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3.2.23

Desemprego na Europa estabilizou em dezembro, mas registou subida entre os jovens

Rita Robalo Rosa, in Expresso

A taxa de desemprego em dezembro de 2022 fixou-se em 6,6% na zona euro e em 6,1% na União Europeia (UE), estabilizando assim face a novembro. Mas a taxa de desemprego jovem aumentou na UE em relação a novembro

A taxa de desemprego em dezembro de 2022 fixou-se em 6,6% na zona euro e em 6,1% na União Europeia (UE), o que representa uma redução face a dezembro de 2021 (7% e 6,4%, respetivamente). Face a novembro o desemprego estabilizou, indicam os dados do Eurostat divulgados esta quarta-feira. A taxa de desemprego subiu em oito países, face a novembro, entre eles Portugal.

O gabinete estatístico europeu “estima que 13,148 milhões de homens e mulheres na UE, dos quais 11,048 milhões na zona euro, estavam desempregados em dezembro de 2022”. Ou seja, mais 28 mil pessoas na UE e 23 mil na zona euro na variação em cadeia.

Ao compararmos com 2021 há uma redução de 518 mil e 494 mil na UE e zona euro, respetivamente.

Relativamente ao género, a taxa de desemprego é maior nas mulheres que nos homens, ainda que tenha estabilizado em ambos face ao mês anterior. Assim, em dezembro, a taxa de desemprego das mulheres era de 6,4% na UE e 7% na zona euro, e a dos homens era de 5,8% na UE e 6,3% na zona euro.

De ressalvar que os dados da zona euro ainda não incluem a Croácia, uma vez que esta só entrou para o grupo em 2023.

Em dezembro, Espanha registou a taxa de desemprego mais elevada da UE (13,1%, mais que os 13% de novembro), seguindo-se a Grécia e Itália (11,6% e 7,8%, respetivamente, ambos com os mesmos valores que em novembro)

Portugal tem a nona taxa de desemprego mais elevada (6,7%), e fica acima da média europeia. Portugal foi um dos oito países europeus em que a taxa de desemprego subiu, em dezembro, face ao mês anterior.

Com a taxa de desemprego mais baixa encontramos a Chéquia (2,3%), seguida da Polónia e Alemanha (2,3% em ambas).

No total, a taxa de desemprego desceu em 11 países europeus, sendo a descida mais pronunciada a da Áustria (de 5,5% em novembro para 5% em dezembro).

Os jovens parecem estar a ser os mais afetados pela crise - pelo menos a nível de emprego. Se a taxa de desemprego geral estabilizou face a novembro e diminuiu face a dezembro de 2021, o mesmo não se pode dizer da taxa de desemprego entre os jovens (menos de 25 anos).

De acordo com o Eurostat, havia, em dezembro, 2,862 milhões de jovens desempregados na UE, dos quais 2,311 milhões na zona do euro. Assim, a taxa de desemprego jovem fixou-se em 15% na UE e 14,8% na zona euro, o que compara com 14,8% nas duas regiões no mês de novembro.

“Em comparação com novembro de 2022, o desemprego jovem aumentou em 30 mil na UE e em 3 mil na zona euro. Em comparação com dezembro de 2021, o desemprego juvenil aumentou 209 mil na UE e 156 mil na zona do euro”, lê-se na nota do gabinete.

Novamente, é em Espanha que se encontra a taxa mais elevada (quase nos 30%), mas é na Alemanha que encontramos a taxa de desemprego jovem mais baixa da UE (5,8%). Contudo, não há dados disponíveis da Roménia.

Em Portugal a taxa de desemprego jovem é de 18,5%, o que fica acima da média europeia. Portugal tem a 12ª taxa mais elevada da UE de desemprego jovem e a nona em termos de desemprego geral.

