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1.8.22

Inflação acelera para 9,1% em julho

Rita Robalo Rosa, in Expresso

A taxa de inflação acelerou em julho para os 9,1%, segundo a estimativa do INE. É o valor mais elevado desde novembro de 1992

Em julho, a taxa de inflação acelerou para 9,1% em Portugal, de acordo com a estimativa do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgada esta sexta-feira. É o maior valor desde novembro de 1992.

O índice de preços no consumidor (IPC) continua a ser pressionado pelos preços da energia e bens alimentares. O gabinete estatístico estima que
os preços da energia aumentaram 31,2%, o que representa uma queda de 0,5 pontos percentuais face ao mês anterior, mas ainda assim é a categoria que mais faz crescer a inflação.

Já os produtos alimentares terão crescido 13,2%, o que compara com um aumento de 11,9% em junho.

A inflação subjacente, que exclui a energia e os bens alimentares pela sua volatilidade, é significativamente menor, fixou-se em 6,2%, acelerando face aos 6% de junho. Este indicador é o mais elevado desde abril de 1994.

Face a junho, a variação da inflação terá sido nula. Já nos últimos doze meses a inflação cresceu, em média, 4,7%.

O INE estima, por fim, que o Índice Harmonizado de Preços do Consumidor (IHPC), o indicador de inflação que permite comparações entre países europeus, fixou-se em 9,4%, o que representa uma aceleração face aos 9% de junho.

20.7.22

Inflação acelera para 8,6% na zona euro e dispara para 9,6% na União Europeia em junho

Pedro Carreira Garcia, in Expresso

A taxa de inflação harmonizada na zona euro acelerou em junho para os 8,6%, face aos 8,1% registados em maio. Portugal tem a 9.ª taxa mais baixa dos 27

A taxa de inflação harmonizada na zona euro acelerou em junho para os 8,6%, face aos 8,1% registados em maio, divulgou esta terça-feira, 19 de julho, o Eurostat. Nos 27 países da União Europeia (UE), a aceleração foi ainda maior: em junho, a taxa de inflação foi de 9,6%, crescendo face aos 8,8% registados em maio.

Em junho de 2021, a taxa de inflação harmonizada era de 1,9% na zona euro e de 2,2% na UE.

A taxa de inflação harmonizada na zona euro acelerou em junho para os 8,6%, face aos 8,1% registados em maio, divulgou esta terça-feira, 19 de julho, o Eurostat. Nos 27 países da União Europeia (UE), a aceleração foi ainda maior: em junho, a taxa de inflação foi de 9,6%, crescendo face aos 8,8% registados em maio.

Em junho de 2021, a taxa de inflação harmonizada era de 1,9% na zona euro e de 2,2% na UE.

O índice harmonizado de preços no consumidor, ou IHPC - que permite comparações entre Estados-Membros - de Portugal foi de 9% em junho, a 9.ª mais baixa entre os 27 países da UE e 8.ª entre os 19 países da zona euro. Ficou, assim, acima da média da zona euro mas abaixo da média da UE.

As taxas de inflação anuais mais baixas foram, em junho, as de Malta, com 6,1%, França, com 6,5%, e Finlândia, com 8,1%. As mais altas foram as da Letónia, com 19,2%, da Lituânia, com 20,5%, e a da Estónia, com 22%.

A taxa de inflação só abrandou em dois Estados-Membros face a maio: na Alemanha e nos Países Baixos.

Os maiores contributos para a taxa de inflação de junho na zona euro foram os preços da energia, representando 4,19 pontos percentuais; seguidos dos dos bens alimentares, álcool e tabaco, contribuindo com 1,88 pontos percentuais; os dos serviços, com 1,42 pontos percentuais; e bens industriais não-energéticos, com 1,15 pontos percentuais.

18.7.22

Aumento dos preços dos alimentos angustia famílias com menos condições

Sheilla Ribeiro, in Expresso das Ilhas

A guerra na Ucrânia está a causar a subida generalizada dos preços dos bens de consumo, a começar pelos mais básicos e corroendo a renda, que “já era insuficiente” para uma vida digna de muitas famílias. O acesso fácil e permanente à comida ficou na lembrança daqueles que hoje limitam o acesso a determinados alimentos por questões financeiras.

Dados divulgados em 23 de Junho pela ONU, mostram que naquele mês 181 mil mulheres, homens e crianças enfrentavam insegurança alimentar num total de 32% da população nacional.

