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30.8.22

Há mais portugueses a prever cortar em compras importantes e empresas estão menos confiantes

Vitor Ferreira, in Público online

Inquéritos de conjuntura do INE mostram que as famílias estão cautelosas e que só o sector dos serviços viu o indicador de confiança aumentar em Agosto.
Victor Ferreira30 de Agosto de 2022, 10:58

As expectativas económicas das famílias e das empresas portuguesas continuam longe do que eram antes do início da guerra na Ucrânia. Ao fim de seis meses de conflito, o indicador de confiança dos consumidores estabilizou, segundo os dados de Agosto, mas num patamar muito abaixo daquele em que se situava em Fevereiro, antes da invasão da Ucrânia pela Rússia. Já do lado dos empresários, há menos confiança nos sectores da indústria, do comércio e da construção, devido às perspectivas mais negativas em relação a diversos indicadores de negócio.

Começando pelas famílias, o indicador de confiança manteve em Agosto o mesmo valor de Julho. Quando olham para a frente, e perspectivam a evolução nos próximos 12 meses, os consumidores parecem agora acreditar mais numa melhoria do clima económico do país e numa evolução mais favorável da situação financeira dos seus agregados. Porém, enchem-se de cautelas quando estimam os níveis de consumo, havendo mais famílias a avaliar a necessidade de cortarem em compras importantes nos próximos 12 meses.

Quando se olha para os dados de Agosto corrigidos de sazonalidade, torna-se ainda mais evidente que a degradação da confiança registada em Março, logo depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia está longe de uma inversão de tendência. Pelo contrário, as respostas sobre a situação económica do país nos próximos 12 meses apontam para uma curva cada vez mais negativa, com os valores a manterem uma trajectória de aproximação aos valores mínimos de confiança registados em Outubro de 2012, mas menos negativos do que os registados durante as fases mais críticas da pandemia em 2020 e 2021.

Com base nos valores corrigidos de sazonalidade, o mês de Agosto revelou que as famílias acreditam menos na sua capacidade de pouparem no momento actual, perspectivam um mercado laboral ligeiramente melhor, mas mostram-se menos confiantes numa evolução favorável dos preços ao longo do próximo ano. Tudo isto talvez ajude a explicar por que razão há mais consumidores a referir a necessidade de conter despesas, cortando em compras importantes no futuro próximo.

O mesmo pode ser dito quando se analisa as respostas dos empresários. Face às cautelas dos consumidores e às condicionantes de produção, há um maior número de sectores económicos com uma evolução desfavorável no indicador de confiança do que o contrário. Como já se referiu, só mesmo o sector dos serviços apresenta uma evolução positiva face a Julho.

O indicador de confiança da Indústria Transformadora tinha caído em Julho e, de forma mais intensa, desceu também em Agosto, recuando para um nível próximo do observado em Abril de 2021 – quando o país saía do seu segundo confinamento geral por causa da covid-19.

Todas as componentes contribuíram negativamente para este indicador, salienta o INE. As perspectivas sobre a produção de bens de consumo e bens intermédios baixaram de forma significativa na indústria transformadora, reflectindo os receios de uma recessão que diminua a procura mas também os problemas de fornecimento de matérias-primas, seja pela escassez ou pela alta de preços. Somente os bens de investimento contrariaram esta tendência.

As perspectivas de emprego para os próximos três meses melhoraram, mas continuam abaixo do nível em que se situavam antes do início da guerra na Ucrânia.

Quanto aos preços de venda no próximo trimestre, o indicador de confiança continuou a recuar, tal como tem vindo a acontecer desde Abril.

No sector da Construção e Obras Públicas, a confiança também diminuiu em Agosto, retomando o movimento descendente iniciado em Fevereiro. Neste caso, regista-se um sentimento menos favorável em relação à carteira de encomendas e, sobretudo, uma deterioração do indicador de confiança no nível de emprego para os próximos três meses, que cai nas três componentes deste sector (promoção imobiliária e construção de edifícios; engenharia civil; e actividades especializadas de construção). Isto apesar de se ter mantido estável a confiança sobre os preços de venda nos próximos três meses.

Quanto ao comércio, o indicador de confiança do comércio desceu em Julho e em Agosto. Porém, a evolução não foi uniforme. No comércio por grosso, houve uma descida, mas no comércio a retalho, as perspectivas até melhoraram em Agosto face ao mês anterior.

Há, no entanto, um sentimento ligeiramente mais negativo face à perspectiva de vendas nos próximos três meses, com o volume de stocks a piorar de forma mais significativa no comércio por grosso. As perspectivas de emprego caem para o valor mínimo deste ano, tal como sucede em relação à confiança sobre encomendas a fornecedores e preços de venda.

Pelo contrário, nos serviços, o indicador de confiança aumentou em Agosto, após ter diminuído em Julho. A perspectiva sobre a procura no próximo trimestre melhorou, mas está muito longe aos valores pré-guerra, a confiança no emprego teve uma evolução semelhante, e a única descida no indicador de confiança é quanto aos preços de venda para os próximos três meses.

O sector dos serviços é o que mais pesa na economia portuguesa em termos de valor acrescentado bruto (VAB) – isto é, o valor gerado pelas empresas depois de pagas as matérias-primas e outros consumos na produção, representando 38,1% do VAB da economia.

Para a obtenção destes dados, o INE recolheu respostas de cerca de 1200 a 1400 empresas da indústria, do comércio e dos serviços e cerca de 600 empresas da construção.

15.6.22

Santa Casa da Misericórdia de Beja vai construir Centro de Acolhimento de Refugiados

Beatriz Torres Valente, in Rádio Voz da Planície

São vários os projetos que a Santa Casa da Misericórdia quer concretizar em Beja num futuro próximo. À conversa com o provedor desta instituição, João Paulo Ramôa, ficámos a conhecer melhor estas propostas. A Santa Casa da Misericórdia de Beja (SCMB) possui um terreno no Bairro dos Moinhos, em Beja, com uma dimensão na ordem dos quatro hectares, que pretende urbanizar.

A instituição dividiu o espaço por três espaços distintos, explica João Paulo Ramôa. No âmbito da Estratégia Local de Habitação da cidade, como já avançado em fevereiro deste ano, a SCMB vai criar 40 novas habitações sociais numa parcela desse terreno.

Noutro lote, o provedor da SCMB revela que quer construir um “Centro de Noite”, de forma a dar resposta a pessoas que “estão bem”, mas que por diversos motivos “têm medo de dormir sozinhas à noite”.

Naquela parcela de terreno, João Paulo Ramôa garante que será construído um “Centro Provisório de Acolhimento de Refugiados”, destacando que Beja tem uma taxa de integração de 85%, enquanto que a nível nacional esse número reduz significativamente para 5%.

O “Centro Provisório de Acolhimento de Refugiados” é um projeto que a União Europeia lançou, que vai destinar 180 milhões a Portugal, a fundo perdido. Para Beja, João Paulo Ramôa acredita que é importante continuar a receber pessoas e a fixá-las, de forma a combater os problemas demográficos da região, e em simultâneo, oferecer condições de vida aos refugiados e emigrantes que chegam à cidade.

