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28.9.23

Esperança de vida à nascença aumentou para homens, mas diminuiu para mulheres

Por Lusa, in SIC


No triénio 2020-2022, homens podiam esperar viver, à nascença, 78,05 anos e as mulheres 83,52 anos, o que representou um aumento de 0,01 anos e uma diminuição de 0,01 ano, respetivamente, em relação aos valores estimados para 2019-2021.


A esperança de vida à nascença em Portugal, no triénio 2020-2022, foi estimada em 80,96 anos, tendo aumentado 0,01 anos para os homens e diminuído de 0,01 anos para as mulheres, relativamente a 2019-2021, segundo dados do INE.


"No triénio 2020-2022, a esperança de vida à nascença, para Portugal, foi estimada em 80,96 anos, o que correspondeu a uma redução de 0,01 anos (0,12 meses) relativamente ao triénio anterior (80,97 anos), em resultado, ainda, do aumento do número de óbitos no contexto da pandemia da doença covid-19", revela o Instituto Nacional de Estatística (INE) na publicação "Tábuas de Mortalidade NUTS II - Esperanças de Vida NUTS III 2020-2022".

À nascença, os homens podiam esperar viver 78,05 anos e as mulheres 83,52 anos, o que representou, relativamente aos valores estimados para 2019-2021, um aumento de 0,01 anos e uma diminuição de 0,01 anos, respetivamente.

Segundo o INE, a esperança de vida aos 65 anos foi estimada, neste período, em 19,61 anos, menos 0,01 anos (0,12 meses) relativamente ao triénio anterior.

Os homens de 65 anos poderão esperar viver, em média, mais 17,76 anos e as mulheres mais 20,98 anos, uma redução de 0,01 anos (0,12 meses) para homens, não se alterando no caso das mulheres, relativamente ao triénio anterior, refere o INE, sublinhando que "a diferença entre a longevidade aos 65 anos de homens e mulheres em 2020-2022 foi 3,22 anos".

No triénio 2020-2022, na região Norte registaram-se os valores mais elevados da esperança de vida à nascença para o total da população (81,53 anos), para os homens (78,74 anos) e para as mulheres (84,02 anos).

Em contrapartida, as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores foram aquelas onde se observaram valores mais baixos, tanto para o total da população (respetivamente, 78,77 e 78,04 anos), como para homens e mulheres.

De acordo com os dados, as maiores diferenças de longevidade entre homens e mulheres no período 2020-2022 registaram-se nos Açores e na Madeira, onde as mulheres podem esperar viver, em média, respetivamente, mais 6,94 e 6,58 anos do que os homens.

Nas regiões Norte e Centro observaram-se as menores diferenças de longevidade entre sexos (5,28 e 5,42 anos, respetivamente).

As estimativas relativas à esperança de vida à nascença mostram que em oito das 25 regiões NUTS III (Cávado, Região de Leiria, Região de Coimbra, Região de Aveiro, Área Metropolitana do Porto, Viseu Dão Lafões e Alto Minho) foi superado o valor nacional (80,96 anos), registando todas valores da esperança de vida à nascença acima de 81 anos.

A esperança de vida mais elevada registou-se na Região NUTS III Cávado, a única região em que excedeu 82 anos (82,26 anos). Em contrapartida, as menores esperanças de vida à nascença verificaram-se nos Açores, no Baixo Alentejo e na Madeira, onde a expectativa de vida não atingiu 79 anos.

No período analisado, a esperança de vida aos 65 anos superou o valor nacional (19,61 anos) em 14 regiões NUTS III. As regiões Cávado e Viseu Dão Lafões registaram os valores mais elevados da esperança de vida aos 65 anos, respetivamente, 20,64 e 20,14 anos.

Os dados indicam que os valores mais reduzidos, abaixo de 18 anos, verificaram-se nas Regiões Autónomas dos Açores (17,65 anos) e da Madeira (17,95 anos).

6.9.23

Setor da economia social supera pela primeira vez os 300 mil trabalhadores

Por Lusa, in RTP


A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, realçou hoje o dinamismo da economia social, ao assinalar que o setor superou pela primeira vez os 300 mil trabalhadores, e sublinhou a resiliência e inclusão desta área.


"Os dados administrativos da Segurança Social [SS] mostram que, em 2020, a economia social ultrapassou pela primeira vez 300 mil trabalhadores declarados à SS. São números que vão além dos que aqui estão e ainda mostram mais esta grande capacidade de ser um enorme empregador em Portugal", afirmou a governante, que salientou também a evolução superior do Valor Acrescentado Bruto (VAB) neste setor em relação à economia nacional.

Numa intervenção na apresentação dos resultados da Conta Satélite da Economia Social 2019/2020, no Instituto Nacional de Estatística (INE), Ana Mendes Godinho lembrou que a "economia social não é uma utopia" e acentuou a sua "importância acrescida" pela disponibilização de respostas em territórios com menos população ou atividade económica.

"A economia social é resiliente. Em períodos críticos, a economia social consegue ter comportamentos completamente diferentes da economia global, como na pandemia foi capaz de manter e até criar emprego, num contexto em que estava a diminuir", referiu, acrescentando: "Está a fixar pessoas, a dar respostas e a desenvolver novas atividades, sendo determinante com o seu papel resiliente e de grande dinamizador dos territórios".

31.8.23

Rendas mais caras em 2024. Podem subir 6,94% (se Governo não travar)

Beatriz Vasconcelos, in Notícias ao Minuto

De acordo com as regras em vigor, os valores das rendas estão sujeitos a atualizações anuais, que se aplicam de forma automática em função da inflação média dos últimos 12 meses registada em agosto, exceto habitação.


valor das rendas poderá aumentar 6,94% em 2024, após o Governo ter travado a subida nos 2% este ano, segundo os números da inflação dos últimos 12 meses até agosto, divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).


De acordo com os dados do INE, nos últimos 12 meses até agosto a variação média do índice de preços, excluindo a habitação, foi de 6,94%, valor que serve de base ao coeficiente utilizado para a atualização anual das rendas para o próximo ano, ao abrigo do Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU).


No início deste ano, recorde-se, o elevado contexto de inflação levou o Governo criar uma lei para limitar em 2% o aumento das rendas em 2023, suspendendo o mecanismo que permite que a atualização seja feita tendo em conta a inflação média sem habitação conhecida em agosto.



