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POBREZA NA IMPRENSA

Um Observatório da EAPN Portugal

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27.3.23

Depois de semanas consecutivas a aumentar, o valor de um cabaz alimentar básico desceu 3,7%

Joana Pereira Bastos, in Expresso

O preço de um cabaz básico de 63 produtos alimentares, calculado pela DECO/Proteste, registou esta semana uma descida de 3,7%, a maior do último ano. Custa agora €226,15, menos €8,70 do que na semana passada.

De acordo com a DECO, a descida foi conseguida, sobretudo, graças à queda do preço de hortícolas como a couve (-19%) e a alface (-17%), e de peixes como o salmão e a pescada. Por quilo, o preço do salmão caiu €2,90 nos últimos sete dias (-17%) e a pescada custa agora menos €1,30 (-14,5%).

“Chegámos finalmente a uma semana onde há uma redução do preço do cabaz. Embora tímida, consideramos que é positiva, mas não sabemos qual é a origem da descida. Por essa razão, não conseguimos prever se se vai manter na próxima semana", afirma Ana Guerreiro, porta-voz da DECO/Proteste, que monitoriza diariamente a evolução do custo de 63 produtos alimentares desde janeiro do ano passado.

SUPERMERCADOS PRESSIONADOS A BAIXAR PREÇOS

A queda do preço do cabaz acontece numa altura em que as principais cadeias de supermercados em Portugal se encontram sob alta pressão. A ASAE tem vindo a apertar a fiscalização para detetar casos de especulação, tendo já sido levantadas dezenas de processos-crime. E há duas semanas o primeiro-ministro chamou a São Bento o diretor-geral da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) para pedir explicações sobre os aumentos de preços de vários produtos, sobretudo daqueles em que foram apuradas margens de lucro brutas acima dos 40%.

O Governo tem vindo a estudar medidas, como a fixação de margens de lucro, para conter a inflação dos produtos alimentares, que chegou em janeiro aos 21,1%, o valor mais elevado da Europa ocidental e que representa mais do dobro da taxa de inflação geral registada no país. E o Expresso sabe que o Executivo tem mesmo intenção de intervir, caso os preços não comecem a baixar, como, aparentemente, pode já estar a acontecer.

Segundo os dados da DECO, o custo do cabaz caiu pela primeira vez no último mês, depois de três semanas consecutivas a aumentar, em que foram sempre atingidos novos recordes de preços.

Ainda assim, o preço do cabaz mantém-se 23% acima do registado antes do início da guerra. Cebola, couve coração, cenoura e arroz carolino foram os produtos que mais aumentaram desde então, todos com subidas acima de 70%.

Por categoria, os lacticínios (+29%), a carne (+26%) e a fruta e legumes (+25%) foram as que mais encareceram, se compararmos o valor desta semana com o registado na semana anterior ao início da guerra na Ucrânia.
Posted by EAPN - Observatório de Imprensa at 1:33 p.m.
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Labels: APED, ASAE, Bens alimentares, Cabaz alimentar básico-descida de valor, Combate à inflação, Consequências da guerra na Ucrânia, Dados da DECO/Proteste, Governo, Portugal

17.2.23

Preço de bens alimentares aumentou: peixe e carne estão mais caros face ao ano passado

 in SIC

Os portugueses têm procurado produtos mais baratos. Os comerciantes notam uma quebra no consumo.O peixe e a carne estão entre os produtos que ficaram mais caros e os comerciantes notam já uma quebra no consumo.

De acordo com os dados da DECO, o peixe está entre os bens alimentares que mais encareceram. Está quase 27% mais caro do que há um ano.

O carapau sofreu a maior variação de preço, com o quilo a aumentar 2,40 euros.

No mercado de Matosinhos, nota-se uma mudança no movimento e nas carteiras dos portugueses.

Junto com o peixe, o preço da carne também foi alvo de subidas. As famílias compram menos e procuram o mais barato.

A subida dos custos de produção nota-se em particular na carne de vaca e na carne de porco.

Na categoria carne foram analisados sete produtos e face a fevereiro do ano passado, o aumento foi de quase 23%.

Posted by EAPN - Observatório de Imprensa at 10:27 a.m.
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Labels: Aumento do custo de vida, Bens alimentares, Bens essenciais, Inflação, Pobreza, Portugal, Subida de Preços

15.11.22

Portugal pode sofrer problemas de comida devido à seca e já é dos piores na pobreza energética

Luís Reis Ribeiro, in Dinheiro Vivo

Bruxelas. Portugal ainda não entra em recessão no ano que vem, mas leva com o maior balde de água fria: ritmo da economia é o que mais cai na Europa entre 2022 e 2023.

A crise da energia e a inflação estão a colocar a economia portuguesa num ponto perigoso: o país já é um dos mais afetados da Europa pelo risco de pobreza energética, indicou ontem a Comissão Europeia (CE).

Mas em cima disto há um problema latente e grave a formar-se: devido à incerteza global e a um fenómeno "específico" que afeta a Península Ibérica, a seca, Portugal pode sofrer "repercussões prolongadas no abastecimento alimentar", alerta a CE no capítulo dedicado à economia portuguesa.

Ontem, sexta-feira 11, a Comissão apresentou as novas previsões de outono e o quadro é mau, seja para Portugal, seja para os restantes países da União Europeia (UE).

O caso de Portugal, uma economia que se destacou até 2019 pelo forte crescimento, boa parte dele puxado por um setor turístico muito forte, depois interrompido pela pandemia, voltou a crescer muito em 2022, mas por um motivo menos bom: a inflação insuflou a faturação das empresas e a receita fiscal.

Mas em 2023 a maior parte desse efeito deve desaparecer, colocando a economia numa rota da estagnação.

Ontem, sobre Portugal, a CE ainda disse que se pode esperar uma retoma na segunda metade de 2023, mas que no ambiente atual de guerra, inflação e enorme incerteza, isso pode não se concretizar.

Para já, o cenário central é que Portugal, depois de um crescimento anómalo em pleno ano de crise energética (puxado num primeiro momento pela inflação muito alta), que a CE estima possa chegar a 6,6% (melhor até do que a estimativa do governo, que é de 6,5% de expansão real da economia em 2022), o país deve travar a fundo.

A previsão de crescimento avançada agora por Bruxelas relativa a 2023 é de 0,7%, quase metade do que diz o governo (1,3%) na proposta de Orçamento do Estado do ano que vem (OE2023).

O maior balde de água fria no crescimento

Cálculos do Dinheiro Vivo com base nas novas previsões da Comissão mostram que Portugal não entra ainda em recessão, mas terá o maior balde de água fria no crescimento: a taxa de expansão da economia é a que mais vai cair na Europa entre o valor obtido em 2022 e o previsto em 2023: é um arrefecimento de 5,9 pontos percentuais, o maior da UE.

Eslovénia, Hungria, Grécia e Croácia também vão sentir bastante a travagem das suas economias (um abatimento de 5 pontos percentuais na taxa de crescimento verificada este ano), mas não tanto quanto Portugal.

Fora estes cinco casos de arrefecimento súbito em 2023, há já países que devem entrar em recessão: é o caso da enorme Alemanha, a maior economia da UE, da Suécia e da Letónia.

