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5.5.23

IVA Zero duas semanas depois: Distribuição respeita a medida, mas alguns preços continuam a subir

Margarida Cardoso, Pedro Lima, Carlos Esteves, in Expresso



O Expresso atualizou a tabela publicada a 18 de abril. As oscilações continuam, a CAP admite que seca pode ditar novos aumentos no futuro próximo e a DECO incentiva a vigilância dos consumidores


Duas semanas depois da entrada em vigor do IVA zero num cabaz de 46 categorias de produtos consideradas essenciais, o Expresso voltou a ir às compras de norte a sul do país, atualizou a tabela publicada a 18 de abril e comparou preços atuais com o registo anterior. Confirmou que na maioria dos casos os valores se mantêm, entre algumas subidas e descidas, independentemente do respeito quase absoluto pelo IVA zero.

“Nada de surpreendente”, comenta Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal que já tinha antecipado a possibilidade de os aumentos de preços continuarem devido “ao livre funcionamento do mercado”, admitindo que “oscilações noutras componentes do preço, além do IVA, trazem necessariamente variações no valor a pagar pelo consumidor, para cima ou para baixo”.

O “cabaz” que o Expresso criou a 18 de abril, dia em que entrou em vigor o IVA zero para travar a escalada de preços em 46 categorias de produtos, teve de encolher de uma centena de bens para 84 de forma a anular distorções motivadas por “poupanças”, mas também para contornar o facto de alguns produtos estarem, agora, indisponíveis. A comparação dos valores revela 16 descidas de preços, o que corresponde exatamente ao dobro das subidas.
PREÇOS NO MODELO DO ELETROCARDIOGRAMA

E o que subiu? Depende do local de compra e até há categorias que subiram numa superfície comercial e desceram noutra, mas a lista dos preços em alta abrange produtos como leite, bebida de aveia, manteiga, azeite, massa, carne (frango) e peixe (dourada). Nos poucos casos detetados pelo Expresso em que não houve reflexo da descida do IVA no primeiro dia da vigência da nova lei, a 18 de abril, há a registar, em Cascais, na loja Meu Super (associadas do Continente), a subida de preço de um litro de leite magro Matinal Seleção: o produto manteve o preço apesar da redução do IVA e duas semanas depois está até mais caro.

Noutra situação, numa mercearia de Barcarena (Oeiras), onde não tinha sido possível refletir o IVA zero nos produtos logo a 18 de abril, por motivos técnicos, foi aplicado um desconto no ato do pagamento. Agora, uma nova visita, o Expresso verificou que a redução do IVA já estava refletida em três produtos, mas o preço continuava inalterado para outros dois (alho francês e curgete).

Pedro Pimentel, diretor-geral da CentroMarca, admite que “as oscilações são inevitáveis, em especial nos frescos, onde as compras diárias seguem um modelo idêntico ao de um eletrocardiograma”, mas considera que “a tendência geral nesta fase é de baixa de preços”. Do que conhece do mercado, acredita que “a política da grande distribuição neste momento é evitar mexidas para não surpreender o consumidor o que significa, no limite, resistir a propostas de atualização de algumas marcas/fabricantes ou até não repercutir no imediato algumas dessas atualizações”.
A HORA DE FISCALIZAR

A verdade, diz Eduardo Oliveira e Sousa, é que “é provável continuarmos a ser surpreendidos por subidas de preços nos próximos tempos, em especial nas frutas, legumes e carnes, devido ao impacto da seca no aumento dos custos de produção”.

No que respeita à fiscalização, a ASAE começou por monitorizar apenas o comportamento do retalho e só agora vai começar a inspecionar eventuais incumprimento do IVA zero no cabaz, tendo dado “algum prazo para absorção da medida”, de acordo com a explicação do inspetor-geral Pedro Portugal Gaspar à Rádio Renascença.

Já a Deco acaba de lançar nas redes sociais a iniciativa #ivawahsing em que convida os consumidores a partilharem fotografias de práticas ilegais. Ao mesmo tempo, a plataforma Cabaz Controlado, da Deco Proteste, permite ao consumidor criar um cabaz virtual com os bens alimentares essenciais que compra habitualmente e acompanhar a evolução dos preços com isenção de IVA.

E OS CONSUMIDORES?

Quando são ouvidos, os consumidores dão sinais de continuar a achar os preços "demasiado caros" e procurar promoções, como aconteceu em Viseu, na passada terça-feira, dia de feira semanal, a oportunidade para abastecer a despensa da casa, sobretudo para as populações que vivem fora da área urbana e aproveitam a ida à feira para passarem, também, pelo supermercado.


Com a carne com desconto de 5%, Ana Marques, de 58 anos, reconhece que “é de aproveitar”. Residente em Bodiosa, aproveita as “promoções para ver a conta baixar, que está tudo muito caro”, reclama. Nem com a descida do IVA? “Não, isso foi um engodo, que as coisas já estão a começar a subir”, responde ao Expresso. Com o carro cheio de compras, pagou €110 e “tem que dar até à próxima semana”, exclama.

Na maior loja que o Pingo Doce tem na cidade de Viseu, na rua Mendonça os clientes passeiam pelos corredores e espreitam os preços. “Temos que aproveitar as promoções e ver onde é mais barato”, assume Rogério Antunes, de 74 anos para quem “a leitura dos folhetos dos supermercados é obrigatória. “Leite e iogurtes compro na Mercadona, frutas e legumes no Lidl e só para a carne e detergentes é que venho a esta loja”, explica.