Por lei, os valores das rendas estão em geral sujeitos a atualizações anuais que se aplicam de forma automática em função da inflação. O NRAU estipula que o INE é que tem a responsabilidade de apurar o coeficiente de atualização de rendas, tendo este de constar de um aviso a publicar em Diário da República até 30 de outubro de cada ano para se tornar efetivo.

Só após a publicação em Diário da República é que os proprietários poderão anunciar aos inquilinos o aumento da renda, sendo que a subida só poderá efetivamente ocorrer 30 dias depois deste aviso.

De acordo com a lei do arrendamento, a primeira atualização pode ser exigida um ano após a vigência do contrato, e as seguintes um ano depois da atualização prévia, tendo o senhorio de comunicar por escrito, com uma antecedência mínima de 30 dias, o coeficiente de atualização e a nova renda que resulta deste cálculo.

Caso não o pretendam, os senhorios não são obrigados a aplicar esta atualização.

As rendas anteriores a 1990, contudo, foram atualizadas a partir de novembro de 2012, segundo o NRAU, que permite aumentar as rendas mais antigas através de um processo de negociação entre senhorio e inquilino. Caso tenham sido objeto deste mecanismo de atualização extraordinária, ficam isentos de nova subida.

[Notícia atualizada às 09h37]

30.8.23

Desemprego sobe para 6,3% em julho mas mantém-se idêntico ao mês anterior

Por Lusa, in Jornal Económico

É um valor superior em 0,3 pontos percentuais ao do mesmo mês de 2022, mas idêntico ao do mês do anterior, segundo as estimativas provisórias do INE.


A taxa de desemprego situou-se em 6,3%, um valor superior em 0,3 pontos percentuais ao do mesmo mês de 2022, mas idêntico ao do mês do anterior, segundo as estimativas provisórias do INE, publicadas esta quarta-feira.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a população desempregada, no mês de julho, fixou-se em 329.900, o que representa uma diminuição em relação ao mês anterior (1%) e a três meses antes (4,5%), mas um aumento de 6,4% relativamente ao mês homólogo do ano passado.

Já a taxa de subutilização do trabalho situou-se em 11,6%, um valor inferior ao do mês anterior (0,1 pontos percentuais) e ao de três meses antes (0,4 pontos percentuais), tendo permanecido inalterada quando comparada com a de julho de 2022, observou o INE.

10.8.23

Salário médio subiu 2,4% no segundo trimestre: privado beneficiou mais do que o público

Sónia M. Loureiro, in Expresso

A remuneração bruta total mensal média por trabalhador em Portugal aumentou 6,7% em termos nominais no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2022. Mas, considerando o impacto da inflação, o aumento ficou pelos 2,4%

Após quedas sucessivas em termos homólogos desde o final de 2021, o salário médio real em Portugal aumentou no segundo trimestre, indicam os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicados esta quinta-feira. Isto significa que o aumento em termos nominais superou a inflação registada no mesmo período, levando a uma subida do poder de compra.

O INE destaca que se trata da segunda vez consecutiva em que são registados aumentos reais nas remunerações desde novembro de 2021: a primeira aconteceu no trimestre terminado em maio, a segunda foi no trimestre terminado em junho, que corresponde ao segundo trimestre do ano.

Verificaram-se ganhos reais tanto no sector privado, como no sector público. Mas, não da mesma ordem. Enquanto o salário médio no privado subiu 3,1% em termos reais, na Administração Pública a subida ficou pelos 2,2%.



Notícia em atualização

Redução nos preços dos alimentos ajudou inflação a abrandar para 3,1% em julho, confirma INE

Mariana Espírito Santo, in ECO


Desaceleração da inflação deve-se em parte à diminuição de preços dos alimentos e bebidas não alcoólicas, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE).

A inflação recuou para 3,1% em junho, confirmou o Instituto Nacional de Estatística (INE) esta quinta-feira. “Esta desaceleração está parcialmente associada a um decréscimo de preços verificado na classe dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas”, explica o gabinete de estatísticas português.


O subida dos preços dos bens alimentares e bebidas não alcoólicas abrandou de 8,6% em junho para 7,3% no mês passado, permitindo um alívio da inflação. Além disso, o vestuário e calçado desacelerou de 1,2% em junho para 0,1% em julho.

Por outro lado, os preços dos transportes e da habitação, água, eletricidade, gás e outros, ainda que continuem a recuar face a julho de ano passado, tiveram quedas menos expressivas do que em junho.

(Notícia em atualização)

Cerca de 20% dos portugueses já teletrabalha

Ana Marcela, in ECO

Das mais de 900 mil pessoas que no segundo trimestre disseram ter trabalhado, algum dia, em casa, 232,9 mil trabalharam "fora do seu horário de trabalho".

Trabalhar a partir de casa está a tornar-se mais habitual nos trabalhadores nacionais e, no segundo trimestre, 908 mil portugueses estiveram em teletrabalho. Representam 18,3% do total de população empregada no período – 4.979,4 mil pessoas –, uma subida de 0,4 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. Números refletem a forma como se olha para o mundo do trabalho, dizem especialistas ouvidos pelo Trabalho by ECO.

“Há uma mudança na forma como as pessoas olham para o trabalho. Em todos os setores, nas funções de serviços, suporte aos negócios ou nas TI, as pessoas querem saber se o teletrabalho está incluído nas propostas de trabalho, algo que sentimos diariamente nos processos de recrutamento com que lidamos. Com o teletrabalho não há dúvidas que, ao aumentarem o tempo de trabalho em casa, os profissionais conseguem ter uma maior flexibilidade e conciliar a sua vida profissional e pessoal”, aponta Ricardo Carneiro, senior director de recrutamento e seleção especializado na Multipessoal, ao Trabalho by ECO.


Há uma mudança na forma como as pessoas olham para o trabalho. Em todos os setores, nas funções de serviços, suporte aos negócios ou nas TI, as pessoas querem saber se o teletrabalho está incluído nas propostas de trabalho, algo que sentimos diariamente nos processos de recrutamento com que lidamos.
Ricardo Carneiro
Senior director de recrutamento e seleção especializado na Multipessoal

Cerca de cinco milhões de pessoas – 4.979,4 mil pessoas – estavam empregadas no segundo trimestres, mais 54,7 mil (+1,1%) do que no trimestre anterior e mais 77,6 mil (1,6%) face ao mesmo trimestre do ano passado.