Problemas de comida e pobreza na energia

Mas um dos pontos mais raros no diagnóstico divulgado ontem é mesmo a menção a problemas prolongados na oferta de produtos alimentares em Portugal, muito por causa da seca, algo que pode prejudicar ainda mais a economia a prazo.

"Os riscos para as perspetivas de crescimento de Portugal permanecem significativamente do lado negativo à luz do ambiente global incerto e dos riscos específicos do país relacionados com a grave seca na Península Ibérica, que podem ter repercussões prolongadas no abastecimento alimentar doméstico", atira a Comissão.

Ou seja, a seca que leva a maus anos agrícolas em Portugal e Espanha (país que fornece abundantemente Portugal com bens alimentares, por exemplo) pode conduzir a um aumento dos custos destes bens importados. Mais valor em importações significa menos PIB, logo, menos crescimento real. É essa a ideia.



Excerto da análise a Portugal nas previsões económicas de outono, 11/nov/2022

© Comissão Europeia

Em cima disto, um novo tipo de pobreza que foi relevado pela inflação e a guerra. Segundo um estudo incluído nas novas previsões, Bruxelas indica que Portugal está em quinto lugar no ranking do risco de pobreza energética. Piores do que Portugal estão Lituânia, Croácia, Letónia e Roménia.

A CE define risco de pobreza energética sempre que a fatura da luz e restantes formas de energia levam 30% ou mais do orçamento familiar, algo que se transforma num problema grave a partir do momento em que as famílias deixam de conseguir pagar as contas e começam a atrasar pagamentos. Que, como sabemos, pode levar a anulação de contratos.

Esse é o ponto crítico definido no estudo. Em Portugal, cerca de 10% da população já estará nesta situação limite de pobreza energética. É cerca de um milhão de pessoas, basicamente. A percentagem é a quinta maior da Europa.

A CE faz uma projeção das condições atuais e conclui que, se nada for feito ou se alterar, a inflação e a debilidade da economia podem empurrar mais 5% da população para uma situação limiar de pobreza energética.

A Lituânia, um dos países mais vulneráveis e dependentes da energia da Rússia (assim como muitos Estados do leste europeu), pode vir a ter 35% da população em risco de pobreza energética se a situação atual não desanuviar. É o pior caso projetado no estudo.

Pobreza energética em % da população que vive no limite financeiro para conseguir pagar as contas

© Comissão Europeia

A CE diz que o efeito do aumento dos preços da energia pode criar pobreza energética, que é quando "as famílias não têm acesso aos serviços energéticos essenciais", estando previsto um "aumento da pobreza energética como resultado do aumento do custo de vida". Ou seja, há famílias que estão ou vão sentir "um aumento da dificuldade financeira devido ao aumento dos preços da energia".

Sobre o caso português, o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, em resposta a uma pergunta da Lusa, disse reconhecer "o impacto substancial [dos apoios do governo a famílias e empresas] e penso que é importante abordar os riscos de pobreza energética, que, naturalmente, existem para vários Estados-membros".

"Não é fácil [acabar com apoios], mas é o nosso apelo", diz Gentiloni

Mas acrescentou logo que "o que sempre pedimos é que estas medidas sejam tão temporárias e direcionadas quanto possível; sabemos que não é fácil, mas é o nosso apelo", atirou o italiano.

A Comissão deixou ainda outros sinais. Por exemplo, a inflação prevista para este ano e o próximo em Portugal vai ser claramente mais elevada do que dizem governo e ministro das Finanças no OE2023.

Ou seja, a destruição do poder de compra das famílias portuguesas deve ser mais agressiva do que se anda a dizer, na leitura da CE.

O agravamento dos preços (inflação) deste ano deve disparar até uns históricos 8% e no ano que vem a inflação ainda se mantém muito elevada, suavizando apenas para 5,8%. Fernando Medina, no OE2023 entregue há cerca de um mês, previu uma inflação de 7,4% em 2022 e de apenas 4% em 2023.

Além disso, há a sombra da subida dos juros. Bruxelas teme que a inflação possa chegar a 6,1% em 2023, ou seja, mais do triplo do objetivo do BCE (2%), o que deve acelerar ainda mais as taxas de juro.

Posted by EAPN - Observatório de Imprensa at 4:11 p.m.
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Labels: Alimentação, Bens alimentares, Crise energética, Pobreza energética, Seca

24.10.22

Pandemia aumentou números de pobres pela primeira vez desde 2014

Por ECO e Lusa

No primeiro ano de pandemia, o número de pessoas em risco de pobreza ou de exclusão social aumentou 12,5% face a 2019. Foi a primeira vez desde 2014 que este número cresceu.

Em 2020, o número de pessoas em risco de pobreza ou de exclusão social aumentou 12,5% face a 2019. O ano da chegada Covid-19 marcou o primeiro ano desde 2014 em que cresceu o número de desfavorecidos cresceu, segundo os dados da Pordata para o Dia Internacional da Pobreza, citados pelo Diário de Notícias (acesso livre), pelo Jornal de Negócios (acesso pago) e Público (acesso condicionado).

“Portugal desviou-se da trajetória de redução da pobreza que vinha a fazer desde 2014. Em 2020 houve um agravamento. Sem os apoios sociais, 4,4 milhões são pobres ou têm rendimentos abaixo do limiar da pobreza [554 euros mensais], o que passa para 1,9 milhões após as transferências sociais”, afirma Luísa Louro, diretora da Pordata.

Nesse sentido, Portugal está ainda longe de atingir a meta de ter menos 765 mil pobres até 2030. Já no que diz respeito ao risco de pobreza ou de exclusão social, Portugal recuou a níveis de 2017 (43,7 % contra 43,5 %). Em relação aos 27 países da União Europeia, Portugal é o segundo em que há mais pessoas a viverem em más condições materiais, isto é, em alojamentos com más condições, com 25% da população nesta situação.
Instituições recorrem mais ao Banco Alimentar para enfrentar aumento de famílias carenciadas

O aumento generalizado do preço dos alimentos, a par do gás e da eletricidade, está a ter impacto nas instituições sociais, que fazem mais pedidos ao Banco Alimentar para conseguirem apoiar o número crescente de famílias que pedem ajuda.

O fenómeno, apesar de ainda não estar quantificado, já é sentido no Banco Alimentar Contra a Fome (BA) desde há algum tempo, com um aumento de pedidos por parte das instituições, não só porque têm mais famílias a pedir-lhes ajuda, como as próprias instituições “precisam de mais dinheiro para fazer face ao custo dos consumos das suas próprias cozinhas”, adiantou a presidente do BA, Isabel Jonet.

A ‘Ajuda de Mãe’ é uma das instituições que recebe bens alimentares através do Banco Alimentar, que usa, não só para a confeção de refeições nas três residências, onde acolhem grávidas adultas e adolescentes ou mães adolescentes com os seus bebés, mas também para a entrega de cabazes com alimentos e confeção de refeições no refeitório.

Em declarações à agência Lusa, a presidente desta associação de solidariedade social contou que em 2021 prestaram apoio a 1.200 famílias de mães grávidas com bens de primeira necessidade, além do apoio social e psicológico.