Já o governo avançou que cerca de 107 mil pessoas estão sob pressão em termos alimentares e 30 mil em situação de insegurança alimentar.

Cíntia (nome fictício), 37 anos, mãe de dois filhos de 12 e 10 anos, faz parte das pessoas que vivem sob pressão alimentar e poderá entrar na estatística dos que enfrentam insegurança alimentar.

“Tenho o salário mínimo e antes da pandemia e da guerra gastava, mensalmente, cerca de 10 mil escudos com a comida. Com 10 mil escudos de compra dava para comer por quase um mês, porque sempre minguava faltando três ou dois dias para receber”, relata esta mãe.

Hoje, com 10 mil escudos, Cíntia afirma que pode comprar comida suficiente para apenas duas semanas, e com um “jeitinho” talvez três. Ou seja, o mesmo dinheiro e uma quantidade menor de comida.

“Os [alimentos] mais essenciais agora custam mais, por exemplo óleo, leite, arroz, ovo. Tive de retirar alguns produtos da lista de compras, como frutas, iogurtes, carne de porco e de vaca”, enumera.

Os filhos, prossegue, deixaram de comer frutas e iogurtes para que pudessem garantir o almoço e o jantar.

“Fico triste com esta situação porque quero comprar algo saboroso para que possam levar à escola e não posso. Por isso, almoçam e vão para a escola onde recebem refeições quentes. Agora com as férias, vão ficar em casa o dia todo e as coisas vão piorar um bocadinho”, atenta.

Conforme conta, o pai de uma das crianças ajuda, mensalmente, com cinco mil escudos porque o Tribunal assim estipulou. Entretanto, frisa, os cinco mil escudos são para carregar os passes para que possam ir à escola.

Durante as férias, esse dinheiro destina-se à comida e ainda assim a situação “é delicada”. Sendo auxiliar de serviços gerais numa instituição pública, Cíntia declara que não consegue garantir uma cesta básica das Associações ou instituições que ajudam, porque a prioridade é sempre para aqueles que não têm um salário.

A única renda extra da família provém do abono da filha mais velha, já que do mais novo, o pai é quem recebe e fica com o dinheiro.

“Se os preços aumentarem mais, vamos ter de comer arroz com azeite para não passarmos fome. Recebo um salário mínimo, tenho de pagar a renda da casa, a electricidade e ainda comer. Não tenho marido, não conto com ajuda e é isso”, especula.

Questão de saúde pública

A nutricionista Yahmilla Carvalho explica que quando se deixa de consumir qualquer tipo de alimento sem uma orientação profissional - a menos que se trate de alimentos industrializados sem benefícios nutricionais - pode-se comprometer a saúde.

“Carnes, ovos, peixes são as principais fontes de proteínas. Não comemos apenas porque é gostoso, é questão de necessidade. A partir do momento que deixamos de comê-los, se não trouxemos, de uma outra fonte, os nutrientes que podemos encontrar nesses alimentos a nossa saúde fica comprometida”, clarifica ao Expresso das Ilhas.

As proteínas, de acordo com a profissional de saúde, fornecem saciedade, ajudam no desenvolvimento dos músculos e estão envolvidos em vários processos do organismo, como por exemplo a questão da energia.

Sem nenhum acompanhamento médico, quando retiradas do dia-a-dia a pessoa apresenta fadiga, perda de peso, além de comprometer alguns órgãos.

Quanto às hortaliças e frutas são as maiores fontes de fibra, vitaminas e minerais. Yahmilla Carvalho destaca que por esta razão poderá ainda ocorrer problemas quanto à imunidade, funcionamento dos intestinos, diabetes, hipertensão, entre outros.

“Num primeiro momento podemos até pensar que deixar de comer, por questões financeiras, esses alimentos pode afectar uma única pessoa ou uma família, mas é uma questão de saúde pública porque cada vez mais aumentam pessoas com as doenças já referidas”, alerta.

No que tange às crianças, a falta de proteínas e vitaminas proporcionadas pela carne e frutas compromete o crescimento e desenvolvimento intelectual, segundo a profissional.

Aumento de pedidos de apoio põe em risco stock do Banco Alimentar

A presidente do Banco Alimentar da Fundação Donana revela que estão a receber cada vez mais pedidos de famílias para apoio alimentar, sublinhando que a seca prolongada, a pandemia e o aumento dos preços tem estado a pressionar a população mais carenciada.

