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19.9.22

Luxemburgo. Mais de 20% da população em risco de pobreza ou exclusão social em 2021

in Contacto

Já na UE, 21,7% da população estava em 2021 em risco de pobreza ou exclusão social.

De 2020 para 2021, a percentagem de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social aumentou no Luxemburgo, de 19,9% para 21,1%. Esta ligeira subida acompanha a tendência europeia, segundo dados divulgados pelo Eurostat.

Luxemburgo. 79% das famílias sofrem com encargos da habitação


De facto, em 2021, 21,7% da população da União Europeia (UE) estava em risco de pobreza ou exclusão social, uma ligeira subida face aos 21,6% do ano anterior.

Das 95,4 milhões de pessoas na UE (94,8 milhões em 2020) em risco de pobreza, cerca de 5,9 milhões (1,3% do total da população da UE) vivia em agregados expostos simultaneamente aos três riscos de pobreza e exclusão social: risco de pobreza, ou vivendo em agregados com intensidade laboral ‘per capita’ muito reduzida ou em situação de privação material e social severa.

Portugal com 22,4% da população nesta condição

Em 2021, 27 milhões estavam em situação de privação material ou social severa e 29,3 milhões viviam em agregados com baixa intensidade laboral.

A Roménia (34%), a Bulgária (32%), Grécia e Espanha (28% cada) foram os Estados-membros com maiores taxas de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social.

Há cada vez mais gente sem acesso à saúde no Luxemburgo


Em contraste, as menores taxas de pessoas em risco foram registadas na República Checa (11%), Eslovénia (13%) e Finlândia (14%).

Em Portugal, havia em 2021 22,4% de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social (20,0% em 2020), a oitava maior taxa entre os Estados-membros e acima da média da UE (21,7%).

(Com Lusa)

30.8.22

Há mais portugueses a prever cortar em compras importantes e empresas estão menos confiantes

Vitor Ferreira, in Público online

Inquéritos de conjuntura do INE mostram que as famílias estão cautelosas e que só o sector dos serviços viu o indicador de confiança aumentar em Agosto.
Victor Ferreira30 de Agosto de 2022, 10:58

As expectativas económicas das famílias e das empresas portuguesas continuam longe do que eram antes do início da guerra na Ucrânia. Ao fim de seis meses de conflito, o indicador de confiança dos consumidores estabilizou, segundo os dados de Agosto, mas num patamar muito abaixo daquele em que se situava em Fevereiro, antes da invasão da Ucrânia pela Rússia. Já do lado dos empresários, há menos confiança nos sectores da indústria, do comércio e da construção, devido às perspectivas mais negativas em relação a diversos indicadores de negócio.

Começando pelas famílias, o indicador de confiança manteve em Agosto o mesmo valor de Julho. Quando olham para a frente, e perspectivam a evolução nos próximos 12 meses, os consumidores parecem agora acreditar mais numa melhoria do clima económico do país e numa evolução mais favorável da situação financeira dos seus agregados. Porém, enchem-se de cautelas quando estimam os níveis de consumo, havendo mais famílias a avaliar a necessidade de cortarem em compras importantes nos próximos 12 meses.

Quando se olha para os dados de Agosto corrigidos de sazonalidade, torna-se ainda mais evidente que a degradação da confiança registada em Março, logo depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia está longe de uma inversão de tendência. Pelo contrário, as respostas sobre a situação económica do país nos próximos 12 meses apontam para uma curva cada vez mais negativa, com os valores a manterem uma trajectória de aproximação aos valores mínimos de confiança registados em Outubro de 2012, mas menos negativos do que os registados durante as fases mais críticas da pandemia em 2020 e 2021.

Com base nos valores corrigidos de sazonalidade, o mês de Agosto revelou que as famílias acreditam menos na sua capacidade de pouparem no momento actual, perspectivam um mercado laboral ligeiramente melhor, mas mostram-se menos confiantes numa evolução favorável dos preços ao longo do próximo ano. Tudo isto talvez ajude a explicar por que razão há mais consumidores a referir a necessidade de conter despesas, cortando em compras importantes no futuro próximo.

O mesmo pode ser dito quando se analisa as respostas dos empresários. Face às cautelas dos consumidores e às condicionantes de produção, há um maior número de sectores económicos com uma evolução desfavorável no indicador de confiança do que o contrário. Como já se referiu, só mesmo o sector dos serviços apresenta uma evolução positiva face a Julho.

O indicador de confiança da Indústria Transformadora tinha caído em Julho e, de forma mais intensa, desceu também em Agosto, recuando para um nível próximo do observado em Abril de 2021 – quando o país saía do seu segundo confinamento geral por causa da covid-19.

