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27.11.20

Assistência Médica Internacional apoiou mais de sete mil pessoas carenciadas desde o início do ano

in o Observador

AMI diz estar preocupada com a segurança alimentar de 50% das pessoas, face ao crescimento do número de pessoas que recorrem aos seus serviços pela necessidade de bens alimentares.

▲A AMI tem em curso algumas campanhas de angariação de alimentos, como é o caso da campanha de Natal, que este ano têm uma importância e urgência acrescidas

Mais de sete mil pessoas em situação de pobreza e exclusão social foram apoiadas pela AMI desde o início do ano, sendo o serviço de distribuição de géneros alimentares o mais procurado, anunciou esta quarta-feira a instituição.

Em comunicado, a AMI – Assistência Médica Internacional adianta que a distribuição de géneros alimentares foi o serviço social da AMI mais procurado, tendo sido apoiadas 3.967 pessoas (53%), seguindo-se o apoio social, que chegou a 3.791 pessoas (51%), e o roupeiro, a que recorreram 1.612 pessoas (21%).

A AMI adianta também que os refeitórios e a entrega de refeições ao domicílio, através do Serviço de Apoio Domiciliário da instituição, permitiram servir 126.168 refeições a 1.245 pessoas.

Durante o período de confinamento provocado pela pandemia de Covid-19, o número médio de refeições por utilizador aumentou fortemente, segundo a AMI, adiantando que passou de 37 refeições por pessoa no primeiro trimestre do ano para 60.

Também o serviço de distribuição de géneros alimentares apoiou, neste período, 2.931 pessoas, um aumento de 19% em relação ao período anterior, resultado da criação de respostas que visaram o apoio alimentar e a proteção dos grupos mais vulneráveis como as famílias monoparentais, idosos e população mais isolada e de saúde mais frágil”.

O Serviço de Apoio Domiciliário registou, igualmente, um aumento significativo do número de refeições entregues aos beneficiários, num total de 4.586, um acréscimo de 46% em relação aos primeiros meses do ano.

Tendo em conta o número cada vez mais crescente de pessoas que necessitam de auxílio, a AMI diz estar preocupada com a segurança alimentar de 50% das pessoas.

As pessoas que são apoiadas pela instituição indicam “como principal motivo para recorrerem aos nossos serviços a necessidade de bens alimentares. Tal leva-nos a crer que não têm os meios suficientes para uma alimentação digna e segura à luz da definição de segurança alimentar da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (sigla inglesa FAO), referiu à Lusa fonte da instituição.

A FAO defende que “a Segurança Alimentar ocorre quando todas as pessoas têm acesso físico, social e económico permanente a alimentos seguros, nutritivos e em quantidade suficiente para satisfazer as suas necessidades nutricionais e preferências alimentares, tendo assim uma vida ativa e saudável”.

É, por isso, uma grande preocupação da AMI face ao aumento dos pedidos de ajuda que tem vindo a receber. Felizmente, a AMI tem conseguido proporcionar esse apoio alimentar com o cofinanciamento da Segurança Social e de algumas autarquias, embora com maiores dificuldades, face à redução de apoios este ano, uma vez que não foi possível realizar nem os dois peditórios de rua nem a recolha alimentar em supermercados como habitualmente”.

Por isso, a AMI tem em curso algumas campanhas de angariação de alimentos, como é o caso da campanha de Natal, que este ano têm uma importância e urgência acrescidas.

A AMI diz ainda que na época natalícia, para além do acompanhamento social que disponibiliza ao longo de todo o ano, vai fazer chegar aos beneficiários dos Centros Porta Amiga um cabaz de Natal com uma variedade de produtos tradicionais da época.


Este ano, serão apoiadas 1.904 famílias em todo o país.

A AMI diz que não está em causa a prestação do apoio que presta, mas “não deixa de ser uma preocupação fundamental e um reflexo da pressão social atual”.

A pandemia de Covid-19 provocou pelo menos 1.397.322 mortos resultantes de mais de 59,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 4.056 pessoas dos 268.721 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

19.10.20

Pedidos de ajuda à AMI duplicaram nos últimos três meses

in SicNotícias

Nos primeiros nove meses de 2020, a AMI apoiou mais de 7.000 pessoas em situação de pobreza e exclusão social em Portugal, 1.418 foram apoiadas pela primeira vez.

Em comunicado, a AMI adianta que no terceiro trimestre de 2020, o número de pessoas que pediram ajuda pela primeira vez (726), é superior ao total de novos casos registados nos primeiros seis meses do ano (692), tendo a média de novos casos do terceiro trimestre (242) mais do que duplicado em relação à média mensal do primeiro semestre (116).

A instituição adianta também que nos primeiros nove meses de 2020, a AMI apoiou através dos seus equipamentos sociais em Portugal, mais de 7.000 pessoas em situação de pobreza e exclusão social, das quais 1.418 foram apoiadas pela primeira vez.

De acordo com a AMI, os serviços sociais mais procurados foram, por ordem decrescente, a distribuição de géneros alimentares, o apoio social e o roupeiro.