Amanhã vamos dar a conhecer outro projeto da SCMB, um pouco mais ambicioso, e que vai complementar os projetos já aqui referidos, a “Cidadela da Misericórdia”.

6.1.22

Portugal, um país em que se vive com (muito) frio dentro de casa

João Carlos Malta , Liliana Carona, in RR

Nove em cada dez pessoas não está confortável com a temperatura dentro de casa. Mas o frio não causa apenas incómodo, pode mesmo matar. Por ano, há centenas senão milhares de portugueses que morrem por as casas não terem condições térmicas condignas. Retrato de um país que bate o dente dentro de portas.

Os portugueses a nível europeu são dos que mais sofrem as consequências da pobreza energética das casas em que vivem. Foto: Miguel Pereira Da Silva/EPA

José Augusto tem 72 anos e uma casa gelada à espera. Garante que depende dos dias, mas em média no interior da habitação estão entre 12 e 14 graus. Na aldeia de Cortiçô da Serra, em Celorico de Basto, no interior do país, esta é uma história que se repete quase porta sim, porta sim. “É horrível, é muito frio”, afirma o reformado, ex-emigrante na Alemanha.

José pertence aos 88% de portugueses que, segundo o Portal da Construção Sustentável (PCS) através de um inquérito feito em março deste ano, não se sentem confortáveis dentro de casa devido ao frio ou ao calor. Ou seja, apenas 1 em cada 10 portugueses vive numa casa em que a temperatura é satisfatória.

O mesmo relatório afiança que os que conseguem manter a casa a uma temperatura agradável têm um aumento significativo da conta de energia − pode levar a um agravamento de 50% na fatura.

Mas não é só na carteira que este fenómeno tem impacto. Aliás, o principal problema é as consequências negativas que tem para a saúde dos portugueses. Segundo o inquérito PCS, 15% dos inquiridos têm alguém em casa com problemas de saúde que decorrem da falta de condições térmicas.

​Faz tanto frio nesta escola de Barcelos que há quem entre em hipotermia


O problema é, muitas vezes, mais grave, como confirma o diretor do departamento de epidemiologia do Instituto Ricardo Jorge, Carlos Dias. À Renascença, não tem dúvidas em confirmar a correlação entre a precariedade das habitações e o aumento de mortes que todos os anos, no inverno, se contabilizam em Portugal.

Em relação às que possam ser imputadas ao frio, garante que há anos em que podem ser mais de mil, mas que em média se situam nas largas centenas por ano.

Aquecidos a lenha

Em Portugal, o problema da pobreza energética é sério. É o quarto país da Europa em pior situação (dados do Eurostat). Facto que decorre, muitas vezes, de outro tipo de pobreza − a socioeconómica. Na aldeia do distrito da Guarda em que José Augusto habita, o ex-emigrante lembra que “os ordenados que recebem não dão para as pessoas viverem com condições”.
Portugal sempre foi um país pobre, onde se negligenciou o conforto térmico”, diz João Pedro Gouveia, Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade.

Para aquecer a casa no inverno, ele teve de ir comprar “duas carradas” de lenha. Gastou 400 euros. Mas nem todos têm esse dinheiro. Mesmo para ele, que até pode pagar, os cobertores − uns em cima dos outros − são a solução, frequentemente mais eficaz para combater as baixas temperaturas daquela zona serrana. “Passa-se frio. Isso nem é bom falar”, remata.

O recente inquérito do INE e do Direção-Geral de Engenharia e Geologia revela que a segunda fonte de energia mais consumida nas casas é a lenha. Primeiro, a eletricidade, depois lenha. O gás aparece já muito depois.

"Em minha casa estão entre os 12.5 graus e os 14 graus, depende dos dia... é conforme o tempo dá", José Augusto, morador de Cortiçô da Serra

Um outro estudo da PCS com a Quercus, em 2017, chegou à conclusão de que 20% da população refere “que usa apenas roupa e cobertores como estratégia de melhorar o seu conforto térmico”.

Em Lisboa, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, o professor João Pedro Gouveia, investigador do Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade, fala de um “problema estrutural do país”, que tem uma longa história, mas se intensificou nas décadas de 1970, 1980 e 1990, anos em que a migração de populações do campo para a cidade fez com que se construísse “mal, rápido e barato”.

Segundo dados do Observatório da Energia (ADENE) cerca de 70% das habitações atualmente certificadas têm baixa eficiência energéticas (C ou menos).

“Houve muitas pessoas que passaram das zonas rurais para as grandes cidades. Foi preciso construir rápido e a baixo custo. Portugal sempre foi um país pobre, onde se negligenciou o conforto térmico”, afirma.

O especialista aponta ainda outro número contundente. “Temos bastante mais de 80% dos edifícios com má qualidade de construção, falta de isolamento e com vidros simples. Por isso, temos um problema tão grande de eficiência energética agora”, reconhece.

Em Portugal, 70% das habitações atualmente certificadas têm baixa eficiência energéticas. Foto: EPA


O inquérito anual da União Europeia sobre o Rendimento e as Condições de Vida indica que em Portugal é o segundo país em que mais pessoas detetam “infiltrações, humidade e decomposição” em casa. São 25,2% a responder afirmativamente a esta questão, um valor só superado pelo Chipre.
Mais confortável na rua do que em casa

De regresso à Guarda, junto ao campus universitário, a Renascença encontra-se com dois estudantes deslocados. Vêm de um país com calor, São Tomé e Príncipe. A transição de um clima tropical para o rigor do Interior de Portugal nunca seria suave. Mas as condições das casas que encontraram naquela cidade acentuaram os problemas de adaptação ao clima.

António Cardoso, de 26 anos, está no segundo ano da licenciatura de Recursos Humanos e começa por dizer que vive num apartamento frio. Tão frio, que não tem pejo em dizer: “Estar na rua é mais confortável do que estar dentro de casa”, ilustra.

“As casas não têm aquecimento, não têm as condições mínimas para as pessoas ficarem dentro de casa”, sentencia.
"Somos o país da Europa com mais dias de sol num ano e não faz sentido termos casas tão geladas", diz Aline Guerreiro do Portal de Construção Sustentável.

Isso, claro está, “dificulta o estudo” a ele e aos colegas de curso. A solução são “edredons, cobertores e vestir bastante roupa”. E o aquecedor? É mesmo o último recurso, porque “quando vem a fatura, aumenta-a. Não temos como ligar. Não conseguimos pagar no final do mês”.

Por isso, não tem dúvidas, mal acabe o curso “não queremos nem pensamos ficar aqui”. E não é só a falta de emprego na Guarda que contribui para a decisão. O frio é um fator decisivo.

Ao lado, a compatriota e colega em Recursos Humanos, Leonilde Cravide, de 24 anos, faz o mesmo diagnóstico sintético das casas: “Muito frias”. E lembra o choque quando chegou à cidade. “Os dedos começaram a inchar, fiquei cheia de gripe, agora estou a habituar-me”, afiança.
Olhar para o acessório e não para o estrutural

Aline Guerreiro, CEO do Portal de Construção Sustentável, sublinha um paradoxo difícil de explicar. “Somos o país da Europa com mais dias de sol num ano e não faz sentido termos casas tão geladas, tão frias e que se comportam tão mal, principalmente no inverno”, defende.