Madalena Teixeira Duarte adiantou que a Segurança Social atualizou em 2022, e desde janeiro, o valor das comparticipações pagas às instituições e que o reforço da verba paga para os acolhimentos residenciais também foi superior ao habitual “para fazer face ao aumento do custo de vida”, mas garante que “não é suficiente”.

“Só para lhe dar um exemplo: noutro dia estava a falar com a responsável por uma das residências, que me dizia que tudo o que dantes gastávamos em carne dava para dois meses e agora não chega para um mês e meio”, exemplificou, admitindo que isso possa vir a ter como consequência que mães e bebés tenham que “comer ligeiramente diferente”.

Por outro lado, apontou que a ‘Ajuda de Mãe’ está a apoiar mais famílias – em 2021 ajudou cerca de 700 – com a entrega de produtos de higiene ou fraldas porque também estes bens ficaram mais caros e, por isso, difíceis de adquirir por estas pessoas.

C. Lopes chegou a Portugal com a família, vinda do Brasil, em novembro do ano passado. Desempregada desde o sétimo mês de gravidez, precisou de recorrer à ‘Ajuda de Mãe’ há cerca de quatro meses, quando soube que teria de comprar medicamentos específicos para a asma e pele atópica de um dos seus três filhos e percebeu que só com o salário de cerca de 740 euros do marido não seria possível fazer face a todas as despesas de uma família de quase seis pessoas.

Da ‘Ajuda de Mãe’ tem agora “bastante suporte na gestação, cuidados, ajuda de alimentação”, esta última na forma de um cabaz de alimentos que chega a casa de C. com “o básico”, desde arroz, massa, feijão, azeite, “às vezes biscoitos para as crianças”, iogurtes, entre outras coisas. Carne, peixe ou fruta já tem de ser a família a comprar.

“Economizamos em tudo, em gás, em água. Agora também comecei a receber um cabaz da junta de freguesia e juntando os dois, um pouquinho daqui, um pouquinho dali, dá para poder passar o mês”, contou. Quando chegou em novembro, C. encontrou os produtos alimentares com “valores bem diferentes do que estão agora”.

“Coisas que eu comprava para as crianças, não compro agora. Eles gostam de bastantes frutas, verdura. O que eu compro nesta semana, [na] semana que vem já não compro por conta do preço. Os biscoitos aumentaram, o pão aumentou. Tem muita coisa de que eles gostam que eu não compro como no inicio. Aumentou tudo, na verdade”, lamentou. Ainda assim, e apesar das dificuldades, a segurança e a qualidade da escola pública justificam a decisão de imigrar para Portugal.

Segundo a presidente da ‘Ajuda de Mãe’, a instituição recebe do Banco Alimentar produtos bens como arroz, massa ou enlatados, com os quais ajuda cerca de 60 famílias e fornece as residências, enquanto de outros parceiros vêm as fraldas ou os produtos de higiene. Uma grande superfície doava o peixe, mas outro tipo de alimentos, como carne, fruta, legumes ou ovos é a própria instituição que tem de comprar.

Para fazer face a essa, como a outras despesas, a instituição também tenta criar fundos próprios e Madalena Teixeira Duarte contou que foi criado um projeto de combate ao desperdício em que os excedentes alimentares, e alguns donativos, eram transformados em doces e compotas, que depois eram vendidos no Natal. “De repente, o açúcar passou de 0,89 euros para 1,29 euros. Agora de que maneira é que as nossas compotas vão ser vendidas”, questionou.

A responsável alertou que “isto são tudo dificuldades que as instituições enfrentam”, não só no que compram no dia-a-dia, mas também com o aumento do preço do gás ou da eletricidade, mas também porque lhes “restringe esta capacidade de angariação de fundos que depois iria contribuir para o apoio efetivo” de famílias.

Segundo a presidente da ‘Ajuda de Mãe’, o aumento do custo de vida vai obrigar a instituição a repensar gastos e se calhar a abdicar de alguns projetos, já que aliado ao aumento dos preços estará o aumento do salário mínimo nacional em 2023.

Madalena Teixeira Duarte receia que o futuro vá “ser um tempo difícil”, com cada vez mais pessoas a pedir ajuda junto das instituições, uma realidade que a presidente do Banco Alimentar constata diariamente, quando abre os mails que chegam à sua caixa de correio eletrónico.

Segundo Isabel Jonet, para já, há mais pedidos de ajuda, mas ainda não há redução no número de doações, tendo em conta que a mais recente campanha de recolha decorreu em maio e a próxima será no final de novembro. Ao mesmo tempo, o volume doado pela indústria e pela agricultura mantém-se inalterado, o que poderá querer dizer que ou ajustaram a produção ou mantêm o volume de vendas.

Defendeu que deve ser explicado às famílias que a conjuntura atual não é de curto prazo e alertou que a inflação vai refletir-se por largos meses nos orçamentos das famílias, com “maior incidência nas famílias mais carenciadas porque não têm folga orçamental”.

Para a presidente do BA, é, por isso, “muito previsível que vá aumentar o número de pessoas que vão ficar numa situação muito difícil e em pobreza”, tendo em conta o aumento dos preços dos alimentos, da energia e das taxas de juro em simultâneo.

(Notícia atualizada às 9h02 com mais informação)
Posted by EAPN - Observatório de Imprensa at 9:24 a.m.
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Labels: Ajuda alimentar, Aumento custo de vida, Aumento da pobreza - Portugal, Banco Alimentar, Bens alimentares, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, Pandemia, PORDATA, Portugal

23.10.22

"Em situação de desespero." Furtos de alimentos nos supermercados aumentam

Por Cátia Carmo com Maria Augusta Casaca, in TSF

Vice-presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza confessa à TSF que não está surpreendida.

A vice-presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza diz que há pessoas desesperadas

Numa altura em que o cabaz básico de alimentos em Portugal está mais caro do que nunca há cada vez mais furtos de alimentos. Conservas, salsichas, atum e também pacotes de leite estão entre os produtos mais roubados, segundo o semanário Expresso.

O presidente da Associação das Empresas de Distribuição, Gonçalo Lobo Xavier, confirmou que os furtos estão a subir bastante, sobretudo desde o início de setembro e nos grandes centros urbanos de Lisboa e Porto. Já Joaquina Madeira, vice-presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, não está surpreendida. Há pessoas desesperadas.

"Não me surpreende pela evolução e impacto que tem vindo a acontecer sobre os agregados familiares em geral e em particular sobre determinados grupos específicos, sobretudo aqueles que têm crianças. As pessoas estão, muitas delas, em situação de desespero, sobretudo os agregados mais vulneráveis e não só. As pessoas idosas, muito frágeis, e até pessoas que trabalham e cujo rendimento é insuficiente para terem uma vida digna. Estão em stress e, às tantas, começam a ficar completamente incapazes de resolver o seu problema. O desespero leva a comportamentos que são censuráveis, mas tem de haver uma certa compreensão por trás disso", explicou à TSF Joaquina Madeira.

A responsável defende que devem ser tomadas medidas urgentes porque é preciso atuar já.