Na nota, e porque hoje se celebra o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, a AMI manifestou também a sua preocupação com o agravamento da pressão social, a degradação das condições de vida em Portugal e no mundo e a marginalização de temas fulcrais para a Humanidade como a pobreza e a fome, as migrações e as alterações climáticas.

A pandemia de covid-19 e os seus efeitos na perda de postos de trabalho e de remuneração tem vindo a fazer com que os pedidos de ajuda aumentem em várias instituições, nomeadamente a na Rede de Emergência Alimentar e na Cáritas.

1.10.20

AMI regista aumento de 55% no número de pedidos de ajuda depois do confinamento

in RTP

Apesar da abertura da economia e muitas pessoas e famílias terem voltado ao trabalho, a AMI registou um aumento de 55 por cento no número de pedidos de ajuda, por parte de famílias em situação de pobreza.
Os serviços com maior procura foram os de distribuição alimentar.

A Assistência Médica Internacional alerta para o agravamento da pressão social.

Jornalista Rita Fernandes.

24.2.20

‘Presidências Abertas da CMF e AMI unidas pelo Funchal

in DNoticias

A iniciativa ‘O Funchal Que Nos Une’, as Presidências Abertas da Câmara Municipal do Funchal, que estão a decorrer, durante este mês de fevereiro, na freguesia de São Pedro, visitaram hoje, as instalações da delegação da Madeira da AMI – Assistência Médica Internacional. O Presidente Miguel Silva Gouveia, acompanhado do respectivo Executivo, foi recebido por Helena Andrade, responsável pela delegação da AMI na Madeira, e Cristina Menezes, responsável pelo Centro de Ação Social da AMI “Porta Amiga”, que fizeram as honras da casa.

Miguel Silva Gouveia começou por expor à Direcção da AMI o propósito da iniciativa “O Funchal Que Nos Une”, que o Executivo tem levado até à população, clubes e associações da cidade, com o intuito de perceber a sua realidade, as necessidades e as dificuldades que enfrentam. A AMI destacou, por sua vez, a colaboração desenvolvida com a CMF nos últimos cinco anos, em que o Município reconheceu o trabalho de interesse público que a AMI tem com a cidade.

A Câmara Municipal do Funchal cedeu o edifício onde está instalada a sede da AMI, para que ali pudessem desenvolver o seu trabalho, e tem contribuído com outros apoios financeiros, “sabemos o importante papel social que a AMI realiza, e procuramos sempre estabelecer pontes, no sentido de também facilitar um trabalho que por si só já é difícil e complexo. E da nossa cooperação saliento a atribuição de 18 mil euros anuais, através do nosso programa de atribuição de Apoios Financeiros ao Associativismo e Atividades de Interesse Municipal, e também o trabalho de reciclagem de radiografias realizado pelos nossos serviços, onde cada 1000 kg de radiografias obtido, rendem 10 kg de prata, que é vendida, e essa verba posteriormente é cedida a favor da AMI”.

A AMI é uma Organização Não Governamental (ONG) portuguesa, privada, sem fins lucrativos, fundada em 1984, que tem como objectivos principais lutar contra a pobreza, a exclusão social, o subdesenvolvimento, a fome, e as sequelas da guerra, em qualquer parte do Mundo. Na Madeira está representada desde 1997, e actualmente possuem cerca de 75 voluntários inscritos.

20.2.18

AMI retirou 42 sem-abrigo das ruas em 2017

in BoasNotícias

Quarenta e dois homens em situação de sem-abrigo foram retirados das ruas em 2017, ano em que as equipas de rua da Assistência Médica Internacional (AMI) acompanharam quase 400 pessoas, segundo dados divulgados pela organização.

No ano passado, 384 pessoas em situação de sem-abrigo procuraram as equipas de rua da AMI, das quais 204 foram atendidas pela primeira vez (82 pela Equipa de Rua de Gaia e Porto e 124 pela Equipa de Rua de Lisboa).

Na sua maioria, são homens (84%), com idades entre os 40 e os 59 anos, portugueses (82%) e sem qualquer atividade profissional, refere a AMI em comunicado.

Pernoitam principalmente na rua (36%), mas recorrem também a casa de familiares e amigos (15%), abrigos temporários ou de emergência para sem-abrigo e pensões ou quartos (12% cada).

As principais necessidades identificadas foram a alimentação (78%), o vestuário (69%) e o alojamento (55%), sendo que 44% necessitava, ainda, de uma consulta médica e 21% de apoio com medicamentos.

As principais razões que levaram estas pessoas à situação de sem-abrigo foram a precariedade financeira (60%), o desemprego (56%) e a falta de alojamento (33%).

O trabalho realizado pela AMI permitiu retirar 42 homens da situação sem-abrigo no ano passado, 37 dos quais conseguiram reintegrar o mercado de trabalho.

Estes homens conseguiram “colocação no mercado de trabalho, de forma mais ou menos precária, com vínculos laborais de maior ou menor segurança, mas o apoio que receberam nos Abrigos permitiu-lhes tornarem-se autónomos”, realça a AMI.