A comparação de preços, “ver onde é mais barato, que promoções existem e que saldo podemos acumular no cartão” são as preocupações de Luísa Tavares, de 67 anos.

“Venho a feira, compro roupa e sementes para a horta, que é o que me vale e depois venho aqui, comprar o essencial”, assegura. E os preços, estão mais baratos? “Temos que ter muita atenção no que está na prateleira, no que pagamos e nas promoções”, adianta. “Às vezes a promoção chega depois de aumentar o preço, é preciso olho vivo”, exclama sexagenária.

Trabalho com Amadeu Araújo, Rita Robalo Rosa, João Mira Godinho, Margarida Mota, Salomé Fernandes, Isabel Vicente, Teresa Amaro Ribeiro, Elisabete Miranda e Vítor Andrade

21.3.23

Dados da ASAE. Cabaz de bens essenciais disparou para mais de 96 euros num ano

Por Lusa, in RTP

O cabaz alimentar definido pela ASAE para calcular a evolução dos preços aumentou, desde 2022 e até fevereiro deste ano, quase 29 por cento, para 96,44 euros. Números partilhados esta quinta-feira pelo inspetor-geral da ASAE.

“Em janeiro de 2022 estava em 74,90 euros e agora [fevereiro] está em 96,44 euros", indicou esta quinta-feira o Inspetor-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), Pedro Portugal Gaspar, durante uma conferência de imprensa no Ministério da Economia e do Mar, em Lisboa. Valores que representam um aumento de 28,76 por cento.

As margens de lucro rondam os 50 por cento nas cebolas, andam entre os 40 e os 50 por cento nos ovos, laranjas, cenouras, e febras de porco. Em relação às conservas, azeite e couve coração a margem é entre 30 e 40 por cento. Já na dourada, açúcar e óleo pode chegar aos 30 por cento.

Segundo os dados avançados na mesma conferência de imprensa, a ASAE realizou, desde o segundo semestre de 2022, mais de 960 ações de fiscalização e esta quinta-feira vai iniciar uma nova operação, em todo o país, com as suas 38 brigadas.

No dia 1 de março, 38 brigadas envolvendo 80 inspetores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) estiveram no terreno a fiscalizar os preços dos bens alimentares nos híper e supermercados, face ao aumento de 21,1 por cento do cabaz básico no último ano, mais do dobro da inflação.

Margens de lucro

A ASAE instaurou 51 processos-crime por especulação em fiscalizações a 960 operadores e detetou margens de lucro superiores a 50 por cento na cebola. Conclusões que fazem parte da última análise desta autoridade à subida dos preços de bens alimentares.

"Foram inspecionados 960 operadores económicos [...] e instaurámos 51 processos-crime por especulação", avançou o inspetor-geral da ASAE, Pedro Portugal Gaspar.

Foram ainda instaurados 91 processos contraordenacionais, no âmbito destas ações que decorrem desde o segundo semestre de 2022.

Governo avalia “medidas musculadas”

O ministro da Economia e do Mar afirmou, por sua vez, que vai "ser inflexível" face a quaisquer "situações anómalas" no setor alimentar.

António Costa Silva enfatizou que o país tem estado preocupado com o sector alimentar, perante a escalada dos preços, num momento em que a inflação está a recuar, assim como o preço da energia e fertilizantes.

"Isto contrasta, em absoluto, com o que se passa a nível dos preços dos bens alimentares. Por isso, o Governo desenvolveu uma estratégia e está a trabalhar em seis dimensões. Respeitamos os operadores económicos, mas também respeitamos muito os direitos dos consumidores", indicou.

Adiante, o governante admitiu não ser particularmente favorável à imposição de preços ao mercado, notando que o ideal seria a autorregulação. Mas disse estar a ponderar medidas “musculadas”.

“Estamos a equacionar todas as opções, inclusive as mais musculadas, mas queremos tomar essas medidas na posse de toda a informação recebida”, assegurou António Costa Silva.

c/ Lusa

17.2.23

Preço de bens alimentares aumentou: peixe e carne estão mais caros face ao ano passado

 in SIC

Os portugueses têm procurado produtos mais baratos. Os comerciantes notam uma quebra no consumo.O peixe e a carne estão entre os produtos que ficaram mais caros e os comerciantes notam já uma quebra no consumo.

De acordo com os dados da DECO, o peixe está entre os bens alimentares que mais encareceram. Está quase 27% mais caro do que há um ano.

O carapau sofreu a maior variação de preço, com o quilo a aumentar 2,40 euros.

No mercado de Matosinhos, nota-se uma mudança no movimento e nas carteiras dos portugueses.

Junto com o peixe, o preço da carne também foi alvo de subidas. As famílias compram menos e procuram o mais barato.

A subida dos custos de produção nota-se em particular na carne de vaca e na carne de porco.

Na categoria carne foram analisados sete produtos e face a fevereiro do ano passado, o aumento foi de quase 23%.

25.1.23

Há mais de 30 anos que os preços das casas não aumentavam tanto

Rafaela Burd Relvas, in Público online

Os preços das casas subiram 18% em 2022, o crescimento mais acentuado desde 1991, segundo os dados da Confidencial Imobiliário. Para este ano, não se antecipam quedas de preços.

