27 Estados-membros) foi de 5,9%. Também neste caso a taxa é idêntica à dos dois meses anteriores, Abril e Maio. Um ano antes, em Junho de 2022, a taxa estava nos 6,1%.

Na maior economia da zona euro, a percentagem de cidadãos que se encontram fora do mercado de trabalho corresponde a apenas 3% da população activa. Desde Dezembro que o nível de desemprego se mantém inalterado na Alemanha.

Em França, segunda maior potência económica da área do euro, a taxa de Junho também não sofreu alterações face a Maio — continuou nos 7,1%, acima da média europeia — e nos meses anteriores, desde Agosto do ano passado, foi variando entre os 7,2%, os 7,1% e os 7%, patamar no qual chegou a estar em Março e Abril.

Em Itália, terceira maior economia, registou-se uma ligeira redução de Maio para Junho, com o desemprego a passar de 7,5% para 7,4%. Há um ano a taxa estava nos 8,1% e, desde aí, foi baixando, oscilando entre os 7,9% e os 7,8% até atingir 7,7% em Abril e se confirmar nos dois meses seguintes a trajectória de recuo.

Na quarta maior economia, Espanha, o desemprego também recuou em Junho face ao mês anterior, ao passar de 11,9% para 11,7%. Espanha é o país da área do euro (e da União) com o maior nível de desemprego. Em Junho de 2022, a taxa estava nos 12,7% e, mais tarde, no final do ano e início de 2023, chegou a estar mais alta, nos 13% (em Novembro Dezembro e Janeiro últimos), tendo começado a partir daí uma tendência de diminuição que coloca a taxa num valor já inferior ao de Junho do ano passado.

Em Portugal, a taxa de desemprego está nos 6,4%. Já se encontrava neste patamar em Maio e o valor não se alterou em Junho, registando-se uma estabilização mensal. Apesar de estar abaixo do nível registado no início do ano – em Janeiro a taxa chegou a estar nos 7% e foi baixando nos meses seguintes para 6,9% em Fevereiro, 6,8% em Março, 6,5% em Abril e, agora, para os 6,4% em Maio e Junho — a taxa continua num patamar superior àquele em que se encontra há um ano, em Junho, Julho e Agosto de 2022, altura em que o desemprego estava nos 6%.

Na União Europeia há 12,8 milhões de pessoas desempregadas, 10,8 milhões das quais são residentes em países da moeda única (19 dos 27 Estados-membros, onde se encontram as maiores economias e algumas das mais populosas).

Em Portugal há 336,5 mil desempregados, aos quais se somam, segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE) conhecidas na segunda-feira, 295,2 mil outros cidadãos que se encontram numa situação de subemprego por serem trabalhadores a tempo parcial ou porque são estatisticamente considerados inactivos (à procura de emprego mas não disponíveis para trabalhar imediatamente nas semanas seguintes, ou disponíveis mas que não procuram emprego).

25.7.23

“A existência de regras que sejam claras beneficia os pequenos países”

Sérgio Aníbal, in Público

Ministro das Finanças, Fernando Medina, quer regras em que, se uma economia estagnar ou entrar em recessão ligeira, não se lhe exija uma redução forte da dívida.


Fernando Medina coloca-se, no debate europeu sobre novas regras orçamentais, na posição de quem quer encontrar uma solução intermédia entre os dois campos, um liderado pela Alemanha e outro pela França, neste momento em confronto. Regras transparentes até podem ser benéficas para Portugal, defende, desde que sejam fortemente anticíclicas.

Na negociação das regras orçamentais europeias, ainda tem esperança que se chegue a um acordo até o fim do ano, ou vamos ter as regras actuais em vigor em 2024?

Tenho a expectativa que se possa chegar a esse acordo. Há diferenças de fundo que estão a separar os países, mas a convicção que tenho é que essas diferenças não são de todo em todo irreconciliáveis. Há uma diferença entre aqueles que pretendem uma política mais assente em regras, claras, escritas, que sejam públicas e conhecidas, e aqueles que entendem que este processo deve ser um processo mais negociado numa base país a país e na base de indicadores mais largos de sustentabilidade de vida pública.

A Europa está à procura dessa fórmula mágica já há muitos anos. Os défices estruturais tinham esse objectivo.
Sim, mas a questão não é que se esteja a descobrir aqui a solução particularmente nova, a questão é saber se temos ou não condições políticas para andar para a frente. E eu creio que temos, porque se partirmos para um sistema que é caro aos alemães e a um conjunto muito importante de países, quer dizer que nós temos que ter aqui um conjunto de regras que sejam transparentes. E devo dizer que partilho, desse ponto de vista, como ministro das Finanças de um pequeno país, que a existência de regras que sejam claras beneficia os pequenos países, porque a nossa capacidade negocial num processo não é igual à dos grandes. Por outro lado, partilho muito da visão, aliás é aquilo que tenho mais defendido, que acentuemos o mais que pudermos a dimensão anticíclica da política.

Portugal, nestes dois campos, onde é que está?

Eu acho que entre estas duas posições é possível e desejável encontrar aqui um caminho, porque a verdade é que nós iremos sempre ter regras que são quantificadas e identificadas. A regra dos 3% de défice não irá desaparecer e a regra dos 60% de dívida também não irá desaparecer. Por isso, o que nós estamos a falar aqui é o ritmo a que se impõe a redução da dívida e a sua consequência, o seu impacto quando ela não é cumprida. O que nós precisamos, fundamentalmente, é que as regras sejam de natureza anticíclica. O que nós não podemos ter, e voltar a ter, como já tivemos no passado tantas vezes, é que tenhamos regras que sejam regras de natureza pró-cíclica. Isto é, que em períodos de muito baixo crescimento ou até recessão, as regras nos estejam a empurrar para estratégias orçamentais de grandes reduções de dívida pública. Isso é má política.


E como é que isso se faz?

Pode-se fazer com a definição de um conjunto de indicadores aplicáveis a períodos de mais alto crescimento e a definição de um outro tipo de indicadores a períodos de muito baixo, nulo ou até recessão. Porque se para efeitos de recessão a proposta da Comissão mantém um elemento importante, que é uma cláusula de escape nacional, eu creio que era possível robustecermos a proposta da Comissão [Europeia] neste aspecto. Aquela proposta é um bom instrumento, mas é um instrumento que na prática se vai aplicar em situações limite, de um país estar ele próprio numa crise sozinho, uma crise muito profunda. É um processo que terá de ser aprovado pelo Conselho [Europeu], será um processo que não será fácil. Nós temos de criar dentro do sistema de regras uma regra bastante mais simples. Se uma economia estagnar, ou se uma economia estiver numa recessão ligeira, não é de esperar que esteja a reduzir significativamente a sua dívida, ou que esteja a ter excedentes orçamentais.


O Governo tinha como grande prioridade neste debate a criação do instrumento orçamental comum permanente. Isso parece já estar um bocado afastado agora destas discussões.


Nós temos mantido essa prioridade. É importante como elemento de estabilização macroeconómica, isto é, a nossa União Económica e Monetária não está completa sem esse instrumento. E depois é necessário também por razões práticas, que têm a ver quer com a vida normal da União, quer com a vida futura da União, quer seja a vida futura pós-PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] em 2026, quer a vida futura que se coloca em questões tão estruturais para o nosso futuro colectivo como o apoio à Ucrânia.
[...]

Neste momento está-se permanentemente a fazer um exercício a nível europeu de procurar nas alíneas, nas subalíneas, nos topos dos vários programas orçamentais, a margem para poder encontrar verbas para o financiamento à Ucrânia. A questão tem que ser encarada com outra robustez, isto é, tem que haver orçamento. Ao haver orçamento tem que se financiar esse orçamento e nós temos de nos colocar no lado daqueles que defendem que a União tem que ter e deve ter receitas próprias que, no fundo, facultem essa base orçamental comum, que, no fundo, vai ter esses dois efeitos.

De certa forma, eu creio que, neste momento, o ambiente é o seguinte: como há um PRR, há, por parte de vários Estados, a dizer o seguinte: “bom, mas isso não é um tema de urgência, vamos é executar os PRR que temos”. O que nós temos dito é que se esta necessidade é uma necessidade que se colocará do ponto de vista estrutural, não esperemos pelo fim de 2026, para a resolver, vamos discuti-la já. Não conseguimos ainda fazer vencer esta nossa posição a nível europeu, mas não desistimos dela e temos a expectativa que ela possa avançar antes da próxima crise.