A especialista lamenta que quem constrói em grande escala, edifícios multifamiliares, tenha no pensamento “vender num curto espaço de tempo”. “A casa é vendida e tem no máximo cinco anos de garantia. Quando a pessoa se apercebe de problemas graves, de patologias da construção, acontece depois dos tais cinco anos”, defende.

Aline pormenoriza as razões que contribuem para a baixa eficiência energética dos edifícios.

“Os materiais que não se veem, como os do isolamento – um dos fatores mais decisivos para a casa ter ou não conforto – é o que mais sofre. É colocado o que está mais barato no mercado. A pessoa que compra pensa em que acabamentos tem a casa, que pavimento foi colocado, se tem banheira de hidromassagem e não pensa na orientação solar, na colocação de isolamento e dos caixilhos mais eficientes. O comum utilizador não sabe”, concretiza.

Isso tem como consequência que “só 12% dos portugueses se sentem confortáveis nas casas que habitavam”, segundo o último inquérito da PCS. Muitas dessas casas “posso garantir que eram recentes com cinco ou 10 anos de existência, e as pessoas tinham problemas de humidade, de frio, outras de calor”.

Frio em novembro fez disparar consumo de eletricidade

Os números têm rostos e muitos espalhados por todo o país. Segundo os últimos dados divulgados pelo Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade, os municípios em que a vulnerabilidade à pobreza energética é mais intensa concentram-se no interior, com o Alto Tâmega, Viseu Dão Lafões e o Douro à cabeça. Os municípios em pior condição são Valpaços, Ribeira de Pena e Penalva do Castelo.

Também no interior do país, em Verdelhos, na Covilhã, está Cristiana Pereira que, aos 25 anos, trabalha no café da aldeia.

Olha para as casas que a rodeiam e dispara: “Não são isoladas, não têm vidros duplos e as pessoas aquecem-nas à base de uma pequena lareira”.

As consequências desta situação, segundo Cristiana, são problemas de saúde. “Na época mais fria as pessoas apanham mais facilmente gripes e constipações por terem tão poucas defesas”, analisa.

"Só 12% dos portugueses se sentem confortáveis nas casas que habitavam, e muitas dessas casas, posso garantir que eram casas recentes com cinco ou dez anos de existência", Aline Fernandes, CEO do Portal da Construção Sustentável.

No ano passado, o Eurostat, base de dados estatística da União Europeia, apontava Portugal como o quarto país em que há maior incapacidade de manter a habitação quente, num total de 17,5%.

O diretor do departamento de epidemiologia do Instituto Ricardo Jorge, Carlos Dias, diz que é comummente sabido que “temperaturas muito extremas, sejam elas muito elevadas, ou muito baixas, estão relacionadas com problemas respiratórios e em especial problemas cardiovasculares”.

Isto porque, explica, “o nosso coração tem de fazer um esforço maior para bombear ar que esteja poluído, ou com menos oxigénio, ou mais frio. Todos estes fatores podem causar doença ou agravar doenças já existentes como a bronquite, a doença pulmonar obstrutiva crónica, a asma”.

O frio mata em Portugal. Especialista do INSA diz que em média são centenas de pesssoas a morrer por ano por causa da temperatura baixa. Foto: Sofia Freitas Moreira/RR


As causas, diz, são a falta de isolamento térmico das habitações que leva a que haja dificuldade de manter uma temperatura confortável e a que as casas sejam mais húmidas e mais frias.

“Nos dias de frio, as casas mal isoladas, mal ventiladas, podem contribuir para o agravar da doença existente ou desencadear de crises de doença das pessoas que estão dentro dessas casas”, assegura.

Carlos Dias acrescenta que a relação destes fatores com a doença e com a morte estão estudadas. “A mortalidade no hemisfério norte é sempre maior nos meses mais frios. Mesmo removendo os efeitos de outros fatores, a mortalidade era maior quanto mais frio estivesse. Se temos habitações com deficiente conforto térmico, é claro que está correlacionado com o maior risco de mortalidade”, sublinha.

A Healthy Homes Barometer 2019 identifica Portugal como o país da UE com maior percentagem de crianças (51%) com risco elevado de viver em habitações com más condições de saúde.
Gastar 20% da pensão para se aquecer

Na aldeia de Cortiçô da Serra, o agricultor Manuel José solta o lamento. “Quem é pobre tem de ir à lenha”.

"Tivémos anos em que o excesso de mortalidade devido às temperaturas baixas, excluindo gripe foi de centenas ou perto do milhar de óbitos", Carlos Dias, diretor do departamento de epidemiologia do Instituto Ricardo Jorge..

Não tem aquecimento em casa, apenas a lareira. Para se manter quente gasta 10 quilos de lenha por noite. “Se não tiver a lareira acesa estão quatro ou cinco graus [em casa], com a lareira pode ir aos 15 a 16 graus”, especifica.

Numa situação igualmente muito complicada está Maria Henriqueta, de 86 anos. Ali naquela aldeia do distrito da Guarda, quando faz frio, faz mesmo frio.
"Nos dias de frio, as casas mal isoladas, mal ventiladas, podem contribuir para o agravar da doença existente ou desencadear de crises de doença", diz Carlos Dias, diretor do departamento de epidemiologia do INSA.

Ela não usa lareiras, nem lenha. “Aqueço-me com as botijas”. Por elas paga 27 euros por cada uma. Por mês gasta duas. Levam-lhe quase 20% dos pouco mais de 300 euros de pensão que recebe por mês.

O especialista João Pedro Gouveia diz que para solucionar estes problemas que existem de norte a sul do país há que apostar no isolamento, através da alteração de janelas, a instalação de vidros duplos, de caixilharias de qualidade.

A lenha é a segunda fonte de energia mais consumida pelos portugueses. Só superada pela electricidade. Foto: Joana Bourgard/RR

“Só depois é que entra a parte do consumo e das soluções de equipamentos mais eficientes, como substituir lareiras por ar condicionado”, elucida.

Por último, defende a introdução de energias renováveis, como a solar, descentralizada nas habitações. “[Esta solução] ataca a falta de eficiência dos edifícios, os baixos rendimentos da população e os altos preços da energia”, valoriza.
Ministro fala de um país numa condição frágil

O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, reconhece que Portugal é “um dos países que está numa condição mais frágil” no que diz respeito à pobreza energética. “A pobreza energética em Portugal vai muito além das famílias pobres e nunca houve em Portugal uma tradição de conforto térmico nos edifícios”, analisa.

Em relação ao que o Governo fez nos últimos seis anos, o ministro diz que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) está a canalizar verbas para resolver estes problemas, ou pelo menos minorá-los.

"Não temos uma lógica paternalista. Não sou ninguém para dizer a uma família o que é melhor para essa família (...) Cabe às pessoas fazerem as suas opções tendo em conta as suas necesidade", João Matos Fernandes, ministro do Ambiente.

São 300 milhões de euros para gastar, sendo que o Governo estabeleceu como meta, até 2030, resolver os problemas de eficiência energética em 35% dos edifícios.