Dos 107 homens que viveram nos Abrigos Noturnos da AMI em 2017, 25 conseguiram obter alguma autonomia financeira e mudaram-se para quartos ou apartamentos alugados, oito foram viver com familiares ou amigos, dois regressaram ao seu país de origem, cinco emigraram e dois saíram para trabalhar fora da região de Lisboa ou do Porto.

Desde 1999, a AMI já apoiou 11.748 pessoas em situação sem-abrigo através dos Abrigos Noturnos de Lisboa e Porto e das Equipas de rua de Lisboa, Porto e Gaia.

Em 2017, frequentaram os equipamentos sociais da AMI, 1.395 pessoas em situação sem-abrigo, representando 12% da população total atendida.

Distribuem-se principalmente pelos grandes centros urbanos, Grande Lisboa (54%) e Grande Porto (36%). Foram atendidas pela primeira vez 443 pessoas, das quais 26% são mulheres.

Desde 1997, os Abrigos Noturnos apoiaram 1.263 homens em situação sem-abrigo em condições de inserção socioprofissional, sendo que o Abrigo da Graça, em Lisboa, apoiou 861 pessoas, e o do Porto 402 pessoas desde a sua abertura (2006).

Os abrigos proporcionam alojamento temporário a homens sem-abrigo em idade ativa, que apresentem condições que permitam a sua reinserção socioprofissional, mas também apoio social e psicológico, vestuário, alimentação, cuidados de higiene e apoio na procura de emprego.

A admissão faz-se por contacto ou encaminhamento de instituições e organizações que trabalham com sem-abrigo.

13.9.17

AMI com campanha de recolha de radiografias

Jornal da Madeira

Começou a 22.ª edição da Campanha de Reciclagem de Radiografias da AMI. Entre 12 de setembro e 4 de outubro, é possível entregar em qualquer farmácia as radiografias com mais de cinco anos ou sem valor de diagnóstico e assim contribuir para nos ajudar a continuar a nossa missão.

De acordo com uma nota de imprensa da AMI, "na Madeira recolhemos cerca de uma tonelada por ano, com o inestimável apoio da Câmara Municipal do Funchal, que para além da recolha em todos os locais de depósito, também faz o seu armazenamento e transporte para o continente, de onde partirá para reciclagem na Alemanha. Agradecemos também a todas as farmácias, centros de saúde, centros radiológicos, escolas, e demais entidades que nos apoiam nesta campanha, transformando-a num trabalho de equipa empenhado e eficaz".

Refere ainda a AMI, que "ao longo dos 21 anos desta campanha, já recolhemos quase 1.600 toneladas de radiografias ao nível nacional. Cerca de 70 toneladas na região. Para além de proteger o ambiente evitando a sua deposição no lixo, a prata retirada da película é reintroduzida no mercado de matérias-primas".

Tal como revela, "todos os anos, esta campanha gera fundos suficientes para financiar um dos 16 equipamentos e respostas sociais da AMI em Portugal".

26.1.17

Cabazes alimentares vão deixar de fora muitos carenciados, alerta AMI


in TVI24


Governo quer substituir o modelo de cantinas sociais pela distribuição de cabazes alimentares aos mais carenciados, recorrendo ao Fundo Europeu de Auxílio às Pessoas Mais Carenciadas (FEAC)

A Fundação AMI congratulou-se esta terça-feira com a distribuição de cabazes alimentares através do Fundo Europeu de Auxílio às Pessoas Mais Carenciadas (FEAC), mas advertiu que irão ficar de fora desta medida muitas pessoas em situação de carência.

A diretora do Centro Porta Amiga de Almada da Fundação AMI, Maria da Luz Cachapa, comentava desta forma, à agência Lusa, o anúncio do Governo de querer substituir o modelo de cantinas sociais pela distribuição de cabazes alimentares aos mais carenciados, recorrendo a este fundo comunitário.

Segundo a secretária de Estado da Segurança Social, Cláudia Joaquim, cerca de 60 mil pessoas vão receber cabazes alimentares, que integram na sua composição carne, peixe e legumes congelados, com o objetivo de cobrir as suas necessidades nutricionais diárias em 50%.

"Quando vi estas notícias fiquei um pouco alarmada por considerar que são poucas pessoas que vão beneficiar deste apoio", disse Maria da Luz Cachapa, considerando que o número de beneficiários "fica muito aquém das reais necessidades dos portugueses"

Segundo a responsável, haverá muitas situações de pessoas que auferem um pouco mais do que está previsto na lei para poderem integrar o FEAC, na ordem dos 200 euros, mas que "são carenciados e precisariam com urgência deste apoio".

Quando falamos de 200 euros por mês falamos de valores muito baixos. É muito difícil sobreviver" com este valor, frisou.

O FEAC, que substituiu o Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados, apoiou mais de 400 mil portugueses em 2015, mas não foi distribuído em 2016.

"No ano passado não tivemos FEAC e sentimos uma grande dificuldade, porque as pessoas precisavam dos alimentos e as instituições tinham muito menos para dar do que era habitual, comparado com os anos anteriores", disse a responsável, considerando que o retomar do fundo "é uma medida extremamente importante".