Novo ano, novo máximo nos indicadores que medem o valor da habitação em Portugal. Os preços das casas mantiveram o ritmo de crescimento acelerado que tem sido verificado nos últimos anos e, em 2022, fixaram um novo recorde, ao mesmo tempo que registaram o aumento mais acentuado em mais de 30 anos. Ainda assim, na segunda metade de 2022, começou a registar-se um ligeiro abrandamento do crescimento dos preços.

Os dados são da Confidencial Imobiliário e ilustram uma tendência que já não é novidade. Em Dezembro de 2022, mostram os dados concedidos ao PÚBLICO pela consultora, o índice de preços residenciais atingiu o valor mais elevado desde que estes indicadores começaram a ser recolhidos, em 1988.

Assim, no conjunto do ano passado, a variação média dos preços das casas em Portugal foi de 18%. Para encontrar um aumento mais acentuado, é preciso recuar até 1991, ano em que o índice de preços residenciais registava uma subida anual média de 19,4%.

O ano passado marca, desta forma, o regresso às subidas acentuadas de preços, depois de, em 2021 e 2020, dois anos em que a pandemia penalizou fortemente a actividade económica, terem sido registados ritmos de crescimento mais lentos. Agora, a subida dos valores da habitação ultrapassa mesmo aquilo que se verificava em 2019 e 2018, antes da pandemia, quando o aumento anual médio dos preços das casas rondava os 15%, ainda de acordo com os dados da Confidencial Imobiliário.

A consultora não tem ainda disponíveis os dados relativos às cidades de Lisboa e do Porto, onde, tendencialmente, as subidas de preços da habitação têm superado a média nacional.

Vários factores contribuem para este movimento em Portugal, mas a escassez de oferta, associada a uma cada vez maior procura de casa por parte de estrangeiros (investidores ou particulares) com maior poder de compra, tem sido apontada pelos especialistas do sector como a principal razão para este fenómeno.

"Não se antecipam passos expressivos na resolução dos problemas de falta de oferta, devido ao aumento dos custos de construção e aos licenciamentos demorados. A classe média será especialmente afectada por esta falta de oferta, pois mesmo a oferta que surge tende a direccionar-se mais para os segmentos menos afectados em termos de rendimento, como as classes média-alta e alta", refere a consultora imobiliária JLL, no mais recente relatório de balanço do último ano e perspectivas para 2023.

Evolução a dois ritmos

Com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) já disponíveis, a JLL estima que, no conjunto de 2022, tenham sido transaccionadas 168 mil casas, por um montante total de 31 mil milhões de euros, dados que, a confirmarem-se, representarão aumentos de cerca de 1,5% (em número de habitações) e 10% (em valor).

Ainda assim, aponta a Confidencial Imobiliário, regista-se um "comportamento dos preços a dois ritmos" em 2022.

"Na primeira metade do ano, mais concretamente até Julho, os preços mantiveram uma trajectória de aceleração, com sucessivas subidas mensais médias de quase 2%. A segunda metade de 2022 foi de perda de intensidade, com um arrefecimento das variações mensais, que por duas vezes foram inferiores a 1%, entrando mesmo em terreno negativo (variação mensal de -0,5% em Setembro)", refere a consultora.

Ao mesmo tempo, acrescenta a Confidencial Imobiliário, "as variações trimestrais dos preços também confirmam esta tendência de perda de fôlego", embora os crescimentos se mantenham acentuados.

Seja como for, não são esperadas, para já, quebras de preços, ainda que uma crise económica possa levar a um travão da procura.

"A JLL antecipa um natural abrandamento na dinâmica da procura, quer para ocupação, quer para investimento, face ao ano passado, pela dupla circunstância de se enfrentar um agravamento das condições económicas e comparar-se com níveis recorde de actividade. Contudo, não antecipa quebras disruptivas em termos de montantes transaccionados e absorção, prevendo ainda que os preços e as rendas possam manter uma trajectória positiva, mas mais suave. A baixa capacidade de reposição da oferta, que se mantém escassa em todos os segmentos, é uma das explicações para este comportamento", prevê esta consultora.

Em suma, como explica Patrícia Barão, responsável pelo segmento residencial da JLL, poderá assistir-se a uma redução do montante total transaccionado em 2023, mas apenas devido a uma diminuição do número de transacções e não por uma queda dos preços.

21.10.22

“As pessoas estão desesperadas, escondem latas de atum e leite para comer ou dar aos filhos”: furtos de alimentos disparam nos supermercados

Joana Pereira Bastos, Rui Gustavo, Bernardo Mendonça, in Expresso

Supermercados estão a colocar alarmes em produtos alimentares básicos, como latas de atum ou garrafas de azeite. Os furtos estão a aumentar “desde o início de setembro” por “pessoas que já não conseguem sobreviver só com o seu salário e pensão”. Quase 2 milhões de portugueses vivem com menos de €554

Vários supermercados estão a colocar alarmes em produtos alimentares básicos, como o bacalhau ou o salmão congelados, e até em garrafas de azeite ou latas de atum. Segundo a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), que representa o sector, o investimento na instalação de mais sistemas de segurança é justificado pelo aumento dos furtos de alimentos, que se acentuou nos últimos meses, com o agravamento do custo de vida.