[artigo disponível na íntegra só para assinantes aqui]

7.6.23

Empresas da zona euro preveem aumento de 5,4% dos custos salariais

Por Lusa, in Expresso

Segundo um inquérito do BCE, as empresas da zona euro preveem um aumento médio dos preços de 6,1% e dos custos salariais de 5,4% em 2024. As principais preocupações das empresas são a falta de mão de obra e o aumento dos custos de produção


As empresas da zona euro preveem durante o próximo ano um aumento médio dos preços de 6,1% e dos custos salariais de 5,4%, segundo um inquérito do Banco Central Europeu (BCE) sobre o acesso das empresas ao financiamento.

De acordo com os resultados do inquérito, divulgados esta quarta-feira, "as empresas da zona euro assinalaram um aumento contínuo da sua faturação, enquanto os custos laborais, de produção e juros penalizaram a sua rentabilidade".

As grandes empresas apontam uma melhoria superior da sua atividade empresarial e faturação do que as pequenas e médias empresas (PME), sendo que 16% destas referiram que o seu lucro diminuiu, enquanto as grandes empresas disseram que não se alterou.

A quebra na rentabilidade reflete um aumento dos custos laborais, com 77% das empresas a afirmarem que estes encargos aumentaram, o que representa um máximo histórico no inquérito.

Adicionalmente, 89% das empresas inquiridas reportaram que os seus custos com materiais e energia aumentaram, uma percentagem ligeiramente inferior à do inquérito anterior. Ainda assim, antecipam um aumento maior da faturação nos próximos seis meses.

As principais preocupações apontadas pelas empresas são a falta de mão de obra qualificada e o aumento dos custos de produção.

As empresas da zona euro que reportaram uma deterioração das condições financeiras registaram também um máximo desde que o BCE começou a realizar o inquérito sobre o acesso das empresas ao financiamento, em 2009, assim como a percentagem de empresas que afirma que os preços e as condições dos empréstimos bancários estão mais exigentes.

O BCE realizou este inquérito entre 06 de março e 14 de abril de 2023, abrangendo o período de outubro de 2022 a março de 2023.

A amostra inclui as respostas de 10.983 empresas, das quais 10.085 (92%) são PME (empresas com menos de 250 trabalhadores).

1.6.23

Taxa de inflação da zona euro com forte recuo para 6,1% em maio

Por Lusa, in TSF


Em maio de 2022, a taxa de inflação anual era de 8,1% nos países do euro.

A taxa de inflação anual da zona euro desceu, em maio, para os 6,1%, puxada pelo abrandamento do aumento de preços na componente da alimentação e pela deflação na energia, estima esta quinta-feira o Eurostat.

Em maio de 2022, a taxa de inflação anual era de 8,1% nos países do euro e em abril de 2023 de 7,0%. De acordo com a estimativa rápida do serviço estatístico europeu, considerando as componentes da inflação, o da alimentação, álcool e tabaco apresentou, em maio, a maior taxa, de 12,5%, mas um ponto abaixo dos 13,5% de abril.

Na componente da energia, por seu lado, passou de uma subida de preços de 2,5% em abril para uma descida de 1,7% em maio.

9.5.23

“Instabilidade na banca europeia é um risco que devemos levar muito a sério”

António Larguesa, in ECO


“será na segunda metade deste ano que realmente vamos sentir os efeitos do aperto da política monetária” iniciada no verão passado pelo Banco Central Europeu (BCE), aconselhando a instituição liderada por Christine Lagarde a desacelerar o ritmo de subida das taxas de juro. “Acho que o BCE devia parar, ver os dados que chegam e, se vir que a inflação continua teimosamente alta, três meses depois pode retomar” as restrições.


Depois de assistir ao colapso recente do Silicon Valley Bank (SVB) e aos problemas no Credit Suisse, que acabou por ser absorvido nas últimas semanas pelo UBS, o economista-chefe do EFG Bank, sediado em Zurique, teme o surgimento de novos episódios de turbulência no setor financeiro. “Preocupa-me que, continuando a aumentar as taxas de juros, em algum lugar e de alguma forma veremos outras instituições financeiras” colapsar.

Teríamos evitado a maior pressão inflacionista sentida nos últimos meses se o BCE tivesse começado mais cedo uma subida moderada das taxas de juro?

Havia duas opiniões na maioria dos bancos centrais. Uma visão era que isso era em grande parte induzido pelos preços da energia e dos alimentos, por causa da guerra na Ucrânia, e que afetaria apenas temporariamente a inflação. Depois percebeu-se que poderia ser mais do que temporário e o equilíbrio de pontos de vista dentro dos bancos centrais começou a mudar para o daqueles que achavam que seria permanente. Se pensarmos em qualquer situação económica que um banco central enfrenta, haverá sempre divergências de pontos de vista. Com o tempo, dependendo do que os dados aparentam ser, as visões mudam.

Alguns números já estavam em cima da mesa.

Vimos esses preços da energia e dos alimentos a começar a subir e a grande questão era até que ponto começariam a impactar nos outros preços da economia. Um grupo de pessoas dizia que a passagem provavelmente seria pequena e não era preciso preocuparmo-nos com isso. Outro grupo dizia que provavelmente seria grande e que era preciso evitar efeitos de segunda ordem na inflação, aumentando logo as taxas de juros. O que aconteceu em certos bancos foi que esse primeiro grupo, no início, era dominante.

Se tivesse sido iniciada mais cedo uma série moderada de aumentos das taxas de juro, teriam sido evitadas algumas das pressões inflacionárias?

Sim. Mas também é importante lembrar que a inflação começou a subir há cerca de dois anos, na primavera de 2021. E como medimos a inflação como a variação de preços em 12 meses, se temos um grande aumento [nesse período], a inflação ficará alta por 12 meses. Se passados 12 meses houver outro aumento nos preços, a inflação vai ser alta por mais 12 meses, a menos que, por graça de Deus, aconteça algo que cancele a primeira. É um evento muito improvável. Na verdade, não sabemos se foram apenas dois anos de choques temporários ou um choque mais persistente na inflação. Ao olharmos para todo o registo, não está claro o que aconteceu.

Qual o seu entendimento e o que espera que aconteça durante este ano?

O que suspeito que aconteceu é que, em grande medida, a aceleração da inflação nesses dois anos foi temporária, mas houve alguma transmissão dos alimentos e da energia para outros preços. Portanto, há parcialmente um elemento mais persistente. E [nesse cenário] provavelmente teremos uma taxa de inflação de 3% ou 4%: muito acima da meta de 2% que os bancos centrais têm, mas muito abaixo das taxas de inflação atuais de 6%, 7%, 8% ou 9%.

No caso do BCE, acha que a subida dos juros está a ser demasiado rápida e a ir demasiado longe?

Provavelmente estão bem agora, mas estou preocupado com aqueles que dizem que precisamos ter outra subida de 75 pontos base ou algo do género. Se olhar para as previsões anunciadas em março pelo BCE, apontam para uma queda da inflação para 2,8% no final deste ano e para 2,7% no final do ano que vem. Com uma meta de inflação de 2%, isso é muito bom.


Um novo aumento de 25 pontos base parece-me bem [como acabou por acontecer na semana passada], mas se continuarem a aumentar nas reuniões seguintes, como alguns acham que deve ser feito, será um aperto muito dramático da política monetária. Acho que o BCE deveria parar e olhar em volta para ver o que acontece.

É, então, apologista de uma desaceleração do ritmo de subidas nos juros por parte do BCE.

Sim. Isto é como a caça de submarinos na Segunda Guerra Mundial. Enviavam um sinal acústico sob o oceano e descobriam que havia ali um. E então começavam a avançar a toda velocidade sobre o local. Mas ao fazer isso, deixavam de ouvi-lo e ficavam “cegos” durante algum tempo. Até que paravam, o barulho do motor desaparecia e então começavam a ouvir novamente o submarino. Com a política monetária é a mesma coisa. Acho que deviam parar, ver os dados que chegam e, se virem que a inflação continua teimosamente alta, três meses depois podem retomar. Não devem continuar a subir reunião após reunião. É preciso parar e ouvir.

Sendo que há um efeito retardado nas mudanças de política monetária. Quando espera que o maior aperto será realmente sentido pelas pessoas?

O pico de impacto será sentido cerca de quatro trimestres depois. Esta é a minha leitura das evidências empíricas e da investigação feita. O BCE começou a fazê-lo em julho do ano passado, por isso suspeito que será na segunda metade deste ano que realmente vamos sentir os efeitos do aperto da política monetária. Por agora é muito cedo para esperarmos ver muito [desse impacto]. A inflação tende a reagir muito lentamente, como o mercado de trabalho, que tende a ajustar-se muito lentamente e a ficar para trás num ciclo mais amplo. Onde se espera que esse aperto se reflita mais rapidamente é nos empréstimos à habitação ou nos preços de imóveis.

E quando é que assistiremos ao impacto no desempenho das economias europeias?