"É preciso tomar medidas todos os dias, a começar pelos poderes políticos. É preciso um plano de emergência para acudir às necessidades básicas. Para já, não podemos admitir que existam portugueses, em Portugal, com fome. A pobreza é números, mas é sobretudo pessoas e famílias. Falta, por um lado, alargar em termos territoriais, a identificação de pessoas que se encontram nesta situação. Naturalmente que há pobreza envergonhada, muitas das pessoas que tinham uma vida equilibrada, de classe média baixa que viviam bem, neste momento têm vergonha da sua situação. É preciso que haja proatividade por parte das organizações para conhecer estas situações. Já se faz muita coisa, mas é preciso fazer mais e melhor", alertou a vice-presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza.
Posted by EAPN - Observatório de Imprensa at 5:34 p.m.
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Labels: Aumento dos preços, Bens alimentares, Crise, EAPN Portugal - Joaquina Madeira, Pobreza

21.10.22

“As pessoas estão desesperadas, escondem latas de atum e leite para comer ou dar aos filhos”: furtos de alimentos disparam nos supermercados

Joana Pereira Bastos, Rui Gustavo, Bernardo Mendonça, in Expresso

Supermercados estão a colocar alarmes em produtos alimentares básicos, como latas de atum ou garrafas de azeite. Os furtos estão a aumentar “desde o início de setembro” por “pessoas que já não conseguem sobreviver só com o seu salário e pensão”. Quase 2 milhões de portugueses vivem com menos de €554

Vários supermercados estão a colocar alarmes em produtos alimentares básicos, como o bacalhau ou o salmão congelados, e até em garrafas de azeite ou latas de atum. Segundo a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), que representa o sector, o investimento na instalação de mais sistemas de segurança é justificado pelo aumento dos furtos de alimentos, que se acentuou nos últimos meses, com o agravamento do custo de vida.

“É um fenómeno que está efetivamente a subir bastante, sobretudo desde o início de setembro e em particular nos grandes centros urbanos de Lisboa e do Porto”, diz o diretor-geral da APED, Gonçalo Lobo Xavier, adian­tando que o leite e a comida enlatada, como as salsichas e o atum, estão entre os produtos mais visados. “Não há nenhuma dúvida que são roubos para comer. É o primeiro sintoma de uma grave crise social”, alerta.

Cláudio Ferreira, presidente da Associação Nacional de Vigilância e Segurança Privada, sector que garante o patrulhamento dos supermercados, confirma: “Nos últimos dois a três meses nota-se um aumento muito significativo dos furtos de alimentos por parte de pessoas que já não conseguem sobreviver com o seu salário ou pensão. Estão desesperadas e escondem na mala ou no casaco pacotes de leite ou latas de atum para comer ou dar aos filhos.”

Os dados da PSP só vão até junho, mas já mostram a tendência. Só nos primeiros seis meses deste ano foram participados à polícia 452 furtos em super e hipermercados, a uma média de 2,5 por dia. Se o ritmo se mantivesse, no final do ano o volume de ocorrências seria pelo menos 40% superior ao registado no ano passado. Mas o crescimento de casos acelerou neste segundo semestre, quando mais disparou a inflação.

Muitas situações, no entanto, não chegam a ser participadas às autoridades. “São casos de necessidade que dão muita pena. E quando assim é, não costumamos chamar a polícia”, relata Edson Alves, que trabalha como segurança num supermercado da Areo­sa, no Porto. Nos últimos meses, o vigilante, de 49 anos, tem detetado cada vez mais tentativas de furto de alimentos. “Temos apanhado muitos idosos a tentar levar pão, salsichas ou atum. Há pouco tempo vi um idoso a tentar roubar batatas e uma senhora de idade a esconder pastéis de bacalhau no bolso. Quando a abordei, pediu muita desculpa e explicou que tinha fome. E há mulheres com filhos que dizem que já não têm como lhes dar de comer. É muito triste. Chego a dizer-lhes: ‘Prefiro que me peçam. Não sou rico, mas posso oferecer alguma coisa.’ E eu próprio vou à caixa pagar”, conta.

No supermercado onde trabalha, o aumento dos furtos levou a gerência a instalar alarmes em alimentos como o polvo congelado e a picanha e a diminuir as quantidades de produtos expostos nas prateleiras, como acontece com o café. A par das conservas, o café “é neste momento um dos artigos mais suscetíveis de furto”, segundo disse ao Expresso fonte do Continente, sem, no entanto, adiantar números quanto à dimensão do fenómeno.

Nas grandes cadeias de distribuição, cada loja tem autonomia para decidir a instalação de alarmes nos produtos em que se registem maiores quebras de stock, o que significa que os artigos com alarme podem variar de estabelecimento para estabelecimento. A instalação deste sistema de segurança é dispendiosa e só é feita quando o custo compensa o que se perderia em furtos. E nos últimos meses têm sido cada vez mais os supermercados a avançar para este investimento.

“Está a haver um problema grave de quebra de stock por furto, sobretudo nas lojas de rua e não tanto nos hipermercados”, justifica o responsável de uma das maiores cadeias, que prefere não ser identificado. Em causa já não estão apenas artigos de perfumaria e álcool premium, tradicionalmente os que mais desapareciam e que já era costume terem alarmes, mas cada vez mais “produtos alimentares básicos, como o bacalhau e o atum”, diz.

Ao Expresso, o Auchan garante que “não tem verificado aumento de furtos em nenhuma das lojas” e que a instalação de alarmes não passa de uma “prática preventiva de há já vários anos”. Mas a verdade é que não há memória de ver alarmes em latas de atum, por exemplo, como acontece, desde há pouco tempo, em algumas lojas de rua desta marca. Contrariando as declarações oficiais, dois funcionários de um supermercado desta cadeia, no centro de Lisboa, explicaram o motivo do recente reforço de segurança: “Estamos a colocar alarmes nas latas de atum, nas garrafas de azeite e no bacalhau porque ultimamente têm sido muito roubados. Há quem os leve em mochilas para depois os vender a preço mais baixo no mercado negro.”

O crescimento de mercados paralelos, onde os produtos são vendidos mais baratos do que no comércio legal, é comum em períodos de crise, sobretudo em países atingidos por uma inflação galopante, como acontece historicamente em África e na América Latina. Em Portugal, como um pouco por toda a Europa, o início da guerra na Ucrânia provocou uma escalada de preços, em particular nos bens alimentares. No mês passado a taxa de inflação destes produtos chegou aos 16,9%, o valor mais elevado desde julho de 1990 (ver gráfico).

MAIS PEDIDOS DE AJUDA ALIMENTAR

“Há produtos essenciais que efetivamente começam a ter um preço inacessível para as famílias mais caren­ciadas. Neste momento há muito mais pessoas que já não estão a conseguir assegurar a sua alimentação básica. Admito que, em desespero, recorram a tudo, até a roubar para comer”, vinca Rita Valadas, presidente da Cáritas.

Quase dois milhões de portugueses vivem com menos de €554 por mês e a população em risco de pobreza está a aumentar. Cerca de 500 mil pessoas dependem de apoio alimentar e o número de pedidos está a subir de forma acentuada, alerta a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome, Isabel Jonet. “Só o leite, por exemplo, aumentou 35%. A escalada de preços é brutal e as famílias mais pobres, que já viviam no limite, não têm nenhuma margem para suportar estes aumentos”, confirma.