Em 2019, apesar da pandemia, a instituição conseguiu recolher e distribuir 303.420 quilos de alimentos e em 2020 foram 575.420 quilos. 2022, entretanto, segundo Ana Fonseca Hopffer Almada está a ser um ano muito difícil.

Para exemplificar, cita que apenas no mês de Março a instituição distribuiu 15.508 cestas básicas a público que não é habitual, ou seja, que não são ajudadas regularmente através das associações comunitárias.

“Foram cestas básicas para pessoas que chegam ao Banco Alimentar afirmando que não têm comida para comer, que têm fome. São mulheres chefes de famílias que perderam o seu rendimento, jovens mães com bebés, são jovens as vezes até com formação e que não têm trabalho e que estão sem alimentos”, ressalva.

Ana Fonseca Hopffer Almada informa ainda que no mês de Junho o Banco Alimentar recebeu três mil quilos de alimentos que já foram distribuídos, em cerca de mil cestas básicas. Por esse motivo, estão a contactar os parceiros para angariar alimentos, uma vez que o aumento de casos da COVID-19 não permite realizar as habituais campanhas nos super e minimercados.

“Neste momento o nosso armazém está com pouca capacidade de resposta. Se não tivermos apoios vai chegar uma altura em que não teremos alimentos. Arroz, por exemplo já não temos. Tivemos uma doação de quase 4 toneladas de arroz, mas já terminaram. As pessoas não imaginam a quantidade de gente que recebemos e que não são o nosso público alvo, embora esses continuam a receber os seus apoios”, admite.

Face a este cenário, Ana Fonseca Hopffer Almada diz que o principal desafio do Banco Alimentar é manter o stock que está esvaziando rapidamente devido ao aumento de pedidos de ajuda, sobretudo de pessoas que tinham uma vida mais ou menos estável, mas que com as sucessivas crises e a inflação perderam a capacidade de comprar comida.

A presidente do Banco Alimentar precisa que a instituição conta, normalmente, com as associações comunitárias que selecionam 10 famílias com idosos acamados, pessoas portadoras de deficiência e pessoas que não podem trabalhar.

Na cidade da Praia, há cerca de 300 famílias beneficiárias, além de famílias de Santa Cruz, Calheta, Tarrafal, Santa Catarina e Ribeira Grande de Santiago.

Criado em Outubro de 2012, depois da assinatura de um protocolo com a organização que tutela o Banco Alimentar contra a Fome de Portugal, o Banco Alimentar tem parcerias 74 associações em toda a ilha de Santiago, 10 na ilha do Fogo, 10 na ilha de São Vicente e 10 na ilha do Sal num total de 104 Associações, além de instituições caritativas e humanitárias.

Associação Pilourinho cria hortas para ajudar população de AGF

A associação Pilorinhu de Achada Grande Frente (AGF) está a criar hortas comunitárias para ajudar as pessoas mais carenciadas daquele bairro e fazer face ao aumento dos preços dos alimentos.

Em declarações ao Expresso das Ilhas, o presidente Zanildo Moreno avança que as hortas fazem parte do projecto “Jornada Agroecológica”.

“O objectivo desta criação é fazer face à subida dos preços dos alimentos. Temos como referência a horta da nossa associação através da qual conseguimos diminuir o custo da alimentação dos nossos voluntários”, elucida.

As hortas comunitárias darão continuidade ao projecto Xalabás em que foram reabilitadas algumas hortas de famílias do bairro, assim como da escola de Achada Grande Frente.

“É concluir o que o Xalabás começou, criar tanto hortas verticais, como hortas nos quintais. As famílias tanto podem consumir os produtos da horta, como podem vender e assim ganhar um dinheiro extra e garantir o autossustento. Mas a doação às famílias que não têm como ter a horta em casa é obrigatória”, realça.

A associação Pilourinho já tem identificadas 15 casas onde serão plantadas papaia, banana, maracujá, cana de açúcar, pinhão e vários legumes.

“Também na selecção das casas, priorizamos famílias que já têm alguma experiência com hortas. Não ia valer a pena criar uma horta que não seria cuidada. Têm de ser pessoas com boa vontade para cuidar das hortas, que cumpram a obrigação de ajudar os outros porque há muitas famílias em situação difícil em AGF”, frisa.

Mais do que o autossustento do bairro, o presidente da Associação Pilourinho assegura que o projecto visa praticar a agricultura baseada na integração e aplicação de conceitos ecológicos e sustentáveis sem o uso de químicos.