232,9 mil trabalhou em casa fora do horário

No trimestre, 960 mil pessoas afirmaram ter trabalhado a partir de casa (19,3% da população empregada). Mas o INE dá pistas sobre essa fatia de trabalhadores. Destes, 248,6 mil trabalharam sempre a partir de casa (25,9%); 330,1 mil fizeram-no “regularmente”, num sistema que concilia trabalho presencial e em casa (34,4%); outros 142,2 mil trabalharam a partir de casa “pontualmente” (14,8%). Já outros 232,9 mil trabalharam em casa “fora do seu horário de trabalho” (24,3%).

face ao primeiro trimestre, o INE regista um aumento de 2,8 p.p entre aqueles que conciliaram o trabalho presencial e em casa, o chamado modelo híbrido.

Entre os que indicaram trabalhar “regularmente” em casa, num sistema que concilia trabalho presencial e em casa, o sistema mais comum conjuga alguns dias em casa todas as semanas, abrangendo 228,6 mil pessoas (69,3%), tendo sido “o sistema que registou a maior variação trimestral (mais 2,4 p.p. do que no 1.º trimestre de 2023)”, indica o organismo. Os empregados num sistema híbrido trabalharam em casa, em média, três dias por semana.

Tem havido alguma fuga de empresas dos centros das cidades como forma de cortar custos de arrendamento e diminuir os espaço de escritórios. Há também aqui um interesse das empresas nesse sentido, embora o tempo de deslocação e dos custos de transporte, que diminui, também favorece a perspetiva do trabalhador. (…) Provavelmente, há este modelo mais híbrido, que é o que está aqui refletido nos números.

João Cerejeira
Economista da Universidade do Minho

O número de pessoas que afirma estar em teletrabalho – isto é, que utilizaram tecnologias de informação e comunicação (TIC) para desempenhar as suas funções a partir de casa, na definição do INE – também assinalou uma subida de 0,4 pontos percentuais, para 908 mil, face ao trimestre anterior. Ou seja, 18,3% do total da população empregada.

Uma ligeira evolução trimestral que, apesar de estar longe dos picos da pandemia, pode indicar a continuidade de uma mudança dos modelos de organização e da forma como empresas e trabalhadores olham para o trabalho.

“É um número muito elevado”, reage João Cerejeira. “Sabemos que tem havido alguma fuga de empresas dos centros das cidades como forma de cortar custos de arrendamento e diminuir os espaço de escritórios. Há também aqui um interesse das empresas nesse sentido, embora o tempo de deslocação e dos custos de transporte, que diminui, também favorece a perspetiva do trabalhador”, aponta o economista da Universidade do Minho. “Provavelmente, há este modelo mais híbrido, que é o que está aqui refletido nos números”, refere.

O docente da Universidade do Minho lembra ainda o fenómeno da “deslocalização de empresas para Portugal, nomeadamente estrangeiros” e que “o crescimento das áreas das TIC tem sido um pouco nestes modelos híbridos”, refere. “Não só as tecnológicas, mas também as empresas de auditorias privadas, de prestação de serviços de backoffice, até mais para os jovens do que propriamente para trabalhadores mais velhos.”


Pedro Brinca considera que este pode ser um reajuste. “Inicialmente, houve a euforia se calhar demasiado otimista relativamente à capacidade do teletrabalho, tendo levado a um certo contra-movimento em que as pessoas voltaram ao escritório, e há uma nova recuperação em que se tenta encontrar ali um maior equilíbrio”, aponta economista da Nova SBE. “O trabalho remoto é algo bastante valorizado por bastantes pessoas, que o procuram nos empregos.”

Quem são os teletrabalhadores?

“O perfil do teletrabalhador português é de alguém com o ensino superior, residente na área metropolitana de Lisboa ou no Porto. No entanto, o teletrabalho está a crescer e a permitir novos centros de trabalho, como Évora, Castelo Branco, Covilhã ou os arquipélagos da Madeira e Açores”, aponta Ricardo Carneiro, da Multipessoal.

Efetivamente, dos 908 mil teletrabalhadores registados no segundo trimestre, 403,7 mil residiam na Grande Lisboa região que concentra o maior número deste tipo de profissionais, seguida da região Norte com 238,9 mil e a Centro com 174,8 mil. Alentejo (42,5 mil), Algarve (24,2 mil), Madeira (15,3 mil) e Açores (9,4 mil) são as regiões que se seguem.
Inicialmente, houve a euforia se calhar demasiado otimista relativamente à capacidade do teletrabalho, tendo levado a um certo contra-movimento em que as pessoas voltaram ao escritório, e há uma nova recuperação em que se tenta encontrar ali um maior equilíbrio. (…) O trabalho remoto é algo bastante valorizado por bastantes pessoas, que o procuram nos empregos.

Pedro Brinca
Economista da NOVA SBE


Destes 900 mil, uma larga maioria (678,7 mil) tinha um curso superior. São sobretudo trabalhadores por conta de outrem (724,3 mil), com contratos sem termo (600,5 mil), exercendo atividade na área de serviços (793,3 mil), com particular incidência na educação (182,6 mil), serviços de informação e comunicação (135,1 mil) e atividades de consultadoria, científicas, técnicas e similares (115,1 mil). E são mais mulheres: 461,3 mil vs 447,6 mil homens.

Assistiremos a novos crescimentos destes profissionais no país? “É sempre complicado extrapolar com base em variações trimestrais, mas os números dos últimos anos sugerem que o teletrabalho/regimes híbridos continuarão a crescer no futuro”, considera Ricardo Carneiro. “A mentalidade dos empregadores, a transformação das profissões com a entrada da IA, assim como a simples procura de um melhor work life balance assim o sugerem.”

Emprego em Portugal sobe à custa de máximo histórico de contratos precários

André Rodrigues, in RR

Alojamento e restauração são os setores com mais precariedade. Por outro lado, apesar dos sinais de retoma, o país perdeu 128 mil trabalhadores com curso superior no segundo trimestre deste ano.

Os contratos precários registaram uma subida recorde no segundo trimestre deste ano.


De acordo com o Jornal de Negócios, que cita dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o aumento do emprego tem sido feito à custa do aumento muito significativo dos contratos a prazo e outros vínculos ainda mais precários, sobretudo nos setores da restauração, alojamento, indústria e construção civil.

Entre 1 de abril e 30 de junho, Portugal tinha quase cinco milhões de pessoas empregadas.

No espaço de um ano, os contratos a termo e as relações laborais instáveis representaram quase 80% dos 110 mil empregos gerados.

Tendência oposta é a dos contratos sem termo que aumentaram apenas 0,7%.