Perante o crescimento dos pedidos de ajuda, há o risco de a própria rede de emergência colapsar e de as institui­ções no terreno não chegarem a todos os que precisam. E mesmo os cabazes distribuídos não são suficien­tes para satisfazer as necessidades básicas de uma família, resultando sobretudo de doações de excedentes dos produtores agrícolas, da indústria alimentar e dos supermercados.

“Os nossos associados apoiam com distribuição de alimentos mais de mil IPSS, mas estas já não estão a conseguir dar resposta e chegam-nos cada vez mais pedidos de ajuda”, revela o presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição.

Perante a dimensão do problema, Gonçalo Lobo Xavier defende que é urgente aumentar os apoios do Estado às famílias. Mas garante que as cadeias de supermercados — cujos lucros dispararam nos últimos meses — querem contribuir para a solução. “Estamos a pensar em mecanismos para ajudar as pessoas mais caren­ciadas”, informa.
Posted by EAPN - Observatório de Imprensa at 3:15 p.m.
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Labels: Bens alimentares, Bens alimentares básicos, Escassez de alimentos, Especulação de preços, Famílias, Pobreza, Subida de Preços

11.7.22

Cabaz de alimentos mais caro

in Rádio Voz da Planície

O iogurte líquido de morango, a maçã "Golden" e a pescada fresca foram os alimentos que registaram "maiores subidas de preço" nos últimos dias.O preço dos bens alimentares continua a subir. Entre 29 de junho e 6 de julho, o preço de um cabaz de bens alimentares considerados essenciais aumentou cerca de três euros, sendo que agora custa mais de 206 euros, de acordo com uma monitorização realizada pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO).

"Os dez produtos com maiores subidas de preço foram o iogurte líquido de morango (mais 10%), a maçã Golden (mais 10%), a pescada fresca (mais 8%), o tomate (mais 8%), o açúcar branco granulado (mais 7%), a perca (mais 7%), o azeite virgem extra (mais 7%), a cebola (mais 7%), o queijo flamengo (mais 6%) e o salmão (mais 6%)", revela a DECO.

Desde 23 de fevereiro deste ano que a DECO tem monitorizado, todas as quartas-feiras, com base nos preços recolhidos no dia anterior, os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais que inclui bens como peru, frango, pescada, carapau, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.

"Esta análise tem revelado aumentos quase todas as semanas, com alguns produtos a registarem subidas de preços de dois dígitos de uma semana para a outra", adianta a associação.
Posted by EAPN - Observatório de Imprensa at 2:23 p.m.
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Labels: Bens alimentares, Bens essenciais, Cabaz de alimentos, DECO, Pobreza, Subida da inflação

28.4.22

Cabaz de alimentos aumenta quase 10%

Fátima Casanova, in RR

Ir ao supermercado ou ao mercado está cada vez mais caro. O peixe e a carne são as categorias que mais contribuíram para essa variação.

Por causa da guerra, os preços dos bens alimentares estão a disparar. Em dois meses de invasão russa na Ucrânia, o valor do cabaz de alimentos monitorizado pela DECO /Proteste aumentou quase 10%.

O peixe e carne são as categorias que mais contribuíram para essa variação.

“Na carne uma variação de cerca de 13% e o peixe particamente 20%. São estas duas categorias que ao longo da nossa monotorização têm realmente conhecido as maiores variações”, contabiliza “Vitor Machado, da Deco/Proteste.

“Isto significa que o cabaz custa mais 17 euros do que praticamente há dois meses. É quase um anota de 20 euros que os consumidores têm que dar.”

O cabaz é composto por 63 alimentos, como massas, cereais, leite ou enlatados, em dois meses passou dos 180 para os 200 euros.

No início do mês, a associação alertou para o facto de ter aumentado o número de famílias com dificuldades para pagar os empréstimos, no primeiro trimestre de 2022. De acordo com o gabinete de proteção financeira, subiu o incumprimento para pagar as prestações do crédito pessoal e dos cartões de crédito. Já o empréstimo de casa registou uma acentuada diminuição de quebras de contrato.

Na altura, em declarações à Renascença, Natália Nunes sugere que a explicação pode estar nas moratórias praticadas pela banca por causa da pandemia.

Em média, por dia, 44 famílias pediram ajuda para reestruturar as dívidas, no primeiro trimestre deste ano. Um número que subiu face ao mesmo período de anos anteriores e que surpreende a coordenadora do Gabinete de proteção financeira.

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19.4.22

Costa diz que OE 2022 tem mais 1200 milhões de euros em apoios para empresas e famílias

in Público

“A guerra na Ucrânia exige-nos ainda novas respostas”, afirma o primeiro-ministro.

O primeiro-ministro afirma que a proposta de orçamento, entre descidas de impostos e subvenções, prevê mais 1200 milhões de euros destinados a apoiar empresas e famílias para fazer face à crise aberta pela guerra na Ucrânia.

Este dado consta de uma mensagem vídeo de António Costa sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2022 – diploma que foi aprovado em Conselho de Ministros extraordinário realizado na terça-feira e que é entregue esta quinta-feira pelo ministro das Finanças, Fernando Medina, na Assembleia da República.

“A guerra na Ucrânia exige-nos ainda novas respostas. A proposta de Orçamento do Estado permite financiar o conjunto de medidas que adoptámos para mitigar o aumento dos preços dos bens energéticos e agro-alimentares e conter a inflação”, sustenta o líder do executivo na sua mensagem.

De acordo com António Costa, “entre descidas de impostos e subvenções, a proposta de orçamento prevê mais de 1200 milhões de euros de apoio às empresas e às famílias para fazer face à crise aberta com a guerra na Ucrânia”.

“Este é, portanto, um orçamento de respostas concretas e que nos faz avançar. Um orçamento ajustado à nova conjuntura, sem nunca se desviar dos objectivos estruturais e sem abandonar a trajectória de consolidação orçamental responsável, com contas certas”, defende o primeiro-ministro.

Na sua mensagem, António Costa começa por observar que “cinco dias depois de o Governo assumir funções” entrega já esta quinta-feira a proposta de Orçamento do Estado de 2022 na Assembleia da República, “para que possa ser discutida e aprovada o mais rapidamente possível”.

“Este orçamento mantém as prioridades que apresentámos no final de 2021, porque mantemos os mesmos objectivos estratégicos e a mesma ambição para o país: acelerar o crescimento e reforçar a coesão social. É um orçamento dirigido à classe média, centrado nos jovens e amigo do investimento e que cumpre todos os compromissos que assumimos”, considera.

O primeiro-ministro assinala depois que o seu executivo vai “concretizar finalmente o aumento extraordinário das pensões, com efeitos a 1 de Janeiro”.

“Vamos reduzir os impostos sobre a classe média, por via do desdobramento de escalões, e isentar de IRS mais 170 mil famílias, com menores rendimentos. Vamos aumentar até ao triplo as bolsas para os jovens que pretendem fazer mestrados e reduzir os impostos para aqueles que iniciam a vida activa, reforçando e alargando o IRS jovem”, aponta, numa alusão a algumas das medidas orçamentais da área fiscal e que foram prometidas na campanha eleitoral para as legislativas de 30 de Janeiro.