Todas as componentes contribuíram negativamente para este indicador, salienta o INE. As perspectivas sobre a produção de bens de consumo e bens intermédios baixaram de forma significativa na indústria transformadora, reflectindo os receios de uma recessão que diminua a procura mas também os problemas de fornecimento de matérias-primas, seja pela escassez ou pela alta de preços. Somente os bens de investimento contrariaram esta tendência.

As perspectivas de emprego para os próximos três meses melhoraram, mas continuam abaixo do nível em que se situavam antes do início da guerra na Ucrânia.

Quanto aos preços de venda no próximo trimestre, o indicador de confiança continuou a recuar, tal como tem vindo a acontecer desde Abril.

No sector da Construção e Obras Públicas, a confiança também diminuiu em Agosto, retomando o movimento descendente iniciado em Fevereiro. Neste caso, regista-se um sentimento menos favorável em relação à carteira de encomendas e, sobretudo, uma deterioração do indicador de confiança no nível de emprego para os próximos três meses, que cai nas três componentes deste sector (promoção imobiliária e construção de edifícios; engenharia civil; e actividades especializadas de construção). Isto apesar de se ter mantido estável a confiança sobre os preços de venda nos próximos três meses.

Quanto ao comércio, o indicador de confiança do comércio desceu em Julho e em Agosto. Porém, a evolução não foi uniforme. No comércio por grosso, houve uma descida, mas no comércio a retalho, as perspectivas até melhoraram em Agosto face ao mês anterior.

Há, no entanto, um sentimento ligeiramente mais negativo face à perspectiva de vendas nos próximos três meses, com o volume de stocks a piorar de forma mais significativa no comércio por grosso. As perspectivas de emprego caem para o valor mínimo deste ano, tal como sucede em relação à confiança sobre encomendas a fornecedores e preços de venda.

Pelo contrário, nos serviços, o indicador de confiança aumentou em Agosto, após ter diminuído em Julho. A perspectiva sobre a procura no próximo trimestre melhorou, mas está muito longe aos valores pré-guerra, a confiança no emprego teve uma evolução semelhante, e a única descida no indicador de confiança é quanto aos preços de venda para os próximos três meses.

O sector dos serviços é o que mais pesa na economia portuguesa em termos de valor acrescentado bruto (VAB) – isto é, o valor gerado pelas empresas depois de pagas as matérias-primas e outros consumos na produção, representando 38,1% do VAB da economia.

Para a obtenção destes dados, o INE recolheu respostas de cerca de 1200 a 1400 empresas da indústria, do comércio e dos serviços e cerca de 600 empresas da construção.

18.7.22

Aumento dos preços dos alimentos angustia famílias com menos condições

Sheilla Ribeiro, in Expresso das Ilhas

A guerra na Ucrânia está a causar a subida generalizada dos preços dos bens de consumo, a começar pelos mais básicos e corroendo a renda, que “já era insuficiente” para uma vida digna de muitas famílias. O acesso fácil e permanente à comida ficou na lembrança daqueles que hoje limitam o acesso a determinados alimentos por questões financeiras.

Dados divulgados em 23 de Junho pela ONU, mostram que naquele mês 181 mil mulheres, homens e crianças enfrentavam insegurança alimentar num total de 32% da população nacional.

Já o governo avançou que cerca de 107 mil pessoas estão sob pressão em termos alimentares e 30 mil em situação de insegurança alimentar.

Cíntia (nome fictício), 37 anos, mãe de dois filhos de 12 e 10 anos, faz parte das pessoas que vivem sob pressão alimentar e poderá entrar na estatística dos que enfrentam insegurança alimentar.

“Tenho o salário mínimo e antes da pandemia e da guerra gastava, mensalmente, cerca de 10 mil escudos com a comida. Com 10 mil escudos de compra dava para comer por quase um mês, porque sempre minguava faltando três ou dois dias para receber”, relata esta mãe.

Hoje, com 10 mil escudos, Cíntia afirma que pode comprar comida suficiente para apenas duas semanas, e com um “jeitinho” talvez três. Ou seja, o mesmo dinheiro e uma quantidade menor de comida.

“Os [alimentos] mais essenciais agora custam mais, por exemplo óleo, leite, arroz, ovo. Tive de retirar alguns produtos da lista de compras, como frutas, iogurtes, carne de porco e de vaca”, enumera.

Os filhos, prossegue, deixaram de comer frutas e iogurtes para que pudessem garantir o almoço e o jantar.