Por outro lado, apesar dos sinais de retoma, o emprego qualificado continua em baixa.

No segundo trimestre deste ano, o país perdeu 128 mil trabalhadores com curso superior, menos 7% do que em igual período em 2022, segundo adianta o Expresso.

Dos cerca de cinco milhões de trabalhadores em Portugal, um milhão e 600 mil têm um curso superior.

9.8.23

Desemprego, balança comercial, e mais resultados empresariais nesta quarta-feira

Pedro Carreira Garcia Jornalista, in Expresso


Bom dia!

Hoje, quarta-feira, o INE atualiza os dados relativos ao emprego e à balança comercial. Pelo mundo, as empresas continuam a divulgar os seus resultados trimestrais, destacando-se na agenda a Disney e a Eletrobras.

Dados de emprego

O Instituto Nacional de Estatística (INE) apresenta hoje as estatísticas de emprego relativas ao segundo trimestre, com as taxas de desemprego e emprego atualizadas - entre outros indicadores laborais - para o período entre abril e junho de 2023.

Balança comercial

Hoje o INE também divulga as estatísticas do comércio internacional de junho, as quais detalham a evolução das exportações e das importações em Portugal. A autoridade estatística publica igualmente o índice de volume de negócios, emprego, remunerações e horas trabalhadas na indústria, também relativas a junho.

Governo no verão

Apesar de estar meio país a banhos, há membros do Governo com agenda. O ministro da Economia, António Costa Silva, vai abrir hoje o Festival do Bacalhau, promovido pela Câmara Municipal de Ílhavo. O secretário de Estado do Trabalho, Miguel Fontes, visita duas empresas nesta quarta-feira: a Crioestaminal, em Cantanhede; e a conserveira Cofisa, na Figueira da Foz.

Resultados do dia

Esta quarta-feira, a apresentar resultados trimestrais, estão na agenda a Disney - que está a lidar, tal como os grandes estúdios norte-americanos, com greves sem precedentes - a energética Eletrobras, a companhia aérea chinesa Cathay Pacific, e a tecnológica japonesa Sony.

Taxa de desemprego recua para 6,1% no segundo trimestre

Ana Marcela, in ECO


A taxa de desemprego no segundo trimestre fixou-se em 6,1%, um recuo de 1,1 pontos percentuais (p.p) face ao trimestre anterior, mas uma subida de 0,4 p.p. face a igual período do ano passado. No trimestre havia 324,5 mil pessoas desempregadas, menos 55,8 mil (-14,3%) do que no trimestre anterior, mas mais 25,7 mil que no trimestre homólogo, apontam os dados Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta quarta-feira.


No período, a população empregada (4.979,4 mil pessoas) aumentou 1,1% (54,7 mil) em relação ao trimestre anterior e 1,6% (77,6 mil) relativamente ao trimestre homólogo.

Apesar do recuo face ao trimestre anterior, em relação ao período homólogo registou-se uma subida de mais de 25 mil do número de desempregados (+8,6%), com o principal contributo para esta subida ter sido o aumento do desemprego feminino (15,4 mil; 9,9%); de pessoas dos 16 aos 24 anos (12,2 mil; 23,0%) e dos 55 aos 74 anos (12,0 mil; 22,6%); com ensino secundário ou pós-secundário (22,6 mil; 22,1%); à procura de novo emprego (21,4 mil; 8,3%); e desempregados há menos de 12 meses (41,3 mil; 28,1%), descreve o INE.

“No 2.º trimestre de 2023, 42,0% da população desempregada encontrava-se nesta condição há 12 ou mais meses (desemprego de longa duração), valor superior em 5,5 p.p. ao do trimestre precedente e inferior em 8,9 p.p. ao do trimestre homólogo”, pode ler-se no relatório.

(notícia em atualização)

2.8.23

Quais os concelhos onde as casas valem mais? E onde valem menos?

Rita Robalo Rosa, Jornalista, in Expresso


Lisboa e Fundão estão separados por mais de 200 quilómetros, e por quase 3000 euros no valor do metro quadrado, segundo os dados do INE divulgados esta quarta-feira. Veja onde as casas valem mais e onde valem menos


Em junho, o valor mediano com que os bancos avaliaram as casas em Portugal atingiu um novo recorde, de 1518 euros por metro quadrado (m2), mais oito euros que em maio, segundo os dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Lisboa leva o ‘ouro’: é o município onde as casas são avaliadas com o valor mais alto. Já o Fundão está na ponta oposta da tabela.


O valor mediano das avaliações bancárias da habitação registado em junho representa um aumento de 7,9% face a junho de 2022 e uma subida de 0,5% face ao mês anterior.

Por tipo de alojamento continua a ser nos apartamentos que se encontra o valor mais alto por metro quadrado (1692 euros, mais 8,3% que no mês homólogo). Já as moradias foram avaliadas em 1173 euros por m2, mais 4,5% que em junho do ano passado.

Desde pelo menos 2011, quando a série do INE começou, que o m2 dos apartamentos tem um valor superior ao das moradias - o que não significa que os apartamentos sejam mais caros: o preço unitário de cada imóvel dependerá da respetiva área, e as moradias, na sua maioria, têm um tamanho superior.

De recordar que o valor mediano das avaliações está também dependente do número de avaliações bancárias feitas pelos bancos às casas dos portugueses e, no mês em análise, o número de avaliações diminuiu em relação ao mês anterior. Foram feitas cerca de 23 mil avaliações, menos 1,4% que em maio e menos 21,3% que junho do ano passado.


O PRIMEIRO LUGAR DE LISBOA

Lisboa continua a ser, de longe, o concelho onde as casas são avaliadas com o valor mediano mais elevado: 3708 euros por m2, mais 46 euros que em maio e mais 279 euros que em junho. A capital tem uma diferença de mais de 700 euros para Cascais (2957 euros por m2) e uma diferença de mais de 1500 euros para o último entre os 10 concelhos onde as casas valem mais, Loures (2161).

Neste ranking, metade dos concelhos pertence à AML. Além dos três já mencionados, encontram-se também Odivelas e Oeiras.

Do Algarve há quatro municípios, sendo Lagos aquele que tem o valor mais elevado da região (2571 euros por m2). Além de ser o concelho algarvio com o valor do m2 mais elevado, foi também o concelho do país em que o m2 mais se valorizou desde junho de 2022, tendo registado um acréscimo de 518 euros.