A economia vai começar a desacelerar no segundo semestre deste ano, algo impulsionado pelo mercado e pelo investimento imobiliário. É com isso que estou preocupado. E não acontecerá só na Europa, claro, mas em vários outros países [noutras geografias]. Acredito que a segunda metade do ano será muito diferente: certamente teremos uma recessão nos EUA no segundo semestre de 2023 e isso vai-se espalhar para a Zona Euro.

O Goldman Sachs antecipou numa nota recente que a Zona Euro não vai cair este ano numa recessão.

Pode acontecer no ano que vem. Se continuarmos a apertar a política monetária, a aumentar as taxas de juros em mais 75 pontos base, a probabilidade de uma recessão em algumas partes da zona euro é muito grande.

Quais são os principais riscos para as economias europeias?

O primeiro grande risco é termos alguns problemas com os bancos. No Titanic tudo parecia bem, até que atingiu o iceberg. Avançava a toda a velocidade através do nevoeiro e tudo parecia ótimo, até ao embate. Estou preocupado. Veja o caso do Silicon Valley Bank, em que ninguém previu o que ia acontecer. E depois todos disseram: “Ops!”. Podemos ter mais problemas desses; se calhar outras instituições financeiras terão o mesmo posicionamento azarado. Preocupa-me que, continuando a aumentar as taxas de juros, em algum lugar e de alguma forma veremos outras instituições financeiras [colapsar]. E pode não ser um banco. Pode ser outro tipo de investidor de grande escala, como um hedge fund.

Ao colapso do SVB seguiram-se os problemas no Credit Suisse, que acabou por ser absorvido em tempo recorde pelo UBS. Prevê novos períodos de turbulência envolvendo a banca europeia?

É um risco que devemos levar muito a sério. Não vemos o risco agora, mas a instabilidade financeira é um risco que às vezes se concretiza. Não é materializado todos os dias. É como o Titanic: podia ter corrido muito bem, mas aconteceu de embater no iceberg. Tiveram azar. Provavelmente, outros navios passaram por ali naquela noite, sem problemas. É a mesma questão quanto à estabilidade financeira: as coisas parecem bem até que, de repente, deixam de estar.

Quais são os sinais a que o sistema financeiro deve estar mais atento?

Devemos ficar muito preocupados com os empréstimos às famílias e relacionados com o setor imobiliário. Quando as taxas de juros mexem tanto no espaço de um ano, é uma mudança muito grande. As pessoas que conseguem pagar os empréstimos quando as taxas de juros estão baixas, quando eles sobem de repente podem deixar de conseguir pagar os custos com os juros. Além disso, leva a que as famílias cortem noutros gastos. Se isso se prolonga no tempo e se a situação acaba por não melhorar, o stress torna-se tão grande que começam a cortar drasticamente nos gastos.

Se não calhar de ficarem sem emprego.

Na economia é como na vida real: as coisas dão errado porque uma combinação de coisas más acontece ao mesmo tempo. Outro exemplo: quase fiz um risco no meu carro à saída da garagem do prédio porque a pessoa do lado encostou demasiado o carro dela e fiquei com menos espaço do que é habitual; e além disso estava com pressa por causa da minha filha. O mesmo é válido para a economia. Há alguns fatores que estão a aumentar um pouco o risco e que, quando combinados de forma inesperada, levam a que aconteçam coisas erradas. A subida das taxas de juro está a causar tensões no sistema financeiro e na economia, e, se algo mais acontece — a combinação, por exemplo, de altas taxas de juros e de uma recessão que leva a mais desemprego –, pode ter um impacto muito grande na viabilidade do mercado imobiliário.

Antecipa, por isso, um aumento das tensões sociais na Europa?

Claro. As famílias estão numa situação muito difícil agora mesmo porque a inflação tem sido muito alta, as contas que pagam pela comida e outras coisas. Por agora, a taxa de juro do empréstimo à habitação até pode ainda não ter sido redefinida, mas no outono enfrentarão taxas mais altas. Essa combinação de fatores pode gerar mais instabilidade [social] e devemos ter cuidado e estar atentos a isso.

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5.5.23

BCE desliga bazuca, exige fim imediato de apoios na energia e diz que não pode ajudar mais Portugal

Luís Reis Ribeiro, in DN



"Algumas famílias estão a sofrer porque os reembolsos aos bancos subiram com as nossas decisões", reconheceu Lagarde. "Mas isto é algo que, infelizmente, não podemos aliviar."


As taxas de juro centrais (diretoras) da zona euro subiram novamente, mas agora num registo de abrandamento, anunciou ontem (quinta-feira, 4 de maio) o Banco Central Europeu (BCE). Para compensar, a maior bazuca de dinheiro barato (o programa APP, concebido para terminar com a crise do euro, em 2014), será desligada em julho.

APP é a sigla inglesa para "programa de compra de ativos (asset purchase programme".


Terminam os reinvestimentos que têm permitido conservar no balanço do BCE quantidades monumentais de dívida pública, por exemplo.

À medida que as obrigações vencem, elas retornam ao mercado secundário, o que as pode fazer desvalorizar e assim agravar os juros dos Estados.


O BCE também mostrou grande impaciência com os apoios dos governos no campo da energia e exigiu aos governos que "suprimam já" os apoios públicos nesta área, porque ameaçam "intensificar as pressões inflacionistas".

Sobre as famílias endividadas e mais apertadas pela subida das taxas de juro (as portuguesas foram diretamente referidas pela presidente do BCE) também houve uma palavra e, descodificando, vão ter de se aguentar, porque o combate contra a inflação está primeiro. As taxas de juro vão continuar a subir durante muito tempo, reiterou Christine Lagarde, a presidente do BCE, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião sobre taxas de juro.


Aperto vai ser longo

Como referido, as taxas de juro diretoras da zona euro voltaram a subir, com a taxa central de refinanciamento a aumentar de 3,5% para 3,75%. A taxa de depósito, que até é a mais usada pelos bancos comerciais quando precisam de pedir emprestado ao BCE, aumenta para 3,25%.


Este novo aumento de 0,25 pontos percentuais (p.p.) traduz-se num abrandamento no ritmo de aperto monetário, mas o aperto continua.

E durante "muito tempo", porque o cenário para a inflação assim o diz. Vai continuar "demasiado alta" e não se vê fim à vista, diz a autoridade sediada em Frankfurt, na Alemanha.

Extinção gradual da bazuca

Em comunicado, o BCE afirma que "quer" terminar já em julho, o enorme programa de expansão monetária (compras de dívida pública sobretudo, mas privada também) que lançou para combater de forma mais musculada a crise que ainda pairava sobre a zona euro, no final de 2014.

A descontinuação da chamada fase de reinvestimento do gigante programa APP ainda estava em aberto. Mas agora o BCE é mais claro: acaba em julho.

Ou seja, vai começar a desfazer-se das obrigações do Tesouro que conserva no balanço por via do "reinvestimento", devendo os referidos títulos voltar ao mercado aberto, o que pode pressionar em alta as taxas de juro da dívida.

Seja como for, este processo de extinção do APP "deve durar 15 anos", disse a presidente do BCE, Christine Lagarde, em conferência de imprensa, já que estamos a lidar com títulos de maturidades longas, ou seja, vão vencendo gradualmente ao longo de muito tempo.

Mas as taxas de juro soberanas continuam a subir. Só para se ter uma ideia, há um ano, em abril de 2022, a taxa de juro média da dívida soberana portuguesa a dez anos estava em 1,76%, mas no mês passado era quase o dobro (3,2%), indica o Banco de Portugal (BdP).

Para países muito endividados, como Portugal, é um problema e pode aumentar a pressão nas contas públicas.

No campo das políticas orçamentais, Lagarde mostrou mais impaciência ainda com as medidas de apoio às famílias e empresas contra os custos da energia. Em março, Lagarde disse que "é importante começar a descontinuar essas medidas sem demora".

Ontem, trouxe tal exigência mais para cima no discurso e avisou: "com o desvanecimento da crise energética, os governos devem suprimir imediatamente e de forma concertada as medidas de apoio relacionadas, a fim de evitar intensificar as pressões inflacionistas a médio prazo, o que exigiria uma resposta mais forte da política monetária".

O momento Portugal

As famílias portuguesas, espanholas ou finlandesas que se endividaram junto dos bancos e assinaram contratos de crédito indexado a taxas de juro variáveis (Euribor) "estão a sofrer" diretamente o impacto das subidas de taxas decididas pelo BCE, mas "infelizmente, não as podemos aliviar", disse Lagarde.

Portugal, Espanha e Finlândia são países da zona euro onde a taxa de prevalência de novos empréstimos indexados a taxas variáveis bastante superior face aos pares.

Dados do próprio BCE obtidos pelo Dinheiro Vivo mostram que, atualmente, em Portugal, os novos empréstimos para compra de casa indexados a taxa de juro variável equivalem a 67% do total de novos contratos. O quinto maior valor da zona euro. A Finlândia lidera este ranking, com 98% do total de novos negócios hipotecários indexados a taxas variáveis. A média da zona euro está nuns meros 24%.