“É um fenómeno que está efetivamente a subir bastante, sobretudo desde o início de setembro e em particular nos grandes centros urbanos de Lisboa e do Porto”, diz o diretor-geral da APED, Gonçalo Lobo Xavier, adian­tando que o leite e a comida enlatada, como as salsichas e o atum, estão entre os produtos mais visados. “Não há nenhuma dúvida que são roubos para comer. É o primeiro sintoma de uma grave crise social”, alerta.

Cláudio Ferreira, presidente da Associação Nacional de Vigilância e Segurança Privada, sector que garante o patrulhamento dos supermercados, confirma: “Nos últimos dois a três meses nota-se um aumento muito significativo dos furtos de alimentos por parte de pessoas que já não conseguem sobreviver com o seu salário ou pensão. Estão desesperadas e escondem na mala ou no casaco pacotes de leite ou latas de atum para comer ou dar aos filhos.”

Os dados da PSP só vão até junho, mas já mostram a tendência. Só nos primeiros seis meses deste ano foram participados à polícia 452 furtos em super e hipermercados, a uma média de 2,5 por dia. Se o ritmo se mantivesse, no final do ano o volume de ocorrências seria pelo menos 40% superior ao registado no ano passado. Mas o crescimento de casos acelerou neste segundo semestre, quando mais disparou a inflação.

Muitas situações, no entanto, não chegam a ser participadas às autoridades. “São casos de necessidade que dão muita pena. E quando assim é, não costumamos chamar a polícia”, relata Edson Alves, que trabalha como segurança num supermercado da Areo­sa, no Porto. Nos últimos meses, o vigilante, de 49 anos, tem detetado cada vez mais tentativas de furto de alimentos. “Temos apanhado muitos idosos a tentar levar pão, salsichas ou atum. Há pouco tempo vi um idoso a tentar roubar batatas e uma senhora de idade a esconder pastéis de bacalhau no bolso. Quando a abordei, pediu muita desculpa e explicou que tinha fome. E há mulheres com filhos que dizem que já não têm como lhes dar de comer. É muito triste. Chego a dizer-lhes: ‘Prefiro que me peçam. Não sou rico, mas posso oferecer alguma coisa.’ E eu próprio vou à caixa pagar”, conta.

No supermercado onde trabalha, o aumento dos furtos levou a gerência a instalar alarmes em alimentos como o polvo congelado e a picanha e a diminuir as quantidades de produtos expostos nas prateleiras, como acontece com o café. A par das conservas, o café “é neste momento um dos artigos mais suscetíveis de furto”, segundo disse ao Expresso fonte do Continente, sem, no entanto, adiantar números quanto à dimensão do fenómeno.

Nas grandes cadeias de distribuição, cada loja tem autonomia para decidir a instalação de alarmes nos produtos em que se registem maiores quebras de stock, o que significa que os artigos com alarme podem variar de estabelecimento para estabelecimento. A instalação deste sistema de segurança é dispendiosa e só é feita quando o custo compensa o que se perderia em furtos. E nos últimos meses têm sido cada vez mais os supermercados a avançar para este investimento.

“Está a haver um problema grave de quebra de stock por furto, sobretudo nas lojas de rua e não tanto nos hipermercados”, justifica o responsável de uma das maiores cadeias, que prefere não ser identificado. Em causa já não estão apenas artigos de perfumaria e álcool premium, tradicionalmente os que mais desapareciam e que já era costume terem alarmes, mas cada vez mais “produtos alimentares básicos, como o bacalhau e o atum”, diz.

Ao Expresso, o Auchan garante que “não tem verificado aumento de furtos em nenhuma das lojas” e que a instalação de alarmes não passa de uma “prática preventiva de há já vários anos”. Mas a verdade é que não há memória de ver alarmes em latas de atum, por exemplo, como acontece, desde há pouco tempo, em algumas lojas de rua desta marca. Contrariando as declarações oficiais, dois funcionários de um supermercado desta cadeia, no centro de Lisboa, explicaram o motivo do recente reforço de segurança: “Estamos a colocar alarmes nas latas de atum, nas garrafas de azeite e no bacalhau porque ultimamente têm sido muito roubados. Há quem os leve em mochilas para depois os vender a preço mais baixo no mercado negro.”

O crescimento de mercados paralelos, onde os produtos são vendidos mais baratos do que no comércio legal, é comum em períodos de crise, sobretudo em países atingidos por uma inflação galopante, como acontece historicamente em África e na América Latina. Em Portugal, como um pouco por toda a Europa, o início da guerra na Ucrânia provocou uma escalada de preços, em particular nos bens alimentares. No mês passado a taxa de inflação destes produtos chegou aos 16,9%, o valor mais elevado desde julho de 1990 (ver gráfico).

MAIS PEDIDOS DE AJUDA ALIMENTAR

“Há produtos essenciais que efetivamente começam a ter um preço inacessível para as famílias mais caren­ciadas. Neste momento há muito mais pessoas que já não estão a conseguir assegurar a sua alimentação básica. Admito que, em desespero, recorram a tudo, até a roubar para comer”, vinca Rita Valadas, presidente da Cáritas.

Quase dois milhões de portugueses vivem com menos de €554 por mês e a população em risco de pobreza está a aumentar. Cerca de 500 mil pessoas dependem de apoio alimentar e o número de pedidos está a subir de forma acentuada, alerta a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome, Isabel Jonet. “Só o leite, por exemplo, aumentou 35%. A escalada de preços é brutal e as famílias mais pobres, que já viviam no limite, não têm nenhuma margem para suportar estes aumentos”, confirma.