Para isso criou dois programas que servem para, através de apoios diretos às famílias, pagar na totalidade ou parcialmente um conjunto diverso de investimentos que vão desde a substituição de janelas, a portas novas, a revestimentos dos edifícios, a aquisição de painéis solares e à compra de equipamentos mais eficientes.
"A pobreza energética em Portugal vai muito além das famílias pobres", diz João Matos Fernandes, ministro do Ambiente

O primeiro programa é o “Edifícios Eficientes” que já tem mais de 50 mil candidaturas e em que a comparticipação nos investimentos pode ir até aos 85%.

O segundo, o “Vale Eficiência”, é dedicado às 800 mil famílias que estão em pobreza energética e que beneficiam da tarifa social de energia. Há até agora 11 mil candidaturas submetidas.

“Pagamos a 100%, à cabeça, damos um vale. Essas famílias, por terem menos dinheiro, não têm de pagar primeiro e vir buscar o dinheiro depois. Já distribuímos mais de 2.500 vales, mais de quatro milhões de euros”, quantifica.

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, diz que os dois programas que lançou de combate à pobreza energética não querem ter uma atitude paternalista em relação aos portugueses. Foto: Estela Silva/Lusa

O governante afirma que os números são satisfatórios porque os programas foram lançados há pouco tempo. “Mentiria se dissesse que temos a ambição de resolver os problemas todos com o valor que está em causa. Sabemos bem que o esforço que temos é muito grande, porque as condições de partida são muito frágeis, mas de facto estamos com o ‘Vale Eficiência’ a criar condições para chegar a 100 mil famílias, ou seja, a 100 mil habitações”, promete.

O professor João Pedro Gouveia, que além de membro do Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade, também pertence ao grupo que analisa as candidaturas destes dois programas, diz que os mesmos vão no caminho, mas são insuficientes.
"Dois terços ou mais do que isso [das candidaturas ao Edíficios Eficientes] são bombas de calor, climatização ativa, ou seja, gastar dinheiro para consumir energia”, diz João Pedro Gouveia.

“Temos um estudo recente em que identificámos os custos totais para renovar os edifícios de forma passiva: substituição de janelas, paredes, isolamento de paredes e telhados, em perto de 70 mil milhões de euros. O PRR aloca 300 milhões de euros”, compara.

O especialista diz que esta é uma transformação muito exigente. Quando se reconhece que mais de 70% dos edifícios não são eficientes em termos energéticos, “estamos a falar de que quase todos os edifícios portugueses deviam ser renovados”.

"Temos entre 70 a 80% dos edificios com má qualidade de construção, falta de isolamento e vidros simples. Por isso, temos um problema tão grande de eficiência energética agora", João Pedro Gouveia, Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade .

Para João Pedro Gouveia estes programas deviam dar um sinal diferente e atribuir prioridade ao isolamento e proteção exterior dos edifícios. Isso não acontece, pelo que é dado igual apoio a bombas de calor que promovem um consumo ativo de energia, ou a uma janela, ou a um solar fotovoltaico.

O especialista diz que até agora “dois terços ou mais do que isso [das candidaturas] são bombas de calor, climatização ativa, ou seja, gastar dinheiro para consumir energia”

“As pessoas não têm tanto interesse em fazer isolamento nas suas casas, é mais difícil arranjar empresas [para o fazer]”, afiança.

O mesmo ponto é focado por Aline Fernandes que argumenta que “um dos erros do Governo são os vouchers que estão a dar para a aquisição de equipamentos em famílias com rendimentos reduzidos”, isto porque, “por muito eficientes que os equipamentos sejam, é fazer com que consumam mais energia”.

​Mais de 3.000 pessoas terão morrido devido à gripe em Portugal na época passada


O ministro Matos Fernandes, confrontado com o facto de as pessoas estarem a privilegiar equipamentos para aquecer o interior das casas ao invés de apostarem no isolamento das casas, responde: “Não temos uma lógica paternalista. Não sou ninguém para dizer a uma família o que é melhor para essa família. Abrimos um leque de possibilidades de financiamento em coisas muito diversas, desde equipamentos, a obras nas frações. Cabe às pessoas fazerem as suas opções tendo em conta as suas necessidades, para terem uma casa mais confortável em que paguem menos eletricidade”.

A líder do Portal da Construção Sustentável argumenta, por outro lado, que o primeiro programa “Edifícios Eficientes” parecia melhor do que a segunda versão.

“Nesse faziam menção à utilização de materiais de qualidade, naturais, que tivessem menor impacto ambiental e melhores resultados em termos práticos, e nesta segunda candidatura já abriram aos materiais mais baratos e com menos qualidade. Apesar de o financiamento não ser tão alto para os materiais menos amigos do ambiente e que derivam de combustíveis fósseis”, releva.

"Estar na rua é mais confortável do que estar dentro de casa", António Cardoso, estudante do Politécnico da Guarda.

Em relação a este ponto, Matos Fernandes lembra que “se inicialmente quisemos reduzir a materiais sustentáveis, o mercado não deu uma resposta”. Por isso, “alargámos a mercados mais comuns e comummente utilizados na construção civil”.
Falta de conhecimento

Um outro handicap do programa, identificado por João Pedro Gouveia, é o da falta de conhecimento das pessoas do que é melhor para a sua casa. “No ‘Vale Eficiência’, o Governo está a dar, em abstrato, 1600 euros para gastarem. As pessoas, se calhar, não estão a fazer a melhor opção. Estão a gastar na bomba de calor e, se calhar, deviam gastar nas janelas e no isolamento. Devia haver uma ajuda de especialistas e técnicos para ajudar as pessoas a decidir”, identifica.
"Há um hiato enorme entre a população que precisava desta ajuda e a grande maioria desconhece", diz João Pedro Gouveia.

E depois questiona o acesso que as pessoas estão a ter aos programas, até porque em zonas rurais, de baixa escolaridade, afirma, o conhecimento para lidar com candidaturas e regulamentos não é muito.

“Será que os programas estão a chegar às pessoas que mais precisam? Temos dois ou três milhões de portugueses em pobreza energética, 800 mil pessoas com tarifa social, e os vales eficiência apoiam 20 mil famílias”, quantifica.

Portugal é o 4º país em que há maior incapacidade de manter a habitação quente, num total de 17,5%. Foto: RR

Por isso, diz que há “um hiato enorme entre a população que precisa desta ajuda e a grande maioria desconhece”. “E mesmo quem conhece não sabe lidar com regulamentos nem plataformas digitais para terem a ajuda de que precisam”, analisa.

O investigador da Universidade Nova pertence à Energy Poverty Advisory Hub, uma organização que promove o papel dos municípios e das regiões para serem os agentes de apoio. “Não podemos pensar que o Governo consegue chegar a toda a gente de forma próxima. Quem tem esse papel? Associações locais, centros de saúde e paróquias”, explica.

Longe destas discussões, mas com o frio muito perto, em Cortiçô da Serra, Aida Simões, agricultora, de 58 anos, é mais uma moradora que fala da necessidade de ter lenha para se poder aquecer. Se não há, as casas gelam.

“Aqui há muitas pessoas que passam frio, os velhotes que não podem comprar lenha é complicado”, remata.

21.12.20

Redução da actividade económica agravou-se em Novembro

Pedro Crisóstomo, in Público on-line

Indicadores de confiança diminuíram em todos os sectores de actividade.