O retomarmos este apoio para a população será uma resposta bastante benéfica, porque permite às famílias cozinharem nas suas casas e isso é muito importante", principalmente para as crianças porque lhes dá a "noção de famílias e de partilha efetiva", defendeu.

Por outro lado, vai haver uma alimentação equilibrada em termos de peixe, de carne, de laticínios, legumes que o fundo comunitário não tinha nos últimos anos, sublinhou

Com esta medida, "há toda uma história familiar que é respeitada, um estilo alimentício que é respeitado e isso é muito bom para a convivência familiar".



17.5.16

"Qualquer um de nós pode cair na pobreza" - Entrevista a Helena Andrade

João Toledo, in "Tribuna da Madeira"

Helena Andrade, delegada regional da AMI na Madeira, lamenta o facto da sociedade ainda olhar para o pobre “como alguém preguiçoso, que não quer trabalhar e que quer apenas viver dos subsídios”.

“QualQuer um de nÓs Pode cair na Pobreza” Helena Andrade, delegada regional da AMI na Madeira, lamenta o facto da sociedade ainda olhar para o pobre “como alguém preguiçoso, que não quer trabalhar e que quer apenas viver dos subsídios”.

a delegada regional da ami na madeira alerta que “a nossa sociedade ainda tem uma série de mitos e de ideias em relação à pobreza que era importante desmitificar”, salientando que o facto da pessoa estar numa situação de pobreza “não significa que ela não seja capaz de ser útil se lhe for dada uma oportunidade”.

Helena andrade considera também que ainda é muito cedo para se falar numa retoma económica, argumentando que “os números de pedidos de ajuda continuam a aumentar”.

5.5.16

Beneficiários da AMI abaixo dos 30 anos

In "Destak"

Quase metade das 28.069 pessoas que a Assistência. Médica Internacional (AMI) ajudou em 2015 tinham menos de 30 anos, revelamos dados da organização, que apontam para uma descida de 6% no número de casos apoiados diretamente: Apesar da diminuição verificada face ao ano anterior, procuraram pela primeira vezos apoios sociais da AMI, no ano passado, 3.775 pessoas (28% da população total apOiada). A organização contabiliza 502 novos casos de sem-abrigo, menos 13 face a 2014, 27% dos quais mulheres, que mais do que duplicaram.

AMI apoiou 1.455 sem-abrigo em 2015, dos quais 502 novos casos

In "Açoriano Oriental"

Os sem-abrigo apoiados são maioritariamente homens AMI apoiou 1.455 sem-abrigo em 2015, dos quais 502 novos casos Assistência Médica Internacional ajudou 28.069 pessoas no ano passado, sendo que 502 foram novos casos de sem-abrigo LUSA Açoriano Oriental AAssistência Médica Internacional (AMI) atendeu no ano passado 502 novos casos de sem-abrigo, menos 13 face a 2014, 27% dos quais eram mulheres, segundo dados da organização.

Os dados do Relatório de Atividades e Contas 2015 daAMI referem que, no ano passado, frequentaram os equipamentos sociais 1.455 pessoas sem-abrigo, menos 4% do que no ano anterior, representando 11% da população total atendida.
Estas pessoas enquadram-se na tipologia de sem-abrigo definida pela Federação Europeia das Organizações que Trabalham coma População Sem-Abrigo, que contempla situações de pessoas que estão em centros de acolhimento de emergência ou -temporário, que vivem em quartos alugados, em barracas ou em casas sobrelotadas.

A AMI observa que 27% dos novos casos atendidos no ano passado eram mulheres, verificando-se que o atendimento de mulheres mais do que duplicou ( mais 121%) desde 1999, ano em que se começou a fazer esta contagem.
Desde esta data, já foram apoiadas 10.907 pessoas em situação de sem-abrigo.
Os sem-abrigo apoiados em 2015 são maioritariamente homens (75%), com idades entre os 40 e os 59 anos (51%) e os 30 e os 39 anos (17%).
Distribuem-se principalmente pela Grande Lisboa (52%) e pelo Grande Porto (38%), tendo-se verificado, na região de Lisboa, uma descida de 11% face a 2014 e uma subida de 6% na região do Porto.

Quase um-terço (28%) pernoita flama, em escada s, átrios, prédios, carros abandonados, contentores e estações, 14% em quartos e pensões, 17% residem temporariamente em casa de familiares ou amigos, 13% vivem em centros de emergência ou destinado avítimas de violência doméstica, 7% em habitações inadequadas, 7% em casa alugada e 14% noutros locais não especificados.
Os dados referem que 79% são portugueses, seguindo-se os naturais dos PALOP (12%), de outros Países da União Europeia (3%) e do grupo Outros Países (3%), onde se inclui o Brasil e a índia.

Em 2015, quase metade das 28.069 pessoas que a Assistência Médica Internacional ajudou tinham menos de 30 anos. Apesar da diminuição verificada face ao ano anterior, procuraram pela primeira vez os apoios sociais daAMI, em 2015, 3.775 pessoas, (28% da população total apoiada), segundo o Relatório de Atividade e Contas 2015 da organização.