28.6.22

"Iremos tão longe quanto for necessário para garantir que inflação estabilize" nos 2%

in TSF


Christine Lagarde reconheceu que a inflação na zona euro "está indesejavelmente alta", prevendo "que continue assim durante algum tempo".A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou esta terça-feira, em Sintra, que a instituição irá tão longe quanto for necessário para garantir que a inflação estabilize na meta de 2% no médio prazo.

No discurso de abertura do fórum anual do BCE, que reúne banqueiros centrais, economistas e intervenientes do mercado em Sintra, Christine Lagarde afirmou: "Continuaremos nesse caminho de normalização e iremos tão longe quanto for necessário para garantir que a inflação estabilize na nossa meta de 2% no médio prazo".

A presidente do BCE admitiu ainda que a inflação na zona euro "está indesejavelmente alta", prevendo "que continue assim durante algum tempo".

"Este é um grande desafio para a nossa política monetária", admitiu.

Lagarde afirmou ainda que o novo instrumento, que o BCE está a desenvolver, "terá de ser eficaz, ao mesmo tempo proporcional e conter garantias suficientes para preservar o impulso dos Estados-membros para seguirem uma política orçamental sólida".

A responsável do banco central da moeda única justificou que esta decisão está dentro da tradição do BCE.

"No passado, o BCE utilizou instrumentos separados para a meta de inflação e para preservar o funcionamento do mecanismo de transmissão da política monetária. Medidas para preservar a transmissão poderiam ser utilizadas em qualquer nível de taxa de juros -- desde que não interferissem na orientação da política monetária, disse.

No entanto, recordou, por vezes, quando a inflação caía muito, fazia sentido mudar de "separação" para "combinação" para que todas as ferramentas reforçassem a necessária flexibilização das políticas, como, por exemplo, as compras de ativos e a orientação futura sobre as taxas.

Contudo, com a inflação alta como o principal desafio, justifica-se separar as ferramentas de política novamente.

Lagarde deu ainda nota de que o BCE irá também usar a flexibilidade no reinvestimento dos pagamentos no âmbito do programa de compras emergenciais de pandemia (PEPP) para preservar o funcionamento do mecanismo de transmissão da política monetária.

Assim, Lagarde salientou que esses resgates podem, conforme o caso, ser investidos no Eurosistema em mercados obrigacionistas de jurisdições onde a transmissão ordenada está em risco.

Defendeu ainda que os governos devem desempenhar o "seu papel" na redução dos riscos, proporcionando apoio direcionado e temporário enquanto, no médio prazo, seguem uma estrutura baseada em regras que sustentam a sustentabilidade da dívida e a estabilização macroeconómica.

Citando Leonardo da Vinci, para defender que "todo o obstáculo cede a uma firme resolução", a responsável do banco central garantiu que a instituição irá abordar "todos os obstáculos que possam representar uma ameaça ao [...] mandato de estabilidade de preços".

No discurso de abertura do fórum que decorre até esta quarta-feira, Lagarde confirmou ainda a decisão da instituição avançar com um aumento das taxas de juro em 25 pontos base na reunião de 21 de julho e de avaliar a dimensão do aumento de setembro, conforme os dados macroeconómicos.

"Isso reflete o princípio da opcionalidade. Se a perspetiva de inflação não melhorar, teremos informações suficientes para avançar mais rápido. Este compromisso é, no entanto, dependente de dados", disse.

Lagarde salientou, contudo, que "esta abordagem condicional do ritmo de ajustamento das taxas de juro não deve ser confundida com o adiamento da normalização".

O BCE voltou a realizar em Sintra, no distrito de Lisboa, o seu fórum anual, este ano dedicado aos desafios para a política monetária num mundo em rápida mudança.

Após dois anos realizada por meios telemáticos devido à pandemia, a 'cimeira' de três dias regressa a Sintra de forma presencial, conforme anos anteriores.

O tema deste ano foi alterado para refletir os recentes desenvolvimentos globais e a 'cimeira' irá debater os desafios que a economia da área do euro enfrenta atualmente.