Depois de uma recuperação parcial no pós-primeira vaga, a actividade económica voltou a cair em Outubro e agravou essa tendência em Novembro, com uma queda do clima económico e dos indicadores de confiança em todos os sectores de actividade, revela a síntese de conjuntura divulgada nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Os dados económicos já disponíveis relativamente a Novembro apontam para um agravamento do indicador da actividade, que reúne um conjunto de indicadores quantitativos que reflectem a evolução da economia.

As expectativas dos consumidores para os 12 meses seguintes, seja sobre as perspectivas de evolução da situação económica do país, seja pela avaliação que fazem da sua própria situação financeira familiar ou as expectativas de realização de compras importantes, fizeram recuar o indicador de confiança dos consumidores, que tinha estado num nível “relativamente estável” nos cinco meses anteriores.

Nas empresas, o sentimento é idêntico, da construção e obras públicas, do comércio aos serviços, passando pela indústria transformadora.

Na construção e obras públicas, o indicador “diminuiu acentuadamente” por causa das apreciações sobre a carteira de encomendas e as perspectivas de emprego no sector. Foi na promoção imobiliária e construção de edifícios que a queda foi “particularmente expressiva”, embora transversal à engenharia civil e às actividades especializadas de construção, indica o INE.

No comércio, um dos segmentos afectados pelas novas medidas restritivas decididas pelo Governo para controlar a segunda vaga da pandemia de covid-19, o indicador de confiança dos empresários também “diminuiu significativamente, interrompendo o perfil ascendente observado entre Maio e Outubro”. De resto, a descida foi maior no comércio a retalho do que no comércio por grosso.

O valor mínimo do indicador, no entanto, continua a ser o mês de Abril. Para esta trajectória descendente que agora se verificou, diz o instituto estatístico, contribuíram os indicadores sobre o volume das vendas e as perspectivas sobre a actividade das empresas para os três meses seguintes, “tendo as opiniões sobre o volume de stocks contribuído positivamente”.

Quanto aos serviços, onde a quebra também foi “significativa”, contribuíram para isso as apreciações dos empresários sobre “a evolução da carteira de encomendas e, em maior grau, das perspectivas sobre a evolução da procura”. Espectáculos e outras actividades artísticas e desportivas, alojamento e restauração, transportes e armazenagem são os ramos de actividade onde a confiança mais caiu.

Menos consumo de electricidade

Há indicadores complementares que também apontam para uma deterioração da actividade no mês passado: o “montante global de levantamentos nacionais, de pagamentos de serviços e de compras em terminais de pagamento automático na rede multibanco diminuiu 11,8% em Novembro, em termos homólogos, traduzindo um agravamento face ao mês anterior (decréscimo de 6,3%); as vendas de automóveis ligeiros de passageiros caíram 28% em relação a Novembro do ano passado (as vendas de comerciais ligeiros baixaram 1,4% e, em contrapartida, assistiu-se a um crescimento de 17% na comercialização de veículos pesados).

O INE revela ainda que “o consumo médio de electricidade em dia útil registou uma variação homóloga de -3,8% em Novembro, o que compara com taxas de -1,7% e -1,6% [em] Setembro e Outubro, respectivamente”.

O Banco de Portugal sublinhava na semana passava, ao divulgar as suas novas previsões económicas, que a recuperação no terceiro trimestre “foi superior ao antecipado”, embora a evolução da pandemia e a as medidas de contenção tenham levado a uma “revisão em baixa da actividade” nestes três últimos meses do ano. A queda anual da economia deverá ser de 8,1%, podendo seguir-se uma recuperação progressiva a partir da primeira metade do próximo ano, com o Produto Interno Bruto (PIB) de 2021 a crescer 3,9%, segundo as previsões do banco central.

Na Europa, o sentimento económico também está a baixar nesta segunda vaga em que os governos decidiram reforçar as medidas de confinamento e, nalguns casos, decretar o encerramento de algumas lojas para conter a propagação do novo coronavírus.

Nas 19 economias que partilham a moeda única, o indicador “diminuiu significativamente” em Novembro, com uma deterioração da confiança dos consumidores, bem como do indicador de confiança nos sectores do comércio a retalho, serviços e ainda, embora “de forma mais moderada”, na construção e na indústria.

16.11.20

INE: Pressão dos prazos e sobrecarga afectam trabalhadores no segundo trimestre

Isabel Aveiro, in Público on-line

Últimos dados do inquérito do emprego sobre segurança do trabalho apontam para substituição da construção pela agricultura e indústria como sectores com registo de mais incidentes no segundo trimestre, o mais penalizado pelo confinamento e com um milhão de pessoas a trabalhar a partir de casa

“A forte pressão de prazos ou sobrecarga de trabalhos (43,1%) e o contacto com pessoas problemáticas mas não violentas (clientes, pacientes, alunos, cidadão”, com 37,1%, foram as justificações individualizadas com maior frequência no último inquérito de emprego do INE, referente ao segundo trimestre de 2020, como “factores no trabalho que podem afectar o bem-estar mental e a saúde física”.

Os dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) são referentes ao módulo sobre “acidentes de trabalho e problemas de saúde relacionados com trabalho”, recolhido na mesma altura em que foi feito o inquérito do emprego referente ao segundo trimestre de 2020.

Compara com 2013, porque foi a última vez que esta parte do inquérito foi feita, contextualiza o INE, relembrando que naquela data “se assistia ao terceiro ano consecutivo de contracção da actividade económica”, com uma redução de 2,6% do emprego. O que acontece de novo, explica. “No contexto da pandemia, a informação disponível para os três primeiros trimestre do ano aponta para uma redução da actividade económica” também.
Um milhão em casa

Há, contudo, diferenças, sublinha o INE, relembrando “o elevado volume de pessoas empregadas a trabalhar a partir de casa ou em regime de layoff simplificado no segundo trimestre de 2020”.

Com a pandemia declarada no início de Março, o primeiro estado de emergência a iniciar-se a 19 de Março e a prolongar-se em Abril e o confinamento a ocorrer lentamente a partir de Maio, “a população empregada dos 15 aos 74 anos a trabalhar a partir de casa ascendeu a mais de 1 milhão de pessoas, quase um quarto da população empregada daquele grupo etário, o que poderá ter constituído um dos factores para a redução da incidência dos acidentes de trabalho em 2020”.

No segundo trimestre deste ano, 165,1 milhares de pessoas dos 15 aos 74 anos empregadas nesse período ou nos doze meses anteriores, “referiram ter tido pelo menos um acidente de trabalho”, o que representa 3,2% da população empregada. Em 2013, esta percentagem foi 4%.

De distinta forma, 482,5 milhares de pessoas dos 15 aos 74 anos referiram ter tido “algum problema de saúde causado ou agravado pelo trabalho” durante o mesmo período de análise, o que representa menos 56,7 milhares de pessoas do que em 2013.

Com a quase um quarto da população empregada em teletrabalho e redução substancial da actividade económica, com paragem parcial de indústrias e serviços não essenciais (em estado de emergência) e limitadas (em estado de calamidade), os sectores normalmente mais afectados alteraram-se.