Os equipamentos sociais apoiaram uma média de 3.909 pessoas por mês, com uma média mensal de 315 novos casos de pobreza.
No total, foram apoiadas 13.604 pessoas diretamente, JOSÉ SENA GOULAO / LUSA através destes equipamentos, e 14.465 indiretamente, através da distribuição alimentar a 36 instituições do Grande Porto, no âmbito do Fundo Europeu de Apoio a Carenciados.
A AMI sublinha que a redução no número de apoios "não traduz uma melhoria efetiva das condições de vida da população portuguesa"; nem torna "menos prioritário e necessário o investimento no trabalho social desenvolvido" nas comunidades pela organização.
Como razões para esta diminuição, aponta a criação de outras respostas sociais, como cantinas sociais e campanhas de combate ao desperdício alimentar, "cuja intervenção possui um cariz mais assistencialista e permite dar uma respostamais imediata ao nível das necessidades mais básicas".

Poderá também dever-se a uma "maior articulação entre as instituições, o que se traduz num trabalho mais integrado e uma menor duplicação de apoios", refere a organização, que, desde 1994, já apoiou diretamente 68.092 pessoas em situação de pobreza.
Traçando o perfil da população apoiada, a instituição refere que "sofreu algumas alterações", mas continua a ser maioritariamente uma população em idade ativa., que se depara com o problema do desemprego.
Os que pedem ajuda são cada vez mais novos: Se em 2008, apenas 30% da população apoiada tinha menos de 30 anos, em 2015, essa percentagem aumentou para os 48%

AMI registou 218 casos de violência doméstica em 2015, menos 30 face a 2014

In "Observador"

A Assistência Médica Internacional registou, no ano passado, 218 casos de violência doméstica, menos 30 face a 2014, segundo o Relatório de Atividades e Contas 2015 da AMI.

A Assistência Médica Internacional registou, no ano passado, 218 casos de violência doméstica, menos 30 face a 2014, segundo o Relatório de Atividades e Contas 2015 da AMI.

Os dados adiantam que 81% dos relatos de episódios de violência doméstica foram feitos por mulheres, entre os 30 e os 49 anos (47%), estando a maioria divorciada (33%), e casada ou a viver em união de facto (27%).

O agressor é na maior parte dos casos o cônjuge ou o namorado (43%), registando-se também agressões por parte dos pais ou outros familiares (6%).

A AMI assinalou também 75 casos de violência de género, menos 21 do que 2014, sendo 95% das vítimas mulheres, com idades entre os 30 e os 49 anos (61%).

Segundo o relatório, publicado no ‘site’ da AMI, a maioria das vítimas era divorciada ou solteira (51%), enquanto 25% eram casadas ou viviam em união de facto.

Estas vítimas contaram ter sofrido agressões físicas (73%) e ofensas/insultos (25%).

Os serviços mais procurados por estas mulheres foram o apoio social (87%) e o apoio alimentar (57%), adianta o documento.

A Assistência Médica Internacional divulga também dados sobre o tipo de habitação da população que recorre aos seus serviços sociais.

Segundo os dados, 8.682 moram em casa alugada (64%), sendo que destas pelo menos 3.304 são de habitação social (38%) e 1.620 têm casa própria (12%).

Entre os beneficiários que vivem em casa própria ou casa alugada, a organização apurou que 381, menos 14% que em 2014, não têm acesso a água canalizada ou têm, mas de forma ilegal.

Há ainda 604 pessoas (menos 9% que em 2014) que não têm acesso a luz ou têm mas de forma ilegal, 78 não têm ligação à rede de esgotos, 91 não têm cozinha e 75 não têm retrete (10 têm acesso a retrete coletiva).

Dos dados apurados, a AMI observou que as despesas mensais com rendas/amortizações de 1.949 pessoas (14%) são inferiores a 100 euros.

Relativamente às razões pelas quais procuram o apoio da AMI, 890 pessoas referiram tê-lo feito por necessidades relacionadas com o alojamento.

Contudo, esta necessidade foi diagnosticada, em contexto de atendimento social, em 1.461 pessoas, refere o relatório.

Houve ainda 542 pessoas que referiram situações de endividamento por rendas em atraso ou crédito à habitação que não conseguem cumprir.

O relatório divulga também dados sobre o apoio alimentar prestado pela AMI em 2015, nomeadamente no serviço de refeitório que foi frequentado por 2.081 pessoas, maioritariamente homens (56%).

Nos equipamentos sociais e através do Apoio Domiciliário foram servidas mais de 210 mil refeições.

Desde 1997, já foram servidas 3.411.243 refeições, com uma média de 179.500 por ano.