“A nossa sociedade consome muitos produtos importados e esses produtos têm químicos que podem pôr em causa a saúde das famílias. Daí querermos dedicar à agroecologia”, sustenta.

A associação Pilorinhu pretende alargar o projecto das hortas comunitárias para outros pontos da ilha de Santiago e do país.

Contudo, Zanildo Moreno anuncia que neste momento está-se ainda finalizar o orçamento necessário para a implementação do projecto. Mas, já este mês, vão proceder à plantação de 100 árvores fruteiras na comunidade, doadas pela FAO.

A FAO define a insegurança alimentar como um fenómeno que ocorre quando um indivíduo não possui acesso físico, económico e social a alimentos de forma a satisfazer as suas necessidades.

Preços com variação homóloga de 8,2% em Junho

Sheilla Ribeiro, in Expresso das Ilhas

Em Junho de 2022, o Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou uma taxa de variação mensal de 0,6%. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatísticas, a variação homóloga foi de 8,2%.

De acordo com o Índice de Preços no Consumidor (IPC), elaborado pelo INE, esta variação mensal fica 0,1 pontos percentuais abaixo da taxa registada em Maio.

“A taxa de variação acumulada do IPC foi de 4,2%, taxa superior em 2,7 p.p. à observada no mês homólogo do ano anterior”, consta.

Já a taxa de variação homóloga do IPC total, no mês de Junho de 2022, foi de 8,2%, valor superior em 0,4 p.p ao registado no mês anterior.

No período em análise, o IPC registou uma variação média dos últimos doze meses de 5,5%, valor superior em 0,6 p.p. ao registado no mês anterior.

O indicador de inflação subjacente (índice total excluindo energia e alimentares não transformados) assinalou uma variação homóloga de 6,3%, valor superior em 0,4 p.p ao registado em Maio de 2022.

Preços das casas subiram 17%, no primeiro trimestre, mas "perdem gás" em Lisboa

Edgar Caetano, in Observador

Preço mediano das casas em Portugal subiu para 1.454 euros/m2 no 1º trimestre. Mas a aceleração na zona de Lisboa foi menos expressiva. E houve desacelerações em Oeiras e Loures.

O preço mediano das casas em Portugal subiu para 1.454 euros por metro quadrado no 1º trimestre, o que compara com 1.355 euros no quarto trimestre. Mas a aceleração na zona de Lisboa foi menos expressiva, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), nas Estatísticas de Preços da Habitação ao nível local divulgadas esta quinta-feira.

“No 1º trimestre de 2022, o preço mediano de alojamentos familiares em Portugal foi de 1.454 euros/m2, correspondendo a uma taxa de variação homóloga de +17,2% (+14,1% no trimestre anterior)”, salienta o INE. Este valor compara com os 1.355 euros por metro quadrado que foram registados no final do quarto trimestre, de acordo com os dados que o INE já tinha divulgado anteriormente.

O INE nota que “entre o 4º trimestre de 2021 e o 1º trimestre de 2022, a taxa de variação homóloga dos preços aumentou em nove dos 11 municípios com mais de 100 mil habitantes da Área Metropolitana de Lisboa, tendo a aceleração sido superior à verificada a nível nacional (+3,1 pontos percentuais) em Sintra (+7,9 pontos percentuais), Setúbal (+6,5 pontos percentuais) e Almada (+3,3 pontos percentuais)”.

Porém, a aceleração homóloga em Lisboa ficou abaixo da média – apenas 2,3 p.p. –, uma tendência que já se tinha verificado no no trimestre anterior. Em Cascais aconteceu o mesmo, uma aceleração de 2 pontos percentuais, que ficou abaixo do ritmo médio de subida no país.

Mas “em Loures (-2,0 pontos percentuais) e Oeiras (-1,7 pontos percentuais) houve mesmo uma desaceleração dos preços“, nota o INE.

Já na Área Metropolitana do Porto (AMP), os municípios de Santa Maria de Feira (+13,8 pontos percentuais), Vila Nova de Gaia (+6,8 pontos percentuais), Gondomar (+5,3 pontos percentuais) e Porto (+3,7 pontos percentuais) apresentaram, também, um aumento das taxas de variação homólogas superiores ao país, nota o INE.