Em 2020, os trabalhadores da construção “já não são os mais afecetados pela ocorrência de acidentes de trabalho nos doze meses anteriores à entrevista”, com o registo de uma diminuição do risco de acidentes nesta actividade, “de 5,8% em 2013 para 4%” este ano, com base nos dados recolhidos referentes até ao segundo trimestre do ano.

Os “trabalhadores da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca”, essenciais ao abastecimento alimentar e os “das indústrias extractivas, transformadoras e produção e distribuição de electricidade, gás e água”, essenciais ao consumo doméstico e industrial, foram os sectores mais afectados pelo “risco de acidente”, de forma equitativa, com “4,3% em ambos os casos”.

18.12.15

Construção eliminou 342 mil postos de trabalho nos últimos anos

Sofia Martins Santos, in iOnline

Despedimento da Soares da Costa é o reflexo da crise do sector, agravada pelas dificuldades em Angola. Desapareceram 45 mil empresas.

O despedimento colectivo de 500 pessoas anunciado pela Soares da Costa é revelador da crise que se faz sentir há anos no sector da construção civil, agravada nos últimos meses com a falta de encomendas e pagamentos no mercado angolano.

As dificuldades têm-se acentuado de ano para ano. Se recuarmos até 2002, estavam nesta actividade 618 mil pessoas, um número que foi caindo desde então. No terceiro trimestre deste ano, havia apenas 276 mil trabalhadores no sector.

No caso da Soares da Costa, a ameaça de possíveis despedimentos já estava em cima da mesa e ficou cada vez mais clara depois de os ordenados começarem a ficar em atraso, há alguns meses. A empresa conta actualmente com cerca de 4.300 trabalhadores: mais de 800 em Portugal e quase 3.500 nos restantes mercados, nomeadamente Brasil, Angola e Moçambique. Neste momento, a empresa tem ainda cerca de 200 trabalhadores em inactividade, com a falta de projectos de encomendas da empresa.

O despedimento colectivo vai custar 18 milhões de euros em indemnizações. Cerca de 65% dos trabalhadores abrangidos estão em Portugal e restantes estão sobretudo no Brasil, explicou ao i fonte oficial do grupo, garantindo que não estão previstas outras reduções de pessoal. “Com esta medida, a empresa fica ajustada à sua actividade actual. A empresa perde por ano 60 milhões de euros e, por isso, não pode ter 200 pessoas em casa durante dois anos a receber”, justificou.

Segundo a empresa, o despedimento de colaboradores foi o último passo de um processo de reestruturação. Um conjunto de medidas de reduções de custos foi posto em prática antes da decisão, como rendas, carros e gastos administrativos.

A empresa espera ver terminado o processo de despedimento ainda nos primeiros meses de 2016 e com isso preservar 80% dos postos de trabalho.

O grupo de construção considera a medida necessária, mas os trabalhadores discordam. Ontem avançaram para uma paralisação para reivindicar o pagamento dos salários em atraso e a reversão do processo de despedimento colectivo. “Não nos roubem o Natal” ou “Os nossos filhos têm direito a Natal” foram algumas das frases que se destacaram neste protesto, que reuniu 50 trabalhadores em Gaia.

O sindicato da construção civil já tinha pedido na véspera uma reunião de urgência à administração, para “esclarecer toda a situação”.

Mercado externo em queda O agravamento da situação da Soares da Costa revela a situação delicada da construção civil. Com o mercado interno parado, muitas empresas apostaram no mercado externo, mas confrontam-se agora com instabilidade nos destinos onde apostaram.

Ao i, Ricardo Pedrosa Gomes, presidente da Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (FEPICOP), explica que a situação em Angola e Brasil não pode ser esquecida. “Numa altura em que havia menos trabalho em Portugal, as empresas começaram a internacionalizar-se. Em 2011, as empresas portuguesas tinham grande parte da sua actividade concentrada em Angola. Muitas foram também para África e América Latina. Mas são todos países onde a economia depende muito das matérias-primas e dos seus valores. Neste momento, todos estes países estão com problemas e, como as empresas de construção não têm mercado em Portugal, ficam sem solução”.

Esta questão já tinha sido sublinhada por Joaquim Fitas, presidente executivo da Soares da Costa: “Em Portugal mantém-se a estagnação do mercado da construção, com incipientes níveis de obras postas a concurso. E em Angola a quebra de receitas relacionadas com a produção petrolífera reduziu significativamente os níveis de investimento público e privado”.

A somar-se à questão dos mercados internacionais está também a situação de Portugal, onde o mercado das obras públicas atinge mínimos históricos. De acordo com barómetro mensal da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas, os concursos públicos e o investimento atingiram os valores mais baixos dos últimos anos. No caso dos concursos de obras públicas, a quebra foi de 24% em relação ao mesmo período de 2014. Já no que respeita ao volume de contratos celebrados, caiu 38% face a Novembro do ano passado. Um valor que faz com que muitos considerem que não há dúvidas de que 2015 é um dos piores anos de sempre em termos de investimento público.

Empresas encerram Analisando o período entre 2007 e 2014, o total de pessoas a trabalhar na construção caiu de 527 mil para 276 mil, o que significa que, em apenas seis anos, o sector da construção ficou quase sem metade dos postos de trabalho que tinha.

Esta evolução reflecte o impacto e a persistência da crise neste sector. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, o ano mais crítico dos últimos seis anos foi o de 2012, com uma queda de 15,5% no total do emprego nesta área. Mas este é apenas um dos vários sintomas. Lado a lado com a quebra no emprego está o desaparecimento de 45 mil empresas entre 2008 e 2013.

Muitas escapam ao mediatismo por serem de dimensão mais reduzida, mas mesmo dentro das maiores empresas de construção o caso da Soares da Costa não é inédito. Em Outubro, também a Somague anunciou que iria despedir cerca de 273 trabalhadores no âmbito de um processo de reestruturação, igualmente motivado pela retracção em Angola, Moçambique e Brasil.

22.6.15

Construção volta a crescer após 13 anos a desmoronar

in Jornal de Notícias

Pela primeira vez em 13 anos, o número de novos fogos em construção cresceu. Nos primeiros três meses do ano, construíram-se 1797 habitações novas, um aumento de 14,6% face a igual período do ano passado.

Vários indicadores atestam o regresso da dinâmica: mais casas novas, mais investimento, menos desemprego e insolvências

Este é apenas um dos muitos indicadores positivos do setor da construção no arranque do ano. O investimento cresceu 8,5% e o valor acrescentado bruto aumentou 7,6%, indicadores que estavam em queda consecutiva desde o primeiro trimestre de 2002. Mais importante, o desemprego do setor recuou 21,8%, em abril, enquanto o número de insolvências caiu 20,6%.

21.5.14

Produção na construção em Portugal regista as maiores quedas da União Europeia

in Jornal de Notícias

A produção na construção registou uma queda homóloga de 13,8% em março em Portugal e de 3% face a fevereiro, as maiores descidas entre os 28 países da União Europeia, adianta o Eurostat.

Segundo as estimativas do gabinete oficial de estatísticas da União Europeia, na comparação como fevereiro, a produção no setor da construção diminuiu 0,6% na zona euro e 0,5% no conjunto dos 28 Estados-membros.

Já em relação a março de 2013, a produção na construção aumentou 5,2% entre os países da moeda única e 5,3% na União Europeia.