27.4.16

Reportagem da TVI "Um lar debaixo da ponte" distinguida pela AMI

In "TVI 24"

"Um lar debaixo da ponte", uma reportagem da jornalista Catarina Canelas, com imagem de José Chorão e edição de imagem de Miguel Freitas, ganhou a menção honrosa deste ano do prémio AMI Jornalismo contra a Indiferença

11.12.15

A esperança que faz o mundo

Luís Pedro Nunes, in "Expresso"

Um livro, nove fotorreportagens, 30 anos, 77 países. O trabalho da Assistência Médica Internacional (AMI) contado pelas fotografias de Alfredo Cunha e nos textos de Luís Pedro Nunes foi reunido num livro que acaba de sair. Esta é uma fotogaleria breve da viagem a todas as terras onde se luta por um futuro melhor

3.12.15

AMI atribui Bolsas de Estudo a 24 estudantes

In "Destak"

Lançado este ano letivo, o Fundo Universitário AMI vai beneficiar 24 estudantes com uma bolsa no valor de 600€. Um fundo anunciado no início do ano, que surgiu na sequência de pedidos de ajuda de estudantes que não conseguiam prosseguir os seus estudos por não terem como pagar as suas propinas.

Com um orçamento máximo de 20 mil euros, o Fundo Universitário AMI tem como objetivo apoiar a formação académica de jovens que não disponham dos recursos económicos necessários para o prosseguimento de estudos no ensino superior ou que, no decurso da sua licenciatura, se encontrem subitamente numa situação financeira crítica.

Com a atribuição deste Fundo, a AMI espera contribuir para que os jovens beneficiários, muitos deles verdadeiros exemplos de coragem e perseverança, tenham melhores condições para construir um futuro de sucesso, digno e feliz, permitindo, em muitos casos, quebrar o perverso ciclo da exclusão social e da pobreza.

13.11.15

Crianças mutiladas, vidas suspensas, uma mulher contra toneladas de destroços

In Rádio Renascença

O livro "Toda a Esperança do Mundo" acompanha o trabalho da AMI em vários países: desde os escravos do Níger às meninas mutiladas na Guiné-Bissau e aos pobres em Portugal. Leia excertos e veja algumas fotografias.

Parque de diversões em Erbil, Curdistão, Iraque. Fotografias de Alfredo Cunha
São 320 páginas de fotografias e histórias a preto e branco, com olhares de pessoas em dificuldades nos quatro cantos do mundo a interpelar o leitor. Mas a mensagem é de esperança e não de miséria. "Toda a Esperança do Mundo", do jornalista Luís Pedro Nunes e do fotojornalista Alfredo Cunha, é apresentado esta sexta-feira, às 18h30, na Fnac do Chiado, em Lisboa.

O livro inclui reportagens na Roménia, no Níger, no Bangladesh, na Guiné-Bissau, em Portugal, no Sri Lanka, no Iraque, no Haiti e no Nepal. As reportagens, feitas a convite da AMI, foram feitas quase todas em 2014.

A obra assinala o 30.º aniversário da AMI, que receberá dois euros por cada exemplar vendido (custa 39,90€). Fernando Nobre, fundador da instituição, descreve o trabalho como "o objecto de arte mais perene do que foram as intervenções e preocupações" da AMI nestes anos.

Já o jornalista Adelino Gomes, que assina um dos prefácios, compara-o a uma viagem pela "geografia humana do sofrimento, da dor e da esperança". O outro prefácio é do também jornalista José Manuel Barata-Feyo.

Depois de Lisboa, o livro será apresentado no sábado, às 16h00 no Espaço Mira, no Porto, onde será inaugurada uma exposição com uma selecção de fotografias impressas em tamanho grande.

As crianças "irrecuperáveis" da Roménia


"You must be strong." Em inglês, na Roménia. O aviso estava feito. Num exíguo gabinete, o director da Camin Spital de Bîlteni alertava deste modo os seis portugueses da equipa da AMI, acabados de chegar de uma viagem de 380 km, vindos de Bucareste. O objectivo que os levara a deixar Portugal - o emprego, o quotidiano e a família - estava apenas a dois lances de escadas. Lá em cima, vegetavam 126 crianças deficientes que o regime de Ceausescu marcara com o ferro do "nerecuperabili". Irrecuperáveis.

Vidas escravas no Níger

Há uma casota a que chamam escolinha com meninos e meninas. Mas é uma aldeia de escravos. Peço para dois deles escreverem o nome num papel. Mais tarde, numa foto, vejo as suas caras de terror, sem perceberem o que se estava a passar, as meninas na sala de bracinhos cruzados sobre o peito, como se estivessem à espera de ser levadas. Ao primeiro embate, violento como um choque eléctrico, custou a assimilar a inominável ideia - "esta gente é escrava" - mas a imagem veio comprovar ao que equivale essa condição. A ausência de possibilidade, desde a nascença, de ascender a um estatuto sequer jurídico de ser humano. Um escravo não é uma pessoa. Nem sequer um animal de estimação.

Bangladesh, o país que se vai afundar



Estes bairros da lata não se vão formando só nas periferias, antes escondem-se nas entranhas da cidade. Por vezes, parece que é só uma viela. Entra-se e passada uma estreita ranhura entre prédios abre-se uma zona de casotas de tábua e telhado de zinco, em terrenos de lama e laje. Se forem hindus, terão porcos a viver ao lado da barraca. Se não tiveram apoio de nenhuma ONG, o esgoto a céu aberto de dejectos humanos misturar-se-á com o dos porcos e o azedo da comida dos animais, que atrai moscas. As pessoas estarão na sua vida a conversar, a cozinhar, a lavar-se na água que sai das bombas.