Face a maio, a maior subida do valor do m2 foi verificada em Tavira (mais 213 euros), também um dos concelhos mais caros.

Além dos já referidos, todos os outros municípios presentes neste ‘top 10’ viram o valor mediano da avaliação bancária subir face ao mês anterior e face a junho de 2022.

E se analisarmos todos os concelhos para quais há dados disponíveis (118 dos 308 municípios portugueses), verifica-se que o valor mediano com que os bancos avaliaram as casas caiu em 37 municípios, ficou igual em cinco e subiu nos restantes, quando comparado com o mês anterior. Já face ao mês homólogo, apenas houve um recuo no valor do m2 em dez municípios.

FUNDÃO TEM O METRO QUADRADO MENOS VALIOSO


É no Fundão que os bancos avaliaram as casas em junho com o valor mais baixo: 752 euros por m2, menos cinco euros que em maio e menos 17 euros que em junho do ano passado.

Nesta zona, perto da Serra da Estrela, há mais dois concelhos neste ‘top 10’ com o m2 mais barato: Castelo Branco e Guarda. Os restantes encontram-se espalhados pelo país.

Entre estes dez concelhos, só no Fundão e em Castelo Branco é que o valor do m2 recuou face a maio (em Castelo Branco o m2 caiu 54 euros). Comparando com junho de 2022, o m2 desvalorizou-se em metade dos concelhos (Fundão; Anadia com menos 101 euros; Elvas, menos 28; Portalegre, menos nove; e Póvoa de Lanhoso, menos 139).

No entanto, apesar de serem os concelhos com o m2 mais barato, os maiores recuos não foram registados entre estes municípios. O município com a maior queda no valor do m2 face a maio foi Silves (menos 131 euros) e face a junho foi Esposende (menos 204 euros).

Nota: Dos 308 concelhos portugueses, só há dados disponíveis de junho para 118, logo a presente a análise só tem esses municípios em consideração

1.8.23

Excedente de Medina mais perto do fim, emprego resiste, desemprego já espreita

Luís Reis Ribeiro, in DN

Economia cresceu 2,3% no segundo trimestre, em termos homólogos, mas estagnou face ao primeiro. Ambos são os piores registos desde a pior fase da pandemia. Inflação alivia, mas fadiga económica devido a agravamento dos juros prejudica a receita.
As contas públicas portuguesas estão a aproximar-se de um ponto de viragem, depois do forte impulso que a inflação deu à receita durante o ano passado e boa parte deste.

Segundo a nova execução orçamental relativa ao primeiro semestre de 2023, as Finanças do ministro Fernando Medina ainda conseguiram entregar um excedente orçamental muito elevado (mais de 1,8 mil milhões de euros), também este apoiado na expansão do emprego (cresceu 1,5% em junho, segundo indicou ontem o INE - Instituto Nacional de Estatística).

No entanto, há sinais de que a situação económica e financeira do País está a virar para uma fase mais complicada, na qual a subida dos juros terá cada vez mais impacto na procura e em que algumas medidas anunciadas pelo governo começam a ter efeitos orçamentais relevantes no lado da despesa.

É o caso do aumento intercalar das pensões, que aparece nas contas públicas na execução até julho (a divulgar no final de agosto), devendo fazer subir a despesa em 500 milhões de euros, segundo estimativas do governo.


Além disso, o número de pessoas desempregadas aumentou mais de 8% no primeiro semestre, mas como a população ativa também subiu muito devido ao emprego, a taxa de desemprego ficou estável nos 6,4%, mostrou o INE.

Seja como for, é um sinal de que, depois de uma primeira fase em que a inflação até ajudou a fazer subir a receita de impostos e a faturação de muitas empresas, pode estar a chegar a fase das maiores dificuldades, em que a forte subida das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE) já está a afetar a concessão de crédito, a agravar os juros a pagar ao banco pela compra de casa, a restringir o consumo e o investimento empresarial.

O INE também mostrou que a inflação aliviou mais em julho (3,1%). Bom para o poder de compra das famílias, mas menos bom para a receita fiscal, que tanto beneficiou do empolamento de preços desde março de 2022.

Economia estagna face ao primeiro trimestre

Embora, atualmente, não se projete uma recessão em 2023, o INE mostrou também ontem que a economia (o PIB - Produto Interno Bruto) terá estagnado (0%) no segundo trimestre face ao anterior. Em termos homólogos (que compara com o segundo trimestre do ano passado, quando começou o choque da guerra contra a Ucrânia), a economia portuguesa ainda cresceu 2,3%.

Mas ambos os registos para o PIB do segundo trimestre (variação em cadeia e homóloga) são os mais fracos desde o primeiro trimestre de 2021, o período que coincide com a fase mais agreste em infeções e letal da pandemia.

Como referido, o INE revelou que o emprego continua a subir, puxado essencialmente pela camada dos muito jovens (15 a 24 anos), onde o número de postos de trabalho subiu mais de 23%, o que acabou por compensar a quase estagnação no grupo de pessoas com 25 anos ou mais.

No entanto, o número de desempregados continuou a subir bastante nestes primeiros seis meses do ano. Em junho, aumentou mais de 8% para 336 mil casos de pessoas que queriam trabalhar e procuraram um emprego, não tendo conseguido. Este avanço do desemprego afetou tanto os muito jovens quanto os mais adultos.

Num futuro próximo, se continuar a subir, será mais uma pressão sobre a despesa por causa do aumento do número de subsídios de desemprego.

Para já, o saldo positivo das contas públicas mantém-se, mas as Finanças e o próprio ministro Medina já ressalvaram que vai "começar a refletir-se de forma mais evidente o impacto na despesa das medidas de reforço de rendimentos anunciadas em final de março e abril", como o aumento nos salários (intercalar) e do subsídio de refeição dos funcionários públicos. "A aceleração da despesa tenderá a continuar nos próximos meses", diz o ministério.

Do lado da receita, há medidas com peso que estão e vão continuar a pressionar o saldo em baixa (ou o défice em alta, quando este reaparecer). É o caso do IVA zero, que terá um custo superior a 400 milhões de euros, segundo o governo.

O objetivo do governo é chegar ao fim do ano com um défice de apenas 0,4% do PIB, igual ao de 2022.

Execução do primeiro semestre

Seja como for, neste primeiro semestre, mesmo com a economia a abrandar, o excedente orçamental público português ainda registou um aumento de 600 milhões de euros, revelou ontem o Ministério das Finanças.