Perante o crescimento dos pedidos de ajuda, há o risco de a própria rede de emergência colapsar e de as institui­ções no terreno não chegarem a todos os que precisam. E mesmo os cabazes distribuídos não são suficien­tes para satisfazer as necessidades básicas de uma família, resultando sobretudo de doações de excedentes dos produtores agrícolas, da indústria alimentar e dos supermercados.

“Os nossos associados apoiam com distribuição de alimentos mais de mil IPSS, mas estas já não estão a conseguir dar resposta e chegam-nos cada vez mais pedidos de ajuda”, revela o presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição.

Perante a dimensão do problema, Gonçalo Lobo Xavier defende que é urgente aumentar os apoios do Estado às famílias. Mas garante que as cadeias de supermercados — cujos lucros dispararam nos últimos meses — querem contribuir para a solução. “Estamos a pensar em mecanismos para ajudar as pessoas mais caren­ciadas”, informa.

3.8.22

Inflação na OCDE atinge 10,3% em Junho e regista máximo de 34 anos

in Público on-line

Inflação homóloga na OCDE sobe para 10,3% em Junho, um máximo desde 1988.

A inflação homóloga na OCDE subiu para 10,3% em Junho, um máximo desde 1988, devido sobretudo à subida dos preços da alimentação e da energia na maioria dos países, afirmou a organização nesta quarta-feira. A taxa de Junho compara com os 9,7% em Maio.

Num comunicado hoje divulgado, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) adianta que num terço dos países da OCDE a inflação homóloga aumentou dois dígitos, com a Turquia a liderar com um acréscimo de 78,6%, ao contrário do Japão, onde subiu apenas 2,4%.

Os preços dos alimentos aumentaram 13,3% em Junho, contra 12,6% em Maio, um máximo desde Julho de 1975.

A energia aumentou 40,7% em Junho deste ano face ao mesmo mês de 2021, contra 35,4% em Maio.

Excluindo alimentos e energia, a inflação homóloga subiu 6,7%, mais três décimas de ponto percentual do que em Maio.

Os aumentos de preços foram de 7,9% nos países do G7, mais quatro décimas de ponto percentual do que em Maio, com a energia a ser o principal acelerador em França, Alemanha, Itália e Japão.

Nestes países, a inflação subjacente, excluindo os preços dos alimentos e da energia, foi de 4,7% em Junho.

O índice harmonizado na zona euro foi de 8,6%, mais cinco décimas do que em Maio, disse a OCDE, que recordou que o Eurostat estima que o aumento homólogo será de 8,9% em Julho.

Nos países do G20, o aumento dos preços foi de 9,2% em Junho, mais três décimas do que em Maio, com aumentos acentuados em todas as economias emergentes excepto a Índia.

Portugal vai adoptar limitação aos gastos de energia em edifícios públicos

São José Almeida, in Público on-line

O Ministério do Ambiente e da Acção Climática pediu à Adene um estudo sobre as medidas adoptadas noutros países da União Europeia para fixar as regras que se adaptam a Portugal.

A limitação dos níveis de consumo de energia nos edifícios públicos será uma das medidas a adoptar pelo Governo no âmbito do plano de poupança de energia aprovado pela Comissão Europeia, declarou ao PÚBLICO um membro do Governo.

Outra medida dada como certa, em Portugal, é o lançamento de uma campanha de sensibilização geral para a redução do consumo de energia por parte de empresas e das famílias. Isto para fazer face à escassez de fornecimento de gás a alguns países europeus pela Rússia.

O Governo está ainda a analisar e determinar o conjunto de medidas a adoptar para satisfazer as recomendações europeias de redução do uso de energia propostas pela comissão europeia. Esta redução deverá ser de 15% na generalidade da União Europeia, mas em Portugal e Espanha a redução poderá ser de apenas 7%, fruto das negociações em Bruxelas em que o Governo português foi representado por Duarte Cordeiro, ministro do Ambiente e da Acção Climática.

Entre as medidas que estão a ser estudadas, mas ainda não fechadas, estão as regras a adoptar nas grandes superfícies para condicionar o consumo da energia. Algumas das hipóteses em análise referem-se à utilização do frio nos supermercados, ao ar condicionado nos centros comerciais e ao aquecimento na hotelaria.

O plano de restrições ao uso de energia em Portugal será apresentado até ao fim de Agosto, de modo a entrar em vigor em Setembro como recomendou a Comissão Europeia.

De acordo com dados da REN, desde o início do ano, Portugal reduziu o consumo de gás em menos 22%, isto sem contar com o gás que é usado na produção de energia eléctrica. Uma diminuição de consumo provocada pelos aumentos nos preços.

Destinado a reforçar a segurança energética do país, o plano para Portugal irá ter medidas destinadas a reforçar o armazenamento de energia, além de outras mais dirigidas a condicionar e poupar no uso.

Responsável por supervisionar a elaboração destas regras de poupança de energia, o Ministério do Ambiente e da Acção Climática pediu um estudo à empresa Adene-Agência para a Energia sobre as medidas que têm sido adoptadas nos vários países, como é o caso da Espanha, da França e da Alemanha. Esta sistematização servirá de base às decisões sobre quais as regras mais adequadas a um país como Portugal.