Em termos mensais, as maiores descidas neste setor foram observadas em Portugal (-3%), nos Países Baixos (-2,6%) e na Alemanha (-2,2%), enquanto os aumentos mais significativos se verificaram na Roménia (10,3%), na Eslovénia (8,9%) e em Itália (1,9%).

Em termos homólogos, isto é, relativamente a março de 2013, as maiores subidas registaram-se na Eslovénia (44,9%), na Hungria (34,1%), em Espanha (19,1%) e na Polónia (18,4%).

Portugal foi o país da União Europeia com a maior descida homóloga, de 13,8%, seguindo-se a Suécia (-2,8%) e a Itália (-1,4%).

21.2.14

Governo flexibiliza regras para recuperar edifícios que permitem poupar 40% nos custos

Maria Lopes e Rosa Soares, in Público on-line

Ministro do Ambiente diz que o objectivo é dinamizar o mercado da reabilitação urbana, permitindo aumentar o investimento a curto prazo. Só são isentadas exigências técnicas que não acarretam problemas de segurança ou habitabilidade.

O Governo aprovou nesta quinta-feira um regime excepcional e transitório que prevê a dispensa, durante sete anos, de diversas obrigações técnicas na reabilitação de edifícios, permitindo poupar entre 30 a 40% nos custos totais das obras.

O diploma agora aprovado representa uma de três peças-chave que são necessárias para o arranque da reabilitação urbana, avaliado em 26 mil milhões de euros só na componente da habitação.

Em declarações ao PÚBLICO, Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), congratulou-se com a aprovação do regime simplificado, que peca por alguma demora, já que constava do compromisso para a Competitividade Sustentável do Sector, assinado há um ano com o Governo. Mas o líder associativo alerta para dois diplomas que faltam e sem os quais a reabilitação não arrancará.

Os diplomas em falta têm a ver com a redução de custos de licenciamento daquele tipo de projectos e a criação de um programa de financiamento à reabilitação para arrendamento.

Sem este dois diplomas, em especial as linhas de financiamento à reabilitação, as intervenções nos imóveis antigos e degradados “não são viáveis”, defende o líder associativo.

Reis Campos considera que os benefícios da criação desse programa são indiscutíveis para a recuperação da economia do país, dando como exemplo o facto da reabilitação urbana poder garantir a criação de 70 mil novos postos de trabalho.

A agilização de regras agora aprovadas será aplicada apenas nos casos de reabilitação de edifícios (ou fracções) com pelo menos 30 anos ou localizados em áreas que já estejam definidas como de intervenção em matéria de reabilitação, e que se destinem predominantemente ao uso habitacional.

O objectivo, afirma o ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e da Energia, é promover o mercado da reabilitação urbana. Em Portugal, este mercado representa apenas 7% do sector da construção, ao passo que a média europeia é de 37%. Jorge Moreira da Silva acrescentou que cerca de 35% do parque habitacional português precisa de recuperação, o que significa perto de dois milhões de fogos.

Estas alterações eram reivindicadas há muito pelo sector da construção, de forma a baixar os baixar custos das intervenções e incentivar a reabilitação urbana para habitação própria e arrendamento.

Na prática, este diploma “permite reduzir o custo da reabilitação dos edifícios em 30 a 40%”, defende Moreira da Silva, que explicou aos jornalistas que o seu gabinete chegou a esta estimativa analisando as necessidades de recuperação de imóveis do próprio Instituto Nacional de Reabilitação Urbana.

“De acordo com as simulações que fizemos, em alguns casos as poupanças com as isenções [de obrigações] podem mesmo ultrapassar estes valores e ser muito superiores”, diz o ministro, considerando até as percentagens apresentadas como “uma previsão prudente”. Num edifício de três pisos do INRU, a aplicação das isenções agora aprovadas permitia baixar o custo da intervenção de 300 mil para 160 mil euros, descreveu Moreira da Silva.

Realçando que se trata de um prazo excepcional de sete anos, o ministro diz esperar que seja utilizado pelos proprietários para, num curto prazo, concentrar investimento “aproveitando regras que são menos exigentes que as vigentes”.

As obrigações que são aligeiradas ou temporariamente suspensas são apenas “disposições técnicas” que, sendo dispensadas, não colocam qualquer problema para a habitabilidade ou utilização final dos imóveis nem suscitam questões de segurança nos edifícios. São assim excepcionadas, entre outras, algumas normas ao nível da altura máxima de degraus, áreas máximas, pé-direito, largura de corredores, obrigatoriedade de elevadores, áreas de logradouros, mas também de infra-estruturas de gás e de redes de telecomunicações (acesso de voz) e Televisão Digital Terrestre, requisitos acústicos e de eficiência energética.

“Pretende-se, desta forma, promover uma política de cidades capaz de responder às necessidades e recursos de hoje, num edificado já existente e que importa recuperar tornando-o atractivo e capaz de gerar riqueza agora e no futuro”, justifica o Governo no comunicado do Conselho de Ministros.

Na preparação do diploma, o Governo contou com a “colaboração de uma comissão composta por personalidades de reconhecido mérito e entidades do sector, com o objectivo de elaborar um projecto que estabelecesse as ‘Exigências Técnicas Mínimas para a Reabilitação de Edifícios Antigos’, visando dispensar as obras de reabilitação urbana da sujeição a determinadas normas técnicas aplicáveis à construção, quando as mesmas, por terem sido orientadas para a construção nova e não para a reabilitação de edifícios existentes, possam constituir um entrave à dinamização da reabilitação urbana”, explica ainda o executivo.

8.11.13

Oito em cada 10 empregos perdidos são da construção e imobiliário

in Jornal de Notícias

A Confederação Portuguesa da Construção e Imobiliário alertou, esta sexta-feira, que 84 mil dos 103 mil empregos perdidos no último ano são oriundos da construção e imobiliário, defendendo "políticas de incentivo ao investimento e emprego" focadas no setor.

"O comportamento do emprego só poderá evoluir favoravelmente com uma atuação forte e determinada sobre um setor que, à semelhança do que sucede em todas as economias europeias, é essencial para garantir o crescimento económico e a coesão social", sustenta a Confederação Portuguesa da Construção e Imobiliário (CPCI) em comunicado.

Para a confederação, numa altura em que "se eleva para 435 mil a perda total de empregos na construção e imobiliário desde 2002 - ano em que se iniciou a mais longa e prolongada crise do setor" - impõe-se uma "aposta centrada em políticas ativas de incentivo ao investimento e ao emprego, com um papel preponderante" da atividade.

Reagindo aos números relativos ao desemprego do terceiro trimestre divulgados na quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a CPCI considera que "reforçam a necessidade e urgência da implementação das medidas consagradas no 'Compromisso para a Competitividade Sustentável do Setor da Construção e do Imobiliário' assinado com o Governo e recentemente reafirmado pelo atual ministro da Economia".

"O próprio executivo, ao reiterar as metas de concretização até ao final do ano das soluções previstas no 'Compromisso para a Competitividade Sustentável do Setor da Construção e do Imobiliário', tem seguramente consciência da necessidade de inverter um cenário em que, em termos líquidos, o setor é afetado com a destruição de oito em cada 10 empregos nacionais, situação que é incompatível com o cenário de retoma que se pretende ver materializado nos próximos meses", sustenta.