"O saldo orçamental ajustado foi de 1.810 milhões de euros no primeiro semestre". "Ajustado" porque a receita pública foi "ajustada dos 3.018 milhões de euros da transferência do Fundo de Pensões da Caixa Geral de Depósitos (FPCGD) para a Caixa Geral de Aposentações (CGA)". Foi um encaixe de grande dimensão, extraordinário e irrepetível.

O reforço do excedente acontece porque a receita ainda continua a crescer mais do que a despesa.

"No desempenho da receita, que cresce 7,7%, em termos ajustados, mantêm-se as dinâmicas positivas observadas no mercado de trabalho, que justificam cerca de dois terços do aumento", refere o gabinete do ministro Medina.

A coleta de IRS aumentou 14,8% no primeiro semestre face a igual período do ano passado, e as contribuições sociais avançaram 11,3%.

'Do lado da despesa, registou-se um aumento de 6,5%", acrescenta o ministério.

Segundo as Finanças, o aumento da despesa neste primeiro semestre é, sobretudo, explicado pelas "medidas de reforço de rendimentos anunciadas no início do ano", designadamente o pacote da Função Pública. "As despesas com pessoal crescem 7,7%)".

A estas acrescem as medidas de apoio a famílias, bem como um deslize que fez aumentar o valor dos contratos públicos além do esperado, "reflexo da inflação", dizem as Finanças.

Ainda do lado da despesa, a tutela de Fernando Medina refere que "o impacto do pacote anunciado ainda não reflete o aumento intercalar das pensões, que se repercutirá apenas a partir de julho". São os tais 500 milhões de euros a mais.



Luís Reis Ribeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

31.7.23

Desemprego estabiliza nos 6,4% em junho

Cátia Mateus, in Expresso

Portugal contabilizou em junho 336,5 mil desempregados. A taxa de desemprego manteve-se estável face ao mês anterior, mas continua 0,4 pontos percentuais acima da registada em junho de 2022

A taxa de desemprego em Portugal foi de 6,4% em junho, valor que se mantém inalterado face ao apurado em maio deste ano, mas que continua a representar um aumento de 0,4 pontos percentuais (p.p.) comparativamente ao mês homólogo de 2022, ou seja, junho do ano passado.

Os dados provisórios do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta segunda-feira, indicam que o mês de junho fechou com um total de 336,5 mil desempregados contabilizados. O número traduz uma diminuição de 0,7% em relação ao mês anterior, mas um aumento homólogo, ou seja, face ao mês mo mês do ano passado, de 85%. Contas feitas, em junho deste ano, Portugal registava mais 26,3 mil desempregados do que há um ano.

Na nota que acompanha os indicadores mensais de emprego e desemprego, ainda provisórios para o mês de junho, o INE explica que durante o mês em análise a população ativa terá aumentado em 1,0 mil pessoas, o que corresponde a uma variação relativa quase nula. Já a população inativa manteve-se praticamente inalterada em relação ao mês de maio.

“O ligeiro aumento da população ativa resultou do acréscimo da população empregada (3,4 mil; 0,1%) ser pouco superior ao decréscimo da população desempregada (2,4 mil; 0,7%)”, lê-se na nota que acrescente ainda que “a manutenção da população inativa foi explicada pelas variações nos grupos que a compõem, de onde se destaca o acréscimo do número de inativos à procura, mas não disponíveis para trabalhar (1,3 mil; 4,0%) e o decréscimo do número de inativos disponíveis, mas que não procuraram emprego (1,1 mil; 1,0%)”.

Ainda segundo o INE, o aumento da população ativa (99,7 mil; 1,9%) registado em junho face ao mês homólogo resultou do acréscimo tanto da população empregada (73,4 mil; 1,5%) como da população desempregada (26,3 mil; 8,5%). Já a apopulação inativa diminuiu em 71,6 mil pessoas (2,9%) devido, principalmente, à diminuição do número de outros inativos (54,2 mil; 2,3%). Em conjunto, estes resultados determinaram a manutenção da taxa de desemprego no valor apurado em maio deste ano, 6,4%.

Depois de arranque forte do ano, economia estagna no segundo trimestre

Sérgio Aníbal, in Público

Depois de, nos primeiros três meses do ano, ter surpreendido com um crescimento acima do esperado, a economia portuguesa estagnou no segundo trimestre. Uma variação do PIB acima dos 2% no total do ano continua a estar no horizonte, mas a previsão de 2,7% feita pelo Governo torna-se mais difícil de concretizar.

De acordo com a primeira estimativa dos dados das contas nacionais publicados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística, Portugal registou, no segundo trimestre de 2023, uma variação nula face ao trimestre imediatamente anterior. Este resultado representa uma quebra de ritmo acentuado face àquilo que tinha acontecido no primeiro trimestre do ano, período no qual a taxa de variação em cadeia do PIB atingiu os 1,6%.

O resultado agora obtido fez a taxa de variação homóloga do PIB baixar dos 2,5% registados no primeiro trimestre para 2,3%.
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Isto é, em relação àquilo que tinha acontecido no primeiro trimestre, registou-se agora um desempenho mais fraco das exportações, que tinham sido o principal factor por trás do forte arranque de ano, e uma aceleração do consumo privado, que não foi suficiente para compensar o resultado menos favorável proveniente das relações económicas com o exterior, a que não será alheia a forma como a economia europeia está a reagir à actual conjuntura de inflação e taxas de juro altas.

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Já para que seja atingida a variação do PIB de 2,7% apresentada recentemente pelo ministro das Finanças como nova estimativa do Governo para este ano, será necessário que, depois de estagnar no segundo trimestre, a economia seja capaz de registar, nos trimestres que faltam, uma variação média de 0,7%.

[artigo disponível na íntegra só para assinantes aqui]

28.7.23

Aumentou número de mulheres com funções de topo na gestão entre 2016 e 2022

Por Lusa, in Expresso

Em 2022, 37,8% do total de pessoas ao serviço com funções de gestão nas empresas respondentes ao inquérito eram mulheres, uma redução de 3,5% face a 2016


A percentagem de mulheres no total dos trabalhadores com funções de gestão em empresas recuou 3,5 pontos percentuais (p.p.) entre 2016 e 2022, para 37,8%, mas a proporção daquelas que têm funções de topo subiu no mesmo período.

Estes dados constam do inquérito às práticas de gestão em 2022, cujos resultados foram divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), tendo por base 3254 respostas válidas, e que atualiza os dados divulgados em 2017 com base num inquérito semelhante que teve por referência o ano de 2016.