Em Espanha, o Governo decretou, na segunda-feira, a limitação do uso de ar condicionado em edifícios administrativos, comerciais e culturais, bem como em infra-estruturas de apoio a viajantes. Outra medida é a indicação de que, nestes espaços, as portas devem manter-se fechadas. E também limitações horárias na iluminação de lojas.

Medidas idênticas foram também já determinadas em França e na Alemanha. Há cidades alemãs em que foi decidida a suspensão do uso de água quente em edifícios públicos, piscinas e centros desportivos. Outras cidades decretaram que vão suspender o uso de bombas de água em fontes públicas ou o encerramento de piscinas interiores ou ainda apagar a iluminação exterior de monumentos e edifícios públicos.


13.7.22

ONU: alta dos preços empurrou 71 milhões de pessoas para a pobreza no mundo em três meses

in UOL Noticias
 
A disparada dos preços dos alimentos e da energia em todo planeta empurrou 71 milhões de pessoas de países de baixa renda à pobreza extrema desde março, afirma um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) publicado nesta quinta-feira (7).

O PNUD aponta no documento que a aceleração da pobreza "é consideravelmente mais rápida que o choque da pandemia de Covid-19" e atribui parte do aumento dos preços à guerra na Ucrânia, responsabilidade que a Rússia nega. "As transferências de dinheiro direcionadas para as famílias são mais equitativas e mais rentáveis que os subsídios gerais à energia", menciona o relatório.

Ao mesmo tempo, o documento considera que os países precisarão de apoio do sistema multilateral para as famílias conseguirem "chegar ao fim do mês". "Enquanto as taxas de juros aumentam em resposta à alta da inflação, existe o risco de desencadear uma nova onda de pobreza induzida pela recessão que exacerbará ainda mais a crise, acelerando e aprofundando a pobreza no mundo", alerta o PNUD.

Situação é pior nos Bálcãs e na África O estudo analisa 159 países.
As nações que enfrentam a situação mais crítica estão nos Bálcãs, na região do mar Cáspio e na África Subsaariana, em particular no Sahel. "Aumentos de preços sem precedentes significam que, para muitas pessoas em todo o mundo, a comida que eles podiam comprar ontem não é mais possível hoje", afirmou o diretor do PNUD, Achim Steiner. "Esta crise do custo de vida está empurrando milhões de pessoas à pobreza e até mesmo à fome a uma velocidade vertiginosa e, com isso, a ameaça de problemas sociais cresce a cada dia", alertou.

Entre os países que enfrentam as consequências mais dramáticas de alta de preços estão Armênia, Uzbequistão, Burkina Faso, Gana, Quênia, Ruanda, Sudão, Haiti, Paquistão, Sri Lanka, Etiópia, Mali, Nigéria, Serra Leoa, Tanzânia e Iêmen. Padrões internacionais Instituições internacionais como as Nações Unidas, o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional estabelecem limites para pobreza: em países de baixa renda é onde o poder de compra por pessoa e por dia não passa de US$ 1,90. Nos países de renda média-baixa, esse valor sobe para US$ 3,20 e nos países de renda média-alta, é fixado em US$ 5,50.

Segundo o relatório, a atual crise gerada pela alta no custo de vida pode levar mais 51 milhões de pessoas para a extrema pobreza e 20 milhões de pessoas à pobreza, o que elevaria o total mundial da população em situação precária para pouco mais de 1,7 bilhão de pessoas.

15.6.22

Aumentos levam famílias portuguesas a mudar hábitos de consumo

Alda Martins, in CNN

A rápida subida dos preços e a incerteza financeira que a guerra gerou estão a mudar a forma como as famílias se relacionam com o consumo.

Cortam nos bens não essenciais e mesmo na alimentação as escolhas são mais seletivas. O critério do preço passou a ser o mais importante para a esmagadora maioria dos consumidores.

23.11.20

Pandemia faz aumentar custo de vida em Lisboa

João Tomé, in DN

Cidade subiu seis posições no ranking da The Economist e é agora a 80.ª cidade mais cara a nível mundial.

Lisboa aproximou em 3% o nível de custo de vida de Nova Iorque, que surge como referência do estudo, embora já nem seja a cidade com o custo de vida mais elevado. Os dados são de um estudo da The Economist, Worldwide Cost of Living - How Is Covid-19 affecting the prices of consumer goods?, e mostram que a pandemia da covid-19 agravou o custo de vida em Lisboa. A cidade ocupa agora o 80.º lugar, subindo seis posições.

O relatório da The Economist analisou neste ano os preços de 138 bens e serviços em 133 grandes cidades até ao mês de setembro de 2020, identificando um aumento de apenas 0,3% em relação à média do ano passado.

As três cidades mais caras do mundo são em tempos de pandemia Hong Kong, Zurique e Paris. Estas duas últimas ultrapassam as líderes de 2019, Singapura e Osaka. Nova Iorque caiu do 4.º para o 7.º posto neste ano; a cidade chinesa com o custo de vida mais elevado é Xangai, com o 23.º lugar.

Em contraciclo, há várias cidades na América, em África e na Europa Oriental que se tornaram mais baratas, enquanto as cidades da Europa Ocidental tornaram-se mais caras, diferença que se justifica, em parte, com um aumento das moedas europeias em relação ao dólar americano.

Nas dez categorias abrangidas pelo relatório, destaque para o tabaco e o lazer e entretenimento (que inclui eletrónica de consumo), que tiveram os maiores aumentos de preços desde 2019, enquanto os preços da roupa tiveram a queda mais acentuada.