António Costa destaca também que o Orçamento terá medidas para “aumentar os recursos do Serviço Nacional de Saúde (SNS)” e para “reforçar os apoios à infância com o início da gratuitidade geral das creches”.

“Começaremos pelas crianças do 1.º ano, e com a criação da garantia infantil, que nos permitirá retirar 120 mil crianças da situação de pobreza extrema”, especifica.

Para as empresas, segundo o primeiro-ministro, o executivo irá “continuar a apoiar o seu crescimento e consolidação”, dando como exemplos o “incentivo fiscal à recuperação (para estimular o investimento privado) e o fim do pagamento especial por conta, aliviando a tesouraria das pequenas e medias empresas (PME)”.

António Costa advoga ainda que na proposta orçamental do Governo será melhorado o enquadramento fiscal para “promover o empreendedorismo e a fixação de talento”.

“A par do investimento privado, este orçamento reforça também o investimento público. E concretiza as reformas e os investimentos transformadores do Plano de Recuperação e Resiliência”, acrescenta.
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Labels: Bens alimentares, Consequências guerra na Ucrânia, Crise, Empresas, Energia, Famílias

25.3.22

Guerra está a aumentar desnutrição e pode causar mais fome no mundo - ONU

in Sapo24

A invasão russa da Ucrânia está a fazer subir as taxas de desnutrição na Rússia e na Ucrânia e pode aumentar a fome em todo o mundo, alertou hoje o relator da ONU sobre o direito à alimentação.

"A fome aumentou no mundo nos últimos três anos, mas a invasão da Rússia agora está a levar a fome a mais lugares do planeta", destacou Michael Fakhri, em comunicado hoje divulgado.

O especialista da ONU pediu, por isso, o fim dos ataques "antes que as consequências se tornem mais profundas e de mais longo prazo para a segurança alimentar global".

Fakhri lembrou que a Ucrânia e a Rússia estão entre os cinco maiores exportadores de cereais do planeta e alertou que o conflito entre os dois já está a ter consequências na oferta de alimentos em países como o Egito, a Turquia, o Bangladesh ou o Irão, que importam mais de 60% do trigo que consomem desses dois países.

O risco estende-se a outros grandes importadores como o Líbano, a Tunísia, o Paquistão ou países em conflito como o Iémen, alertou o relator.

A Ucrânia alertou na quinta-feira a Organização Mundial do Comércio (OMC) de que pode ser forçada a restringir as suas exportações de alimentos se o conflito se prolongar.

O Programa Alimentar Mundial da ONU (PAM) também alertou hoje, através do seu coordenador na Ucrânia, Jakob Kern, que "as consequências da guerra estão a espalhar-se e irão causar uma vaga colateral de fome no planeta".

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia.

Embora admitindo que "os números reais são consideravelmente mais elevados", a ONU confirmou, até à data, pelo menos 780 mortos e 1.252 feridos entre a população civil, incluindo várias dezenas de crianças, na sequência da ofensiva militar russa.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, e muitos países e organizações impuseram à Rússia sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.


PMC // JH
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Labels: Bens alimentares, Desnutrição, Fome, Guerra na Ucrânia

17.2.22

FAMÍLIAS POBRES ESTÃO A RECEBER CADA VEZ MENOS BENS ALIMENTARES EM PROGRAMA DE APOIO

in TVI

Em causa está o Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas. Uma situação justificada pelo Ministério da Segurança Social com impugnações judiciais interpostas pelos concorrentes nos concursos públicos

As famílias beneficiárias do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC) estão a receber cada vez menos bens alimentares por mês, uma situação justificada pelo Ministério da Segurança Social com impugnações judiciais interpostas pelos concorrentes nos concursos públicos.

De acordo com o Jornal de Notícias (JN) desta segunda-feira, as famílias beneficiárias do POAPMC, criado para combater a pobreza e a exclusão social em Portugal, estão a receber cada vez menos bens alimentares, com a situação a agravar-se nos últimos cinco meses

A situação, escreve o JN, é justificada pelo Ministério da Segurança Social com "impugnações judiciais interpostas pelos concorrentes" nos concursos públicos de compra de produtos, "a demora na análise da emissão dos pareceres técnicos da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e a exigência da União Europeia na tramitação procedimental associada" a esses concursos de aquisição.

O Ministério da Segurança Social, gestor do programa, citado pelo JN, admite a existência de "falhas na entrega de alguns produtos" e diz que "a situação está a ser gradualmente ultrapassada", assegurando que "alguns produtos serão distribuídos este mês".

No entanto, assistentes sociais e beneficiários garantem que os cortes são constantes.

O POAPMC é um instrumento de combate à pobreza e à exclusão social que visa diminuir situações de “vulnerabilidade que colocam em risco a integração das pessoas e dos agregados familiares mais frágeis, reforçando as respostas das políticas públicas existentes”.

De acordo com dados referidos pelo JN, existem 120 mil beneficiários de cabazes alimentares no país.
Posted by EAPN - Observatório de Imprensa at 4:45 p.m.
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Labels: Ajuda alimentar, Bens alimentares, Familias carenciadas, POAPMC

26.5.20

Bloco quer rede de entregas de produtos dos mercados municipais de Lisboa

Por Notícias ao Minuto

O vereador do BE na Câmara de Lisboa vai propor a criação de uma rede de entregas ao domicílio dos produtos dos mercados municipais, alargando um serviço que já é fornecido em alguns deles às 24 freguesias da cidade.

A proposta, que vai ser discutida na reunião pública da autarquia agendada para quarta-feira, prevê "a implementação de uma rede municipal de entregas locais para apoio aos mercados municipais e aos pequenos comerciantes, dotando-se dos recursos humanos necessários para o efeito".

O objetivo é modernizar as entregas dos mercados municipais, "levando-as a mais casas e assegurando o distanciamento social ainda necessário", de acordo com uma nota do gabinete do vereador com o pelouro dos Direitos Sociais, Manuel Grilo.

"A proposta do Bloco centra-se em três pontos: um serviço público de entregas, apoio aos comerciantes na utilização de ferramentas informáticas e um apoio às tesourarias, tão necessário depois de dois meses sem faturação", refere Manuel Grilo, citado na nota.

Salientando que por toda a cidade se veem motas e bicicletas "com precários mal pagos a levar comida e bens onde são necessários", o vereador do BE defende que a autarquia precisa de "acompanhar esta onda, mas de outra forma".

"Precisamos de expandir a presença dos produtos frescos dos nossos mercados, chegando a quem não consegue ir aos mercados, mas garantindo que quem faz as entregas tem um vínculo público, condições laborais dignas, assim como um salário garantido", preconiza.

Com esta medida, defende o BE, partido que tem um acordo de governação da cidade com o PS, será possível alargar um serviço que já é fornecido por alguns mercados da cidade, "mas que, com apoio da Câmara Municipal de Lisboa, tem possibilidade de se estabilizar e expandir para todas as 24 freguesias".