Mas nos outros dois municípios da AMP com mais de 100 mil habitantes – Matosinhos (- 9,8 p.p.) e Maia (- 2,4 p.p.) – verificou-se uma desaceleração dos preços.



14.7.22

Chegada do verão empurra subida de preços para lá da média do euro

Maria Caetano, in DN

Além dos combustíveis dos transportes, que voltaram a subir após uma redução em maio, os preços de alojamentos, pacotes de férias e bilhetes de avião dispararam e fizeram acelerar os custos do cabaz das compras nacionais.

Achegada do verão foi no último mês a acha a atiçar o combustível da inflação, levando a subida nacional de preços a ultrapassar a da média da Zona Euro pela primeira vez em quatro anos e meio. Desde o final de 2017 que tal não acontecia.

Em junho, os preços suportados pelos consumidores domésticos ficaram 8,7% acima de um ano antes, segundo dados confirmados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística. Já o cabaz de compras que inclui a procura de estrangeiros, usado para comparações europeias, subiu de preços em 9%, quatro décimas acima da média dos 19 países da moeda única.

Segundo o INE, o índice harmonizado de preços no consumidor português registou em junho uma variação mensal de 1,1%, com o mesmo indicador para o conjunto da Zona Euro a ser de 0,8%.

Já excluindo componentes mais voláteis e sensíveis a choques, a energia e os produtos alimentares não-transformados, tem-se a inflação subjacente, que em Portugal tem andado à frente dos registos da área do euro já desde o arranque deste ano. Este indicador, cuja subida aponta para um acréscimo de preços mais persistente e alargado, marcava aumentos homólogos na ordem dos 6,6% em junho, contra apenas 4,6% na média do euro.

O distanciamento do ritmo de subida de preços português relativamente àquele que ocorre no bloco da moeda única tem vindo a ser notado pelo INE. O indicador harmonizado que permite as comparações é importante, designadamente, por pesar nas avaliações da inflação pelo Banco Central Europeu, que neste mês se prepara para subir juros pela primeira vez em mais de uma década e que tem de assegurar que a política monetária que conduz é adequada a todos os países do euro.

Neste indicador compilado pelo Eurostat, contam de forma mais significativa as despesas em viagens, excursões e alojamento, preços que em Portugal dispararam com a chegada a junho, mostra a evolução detalhada das diferentes componentes de compras.

Turismo dispara

Os índices do INE indicam que a maior subida mensal de preços ocorreu em junho nas passagens de avião, que encareceram 20,3%, e estão agora 60,1% mais caras do que um ano antes. A segunda maior subida ocorreu nos alojamentos, que reagiram à chegada do verão com aumentos de preços de 13,7% e estão hoje 41,6% mais caros do que um ano antes. As férias organizadas também passaram a custar mais 13%, com os preços cobrados pelas agências de viagens a situarem-se 31,3% acima daqueles que eram praticados em junho do ano passado.

A recuperação do turismo está a traduzir-se, assim, também numa subida considerável de preços que alimenta a inflação. Mas, os combustíveis - em particular, a gasolina e o gasóleo usados no transporte das famílias - continuam ainda a sustentar também a aceleração.

Os preços de gasóleo e da gasolina subiram 9% para as famílias em junho, revertendo descidas que coincidiram com os cortes de ISP no mês anterior.

Nova subida nas bombas

Em junho, os preços de combustíveis usados no transporte pessoal voltaram a aumentar, com uma subida de 9% para novos máximos. O aumento mais do que que reverteu uma descida de 3,5% observada em maio, mês em que passou a ser aplicada pelo governo uma redução em imposto sobre produtos petrolíferos equivalente à passagem do IVA sobre os combustíveis para a taxa intermédia. Entretanto, face há um ano, os custos são 34,7% superiores.

Os combustíveis líquidos usados em casa também ficaram 8% mais caros no últimos mês, situando-se 62,5% acima de um ano antes.

Já o gás das habitações sofreu um ligeiro recuo mensal de 0,6%, estando ainda 38,9% acima dos preços de há um ano.

O preço da eletricidade não mexeu em junho. Está 23,6% mais caro do que no ano passado.

Na alimentação, a secção mais pesada dos orçamentos familiares, a subida mensal de preços foi de 1,1%, colocando os gastos com esta parte do cabaz 13,2% acima daqueles que eram feitos há um ano.