Mas não há um gesto de reprovação, de recusa, ou de pedinchar. Aliás, o fascínio pelas fotografias é tão grande que da cara mais triste sai um sorriso.
As bebés mutiladas da Guiné-Bissau

Há assuntos que ninguém quer saber em detalhe. Não é preciso ter um ponto de partida: nesta história não há "bons" nem "maus". Aliás, como podem os pais de meninas recém-nascidas sujeitá-las à mutilação clitoriana? Não se está a falar de uma ou duas "situações", mas de uma prática banal que se está a expandir, de "milhares de casos" essencialmente no Leste da Guiné-Bissau. É que se para "nós" a excisão em bebés é um atentado aos Direitos Humanos, aqueles pais estão longe de ser monstros ou fanáticos religiosos que estão conscientemente a fazer mal às suas meninas. Pelo contrário.

Retrato da pobreza em Portugal


Os pobres, onde estão os pobres? Têm de estar nalgum lado. Sejamos provocadores, estrangeiros no nosso país. Onde estão as hordas de pobres, a crise humanitária e a implosão social que espelhem os números dos que foram triturados pela tragédia da crise? Rondamos à noite pelas cidades e há alguns sem-abrigo. Perguntamos aqui e ali onde são os pontos em que se juntam a dormir, como a estação do Oriente. Diz um sem-abrigo, dos que está ao frio à espera de uma sopa, numa das muitas noites em que lá estivemos: "Só dorme na rua quem quer". Outra frase que se ouviu muito: as cidades estão a expulsar os sem-abrigo dos centros históricos e das zonas das lojas caras. Ninguém quer aquelas imagens de homens a dormir na rua em papelões.

O mar assassino do Sri Lanka


A ilha do Sri Lanka tem ironicamente a forma de uma lágrima. Fica na pontinha final da Índia, ancorada ao lado oriental - mas é diferente da Índia. Os portugueses baptizaram-na de Ceilão em 1505 e deixaram lá marcas ainda presentes, quer em termos físicos (é esmagador ver como construíram fortificações nas pontas da ilha), quer genéticos. Balthazaar é um "Burgher Portuguese". Aquele bairro era quase todo "português". Há dez anos, foi a primeira linha, a zona de "peito", em que o tsunami embateu em todo o Sri Lanka.

Vidas suspensas no Iraque


O primeiro impacto é o frio, o frio, o frio, vento que rabeia maluco como facas invisíveis, o chilrear aqui e ali em vários pontos de crianças a brincar, o som de utensílios de cozinha (uns pratos, umas mulheres a fazer massa de pão). E frio.

Soltei uma pergunta parva.

- Onde estão as pessoas? Não era suposto serem 60 mil neste campo?

(Um dos directores do campo intrigado com a pergunta.)

- Estão dentro da tenda a abrigar-se do frio.

Haiti, bem-vindo ao caos

Quando se chega tem-se alguma dificuldade em acordar o cérebro para o que ali se passa. O silêncio. A desolação. As barracas espalhadas pela calvície da montanha. O aspecto abandonado. O desprezo e a descrença com que somos olhados. Só mais de uma hora depois, Pierre, um ex-motorista da capital, deixa cair a sua história. E sai em golfadas. Ex-emigrante nos EUA. Vida sofrida em Port-au-Prince até ao grande sismo. Exilado para ali. Deram-lhe 20 metros quadrados de terra seca numa encosta íngreme. Não há água. Electricidade. Nem escola para os miúdos. Muito menos emprego. Não perguntem como sobrevive. Ultrapassa sempre a nossa compreensão.

O tecto do mundo desabou no Nepal

Uma mulher contra toneladas de destroços. Estará mesmo convencida de que irá conseguir à mão, sem ajuda homens ou maquinaria, reconstruir a sua casa? Mais do que David contra Golias, parece Sísifo a empurrar o rochedo montanha acima: uma tarefa absurda. Mas a mulher está quase tranquila no modo como agarra dois tijolos de cada vez e os leva de um lado para o outro. Quando os pousa com gentileza, para que não se partam, há um som seco que perturba uma banda sonora de normalidade: pássaros, crianças a brincar ao longe, velhos muito velhos a tagarelar. E ali está ela. Numa luta pausada. A tentar arrumar uma casa esmigalhada numa rua arrasada pelo sismo que destruiu parte do Nepal e fez, dizem, uns 8 mil mortos.

"Toda a Esperança do Mundo"

In TSF

Nove reportagens do fotógrafo Alfredo Cunha e do jornalista Luís Pedro Nunes chegam esta sexta-feira às livrarias. Parte das verbas revertem para a AMI.

O fotógrafo Alfredo Cunha e o jornalista Luís Pedro Nunes lançaram-se numa viagem com a AMI, que passa pela crise em Portugal, mas também pelos refugiados e pelos escravos no Níger, os habitantes de bairros de lata no Bangladesh ou as meninas que lutam contra a mutilação genital feminina na Guiné-Bissau.