Na proposta que será discutida na quarta-feira, a que a Lusa teve acesso, está ainda previsto apoiar, em conjunto com as Juntas de Freguesia, os pequenos comerciantes na utilização de ferramentas informáticas e soluções 'web' para as encomendas e a criação de um programa de apoio de tesouraria para estes pequenos negócios.

Com o apoio à tesouraria do pequeno comércio e a literacia informática dos comerciantes, o serviço de entregas poderá, no futuro, ser alargado a outras áreas, como as "Lojas com História" e as livrarias independentes, defende o BE na nota.
Na proposta, Manuel Grilo salienta que a crise social provocada pela pandemia de covid-19 "poderá ser arrasadora e revelar dados preocupantes a nível da fome" e, ao mesmo tempo, colocou produtores e vendedores de produtos alimentares em grandes dificuldades para escoar os seus produtos, quer pelas regras do confinamento, quer pelas dificuldades financeiras das famílias.

"É este o tempo de assegurar uma rede municipal de distribuição destes produtos, reconhecendo a importância dos mercados através do apoio e intervenção na modernização destes pequenos comerciantes, permitindo a entrega de produtos frescos de qualidade de forma reinventada, com encomendas 'online', 'mbway' ou mesmo uma rede de entregas locais", lê-se no documento.

Portugal contabiliza 1.330 mortos associados à covid-19 em 30.788 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia, divulgado na segunda-feira.
Relativamente ao dia anterior, há mais 14 mortos (+1%) e mais 165 casos de infeção (+0,5%).
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Posted by EAPN - Observatório de Imprensa at 11:27 a.m.
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Labels: BE, Bens alimentares, Coronavírus, COVID-19, Mercados Municipais de Lisboa, Pandemia, Rede de Entrega ao Domicilio

20.5.20

Viseiras de proteção são trocadas por alimentos para sem-abrigo

por Notícias de Coimbra

Um grupo de três profissionais da área da informática, residentes na Figueira da Foz, está a produzir equipamentos de proteção individual para entidades ou cidadãos necessitados face ao novo coronavírus, pedindo, em troca, alimentos para os sem-abrigo.

Intitulado “233-SOS-Makers”, denominação que integra o indicativo de telefone fixo da Figueira da Foz e a referência aos artesãos dos tempos modernos (maker’s), que usam impressoras a três dimensões (3D) para dar corpo aos seus projetos, o grupo nasceu no final de abril de uma ideia colaborativa de David, Marco e Luís, que já integravam o movimento nacional que está a fazer produção artesanal daqueles equipamentos.
Ouvido pela agência Lusa, David Sopas, perito em segurança informática, por estes dias transformado em ativista social e um dos mentores do grupo da Figueira da Foz, explicou que os três amigos chegaram a produzir centenas de viseiras de proteção, no pico da pandemia de covid-19, para várias instituições, que foram fornecidas pelo movimento que tem milhares de utilizadores.

“Agora, já não faz sentido ser em grande número, porque as empresas que trabalham com plásticos e outros materiais têm toda a legitimidade para o fazer e devem fazê-lo. Porque o comércio precisa de vender e a economia tem de avançar”, defendeu David Sopas.

O projeto do “233-SOS-Makers” passou, assim, por produzir em pequenas quantidades, a nível local, com a diferença assente numa ideia de Patrícia Oliveira, mulher de David: pedirem bens alimentares em troca das viseiras, para os entregarem a uma instituição, a C.A.S.A., que dá apoio a cidadãos sem-abrigo.

As viseiras, mas também os ‘salva-orelhas’ – objeto colocado na parte de trás da cabeça, que permite prender os elásticos das máscaras – “são feitos em pequenas quantidades e entregues a pessoas que necessitem mesmo deles, como profissionais que estão na linha da frente do combate à pandemia ou doentes oncológicos que tenham dificuldades em adquirir os equipamentos”, entre outros.
“Em troca, pedimos alimentos e as pessoas dão o que puderem, não há uma tabela. Mas a Figueira da Foz é uma cidade extremamente solidária, já aconteceu por duas presilhas para as orelhas nos darem três volumes de pacotes de leite”, observou David Sopas.

Bens recolhidos em troca de viseiras
Na página criada na rede social Facebook, o grupo de ‘maker’s’ vai atualizando o número de géneros alimentares recebidos e entregues à instituição de apoio aos sem-abrigo, que, na terça-feira, ascendiam a quase 300 unidades, com destaque para o leite, conservas, bolachas e cereais.

E se uma clínica dentária, que requereu equipamentos de proteção para os seus profissionais, entregou em troca géneros alimentícios “porque o pode fazer”, a instituições como os Bombeiros Voluntários ou delegações da Cruz Vermelha do concelho da Figueira da Foz aqueles foram entregues sem a ‘regra’ da troca por bens alimentares, “porque nesses casos não faz sentido pedir nada, estamos a ajudar quem a todos ajuda”, precisou.
“Mas também houve quem nos pedisse 100 viseiras e eu recomendei uma empresa que as está a fazer e precisa de produzir. Não é a minha área de negócio, a empresa onde trabalho [em segurança informática e agora a partir de casa] está em funcionamento e não recorreu ao ‘lay off'”, disse David Sopas.

Por outro lado, o processo de produção artesanal, explicou, acaba por ser algo moroso e privilegia a qualidade em detrimento da rapidez.

“Ao início, quando não havia equipamentos em lado nenhum, uma viseira fazia-se em 40 minutos. Agora, é feita com outro cuidado e já demora quase duas horas. Montá-las com os devidos cuidados é mais complicado que a própria impressão 3D, temos de desinfetar muito bem os acetatos e arranjar acetatos com a grossura indicada, o que às vezes não é fácil”, notou o perito informático.

Depois de três semanas de atividade, o projeto criado na Figueira da Foz, no litoral do distrito de Coimbra, já teve eco nas Caldas da Rainha, no distrito de Leiria, onde a ideia da troca por bens alimentares foi adotada por uma instituição social, com a colaboração do grupo “233-SOS-Makers”.

Segundo David Sopas, a instituição em causa “apoia 75 casais, faz sopa todos os dias, mas já tem falta de batatas e outros produtos”.
“Esta semana estamos a fazer 100 viseiras para lhes entregar, para que as possam trocar pelos géneros alimentícios de que necessitam. No sábado, vamos entregá-las, saímos da Figueira com a esperança de sorrisos nas Caldas da Rainha”, rematou.