“Fico triste com esta situação porque quero comprar algo saboroso para que possam levar à escola e não posso. Por isso, almoçam e vão para a escola onde recebem refeições quentes. Agora com as férias, vão ficar em casa o dia todo e as coisas vão piorar um bocadinho”, atenta.

Conforme conta, o pai de uma das crianças ajuda, mensalmente, com cinco mil escudos porque o Tribunal assim estipulou. Entretanto, frisa, os cinco mil escudos são para carregar os passes para que possam ir à escola.

Durante as férias, esse dinheiro destina-se à comida e ainda assim a situação “é delicada”. Sendo auxiliar de serviços gerais numa instituição pública, Cíntia declara que não consegue garantir uma cesta básica das Associações ou instituições que ajudam, porque a prioridade é sempre para aqueles que não têm um salário.

A única renda extra da família provém do abono da filha mais velha, já que do mais novo, o pai é quem recebe e fica com o dinheiro.

“Se os preços aumentarem mais, vamos ter de comer arroz com azeite para não passarmos fome. Recebo um salário mínimo, tenho de pagar a renda da casa, a electricidade e ainda comer. Não tenho marido, não conto com ajuda e é isso”, especula.

Questão de saúde pública

A nutricionista Yahmilla Carvalho explica que quando se deixa de consumir qualquer tipo de alimento sem uma orientação profissional - a menos que se trate de alimentos industrializados sem benefícios nutricionais - pode-se comprometer a saúde.

“Carnes, ovos, peixes são as principais fontes de proteínas. Não comemos apenas porque é gostoso, é questão de necessidade. A partir do momento que deixamos de comê-los, se não trouxemos, de uma outra fonte, os nutrientes que podemos encontrar nesses alimentos a nossa saúde fica comprometida”, clarifica ao Expresso das Ilhas.

As proteínas, de acordo com a profissional de saúde, fornecem saciedade, ajudam no desenvolvimento dos músculos e estão envolvidos em vários processos do organismo, como por exemplo a questão da energia.

Sem nenhum acompanhamento médico, quando retiradas do dia-a-dia a pessoa apresenta fadiga, perda de peso, além de comprometer alguns órgãos.

Quanto às hortaliças e frutas são as maiores fontes de fibra, vitaminas e minerais. Yahmilla Carvalho destaca que por esta razão poderá ainda ocorrer problemas quanto à imunidade, funcionamento dos intestinos, diabetes, hipertensão, entre outros.

“Num primeiro momento podemos até pensar que deixar de comer, por questões financeiras, esses alimentos pode afectar uma única pessoa ou uma família, mas é uma questão de saúde pública porque cada vez mais aumentam pessoas com as doenças já referidas”, alerta.

No que tange às crianças, a falta de proteínas e vitaminas proporcionadas pela carne e frutas compromete o crescimento e desenvolvimento intelectual, segundo a profissional.

Aumento de pedidos de apoio põe em risco stock do Banco Alimentar

A presidente do Banco Alimentar da Fundação Donana revela que estão a receber cada vez mais pedidos de famílias para apoio alimentar, sublinhando que a seca prolongada, a pandemia e o aumento dos preços tem estado a pressionar a população mais carenciada.

Em 2019, apesar da pandemia, a instituição conseguiu recolher e distribuir 303.420 quilos de alimentos e em 2020 foram 575.420 quilos. 2022, entretanto, segundo Ana Fonseca Hopffer Almada está a ser um ano muito difícil.

Para exemplificar, cita que apenas no mês de Março a instituição distribuiu 15.508 cestas básicas a público que não é habitual, ou seja, que não são ajudadas regularmente através das associações comunitárias.

“Foram cestas básicas para pessoas que chegam ao Banco Alimentar afirmando que não têm comida para comer, que têm fome. São mulheres chefes de famílias que perderam o seu rendimento, jovens mães com bebés, são jovens as vezes até com formação e que não têm trabalho e que estão sem alimentos”, ressalva.

Ana Fonseca Hopffer Almada informa ainda que no mês de Junho o Banco Alimentar recebeu três mil quilos de alimentos que já foram distribuídos, em cerca de mil cestas básicas. Por esse motivo, estão a contactar os parceiros para angariar alimentos, uma vez que o aumento de casos da COVID-19 não permite realizar as habituais campanhas nos super e minimercados.

“Neste momento o nosso armazém está com pouca capacidade de resposta. Se não tivermos apoios vai chegar uma altura em que não teremos alimentos. Arroz, por exemplo já não temos. Tivemos uma doação de quase 4 toneladas de arroz, mas já terminaram. As pessoas não imaginam a quantidade de gente que recebemos e que não são o nosso público alvo, embora esses continuam a receber os seus apoios”, admite.