Em 2022, 37,8% do total de pessoas ao serviço com funções de gestão nas empresas respondentes ao inquérito eram mulheres, o que traduz um decréscimo de 3,5 p.p. face a 2016.

Por outro lado, refere o INE, as mulheres com cargos de gestão representavam 9,5% do total de pessoas ao serviço do sexo feminino (-6,2 p.p. face a 2016) e apenas 4,4% do total de pessoas ao serviço nas sociedades respondentes em 2022 (-2,1 p.p. face a 2016).

No entanto, e apesar da tendência decrescente, "a proporção de mulheres com funções de gestão de topo no total de pessoas ao serviço com este tipo de funções foi 29,0% (+2,1 p.p. do que em 2016)", assinala o instituto estatística nacional.

O inquérito permitiu ainda apurar que mais de metade das empresas (51,3%) com resposta válida tinham 20 ou mais anos de idade, estavam integradas em grupos económicos (62,6%) e eram micro, pequenas e médias empresas (65,4%).

Por outro lado, 54% das empresas eram detidas pelos seus fundadores ou familiares destes (um recuo de 2,6 p.p. face a 2016), a maioria (62,6%) tinham gestores de topo licenciados ou com grau académico superior.

Para mais de 60% das empresas, as características que melhor descrevem um gestor de topo são "Tomar decisões", "Assumir as responsabilidades" e "Liderar pelo exemplo", mencionadas por 69,0%, 64,9% e 46,8% das sociedades, respetivamente.




27.7.23

Viagens dos portugueses ao estrangeiro crescem mais do que o turismo interno

Rita Robalo Rosa Jornalista, in Expresso

Quem vive em Portugal continua a preferir viajar pelo país. Mas no primeiro trimestre as viagens em território nacional cresceram 9,3% face ao ano passado, enquanto as viagens ao estrangeiro subiram quase 36%


Os residentes em Portugal continuam a preferir viajar pelo país, mas no primeiro trimestre o crescimento das viagens ao estrangeiro foi mais acentuado do que o aumento do turismo interno, mostram os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta quinta-feira.


Nos primeiros três meses do ano, os residentes em território português realizaram 4,9 milhões de viagens, o que correspondeu a um acréscimo de 11,8% face ao período homólogo e até mais 3,9% que no primeiro trimestre de 2019 (antes da pandemia).

Contudo, o acréscimo não é igual ficando por cá ou indo para fora. “As viagens em território nacional corresponderam a 88,7% das deslocações (4,3 milhões) e aumentaram 9,3%” face ao período homólogo, e cresceram 5% face ao período pré-pandemia (primeiro trimestre de 2019).

Já “as viagens com destino ao estrangeiro cresceram 35,8% [em comparação com o primeiro trimestre de 2022], totalizando 549,1 mil viagens, o que correspondeu a 11,3% do total”. De acordo com o INE, estas viagens estão a aproximar-se, aos poucos, dos valores de 2019, mas no primeiro trimestre ainda ficaram 4,6% abaixo desses níveis.

O gabinete estatístico refere ainda que a “visita a familiares ou amigos” foi a principal motivação para viajar no primeiro trimestre de 2023 (2,2 milhões de viagens).

Os “hotéis e similares” concentraram 23,6% das dormidas resultantes das viagens turísticas no período em análise. Contudo, o “alojamento particular gratuito” manteve-se como a principal opção de alojamento (68,7% das dormidas).

19.7.23

Juro implícito do crédito à habitação atinge em junho máximo desde abril de 2009

Por Lusa, in TSF

Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro subiu 25,0 pontos base.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro subiu 25,0 pontos base, de 3,882% em maio para 4,132% em junho, atingindo o valor mais elevado desde maio de 2012.

Para o destino de financiamento aquisição de habitação, o mais relevante no conjunto do crédito à habitação, a taxa de juro implícita para o total dos contratos subiu para 3,631% (+24,8 pontos base face a maio). Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro subiu 25,2 pontos base face ao mês anterior, fixando-se em 4,123%.

Considerando a totalidade dos contratos, em junho, o valor médio da prestação mensal fixou-se em 361 euros, mais nove euros do que em maio e mais 100 euros do que em junho de 2022 (aumento de 38,3%).

Deste valor, 192 euros (53%) correspondem a pagamento de juros e 169 euros (47%) a capital amortizado - em junho de 2022, a componente de juros representava apenas 16% do valor médio da prestação (261 euros).

Junho foi o segundo mês consecutivo em que os juros representaram mais de metade da prestação.

Nos contratos celebrados nos últimos três meses, o valor médio da prestação subiu 18 euros em junho face ao mês anterior, para 609 euros, o que representa um aumento de 48,9% face ao mesmo mês do ano anterior.

Em junho, o capital médio em dívida para a totalidade dos contratos subiu 127 euros face ao mês anterior, fixando-se em 63.296 euros.

Para os contratos celebrados nos últimos três meses, o montante médio em dívida foi 122.570 euros, menos 1.495 euros do que em maio.

13.7.23

Qual o preço das casas em Lisboa? E em Almeida? Veja o valor no seu concelho

Rita Robalo Rosa, in Expresso

O preço mediano do metro quadrado (m2) subiu para 1565 euros, segundo os dados do INE. Houve uma desaceleração, mas não foi essa a tendência em todo o país. Lisboa, sem surpresa, tem o m2 mais caro, mas… qual é o município com o m2 mais em conta?


preços do metro quadrado (m2) dos imóveis para habitação, mas o mesmo não aconteceu em todos os concelhos do país. Lisboa, o concelho com o m2 mais caro do país, registou uma aceleração dos preços, mas o mesmo aconteceu em Barcelos, Loures, Famalicão e outros municípios por Portugal fora.

Nos primeiros três meses de 2023 o preço mediano de alojamentos familiares em Portugal foi 1565 euros por metro quadrado (m2), correspondendo a um crescimento de 7,6% face ao mesmo período do ano passado. Ou seja, houve uma desaceleração face ao último trimestre do ano passado, uma vez que nesse período a variação homóloga tinha sido de 10,7%.

No período em análise, “o preço mediano da habitação aumentou, face ao período homólogo, em 20 sub-regiões NUTS III, destacando-se os crescimentos da Lezíria do Tejo (17,5%), Algarve (16,6%), Leiria (15,9%), Cávado (15,6%) e Área Metropolitana de Lisboa (15,2%)”.