Lagarde foi questionada sobre isto e respondeu: "Claro que estamos cientes que há famílias que contrataram empréstimos a taxas variáveis." "Em países como Finlândia, Portugal, Espanha, é verdade que algumas famílias estão a sofrer, porque os reembolsos [amortizações e juros] que têm de honrar junto dos bancos subiram em resultado das nossas decisões em aumentar as taxas de juro diretoras", reconheceu a chefe máxima do BCE.

"Isto é algo que nós, infelizmente, não podemos aliviar ou atenuar, porque a nossa tarefa é alcançar a estabilidade de preços e reduzir a inflação", justificou a banqueira central. E não desarmou: "A nossa tarefa é reduzir a inflação e para isso temos de usar as taxas de juro".

Luís Reis Ribeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

4.5.23

BCE prepara a sétima subida de juros, mas pode abrandar ritmo

Sérgio Aníbal, in Público



Inflação, crescimento, emprego e taxas de câmbio dão sinais diferentes para o debate dentro do BCE sobre o que fazer às taxas de juro. Uma nova subida, contudo, é vista como certa esta quinta-feira.


Numa conjuntura em que vários factores apontam para diferentes caminhos para a inflação, os responsáveis do Banco Central Europeu (BCE) podem esta quinta-feira anunciar a sua sétima subida consecutiva das taxas de juro desde Julho. Ainda assim, desta vez, há a possibilidade de a autoridade monetária abrandar o ritmo a que está apertar a sua política monetária, dando sinais mais claros de que uma declaração de tréguas na guerra contra a escalada de preços pode estar já mais próxima.

As discussões dentro do conselho do BCE na manhã desta quinta-feira, contudo, prometem ser acesas. Os seis membros do conselho executivo, incluindo a presidente, Christine Lagarde, e os 20 governadores dos países da zona euro, incluindo o português Mário Centeno, têm dado mostras, nos últimos meses, de estar divididos em relação ao que deve ser a política monetária seguida na zona euro.

De um lado, um grupo do qual faz parte o governador do Banco de Portugal tem defendido que depois de ter subido, desde Julho do ano passado, a sua taxa de depósito de -0,5% para 3%, o BCE deveria esperar que esse abrandamento no custo de financiamento produzisse efeito, em vez de, com novas subidas de taxas precipitadas, empurrar a economia da zona euro para uma recessão profunda.

Do outro lado, um diferente grupo de governadores, até aqui a maioria, considera que o nível alto a que ainda está a inflação e principalmente a persistência da inflação subjacente (aquela que não inclui os preços dos produtos alimentares e energéticos) exigem que se continue a agir de forma agressiva, pondo o mais rapidamente possível as taxas de juro a um nível ainda mais alto.

Como que procurando agendar um maior entendimento para o futuro, as duas partes concordaram na última reunião realizada em Março, quando foi decidida pela maioria uma nova subida de 0,5 pontos percentuais das taxas de juro, que o BCE deve decidir reunião a reunião, de acordo com os dados económicos que forem sendo conhecidos.

O problema é que aquilo que os dados económicos mostraram nas semanas desde a última reunião aponta em tantos sentidos distintos que não deverá ser suficiente para permitir uma convergência de opiniões de todos os responsáveis do BCE.

Desde a última reunião ficou a saber-se que, em Março, a inflação na zona euro caiu pelo sexto mês consecutivo para 6,9%, mostrando estar no bom caminho. No entanto, depois, com os dados da inflação de Abril publicados esta semana, a notícia foi que se interrompeu esta tendência, com uma nova subida da variação de preços para 7%.

Por outro lado, a inflação subjacente teve o percurso inverso, com mais uma subida em Março e um sinal de abrandamento em Abril, o primeiro nos últimos dez meses.

A dar força àqueles que defendem que o BCE não deve abrandar no seu combate à inflação, surgiram também nas últimas semanas os dados do PIB e do desemprego, com a economia da zona euro a conseguir escapar a um cenário de recessão técnica e a taxa de desemprego a registar uma nova descida outra vez em Março. A expectativa de que o mercado de trabalho continuará sob pressão faz acreditar que se irão passar a registar aumentos salariais mais elevados, algo que começa a ser evidente nas últimas negociações laborais concluídas na Alemanha.

Em contrapartida, os inquéritos realizados pelo Eurosistema aos bancos da zona euro mostram que estes estão já, de forma clara, a endurecer os critérios de concessão de crédito, uma tendência que pode significar uma transmissão mais rápida à economia da política monetária restritiva do BCE.

E, além disso, também a dar argumentos aos que acham que o BCE deveria fazer já uma pausa, continuou-se a assistir, nas últimas semanas, a uma apreciação do euro face ao dólar e a outras divisas, algo que faz com que os bens importados, como, por exemplo, os energéticos e os alimentares, possam ficar mais baratos.

Pesados todos estes factores, a discussão promete ser animada e um consenso muito difícil. Entre os analistas, a dúvida está em saber se o BCE mantém o ritmo de subida de taxas, elevando já a sua taxa de depósito dos actuais 3% para 3,5%, ou se abranda, e se decide por uma subida de 0,25 pontos. A maioria das apostas vai para este segundo cenário, que seria uma espécie de compromisso entre as duas facções existentes dentro do BCE, havendo mesmo a expectativa de que o discurso da presidente, Christine Lagarde, comece a dar uma ideia mais concreta de até onde é que o BCE poderá ir com as suas taxas de juro.

Para os portugueses, mais do que para a maioria dos outros habitantes da zona euro, a decisão do BCE terá um impacto imediato nas suas finanças pessoais. O ritmo da subida dos juros e o ponto máximo a que deverão chegar reflectem-se de forma muito rápida nas taxas Euribor, que servem de referência para a grande maioria dos empréstimos contraídos pelas famílias e as empresas em Portugal.

De igual modo, para o Estado, os custos a que se financia, seja através de emissões de dívida nos mercados, seja através da subscrição de certificados de aforro, também são influenciados pelo nível a que o BCE põe as suas taxas.

31.3.23

Cartões de crédito registam mais falhas no pagamento de prestações e acordos para regularizar estão mais difíceis

Diogo Cavaleiro, in Expresso

Nunca foram fechados com sucesso tão poucos processos de regularização de créditos ao consumo como em 2022, de acordo com o mais recente relatório do Banco de Portugal

Desde que a inflação começou a intensificar o seu agravamento, e desde que o Banco Central Europeu começou a subir os juros na zona euro, que os bancos têm vindo a ser confrontados com mais falhas no pagamento de prestações nos créditos ao consumo — em que cerca de metade (48%) dos casos se deve a dívidas advindas dos cartões de crédito.

À medida que 2022 foi avançando, foi aumentando o número de processos que são integrados no regime de regularização extrajudicial dos incumprimentos, designado de PERSI. Nos meses do primeiro semestre foram iniciados menos de 55 mil processos PERSI por mês, em média; já nos meses do segundo semestre a média subiu para mais de 63 mil casos, segundo dados divulgados esta semana pelo supervisor.

No ano foram iniciados 710 mil processos do crédito ao consumo neste regime, em que os bancos e os clientes tentam fechar o incumprimento com um acordo, evitando a ida para tribunais e as execuções judi­ciais. Desde que o Banco de Portugal divulga dados sobre este regime que nunca tinha havido um número tão elevado. Aliás, o próprio supervisor refere o facto de terem sido superados os números pré-pandemia de covid-19.

MENOS ACORDOS

De acordo com os novos dados, disparou também o peso dos casos fechados em que os bancos não chegaram a acordo com os clientes para regularizar os créditos — e especificamente do primeiro para o segundo semestre tal crescimento também se verificou.

A regularização do incumprimento pode ser feito por via do pagamento dos juros em mora, mas também de um acordo como o refinanciamento, a consolidação de créditos, a concessão de novo empréstimo. No último ano, foram mais de 400 mil aqueles que foram concluídos sem sucesso. Em 2021 essa regularização ocorreu em 43% dos PERSI concluídos; no ano passado esse peso desceu para 38%. Esta percentagem nunca tinha baixado de 40% desde a implementação deste regime, na altura da intervenção da troika.

“Em 36,4% dos processos concluídos registou-se o pagamento dos montantes em mora por parte do cliente, situação menos frequente do que em 2021 (40,6%)”, acrescenta também o relatório de supervisão comportamental.

Normalmente, os créditos ao consumo são os primeiros em que se verificam problemas em situações de maior exigência financeira, porque as famílias dão prioridade a manter regularizados os créditos à habitação.