Face a este cenário, Ana Fonseca Hopffer Almada diz que o principal desafio do Banco Alimentar é manter o stock que está esvaziando rapidamente devido ao aumento de pedidos de ajuda, sobretudo de pessoas que tinham uma vida mais ou menos estável, mas que com as sucessivas crises e a inflação perderam a capacidade de comprar comida.

A presidente do Banco Alimentar precisa que a instituição conta, normalmente, com as associações comunitárias que selecionam 10 famílias com idosos acamados, pessoas portadoras de deficiência e pessoas que não podem trabalhar.

Na cidade da Praia, há cerca de 300 famílias beneficiárias, além de famílias de Santa Cruz, Calheta, Tarrafal, Santa Catarina e Ribeira Grande de Santiago.

Criado em Outubro de 2012, depois da assinatura de um protocolo com a organização que tutela o Banco Alimentar contra a Fome de Portugal, o Banco Alimentar tem parcerias 74 associações em toda a ilha de Santiago, 10 na ilha do Fogo, 10 na ilha de São Vicente e 10 na ilha do Sal num total de 104 Associações, além de instituições caritativas e humanitárias.

Associação Pilourinho cria hortas para ajudar população de AGF

A associação Pilorinhu de Achada Grande Frente (AGF) está a criar hortas comunitárias para ajudar as pessoas mais carenciadas daquele bairro e fazer face ao aumento dos preços dos alimentos.

Em declarações ao Expresso das Ilhas, o presidente Zanildo Moreno avança que as hortas fazem parte do projecto “Jornada Agroecológica”.

“O objectivo desta criação é fazer face à subida dos preços dos alimentos. Temos como referência a horta da nossa associação através da qual conseguimos diminuir o custo da alimentação dos nossos voluntários”, elucida.

As hortas comunitárias darão continuidade ao projecto Xalabás em que foram reabilitadas algumas hortas de famílias do bairro, assim como da escola de Achada Grande Frente.

“É concluir o que o Xalabás começou, criar tanto hortas verticais, como hortas nos quintais. As famílias tanto podem consumir os produtos da horta, como podem vender e assim ganhar um dinheiro extra e garantir o autossustento. Mas a doação às famílias que não têm como ter a horta em casa é obrigatória”, realça.

A associação Pilourinho já tem identificadas 15 casas onde serão plantadas papaia, banana, maracujá, cana de açúcar, pinhão e vários legumes.

“Também na selecção das casas, priorizamos famílias que já têm alguma experiência com hortas. Não ia valer a pena criar uma horta que não seria cuidada. Têm de ser pessoas com boa vontade para cuidar das hortas, que cumpram a obrigação de ajudar os outros porque há muitas famílias em situação difícil em AGF”, frisa.

Mais do que o autossustento do bairro, o presidente da Associação Pilourinho assegura que o projecto visa praticar a agricultura baseada na integração e aplicação de conceitos ecológicos e sustentáveis sem o uso de químicos.

“A nossa sociedade consome muitos produtos importados e esses produtos têm químicos que podem pôr em causa a saúde das famílias. Daí querermos dedicar à agroecologia”, sustenta.

A associação Pilorinhu pretende alargar o projecto das hortas comunitárias para outros pontos da ilha de Santiago e do país.

Contudo, Zanildo Moreno anuncia que neste momento está-se ainda finalizar o orçamento necessário para a implementação do projecto. Mas, já este mês, vão proceder à plantação de 100 árvores fruteiras na comunidade, doadas pela FAO.

A FAO define a insegurança alimentar como um fenómeno que ocorre quando um indivíduo não possui acesso físico, económico e social a alimentos de forma a satisfazer as suas necessidades.

28.6.22

Peixe e carne registam maior aumento de preço desde fevereiro

in Rádio Voz da Planície

A DECO Proteste, desde o início da guerra na Ucrânia, que tem vindo a acompanhar a escalada de preços nos bens alimentares. Um cabaz de produtos essenciais já pode custar mais de 200€.

O peixe e a carne são as categorias de produtos alimentares que já registaram os maiores aumentos de preço desde que a guerra na Ucrânia começou, a 23 de fevereiro, avança a DECO Proteste.

O preço do cabaz de bens alimentares essenciais registou uma ligeira quebra de 0,60%, menos 1,22€, entre 15 e 22 de junho, passando a custar 201,98€.

Quase quatro meses depois do início do conflito, o mesmo cabaz de produtos já regista um aumento de 10%, custando mais 18,35€ do que custava no final de fevereiro, divulga a associação de defesa do consumidor.

O aumento dos preços faz disparar a taxa de inflação, relembra a DECO. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a taxa acelerou para 8% em maio deste ano.