Já no que diz respeito ao custo das mercadorias, o que influenciou mais mudanças foram a volatilidade da moeda, problemas no abastecimento, o impacto dos impostos e subsídios e mudanças nas preferências dos consumidores.

Os maiores aumentos de preços considerando os dólares americanos aconteceram em Teerão, cujo custo de vida geral subiu 10% devido às sanções dos EUA.

As maiores quedas de preços aconteceram no Rio de Janeiro e em São Paulo, já que o real perdeu valor e os níveis de pobreza nas duas cidades subiram. Em Singapura (que liderava a tabela em 2019), os preços caíram porque a pandemia provocou um êxodo de trabalhadores estrangeiros da cidade-estado, que perdeu população pela primeira vez desde 2003. Situação semelhante aconteceu com Osaka, com a estagnação dos preços e os subsídios do Governo japonês para uso gratuito dos transportes públicos.

2.8.18

Subidas do preço das casas atingem 40% em freguesias de Lisboa e Porto

Luísa Pinto, in Público on-line

À excepção de Marvila, em Lisboa, o preço da habitação aumentou em todo o país no primeiro trimestre do ano — de acordo com o INE, a taxa de variação foi de 7,8% e o preço do metro quadrado de 950 euros
Luísa Pinto 31 de Julho de 2018, 13:22 actualizado a 31 de Julho de 2018, 21:41

As cidades de Lisboa e do Porto viram o preço de venda das suas casas disparar mais de 20% no primeiro trimestre deste ano. Foram as únicas do país a manifestar um crescimento tão acentuado, em termos homólogos com 2017, de acordo com as últimas estatísticas sobre o preço de habitação local divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Lisboa é destacadamente o município onde o valor mediano do preço da habitação é mais elevado — atingiu os 2581 euros por metro quadrado, depois de uma taxa de crescimento de 20,4%.

O município do Porto foi o que teve uma variação mais alta, com um aumento de 22,4%, para 1379 euros, e que, desta forma, o coloca com um valor superior à mediana nacional. A qual, depois de um crescimento médio de 7,8% em termos homólogos, se fixou nos 950 euros por metro quadrado.
As estatísticas sobre os preços locais de habitação que começaram a ser divulgados pelo INE não apuram a média do valor das transacções, mas sim as medianas, de forma a reduzir o efeito dos valores extremos e a eliminar possíveis efeitos sazonais no comportamento dos preços, tendo em conta as estatísticas construídas a partir dos dados fornecidos pela administração tributária.

Das 308 cidades em Portugal cujo valor das transacções de habitação está a ser escrutinado pelo Instituto Nacional de Estatística, são apenas 40 as que revelam transacções acima da mediana nacional. Entre elas destacam-se as que ficam na Área Metropolitana de Lisboa, no Algarve e na Madeira. No boletim do Instituto Nacional de Estatística pode perceber-se quais são os municípios que atingiram um preço mediano acima dos 1500 euros o metro quadrado: Cascais (2004 euros), Loulé (1806 euros), Oeiras (1739 euros), Lagos (1738 euros), Albufeira (1613 euros) e Tavira (1531 euros).

Se em vez do valor apurado a atenção recair na taxa de crescimento, pode perceber-se que, para além do Porto e de Lisboa, com taxas acima dos 20%, as maiores subidas deram-se na Amadora (13%), em Vila Nova de Gaia (10,8%), no Funchal (9,3%), em Braga (8,1%) e em Coimbra (4,1%).

Preço das casas subiu 12,2% no primeiro trimestre
Outro dado que pode ser extraído das estatísticas divulgadas é o de que é na Área Metropolitana de Lisboa que se encontra uma maior amplitude de valores entre os seus municípios: começa nos 2581 euros por metro quadrado em Lisboa e termina nos 617 euros por metro quadrado na Moita.

A informação do INE, que pode ser consultada num portal público criado para o efeito, permite uma análise mais detalhada, até à quadrícula de um quarteirão. Nos boletins trabalhados pelo INE, são divulgados os valores apurados nas cidades com mais de cem mil habitantes, casos em que cabem as cidades de Lisboa e Porto, com uma análise feita à escala da freguesia. Entre as 24 freguesias de Lisboa, Santo António manteve o preço mais elevado da habitação (4083 euros por metro quadrado) e a maior taxa de variação homóloga (+39,8%), disse o INE, indicando que a freguesia que verificou o menor preço mediano foi Marvila (1483 euros por metro quadrado), que foi também “a única freguesia com uma evolução negativa do preço da habitação face ao mesmo período do ano anterior”.

Já entre as sete freguesias do Porto destacou-se a União de Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória, com um preço mediano de alojamentos vendidos (1636 euros por metro quadro) e uma taxa de variação homóloga (45,2%) superiores aos da própria cidade. A freguesia da Campanhã registou o menor preço mediano de alojamentos vendidos (801 euros por metro quadrado) e a menor variação homóloga (0,9%), entre as freguesias da cidade do Porto.

13.6.12

A subida dos preços foi menos acentuada em Maio

Por Virgínia Alves, Dinheiro Vivo

A taxa de inflação recuou para 2,7% em Maio, com o vestuário e o calçado a contribuirem mais para este recuo com uma descida de 5% face há um ano, já a habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis estão mais caros que há um ano em 10%.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE) a taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) situou-se em 2,7%, "valor inferior em 0,3 pontos percentuais ao registado no mês anterior".