Aliás, também houve um aumento dos processos de PERSI de créditos à habitação que foram iniciados em 2022, mas não superaram os valores pré-pandemia (ao contrário do crédito ao consumo). Também se nota que há sempre um maior espaço para entendimento entre as partes neste tipo de crédito: 69,1% dos PERSI foram concluí­dos com regularização, menos do que os 70% do ano anterior.

8.3.23

A inflação deve-se à subida das margens de lucro das empresas? O BCE suspeita que sim (pelo menos em parte)

in Expresso

A subida das margens de lucro pelas empresas estará a ser um fator de aumento dos preços? Há debate na cúpula do BCE, mas os dados sugerem que sim: é do lado dos lucros, do capital, que está uma das causas do surto inflacionista

Uma apresentação do Banco Central Europeu (BCE) num encontro de governadores dos bancos centrais do sistema demonstrou que as margens de lucros das empresas tinham aumentado, quando, por via do aumento dos custos, deveriam estar a diminuir. O que significa que as subidas de preço, que contribuem para o agravamento da taxa de inflação, estão a servir para aumentar os rendimentos das empresas à custa da perda de compra dos consumidores.

De acordo com as fontes ouvidas pela Reuters, este encontro realizado no final de fevereiro na aldeia de Inari, na Lapónia, norte da Finlândia - e no qual o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, esteve presente - o aumento dos custos de produção sentidos pelas empresas nos últimos dois anos estão a ser mais do que compensados pelos aumentos dos preços, sem se notar perda de margem de lucro. Pelo contrário, de acordo com as conclusões inscritas nos slides apresentados aos membros do conselho do BCE.

O governador do banco central português, Mário Centeno, já tinha alertado no final do ano passado em entrevista ao “Público” que as subidas de preços vão “em muitos casos para além daquilo que se poderia esperar face ao que são as pressões inflacionistas vindas da oferta”, apelando às empresas que moderassem a melhoria das margens de lucro.

O BCE - que não quis comentar à Reuters esta notícia - reverteu a política monetária dos últimos anos em poucos meses, passando de taxas negativas para uma taxa diretora de 3%. Lagarde já sinalizou aumento da taxa diretora em 50 pontos base na reunião de março e disse esta quinta-feira, 2 de março, que irão prosseguir para lá desse mês. E tem defendido nos últimos meses moderação nos aumentos salariais para limitar a possibilidade de vir a dar-se uma espiral em que os custos adicionais dos aumentos de salários são compensados com mais aumentos de preços.

Porém, quando não há sinais de uma espiral desse género - segundo dados do BCE, os salários médios reais caíram 5% desde 2019 na zona euro - a possibilidade do reforço das margens de lucro das empresas estar a ajudar a manter taxas de inflação ainda em valores muito altos modifica os pressupostos que sustentaram a política monetária do BCE no último ano.

De acordo com as fontes ouvidas pelo BCE, os dados apresentados explicavam que as poupanças acumuladas durante a pandemia pelos consumidores fizeram com que as pressões salariais fossem controladas. E, aproveitando esse poder de compra acumulado, as empresas aumentaram muito os preços numa altura em que os consumidores tendiam a não olhar a gastos nas suas compras.

Porém, a janela de oportunidade para o reforço das margens de lucro está a fechar-se, com as poupanças acumuladas pelos consumidores no fim. Apesar do aumento de perto de 5% previsto pelo BCE para os salários de 2023, ele é insuficiente para compensar a perda real de poder de compra dos últimos anos. E quem compra vai começar a fazer escolhas, e a optar por uns bens e serviços quando outros estiverem mais caros - isto, claro, num ambiente concorrencial.

Segundo a Reuters, que cita dados da Refinitiv, as 106 empresas de bens de consumo da zona euro - um rol que vai de produtoras de automóveis a retalhistas - registaram em 2019 uma margem operacional média de 10,7%, mais 25%, face a 2019.

Dados do BCE dizem que a maior parte das pressões inflacionistas são originadas pela pressão por maiores margens de lucro do que pelo aumento de impostos ou dos custos do trabalho. Pelo que especialistas descrevem à Reuters a política monetária do BCE como uma opção de controlo da inflação pelo lado do trabalho - aumentando as taxas de juro de forma acelerada para limitar a procura - quando é do lado dos lucros, do capital, que está uma das causas do surto inflacionista.

17.2.23

Taxa de desemprego na OCDE mantém mínimo histórico pelo sexto mês consecutivo

Rita Robalo Rosa, in Expresso

A taxa de desemprego no conjunto dos países da OCDE fixou-se em 4,9% em dezembro, com 33,9 milhões de desempregados. É o sexto mês em mínimos

A taxa média de desemprego nos 38 países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) manteve-se, pelo sexto mês consecutivo, em mínimos históricos, ao fixar-se nos 4,9% em dezembro, de acordo com dados da organização divulgados esta terça-feira.

A taxa de 4,9%, igual desde junho, é a taxa mais baixa desde que estes dados são recolhidos pela organização (desde 2001). No entanto, como sublinha a OCDE, há grandes diferenças entre os 38 membros.

Por exemplo, nove países, incluindo Canadá, França, Alemanha e Estados Unidos, estão próximos dos mínimos históricos neste indicador. No geral, na União Europeia e na zona euro a taxa de desemprego manteve-se em níveis mínimos históricos, de 6,1% e 6,6%, respetivamente, sendo que este indicador caiu “em mais de 70% dos países da zona euro, com o maior declínio observado na Áustria”.

Fora da Europa, além da queda registada no Canadá e Estados Unidos, o desemprego estabilizou na Austrália, Japão e México. Todavia, aumentou na Colômbia, Israel, Coreia e Turquia.

Se olharmos para dados ainda mais recentes, de janeiro, o desemprego estabilizou no Canadá e voltou a cair nos Estados Unidos para um novo recorde (3,4%).

De recordar que, em Portugal, o Instituto Nacional de Estatística estimou que a taxa de desemprego de dezembro tenha subido para os 6,7% em dezembro, acima da média europeia e da média da OCDE.

A taxa média de desemprego nos 38 países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) manteve-se, pelo sexto mês consecutivo, em mínimos históricos, ao fixar-se nos 4,9% em dezembro, de acordo com dados da organização divulgados esta terça-feira.

A taxa de 4,9%, igual desde junho, é a taxa mais baixa desde que estes dados são recolhidos pela organização (desde 2001). No entanto, como sublinha a OCDE, há grandes diferenças entre os 38 membros.

Por exemplo, nove países, incluindo Canadá, França, Alemanha e Estados Unidos, estão próximos dos mínimos históricos neste indicador. No geral, na União Europeia e na zona euro a taxa de desemprego manteve-se em níveis mínimos históricos, de 6,1% e 6,6%, respetivamente, sendo que este indicador caiu “em mais de 70% dos países da zona euro, com o maior declínio observado na Áustria”.

Fora da Europa, além da queda registada no Canadá e Estados Unidos, o desemprego estabilizou na Austrália, Japão e México. Todavia, aumentou na Colômbia, Israel, Coreia e Turquia.

Se olharmos para dados ainda mais recentes, de janeiro, o desemprego estabilizou no Canadá e voltou a cair nos Estados Unidos para um novo recorde (3,4%).

De recordar que, em Portugal, o Instituto Nacional de Estatística estimou que a taxa de desemprego de dezembro tenha subido para os 6,7% em dezembro, acima da média europeia e da média da OCDE.

No geral, no conjunto dos países da OCDE, havia 33,9 milhões de desempregados, o nível mais baixo desde o início da série, sendo que o número de desempregados atingiu um mínimo recorde na Polónia, Eslovénia e Estados Unidos.

Por sexo, a taxa de desemprego estabilizou em ambos os casos: 5,2% para as mulheres e 4,7% no caso dos homens.

14.2.23

Bruxelas sobe previsão de crescimento económico para 1%, mas otimismo é menor que o do Governo

Susana Frexes, in Expresso

Bruxelas revê em alta a previsão do crescimento económico português: aponta agora para 1% em 2023. Já a inflação continua alta, mas deverá abrandar ao longo do ano, estimando-se que fique nos 5,4%. Comissão acredita que recessão técnica foi evitada na UE

As estimativas da Comissão Europeia são agora mais otimistas do que em novembro. No global, Bruxelas acredita que a União Europeia e a Zona Euro vão evitar a recessão técnica e sobe ligeiramente as previsões de crescimento. No caso português, o país poderá crescer 1% em 2023, ligeiramente acima da média da Zona Euro (0,9%). Ainda assim o valor fica abaixo da previsão de 1,3% que o Governo incluiu no Orçamento do Estado para este ano e do crescimento de 6,7% registado em 2022.