Por outro lado, o preço caiu no Alto Tâmega (-2,6%), em Terras de Trás-os-Montes (-2,8%), em Viseu Dão Lafões (-6,5%), na Beira Baixa (-13,5%) e no Baixo Alentejo (-13,3%).

Em relação ao último trimestre do ano passado, os preços desaceleraram em 14 das 25 sub-regiões NUTS III, mas aceleraram nas restantes, nomeadamente na Área Metropolitana de Lisboa (subida de 13,9% no último trimestre de 2022 e de 15,2% no primeiro trimestre deste ano).

A AML tem dos concelhos com o metro quadrado mais caro e, o município que dá lugar à capital é mesmo aquele com o preço mais elevado. Aliás, se no resto do país houve, no geral, uma desaceleração dos preços, o mesmo não aconteceu em Lisboa: os preços das casas tinham crescido 8% em termos homólogos no último trimestre de 2022 e no primeiro trimestre de 2023 cresceram ainda mais: 9,2%.

Foi, aliás, a primeira vez desde o primeiro trimestre de 2020 (início da série), que a cidade lisboeta registou uma taxa de variação homóloga superior à do país.

Olhando para os outros 23 municípios com mais de 100 mil habitantes, em 14 houve uma desaceleração dos preços, “destacando-se com decréscimos superiores a 10 pontos percentuais [p.p.], Coimbra (16,5 p.p.), Santa Maria da Feira (14 p.p.), Vila Franca de Xira (11 p.p.) e Funchal (10,2 p.p.). Destaque também para o Porto, onde os preços desaceleraram 1,6 p.p.

Apesar da desaceleração geral, em 14 concelhos com mais de 100 mil habitantes das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto o crescimento homólogo dos preços foi superior à média nacional, “tendo o município de Loures (26,5%) registado o valor mais elevado".

Apesar de, no geral, os concelhos com mais de 100 mil habitantes terem os preços mais elevados do país, no ‘top 5’ entram dois municípios que não chegam a esse patamar de habitantes, mas que se encontram numa região cujos preços são, tradicionalmente, mais elevados, em parte graças ao turismo: Loulé e Lagos.

Por outro lado, os concelhos com o preço do m2 mais baixo estão longe de chegar aos 100 mil habitantes. Por exemplo, o município com o m2 mais barato, Figueira de Castelo Rodrigo (Guarda), nem chega aos 6 mil habitantes, segundo os Censos mais recentes, de 2021.

Lisboa é, claramente, o município mais caro, com o m2 a vale quase 4000 euros. O Porto, a segunda maior cidade do país, apesar de não comparecer no ‘top 5’ não anda longe: a cidade do Norte do país ficava em oitavo lugar, com o m2 a valer cerca de 2,6 mil euros.

Nota: O INE não tem dados disponíveis para os concelhos de Freixo de Espada à Cinta (Bragança), Penedono (Viseu), Vimioso (Bragança), Manteigas (Guarda), Barrancos (Beja), Calheta (Madeira), Corvo (Açores) e Santa Cruz das Flores (Açores).

12.7.23

Rendas das casas sobem 4,6% em junho em termos homólogos

Por Lusa, in Expresso

A subida das rendas acelerou em junho para 4,6% (4,5% em maio), com todas as regiões a apresentarem um crescimento homólogo, nota o INE

As rendas das casas por metro quadrado aumentaram 4,6% em junho face ao mesmo mês de 2022, acelerando face aos 4,5% do mês anterior e com todas as regiões a apresentarem subidas homólogas, divulgou, esta quarta-feira, o INE.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em junho "todas as regiões apresentaram variações homólogas positivas das rendas de habitação, tendo a Região Autónoma da Madeira registado o aumento mais intenso (5,1%)".

Quanto ao valor médio das rendas de habitação por metro quadrado, registou uma variação mensal de 0,4%, valor idêntico ao do mês anterior.

A região com a variação mensal positiva mais elevada foi o Norte (0,5%), não se tendo observado qualquer região com variação negativa do respetivo valor médio das rendas de habitação.

11.7.23

Come-se cada vez menos carne na Alemanha — ao contrário de Portugal

Bárbara Baltarejo, in Público

Os alemães estão a comer cada vez menos carne: 52 quilos por ano, o valor mais baixo de sempre. Já os portugueses estão a comer 118,5 quilos.

O consumo de carne atingiu um mínimo histórico na Alemanha. Os alemães estão a comer cada vez menos produtos com carne, das típicas salsichas grelhadas ao schnitzel, apontam os dados.


De acordo com o Ministério da Agricultura e da Alimentação, o consumo caiu para 52 quilos por pessoa no último ano, o valor mais baixo de sempre desde que os dados começaram a ser monitorizados, em 1989. Os dados do relatório preliminar apontam para uma redução no consumo de 4,2 quilos de carne, quando comparados os números de 2022 com os de 2021.


Que mudanças fizeram os alemães na sua alimentação? De acordo com os dados, cada alemão comeu menos 2,8 quilos de porco, 900 gramas de carne de vaca e vitela e menos 400 gramas de carne de aves. “Provavelmente, este declínio no consumo de carne é causado pela tendência contínua de adesão a dietas vegetarianas”, aponta o Ministério da Agricultura e da Alimentação.

Há apenas cinco anos, em 2017, o consumo por pessoa estava nos 61 quilogramas. Esta redução pode ser explicada por vários factores: o aumento do preço da carne devido à inflação, preocupações ambientais e a já referida adesão ao vegetarianismo. Estima-se que, actualmente, 10% da população alemã siga uma alimentação veggie quando, em 2018, era apenas 6%.


Em sentido contrário, em Portugal come-se cada vez mais carne. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que, em 2022, cada português comeu 118,5 quilogramas de carne. Isto representa um aumento de quatro quilos face ao ano anterior, em que se registaram 114,5 quilos por habitante.

Ainda assim, já houve anos em que os portugueses comeram mais carne. Olhando para os números do INE, actualizados a 25 de Maio, pode ver-se que o ano em que o consumo de carne foi mais alto foi 2019, com cada português a comer 119,9 quilos de carne por ano.

Quanto ao número de vegetarianos em Portugal, o primeiro estudo feito sobre esta realidade mostrou que 9% da população portuguesa deixa a carne e o peixe fora do prato. Esta percentagem representa cerca de 764 mil adultos e considera todo o tipo de vegetarianos, assim como quem come produtos de origem animal esporadicamente.