Rita Robalo Rosa, in Expresso
O preço mediano do metro quadrado (m2) subiu para 1565 euros, segundo os dados do INE. Houve uma desaceleração, mas não foi essa a tendência em todo o país. Lisboa, sem surpresa, tem o m2 mais caro, mas… qual é o município com o m2 mais em conta?
preços do metro quadrado (m2) dos imóveis para habitação, mas o mesmo não aconteceu em todos os concelhos do país. Lisboa, o concelho com o m2 mais caro do país, registou uma aceleração dos preços, mas o mesmo aconteceu em Barcelos, Loures, Famalicão e outros municípios por Portugal fora.
Nos primeiros três meses de 2023 o preço mediano de alojamentos familiares em Portugal foi 1565 euros por metro quadrado (m2), correspondendo a um crescimento de 7,6% face ao mesmo período do ano passado. Ou seja, houve uma desaceleração face ao último trimestre do ano passado, uma vez que nesse período a variação homóloga tinha sido de 10,7%.
No período em análise, “o preço mediano da habitação aumentou, face ao período homólogo, em 20 sub-regiões NUTS III, destacando-se os crescimentos da Lezíria do Tejo (17,5%), Algarve (16,6%), Leiria (15,9%), Cávado (15,6%) e Área Metropolitana de Lisboa (15,2%)”.
Por outro lado, o preço caiu no Alto Tâmega (-2,6%), em Terras de Trás-os-Montes (-2,8%), em Viseu Dão Lafões (-6,5%), na Beira Baixa (-13,5%) e no Baixo Alentejo (-13,3%).
Em relação ao último trimestre do ano passado, os preços desaceleraram em 14 das 25 sub-regiões NUTS III, mas aceleraram nas restantes, nomeadamente na Área Metropolitana de Lisboa (subida de 13,9% no último trimestre de 2022 e de 15,2% no primeiro trimestre deste ano).
A AML tem dos concelhos com o metro quadrado mais caro e, o município que dá lugar à capital é mesmo aquele com o preço mais elevado. Aliás, se no resto do país houve, no geral, uma desaceleração dos preços, o mesmo não aconteceu em Lisboa: os preços das casas tinham crescido 8% em termos homólogos no último trimestre de 2022 e no primeiro trimestre de 2023 cresceram ainda mais: 9,2%.
Foi, aliás, a primeira vez desde o primeiro trimestre de 2020 (início da série), que a cidade lisboeta registou uma taxa de variação homóloga superior à do país.
Olhando para os outros 23 municípios com mais de 100 mil habitantes, em 14 houve uma desaceleração dos preços, “destacando-se com decréscimos superiores a 10 pontos percentuais [p.p.], Coimbra (16,5 p.p.), Santa Maria da Feira (14 p.p.), Vila Franca de Xira (11 p.p.) e Funchal (10,2 p.p.). Destaque também para o Porto, onde os preços desaceleraram 1,6 p.p.
Apesar da desaceleração geral, em 14 concelhos com mais de 100 mil habitantes das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto o crescimento homólogo dos preços foi superior à média nacional, “tendo o município de Loures (26,5%) registado o valor mais elevado".
Apesar de, no geral, os concelhos com mais de 100 mil habitantes terem os preços mais elevados do país, no ‘top 5’ entram dois municípios que não chegam a esse patamar de habitantes, mas que se encontram numa região cujos preços são, tradicionalmente, mais elevados, em parte graças ao turismo: Loulé e Lagos.
Por outro lado, os concelhos com o preço do m2 mais baixo estão longe de chegar aos 100 mil habitantes. Por exemplo, o município com o m2 mais barato, Figueira de Castelo Rodrigo (Guarda), nem chega aos 6 mil habitantes, segundo os Censos mais recentes, de 2021.
Lisboa é, claramente, o município mais caro, com o m2 a vale quase 4000 euros. O Porto, a segunda maior cidade do país, apesar de não comparecer no ‘top 5’ não anda longe: a cidade do Norte do país ficava em oitavo lugar, com o m2 a valer cerca de 2,6 mil euros.
Nota: O INE não tem dados disponíveis para os concelhos de Freixo de Espada à Cinta (Bragança), Penedono (Viseu), Vimioso (Bragança), Manteigas (Guarda), Barrancos (Beja), Calheta (Madeira), Corvo (Açores) e Santa Cruz das Flores (Açores).