"No conjunto de 2023, prevê-se que o crescimento abrande para 1%. Apesar da recente queda nos preços da energia por grosso e da melhoria do sentimento económico, as perspetivas de crescimento para o primeiro trimestre do ano continuam fracas, uma vez que os consumidores e as empresas ainda enfrentam incertezas sobre os custos da energia nos meses de inverno", pode ler-se no relatório dos técnicos europeus.

As estimativas da Comissão Europeia são agora mais otimistas do que em novembro. No global, Bruxelas acredita que a União Europeia e a Zona Euro vão evitar a recessão técnica e sobe ligeiramente as previsões de crescimento. No caso português, o país poderá crescer 1% em 2023, ligeiramente acima da média da Zona Euro (0,9%). Ainda assim o valor fica abaixo da previsão de 1,3% que o Governo incluiu no Orçamento do Estado para este ano e do crescimento de 6,7% registado em 2022.

"No conjunto de 2023, prevê-se que o crescimento abrande para 1%. Apesar da recente queda nos preços da energia por grosso e da melhoria do sentimento económico, as perspetivas de crescimento para o primeiro trimestre do ano continuam fracas, uma vez que os consumidores e as empresas ainda enfrentam incertezas sobre os custos da energia nos meses de inverno", pode ler-se no relatório dos técnicos europeus.

Porém, estimam também "que o crescimento melhore um pouco no segundo trimestre de 2023 e que continue a crescer a partir daí, atingindo uma taxa anual de 1,8% em 2024, tendo como pano de fundo uma procura externa mais forte e preços de mercadorias mais favoráveis".

A previsão de crescimento do PIB português para 2024 é ligeiramente mais otimista do que era há apenas três meses. Os técnicos apontam para 1,8% (contra 1,7% em novembro), acima da média de 1,5% da Zona Euro.

Já a inflação deverá descer de 8,1% no ano passado para os 5,4% este ano (em novembro, Bruxelas estimava 5,8%). Um valor que ainda assim continua a ser elevado e que só em 2024 deverá descer para os 2,6% (contra 2,3% estimados em novembro), um valor que ainda assim continua acima dos 2% de referência.

“Prevê-se que a inflação abrande ainda mais durante o período de previsão, em consonância com a correção em baixa dos preços da energia e com a evolução assumida nos mercados de matérias-primas. As fortes chuvas na Península Ibérica durante os últimos meses deverão também apoiar a trajetória desinflacionista tanto nos mercados energéticos como alimentares, invertendo parcialmente os efeitos negativos da grave seca que afetou o país até setembro de 2022”, pode ler-se no documento.

A Comissão nota que “o aumento do nível de água nas albufeiras parece já estar a contribuir para uma descida significativa nos preços grossistas da eletricidade no mercado ibérico”, mas ressalva que “as pressões dos aumentos salariais deverão manter os preços dos serviços e a inflação relativamente elevados”.

Questionado sobre se a Comissão irá prolongar a vigência do mecanismo ibérico no mercado de eletricidade (Portugal e Espanha já o solicitaram), o comissário europeu para a economia, Paolo Gentiloni, não esclareceu, mas referiu que “o mecanismo ibérico provou ser um contributo muito útil”, acrescentando que “algumas circunstâncias portuguesas também contribuíram para reduzir a inflação, em particular o reforço das albufeiras, que era uma questão em aberto até há algumas semanas”.



Gentiloni também abordou as diferentes estimativas para a economia portuguesa. “Se comparar a nossa previsão com a do Banco de Portugal, pode observar um maior otimismo do Banco de Portugal sobre o crescimento em 2023 e menos otimismo do Banco de Portugal sobre a inflação. A nossa estimativa é mais favorável sobre a inflação do que a do Banco de Portugal, e menos favorável em termos de crescimento”, afirmou o comussário europeu, jusitificando-o com o facto de a estimativa da Comissão ter em atenção o crescimento e dados do quarto trimestre e da inflação, que está gradualmente a recuar.

UE EVITA RECESSÃO E INFLAÇÃO JÁ ATINGIU PICO

As previsões de inverno sobem a perspetiva de crescimento em 2023 para 0,8% na UE e 0,9% na zona do euro. Nos dois casos, deverá ser evitada a recessão técnica que a Comissão temia em novembro. "Apesar de choques adversos excecionais, a economia da UE evitou a contração no quarto trimestre projetada na Previsão do Outono", pode ler-se em comunicado.

A previsão também baixa ligeiramente as projeções de inflação tanto para 2023 como para 2024. "As perspetivas melhoram graças a uma maior resiliência", justifica o executivo comunitário, sublinhando que o pico de inflação foi atingido em 2022.

As estimativas da Comissão Europeia são agora mais otimistas do que em novembro. No global, Bruxelas acredita que a União Europeia e a Zona Euro vão evitar a recessão técnica e sobe ligeiramente as previsões de crescimento. No caso português, o país poderá crescer 1% em 2023, ligeiramente acima da média da Zona Euro (0,9%). Ainda assim o valor fica abaixo da previsão de 1,3% que o Governo incluiu no Orçamento do Estado para este ano e do crescimento de 6,7% registado em 2022.

"No conjunto de 2023, prevê-se que o crescimento abrande para 1%. Apesar da recente queda nos preços da energia por grosso e da melhoria do sentimento económico, as perspetivas de crescimento para o primeiro trimestre do ano continuam fracas, uma vez que os consumidores e as empresas ainda enfrentam incertezas sobre os custos da energia nos meses de inverno", pode ler-se no relatório dos técnicos europeus.

Porém, estimam também "que o crescimento melhore um pouco no segundo trimestre de 2023 e que continue a crescer a partir daí, atingindo uma taxa anual de 1,8% em 2024, tendo como pano de fundo uma procura externa mais forte e preços de mercadorias mais favoráveis".

A previsão de crescimento do PIB português para 2024 é ligeiramente mais otimista do que era há apenas três meses. Os técnicos apontam para 1,8% (contra 1,7% em novembro), acima da média de 1,5% da Zona Euro.

Já a inflação deverá descer de 8,1% no ano passado para os 5,4% este ano (em novembro, Bruxelas estimava 5,8%). Um valor que ainda assim continua a ser elevado e que só em 2024 deverá descer para os 2,6% (contra 2,3% estimados em novembro), um valor que ainda assim continua acima dos 2% de referência.

“Prevê-se que a inflação abrande ainda mais durante o período de previsão, em consonância com a correção em baixa dos preços da energia e com a evolução assumida nos mercados de matérias-primas. As fortes chuvas na Península Ibérica durante os últimos meses deverão também apoiar a trajetória desinflacionista tanto nos mercados energéticos como alimentares, invertendo parcialmente os efeitos negativos da grave seca que afetou o país até setembro de 2022”, pode ler-se no documento.

A Comissão nota que “o aumento do nível de água nas albufeiras parece já estar a contribuir para uma descida significativa nos preços grossistas da eletricidade no mercado ibérico”, mas ressalva que “as pressões dos aumentos salariais deverão manter os preços dos serviços e a inflação relativamente elevados”.

Questionado sobre se a Comissão irá prolongar a vigência do mecanismo ibérico no mercado de eletricidade (Portugal e Espanha já o solicitaram), o comissário europeu para a economia, Paolo Gentiloni, não esclareceu, mas referiu que “o mecanismo ibérico provou ser um contributo muito útil”, acrescentando que “algumas circunstâncias portuguesas também contribuíram para reduzir a inflação, em particular o reforço das albufeiras, que era uma questão em aberto até há algumas semanas”.

Gentiloni também abordou as diferentes estimativas para a economia portuguesa. “Se comparar a nossa previsão com a do Banco de Portugal, pode observar um maior otimismo do Banco de Portugal sobre o crescimento em 2023 e menos otimismo do Banco de Portugal sobre a inflação. A nossa estimativa é mais favorável sobre a inflação do que a do Banco de Portugal, e menos favorável em termos de crescimento”, afirmou o comussário europeu, jusitificando-o com o facto de a estimativa da Comissão ter em atenção o crescimento e dados do quarto trimestre e da inflação, que está gradualmente a recuar.

UE EVITA RECESSÃO E INFLAÇÃO JÁ ATINGIU PICO

As previsões de inverno sobem a perspetiva de crescimento em 2023 para 0,8% na UE e 0,9% na zona do euro. Nos dois casos, deverá ser evitada a recessão técnica que a Comissão temia em novembro. "Apesar de choques adversos excecionais, a economia da UE evitou a contração no quarto trimestre projetada na Previsão do Outono", pode ler-se em comunicado.

A previsão também baixa ligeiramente as projeções de inflação tanto para 2023 como para 2024. "As perspetivas melhoram graças a uma maior resiliência", justifica o executivo comunitário, sublinhando que o pico de inflação foi atingido em 2022.

No entanto, "melhor do que esperado não significa que é bom", avisa o Comissário para a Economia. Paolo Gentiloni surge mais otimista, mas alerta para os riscos da incerteza económica que, sendo agora “mais equilibrados”, continuam a existir.