Nesta secção, óleos e gordura são os bens que mais têm encarecido. Contudo, em junho, estes preços conheceram uma redução ligeira de 0,3%. Ainda assim, estão 42,6% acima de há um ano.
Também açúcar e refrigerantes conheceram reduções mensais de 1,2% e 0,4%, respetivamente.

Em sentido contrário, junho fica marcado por um aumento de preços na fruta de 3,5%, a maior subida na despesa alimentar das famílias. Em termos homólogos, porém, os preços estão apenas 2,7% acima daqueles que foram recolhidos pelo INE em junho de 2021.

Para os consumidores domésticos, a subida mensal global de preços foi de 0,8%. Retirando, no entanto, energia e produtos alimentares não transformados, o aumento é bem mais contido, de 0,3%, A inflação mensal subjacente para o consumidor português foi menor do que a registada em maio (0,7%).

13.7.22

É fazer as contas

Pedro Cruz, opinião, in TSF



António, chamemos-lhe assim, recebe o salário mínimo nacional. São 705 euros. Desconta, como todos nós, para a Segurança Social. No caso dele, 77,55 euros por mês. O valor líquido mensal é de 625 euros. António é licenciado, em marketing. Trabalha como vigilante, numa daquelas empresas a que erradamente chamamos de "segurança". Faz o turno da noite, da meia-noite às oito da manhã. Quando "tem sorte", fica com o horário da tarde, das 16h00 à meia-noite. 

Como entra à meia-noite, tem de ter carro próprio. Os transportes públicos, ainda que estivessem integrados, e conjugados, não lhe cobrem o horário. O carro tem 15 anos, comprado em segunda mão. Paga, por mês, 150 euros de empréstimo. De cada vez que vai, agora, encher o depósito, são cerca de 100 euros. Cinquenta litros vezes dois euros. Quase um sexto do salário é para atestar. Como tem de abastecer duas vezes por mês, são 200 euros. Por mês. Mais os 150 euros da prestação. Só para o carro são 550 euros por mês. (Isto porque paga o imposto automóvel, o seguro e a revisão apenas uma vez por ano, quando recebe o subsídio de férias). António vive sozinho. Paga renda. Fora da cidade, onde conseguiu uma casa por 200 euros. Aliás, um "pequeno T1", como diz a canção. António, só em despesas fixas, só para ter onde dormir e forma de chegar ao trabalho despende 550 euros. Recebe 625.

António tem de conseguir comer, ter luz e água em casa, gás no fogão, telefone e televisão com o que lhe sobra - 75 euros mensais. Dois euros e pouco por dia.

Como recebe mais de 540 euros por mês, António vive (?) acima do limiar da pobreza. Não conta, portanto, para as estatísticas com que governos e oposições, patrões e sindicatos, se debatem no parlamento e na concertação social. Tem casa, trabalho, carro. O estado, magnânimo, dispensa-o de pagar IRS. É, portanto, um cidadão bem na vida, já que é proprietário de um bem móvel. Com o que lhe sobra depois de pagas as despesas fixas com a casa e o carro - recordo, 75 euros - ou tem água e luz, ou come.

António gostava de ser pai. Gostava de ter um carro elétrico, porque a energia é mais barata do que o combustível e ele preocupa-se com o ambiente. Gostava de poder viajar, ir a um restaurante, nem que fosse uma vez por mês. Comprar um livro, ver um concerto ou ir a um festival de música. Ou ir ao teatro, ao cinema, ao museu. A vida de António resume-se a ir de casa para o trabalho, do trabalho para casa. E a fazer contas. Contas de subtrair. É certo que tem um contrato de trabalho e recebe 14 salários e não doze. Esse dinheiro "a mais", generosamente acordado na concertação social, serve para pagar as contas já citadas - revisão, pneus, óleo, portagens e outras avarias inesperadas. Para sermos corretos, os 75 euros que lhe sobram, a juntar a cerca de 1300 de dois meses extra, chegam aos 2150 euros... por ano. Não chega a 200 euros por mês.

É fazer as contas.


Nota do autor
António é uma personagem de ficção. Mas, atenção, qualquer semelhança com a realidade de Portugal em 2022, não é mera coincidência.

Subida da inflação e baixo crescimento, um problema para a Europa

in Euronews

A inflação está a disparar e a puxar as perspetivas de crescimento económico para baixo.Uma situação difícil em cima da mesa da reunião dos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo), em Bruxelas.