Entre as contribuições positivas para a taxa de variação homóloga do IPC, destaca-se a da classe da Habitação,
água, eletricidade, gás e outros combustíveis, que subiram 10% face ao mesmo mês do ano passado.

Nas classes com contribuições negativas para a variação homóloga do IPC salienta-se a classe do Vestuário e Calçado, cujo preço médio em Maio era 5,47% inferior ao que se registava há um ano.

Das classes em análise o INE regista ainda a subida de preços da classe dos restaurantes e hotéis (+4,65%), dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (+ 2,64%), e dos transportes (+2,72%).

O INE destaca ainda a classe de saúde, quando comparada a taxa de variação homóloga de maio com a média das taxas de variação homólogas dos últimos três meses, que "registou uma desaceleração mais acentuada, devido à revisão do preço dos medicamentos genéricos".

Já a evolução do preço dos combustíveis, que tem vindo a descer, terá sido a principal causa para a desaceleração da evolução do preço dos transportes nos últimos três meses.

No que diz respeito à variação mensal em Maio, face a Abril os preços recuaram 0,4% em maio face a abril. "A classe com o maior contributo para a variação total do índice foi a da Saúde com uma variação mensal de -1,9%, seguida da classe dos transportes com uma variação mensal de -1,3%.

Numa comparação com os países da zona euro, e de acordo com a informação disponível para os países membros relativa a abril, o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor português registou uma taxa de variação homóloga 0,3 pontos percentuais superior ao valor médio do grupo (2,6%).

Segundo o INE "em maio esta diferença ter-se-á mantido constante, de acordo com a estrimativa do Erostat".

16.5.12

Impostos levaram à subida de 50% dos preços

Nuno Aguiar, in Jornal de Notícias

O aumento da carga fiscal sobre os portugueses foi o principal responsável pela subida de preços no ano passado. Segundo o Banco de Portugal (BdP), os preços aceleraram 2,2 pontos percentuais (p.p.) em 2011 (face a 2010). Destes, 1,4 p. p. são da responsabilidade do aumento dos impostos indiretos.

"A aceleração dos preços no consumidor foi largamente condicionada pela entrada em vigor de diversas medidas de consolidação orçamental, com destaque para o aumento do IVA e dos preços de alguns bens e serviços sujeitos a regulação", escreve o BdP no seu relatório anual. Após o aumento de um ponto percentual de todas as taxas do IVA a partir de 1 de julho de 2010, em janeiro de 2011 a taxa mais elevada deste imposto passou de 21% para 23% e em outubro do mesmo ano a taxa relativa à eletricidade e ao gás natural passou de 6% para 23%.

9.2.12

Risco de pobreza aumenta, preços dos alimentos mais altos

António Henriques, in PTjornal

O risco de pobreza aumentou em Portugal, seguindo a mesma tendência do preço dos alimentos. Segundo dados do Eurostat, um quarto dos portugueses estão perto de passar à classe pobre, ou em risco de exclusão social. Uma em cada quatro crianças portuguesas já é pobre.

Aos números divulgados ontem pelo Eurostat, autoridade estatística da União Europeia, acrescenta uma informação conhecida nesta quinta-feira: o custo dos alimentos subiu em janeiro, o que sucede pela primeira vez, numa análise aos últimos seis meses.

Recorde-se que ontem o Eurostat apontou que, em 2010, cerca de um quarto da população europeia (23,4 por cento) corre elevado risco de pobreza ou de exclusão social. Esta percentagem representa 115 milhões de europeus. Em Portugal, a percentagem é superior (25,3 por cento) e registou um aumento, entre os anos de 2009 e 2010.

Com o agravamento dos preços em produtos essenciais, esses dados de 2010 (eventualmente já desatualizados, em virtude da crise internacional) podem não representar a real situação de 2012.

Portugal tinha, em 2010, 25,3 por cento dos cidadãos nesta situação, quando no ano anterior essa percentagem se situava no 24,9 pontos. A média europeia em 2010 ficou-se nos 23,4 por cento.

Realce para os países com riscos de exclusão e pobreza reduzidos: República Checa (14 por cento), Holanda (15 por cento) e Suécia (15 por cento). Os dados divulgados nesta quarta-feira em Bruxelas indicam que no extremo oposto estão Bulgária (42 por cento da população), Roménia (41 por cento) e Letónia (38 por cento).

Ontem, Ann Berg, responsável da FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, criticava duramente a produção de biocombustíveis a partir de alimentos. Só nos EUA, 40 por cento da produção do milho serve esta indústria, o que “seria suficiente para alimentar cerca de 600 milhões de pessoas durante um ano”.

Nesse sentido, num mundo onde a fome mata, com dramas humanitários em diversas regiões, torna-se “ridícula” a ideia de desviar os alimentos para gerar biocombustíveis. Ann Berg, em declarações à agência Lusa, aponta medidas drásticas, como o fim dos subsídios que são entregues à indústria produtora de biocombustíveis.

Berg salienta que se trata de uma opinião “pessoal”, e não uma posição formal da FAO, mas realça a gravidade do problema, que se agrava com a subida de preços do milho – 125 milhões de toneladas, nos EUA, são usadas na produção deste tipo de combustível.