Para a confederação, o atual "peso do défice de investimento público e privado em Portugal traduz-se num incomportável fardo para o país", quer pelas "implicações em termos de sustentabilidade futura" que representa, mas também pela "fatura com encargos sociais".

"Comparando o terceiro trimestre do ano com o anterior, e não obstante o aumento da população total empregada e a consequente melhoria da taxa de desemprego, as condições do mercado de trabalho no setor deterioraram-se, assistindo-se a uma perda de 22245 empregos nos últimos noventa dias, o que traduz uma média diária de 247 postos de trabalho destruídos", conclui.

O INE divulgou na quinta-feira que a taxa de desemprego em Portugal foi de 15,6% no terceiro trimestre, 0,8 pontos percentuais abaixo do trimestre anterior e menos 0,2 pontos que no mesmo período de 2012.

Segundo os resultados do Inquérito ao Emprego do INE, entre julho e setembro, a população desempregada foi de 838,6 mil pessoas, o que representa uma diminuição homóloga de 3,7% e uma diminuição trimestral de 5,3% (menos 32,3 mil e menos 47,4 mil pessoas, respetivamente).

20.6.13

Portugal com segunda maior queda da produção na construção

in Jornal de Notícias

A produção na construção em Portugal caiu 24,4% em abril face ao mesmo mês do ano passado, refletindo a segunda maior descida na União Europeia, segundo dados divulgados, esta quarta-feira, pelo Eurostat.

A queda homóloga verificada em Portugal foi superior às observadas na Zona Euro (-6,6%) e na UE (5,9%) e apenas foi superada pela Polónia, onde a produção na construção caiu 25,1%.

De acordo com os dados do gabinete de estatísticas da UE, esta quarta-feira, divulgados, a descida homóloga verificada em Portugal foi a maior desde novembro de 2012.

Já na comparação mensal, isto é, abril relativamente a março deste ano, a produção na construção em Portugal aumentou 5,9% - a segunda maior subida na UE, depois da Alemanha (6,7%) -, superando os crescimentos verificados no conjunto dos países que partilham a moeda única (2%) e nos 27 Estados-membros (0,9%).

Portugal regressou, em abril, às subidas mensais depois de três meses consecutivos de descidas.

19.2.13

Portugal fecha 2012 com 2.ª maior queda da produção na construção na UE

in Público on-line

A produção no sector da construção recuou 8,5% na União Europeia (UE) em Dezembro, em comparação com igual mês de 2011, tendo Portugal registado uma queda de 18,2%, a segunda maior entre os Estados-membros, indicou nesta terça-feira o Eurostat.

Na zona euro, a produção na construção caiu 4,8% no mesmo período, de acordo com o gabinete oficial de estatísticas da UE.

Entre os Estados-membros, a maior queda homóloga pertenceu à Polónia (23,7%), seguida por Portugal (18,2%) e pela Bulgária (15,1%), enquanto os maiores crescimentos foram observados na Suécia (5,2%) e em Espanha (4,5%).

A queda homóloga verificada em Portugal foi igual à registada em Novembro de 2012.

Já em termos mensais, isto é, na comparação de Dezembro com Novembro, Portugal registou uma subida de 0,8%, o primeiro crescimento mensal desde Setembro de 2012, mês em que o indicador caiu para terreno negativo e foi registada uma quebra de 13,9%.

Na zona euro, a produção na construção recuou 1,7% em Dezembro, relativamente ao mês anterior, e no conjunto dos 27 Estados-membros caiu 2,7%, depois de, em Novembro, terem sido registadas quebras de 0,4% e 0,6%, respectivamente.

As maiores descidas foram observadas na Bulgária (10,3%), na Polónia (10,1%) e na Alemanha (8,9%), enquanto os maiores crescimentos pertenceram à Eslovénia (7,2%), à Hungria (3,4%) e à Suécia (3,3%).

Encomendas baixaram 15%

A tendência nacional é confirmado pelos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o índice de novas encomendas na construção diminuiu, em termos homólogos, 14,9% no quarto trimestre de 2012 .

O órgão estatístico refere ainda que no trimestre anterior (Julho, Agosto, Setembro), a variação homóloga foi de -13,6%, acentuando assim a queda.

O índice relativo ao segmento de construção de edifícios registou uma taxa de variação homóloga de -23,1% (melhorando dos -29,6% no trimestre anterior), enquanto o índice do segmento de obras de engenharia passou de uma variação homóloga de 11,1% no terceiro trimestre de 2012 para -2,1% no trimestre seguinte.

No conjunto do ano 2012, o índice de novas encomendas na construção diminuiu 25%, o que compara com a diminuição de 17,3% observada no ano anterior.

4.2.13

Fepicop afirma que 2012 foi o pior ano "de sempre" para a construção

in Público on-line

Cálculos da federação defendem que houve uma quebra de 44,4% nas encomendas e que foram emitidas menos 30,2% licenças para construção


A Federação Portuguesa da Indústria da Construção (Fepicop) afirma que 2012 foi ano de queda “sem precedentes” da procura no sector da construção, que levou a uma redução de 44,4% nas encomendas e de 30,2% em novas licenças para construção até Novembro, em comparação com o mesmo período de 2011.

Num comunicado divulgado nesta segunda-feira, a Fepicop anuncia que as perspectivas de emprego no sector caíram 17% em 2012 e que a confiança dos empresários sofreu uma quebra de 25,6%.

De acordo com as contas da federação, a situação financeira das empresas de construção piorou 7,8% ao longo do ano passado. Acrescentando a estes indicadores a queda de 26,9% no consumo do cimento – a maior redução homóloga desde 1973 -, a Fepicop alerta para a “grave crise que assola o sector da construção” em Portugal. A federação chega a anunciar que a “actividade de construção atingiu os valores mais baixos de sempre”.

Até Setembro, a Fepicop calculou ainda que o investimento no sector tenha caído 18,1% e que o Valor Acrescentado Bruto (VAB) tenha sofrido uma quebra de 15,3%.

7.12.12

Desemprego na construção afectava 154 mil pessoas em Outubro

Por Raquel Martins, in Público on-line

Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário alerta para número-recorde de desempregados do sector inscritos nos centros de emprego.

A Confederação Portuguesa de Construção e do Imobiliário (CPCI) estima que, em Outubro, o número de desempregados oriundos do sector da construção e do imobiliário inscritos nos centros de emprego ultrapassou os 154.600.

“Trata-se de um novo recorde histórico”, disse ao PÚBLICO o presidente da confederação, Reis Campos, e representa um aumento de 35,9% face ao mesmo período do ano passado.

“E estes são apenas os desempregados inscritos, porque o número real de desempregados é superior”, vinca o responsável, que receia que a situação se torne “insustentável”.

“Desde 2002, o sector perdeu 351 mil empregos, sendo que, só nos últimos 12 meses, perderam-se 110 mil, em média”, acrescenta Reis Campos.

A CPCI lembra que o Orçamento do Estado para 2013 reconheceu que o sector é um dos mais afectados pela crise e exige a “imediata concretização das medidas de salvaguarda das empresas e a implementação das apostas estratégicas que foram assumidas no Orçamento”.