Para alguns, como a ministra das Finanças dos Países Baixos Sigrid Kaag, a inflação veio para ficar: "é verdade que a crise na Ucrânia, os choques nas cadeias de abastecimento e os efeitos secundários vieram para ficar por mais tempo do que esperávamos ou antecipávamos. Então também é um fato que a inflação que estava a recuar continuará em alta no próximo ano. É isso que entendemos e precisamos ter isso em consideração. É um fato da vida."

Outra preocupação é o risco de escassez de gás, se a Rússia cortar o abastecimento no próximo inverno.

Bruxelas está a trabalhar num plano de contingência, mas grande parte da inflação deve-se aos preços da energia.

"O que pode mudar a situação em que nos encontramos e colocar-nos numa situação económica mais difícil são cortes no abastecimento e escassez real de oferta. Isso pode mudar um quadro que, por enquanto, é um quadro de crescimento muito limitado, reduzido e desacelerado", sublinhou o comissário europeu com a pasta da Economia, Paolo Gentiloni.

Outro motivo de alarme é o facto de o euro estar a perder terreno face ao dólar e as duas divisas se aproximarem da paridade. A última vez foi há duas décadas.

Para o eurodeputado espanhol Luis Garicano, do grupo Renovar a Europa, é tempo do Banco Central Europeu (BCE) agir: "vemos um BCE que parece estar atrapalhado, de mãos atadas. Está a lutar com as mãos atadas nas costas porque tem medo de causar uma crise do euro, tem medo de provocar problemas de dívida em alguns Estados--membros. Há muitos governadores vindos de países que têm dívidas excessivas. Então, toda gente sente que o elemento-chave para o BCE é apenas deixar o tempo passar e não tomar muita ação. Isso, é claro, sinaliza inflação alta na Europa e um euro mais baixo e mais fraco."

Perante este cenário, o principal objetivo da Europa passa agora por evitar a recessão que não pode ser excluída.

11.7.22

Cabaz de alimentos mais caro

in Rádio Voz da Planície

O iogurte líquido de morango, a maçã "Golden" e a pescada fresca foram os alimentos que registaram "maiores subidas de preço" nos últimos dias.O preço dos bens alimentares continua a subir. Entre 29 de junho e 6 de julho, o preço de um cabaz de bens alimentares considerados essenciais aumentou cerca de três euros, sendo que agora custa mais de 206 euros, de acordo com uma monitorização realizada pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO).

"Os dez produtos com maiores subidas de preço foram o iogurte líquido de morango (mais 10%), a maçã Golden (mais 10%), a pescada fresca (mais 8%), o tomate (mais 8%), o açúcar branco granulado (mais 7%), a perca (mais 7%), o azeite virgem extra (mais 7%), a cebola (mais 7%), o queijo flamengo (mais 6%) e o salmão (mais 6%)", revela a DECO.

Desde 23 de fevereiro deste ano que a DECO tem monitorizado, todas as quartas-feiras, com base nos preços recolhidos no dia anterior, os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais que inclui bens como peru, frango, pescada, carapau, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.

"Esta análise tem revelado aumentos quase todas as semanas, com alguns produtos a registarem subidas de preços de dois dígitos de uma semana para a outra", adianta a associação.

Inflação bate recordes em Junho na zona euro e em Portugal

in Euronews


 https://pt.euronews.com/2022/07/01/inflacao-bate-recordes-em-junho-na-zona-euro-e-em-portugal







Inflação bate recordes em Junho na zona euro e em Portugal





A taxa de inflação da zona euro atingiu 8,6% no mês de junho, 0,5% mais do que em maio e quase mais 7% do que em igual período de 2021.




Desde novembro que a inflação nos países do euro vem batendo recordes mensais.





Segundo uma estimativa rápida do serviço de estatísticas da União Europeia (UE), a subida da inflação - medida pelo índice harmonizado de preços no consumidor - continua a ser impulsionada essencialmente pelo aumento homólogo dos preços do setor da energia, que subiram 41,9%, face a 39,1% de maio, seguindo-se os preços da alimentação, álcool e tabaco - 8,9%, quando em maio tinha sido 7,5%.








Os números, que cresceram acima das expectaivas reforçam a possibilidade da primeira subida da taxs de juros do BCE, em 11 anos.

Em Portgal, o mês de junho registou a Inflação mais elevada desde dezembro de 1992.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) estima a taxa homóloga do Indíce de Preços no Consumidor (IPC) em 0,7%; dos 8% em maio para os 8,7%, em junho.