Neste livro Alfredo Cunha fotografa o que considera "os grandes temas" para os quais a AMI tem alertado
Alfredo Cunha explica que, quem comprar este livro vai encontrar histórias de pessoas que surgem poucas vezes na comunicação social, numa espécie de alerta para os perigos que ameaçam o mundo.

O fotógrafo diz que "Toda a Esperança do Mundo" é uma espécie de alerta para a falta de Humanidade
"Toda a Esperança do Mundo" chega esta sexta-feira às livrarias e, por cada exemplar vendido, 2 euros revertem para a AMI.

11.11.15

Fundação AMI promove recolha de bens alimentares

In "Diário de Coimbra""

A Delegação Centro da Fundação AMI, vai realizar no próximo fim-de-semana uma recolha de bens alimentares destinados aos seus utentes.
Assim, a recolha vai decorrer em várias grande superfícies da cidade, nomeadamente nos hipermercados Continente, no Forum Coimbra, Coimbra Shoping e também na cidade deCantanhede.
Nesse sentido, a Fundação AMI está a procurar voluntários, para que disponibilizem algumas horas do fim-de-semana pa ra ajudar nesta recolha.
Os interessados em colaborar devem contactar o mail delegação.centro@ami.org.pt ou 239842705/ 962538426.

24.9.15

AMI envia equipas humanitárias para Grécia e Itália

Juliana Baptista, in Fátima Missionária

Duas equipas da Assistência Médica Internacional (AMI), com um total de seis elementos, partem esta quinta-feira, 24 de setembro, para a Grécia (Kos) e para Itália (Lampedusa). O objetivo desta missão humanitária é estudar no terreno e em conjunto com as autoridades e ONG locais, o tipo de ajuda que pode ser prestada, perante o fenómeno migratório que tem origem em África e no Médio Oriente.

Em comunicado, a organização portuguesa destaca que as ilhas de Kos e Lesbos, na Grécia e a ilha de Lampedusa, na Itália, «são as duas maiores portas de entrada para Europa naquela que é uma das mais graves crises humanitárias na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial».

11.8.15

AMI: Verba da UE para crise migratória é positiva, mas não responde às questões de fundo

in Negócios on-line

A AMI qualificou hoje como "positiva" a decisão da Comissão Europeia de criar um fundo para enfrentar a crise migratória que actualmente afecta a Europa, alertando, porém, que a medida "não responde às questões de fundo" do fenómeno.

"Apesar de a AMI [Assistência Médica Internacional] considerar como positiva a medida hoje anunciada pela Comissão Europeia de criar um fundo de 2,4 mil milhões de euros, esta não responde às questões de fundo que estão na origem das migrações", referiu a organização num comunicado, defendendo a criação de um 'Plano Marshall' (programa de recuperação) para África.

A par da importância de actuar internamente face à actual emergência humanitária, "reforçando a integração e o asilo dos migrantes que chegam aos Estados-Membros da União Europeia", a organização presidida por Fernando Nobre acredita ser sobretudo necessário "um plano que restaure a esperança das populações africanas" e que possibilite a permanência destas pessoas nos países de origem.

"Um projecto verdadeiramente solidário que possibilite o acesso a direitos fundamentais, como saúde, educação, emprego, habitação, água, entre outros", frisou a AMI.

Na mesma nota, a organização destacou a importância da comunidade internacional "aprender com os erros cometidos no Iraque, na Síria, na Líbia e na Ucrânia", mencionando que estes conflitos "incrementaram significativamente o fluxo migratório" e que, a termo, poderão "provocar o fortalecimento dos partidos xenófobos e colocar em risco a existência das democracias ocidentais".

"É fundamental actuar de forma preventiva nas causas dos movimentos migratórios e não apenas de forma reactiva a uma crise humanitária que será, de certeza, a maior tragédia que a Europa terá que enfrentar já nos próximos anos", concluiu a AMI.

A Comissão Europeia anunciou hoje a aprovação de 23 programas nacionais plurianuais ao abrigo do Fundo para Asilo, Migração e Integração (AMIF) e do Fundo de Segurança Interna (ISF), no valor global de 2,4 mil milhões de euros.

Em comunicado, a Comissão referiu que o financiamento total para os programas abrangerá o período entre 2014 e 2020.

O dinheiro vai agora ser transferido para os Estados-membros da União Europeia, como a Grécia, Itália e outros países, para lidar com a situação do aumento do fluxo migratório para a Europa.

Portugal irá receber destes fundos 38,6 milhões de euros, de acordo com o comunicado.

Em 2014, de acordo com a Agência Europeia para a Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas da UE (Frontex), entraram de forma ilegal na Europa cerca de 280 mil pessoas. Este número, segundo a Frontex, é um recorde absoluto.

Do total das 280 mil, o Mar Mediterrâneo foi a porta de entrada de 220 mil entraram em território europeu.

De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), já morreram cerca de 2.000 pessoas no Mediterrâneo, este ano, ao tentar chegar à Europa.

O 'Plano Marshall' consistiu num programa norte-americano destinado a recuperar as economias dos países do ocidente e sul da Europa após a Segunda Guerra Mundial. «