As previsões de inverno são conhecidas a poucas horas de mais uma reunião de ministros das Finanças da Zona Euro, que deverão também olhar para as novas estimativas da Comissão.

6.2.23

Famílias gastam poupanças para aguentar crise neste e no próximo ano

Luís Reis Ribeiro, in DN

Poupança esvai-se até mínimos em 2023, o valor mais baixo desde que Portugal aderiu à zona euro. Para muitos, só assim dá para responder, e mal, ao aumento da inflação, dos juros, do custo de vida.

A maioria das famílias portuguesas só vai conseguir resistir à grave crise inflacionista e energética e ter dinheiro para fazer compras, boa parte delas de bens essenciais, porque irá recorrer como nunca às poupanças, diz o Banco de Portugal, no novo boletim económico.

Depois de ter atingiu um máximo histórico superior a 19% do rendimento disponível no início da pandemia, as famílias já estão a esvaziar o dinheiro que amealharam nesses tempos de maior clausura.

E vão continuar a rapar o fundo do cofre. Em 2023, esse rácio de aforro dos particulares colapsa para apenas 3,9%, diz o banco central governado por Mário Centeno.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) define como taxa de poupança famílias "a parte do rendimento disponível que não é utilizado em consumo final, sendo calculada através do rácio entre a poupança bruta e o rendimento disponível (incluindo um ajustamento pela variação da participação líquida das famílias nos fundos de pensões)".

Confinamentos ajudaram a poupar

Durante a pandemia, as famílias, principalmente as que conseguiram manter o emprego e o salário conseguiram reforçar os níveis de poupança de forma significativa num quadro de confinamento e de fortes limitações ao consumo (viagens, turismo, idas a restaurantes, a eventos culturais, etc.) o que, naturalmente, permitiu reduzir a fundo a despesa em consumo.

Como referido, foi nessa altura, em plena pandemia, que a taxa de poupança dos portugueses atingiu o valor mais alto da História recente no segundo trimestre de 2020, 19,3% do rendimento disponível real (já descontando o efeito da inflação), o correspondente a 6,6 mil milhões de euros no pé-de-meia dos lares nacionais.

O valor apurado diz respeito apenas à parte da poupança financeira, como depósitos e títulos de aforro, registada nesse trimestre, diz o BdP. Outras formas de reserva, como investimento em imobiliário, não são consideradas.

No confinamento do início de 2021, o segundo mais austero da pandemia, estava o país a enfrentar uma vaga enorme de internamentos e de mortes por covid, a taxa de poupança atingiria o segundo valor mais alto das séries oficiais que remontam a 1999, quando Portugal aderiu à zona euro.

Nesse primeiro trimestre do ano passado, o peso da poupança no rendimento disponível real fixou-se nuns impressionantes 14%, quase cinco mil milhões de euros nesses trees meses..

Findos esses tempos totalmente atípicos, os confinamentos acabaram e as pessoas retomaram muitos dos hábitos de consumo e mobilidade, o que contribuiu para a normalização do rácio.

Problema: no final de 2021, começou-se a desenhar no horizonte uma nova e grave crise. Foi o regresso da inflação que, poucos meses depois, com o início da guerra da Rússia contra a Ucrânia, se transformou numa violenta crise inflacionista, energética, afetando seriamente áreas vitais da economia, como a alimentação, cujo custo disparou, colocando muitas famílias, sobretudo as mais pobres, no fio da navalha (como escreveu o Dinheiro Vivo, este último sábado).


Os números oficiais do INE dizem que o peso da poupança familiar já está nos 3,9% (segundo trimestre de 2023) e pelas contas do Banco de Portugal deverá cair ainda mais no terceiro e no último trimestre deste ano. Em 2023, a média anual do rácio de poupança deverá ficar colada a esse mínimo de 3,9%.

Recorde-se que em cima da inflação, os portugueses já estão a enfrentar o embate violento da subida das taxas de juro, sobretudo os mais endividados.

No novo estudo, o BdP explica o consumo das famílias já está a corroer as poupanças e que esse efeito vai causar impacto algures em 2023, quando muitos lares se depararem com o mealheiro quase vazio. Isso empurrará a economia portuguesa, altamente dependente do consumo interno, para um crescimento novamente frágil.

Diz que "em 2023, o aumento muito reduzido do consumo privado está associado à menor almofada financeira das famílias, ao aumento do serviço da dívida [juros] e à baixa confiança dos consumidores".

Ainda assim, Centeno espera que os portugueses ainda possam recorrer ao que resta no fundo do cofre: "a redução adicional da taxa de poupança contribui para conter a desaceleração do consumo privado" no ano que vem.

O BdP refere que "o rendimento disponível nominal desacelera em 2023 - refletindo a estabilização do emprego e o desaparecimento das medidas temporárias de apoio, a par do aumento do serviço da dívida - e o seu poder de compra volta a estagnar dada a inflação ainda elevada".

E que "o impacto do aumento das taxas de juro e da inflação sobre a situação financeira das famílias deverá ser mais marcado para os agregados endividados de menor rendimento", acrescenta.

No que se refere aos juros, Mário Centeno disse na conferência de imprensa de apresentação do boletim económico que os portugueses vão ter de pagar bem aos bancos a subida fortíssima das taxas de juro do crédito, que poderão fazer com que muitas prestações bancárias mensais aumentem várias centenas de euros nos próximos meses.

Já os juros a receber dos depósitos vão continuar baixos e vagarosos nas subidas, alertou o governador.


"Em 2023, os efeitos do aumento das taxas de juro sobre o serviço da dívida são maiores, refletindo as subidas observadas ao longo de 2022 e esperadas em 2023, mas a subida das taxas dos depósitos é muito inferior à dos empréstimos, pelo que o seu impacto nos juros recebidos é modesto e inferior, em média, ao do serviço de dívida em todos os quintis de rendimento das famílias", constatou.

luis.ribeiro@dinheirovivo.pt

3.2.23

Desemprego na Europa estabilizou em dezembro, mas registou subida entre os jovens

Rita Robalo Rosa, in Expresso

A taxa de desemprego em dezembro de 2022 fixou-se em 6,6% na zona euro e em 6,1% na União Europeia (UE), estabilizando assim face a novembro. Mas a taxa de desemprego jovem aumentou na UE em relação a novembro

A taxa de desemprego em dezembro de 2022 fixou-se em 6,6% na zona euro e em 6,1% na União Europeia (UE), o que representa uma redução face a dezembro de 2021 (7% e 6,4%, respetivamente). Face a novembro o desemprego estabilizou, indicam os dados do Eurostat divulgados esta quarta-feira. A taxa de desemprego subiu em oito países, face a novembro, entre eles Portugal.

O gabinete estatístico europeu “estima que 13,148 milhões de homens e mulheres na UE, dos quais 11,048 milhões na zona euro, estavam desempregados em dezembro de 2022”. Ou seja, mais 28 mil pessoas na UE e 23 mil na zona euro na variação em cadeia.

Ao compararmos com 2021 há uma redução de 518 mil e 494 mil na UE e zona euro, respetivamente.

Relativamente ao género, a taxa de desemprego é maior nas mulheres que nos homens, ainda que tenha estabilizado em ambos face ao mês anterior. Assim, em dezembro, a taxa de desemprego das mulheres era de 6,4% na UE e 7% na zona euro, e a dos homens era de 5,8% na UE e 6,3% na zona euro.

De ressalvar que os dados da zona euro ainda não incluem a Croácia, uma vez que esta só entrou para o grupo em 2023.

Em dezembro, Espanha registou a taxa de desemprego mais elevada da UE (13,1%, mais que os 13% de novembro), seguindo-se a Grécia e Itália (11,6% e 7,8%, respetivamente, ambos com os mesmos valores que em novembro)

Portugal tem a nona taxa de desemprego mais elevada (6,7%), e fica acima da média europeia. Portugal foi um dos oito países europeus em que a taxa de desemprego subiu, em dezembro, face ao mês anterior.

Com a taxa de desemprego mais baixa encontramos a Chéquia (2,3%), seguida da Polónia e Alemanha (2,3% em ambas).

No total, a taxa de desemprego desceu em 11 países europeus, sendo a descida mais pronunciada a da Áustria (de 5,5% em novembro para 5% em dezembro).

Os jovens parecem estar a ser os mais afetados pela crise - pelo menos a nível de emprego. Se a taxa de desemprego geral estabilizou face a novembro e diminuiu face a dezembro de 2021, o mesmo não se pode dizer da taxa de desemprego entre os jovens (menos de 25 anos).

De acordo com o Eurostat, havia, em dezembro, 2,862 milhões de jovens desempregados na UE, dos quais 2,311 milhões na zona do euro. Assim, a taxa de desemprego jovem fixou-se em 15% na UE e 14,8% na zona euro, o que compara com 14,8% nas duas regiões no mês de novembro.