Posted by EAPN - Observatório de Imprensa at 10:14 a.m.
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Labels: Bens alimentares, Coimbra, COVID-19, Figueira da Foz, Iniciativas sociais, Pandemia, Projeto do “233-SOS-Makers”, Proteção, Sem abrigo, Viseiras, Voluntariado

4.12.15

Escolas de hotelaria vendem bolo rei solidário

In "TVI 24"

Venda dos bolos-reis feito pelos alunos reverte para instituições. Cerca de 2500 bolos-reis vão estar à venda nas escolas de hotelaria
Posted by EAPN - Observatório de Imprensa at 11:36 a.m.
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Labels: Bens alimentares, Natal, Solidariedade

11.11.15

Fundação AMI promove recolha de bens alimentares

In "Diário de Coimbra""

A Delegação Centro da Fundação AMI, vai realizar no próximo fim-de-semana uma recolha de bens alimentares destinados aos seus utentes.
Assim, a recolha vai decorrer em várias grande superfícies da cidade, nomeadamente nos hipermercados Continente, no Forum Coimbra, Coimbra Shoping e também na cidade deCantanhede.
Nesse sentido, a Fundação AMI está a procurar voluntários, para que disponibilizem algumas horas do fim-de-semana pa ra ajudar nesta recolha.
Os interessados em colaborar devem contactar o mail delegação.centro@ami.org.pt ou 239842705/ 962538426.
Posted by EAPN - Observatório de Imprensa at 2:30 p.m.
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Labels: AMI, Bens alimentares, Coimbra, Voluntariado

29.7.13

Há 30 anos que não se consumia tão pouco

por Ana Serafim, in Sol

Há pelo menos 30 anos que os portugueses não cortavam tanto no consumo de produtos básicos como leite, fruta ou pão. No primeiro semestre deste ano, a compra de bens de grande consumo caiu 3,7%, mesmo que as idas às compras até tenham tido uma ligeira subida de 0,3%, indicam dados da Kantar WorldPanel, que analisa 4.000 lares de Portugal continental.
De cada vez que os consumidores foram ao supermercado, o volume de artigos postos no carrinho diminuiu 4,9%. “É a primeira vez que temos uma queda desta magnitude no volume dos produtos de grande consumo. Este é o sector que mais resiste à crise. Deve ser a quebra mais acentuada dos últimos 20 ou 30 anos”, refere Paulo Caldeira, um dos directores da consultora.

Desde o final de 2011 que estas categorias de artigos já davam sinais de quebra, mas nunca tão acentuada. Nas últimas décadas, os bens de grande consumo até haviam ganho preponderância, com a diversificação da oferta.

“Este já é um ajuste muito importante das famílias. Não estamos a falar de comprar menos roupa ou carros. Estamos a falar do que é básico, onde 84% é alimentação”, reforça a outra directora, Sónia Antunes.

A análise semestral da Kantar mostra que o consumidor português está em ‘modo de sobrevivência’: compra o essencial, foca-se na alimentação, corre pelos melhores preços e promoções, reduz stocks e gastos supérfluos. Por cada acto de compra, a aquisição de azeite caiu 25,7%, a farinhas diminuiu 12%, a de pão 9,5%, e a de fruta 7,4%.

Feitas as contas, a quebra do volume consumido em Portugal já alcançou a da Grécia, cujo pico da queda do consumo destes bens (-3,9%) aconteceu no segundo semestre de 2012. Na Irlanda, a maior redução foi de 1,5%, no primeiro semestre de 2011, e a maior quebra em Espanha – que actualmente já não está a perder volume nos bens de grande consumo – foi de 1,1%.
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Labels: Bens alimentares, Bens de primeira necessidade, Consumo, Famílias, Queda consumo privado

12.3.13

Contenção já chegou à compra de alimentos

Luís Reis Ribeiro, in Jornal de Notícias

O ano de 2012 ficou marcado por uma tendência recente na economia. As famílias começaram a cortar na despesa com bens alimentares, contribuindo assim para o agravamento da recessão.

É a primeira vez que tal acontece na série anual divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) relativa ao Produto Interno Bruto, que remonta a 1996.
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Labels: Bens alimentares, Consumo, Crise, Familias carenciadas

7.12.12

Nações Unidas apelam a mais investimento na agricultura

Ana Fernandes, in Público on-line

A agricultura é a melhor estratégia para combater a fome e a pobreza no mundo. E o necessário investimento neste sector tem de colocar os agricultores no centro das decisões.

É uma verdade milhares de vezes repetida, mas ainda de lenta aplicação. Por isso, as Nações Unidas insistem: para combater a fome, a aposta é – tem de ser, deveria ser – na agricultura. O investimento deve ser para aí canalizado, não sob a forma de subsídios, mas na criação de condições para que os agricultores possam investir e prosperar.

No seu relatório anual, divulgado nesta quinta-feira, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) faz uma avaliação exaustiva do investimento no sector em países de baixo ou médio rendimento. Para concluir que são os próprios agricultores os que mais investem, muito mais do que os Governos, as empresas estrangeiras ou os apoios que chegam da cooperação.

Mas investe-se pouco, muito pouco nestes países. Sobretudo sabendo-se que há 870 milhões de pessoas subnutridas num mundo que, embora assista a um desaceleramento do aumento populacional, tem garantido que em 2050 terá 9000 milhões de bocas para alimentar.

Daí o apelo a mais investimento. Mas num mundo em crise, em que muitos Governos têm dificuldade em assegurar este fluxo financeiro, a resposta reside na criação de condições para que o investimento privado se possa fazer.

E a criação dessas condições passa por resolver estrangulamentos que hoje impedem que os agricultores consigam apostar na agricultura. Estrangulamentos que passam pelo escasso investimento público no sector, a extrema pobreza, a fragilidade dos direitos de propriedade, o acesso deficiente aos mercados e serviços financeiros, as cargas fiscais e a incapacidade para enfrentar os riscos.

A investigação – que se faz sobretudo no mundo desenvolvido, no Brasil e na China –, a infra-estruturação das zonas rurais e a criação de um ambiente favorável ao investimento são ferramentas muito mais eficazes que a simples criação de subsídios, que muitas vezes apenas distorcem o mercado.

A ausência deste ambiente favorável ao desenvolvimento do sector, mais do que dificultar o investimento, tem-no afastado. Veja-se o caso de Moçambique. Os agricultores zimbabweanos, que saíram do seu país na sequência da reforma agrária para se instalarem em Manica (centro), queixam-se da ausência de políticas agrícolas, o que dificulta, por exemplo, o acesso a crédito bancário.

"A falta de políticas agrárias ainda é um obstáculo. Os custos de energia são quase proibitivos e o combustível, embora com custo razoável, mantém-se inaceitável para uma agricultura mecanizada, onde a irrigação é a chave. O acesso ao financiamento já deu um passo", disse à Lusa Christo Breytenbach, um desses fazendeiros. Por causa disso, muitos já estão a abandonar o país – altamente carente deste tipo de investimentos. Recentes estatísticas indicam que a agricultura moçambicana continua meramente de subsistência e pouco orientada para o mercado. As culturas que garantem algum rendimento para lá da sobrevivência da família que delas dependem apenas ocupam 321 mil hectares, ou seja, cerca de 6% da área total cultivada no país.

José Graziano da Silva, o director-geral da FAO, alerta, no relatório, que estabilizou ou baixou o investimento público e privado por cada trabalhador agrícola nas regiões mais pobres, onde "com demasiada frequência" os investimentos públicos na agricultura não obtêm a esperada produtividade, redução da pobreza e sustentabilidade.

Segundo o responsável, "não há dúvida de que se devem destinar mais recursos públicos à agricultura", considerada pelos peritos da FAO como a ferramenta certa para reduzir a pobreza e a fome e garantir alguma estabilidade nos rendimentos das populações rurais. Daí ser essencial criar "uma nova estratégia de investimentos que coloque os agricultores no centro" das decisões tomadas.

Posted by EAPN - Observatório de Imprensa at 10:15 a.m.
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