“Em comparação com novembro de 2022, o desemprego jovem aumentou em 30 mil na UE e em 3 mil na zona euro. Em comparação com dezembro de 2021, o desemprego juvenil aumentou 209 mil na UE e 156 mil na zona do euro”, lê-se na nota do gabinete.

Novamente, é em Espanha que se encontra a taxa mais elevada (quase nos 30%), mas é na Alemanha que encontramos a taxa de desemprego jovem mais baixa da UE (5,8%). Contudo, não há dados disponíveis da Roménia.

Em Portugal a taxa de desemprego jovem é de 18,5%, o que fica acima da média europeia. Portugal tem a 12ª taxa mais elevada da UE de desemprego jovem e a nona em termos de desemprego geral.

1.2.23

Desemprego recua em dezembro de 2022 na zona euro e na União Europeia

Por Lusa, in Observador 

Em dezembro a taxa de desemprego recuo para os 6,6% na zona euro e os 6,1% na UE. Espanha (13,1%), Grécia (11,6%) e Itália (7,8%) apresentaram as maiores taxas. Portugal registou, em dezembro, 6,7%.

taxa de desemprego recuou, em dezembro de 2022, para os 6,6% na zona euro e os 6,1% na União Europeia, face ao mesmo mês de 2021, divulgou esta quarta-feira o Eurostat.

De acordo com o serviço estatístico da UE, nos países do euro, o desemprego desceu para os 6,6% face aos 7,0% de dezembro de 2021, mas manteve-se estável em relação a novembro.

Na UE, a taxa de desemprego de 6,1% recuou quando comparada com a de 6,4% do último mês de 2021 e manteve-se sem alteração na variação mensal.

Em dezembro de 2022, estima o Eurostat, estavam desempregadas 13.148 milhões de pessoas, das quais 11.048 na zona euro.

A Espanha (13,1%), a Grécia (11,6%) e Itália (7,8%) apresentaram as maiores taxas de desemprego entre os Estados-membros e a República Checa (2,3%), a Alemanha (2,9%) e Malta (3,2%) as menores, com Portugal a registar, em dezembro de 2022, 6,7% de desemprego.

Rendimento das famílias avançou na zona euro e na União Europeia no terceiro trimestre de 2022

por Lusa, in Expresso

No terceiro trimestre, o rendimento real das famílias aumentou 0,4% na zona euro, ao passo que o das da União Europeia cresceu 0,1%, segundo o Eurostat

O rendimento real das famílias na zona euro aumentou 0,4% no terceiro trimestre de 2022 e o das da União Europeia (UE) subiu 0,1%, segundo dados divulgados esta sexta-feira, 27 de janeiro, pelo Eurostat.

A subida registada na zona euro entre julho e setembro compara-se com a de 0,1% no período homólogo e o recuo de 0,7% no trimestre anterior.

Na UE, o rendimento real das famílias avançou 0,4%, depois de ter permanecido estável no terceiro trimestre de 2021 e recuado 1,1% no anterior.

O consumo real das famílias da zona euro, por seu lado, avançou 0,5%, mantendo o ritmo do trimestre anterior e abrandando face ao homólogo (3,9%).

Na UE, segundo o serviço estatístico europeu, o consumo real das famílias avançou 0,7% entre julho e setembro, acelerando face aos 0,4% do trimestre precedente, mas apresentando um forte recuo quando comparado com o período homólogo (4,1%).

O rendimento real per capita das famílias é definido como o rendimento nominal bruto disponível das famílias ajustado dividido pela população total (conceito de contas nacionais) e pelo deflator (índice de preços) da despesa de consumo final das famílias.

O consumo real das famílias per capita é definido como o consumo final real das famílias em termos nominais dividido pela população total e pelo deflator da despesa de consumo final das famílias.

14.7.22

Chegada do verão empurra subida de preços para lá da média do euro

Maria Caetano, in DN

Além dos combustíveis dos transportes, que voltaram a subir após uma redução em maio, os preços de alojamentos, pacotes de férias e bilhetes de avião dispararam e fizeram acelerar os custos do cabaz das compras nacionais.

Achegada do verão foi no último mês a acha a atiçar o combustível da inflação, levando a subida nacional de preços a ultrapassar a da média da Zona Euro pela primeira vez em quatro anos e meio. Desde o final de 2017 que tal não acontecia.

Em junho, os preços suportados pelos consumidores domésticos ficaram 8,7% acima de um ano antes, segundo dados confirmados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística. Já o cabaz de compras que inclui a procura de estrangeiros, usado para comparações europeias, subiu de preços em 9%, quatro décimas acima da média dos 19 países da moeda única.

Segundo o INE, o índice harmonizado de preços no consumidor português registou em junho uma variação mensal de 1,1%, com o mesmo indicador para o conjunto da Zona Euro a ser de 0,8%.

Já excluindo componentes mais voláteis e sensíveis a choques, a energia e os produtos alimentares não-transformados, tem-se a inflação subjacente, que em Portugal tem andado à frente dos registos da área do euro já desde o arranque deste ano. Este indicador, cuja subida aponta para um acréscimo de preços mais persistente e alargado, marcava aumentos homólogos na ordem dos 6,6% em junho, contra apenas 4,6% na média do euro.

O distanciamento do ritmo de subida de preços português relativamente àquele que ocorre no bloco da moeda única tem vindo a ser notado pelo INE. O indicador harmonizado que permite as comparações é importante, designadamente, por pesar nas avaliações da inflação pelo Banco Central Europeu, que neste mês se prepara para subir juros pela primeira vez em mais de uma década e que tem de assegurar que a política monetária que conduz é adequada a todos os países do euro.

Neste indicador compilado pelo Eurostat, contam de forma mais significativa as despesas em viagens, excursões e alojamento, preços que em Portugal dispararam com a chegada a junho, mostra a evolução detalhada das diferentes componentes de compras.

Turismo dispara

Os índices do INE indicam que a maior subida mensal de preços ocorreu em junho nas passagens de avião, que encareceram 20,3%, e estão agora 60,1% mais caras do que um ano antes. A segunda maior subida ocorreu nos alojamentos, que reagiram à chegada do verão com aumentos de preços de 13,7% e estão hoje 41,6% mais caros do que um ano antes. As férias organizadas também passaram a custar mais 13%, com os preços cobrados pelas agências de viagens a situarem-se 31,3% acima daqueles que eram praticados em junho do ano passado.

A recuperação do turismo está a traduzir-se, assim, também numa subida considerável de preços que alimenta a inflação. Mas, os combustíveis - em particular, a gasolina e o gasóleo usados no transporte das famílias - continuam ainda a sustentar também a aceleração.

Os preços de gasóleo e da gasolina subiram 9% para as famílias em junho, revertendo descidas que coincidiram com os cortes de ISP no mês anterior.

Nova subida nas bombas

Em junho, os preços de combustíveis usados no transporte pessoal voltaram a aumentar, com uma subida de 9% para novos máximos. O aumento mais do que que reverteu uma descida de 3,5% observada em maio, mês em que passou a ser aplicada pelo governo uma redução em imposto sobre produtos petrolíferos equivalente à passagem do IVA sobre os combustíveis para a taxa intermédia. Entretanto, face há um ano, os custos são 34,7% superiores.

Os combustíveis líquidos usados em casa também ficaram 8% mais caros no últimos mês, situando-se 62,5% acima de um ano antes.

Já o gás das habitações sofreu um ligeiro recuo mensal de 0,6%, estando ainda 38,9% acima dos preços de há um ano.

O preço da eletricidade não mexeu em junho. Está 23,6% mais caro do que no ano passado.

Na alimentação, a secção mais pesada dos orçamentos familiares, a subida mensal de preços foi de 1,1%, colocando os gastos com esta parte do cabaz 13,2% acima daqueles que eram feitos há um ano.

Nesta secção, óleos e gordura são os bens que mais têm encarecido. Contudo, em junho, estes preços conheceram uma redução ligeira de 0,3%. Ainda assim, estão 42,6% acima de há um ano.
Também açúcar e refrigerantes conheceram reduções mensais de 1,2% e 0,4%, respetivamente.

Em sentido contrário, junho fica marcado por um aumento de preços na fruta de 3,5%, a maior subida na despesa alimentar das famílias. Em termos homólogos, porém, os preços estão apenas 2,7% acima daqueles que foram recolhidos pelo INE em junho de 2021.

Para os consumidores domésticos, a subida mensal global de preços foi de 0,8%. Retirando, no entanto, energia e produtos alimentares não transformados, o aumento é bem mais contido, de 0,3%, A inflação mensal subjacente para o consumidor português foi menor do que a registada em maio (0,7%).